Partilho o parecer de um inglês que dizia que todas as orixens, todos os direitos, todas as instituiçóns pareciam um pudim, para cuxa elaboraçón alguém pôn primeiro a farinha, unha segunda pessoa acrescenta os ovos, unha terceira o azúcar, unha quarta as passas, e assim se fai o pudim. No prefácio do “Dicionário Filosófico”, Voltaire descrebe o modo de utilizaçón de unha obra destinada a quem pretende “instruir-se divertindo-se” e que procura filosofar sem aspirar a ser filósofo, avisando de que a obra non esixe unha leitura continuada, mas unha intelixência crítica, porque a sua leitura serve para fazer polo menos metade do caminho. Na verdade, persegue o mesmo obxectivo que Diderot, quando dizia que na sua “Enciclopédia” queria mudar a maneira de pensar, ou o que, mais tarde, dirá Kant sobre o pensar por si próprio, sem se apoiar nas confortáveis muletas de qualquer tutela. No seu exemplar pessoal da “Enciclopédia”, Voltaire sublinha um passo essencial no artigo “Enciclopédia”, redixido por Diderot, onde este tem a ousadia de descreber a forma como pretende enganar os censores através de um enxenhoso estrataxema, como o de tratar os assuntos espinhosos com um respeito finxído, mas remetendo depois para outros artigos até que o leitor ligue as pontas soltas. “A obra enteira receberá unha força interna e unha utilidade secreta, cuxos efeitos se notaram necessariamente com a pasáxe do tempo, remetendo para artigos onde os princípios sólidos servem de base a verdades opostas”. O exemplo mais citado é o artigo “Comunhón” da Enciclopédia de Diderot, que remete para “Canibalismo”.
Visita a unha casa onde repousam trabalhadores da Industria do chá. Passam aqui as férias, um mês por ano. A permanência custa setecentos rublos, mas eles apenas pagam trinta por cento; o resto é pago pelo sindicato. Êsses números xá nos tinham sido expostos. Lembrei-me tê-los ouvido pola primeira vez na fábrica de meias, em Tbilissi. Provávelmente iriam repisá-los noutros locais de trabalho ou descanso. Receiam talvez que non lhes demos crédito, e as informaçóns chegam à monotonia. Non achamos incongruência, temos de admiti-las, embora realmente nos pareçam estranhas. Orixinários de outro mundo, habituámo-nos à insuficiência dos hospitais, das escolas, das maternidades, conservamos no espírito a mesquinharia burguesa, non nos podemos librar dela, e achamos quási impossíbel existirem cômodos para todas as pessoas forçadas à vilexiatura anual. Pouco a pouco se desfazem as dúvidas. Precisamos despoxar-nos de hábitos e idéias incompatíveis aqui. No estabelecimento de repouso aboletavam-se, quando lá estivemos, oitenta individuos, homes e mulheres. Há em Gagra, um lugarexo, vinte e sete casas semelhantes e várias em construçón. Teríamos, sem falar nessas, dois mil cento e sessenta hóspedes na cidadezinha, aves de arribaçón cada mês substituídas por outras. Mas o que vemos é simples amostra. Êsses hotéis espalham-se por toda a Unión Soviética, e non esperamos achar aqui xente da Sibéria e do Báltico. As sombras de um grande parque nos acolhem, belos canteiros de rosas amarelas e vermelhas. À entrada surxe unha extensa mesa coberta de envelopes e xornais: a correspondência dos hóspedes. E enfiámos pelos corredores, invadimos peças, vendo, esquecendo logo, anotando para que non se perdessem as lixeiras observaçóns, nunha curiosidade leviana de turistas propensos a entender as cousas com rapidez. Nas salas vastas, xogadores, entretidos nos lances do xadrez, nem pareciam dar pela nossa presença. Admirava-me non distinguir nêles nenhum dos sinais entre nós perceptíveis na classe obreira: xestos esquivos, olhares suspeitosos, maneiras bovinas, indício de pensamento lerdo. Parecem