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ESCRITORES HISPÂNOS (CARLOS ARNICHES Y BARRERA)

Arniches y Barrera, Carlos (Alicante, 1866-1943). Foi um dos mais prolíficos e importantes autores de sainetes xunto com os irmáns Álvarez Quintero. Escrebeu mais de duzentos sainetes ( que entón eram acompanhados com música como as zarzuelas), cuxos temas principais eram a vida e as costûmes madrilénas. Muitos deles forom escritos com a colaboraçón de Abati, García Álvarez, López Silva, Fernández Shaw e outros. Os que escrebeu em solitário forom reunidos por E. M. del Portillo em “Obras completas” (1948). Entre os seus sainetes mais populares podemos mencionar “Alma de Dios”, “El senhor Badanas”, “Don Quintín el amargao” e “La señorita de Trevélez.” Dedicou-se-lhe um número especial em “Cuadernos de Literatura Contemporânea” (1943), que inclúie unha bibliografía de Arregui. Nas suas obras esaxéra a nota sentimental e a miúdo descuida aspectos gramaticais e léxicos, ainda que o seu sentido teatral sexa innegábel e os seus neoloxismos foram incorporados ao castelán de Madrid. Em carta a Julio Cejador, afirmou: “Aspiro somente com os meus sainetes e farsas a estimular as condiçóns xenerosas do povo e fazer-lhe odiosos os malos instintos. Nada mais”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ARNAU DE VILANOVA)

Arnau de vilanova (Valencia, c. 1240 – 1311). Escritor espiritual contemporâneo de Ramon Llull. Estudou línguas orientais, medicina e teoloxía; servíu como médico real em diferêntes côrtes, dedicando-se também ó ensino, época que marcou um câmbio importânte no seu pensamento. Foi influído polas doutrinas espirituais da época – o misticismo visionário de Joaquín de Fiore, o cabalismo xudaico, etc… – , as suas preocupaçóns de ordem relixioso passarom a um primeiro plano: nas suas predicaçóns advertía da inminente chegada do Anticristo e do fim do mundo (que datou em diferêntes ocasións), ao mesmo tempo que propugnaba a reforma da Igrexa e das ordens relixiosas. A sua produçón consta de numerosas obras médicas – perto de setenta – , escritas em latím, e de um bom número de obras de carácter relixioso, escritas em latím e em catalán. Debído a unha sentênça condenatória de 1316, somente se conservaron em catalán cinco opúsculos relixiosos: “Confessió de Barcelona” (defesa do seu ideário lída no palácio real de Barcelona em 1305), a “Lliçó de Narbona”, a “Informació als beguins”, o “Raonament d’Avinyó” e a “Informació espiritual”, dirixida a Federico de Sicília.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ANTONIO ARNAO)

Arnao, Antonio (Murcia, 1828 – 1889). Poeta e autor de libretos de zarzuela. Com o seu paisano murciano José Selgas, Arnao representa a tradiçón antiromântica da época. Os seus dramas históricos sobre figuras nacionais como o rei Rodrigo e Garcilaso non tiverom demasiado êxito e os seus versos non soportárom o passo do tempo, ainda que Menéndez y Pelayo, indulxentemente, tenha apuntado que tinham pureza no vocabulário e unha cuidada construçón. Estes versos están reunidos em “Himnos y quejas” (1851), “Melancolías” (1857), “La campaña de África” (1860), “El caudillo de los ciento” (1866), “Poesías religiosas” (1872) e o libro póstumo “Soñar despierto” (1891), entre outros.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ DE ARMAS Y CÁRDENAS)

Armas y Cárdenas, José de (1866 – 1919). Crítico cubano que escrebia baixo o pseudónimo de “Justo de Lara”. O seu melhor libro foi “Cervantes y el Quijote” (La Habana, 1905), que foi superado em quanto a biografía polo de Astrana Marín, mas que continua vixente enquanto aos métodos que Cervantes utilizou para satirizar a Felipe III e ao duque de Lerma, que estabam empobrecendo o país ainda mais com as guerras contra os infieis. “El Quijote y su época” (1915) continuou as investigaçóns anteriores. Armas publicou os seus ensaios em dous volûmes, “Ensayos críticos de literatura inglesa y española” (1910) e “Estudios y retratos” (1911).

