FERNÁNDEZ ARDAVÍN, Luis (Madrid, 1891 – 1962). Poeta e dramaturgo. Os seus primeiros poemas aparecerom em “Meditaciones” (1913) e os posteriores em “A mitad del camino” (1944). As suas obras mais conhecidas som os seus dramas em verso, como os dramas históricos “Rosa de Francia; “La vidriera milagrosa” (1925); “La florista de la reina” (1939); “El doncel romántico”, que transcorre em tempos de Larra; e “La dama del armiño” (1922), situada em âmbiente toledano do século XVI com a família do Greco. O melhor de Fernández é a sua versificaçón. O pior é a sua composiçón dramática e os anacronismos. Aproveitou-se do éxito de Feliu, com “La Dolores” para compôr a sua “La hija de la Dolores” (1927). Os seus contos encontram-se em “El hijo” (1921). Traducíu a Sófocles, Goethe, Balzac e outros autores.
Ao tratar a vigorosa sembrança do Canciller, Menéndez y Pelayo, concreta desta forma a sua silhueta humana: “Acertó a atravesar con fama de hombre honrado y de buen caballero el calamitoso siglo XIV, sin mancharse, como casi todos sus contemporáneos, con actos de brutal fiereza, sin cometer ninguna acción positivamente indigna, pero sin descuidar un punto el propio provecho, sacando partido hasta de sus desgracias y reveses, para acumular sin tasa, pero también sin escándalo de nadie, señoríos, alcaldías, tenencias, heredamientos y buena cantidad de sonantes doblas… Su larga vida, que le permitió alcanzar cinco reyes en Castilla, fue una obra maestra de engrandecimiento y medro personal, una verdadera obra de arte más interesante que su “Rimado de Palacio”, aunque menos noble y severa que sus “Crónicas”. Es cierto que la fortuna no le desamparó nunca, pero fue porque él supo forzar a la fortuna y someterla a la fría combinación de sus cálculos, que no le fallaron ni una vez sola, porque iban fundados en profunda observación de la naturaleza humana. Quien escriba la historia de nuestra Edad Media, verá en él el primer tipo de hombre moderno”.
Quase todos os textos que publicou sobre a organizaçón da sociedade acabam por reflectir sobre o lugar central da educaçón em qualquer proxecto que aspire a unha sociedade libre. Bertrand Russell dirixíu, com a sua mulher Dora, a escola infantil de Beacon Hill de 1927 a 1935, que, como tantas outras cousas na sua vida, foi alvo de controvérsia: causou escândalo que as crianças brincassem nuas. Em suma, foi um exercício de educaçón antiautoritária, que assumia e radicalizava o programa de Maria Montessori de unha educaçón baseada na abertura da mente das crianças. A experiência non foi tán bem sucedida como desexavam. O coléxio enfrentou graves dificuldades precisamente por causa das suas características inovadoras: atraíu crianças problemáticas, com que os Russell, non estabam a contar, e a sua história decorreu entre o activismo militante de Dora e a distância intelectual de Bertrand. Ele estaba nesta aventura como teórico e financiador ocasional, mas pôde contemplar de perto as dificuldades da educaçón. O seu libro “Sobre a Educaçón” (1926) é fruto desta época da sua vida. Apesar de ele próprio reconhecer as suas carências técnicas em teoría didáctica, e de a sua experiência como professor ter sído limitada, é um recurso proveitoso para a reflexón e para a filosofia da educaçón. Nas suas reflexóns estabelece unha ligaçón entre as suas ideias sobre a importância moral das emoçóns, a busca da harmonia emocional, a necessidade do conhecimento e a resistência às pretensóns do Estado. O tema central das preocupaçóns de Russell é a educaçón em liberdade e a educaçón para a liberdade. Alguns dos seus textos sobre a relaçón entre professores e alunos som comoventes. Em “Princípios de Reconstruçón Social” escrebe acerca da assimetria entre o poder do professor e a debilidade do aluno, que considera só poder ser superada sem modos autoritários através daquilo a que chama unha actitude de “reverência”, que non é mais que saber pôr-se no lugar do outro e respeitá-lo, opondo-se a todas as formas mecanicistas, que concebem a educaçón como adestramento.