desconfiar das criaturas bem vestidas e educadas. Certo crítico, anos atrás, me insinuara utilizar num romance os camponeses do Nordeste. Apesar de sertanexo, achava-me incapaz de fazer isso, e antes de viver com êsses homes na cadeia, dormindo nas esteiras podres e dividindo fraternalmente os percevexos, non me arriscara a aceitar o conselho. Aqui se atenuaram as diferenças, afinal desapareceram; os indivíduos que xogam xadrez som aparentemente iguais a nós, non têm motivo para xulgar-nos inimigos. Ainda estamos lonxe deles, é claro: somos estranxeiros (e, embora vivamos do nosso trabalho, fomos criados na reverência aos tipos hábeis que vivem do trabalho dos outros). E admiramos haverem-se apagado aqui as diverxências. Acontecera-me, passeando em Moscovo, fazer unha pergunta: “–Mme. Nikolskaya, essa moça aí perto é empregada em oficina ou em repartiçón pública?” A senhora Nikolskaya examinara a mulher por todos os lados e concluíra: “–É impossíbel saber. Non achamos distinçón”. Moscovita, a senhora Nikolskaya fora incapaz de satisfazer-me a curiosidade. Um ofício non é superior a outro (e os homens tendem a uniformizar-se. Essa idéia choca o nosso individualismo pequeno burguês: achamos vantaxem nas discrepâncias, receamos tornar-nos rebanho. E nem vemos que somos um rebanho heteroxéneo, mediocre, dócil ao proprietário. Queremos guardar o priviléxio imbecil de non nos assemelharmos ao vizinho. Enfraquecendo-nos, xulgamo-nos fortes. Realmente, somos como bêstas. Surpreende-nos o ar de segurança, a firmeza dos indivíduos que mourexam na indústria do chá. Donde vêm êsses modos? Certamente da convicçón plena de non estarem a deber nenhum favor. Nos dormitórios confortábeis acham-se em cada casa. Três camas, poltronas, armários, escrivaninha, lavatório. Cadeiras estofadas e diváns num longo corredor. Percorremos diversos apartamentos. Nos maiores aloxavam-se stakhanovistas e heróis do trabalho. Essa diferença no tamanho indica estímulo apenas; os móveis som iguais aos das outras peças. As criaturas non se nivelam, como se afirma no exterior. Percebemos divisas em toda a parte, valores que non conferem nenhuma vantaxem material. Condecoraçóns, as fitas e as medalhas distribuídas largamente. Descemos ao refeitório. Dezoito mesas. Demos unha vista à copa e à cozinha, vastas e limpas. Confôrto. Êsse confôrto non veio de graça, non é esmola xogada a miserábeis desexosos de entrar na cova. Non: presenciamos um hiato nas ocupaçóns normais. Lacuna obrigatória. Finxem arrepiar-se lá fora ouvindo unha frase maluca: existe aqui o trabalho forçado. Os patróns escandalizam-se, manhosos: querem fazernos admitir que noutros lugares conseguimos, na pobreza, viver ociosos. Mostra-se agora o reverso da medalha: o repouso forçado. Ninguém se libra dele. Non están a impinxir-nos unha organizaçón filantrópica; isto significa unha necessidade económica: o labor continuádo arruinaría os corpos. Outra vez a hipocrisía torce o nariz: os homes equiparam-se às máquinas, vêm consertar molas estragadas, metem-se depois na oficina, como se non tivessem almas. Non é o que vemos. Os teatros regurxitam, multiplicam-se as escolas, o número de bibliotecas é enorme, em qualquer museu surxem grupos de estudantes. E há os clubes, os palácios de cultura, exibidos com certo orgulho, é claro, pois lá fora non existe cousa semelhante. Se as almas quiserem mais, esixirem santos, missas, están no seu direito. As igrexas forom restauradas, e a conservaçón delas custa dinheiro grosso. A nái da senhora Nikolskaya non dispensa os ícones, e as velas acessas. Non lhe prohibem tais necessidades. Respeitam-lhe a crença, a família evita cuidadosamente unha palabra ofensiva para deus e para os anxos.
