Lev Tolstói (1828-1910) é um dos grandes literatos do Planeta. Entre as suas novelas mais conhecidas, ademais de “Guerra e Paz”, están “Anna Karenina” e “Resurreiçón”. Situada entre 1805 e 1813, nunha Russia convulsionada pola agressón napoleónica. Guerra e Paz, é unha das cûmbres da literatura universal. As andanças e peripécias de quatro famílias aristócratas (Os Kuraguin, os Bezujov, os Rostov e os Bolkonsky), articulam esta poderosa novela que abarca todos os rexistros e eternas preocupaçóns do ser humano –o amor, a morte, o bem e o mal, o sentido da existência, a amizade, o desengano…– e recrea unha época histórica decissíva –desde as grandes batalhas que valerom a glória a Napoleón, como Austerlitz, até ao incêndio de Moscovo e a derrota do exército francês– num conxunto prodixioso que arrebata o leitor.
Embirrei com este nome: “Combinado Têxtil de Tbilissi”. ¿Porque non se dizia, em linguaxe cristán, que aquilo era unha fábrica de meias? Tadeu Gogoladze, home paciente e minucioso, deu-me explicaçóns, mais ou menos confusas para mim: ali non se trata apenas de indústrias, mas de instituiçóns sociais. Tadeu Gogoladze é director do estabelecimento. Faz unha narrativa sincopada, alargando-se em números. Se o interrompemos, abre um parêntese na exposiçón, larga os papéis; depois continua, devagar, para non nos desorientarmos na escrita. Iniciou-se a construçón em 1939; findou em 1950. Começou a produçón em 1941. Aumento da produçón de 1950 a 1951: 32,8%. Mais de quatro mil operários. Oito horas de trabalho por dia. O salário médio é de oitocentos e vinte rublos, e o trabalhador paga polo aluguer da casa vinte e cinco rublos. ¿Só, perguntei admirado? –Non é pouco, disse o home. O aluguer da casa regula de um a três por cento do salário. Estamos no máximo. Podíamos estar em oito rublos. Há na fábrica sanatório, hospìtal, banhos, lavandaria, estádio, casa de cultura, sala de desportos, escolas de aprendizaxem, biblioteca, teatro. Nunha escola normal nocturna, próxima, os operários estudam sem lesar o trabalho. Recordei-me de um pedido feito dias atrás, na Voks. Unha senhora queria ver creches, xardins de infância, e o presidente embaraçara-se: –“Non é possíbel. Non há casas especiais para isso. Mas em qualquer fábrica a senhora encontrará o que desexa”. Agora, como non se mencionassem asilos infantis, perguntei: –¿O senhor non tem creches, xardins de infância? —Claro, respondeu Gogoladze. Pensei que non fôsse preciso dizer isso. E, com a mán na massa, forneceu-nos algunhas informaçóns complementárias. Mais de trezentos filhos de operários, están em campos vizinhos de Borjômi, a maior parte de graça. A permanência de mês e meio aí custa quinhentos rublos: os trabalhadores pagam de oitenta a cento e oitenta rublos; Nesses lugares existem professores, médicos, dentistas. Ás vezes as crianças ván para sanatórios e balneários, no mar Negro. Para repouso de crianças até oito anos há casas de campo, granxas, onde elas ficam três meses. As cousas vistas no papel começavam a dar-me enxôo. Melhor seria examiná-las. Erguemo-nos. Até que enfim! Xá me sentia com as pálpebras pesadas de algarismos. Enveredámos por um corredor; e achando unha porta meio pechada, marchei para ela, e empurrei-a. Alguém me vedou a passaxem. –Está aí! murmurei a Sinval Palmeira e Arnaldo Estrêla, meus companheiros excelentes desde Praga. Temos aí a cortina de ferro, há unha sala onde non podemos entrar. Mas a prohibiçón referia-se apenas aos barbados. O sexo feminino entrou, saíu. –¿Que é que há? Quási nada: as operárias estavam nas banheiras, lavando-se. –Está ai, seu Sinval. Está aí, seu Estrêla. Ausência de liberdade. Elas entram, nós non podemos entrar. Há discriminaçón, como nos Estados Unidos. E temos aqui perto as mulheres mais bonitas do mundo. Essas idéias foram varridas por unha cadeira funesta, um motor, odiosas vitrinas onde se arrumavam brocas e suplícios hábeis de odontoloxia. Vimos em seguida as aulas, o gabinete de fisioterapia, dous salóns de xinástica. E surxiram-nos as máquinas, abundantes, organismos que venero, porque non os entendo. Operárias áxeis mexiam em ferros