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ESCRITORES HISPÂNOS (ROBERTO ARLT)

Arlt, Roberto (Buenos Aires, 1900 – 1942). Novelista, contista e autor arxentino. As suas quatro novelas som: “El juguete rabioso” (1926), “Los siete locos” (1929) e a sua secuela, “Los lanzallamas” (1931), que trata das aventuras de uns homes que planeabam colapsar o mundo capitalista, e “El amor brujo” (1932). Reuníu os seus contos em “El jorobadito” (1933). “Aguafuertes porteñas” som escenas da vida bonaerense. Há algo dos “Sueños de Quevedo” no mundo grotesco e pessimista de Arlt, para quem os seres humanos som monstruos que se movem nas sombras, ou autómatas que vivem nas cidades. Arlt, a diferênça de Larreta, escrebia rápidamente, pois também era um xornalista activo. As suas ficçóns carecem pois, da elaboraçón cuidadosa de outros dos seus contemporâneos, e algunhas incongruências argumentais e falta de planificaçón. Non obstânte, o seu poderío imaxinativo e a sua intensa visón da urbe, convertirom-no num dos novelistas mais interessantes da sua época. As suas obras teatrais som “África, trescientos millones” (1932), “La isla desierta” e “El fabricante de fantasmas” (1936). As suas “Novelas completas y cuentos” (3 volûmes) aparecerom em 1963. Existem ediçóns mais recentes.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MANUEL MARÍA DE ARJONA Y DE CUBAS)

Arjona y de Cubas, Manuel María de (Osuna, 1771 – 1820). Poeta. Foi canónigo da catedral de Córdoba. Fundou a Academia Horaciana e revitalizou a Academia de Buenas Letras em Sevilla (1793). O seu poema mais conhecido é o neoclássico “Las ruínas de Roma” (1808), inspirado nunha visita que fixo a aquela cidade. Também escrebeu as odas “A la memoria” e “La ninfa del bosque”. As suas “Poesías” aparecerom no volûme LXIII (1871) da BAE.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JUAN DE ARJONA)

Arjona, Juan de (Granada, c. 1560 – 1603). Sacerdote de Puente de Pinos que traduziu a “Thebaida de Estacio em oitavas”, com tanto acerto que Lope de Vega chamou-lhe o “Novo Apolo granadino, pluma heroica e soberana”. Morreu depois de haber traducido os primeiros nove libros. Os outros três que restabam forom traducidos por Gregorio Morillo em 1618. A versón completa apareceu no volûme XXXVI (1871) da BAE.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JUAN ARIZA)

Ariza, Juan (Motril,1816 – Cuba, 1876). Autor de obras teatrais românticas de temática fundamentalmente patriótica e nacionalista. Entre elas podemos citar “Alonso de Ercilla” (1848), “Hernando del Pulgar” (1849) e “El primer Girón” (1850). As suas novelas receberom a influênça de Dumas pai e também nelas utilizou os temas históricos em abundância. Talvez a melhor delas sexa “El dos de mayo” (1846). Também destaca na sátira política e novelesca “Viaje al infierno” (1848).