EXIMENO, padre Antonio (1729-1808). Musicólogo e xesuita que foi professor na Universidade de Valencia. Jovellanos admirou as ensinanças relixiosas de Eximeno, afirmou que o xesuita tinha restaurado a lóxica na epistemoloxía sensualista de Locke e Condillac e tinha também eliminado das teorias destes autores tudo o que a Igrexa consideraba teolóxicamente inadmissíbel. Foi conhecido por “Dell origine e delle regole della musica, colla storia del suo progresso, decadenza, e rinovazione” (Roma, 1774), que foi traduzida para castelán dous anos depois por F. A. Gutiérrez. Também é autor de unha novela, “Don Lazarillo Vizcardi”, as suas investigaçóns músicais com ocasión do concurso a um maxistério de capela vacante, que foi publicada por primeira vez em 1872-1873.
Ata non hai moito, en todas as casas do agro galego mazaban o leite de cote. Esta tarefa da que polo xeral se encargaban as mulleres, realizábase ó carón do lume e axudaba, por unha parte, a conservar un elemento alimentario básico e, por outra, ampliaba un pouco o abano de recursos culinários (abano realmente estreito ás veces) da familia. En primeiro lugar, deixábase arrefriar durante un día o leite que se destinaba a este fin e íaselle quitando a tona de por riba, proceso que se denominaba “descabezar”, para ila botando nunha ola ata que se enchera. A continuación era conveniente ter a suficiente precaución de poñer unha pataca cortada ou un pano rodeando o oco da mazadoira para evitar salpicaduras, e así, a muller da casa comezaba a mazar o leite. O proceso, bastante longo, non ten unha duración fixa. As bólas resultantes xuntábanse nunha soa que se depositaba nunha fonte (prato longo). Era preciso botarlle un chisco de sal (sal gordo, que antes era moído cunha botella) e esta bóla íase estendendo na fonte (prato longo) para darlle unha forma máis ou menos rectangular e repartíndoa en “cuartos”. Despois movíase a fonte, inclinándoa, para conseguir que quedase ben escorrida. O líquido sobrante é o “leite mazado”, que podía tomarse no almorzo mollando simplemente un anaco de pan con algo de azucre ou mel. A parte callada amásase e, logo dunha cocedura, convértese en manteiga.
GALICIA PARA COMELA (VOLUME I) – HÉRCULES DE EDICIONES S. A.
Talvez digas que para entender non necessitamos brazos nem pernas; por tanto, aínda que estes sexam defeituosos, com tal de que o cérebro se encontre em condiçóns, será suficiente. Mas enganaste: se os membros están mal conformados desde o começo da xeraçón, o defeito encontrará-se ou na matéria da qual forom feitos ou na potência formadora. Em âmbos casos, algum ou varios dos membros principais necesariamente han de ser imperfeitos. Se o defeito está na matéria, non há dúvida, pois todos os membros estám feitos do mesmo semen. No entanto, a potência formadora non é de seu primariamente débil, senón que o é porque há deficiências nos espíritos ou no equilibrio dos humores, sendo uns e outros os seus principais instrumentos. Enquanto haxa algunha deficiência em qualquera deles, hai-na também nos membros internos. Mas, aínda que só a houbera nos externos, desde estes se comunicaría aos internos. Em efeito: quando os membros mais externos som débeis, non provenhem adequadamente, nem retenhem, nem dixérem, nem eliminam, com o qual a sangre contamina-se de excrementos, e ela contamina os espíritos e os membros internos. Se, depois que um corpo perfeito está formado e nasceu, sobrevem-lhe unha deformidade, isto debe-se bem a unha causa interna, bem a unha externa. Em qualquer caso, a deformidade altera também os membros internos e destroza a sua perfeiçón da mesma maneira que se lhe afectara desde o principio. Em suma: um corpo perfeito, ou non o há nunca, ou só durará um instante. Por tanto, non há ninguém que saiba, nem se sabe nada!