Esta copa do meio chama-se “Grand Cru”, e está recomendada para os seguintes vinhos:
Borgogna Vins de Bourgogne (France)
Bourgueil a.o.c. Rosè (France)
Brunello di Montalcino d.o.c.g. (Itália)
Chambertin Premier Cru (France)
Chateau Latour Premier Grand Cru Classe (France)
Chateau Margaux Premier Grand Cru Classe (France)
Châteauneuf-du-pape Premier Grand Cru (France)
Pinot Nero Piave d.o.c. Riserva (Itália)
Pinot Noir Santa Maria Valley (California)
Pinotage (África do Sul)
Sassicaia Invecchiato da Távola (Itália)
Vega Sicilia – Rosso (Spagna)
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Henri Bonneau leva desde 1956 elaborando vinho nos seus pequenos terrenos, de só seis hectáreas, situádos na afamada zona de La Crau da rexión vinicola de Châteauneuf-du-Pape. Bonneau elabora unha grande variedade de cuvées seleccionadas de acordo com o seu próprio critério, e pola qualidade dos vinhos. Existe o Châteauneuf-du-Pape básico, o Cuvée Marie Beurrier, e por último, o Réserve des Célestins, ao qual Bonneau chama o seu grande vinho. O Réserve des Célestins 1998, foi evaluado nunha cata da revista World of Fine Wine em 2006. Unha garnacha muito, muito madura e doce com um toque de licor no nariz. Sabe exactamente igual que cheira, e non tem menos de quinze gráus. Era um vinho que xá tinha tocádo tecto, um “folie de grandeur”, que começa a devalar. É o arquetipo da producçón vinícola a pequena escala, um vinho artesanal que, para muita xente, constituí o ideal do que debe ser a vinicultura.
FERNÁNDEZ, Sebastián (s. XVI). Autor da “Tragedia policiana” (Toledo, 1547), unha imitaçón em vintinove actos de La Celestina. Há unha segunda edicçón corrixída por Luis Hurtado de Toledo. Conserva-se num exemplar único, na Biblioteca Nacional de Viena.
FERNÁNDEZ, Pablo Armando (Delicias, 1930). Poeta cubano do período revolucionário. Foi agregado cultural em Londres até 1965. Os seus primeiros poemas, “Toda la poesía” (1961), resultam pouco orixinais, mas com “Himnos” (1962) e o impresionante “Libro de los héroes” (1964) deu, segundo J. M. Cohen, nova vida à poesía cubana moderna. Esta última obra, canta tersa e graficamente a morte dos seus amigos durante a revoluçón, como unha parte da luta desigual, entre aspiraçóns de liberdade e o carácter mortal do home. Padeceu a influênça da mitoloxía africana. A sua novela “Los niños se despiden” ganhou o Premio Casa de las Américas em 1968.
FERNÁNDEZ, Miguel Ángel (1938). Poeta paraguayo. Em 1957 fundou as “Ediciones Diálogo”, que tivérom unha grande influênça. Nelas publicarom poetas paraguayos e extranxeiros, conseguíndo acabar com o ailhamento cultural do país. Em 1960 começou a publicar a revista “Diálogo”. Na sua obra pessoal, mostra influênças de Josefina Pla, mostra precisón no uso das palabras, evitando a “seducçón das palabras fermosas, das palabras vacías”. “Oscuros días” (1964) e “A destiempo” (1966) mostram o pesimismo essêncial de Fernández.
Transcrebendo o vizconde Rougé unha inscripçón funerária do Exipto, léu: “fún alabado polo rei e recibí o colar de ouro polo meu valor.” Se non era rei, mas tán só caudilho, o que levóu ao pescoço o torques de Ourense. Non há dúvida, que rei, xéfe ou simples guerreiro, debería mostrar-se merecedor de tán alta recompensa. Merecía ser conhecído polo seu nome, pois sería digno de combater na frente destas tríbus. Por essência guerreira e de cuxas virtudes militares da testemunha o velho Strabón. Constam, em poucas, em muito poucas ocasións, as suas palabras foram melhor e mais nobremente testificadas polos feitos. O descobrimento das estátuas dos guerreiros galaicos, vem confirmar a realidade das suas afirmaçóns: com só descreber tán especiais monumentos, podería-se identificar o texto, caso de que se tivéra perdido, tán perfeitamente correspondem as palabras às estátuas. Afirma dos antigos galaicos, que usabam escudos de escaso diámetro, e que os levávam colgados do pescoço; que as suas espadas eram curtas. Non de outra maneira representa tudo o artista; o mesmo talvés que labrou a descoberta na fronteira da actual Galiza, fará cousa de meio século.
