FALCÓN, César (n. Lima, 1892). Româncista, contista e ensaista peruano. Transladou-se a Europa em 1920 com J. C. Mariátegui e nunca voltou a cruzar o mar. Em “Plantel de inválidos” (Madrid, 1921) reuníu os seus primeiros contos de tema rexional sobre os Andes centrais. Escrebeu três românces: “El pueblo sin Dios” (Madrid, 1928), no qual ataca o caciquismo e a exploraçón do indio nos Andes peruanos. Nela aparece por primeira vez na novelística peruana a técnica cinematográfica. “El buen vecino Sanabria U” (C. de México, 1947) é unha crítica irónica do período de Manuel Prado (presidente de Perú, 1940-1945) e da política de “buenos vecinos” practicada por Estados Unidos. “Por la ruta sin horizonte” (C. de México, 1961) que trata da vida espanhola durante a Segunda República. Os seus artígos e ensaios apareceram em “Crítica de la revolución española” (Madrid, 1931) e em “El mundo que agoniza” (México D. F., 1945)
Albert Einstein, desarrolhou duas teorías da relatividade. A primeira, a “teoría especial da relatividade” (1905), estabelece que a luz sempre viáxa a unha velocidade constante e que, a velocidade da luz é unha constante absolucta; qualquer outro desprazamento é relativo. Em 1916, Einstein publicou um artígo sobre a sua “teoría da relatividade xeral”. “A relatividade xeral” é, de maneira esêncial, unha teoría da gravitaçón como resultado da distorsón da xeometría espaço-tempo. A xeometría ordinária tem que ver com a distância entre dous pontos e os ângulos entre linhas. Non obstânte, sobre unha superfície curva, como a da Terra, estas distâncias e ângulos non obedecem às mesmas leis xeométricas que unha superfície plana. Por exemplo, se dous homes coméçam a caminhar em direcçóns opostas sobre unha superfície plana, alonxaríam-se cada vez mais. Mas se dous homes caminham em direcçóns opostas sobre a superfície da Terra, ao princípio alonxarám-se, mas depois acabarám por encontrar-se no outro lado da Terra. A xeometría espaço-tempo, também tem que ver com as distâncias e os ângulos, mas agora consideram-se os acontecimentos, isto é, os pontos que non só se separam no espaço, mas também no tempo. A pergunta mais importânte é se podemos ir de um acontecimento a outro à velocidade da luz ou mais lento. Como a gravidade é resultado da distorsón na xeometría espaço-tempo, os campos gravitacionais afectam as medidas de tempo e distância. Por exemplo, “a relatividade xeral” afirma que um átomo que oscila na cave de um edifício, debe facê-lo mais lento que um átomo no último andar. Este efeito é muito pequeno, mas pode-se medir ( num edifício de quatro andares) e a medida coincide com o previsto. Afirma-se que acontecem efeitos similáres (mas de muito maior magnitude) em campos gravitacionais muito grandes, como os que existen perto de um buraco negro.
FALCO, Líber (Montevideo, 1906 – 1955). Poeta uruguayo, senssíbel e inxénuo. À diferênça de muitos dos seus contemporâneos, Falco non inventa palabras novas nem cría metáforas rebuscadas. “Cometas sobre los muros” (1940), “Equis Andacalles” (1942) e “Días y noches” (1946) som recopilaçóns de poemas sobre o tempo, a solidón e a morte, com tôns de serena tristeza e pessimismo. Todos estes libros foram reeditados em “Tiempo y tiempo” (1956; ed. revisada e aumentada em 1963) xunto com outros inéditos e o longo poema “Artigas”, que tinha aparecido no semanário “Marcha” em 1954.