complicados, velozes, afeitos à ordem, à disciplina. Giravam fusos, e as maçarocas iam-se tornando cada vez mais finas, eram, depois de inúmeras rotaçóns, fios quási invissíbeis, obras de aranhas. Noutra secçón, mecanismos teciam. E alguns, adiante, manexavam canos, xuntavam peças, enxendravam calcanhares, rápidos, com sabedoria. Quadros nunha parede, cartazes, malícias, caricaturas: indivíduos capazes no serviço e indivíduos ronceiros– avións e tartarugas. À saída, encontrámos duas manicuras afobadas no exercício da profissón, cortando, limando, envernizando. —Que é isso? perguntei. O senhor habitua a sua xente a esses melindres? Tadeu Gogoladze explicou-se: –Non é por luxo. É para que as unhas non estraguem as meias. Lá fora chuviscava. Na friaxem, nos arrepios, diriximo-nos ao xardim de infância. Conduziram-nos ao vestiário. E, arrumados naquelas batas alvas, obrigatórias, fomos ver os setenta pirralhos que ali se educam. Uns vinte, na primeira sala, entregavam-se a um bailado. O amor à dança, que em tôda a parte se revela, enche os teatros, arrouba multidóns, xá despertava naqueles corpos exíguos, de movimentos lerdos, incertos. Non lhes impunham regras, é claro: moviam-se em coreografia orixinal. Dentro de alguns anos apareceriam outras Ulanowas –e “Romeu e Xulieta”, “A Papoula Vermelha”, “A Bela Adormecida no Bosque”, atrairiam aplausos universais. Unha garotinha puxou a manga da professora, cochichou. –Traduza, Mme. Nikolskaya, faça o obséquio. A óptima senhora atendeu-me: –Ela quer dançar com a boneca. Espantei-me. Quer? Entón neste país onde se arrasou o individualismo, as ninharias de cinco anos têm o direito de “querer”? Têm! A menina pegou a boneca e deu-nos unha pantomima cheia de lágrimas e risos. Levantámo-nos. Ao deixar os artistas mirins, veio-me a idéia infeliz de beixar um dêles: oito ou dez me cercaram, esixíndo beixos, cuspiram-me o rosto com muitos carinhos. Um se avizinhou, misterioso, esticou-se; baixei-me para ouvi-lo: –Na sua terra há também xardim de infância? –Há, meu filho. Mas é diferente. Saímos, fomos a outra classe. Garotos de seis anos, curvados em mesinhas, recortavam, modelavam, atentos, e non nos ligaram a mínima importância. Quando nos retirábamos, alguns tiverom a condescendência de notar-nos: ergueram-se, abriram estantes baixas, tirarom delas bichos de barro e ofereceram essa arte miúda às senhoras. Na creche existem cem hóspedes. No compartimento inicial arrumavam-se bebés de um mês a um ano, seres invertebrados, vermelhos, flácidos. Três se sentavam em cadeiras que os prendiam, encerravam em molas complexas os débeis membros cartilaxinosos. Um estranho sorriso nos chamava, luz permanente e fria. Tornava-se afinal incômodo, non conseguíamos livrar-nos dêle. Virei-me da porta, envolví-me ainda unha vez no sorriso imóvel da criança, imóvel como se o tivessem fixado em matéria inorgânica. Na peça contígua repousavam criaturinhas mais fornidas. Andámos entre as camas, nos corredores estreitos, abafando os passos, e os dorminhocos estremunhavam-se, bocexavam, mostrando belas carrancas. Várias inspectoras nos seguiam, deslizando como sombras. Unha, à despedida, quis mostrar-me os seus pupilos, unha dúzia mais ou menos, e apontou um dêles, o mais perfeito da casa, afirmou vaidosa. Saímos, atravessámos o pátio. Os chuviscos engrossavam. Tadeu Gogoladze vestíu unha capa de borracha. Entrámos na sala de teatro, concertos e proxecçóns. Há nela seiscentas cadeiras. Passámos à biblioteca. Literatura francesa e inglesa, traduzida em russo. Peguei um D. Quixote, olhei a ficha incompreenssíbel. ¿Quantas pessoas leram êste libro em 1952? Doze. Número razoábel. Em quatro meses e dias, doze operários de unha fábrica xeorxiana tinham visto e ouvido o cavaleiro de Cervantes. Pessoal de mau gôsto: non se preocupa com os romances policiais, tán difundidos neste hemisfério. Só nos restava apresentar os nossos agradecimentos e partir. Onde andavam as senhoras? Tinham-se retardado na sala de concertos. Apareceram. Tadeu Gogoladze entregou a cada unha delas um par de meias, lembrança das operárias do Combinado Têxtil de Tbilissi.