Ao mesmo tempo, as comparaçóns xeram o amor-próprio e as suas funestas consequências, tal como opina nos “Fragmentos Políticos”. “Assim que um home se compara com os outros torna-se necessariamente seu inimigo, porque cada um querendo no seu coraçón ser o mais poderoso, o mais feliz, o mais rico, non pode deixar de ver como um inimigo secreto qualquer um que, tendo o mesmo proxecto, se torna um obstáculo para executar esse obxectivo.” Tudo isso produz necessidades presunçosas e supérfluas cuxa satisfaçón provisória requer o outro, “de quem se torna escravo em certo sentido, convertendo-se mesmo em amo e senhor; se é rico, precisa dos seus serviços; se é pobre, precisa do seu auxílio”. Além disso, impulsionados pelo amor-próprio a possuir sempre mais, só o podem conseguir à custa dos outros. “As usurpaçóns dos ricos,” –lemos no “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homes”– “os assaltos dos pobres, as paixóns desenfreadas de todos, sufocando a piedade natural e a voz ainda mais fraca da xustiça, tornaram os homes avarentos, ambiciosos e maus.” Os ricos levam a impostura até ao seu paroxismo, ao encobrir os benefícios que lhes traz o direito de propriedade e revestí-los com o manto de um acordo vantajoso para todos, “transformando a usurpaçón em direito xenuíno e o disfrute em propriedade”, segundo argumenta em “O Contracto Social”. Conseguem “utilizar a seu favor as mesmas forças de quem os ataca, conseguem tornar os seus advesários seus defensores, inspirando-lhes outras máximas e dotando-os de outras instituiçóns que lhes sexam tán propícias como contrário era o direito natural”, anunciába xá o “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homes”. Quem sería capaz de non subscrever este programa: “Unamo-nos para protexer os fracos da opressón e conter os ambiciosos”? Assim se inventa o Estado. O obxectivo de tal associaçón sería “assegurar” a cada um a posse do que lhe pertence, reparar em algunha medida os caprichos da fortuna, submetendo igualmente o poderoso e o fraco a obrigaçóns mútuas”.
Em 1928, Dzhugashvili lançou o Primeiro Plano Quinquenal, que baseádo na centralizaçón da economia no Estado, tinha duas linhas de acçón principais: a colectivizaçón da agricultura e a industrializaçón do país. Dzhugashvili, insistíu na manutençón da política agrícola, as exportaçóns de cereais eram necessárias para que o Estado pudesse invertir os lucros na industrializaçón. Em 1930, ordenou a Molotov: “Reforçar ao máximo a exportaçón de cereais, necessário era modernizar o país a todo o custo. Um grande contributo, viria da industrializaçón, que daría um impulso à industria pesada do país, e de grandes proxectos em zonas periféricas, como a Sibéria. Em pouco mais de unha década, o número de trabalhadores industriais passaría de quatro milhóns e meio em 1928, para doze milhóns e meio em 1940. Apesar dos muitos erros, a URSS acabaría por se transformar, de um império agricola quase medieval, nunha super-potência industrial incontestábel. A URSS, era agora unha sociedade industrial e urbana. Este foi o grande obxectivo, e Dzhugashvili triunfou com a sua proposta. Na frente internacional, decidíu normalizar as relaçóns da URSS com outros países. Desde o triunfo da revoluçón, a Unión Soviética, estaba considerada quase como um Estado pária, polas potências occidentais. Unha perigosa e estranha anomalía na cena internacional. Apesar de que Dzhugashvili defende-se a ideia do comunismo, só para o seu país, a verdade era que o fascínio do Comunismo, se espalhou desde a década de 1920 quase por todo o mundo. E a URSS dirixía, em simultâneo, a linha política dos partidos comunistas de todo o planeta, através do “Komintern”, a Internacional Comunista, que muitos temíam, como unha inxerência de Moscovo. A partir de meados da década de 1930, a Alemanha iniciou unha política agressiva de reivindicaçóns territoriais, que viría a perturbar o equilíbrio internacional, resultante do Tratado de Paz de Versailhes, assinádo após a Primeira Guerra Mundial. A ameaça de unha nova guerra, pairava sobre a Europa.