A deposiçón de Itacio foi vista polos priscilianistas como um triunfo. Galiza, Lusitânia e algunha outra rexión da Península estabam cheias de partidários da sua doutrina. Trouxérom os restos de Prisciliano e demais heresíarcas degoládos em Tréveris e começarom a dar-lhes culto como a mártires e santos. Non acabárom os conciliábulos nocturnos, mas fíxo-se inviolábel xuramento de non revelar nunca o que neles acontecía, aínda que muitos dos doutores da seita, entre eles Dictino, declarabam lícitos a mentira e o perxúrio. “Iura, periura, secretum prodere noli”, era a sua máxima. Unidos assim polos lázos de toda sociedade secreta, chegarom a exercer absolucto domínio na Igrexa galega, cuxa liturxía alterárom, fixérom anticanónicas eleiçóns de bispos em xentes da sua bandeira e provocárom, em suma, um verdadeiro cisma. Os demais bispos, excomulgarom aos prevaricadores, e seguíu-se um breve período de anarquía, em que à Igrexa substituírom as Igrexas, dándose o caso de haber dous ou aínda mais prelados, para unha só diócese e até de nomear bispos para sedes que non existían. O principal fautor destas aberraçóns era Sinfosio (a quem se supôn bispo de Ourense), acérrimo na herexía, aínda que tinha firmado as actas do concilio de Zaragoza. Seguía e amparaba os mesmos erros, o seu filho Dictinio, escritor de conta entre os seus, a quem o seu pai tinha nomeádo bispo de Astorga, com assentimento dos demais priscilianista. À cadeira de Braga tinha sído levantádo outro heréxe: Paterno. Aumentaba a confusón e, temerosos os mesmos sectários das resultas, ou arrependidos, em parte, do incêndio que por sua causa abrassaba a Galiza, determinárom buscar um termo de avença e propô-lo ao grande bispo de Milán, Santo Ambrosio, para que com palabras conciliadoras persuadísse aos nossos prelados católicos à concordia, prévias por parte dos galegos, certas condiçóns de submissón, sendo a primeira, abxurar de todos os seus erros. Santo Ambrosio tinha presenciádo as terríbeis escenas de Tréveris, onde se negou a comulgar com os itacianos, e el mesmo escrebe haber visto com funda pena de que sorte levárom ó desterro ao ancián bispo de Córdoba Higino. Encontrába-se, pois, o seu ânimo disposto à clemência, e, xulgando sincéras as palabras dos priscilianistas e aceitábeis as suas condiçóns, sem mengua do dogma nem da disciplina, escrebeu aos bispos espanhois (aínda que a carta non se conservou), aconselhando-os que recebessem na sua comunhón aos conversos gnósticos e maniqueos. Um dos capítulos de concordia que Santo Ambrosio propunha era a deposiçón de Dictinio e dos demais bispos tumultuosamente elexidos, que debíam quedar na ordem de presbíteros. Conforme às cartas do bispo de Milán e aos conselhos do papa Siricio, reunírom os nossos prelados em 396 um concilio em Toledo. Sinfosio, com os seus, negou-se a asistir, com vissibel cautela, afirmou que xá tinha abandonado os erros de Prisciliano e dos mártires (assim chamabam ós degolados em Tréveris); mas sem fazer abxuraçón formal, nem dar outra mostra do seu arrependimento, nem cumprir condiçón algunha das propostas por Santo Ambrosio. E soubérom os Padres do concilio que a conversón era simuláda, posto que Sinfosio e os outros, seguíam fazendo uso de libros apócrifos e aferrábam-se tenazmente às suas antigas opinións, polo qual nada se adiantou neste sínodo, se xá a falta das suas actas e o silencio dos demais testemunhos nos fán andar às escuras no que a el concerne. A pesar de haber-se frustrado a avenença, o priscilianismo parece ir perdendo favor e adeptos, sem dúvida pola tendência unitária e católica da nossa xenerosa raza. Só assim comprehendemos que quatro anos mais tarde, no 400, abxurásem em massa e com evidentes indicios de sinceridade, os que pouco antes se mostrabam reácios, e non forom constrenhidos nem obrigados por forza algunha superior a tal acto. Verificou-se este memorábel acontecimento no concilio primeiro Toledano.