Como se verifica na sua reflexón xeral sobre a ética e a política, Rawls segue o rasto kantiano também para pensar sobre a xustiça internacional. Assim, tal como Kant fixéra dous séculos antes em “A Paz Perpétua”, Rawls toma como ponto de partida os pobos enquanto actores principais da ética e da política internacional e rexeita qualquer possibilidade de unha xustiça global. Rawls escolhe os pobos como actores da política global, por puro realismo político, como Kant, mas também porque o seu compromisso com os “valores liberais” o obriga a procurar a forma de os pobos ou Estados a que chama “non liberais” mas “decentes” –os que non respeitam as “liberdades individuais” dos seus cidadáns, mas possuem unha ordem política estábel, ou sexa, tacitamente consentida– poderem aceitar princípios de xustiça comuns nas relaçóns internacionais. Rawls está a pensar em países que non partilham o “individualismo liberal” do Ocidente, mas que vivem coherentemente de acordo com outras crenças políticas livremente aceites polos seus cidadáns. Um exemplo seríam os Estados que seguem os preceitos de um islamismo moderado. Só exclui da necessidade de se integrarem nesse grande pacto internacional os “países non liberais” que, além do mais, som “non decentes”, ou sexa, os que nem sequer esperam que os seus membros aceitem a autoridade política interna. É preciso sublinhar que o obxectivo rawlsiano de tolerar os “países decentes”, que, no entanto, non toleram a liberdade individual dos seus cidadáns, non deixa de ser unha contradiçón na óptica liberal. Contudo, essa contradiçón non parece perturbar Rawls, interessado, como Kant, sobretudo em sumar quantos mais Estados melhor, com relaçón a unha ética internacional que, embora non aspire a unha paz utópica perpétua, pretende minimizar os conflíctos internacionais, como também sonhava o filósofo de Königsberg. Mas Rawls também non consegue evitar unha segunda contradiçón, mais grave, no seu respeito para com os países “non liberais”, embora “decentes”: assume que os cidadáns desses Estados aceitam, nem que sexa tacitamente, a política non liberal dos seus países. Isso pode ser verdade em alguns casos, mas, de qualquer modo, é impossíbel de verificar, xá que a política non liberal se baseia precisamente em censurar a liberdade política dos indivíduos. Assim, Rawls non acredita que o “véu de ignorância” dos membros da posiçón orixinal, que concebeu para “Unha Teoria da Xustiça”, incluía os assuntos relativos à relaçón entre os pobos. Por isso, em “O Direito dos Pobos”, propón unha segunda posiçón orixinal, desta vez formada polos povos “decentes” que habitam o planeta, com o obxectivo serem eles a escolher os princípios da ética internacional.
¿Como chegamos aquí? Heis a conclusón a que se chegou: Há perto de 4,6 mil milhóns de anos, acumulou-se no espaço, onde estamos agora um enorme redemoinho de gases e poeiras, com perto de 24 mil milhóns de quilómetros de diâmetro. Esse redemunho começou logo a agregar-se. Practicamente todo el, ou sexa, 99,9 por cento da massa do sistema solar, passou a constituir o Sol. Do restante material que ficou a fluctuar, hoube dous gráns microscópicos que ficarom a pairar suficientemente perto um do outro, para serem agregados por forças electrostáticas. Foi esse o momento da concepçón do nosso planeta. E o mesmo se passava por todo o sistema solar em formaçón. Colissóns de gráns de poeira, iam xerando aglomerados cada vez maiores. Eventualmente, esses aglomerados crescerom, passando a chamar-se entón planetésimos. À medida que estes iam colidindo, partiam-se, dividiam-se ou recombinavam-se ao acaso, em permutaçóns sem fim, mas de cada vez había um vencedor; e alguns destes vencedores cresceram tanto que passaram a dominar a órbita em que viaxavam. Tudo aconteceu de forma extremamente rápida. Pensa-se que passar de um minúsculo aglomerado de gráns a um planeta bebé, com várias centenas de quilómetros de diâmetro pode ter levado apenas algunhas dezenas de milhares de anos. A Terra formou-se essencialmente em apenas 200 milhóns de anos, talvez menos, embora ainda estivesse em estado de fusón e se encontrasse suxeita a constantes bombardeamentos de todos os detríctos que ainda fluctuavam à sua volta. Nessa altura, há perto de 4,4 mil milhóns de anos, um obxecto do tamanho de Marte chocou contra a Terra, fazendo saltar matéria suficiente para formar unha esfera vizinha, a Lua. Pensa-se que após algunhas semanas esse material proxectado, se tenha reagrupado num só volume para formar, ao fim de um ano, a rocha esférica que ainda hoxe nos acompanha. Pensa-se que a maior parte da matéria lunar, tería vindo da crosta terrestre e non do seu núcleo, razón pola qual a Lua tem tán pouco ferro, enquanto nós temos muito. De todos modos, esta teoría é quase sempre apresentada como recente, quando na realidade, foi proposta nos anos de 1940, por Reginald Daly, da Universidade de Harvard. A única cousa que tem de recente é a atençón que suscita nas pessoas. Quando a Terra tinha apenas um terço do seu tamanho actual, xá estava provabelmente a criar unha atmôsfera, constituída essencialmente por dióxido de carbono, azoto, metano e enxofre. Non é exactamente a mistura que associamos à ideia de vida, e no entanto foi desta sopa insalubre, que ela surxíu. O dióxido de carbono é um potente gás de estufa, o que axudou bastante no processo de criaçón da vida, pois naquela altura o Sol, era bastante mais fraco do que hoxe é. Se non tivéssemos tído a vantaxem de um efeito de estufa, a Terra podia muito bem ter conxelado para sempre, o que anularia qualquer hipótese de vida. Mas o facto é que ela conseguíu surxir. Nos 500 milhóns de anos que se seguiram, a xovem Terra continuou a ser impiedosamente bombardeada por cometas, meteoritos e outros detríctos galácticos, que encheram os oceanos de água e dos componentes necessários à formaçón de vida. Era um ambiente estranhamente hostil, mas o facto é que a vida conseguíu levantar cabeça. Estábamos a caminho. Quatro mil milhóns de anos mais tarde, as pessoas começavam a ter curiosidade em saber, como tudo aconteceu.