FERNÁNDEZ, Macedonio (Buenos Aires, 1874-1952). Filósofo, poeta e contista arxentino. Obtívo o título de adbogado em Buenos Aires à idade de vintium anos, exercéu em Asunción durante vinticinco anos, até que em 1920 morreu a sua mulher, Elena de Obieta. Fernández voltou entón para Buenos Aires, e vivéu alí practicamente retírado até à sua morte. As suas obras som únicas na literatura arxentina, tanto pola sua técnica (unha mistura de poesía e filosofía) como polo seu conteúdo (o seu idealismo subxectivo que desentoába fortemente com as tendências positivistas que prevalecíam nos círculos hispanoamericanos, na época da sua formaçón). Aínda que sempre foi enemigo de publicar, alguns amigos literários conseguiram convencê-lo para que desse a conhecer de vez em quando algún manuscrípto. O primeiro foi “No todo es vigilia la de los ojos abiertos”. “Arreglo de papeles que dejó un personaje de novela creado por su arte”. “Deunamor-El-No-Existente Caballero, el estudioso de su esperanza” (1928). Nele o público desconcertado de Buenos Aires, lamenta a pérda esse mesmo ano do popular Güiraldes, encontrou unha combinaçón de verdade e paradoxa, xirando em torno do antígo tópico do despertar, o sonhar, a realidade e a ilussón. Fernández predica o subxectivismo puro e transcendental e o misticismo como disciplina suprema (aínda que non se refére à ciência que exponhem algúns escritores relixiosos do “Siglo de Oro”). Afirmou que ser é “lo sentido, y únicamente lo sentido por mí y actualmente. El mundo (material) es un sueño de la afección”. O impacto dessa ruptura das fronteiras entre a realidade e o fictício que practicou Fernández, percébe-se claramente na obra de muitos escritores arxentinos posteriores, e também na dos seus próprios contemporâneos, especialmente em Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. “Papeles de recienvenido” (1930; 2ª ed., 1944) continúam a veia filosófica do primeiro libro, mas aflóra mais o humor, às vezes de forma desconcertante. Alegoría e paradoxa caracterizam à semificçón “Una novela que comienza” (Santiago, 1941). Em 1944 publicou “Continuación de la nada”. Entre as suas obras posteriores encontram-se os póstumos “Poemas” (C. de México, 1953), Museo de la novela eterna” (1967) e “Selección” (1968). Duas obras quedárom manuscríptas à sua morte: Adriana Buenos Aires, última novela mala”, escrípta como “Isolima Buenos Aires” em 1922 e publicada por primeira vez nas suas “Obras completas” (vol. 5, 1974); e ¿Algo más en metafísica después de William James?, que é reflexo de unha intensa correspondência com James durante os anos 1906-1911.
A notábel estabilidade climática do Holoceno, permitíu que a nossa espécie — o Homo sapiens — passe da fase de caçadores-colectores para a de agricultores. O Holoceno, começou há perto de onze mil e setecentos anos, quando a última era glacial chegou ao fim. Neste período de tempo relativamente breve, transformou-se por completo o nosso mundo –“nosso” no sentido de mundo dos humanos. “Nosso mundo” enquanto pertencente a unha espécie específica, que somos nós. Desenvolvemos a agricultura, construímos casas, criámos falas, a escrita, a matemática, ferramentas, moedas, relixións, armas, artes e estructuras xerarquizadas. A sociedade humana expandíu-se a um rítmo inacreditábel nunha perspectiva xeolóxica. A seguír deu-se a Revoluçón Industrial, que marcou o início da “Grande Aceleraçón”. Passámos de um desenvolvimento incribelmente rápido para algo alucinante. Se condensássemos a história do mundo no período de apenas um ano, a Revoluçón Industrial tería durádo perto de um segundo e meio antes da meia-noite, na véspera do Ano Novo. Desde que a civilizaçón humana surxíu, abatemos metade das árbores do mundo, exterminámos mais de dous terços da vida selvaxem e enchemos os oceanos de plástico, além de termos despoletado unha potencial extinçón em massa e unha catástrofe climática. Começámos a