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¡¡QUE NADA SE SABE!! (44)

Nas cousas que carecem de alma, há tovavía maior câmbio, maior diversidade, tanto na xeraçón como na corrupçón. Mais ainda: na variedade, abundância, e inclúso na contrariedade dos efeitos de unha mesma cousa. Assím como, à inversa, a variedade, abundância e inclúso a contrariedade das causas, de um mesmo efeito, nos privam da ocasión de saber. Sirva-te como único exemplo (non vaia a ser demasiádo demorado, xá que estas cousas tenhem que ser debatidas mais ampliamente em “Examen rerum”) o calor, que, sendo el mesmo, enxendra, corrompe; branqueia, enegréce; quênta, enfría; adelgaza, engorda; separa, reúne; derrete, solidifica; seca, humedece; enrarece, condensa; alarga, acurta; ensancha, estreita; adoça, amarga; agrava, alixeira; abranda, endurece; atraie, repêle; impulsa, retém; alégra, entristece. ¿Que non fará, em suma, o calor? El é o “numen sub-lunar”, mán dereita da natureza, axente dos axentes, motor dos motores, princípio de princípios, causa das causas sub-lunares, instrumento de instrumentos, alma do Mundo. Non sem motivo, muitos dos antigos, nos começos da filosofia, acreditarom que o fogo era o primeiro princípio. Com razón Trimegisto chamou Deus ao fogo. E com muitíssima razón pudo Aristóteles chamar a Deus calor do céu (ainda que non acreditásse que o calor do céu fora Deus), polo qual nesse ponto a Cicerón, lhe pareceu mal. Em efeito. ¿Que pode suxerir melhor que o fogo, o poder e a força de Deus, “Optimo e Máximo”, assím como proporcionar unha certa imaxem da sua inefábel divindade? O mesmo lhe deu a entender, ó mostrar-se por primeira vez ao seu servo nunha zarza ardente, para guiar o seu povo amado através do deserto, mediante unha columna de fogo e descender em línguas de fogo sobre a assambleia dos seus elexidos. Xá vés, quantas cousas fai o calor! Non obstânte, non é mais que um accidente cuxa natureza, como as demais cousas, nos resultam desconhecidas.

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (112)

Agora, nos nossos tempos a experiência parece confirmar, que todo sonho é suxerido, porque ainda que falte a animosidade pessoal, contudo, sabe-se que há Spíritos que os suxérem, pola sua própria vontade expontânea. De todas maneiras, os sonhos podem sub-dividir-se em quatro categorías: Claros, Confusos, Suxerídos e Naturais. O Sonho Claro (é suxerído polos Spíritos bons que habitam as rexións etéreas e celestiais). O Sonho Confuso (suxerído polos Spíritos pouco elevados, supercheros, falsos, e algunhas vezes malígnos). O Sonho Suxerído (todos os sonhos som suxerídos), quando afecta imáxes, em virtude de algunha cousa, ou de algúm exceso desconhecido (ou conhecido), e às vezes perigoso, sem a pessoa saber, ou em virtude de algúm obxecto animado, acabam suxerindo o sonho com conhecimento de causa, de maneira que a pessoa dorminte, mira, pensa, passeia, fala, goza, disfruta, e parece-lhe realmente estar desperto. Neste caso, a vida parece retirar-se, abandonar o corpo e reconcentrar-se toda ela na alma, refuxiar-se na atmosfera, divagar polo mundo, sentir os obxectos sonhados como cargados de realidade. O Sonho Natural (este é o sonho natural da nossa alma), non afecta imáxens nem pensamentos, tem-se como um leve recordo, este sonho non sendo afectado por imáxes nem excesos, non molesta o corpo, e a pessoa acorda, sem lembrar-se del, somente com unha leve intuiçón. A pessoa non sonha, senón em virtude de um estado apropriado à natureza dos mundos, que voam no espaço infinito, e desde alí poderá vir um Spírito misturar-se no nosso sonho natural, activándo-o ou neutralizándo-o, bom ou malo, etc… Segundo os nossos pecados, assím será a natureza do Spírito, mas neste mundo nosso tán atrasado, está mais cheio de Spíritos malos que bons. Dos quais nos libre Deus. Amén!

