
No meu segundo dia no quartel iniciou-se aquilo a que chamavam, comicamente, “instruçón”. Ao princípio, hoube tremendas cenas de caos. Os recrutas eram, na sua maioria, rapazes de dezasseis ou dezassete anos, dos becos de Barcelona, cheios de ardor revolucionário, mas ignorando completamente o significado da guerra. Era impossíbel conseguir, sequer, que formassem em linha. Non habia disciplina; se um home non gostaba de unha ordem, saía da forma e discutía violentamente com o oficial. O tenente que nos dava a instruçón era um xovem simpático, robusto e de rosto corado, que fora oficial do Exército regular (e ainda o parecia, com o seu porte marcial e o seu uniforme de ponto em branco). Curiosamente, era um socialista ardente e sincéro. Ainda mais do que os próprios soldados, insistía nunha completa igualdade social entre todos os postos. Recordo-me da sua expressón penalizada quando um recruta ignorante o tratou por “Señor”. “O quê?” “Señor”? Quem me tratou por “Señor”? Non somos todos camaradas? Duvido que isso lhe tenha facilitado a tarefa. Entretanto, os recrutas inexperientes non recebíam qualquer treino militar que lhes pudesse ser da mínima utilidade. Tinham-me dito que os estranxeiros non eram obrigados a comparecer à “instruçón” (notei que os espanhois tinham unha comovente convicçón de que todos os estranxeiros percebíam muito mais de assuntos militares do que eles), mas, apresentei-me como os outros, naturalmente. Estaba ansioso por aprender a manexar unha metralhadora; tratába-se de unha arma em que nunca tivera ensexo de tocar. Para meu espanto, verifiquei que non nos ensinavam nada acerca do manexo de armas. A chamada “instruçón” constaba apenas de exercícios de parada, do tipo mais antiquádo e mais estúpido: virar à direita, virar à esquerda, meia-volta, marchar em sentido, em columna de três e todas as outras tolíces inúteis que eu aprendera aos quinze anos. Estranho modo de preparar um exército de guerrilha! É evidente que, quando se dispón apenas de poucos dias para treinar um soldado, debe-se ensinar-lhe aquilo de que mais precisará: como protexer-se, como avançar em terreno descoberto, como montar guarda e construir um parapeito –e principalmente, como utilizar as suas armas. No entanto, àquela turba de crianças impetuosas, que dentro de poucos dias seríam lançadas no frente, non se lhe ensinava sequer a disparar unha arma nem a activar unha granada. Nessa altura, non cheguei a comprehender, que as cousas eram assím, porque, non lhe davam armas. Na milícia do P. O. U. M. a escassez de armas, era tán desesperada que as tropas frescas que chegavam ao frente, tinham de colher as armas das que íam render. Acredito, que as únicas armas existentes em todo o Quartel Lénine, eram as usadas polos sentinelas.
GEORGE ORWELL