Como resultado de unha guerra semelhante, a destruçón de todas as instituiçóns coloniais, mais ou menos completas, mas instituiçóns ao fim, ao abandono absolucto da industria agrícola e gandeira, o enrarecimento da poboaçón, a ruína dos arquivos públicos, a desapariçón das fortunas particulares, a debilitaçón profunda de todas as forças sociais. Recordemos que na nossa luta pela independência; xamais um exército espanhol, passou ao Sul de Tucumán; xamais nos nossos campos recrutáram homes os realistas. Mais aínda: no meio da luta eram observadas as leis da guerra, e depois dos nossos desastres como depois dos nossos triunfos, o respeito pola vida do vecinho era unha lei sagrada. Nem as matanzas de Monteverde e Boves se víram na Arxentina, nem sobre ela lanzou os seus fúnebres resplendores o decreto de Trujillo. Depois… a triste noite da anarquía, caíu sobre nós. A guerra civil com todos os seus horrores, Artigas, Carrera, Ramírez, López; mais tarde, Quiroga, Oribe, acabaram de postrar-nos. Mas Venezuela, tomou também a sua parte nesse amargo lote dos pobos que se emancípam. As nossas dores acabáram em 1852 e pudémos aproveitar a metade deste século de movimento e de vida para ingressar com enerxía na linha de marcha das naçóns civilizadas. Até 1870 Venezuela foi presa de discórdias intestinas. ¡E que guerras! A luta da independência marcou escola; nas contendas fracticídas, o partidário viveu à custa dos bens do inimigo, e ao fim, a riqueza pública enteira desapareceu na voráxine da sangre e do fogo. Chamade a unha casa durante as campanhas venezolánas: Na voz que vos responde, notareis um tremor de inquietude vaga e secreta na garganta, e a porta só se abrirá para dar entrada, quando se contesta com tranquilo acento: “¡Gente de paz!”
FALCO, Ángel (Montevideo, 1882 – 1933). Poeta uruguayo de segunda fila que alcanzou fama com os seus “Cantos rojos” (1907) sobre diversos tópicos revolucionários. Escrebeu também unha série de sonetos: “Vida que canta” (1908) e poesía amorosa decadente, “Breviario galante” (1910). Segundo E. Díez-Echarri e J. M. Roca Franquesa, os versos de Falco mostram os “peores resabios da poesía socializante e modernista”. Escrebeu também poesía patriótica: “El alma de la raza” (1910) e “La leyenda del patriarca” (1911) sobre a luta de Artigas contra os espanhois.
A educaçón secundária para as raparigas era um priviléxio exclusivo das filhas da clásse alta rusa e dos polacos ricos. Em 1887, um decreto promulgou que os filhos de pais com menos meios foram apartados da educaçón superior, para non despertar neles o descontento social. As candidatas xudías xá tinham sofrído a restriçón das vacantes, e debíam pagar extraordinários aportes se queríam ser admitidas num instituto. O pai de Rozalia queria dar aos seus filhos varóns a melhor educaçón possíbel, e conseguíu unha praça para a sua filha menor num dos melhores lugares, dada a sua situaçón, posto que o coléxio femenino do primeiro distrícto de Varsóvia estaba reservado exclusivamente para as filhas dos funcionários e oficiais rusos. No instituto de Rozalia, essas raparigas também formabam a maioria, mas ademais había polacas de famílias burguesas e, em casos excepcionais, xudías. Rozalia teve que submeter-se a unha proba de admisón, que superou sem sobresaltos. Era unha alumna brilhante, se bem non tinha gozado das mesmas condiçóns materiais para a aprendizáxe que outras raparigas da sua clásse. Non tinha ningúm libro de estudo, nem atlas, nem obra de referência, e o seu material limitaba-se aos apontamentos que tomaba nas classes ou aos libros que outras alumnas lhe deixabam folhear durante os recreios. O programa da escola contaba com quatro idiomas, três matérias de matemáticas e várias de ciências naturais; história, desenho, manualidades e, naturalmente, relixión (unha matéria que figuraba em primeiro lugar no boletín). Para lograr sempre notas boas e excelentes fazía falta unha grande aplicaçón, mas isso non lhe bastaba a Rozalia, sedenta de conhecimentos. O estado insatisfactório do sistema educativo criába mau estar entre os alumnos e alumnas das clásses altas.
FABREGAT CÚNEO, Roberto (Montevideo,1906). Ensaista, novelista e dramaturgo uruguayo. Os seus ensaios versan principalmente sobre a sociedade e a propaganda: “Investigaciones de lógica social (1943), “La dialéctica del conocimiento” (1944), “Filosofía de la propaganda” (1946), “Caracteres sudamericanos” (1950) e “Propaganda y sociedad” (1961). As suas obras de teatro som “La dama del retrato” (representada por primeira vez em Buenos Aires em 1950), “Como por arte de magia” (1950), “Luces de cine” e “La verdad llega de noche” (1952) e “El pinar de las tierras altas” (1953). O seu primeiro relato foi “Los encuentros de Andrés”, ao qual seguíu o alucinante “Metro” (1962). Mas Fabregat foi conhecído principalmente por “La casa de los cincuenta mil hermanos” (1963).