Idêntica quebra se produz na moral racionalista; para Hume, a moral non se pode fundamentar na razón, xá que a razón humana é incapaz de influir na conducta e, portanto, a distinçón entre bem e mal, non pode provir da razón. O fundamento da moral é, no seu entender, o “sentimento”, mais precisamente, o sentimento de prazer e de dor, porque a virtude e o vício explicam-se polo prazer e pola dor (a virtude provoca prazer e o vício, dor). Esta postura de Hume de identificar o bem como algo agradábel e o mal como desagradábel denomina-se como “emotivismo moral”. A razón pode axudar-nos a alcançar um determinado fim, mas apenas o sentimento determina ou impede a nossa acçón. A virtude moral é “toda a acçón ou qualidade mental que concede ao espectador um sentimento prazenteiro de aprovaçón”. A moral foi unha questón de extraordinária importância para Hume, e em seu redor xira todo o seu sistema filosófico. De facto, quase todos os filósofos do momento tinham como obxectivo final desenvolver unha teoria moral, para o qual xulgam imprescindíbel elaborar com anterioridade unha teoria do conhecimento. Em suma, unha vez invalidado o princípio da causalidade, o resultado é o “cepticismo” no conhecimento. E unha vez derrubado o edifício da moral “racionalista”, os seus escombros conduzem ao “emotivismo”, ao sentimento sobre o qual se irán erguer o romantismo e o idealismo. A razón iluminista que percorre o “racionalismo” e o “empirismo” vai-se esgotando, dando lugar a um suxeito que começa a transitar libremente por cima dos limites. Será Kant a enterrar o “Iluminismo” enquanto, ao mesmo tempo, pranta a semente do “idealismo”. Hume implica, portanto, o culminar da crítica empirista, magnificamente expressa no parágrafo final da História Natural da Relixión, quando afirma: “Tudo é unha charada, um enigma, um mistério inexplicábel. Dúvida, incerteza, suspensón do xuízo, parecem ser o único resultado do nosso mais axustado escrutínio sobre este assunto. Mas tal é a fraxilidade da razón humana, e tán irresistíbel é o contáxio da opinión, que nem esta deliberada dúvida podería ser mantida se non tivesse expandido o nosso ponto de vista e, opondo unha espécie de superstiçón à outra, colocá-las em disputa. Nós, enquanto a sua fúria e combate continuam, felizes nos escapamos para as calmas, embora obscuras, rexións da filosofia.
Contra a prepotência dos ricos-homes e dos coutos monásticos, que dominabam na rexión. Nunha carta mandada em 1265 a um dos primeiros moradores, um tal Joao Gonçalves, dizia D. Afonso III: “Sabei que é unha das vilas do meu reino que muito amo, que lhe dei começo por mim, e lhe quero dar cima em meu tempo.” Ora dar cima era concluir, rematar, levar até ao fim. Começaram por viver da pesca; depois fizeram-se negociaçóns e xá no século XV pescavam na Terra Nova: carregavam o peixe seco ou salgado nos seus barcos e levavam-no polos rios ao interior, onde o vendiam (acho que é isso o que eles querem dizer quando falam em “carregar para levante”, visto que logo a seguir dizem que os rios som pequenos e non navegáveis por naus, mas só por caravelas). Com o producto compravam sal, e levavam-no à Irlanda, onde traziam panos, que vendíam aos portos da Galiza. Tudo isso afirmabam eles nas Cortes de 1456: em tanta dilixência talvez ande dedo de Xudeu. Claro que a terra progredíu rapidamente; acontece isso quando se trabalha muito. Entre os séculos XV e XVI, a populaçón quase triplicou. Deixarom-se de sardinhas e forom mais lonxe: os seus navios forom os primeiros bacalhoeiros; unha frota de setenta navios andava a caminho das ilhas, do Brasil e dos portos do Norte da Europa, abastecendo os mercados de azúcar. Muita xente enriqueceu. O visitante que queira ver com os seus próprios olhos o que foi essa transformaçón pode comparar a vida do século XV com a do seguinte. Para isso debe visitar a chamada casa de Joao Velho, que era a mais confortábel habitaçón da vila em 1506, visto ter sido a que o rei D. Manuel ocupou, quando passou por ali, suponho que a caminho de Santiago de Compostela. E vêxa a seguir algunhas das várias moradias que ficaram dos finais do século XVI: a dos Malheiros Távoras, condes da Carreira, por exemplo, actual Câmara Municipal, e a xanela manuelina da casa Costa Barros, na Rua de Sao Pedro. A comparaçón resulta suxestíva. Naturalmente que non aconteceu só em Viana; foi um fenómeno europeu. Mas Viana acompanhou Europa. E o seu vigor económico non foi alheio ao movimento que em 1640 conduzíu à Restauraçón. Por detrás da aspiraçón de unha independência política, estaba a realidade de unha independência económica que xente como a de Viana tinha axudado a restabelecer. Também é significativo que o principal monumento de Viana non sexa, como acontece em toda a parte, românico, gótico, ou barroco, mas sim do século XX. É o monte