MANUEL CALVIÑO SOUTO

DESCARTES (A DESCOBERTA DO MUNDO)

A pensón herdada da nái, apesar de tudo, non podía cobrir tantos anos de deslocaçóns e comodidades. Sexa como for, Descartes conta no Discurso que ao acabar os seus estudos se preparou para “ir conhecer o mundo” e, sabemos hoxe, que cumpriu à risca o seu plano. Vexamos as etapas dessa intensa “volta europeia”. A sua primeira paraxem foi a cidade holandesa de Breda, na fronteira entre os Países Baixos espanhóis (católicos) e as Províncias Unidas (protestantes), onde se alistou na guarniçón militar do príncipe calvinista Maurício de Nassau para se formar em enxenharia e técnica militar. Em Breda, enquanto resolvia um problema matemático num anúncio de rua, teve um feliz encontro com o xovem Isaac Beeckman. Este brilhante cientista holandês, seguidor de Copérnico e do novo atomismo mecanicista, ficou instantaneamente maravilhado com os dotes matemáticos do misterioso estranxeiro. Durante os anos de amizade que se seguiram, Beeckman estimulou a intelixência do filósofo apresentando-lhe problemas científicos de tipo práctico, em cuxa resoluçón Descartes tomou consciência das suas capacidades. Embora apenas dez anos depois se tivesse decidido a passar à escrita as suas ideias, ficou em dívida sincera para com o seu novo amigo: “Sois a única pessoa que me tirou da indolência e me fez recordar o que eu tinha aprendido e xá quase habia esquecido”. Mas a chegada a Breda deu-se no delicado momento em que unha discussón teolóxica acerca da predestinaçón no seio do protestantismo tinha provocado um início de guerra civil nas prósperas Províncias Unidas. A discussón xiraba à volta da questón de Deus ter escolhido de antemán as almas daqueles que se salvariam. Como para os calvinistas ortodoxos negar a dita tese implicava questionar a omnisciência divina e, para cúmulo, aproximar-se da doutrina católica do libre arbítrio, arremeteram furiosamente contra os seus defensores, congregados em torno do teólogo Jacob Armínio. Finalmente, o príncipe Maurício decidiu convocar unha assembleia internacional de teólogos calvinistas (o Sínodo de Dort), que condenou todos os arminianos à destituiçón imediata e ao exílio. Descartes seguiu os factos muito de perto. Entretanto, os poderosos espanhóis (e a casa de Áustria, que ocupava o seu trono e urdia ambiciosos planos de conquista) aproveitarom a desordem holandesa para tomar a iniciativa em política exterior, orientando-a para a eclosón de unha guerra que. pensavam, lhes devolvería o controlo do Sacro Império Romano (formado polos estados xermânicos, onde os católicos tinham perdido boa parte do seu poder depois da Reforma). Em Septembro de 1619, deu-se um acontecimento importante para o desenvolvimento da trama: a coroaçón do novo imperador do Sacro Império Romano, Fernando II, cuxo conselheiro pessoal era o xesuíta Guilherme Lamormaini. A figura de Fernando era fulcral para os interesses católicos: a primeira cousa que fixo foi declarar nulas as possessóns do palatinado protestante da Boémia e oferecer unha parte à Espanha e outra ao católico Maximiliano da Baviera. Adivinham quem estaba em Frankfurt no dia da coroaçón, à qual assistiu em primeiríssima pessoa? O nosso filósofo disfarçado. Descartes tinha abandonado Breda pouco antes, em Maio de 1619.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