Carácter, estilo e significaçón da sua obra. Don Juan Manuel é o primeiro escritor castelán preocupado pola posteridade e pola conservaçón e transmisón dos seus escritos. No prólogo do “Conde Lucanor” comenta que “vio e sabe que nos libros acontecem muitos erros nos traslados porque as letras parecem-se unhas às outras (cuidando que unha letra é a outra, em escribílos múda-se toda a razón, e por ventura confúnde-se), e os que depois encontram aquílo, ponhem a culpa em quem fíxo o libro”; e em consequência advirte-nos que, antes de facê-lo responsábel de algunha méngua, confrontem as cópias com o orixinal dos seus escritos (cuidadosamente corrixídos de seu punho) que ele tinha depositádo para a sua custódia no mosteiro de Peñafiel: “que se falharem algunha palabra mal posta, que non ponham a culpa nele até que vexán o libro mesmo que Don Johan fíxo, que emendado em muitos lugares de sua letra”. No prólogo xeral das suas obras conta que um cabaleiro de Perpignan compuxo unha cantiga de grande beleza e que passando por unha rua escúitou a um zapateiro que a cantaba de modo que a deixaba “muito mal parada”. O cabaleiro penetrou airadamente na tenda do zapateiro e destrozou quantos zapatos encontrou. Ao protestar este ante o rei, o cabaleiro xustificou-se dizendo que o que tinha feito com os zapatos, fora o mesmo que este tinha feito com a cançón. Em numerosos lugares dos seus libros, pode advertir-se que Don Johan Manuel (non menos susceptíbel como home que como escritor) atormentába-se vivamente, polo conceito que teríam os demais sobre os rasgos da sua prossa, o conteúdo das suas obras ou incluso a sua condiçón de escritor. De ahí as frequentes alusóns que fái ao seu próprio estilo. Constante é o cuidado de Don Johan Manuel polo aperfeiçoamento (até no material) dos seus trabalhos literários. Quando remete para o arzobispo de Toledo unha cópia do “Libro del Caballero et del Escudero”, o adverte que non lho envía escrito em boa letra, nem em bom pergaminho porque é possíbel que non lhe agrade, mas que se lhe gusta, o refará “más apostado”. Nada mais diferente entre esta postura de escritor (sempre em alerta pola sua obra) e a despreocupaçón que sente pola sua o Arcipreste de Hita, quem non duvída, como vímos, em convidar os seus leitores que disponham dos seus versos ao seu antoxo. Non obstânte, o destino, xogou-lhe unha mala passada a este Don Johan Manuel, pois os manuscríptos, tán cuidadosamente guardados, que tinha depositados em Peñafiel, acabarom deborados polas chamas de um incêndio. Conservarom-se medianas cópias de outras procedências, mas algunhas das suas obras, como anteriormente dito, perdeu-se totalmente.
FABRA, Pompeu (1868-1948). Criador da normativa lingüistica do catalán moderno. Escrebeu unhas “Normes ortogràfiques” (1913) e, em colaboraçón com Ruyra, o “Diccionari general de la llengua catalana” (1932).
Na ciência, os lasers revolucionaram a forma como interaxímos com a matéria que nos rodeia. A nossa comprehensón actual do infinitamente pequeno “os electróns” até ao infinitamente grande “o cosmos”, non sería possíbel sem o desenvolvimento dos “lasers”. Hoxe comprehendemos como os electróns se movem em escalas de tempo muito pequenas através de lasers pulsados com duraçóns da ordem de um “femtossegundo” (0,000 000 000 000 000 000 000 001 s). Conseguimos também detectar variaçóns de comprimento 10.000 vezes mais pequenas do que o tamanho de um núcleo atómico na experiência “LICO”, confirmando a existência de ondas gravitacionais, utilizando a interferometria entre dous lasers. Quando ouvimos a palabra laser, pensamos imediatamente num dispositivo capaz de xerar um feixe de luz muito intenso, de unha só côr, que se propaga em linha recta. A palabra laser vem de um acrónimo que significa “light amplification by the stimulated emission of radiation”. É fácil comprehender o que se entende por “amplificaçón da luz”. Mas o que é a “emissón estimulada”? Bem, é o conceito chave por detrás do funcionamento de um Laser. E para o comprehender, é necessário falar um pouco sobre “mecânica quântica” e sobre a forma como os átomos que constituem os materiais interaxem com a luz. Imaxine um electrón num átomo. Unha das formas mais simples de comprehender como os electróns se movem em torno dos núcleos atómicos é o modelo de Bohr. Neste modelo, os electróns orbitam à volta do núcleo em traxectórias circulares, tal como os planetas orbitam o Sol. No entanto, as leis da “mecânica quântica” ditam que estas órbitas só podem ter formas e tamanhos específicos. No átomo mais simples, o hidroxénio, a órbita mais próxima do núcleo corresponde ao estado fundamental, o estado de mais baixa enerxia, e as outras órbitas som chamadas estados excitados. Para excitar um átomo do seu estado fundamental, com enerxía E1, para o primeiro estado excitado, com enerxia E2, temos de dar ao sistema um quantum de luz, um fotón, com unha enerxia que é igual à diferença de enerxia entre os dous estados, Efotón = E2 — E1. O processo em que um fotón é utilizado para excitar um átomo do seu estado fundamental para um estado excitado é designado por “absorçón”. Embora totalmente isolado e na ausência de fotóns, um átomo num estado excitado é instábel. A natureza, em particular a interaçón do átomo excitado com o vácuo quântico, força o electrón a regressar ao seu estado fundamental.