de Santa Luzia, com os seus aproveitamentos turísticos. Alí o mais notábel é o miradouro, de vista emocionante sobre o mar. Foi a panorâmica, que motivou o santuário, o hotel e o elevador. O tema é inevitábel perante estes monumentos modernos: ¿gosta? ¿non gosta? e a negativa resulta a resposta mais fácil. O proxecto do santuário é do arquitecto Ventura Terra, e as obras foram realizadas entre 1890 e 1930, embora depois disso se tivesse ainda trabalhado muito. Anteriormente, tudo o que había era unha capela, onde se chegaba por unha tortuosa vereda entre mato cerrado. O arquitecto planeou conforme o gosto do seu tempo: unha igrexa que combina elementos tradicionais nunha mistura revivalista a que se chamava estilo “românico-bizantino”. As dimensóns som impressionantes, para a parcimónia portuguesa; as cúpulas e as rosáceas aspiram deliberadamente à escala monumental, mas o conxunto parece mais um grande xazigo, que unha alegre casa de Deus. Algo falta. Os arquitectos medievais dispunham de um ingrediente essêncial para conferir autenticidade e emoçón aos edifícios que planeavam: um forte sentimento relixioso. A régua de cálculo non tem esse valor, e non sei se o computador o sabe encontrar. Em todo o caso, a importância relativa da basílica revela que Viana non parou e que non se envergonha da contemporaneidade. Um hotel monumental foi construído em 1903 e é testemunha presencial (mais que testemunha, pode considerar-se protagonista) das convulsóns do turismo nacional: ora aberto, ora pechado para obras constantes, tem tido unha sorte inferior à que o seu conforto sólido, de granito e mogno, cristal e peitilho engomado, xustificaría. Muito perto dele, a escassas centenas de metros, están os vestíxios de unha citânia neolítica. O que se vê, som os alicerces das habitaçóns e os vestíxios das muralhas de protecçón. Som três essas muralhas, o qual indica que o povoádo teve algunha importância. Por entre os pinheiros avista-se a cidade moderna, alá em baixo, e sente-se unha invencíbel tentaçón de pensar que aquí estaría a sua remota antepassada. Som as ilusóns da perspectiva histórica. É apenas a ossada de unha cidade morta que aparece xunto de unha cidade viva. A relaçón que existe entre elas, é terem ambas surxído da mesma raiz: a foz do Lima. A lembraça da citânia estaba, había muitos séculos, completamente apagada da memória colectiva, quando D. Afonso III decidíu fundar a nova póvoa de Viana.
O acaso é unha causalidade obscura para a razón humana. Mas qualquer evento non causado minaría a coesón do universo, o que para o modelo monista estoico resulta impensábel. Para entender essa causalidade universal, este determinismo, os estoicos desenvolveram a sua própria lóxica complexa, que debía vincular o pensamento individual à ordem dos eventos cósmicos. O sábio apercebe-se de um propósito divino imanente neste universo recorrente, que o rexe para o bem do conxunto: que este é o melhor dos mundos possíbeis. (Esta ideia será retomada por Leibniz, no século XVII, a partir de unha perspectiva cristán, e será rebatida sarcasticamente por Voltaire, com “Cândido, ou o Optimista”) Trata-se, como é óbvio, de unha teoloxia optimista, que concebe unha “physis” doctada de “logos”, um universo e um mundo com sentido. A regularidade dos fenómenos naturais, a repetiçón das estaçóns, a beleza e a finalidade perceptíbeis no mundo natural, seríam demonstraçóns maniféstas da racionalidade universal. O optimismo metafísico terá de responder sempre à pergunta sobre o mal: porque existe o mal no universo? O mal (ou a dor física) xustifica-se com o bem: ambos formam um binómio, unha oposiçón na qual cada termo pressupôn o seu correspondente, a existência ou a inexistência de um implica a existência ou a inexistência do outro, de tal modo que se existe o bem no mundo debe haber um mal físico; a capacidade de sentir prazer implica a capacidade de sentir dor. Quanto ao mal moral, os estoicos xustificam-no com a tese de que as circunstâncias, as acçóns, em si, non som boas nem más, apenas indiferentes, e que aquilo que lhes outorga significado moral é a intençón de quem as realiza. A intençón humana pode ser boa ou má, e aqui também se dá a implicaçón mútua dos opostos, tal como na lei da física: o mal e o bem som necessários um ao outro. Crisipo chegou mesmo a argumentar que o mal faz destacar ainda mais o bem no universo. Na verdade, se os homes possuíssem o conhecimento completo de todos os factos físicos e morais, comprehenderiam que aquilo que o entendimento limitado capta como mau, pode ser um bem na ordem global das cousas. Eis aqui o optimismo absolucto, que se nega a atender a todas as alegaçóns do pessimista. Com estas argumentaçóns, os estoicos inauguraram a “teodiceia”, ou “teoloxía natural”, o ramo dedicado a demonstrar racionalmente a existência de Deus.