OS TESOUROS DO FEITIÇEIRO

Há um libro segredo do que muitos falan, e poucos conhecem os seus encantos. Estou-me referindo ao “Ciprianilho”, ou sexa o Grande libro de San Cipriano ou Os Tesouros do Feiticeiro. A sua orixe, o mesmo que o nome ou vida do autor, perderam-se na noite bretemosa dos tempos. Sábe-se que xá existia a finais do século XVII, ou inícios do XVIII, e que fora muito perseguido pola Inquisiçón. Como passou com muitos outros libros désta temática. Non todas as ediçóns som iguais, varíam unhas das outras, tanto no conteúdo como na disposiçón e ordenamento das mesmas. O caso mais chamativo, resulta, que em muitos deles, non figura a lista dos tesouros que esconderom os mouros na Galiza. Nada sabemos sobre o seu autor, nem a data da sua vida, nem o lugar onde viveu. O certo é, que tal como chegou até nós, non é obra de um só autor, senón de muitos que ó longo dos séculos, forom incrementando capítulos da sua própria colheita. Mas há algo que cumpre dizer, xá que nos estamos referindo ao “Condado de Salvaterra”, e é que, tanto a lista dos tesouros, como na história de Víctor Siderol (que figura nalgunhas ediçóns ó começo), os topónimos que mais abundam som do sul da província de Pontevedra e sobre tudo, da bisbarra do Condado. Sería daqui o autor? O que non há dúvida, é que conhecia muito bem estas terras, pois pára-se a nomear lugares pequenos de pouca povoaçón, por exemplo: quando Siderol lhe pergunta ao demo polos tesouros, que há ocultos na Galiza, responde-lhe várias vezes; “se alá acaso chegares com vida, pergunta nos lugares que che vou nomear: Rubiós, Outerelo, Taboexa, Lañas, Infesta, Fillaboa, Guillade, Sobroso, Puxeiros, Budiño, Aranza, Guinza, Caritel, Mondin, Fraguedo, Celeiros, Fozara, Borben, Mondariz…” Para dar-lhe maior autenticidade, no capítulo dedicado aos tesouros galegos, enceita-se afirmando que é um resume de um pergaminho encontrado no castelo de D. Gutierre de Altamira (no actual concelho de Brión, non lonxe de Santiago de Compostela), o ano de 1065. O autor do libro afirma que o copiou na Biblioteca Académica Peninsular Catalani, e que estava na estânte nº 76 A. Vindo despois a seguinte aclaraçón: “Todos os tesouros e encantamentos do antigo Reino da Galiza, achan-se ocultados polos mouros e romanos em esconderixos baixo terra…” Suponho que, haberá algúns que se rirán do conteúdo do “Ciprianilho”, mas o que sí cadra non sabem, é que non muito lonxe de Pontareas, houbo quem guiândo-se por el se dedicou a remover terra e mais terra, e que também se tem desfeito algunha torre e fachada de igrexa. Ainda a começos deste século, baixo o pretexto de que alí había algo, um grande tesouro. Como é normal, o amigo leitor quererá conhecer os lugares, onde se afirma que existem grandes tesouros agachados polos romanos, ou mouros fai centos de anos. O de acreditar se isto é certo ou non depende da pessoa, o que sí lhes pido, é que non faga como aquel Xán de Deza, do qual fala Curros Enríquez, que se arruinou para mercar o libro em Castela e passar meia vida à procura de encontrar tesouros. Estes som, pois, algúns dos lugares onde se afirma há cousas de valor: Portela (actualmente Vilasobroso), Lougares, Mondariz, Prado, Sobroso, Confurco (lugar de Xinzo), Corzáns, Uma, Pías, Celeiros, Guillade, Gargamala, Cumiar, Fozara, Guláns, Lira, Canedo, Moreira… Ainda que aquí nos limitemos a dar somênte o topónimo das localidades, no “Ciprianillo” detálha-se onde se atopa o tesouro, o seu conteúdo e valor e, nalgúns casos inclúso a sua procedência: “Em Uma, onde se cruzan os dous caminhos principais de carro, está a quatro homes de profundidade, o tesouro da Rainha mulher de Bampo II”. Rematamos, com versos de Curros Enríquez, que é o melhor que se pode dizer ou falar deste libro máxico, perseguído e cobiçado durante centos de anos por muitos sonhadores:

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Entre as follas revesgadas

dese libro danse señas

de tesouros

e riquezas enterradas

pé dos ríos e das brañas

polos mouros.

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Probe Xán, qué desengaño!

Cántas terras rexistrache

cos teus ollos,

rexistráchelas en vano:

o tesouro que atopache

foi de piollos!