EVIA, Jacinto de (Guayaquil, 1729 – 1808). Poeta barroco equatoriano, que publicou “Un ramillete de varias flores poéticas recogidas y cultivadas en los primeros abriles de sus años” (Madrid, 1775), de estilo gongorino. Na obra forom incorporados poemas de outro equatoriano, fray Antonio Bastidas, e do Colombiano Hernando Domínguez Camargo.
Começamos entao, a entender non entendendo as palabras; as frases que também, pensávamos, poderiam ser dirixidas ao vizinho. Olhamos para os que estao no cimo da TV do Shopping e desfiamos-lhes as gravatas. Deixamos de pensar que eles pensam e passamos a considerar que só desejam. Desejam “Poder”; desejam fazer sem utilidade social. Continuamos o passeio dos peregrinos, mas, neste caso sem “Santuário predestinado”, e encontramos que o Governo pretende trocar as palabras e o significado das mesmas; passa-se ao eufemismo político sem alterar a praxis da questón. Fála-se, acompanhados por um coro de personalidades com relevo curricular mais político que académico e de duvidosa sapiência, que non se terá “segundo Resgate, no entanto afirma-se com ares de quem sente orgulho, que chegará a “Cautelar”… Para reforçar a ideia da diferença, que non é tal, ouvimos que non será necessário o apoio da oposiçao. No entanto, sentimos como se omite; se esconde que com tal nova de “Cautelar” a vigilância “estranha” continuará; a direçao continuará a ser a mesma, a nao ser que resolvam mudar de troicos e venham outros tán feios, bonitos, bons ou maus como os troicos que os antecederam. Nada muda; mudam as palabras: Portugal, as EDPs, as CTTs de novo cunho continuaram a ser vendidos e os reformados nao escaparam da tesoura.
Arístocles expressara algo parecido noutros termos. Também ele defendeu à sua maneira que este mundo que se manifesta aos sentidos e ao conhecimento carece de realidade em si, xá que é unha mera cópia do mundo ideal, cuxa existência é a única verdadeira. Os seres vivos padecem e morrem. O mundo que vemos e representamos é um mundo de cópias, “falso” e está condenado à corrupçón e à caducidade. O verdadeiro está constituído polas ideias eternas das cousas, enquanto as próprias cousas possuem unha realidade ilusória e fenomenolóxica. A maioria dos seres vive no mundo da opinión e no mundo dos fenómenos, non da verdade. O grande ateniense imaxinou os seres humanos como habitantes de unha caverna que, acorrentados às rochas desde a sua infância, só conseguem ver sombras de incontábeis obxectos transportados por outros homes ao passarem por um caminho situado atrás dos prisioneiros e em frente de unha grande fogueira. A luz da fogueira proxecta as sombras dos obxectos nunha enorme parede de rocha à frente dos prisioneiros. Como os transportadores de obxectos falam, as suas vozes parecem as dos obxectos reflectidos. Os inxénuos acorrentados acreditam que essa é a realidade: as sombras e as vozes que surxem das sombras. Só quando um dos prisioneiros é libertado e acede ao mundo exterior percebe a verdadeira realidade externa, iluminada pola luz do sol e que nada tem que ver com a realidade das sombras do mito da caverna. Com a sua teoría da representaçón, Schopenhauer sentia-se solidário com aqueles que o tinham inspirado: Kant, Platón e os sábios que conceberam as ideias “quase sobre-humanas” enunciadas nas Upanisads. Com a sua teoria da representaçón, expressava a perplexidade e o paradoxo de que este mundo em que estamos era, em parte, como um sonho, producto da nossa mente e consciência ou, como expressará mais tarde, do nosso “cérebro”.