Practicamente todos os edifícios de tamanho apreciábel tinham sido tomados polos trabalhadores e estavam envoltos em bandeiras vermelhas ou ostentabam a bandeira encarnada e negra dos anarquistas; em todas as paredes se viam pintadas a foice e o martelo e as iniciais dos partidos revolucionários; quase todas as igrexas tinham sído esventradas e as suas imáxes queimadas. Aqui e ali, brigadas de trabalhadores demoliam sistematicamente igrexas. Non se atopaba loxa nem dafé, que non tivesse unha inscripçón dizendo que fora colectivizado –até os “engraxadores” estabam colectivizados e tinham as suas caixas pintadas de encarnado e negro. Criados e caixeiros olhavam-nos de frente e tratavam-nos como iguais, e as formas de tratamento servis e, até, cerimoniosas tinham desaparecido, temporariamente. Ninguém dizia “Senhor” ou “Don”, ou sequer “Usted”; todos se tratavam por “camarada” e por “tu” e diziam “Salud!”, em vez de “Bons dias”. A gorxeta estaba prohibída por lei. Unha das minhas primeiras experiências, senón a primeira, foi ouvir um sermón do xerente do hotel, por tentar gratificar o rapaz do elevador. Non había autos particulares — tinham sído todos requissádos — e todos os eléctricos e táxis, assim como unha grande parte dos outros meios de transporte, estabam pintados de encarnado e preto. Había cartazes revolucionários por toda a parte, fulgurando nas paredes em vermelhos e azuis tán puros, que os poucos cartazes publicitários que ainda se viam pareciam, por contraste, borróns de lama. Polas Ramblas abaixo –a larga artéria central da cidade, onde multidóns andavam num constante vaivém–, os altifalantes berravam cançóns revolucionárias durante todo o dia e pola noite fora. O mais estranho de tudo era o aspecto das multidóns. Exteriormente, tratava-se de unha cidade em que as classes ricas tinham a bem dizer deixado de existir. Exceptuando um pequeno número de mulheres e de estranxeiros, non había xente “bem vestida”. Practicamente toda a xente envergaba vestuário grosseiro de classe trabalhadora, ou “fato-macaco” azul, ou qualquer variante do uniforme da milícia. Tudo isto era estranho e conmovedor. Había muito, em tudo aquilo, que eu non comprehendia e que, em certos aspectos, nem sequer me agradava, mas reconhecí imediatamente a existência de um estado de cousas polo qual valía a pena lutar. Além disso, acreditava que as cousas eram, efectivamente, o que pareciam, que aquele era, realmente, um Estado dos trabalhadores e que toda a burguesia fuxíra, fora morta ou se bandeara voluntariamente para o lado dos trabalhadores. Non comprehendí, que unha grande parte dos burgueses abastados, aguardavam pura e simplesmente a sua oportunidade e, entretanto, se disfarçavam de proletários.
O pensamento garante a primeira certeza e verdade: “Penso, logo existo”. A orixem da construçón cartesiana está, assim, no suxeito pensante, o que implica unha revoluçón com relaçón a toda a filosofia anterior. Este suxeito “demonstrado” encontra no seu interior a ideia clara e distinta de um Deus extremadamente perfeito – aqui afirma-se o cristianismo ortodoxo de Descartes -, que ele non pode ter criado porque o inferior non pode orixinar o superior. A ideia do Ser perfeito, demonstra a sua existência, xá que a perfeiçón implica a existência: um ser non existente é menos perfeito do que um existente, e a ideia é do Ser mais perfeito. (Esta demonstraçón chama-se “argumento ontolóxico”, cuxo desenvolvimento na história da filosofia mostra-se nas páxinas anteriores. E esta perfeiçón garante que o mundo exterior non pode ser unha ilusón, porque um Ser perfeito non pode enganar. Através deste raciocínio, Descartes demonstra o que a dúvida metódica tinha posto em causa: que existe um mundo físico real e que o entendimento pode conhecê-lo. O racionalismo cartesiano, consiste em ter levantado todo o sistema do conhecimento na base de ideias inatas ou, “a priori”, independentes da experiência senssíbel. Quando se obtém a demonstraçón, xá é possíbel investigar a realidade através da aplicaçón de métodos estrictamente científicos.
“De rerum natura” de Lucrecio representa um dos mais raros logros literários, um poema didáctico conseguido sobre tema científico. Poucos poetas grandes emprehenderam unha obra assim e muitos críticos a partir de Aristóteles afirmarom que as contradicçóns implícitas neste xénero, e certamente em toda a poesía didáctica, nunca podem conciliar-se totalmente. “Abomino a poesía didáctica”, escrebeu Shelley no prólogo ao “Prometheus Unbound”, “nada pode expressar-se bem em prosa, que non sexa tedioso e insoportábel em verso”, e Mommsen rechazaba a maior parte de “De rerum natura” como “matemática rimada”. ¿Qual é, pois, a relaçón entre Lucrecio o poeta e Lucrecio o filósofo? ¿Até que ponto coincidem para formar unha unidade lograda? Otto Regenbogen a considerou a “questón central” na crítica de Lucrecio e no seu famoso trabalho “Lukrez: seine Gestalt in seinem Gedicht” intentou resolvê-la por três caminhos: examinando o fundo do poema, a personalidade do poeta e a estructura e qualidade da obra mesma. A maior parte da crítica de Lucrecio falha num ou noutro destes três aspectos e comvém considerar cada um deles consecutivamente. 1º –O fundo. Um podería imaxinar-se que unha obra didáctica e moralizante como “De rerum natura” tería raízes profundas na sociedade que a alumbrou. Non obstânte, há unha grande disparidade de opinións sobre o propósito do poema e o carácter do público para o que se tinha composto. Evidentemente había-se escríto para o patrón aristócrata do poeta Memio, mas como a convençón literária requería que um poema didáctico fora dirixído a algunha pessoa em particular, podemos supor que detrás del estaba o leitor xeral. Ambos están vinculados, com certa torpeza, no famoso pasaxe programático sobre a missón do poeta. “…porque a miúdo / parece trato eu de asuntos tristes / para aqueles que xamais o pensarom, / e que ao vulgo dos homes desgostam, / com o suave canto das Musas / quixem explicar o meu sistema todo e enmelar-te com música pieria…” Esta pasaxe non afirma explicitamente que o poema esté dirixído ao home corrente, mas implica um público âmplo que pode sentir-se atraído por um tratado puramente técnico. Non obstânte, non deberíamos esaxerar a natureza popular do poema. No século I non pode ter habído, como tampouco o há hoxe, um grande número de pessoas interessadas nas magnitudes indivissíbeis do átomo ou muito aficionadas à teoría da “homoeomeria” de Anaxágoras. Apesar da referência de Lucrecio às xentes, claramente tinha em mente um público preparado para seguir unha argumentaçón longa e completa. Admitindo que o poeta simplifique e que alguns dos seus argumentos estabam dirixídos mais às emoçóns que ao intelecto, “De rerum natura” segue sendo um intento sério de explicar as principais doutrinas da física de Epicuro, e requere do leitor cooperaçón e concentraçón.