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CLÓDIO GONZÁLEZ PÉREZ (Publicado em A Peneira – Ano I 1984)

O UNIVERSO DA CULTURA ERGUE-SE SOBRE DETERMINAÇÓNS ESTRUCTURAIS.

O propriamente linguístico da língua é de carácter sincrónico. O “sincrónico”, isto é, o simultâneo no tempo, opôn-se ao “diacrónico”, o sucessivo no tempo. Os signos som arbitrários, e o único que conta, linguisticamente falando, é o feixe de oposiçóns em que cada signo coexiste com os demais. Em cada caso, o corte “sincrónico” é o mais relevante de um ponto de vista linguístico, tal como acontece no xadrez, em que é sempre inteiramente indiferente o processo polo qual se chegou ao estado actual do xogo, de maneira que “quem seguíu a partida non tem vantaxem sobre o curioso que vem ver o estado do xogo no momento crítico: para descreber essa posiçón é completamente inútil recordar o que acabou de acontecer dez segundos antes.” Todas estas consideraçóns tornavam factível a tentativa de construir um “modelo” que funcionasse como um sistema em que os elementos se definissem inteiramente entre si, um modelo que, portanto, deberia ser capaz de nos informar sobre o que, no caso de modificar um elemento, debería ocorrer com todos os restantes. Seria absurdo pretender que dessa forma teríamos dito tudo o que há para dizer sobre os fenómenos linguísticos; mas, sem dúvida, teríamos isolado “algo” da língua, precisamente aquilo que poderíamos considerar, de futuro, a sua “estructura”. Ora, para além da linguaxem, será impossíbel encontrar algum outro fenómeno “social” susceptíbel do mesmo tratamento? Mas a pergunta também podería ser: para além da língua, non haverá, no âmbito dos fenómenos sociais, muitas outras cousas que sexam ou funcionem como unha linguaxem? Non encontraremos um fenómeno parecido onde quer que se possa falar em xeral de comunicaçón? Lévi-Strauss conseguiu aplicar esta perspectiva estructuralista, com bastante êxito, ao estudo das relaçóns de parentesco. Ensaiou-o também no estudo da mitoloxía e das costûmes, e mostrou que todo o universo da cultura se erguía sobre determinaçóns estructurais que poderiam perfeitamente ser inconscientes, do mesmo modo que as regras gramaticais operam sem que o falante tenha de pensar nelas nem sequer conhecê-las. Em todo o caso, o estructuralismo transformou-se nunha corrente que entrou em conflícto frontal com as filosofias da história e com as filosofias humanistas, e unha delas, talvez a mais importânte nesse momento, era, precisamente, o marxismo.

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

O FADO (UM MANANCIAL DE TALENTO)

Nesta primeira década do novo milénio, o fado floresce e por todo o país surxe um número considerábel de vozes, fazendo lembrar outras boas épocas. Polo manancial de talento, apressenta-se um futuro promissor para esta cançón popular. No lado femenino deste fado e todas com crédito firmado, contando xá com discografía própria e um certo percurso internacional destacam-se: Ana Sofia Varela, Teresa Tapadas, Maria Ana Bobone, Raquel Tavares, Aldina Duarte ou Ana Laíns que inclusive fez um dueto com Boy George no último disco do artista britânico. Outras fadistas interessantes que deverán ser seguidas com atençón som: Cláudia Leal, Cuca Roseta, Lina Rodrigues, Tânia Oleiro, Gisela Joao, Vanessa Alves, Rute Soares, Ana Margarida, Filipa Cardoso, Filipa Tavares, Débora Rodrigues, Joana Costa, Patrícia Rodrigues, Bárbara Passos, Fábia Rebordao, Luísa Rocha, entre outras. Os homes no fado de forma xeral, têm mais dificuldades em se impor no panorama internacional, porém este novo milénio trouxe algunhas vozes que têm conseguido transpor as fronteiras com as suas interpretaçóns. Um desses exemplos é António Zambujo que na voz e viola transporta para o mundo as tradiçóns do seu Alentejo. Edita quatro discos nesta década, tendo com os dous últimos obtido um interessante sucesso internacional com digressóns e ediçóns, particularmente no Brasil onde é bastante apreciado. O seu fado abrasileirado, valeu-lhe rasgados elóxios de Caetano Veloso e participaçóns com alguns artistas de relevo como Ivan Lins ou Roberta Sá. Neste novo milénio, Ricardo Ribeiro, inspirado no seu mestre Fernando Maurício, é o que melhor personifica o fado tradicional. Com unha voz poderosa, editou dous álbuns nestes anos, tendo com o seu último “Porta do Coraçón” conquistado os “média” e um público mais vasto. Entre outras, destaca-se a participaçón em disco e ao vivo com o compositor e tocador de “oud libanês”, Rabih Abou-Khalil. Com Ricardo Ribeiro a tradiçón volta a ser o que era.

