
Nem tudo corria bem na vida de Descartes. As duas viaxens a França (em 1644 e 1647) à caça de unha pensón que o rei Luís XIV lhe tinha prometido, suxérem que a sua situaçón económica tinha começado a agravar-se. Em ambos os casos, o resultado das viáxens foi nulo, pois o tesouro francês estaba na mais absolucta bancarrota. Isso axuda a explicar a surpreendente (e posteriormente fatídica) decisón de partir para Estocolmo em Septembro de 1649, depois de aceitar, com muita reticência, o cargo na corte que a rainha Cristina de Suécia, prima de Isabel, lhe oferecera. Descartes era prudente porque estaba desiludido com a escassa quantidade de pessoas que desexavam aprofundar a sua filosofia, depois de a terem percorrido superficialmente, por curiosidade. Em parte debido ao estilo simples e descontraído com que tinha sido escrita, associavam-na a unha questón de mero senso comum e non lhe davam maior importância. Para sua frustaçón, notaba que os poderosos estavam mais interessados em questóns obscuras, como a maxía, a astroloxía ou a alquimia, das quais non se podia obter certeza algunha (pois nelas tudo era fruto da mera “intençón” de crer, à marxem da validade ou non das ideias implicadas). Por isso, a correspondência com Isabel tinha sido tán gratificante e, por essa razón, quis assegurar-se de que com Cristina seria similar. Aos 23 anos, Cristina era unha xovem estudiosa que procurava realizar o ideal do renascimento tardio de unha corte de sábios. Levou para Estocolmo todo o tipo de artistas e erudictos, de arquitectos a pintores, e gastou unha fortuna na construçón de um teatro com as últimas inovaçóns técnicas. Mas nem isso a conseguiu salvar de ser unha rainha impopular, recordada pola insensatez das suas decisóns. As cousas correrom muito mal para Descartes desde muito cedo. Para começar, demorou tanto tempo a chegar (seis semanas, para sermos exactos) que o interesse da rainha pola filosofia xá tinha esmorecido e andava agora intrigada com a história da Grécia Antiga. Descartes era um home culto, mas se algunha cousa o aborrecia era a história e a cultura dos antigos. A mistura de ciência desfasada com moral pré-cristán e o modo pedante como era citada sem ser questionada parecia-lhe completamente inútil. Além disso, cometeu outro erro enorme na primeira reunión que teve com Cristina: dizer-lhe maravilhas da sua prima. Segundo os biógrafos, Cristina era unha pessoa ciumenta, especialmente da mais bonita e intelixente Isabel.
ANTONIO DOPAZO GALLEGO