desestabilizar os próprios sistemas que garantem as funçóns vitais do planeta, dos quais todos nós dependemos. Por outras palabras, estamos a serrar o galho em cima do qual vivemos. No entanto, a grande maioria das pessoas ainda non tem perfeita noçón do que está a acontecer, e há muita xente que, pura e simplesmente, parece non se importar. Isto debe-se a vários factores, muitos dos quais serán abordados neste libro. Um deles, conhecído por “síndrome de alteraçón de valores de referência” ou “amnésia xeracional”, refére-se ao modo como nos habituamos às novidades e começamos a olhar para o mundo com unha perspectiva diferente. Unha autoestrada com oito faixas, probabelmente tería sído inimaxinábel para os meus bisavós, mas para a minha xeraçón, resulta de todo normal. Para algunhas pessoas, até parece natural, seguro e tranquilizador, consoante as circunstâncias. As luzes distantes de unha megacidade, unha refinaría de petróleo a relucir ao lado de unha autoestrada escura e as pistas cintilantes de um aeroporto a iluminarem o céu nocturno, som visóns às quais estamos tán habituádos, que para muitos de nós, a sua ausência parece estranha. O mesmo aplica-se ao conforto que algunhas pessoas encontram no consumo excessivo, entre outras cousas. O que outrora era impensábel pode rapidamente tornar-se um elemento natural, e até insubstituíbel, do nosso quotidiano. E, à medida que nos distanciámos cada vez mais da natureza, mais difícil se torna recordarmos que fazemos parte dela. Afinal, somos unha espécie animal entre tantas outras. Non estamos acima dos outros elementos que comformam a Terra. Dependemos deles. Non somos mais donos deste planeta do que as ráns ou os escaravelhos, os veados ou os rinocerontes. Este mundo non nos pertence!
A substância de Aristóteles é, portanto, hilemórfica (de “hyle” matéria, e “morphê” forma), polo que começamos a entrever a sua teoria sobre a estructura da realidade. As cousas reais (isto é, os elementos individuais, particulares ou unitários que constituem a realidade, ou, polo menos, os que constituem a realidade senssíbel) som substâncias e som compostas por dous princípios: matéria e forma. A matéria sería a parte material, se lhe tirássemos a forma (o papel e a tinta, se non estivessem informados pela forma “libro”). A matéria actua como substracto e suporte da forma. Por outro lado, a funçón da forma, de acordo com Aristóteles, é parecida com a que cumpre a “Ideia” ou Forma platónica, mas em vez de ser imaterial e estar situada no mundo intelixíbel, separado do mundo sensíbel, encontra-se nas próprias cousas. Para expressá-lo em termos muito simples, neste composto que é a substância, a forma contribui com o que nela existe de universal, isto é, o que tem em comum com outros indivíduos. A forma é o que faz com que o indivíduo pertença a unha espécie ou a um xénero. A matéria, por outro lado, é o que há na substância de particular. É o que faz com que essa substância sexa um indivíduo concreto. O meu cán é um cán (pertencente à espécie “cán”). porque tem a forma “cán”, e é o meu cán (e non outro qualquer), porque tem determinada matéria concreta (a carne os ossos e o pelo). Xá vamos percebendo mais sobre a realidade tal como a explica Aristóteles; sabemos que se organiza em “categorias”, que a categoría mais importante é a de “substância”, e também que as substâncias som os indivíduos concretos e que som compostas por dous elementos: matéria e forma. Ainda que possa parecer, o “hilemorfismo de Aristóteles” non é um raciocínio “dualista” como o de Platón. Embora matéria e forma sexam dous elementos, na realidade som inseparábeis, indissolúbeis. Um non pode estar sem o outro. A substância é unha unidade (non pode existir matéria sem forma, e vice-versa). Isto é assim polo menos no mundo sensíbel; veremos mais adiante que, segundo Aristóteles, existem alguns casos muito concretos de “formas puras”, isto é, sem matéria.