FADO PORTUGAL

HANNAH ARENDT (AS ORIXENS DO TOTALITARISMO)

No capítulo anterior, vimos que a elaboraçón de “As Orixens do Totalitarismo” teve um desenvolvimento longo e complexo. Provabelmente, foi o libro a cuxa concepçón e escrita dedicou mais tempo. Non é difícil entender este complicado caminho, pois Hannah Arendt começou a pensar nas características do rexíme totalitário quando este ainda era unha realidade política, e acabou de escreber pouco depois do fim da guerra, em 1949. A informaçón de que dispunha para analisar o nacional-socialismo aumentou com a avalanche de documentaçón que foi aparecendo após a contenda sobre as questóns internas do rexíme. Este longo caminho na sua escrita faz com que pareça unha obra fragmentária, dividida em três partes: antissemitismo, imperialismo e totalitarismo. No entanto, a aparente falta de ligaçón entre as diferentes partes do libro non só se explica polo árduo processo de redaçón, mas também por unha questón de fundo: a recusa de Hannah Arendt em estabelecer ligaçṕns causais entre determinados factos históricos e o triunfo do totalitarismo. Isto dá-nos unha importante pista para compreender a sua tese principal: que o rexíme totalitário é um rexíme novo, sem precedentes na História, que non o podemos deduzir a partir de premissas históricas que o precedem. Neste sentido, non há unha relaçón causa-efeito directa, por exemplo, entre o antissemitismo e os campos de concentraçón. O antissemitismo, por sí só, como ideoloxía, non conduz necessariamente ao extermínio, esse caminho non era inevitábel. O que a autora destaca é que há elementos (como o antissemitismo, entre outros) presentes xá no século XIX, que non foram resolvidos pola política do século XX, e aos quais o novo rexíme totalitário deu unha resposta ou soluçón totalitária. O libro pretendia analisar o totalitarismo nas suas duas variantes, o nazismo e o estalinismo. Ambos representam um novo tipo de domínio, que non se pode interpretar com as habituais categorias da ciência política: tirania, autoritarismo ou dictadura. É preciso encontrar outro tipo de explicaçón, que dê conta do que implica o aparecimento súbito do poder totalitário e a criaçón de um mundo e unha sociedade igualmente totalitários. Apesar do obxectivo inicial, de entender um mesmo fenómeno que se manifestava tanto na Alemanha como na Rússia, no fundo o libro non apresenta um estudo comparativo entre nazismo e estalinismo, visto que se inclina para o estudo do caso alemán. A falta de documentaçón sobre o rexíme bolchevique, e o facto de continuar instituído no momento em que o libro era escrito, levou-a a centrar-se mais no nazismo. Embora Arendt tivesse o obxectivo de retomar a questón do totalitarismo soviético após a publicaçón do libro, examinando em particular os elementos totalitários do marxismo, acabou por non desenvolver esse proxecto.

CRISTINA SÁNCHEZ