
Para compreender a filosofia de um autor com todos os seus matizes, é imprescindíbel analisar a sua vida, bem como o contexto social e histórico no qual desenvolveu o seu pensamento. No caso de Freud, esta esixência conduz-nos directamente à necessidade de reflectir sobre a cidade que viu nascer as suas ideias médicas e filosóficas, Viena. Na verdade, Freud nasceu em Freiberg (cidade que, no seu tempo, pertencia à Morávia, unha parte do Império austríaco, e, actualmente, pertence à República Checa) e non em Viena, mas foi nesta cidade que estudou e se doutorou, onde também desenvolveu toda a sua práctiva terapêutica e formulou as suas teorias sobre a estructura do psiquismo humano. Assim, Viena é um lugar incontornábel se quisermos comprehender o pensamento de Freud. Como em breve descobriremos, a esplêndida Viena de fim de século fez todo o possíbel por dissimular, sob um manto de luxo e de refinadas convençóns sociais, unha crua realidade: a sexualidade. E foi precisamente a ânsia de revelar e comprehender esta realidade oculta –mas muito real!– que estimulou, em grande medida, o pensamento de Freud. No imaxinário popular, Viena associa-se de imediato ao ritmo das alegres valsas de Johann Strauss –sobretudo, o filho (1825-1899)–, com os refinados cafés e a magnificência da corte dos Habsburgo. Assim, a monumental Viena apresenta-se-nos com frequência como o paradigma de unha cidade requintada e entregue ao gozo de viver. Por tudo isso, é surprehendente comprovar até que ponto os sempre educados e senssíbeis vienenses resistiram com firmeza, e a maioria das vezes com insolência, às teses do nosso autor. Até mesmo no momento em que o mundo começou a acolher as revolucionárias ideias de Freud, Viena respondeu com unha eloquente indiferença. Talvez este repúdio fosse motivado polo facto de Freud, como diríamos coloquialmente, ter ousado meter o dedo na ferida? Sem dúvida, a ostentaçón e o fedonismo da Viena de finais do século encobriam unha sociedade bastante fracturada e replecta de penosas contradiçóns.
MARC PEPIOL MARTÍ