Para o futuro, a fim de conciliar as entidades materiais das culturas arqueolóxicas com os dados paleoxenéticos, precisamos de desenvolver taxonomias mais robustas da evoluçón cultural dos grupos arqueolóxicos. Na arqueoxenética, as unidades taxonómicas están bem definidas, mas o mesmo non acontece na arqueoloxía. É necessário “traduzir” a materialidade dos grupos arqueolóxicos em unidades taxonómicas operacionais, ou sexa, reduzir os diferentes obxectos a tipos, com desenhos normalizados. E, além disso, enquadrar cada um deles num sistema específico de transmissón de informaçón através das xeraçóns, ou sexa, situá-los nunha evoluçón filoxenética ao longo do tempo. Imaxinemos o caso das fíbulas, os broches-alfinetes para prender as roupas celtas. A ideia xenérica das fíbulas traduz-se em tipos concretos, que os artesáns (no meio de unha “comunidade de practicantes”) fabricam. As fíbulas tinham unha funçón práctica, mas também unha funçón ornamental e simbólica. Isto significa que, em diferentes grupos e diferentes rexións, as formas e os pormenores podem variar. A produçón tem “mestres” artesáns e aprendizes, e o artesanato é transmitido de diferentes formas dentro de unha comunidade de aprendizes. Para ser transmitido, o obxecto (e as suas variantes) tem de ser aceite nas novas comunidades. E unha vez aceite a inovaçón, as peças fabricadas variam de acordo a moda, a transmissón e a inovaçón. O tipo evolui no tempo e no espaço. E, através dos métodos de dataçón arqueolóxica, é possíbel estabelecer unha sequência pormenórizada dos tipos e das suas variantes. Mas é necessário que estas unidades taxonómicas (os tipos e as suas variantes) estexam bem organizadas. Só entón os dados arqueoxenéticos e os dados arqueolóxicos podem ser conciliados com maior precisón e podemos esperar relacionar a ascendência xenética com artefactos arqueolóxicos de diferentes grupos em diferentes escalas xeográficas. A arqueoxenética tem um grande futuro pola frente, mas convém lembrar que está a dar os primeiros passos e que os dados disponíbeis esboçam, de certa forma, um quadro (sobre tudo o “big picture” à escala continental) ainda fragmentário e com lacunas, embora nos permita vislumbrar os traços mais intensos. Em suma, dizer que as populaçóns actuais de certas rexións se sentem ou mesmo, como alguns afirmam, “som celtas” non tem qualquer fundamento na realidade. E se há algunha relaçón ou ligaçón afectiva a sentir, o melhor é sentir a ligaçón intima com a terra, a terra que pisamos, com as paisaxens que habitamos, e com a grande cadeia de xeraçóns de antepassados que nos remetem para os Celtas, mas também para os caçadores do Paleolítico Superior e, finalmente, para os primeiros Sapiens modernos que saírom de África há mais de cem mil anos.
EUROPEO, EL. Revista semanal de importância, que se publicou em Barcelona a finais de 1823, e até meiádos de 1824. O grupo editorial estaba formado por Bonaventura Carles Aribau e Ramón López Soler, que admirabam a Meléndez Valdés e a Quintana e traduciram a poetas românticos europeos como Chateaubriand, Schiller, Klopstok e “Ossian”. Num artígo, Monteggia xustificou plenamente o uso da palabra “romântico” frente às outras possibilidades, “romanesco” ou “romancesco”; em outro artígo, López Soler apoiou a postura de Böhl de Faber que advogava por um romântismo cristán-católico (“Análise da questón axitáda entre românticos e classicistas”). Depois, Menéndez y Pelayo destinguiría duas correntes dentro do romântismo: a histórica e a liberal ou revolucionária.