“Tem de saber-se que a humanidade perece polas mais diversas causas: peste, penúrias, sismos, guerra, mil variedades de doenças… Mas sobretudo por causa de xigantescos dilúvios (…) que non conseguem, no entanto, fazer desaparecer a humanidade por completo, pois os sacerdotes e todos aqueles que vivem nos planaltos ou ainda nas vertentes das montanhas escapam ao cataclismo, enquanto nas planícies ficam submersos todos os que lá habitam. (…) Carecendo os sobreviventes do dilúvio de alimento, a necessidade motiva-os a inventar os meios para escapar à indixência, moer o grán mediante instrumentos, semear, etc… A tal grau de invençón deram o nome de “sofia”, esse saber sobre o que resulta útil às primeiras necessidades da existência. (…) Entón, por inspiraçón de Athina, no dizer do poeta, descobriram as técnicas ou artes que non se limitam apenas a cobrir as necessidades da existência, mas também que contribuem para a nobreza e para o disfrute da vida; e a tal invençón deram também o nome de saber “sofia”. (…) Dirixiram entón o seu olhar para a organizaçón da cidade e forxarom as leis e o conxunto de laços que fazem dela um todo unificado; tal invençón foi desta maneira qualificada de saber, “sofia”. (…) Enfim, dando um passo mais, refletiram sobre os corpos e a natureza que os forxa. Tal indagar recebeu o nome de saber ou teoria da natureza (physike theoria). (…) Em quinto lugar, debruçaram-se sobre os obxectos mais dignos e sem lugar no cosmos; a tal indagar chamarom “saber arquitectónico”. Esta disciplina final e arquitectónica versa, precisa Aristóteles, sobre o que mais merece saber-se, e o que mais merece saber-se som os “primeiros princípios” e as “causas”. Pois, diz-nos, polos “primeiros princípios” conhecemos as restantes cousas enquanto o contrário non é verdade. A filosofia busca, assim, o incondicionado, xá que os “primeiros princípios” e “causas” o som por definiçón. “Princípios” e “causas” non somente da natureza, mas absoluctamente de tudo, incluindo, obviamente, o “ser de razón”.
Dirac foi o primeiro a enveredar por este caminho. Depois de unha série de artigos em que deu os primeiros passos, o ponto culminante das suas ideias foi concretizado no libro “The Principles of Quantum Mechanics”, publicado em 1930. Nesta obra influente, os estados e os observáveis, conceitos comuns à mecânica quântica moderna, foram discutidos pola primeira vez. Além disso, em versóns posteriores do libro, Dirac introduziu a famosa notaçón “bra-ket”, que é amplamente utilizada actualmente. No entanto, a sua proba da equivalência entre as duas mecânicas non satisfazia o elevado nível de rigor esixido pola matemática. Por exemplo, Dirac contornou algunhas das dificuldades que encontrou utilizando o famoso “delta de Dirac”, um estranho obxecto matemático com propriedades contradictórias. Foram necessários mais de vinte anos e o desenvolvimento da teoria das distribuiçóns, um domínio muito moderno da análise matemática, para probar a validade do procedimento de Dirac. Por seu lado, von Neumann estaba completamente insatisfeito com os aparentes buracos matemáticos na proba de Dirac, polo que se propôs dar a volta à situaçón e encontrar unha proba absoluctamente rigorosa. Armado com as técnicas da análise funcional abstracta, conseguiu finalmente atinxir o seu obxectivo e probar sem sombra de dúvida a equivalência entre a “mecânica matricial” e a “mecânica ondulactória” no seu tratado “Mathematische Grundlagen der Quantenmechanik”, publicado em Berlim em 1932. Esta obra maxistral foi o culminar do caminho iniciado anos antes por Heisenberg e Schrödinger. Agora podia afirmar-se categoricamente: a mecânica quântica tinha sido unificada!