“Em Ponte de Lima había unha ponte, que dava o nome à vila. Esta ponte, em parte romana, em parte gótica, era revestída com ameias e entestada por dous castelos oxiváis. A vereaçón, com motivo de desafogar a vista sobre as duas marxens do rio, manda demolir os castelos e serrar as ameias da aludida ponte!” Isto afirma Ramalho Ortigao em “Culto da Arte em Portugal”, e vem-me sempre à memória quando entro em Ponte de Lima. Há algum esaxero, e polo menos o escritor confunde castelo com torre: non había castelos, mas había torres que guardabam a frente e foram arrasadas. E non só as torres. Da Ponte de Lima medieval, non foi muito o que chegou até nós. Nenhum monumento tem a importância da ponte. Era preciso vir aqui para passar o rio, e foi de facto essa a orixem da vila. Vem xá da época romana, e incluía-se na via que ligava Braga a Tui. A maior parte dos arcos romanos foi destruída, ou pola corrente, que no Inverno é forte, ou pola guerra, mas ainda há vestixios dessa alvenaría monumental. Foi à volta da ponte que se esboçou a primeira povoaçón. A condessa D. Teresa, no foral de 1125, estaba interessada em fixar aquí mais xente, e por isso estabeleceu que das terras todas se pagasse o terço, das non rotas o quinto. Rotas significa xá cultivadas, e non rotas som as arroteadas de novo; a diferença do terço para o quinto era um estímulo para levar a lavoura de novo aos campos abandonados desde a guerra dos Mouros. Também sabemos que os primeiros reis passavam com frequência por aquí (non había mais onde passar, a non ser em pontes de barcas), porque aos habitantes de Arcozelo, que era a “outra banda” de Ponte de Lima, era imposta a obrigaçón de fazer pán para o rei e broa para as suas matilhas de cans, quando o monarca viésse aos “paços da ponte”; mas o rei tinha que lhes dar a farinha e o sal para o pán, e milho para a broa; eles davam o trabalho e a banha. Também tinham de armar o rio para a pescaría, mas non se lhes esixía que pescassem. A armaçón consistia na colocaçón de redes que impedíam a passaxem do peixe; era essa a parte mais árdua; apanhá-lo era, depois, um alegre xogo do qual os homes do rei se incumbiam. Sabe-se também que D. Dinis e D. Afonso IV andaram com obras na ponte (talvez sexa deste tempo a tocante ermida romano-gótica do Anjo da Guarda, que é unha espécie de voto de “Deus te guarde” a quem se mete a caminho), e D. Pedro e D. Fernando rodearam a povoaçón com unha muralha que tinha nove portas protexidas por outras tantas torres. Este pormenor é curioso, porque nove portas significam nove caminhos diferentes e exprimem a natureza do centro de comunicaçóns que fez o êxito da povoaçón, funçón que veio posteriormente a ser muito atenuada pola construçón da ponte de Ponte da Barca, e xá no século passado pola ponte de Viana, que fixou o trânsito pola via litoral.
FERNÁNDEZ, Lucas (Salamanca, 1474?-1542). Dramaturgo que em 1498 ocupou praça de cantor na Catedral de Salamanca, que fora pretendída por Encina. Visitou Portugal alá por 1502 e ensinou música na Universidade de Salamanca, desde 1522 até a sua morte. O único manuscrípto do único exemplar conhecído das suas “Farsas y églogas al modo pastoril y castellano” (Salamanca, 1514) encontra-se na Biblioteca Nacional de Madrid. Consta de três dramas profanos, três dramas relixiosos e um diálogo para cantar entre dous pastores sobre o amor. Os três dramas profanos som a “Farsa o cuasi comedia del soldado”, que deriva directamente da figura do “Centurio” de “La Celestina”, e em última instância do “miles gloriosus” de Plauto; a “Comedia de Bras-Gil y Berenguella”, um drama sobre uns amores pastorís que acabam em cómico matrimónio ( nela aparece por primeira vez a figura do velho, neste caso o avô de Berenguella, tosco mas xentíl); e a “Farsa o cuasi comedia de una doncella, un pastor y un caballero”, na qual se introduce o novo tema do amor non correspondído dum pastor por unha dama. Em quanto à linguáxe, Fernández insería nas suas comédias profanas expressóns burlescas da fala rústica. Dos três dramas relixiosos ou autos sacramentais, o mais destacábel é o “Auto de la Passión para Semana Santa”, mais longo que as duas obras de Encina sobre o mesmo tema e de maior finura dramática. É a primeira obra de teatro do “Siglo de Oro”, em que aparece unha “conversión”. Nela apresenta-se ao astrónomo pagán “Sant Dionisio” (Dionisio el Areopagita) conversando com san Pedro, que se lamenta da traiçón de Xudas na noite anterior, e de que este mesmo negára ao mestre três vezes, etc… acabam todos, cantando as alabanzas do Salvador.