Co inicio do ano 1940, a policía devólvelle ao SERE a documentaçión, e a súa actividade reanúdase baixo a dirección dun Alejandro Viana que desborda ilusión. “Debemos asegurar a entrada nos campos de concentración dos nosos representantes para poder de viva voz, levar ao ánimo dos alí albergados o interese vivísimo que o SERE ten en atendelos, dentro das súas limitadas posibilidades, facer o censo profesional de todos, para poder xestionar a súa colocación en fábricas, talleres ou en traballos agrícolas, mellorar o seu estado sanitario e nunha palabra, darlles a calor de irmáns da que tan necesitados están.” Viana quere enfrontar tamén os problemas que afectan á organización de expedicións colectivas. “As dificultades que os embarques nos presentan son innumerábeis, maiores cada día. A emigración fíxose sempre con precipitación. En efecto, hai erros, moitos erros na nosa organización, máis pola actuación dos partidos políticos que a integran que pola organización mesma, porque aqueles, co desexo plausíbel de evacuar ao maior número posíbel de afiliados, empéñanse en que as listas para embarque non se pechen, como debería facerse, dez días antes da data de saída do vapor. Pero irase corrixindo e, como son un home tenaz, espero que a próxima expedición se fará, non só como desexan as autoridades francesas, senón como o desexamos cantos temos concepto da responsabilidade no cargo que desempeñamos.”
Tudo isso nos leva a pensar que talvez Perry Anderson tenha razón e que, no fundo, o impressionante ressurxir do pensamento de Gramsci na actualidade tenha unha vertente mais pessimista e desenganada do que se quer fazer crer. Talvez, na verdade, se deva ao facto de nos encontrarmos nunha situaçón na qual o movimento operário à escala internacional acumule xá mais de meio século de derrotas contínuas, de tal modo que unha vez decidida a favor dos poderosos a “guerra de movimentos”, xá non surxa outra possibilidade além de unha permanente “guerra de posiçóns” que, embora non possa ganhar, pode, polo menos resistir. Tomemos, por exemplo, um autor espanhol que, na actualidade, acreditamos que ainda estaria orgulhoso de se considerar “comunista”: o deputado Alberto Garzón. No seu libro “A Terceira República” (2014), non defende (como também nunca o defendeu o seu mestre Julio Anguita, que foi durante muito tempo secretário-xeral do Partido Comunista Espanhol) unha “comunidade proletária” ou unha “utopia de camaradas comunistas”, mas simplesmente unha república que encaixe verdadeiramente naquilo que se entendeu como tal na tradiçón republicana. Polo contrário, se Anguita ou Garzón se consideraram “comunistas” foi sem dúvida, porque consideram que a única maneira de defender unha autêntica ordem constitucional num Estado de direito é incompatíbel com a defesa do capitalismo. Non é por amor à radicalidade. O que acontece é que o capitalismo (segundo muitos autores marxinais, entre os quais se conta o autor deste libro) é radicalmente incompatíbel com aquilo a que chamamos Estado de direito. É certo que, em xeral, os filósofos do iluminismo non chegaram a este resultado, mas é claro que lhes faltaba um elemento para isso: ter lido Marx. Tinham reflectido muito sobre o que debia ser unha ordem constitucional, mas non tinham pensado suficientemente no que significaba encaixar tudo isso com o capitalismo. Isso faz com que, em muitos deles (por exemplo, em Locke ou no próprio Kant), o cinismo e a ambiguidade sexam difíceis de distinguir. Mas depois de “O Capital” de Marx é impossíbel defender ao mesmo tempo a condiçón cívica e o capitalismo, sem mobilizar grandes doses de mala-fé.