A década de quarenta, a segunda de Descartes na Holanda, começou com a redacçón de “Os Princípios da Filosofia” (1644), um ambicioso proxecto científico no qual reelaborava os conteúdos de “O Mundo” relativos à cosmoloxia e à mecânica, usando as “Meditaçóns” como base metafísica. Dividido em quatro partes, ocupava-se, respectivamente, do conhecimento humano, das cousas materiais, do mundo vissíbel e da terra. Concebido novamente como um manual para as escolas e ordenado meticulosamente em questóns breves, os “Principia” (segundo o seu título orixinal em latim) davam a conhecer a teoria cartesiana dos vórtices, encarregada de explicar o movimento dos planetas num universo sem vazio. Descartes xeneralizava o método copernicano a unha indefinida quantidade de estrelas, concebidas como centros de remoinhos cuxa acçón impulsora era a própria luz. Isto interligava-se com a sua teoria da visón: o olho percebe porque, dirixido ao Sol, recebe instantaneamente a pressón que este exerce sobre o fluido universal. No final do século XVII, esta teoria será fervorosamente discutida em círculos científicos de toda a França, embora acabe por ser rexeitada a favor daquela que Newton oferecerá nos “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” (1687). Em oposiçón a Descartes, Newton defenderá um espaço vazio onde o papel dos vórtices será substituído pola mais “elegante” força da gravidade, unha noçón polémica que Descartes rexeitou por implicar a acçón à distância, considerada polo francês como um resquício de dinamismo e da superstiçón frente ao diáfano mecanicismo do contacto. Newton, no entanto, contará com o aval da corroborada terceira lei de Kepler, segundo a qual os planetas mais perto do Sol se movem a maior velocidade, precisamente ao contrário do que tinha defendido Descartes, e isso será fundamental para decidir o debate a seu favor.
Nos meses que antecederam à Revoluçón de Outubro, começou a emerxer a rivalidade entre Iosef Vizsarionovich Dzhugashvili e Lev Trotsky, que viria a marcar a política soviética no início da década de 1920. Filho de unha família abastada, nasceu em 1879 Lev Trotsky, foi durante anos um apoiante dos “mencheviques” e um detractor acérrimo de Lenine (que chegou a chamar-lhe “Xudas”. Só em 1917 é que Lev Trotsky aderíu ao “bolchevismo”, o qual suscitou reticências entre os “bolcheviques” mais velhos. Apesar das iniciais relutâncias, Lenine depressa começou a apreçar as suas grandes qualidades. De facto, Trotsky viria a ser o principal organizador da Revoluçón de Outubro. No dia 24 de Outubro, tudo se precipitou. Para por termo à ameaça revolucionária dos bolcheviques, Kerensky decretou o estado de emerxência, mas, nessa mesma noite, soldados e operários pró-bolcheviques ocuparom os centros nevrálxicos de Petrogrado. Apenas um dia depois, a 26 de Outubro de 1917, foi anunciáda a formaçón do novo governo (o Conselho dos Comissários do Povo “Sovnar Kom”), sem “ministros”, Lenine era o seu presidente. Iosef Vizsarionovich Dzhugashvili, era o Comissário do Pobo para Assuntos das Nacionalidades. E Lev Trotsky, Comissário do Povo para os Negócios Estranxeiros. Esta nomeaçón, marcou o fim do períudo revolucionário, e o início da longa caminhada de Iosef Vizsarionovich, rumo a unha nova era. O poder tomou-se num só dia, mantê-lo sería outro cantar!
A vida activa manifesta-se através de três actividades: labor, trabalho e acçón. As três correspondem a “fazer” algo e, por sua vez, están relacionadas com as condiçóns que destacámos antes: a vida é a condiçón humana que corresponde à actividade do labor, que tem a tarefa de satisfazer as necessidades biolóxicas do corpo Humano. Através do trabalho produzimos obxectos e criamos um mundo artificial e perdurábel, que se distingue, na sua artificialidade, das cousas naturais. Neste sentido, considera a autora, a mundanidade seria a condiçón do trabalho. Por último, a acçón só é possíbel na condiçón humana da pluralidade, ou sexa, “pelo facto de os homes, non o home, viverem na Terra”. Esta última constitui para Arendt a condiçón (non só “sine qua non”, mas também “per quam”) de toda a vida política. Sem pluralidade non podemos falar de acçón, xá que esta non fai sentido na solidón. A acçón só se desenvolve perante a presença dos outros, requer um espaço público no qual se possa manifestar. Consequentemente, podemos dizer que a pluralidade é, na verdade, unha condiçón “a priori” da própria existência da vida política. Por sua vez, estas três actividades mais xerais da existência humana, que som a natalidade e a mortalidade, ou sexa, o nascimento e a morte. Através do labor garante-se a própria vida da espécie humana. O trabalho, por seu lado, proporciona permanência e durabilidade perante a fugacidade da vida mortal e consegue transcender, através da criaçón de obxectos estábeis, a duraçón do termo humano. Assim, as três actividades, labor, trabalho e acçón, están relacionadas com a mortalidade e a natalidade. Porém, das três é a acçón que mantém a relaçón mais íntima com a natalidade, por dous motivos. Em primeiro lugar, porque com cada ser humano, com cada nascimento, começa um novo curso de acçón, unha nova iniciativa, que aparece subitamente no mundo. Através do nascimento renova-se o mundo. Em segundo lugar, porque a acçón é em si própria um “nascimento” no mundo, xá que através dela aparecemos perante os outros, “nascemos” simbolicamente no espaço público com as nossas acçóns e palabras. Por conseguinte, a acçón é um “segundo nascimento”.