
O Presidente da República tem um problema. Dizem que o carteiro bate sempre duas vezes, mas, o passado é bastante mais teimoso. Rezaba o ano de 1987: Portugal era, felizmente, um ex-país colonial. No entanto, África continuava a gritar forte contra o racismo e essa aberraçao chamada “apartheid”. Finalmente a sempre tardia e preguiçosa ONU resolveu, olhar para a África do Sul. Os seus cárceres estavam cheios de africanos encadeados só pela condiçao da raça. A cor da pele marcava privilégios. A ONU, resolveu submeter a votaçón a libertaçón dos cautivos. Portugal, pela mao e decisao do seu chefe do Goberno, Anibal Cavaco Silva, votou contra a sua libertaçao. Portugal aliou-se com as potências da vergonha: Estados Unidos e Inglaterra. A direita e as suas personalidades têm outro problema; nao se sabem explicar e, quando se explicam, a pintura estraga a parede. Recentemente, faleceu o lonxévo Nelson Mandela (Madiba), e o destino e as suas casualidades, provocam um novo encontro entre Cavaco Silva e Madiba. O estrafalário voto de Portugal, volta à actualidade, hoxe vinte e seis anos depois da escolha de Cavaco Silva. Os cronistas, e a voz sonora das ruas recordam o feito. Cavaco explica, sem se explicar, porque para esclarecer estragou o tráxe com lixívia. O seu argumento resulta tremendamente imperialista e colonialista. A raçao esgrimida foi a presença de compatriotas num país estranho. Mas isto, nao xustifica a vontade expressa em forma de voto, de manter os nativos espoliádos e vexádos em presídio; Isso é ocupaçao e, neste caso ocupaçao colonial. Se existe risco ou perígo de vida para os compatriotas, a soluçao tem um nome: evacuaçao! No entanto, a direita nao tem só o problema dos seus políticos; tem o enorme problema dos seus intelectuais e cronistas. Normalmente e sempre que posso, sinto um enorme prazer quando leio as crónicas do Vasco Pulido Valente. É bom no género, escreve bem e navega; voa pelas ideias ou circunstâncias, que desexa atacar ou salvar. Arrebata. Dilacéra. Mas, infelizmente para ele, este fim-de-semana, meteu-se a tentar salvar o que nao tem salvaçao possíbel. O voto de Cacaxo Silva, nao se pode justificar com argumentos válidos! Para manter alguém na prisao víctima da enorme aberraçao que é o racismo e o seu “apartheid”! Também ou ainda menos é argumento a condiçao de família de chefe tribal de Madiba. Chefe, primo do chefe ou vizinho, a questao é que estaba preso porque era preto e, iniciára unha campanha anti-apartheid, inspirando-se curiosamente em Gandhi. Os apelos ou situaçoes de combate armado, surgíram quando Madiba e muitos outros padecíam o atroz presídio. Vasco Pulido Valente, algumas vezes, também estraga os seus tráxes com lixívia.
JOSÉ LUIS MONTERO