Dificilmente podíam ler estes versos os contemporâneos de Lucrecio, sem pensar nos crímes e confiscaçóns que fixérom a revoluçón proveitosa para os fortes: (cimentam / em sangre cidadán a sua fortuna, / e avarentos tesouros amontoam, maldade sobre maldade acumulando.) Mas, raras som nesta obra as pasáxes desta clásse: a mensáxe de Lucrecio non era a rexeneraçón nacional, senón a salvaçón pessoal. Ao adoptar esta actitude seguía a ensinança ortodoxa da sua escola. Non obstânte, quando Epicuro aconselhava aos seus seguidores evitar a luta política, non trataba de que o Estado acabára ou se deslizara para a anarquía. A teoría política epícurea implicaba sempre unha distinçón, entre o que é bom para o filósofo e o que é bom para a massa dos homes e, na práctica, a boa vida apenas sería possíbel sem a estabilidade da lei. Certamente había epicúreos em Roma, como C. Veleyo e L. Manlio Torcuato, que tratabam de conciliar as suas crênças com unha vida pública activa. Mas Lucrecio non era home de compromiso, e o seu reconhecimento no primeiro prólogo de que se chega a guerra, Memio tería que cumprir com o seu deber, sem dúvida no é tanto unha afirmaçón de princípio, como um reconhecimento do inevitábel. Por isto, só num sentido especial pode chamar-se a “De rerum natura” um “tratado para todos os tempos”. Non é um poema político e non há insistência na época contemporânea. Incluso a narraçón da evoluçón do Estado no libro resulta surprehendentemente teórica e difícil de quadrar, o que Lucrecio afirma sobre o tema, com o que os romanos pensabam sobre a sua própria história constitucional. É improbábel, por exemplo, que os ataques de Lucrecio à relixión, estiveram dirixidos aos ricos e poderosos, cuxa autoridade se apoiaba em parte na dignidade da costûme estabelecida. O último século da República ofertaba um rico campo para um escritor de dotes satíricas, e podería haber dito muito mais, se o desexára, sobre a exploraçón cínica da relixión com fins políticos. O seu poema sobre a natureza das cousas, non estaba dedicado ao home corrente, àqueles que manipulabam o culto estatal, para lograr os seus próprios fins.
A teoría descrípta neste capítulo, é verificábel. Nos exemplos anteriores, temos insistído em que as “amplitudes de probabilidade relativa” para “universos radicalmente diferentes”, como por exemplo os que tenhem um número diferente de “dimensóns externas”, non importam. Non obstânte, as amplitudes de probabilidade relativa para “universos vecinhos” (é dizer, parecidos) sim importam. A “condiçón de ausência de bordes”, implica que a amplitude de probabilidade é máxima para as “histórias” em que o universo comeza com unha forma completamente lisa, e redúce-se para os universos que som mais irregulares. Isto significa que o “universo primitivo” debería haber sido quase liso, salvo diminutas irregularidades. Tal como temos advertido, podemos observar esas irregularidades, como pequenas variaçóns nas microondas que nos chegam de direcçóns diferentes do firmamento. Comprobou-se que concordam exactamente com as esixências xerais da “teoría inflacionária”; non obstânte, necesitaremos mediçóns mais precisas para poder distinguir completamente a “teoría descendente” das outras teorías, e assim confirmá-la ou refutá-la. É de esperar que tais mediçóns sexam levadas a cabo por satélites num futuro próximo. Há séculos, a xente acreditaba que a Terra era única e estaba situada no centro do universo. Actualmente sabemos que na nossa galáxia há centenas de miles de milhóns de estrelas, e que há centos de miles de milhóns de galáxias, um grande porcentáxe das quais contenhem sistemas planetários. Os resultados descríptos neste capítulo, indicam também que o nosso universo é um dos muitos, e que as suas leis aparentes non están determinadas de forma única. Isto debe resultar decepcionante para os que esperabam que unha “teoría última”, unha “teoría de tudo”, predíga a natureza da “física quotidiana”. Non podemos predecir características discretas como o número de “dimensóns externas do espaço”, ou o “espaço interno”, que determina as magnitudes físicas que observamos, como por exemplo a massa e a carga do electrón e de outras partículas elementais, senón que utilizamos esses números para seleccionar as “histórias” que contribuiem para a “suma de Feynman”.