FABBIANI RUIZ, José (Panaquire, Miranda, 1911). Novelista, contista e crítico literário venezolano. Foi professor de literatura e director fundador das escolas de “Bibliotecología y Literatura” e do “Centro de Estudios Literarios de la Universidad Central de Caracas”. Foi decano da “Facultad de Humanidades y Pedagogía” de 1959 a 1962. Os seus ensayos forom reunidos em “Clásicos Castellanos”: “Novelas y novelistas” (1944), “Cuentos y cuentistas” (1951), “El cuento en Venezuela” (1953) e “Tres temas de poesía venezolana” (1966). A narrativa de Fabbiani entra dentro da categoría do realismo máxico. Inícia-se com a novela “Valle hondo” (1934) e os contos de “Agua salada” (1939). A novela “Mar de leva” (1941) narra acontecimentos que seguiram à morte do dictador Juan Vicente Gómez en 1935. Logo apareceram “Guira es un río de Barlovento” (1946) e “La dolida infancia de Perucho González” (1946), unha série de vinticinco episódios da infância do protagonista e os seus primeiros trabalhos como servidor de vários amos. Mostra lonxánas reminiscências do Lazarillo de Tormes. “A orillas del sueño” (1959) ganhou o Premio Nacional de Literatura. Trata do amor da fantasiosa Magnolia polo neno Crisanto. No mundo máxico no qual vivem os protagonistas, encontram-se com o cazador de páxaros Epifanio, que se oferta para levar Magnolia à cidade dos sonhos. A realidade intervem cruelmente quando o pái é arrestado por motivos políticos e os páis de Crisanto morren.
Aló nun pobo de equí, chamado Meigarallás, había unha muller que tiña dúas fillas. Cando xa eran mozas, casou a máis vella con un herdeiro do pobo inmediato, chamado Labracengos. Dalí a pouco tempo, empezou a correr un rumor de que a mai i a filla solteira se dedicaban a facer bruxerías. A filla que estaba casada foi un día a velas para aconsellalas que non deran que falar á xente e que deixasen de facer bruxerías. Elas negaron todo, e decían que endexamais se lles pasara pola imaxinación de facer tal cousa; pero a filla non se fiou gran cousa, e pra sabelo de certo, fixo que lle daba o sono e deitouse nun banco que había tras do lume. Cando a mai i a filla pensaron que durmía, empezaron a comentar o asunto. E dixo a mai: –Pois cala, que mas ha de pagar. Hei de ir en forma de tábao cando o home ande arando cos bois e heillos de facer remoscar a ver si se lle desgracia un. —¡O caso é se a matan! —díxolle a filla solteira. —¡Que va! Menos de que me dían con un ramallo de loureiro bendito, non me poden facer nada, i eso non o van levar pra arada… A filla que se facía a dormida, tomou boa conta do que oía. Ao día siguiente, foise pra casa e, cando chegou, atopou ao home xungindo os bois no patio. —¿E logo? ¿Pra onde vas cos bois, Antón? —díxolle ela. —Vou arar ao leiro do lameiro. —Boeno, pois eu vou ir contigo. ¿I a que has de vir si os bois andan ben? —Boeno. Inda que anden, eu vou e nada máis. Ela colleu o ramiño de loureiro bendito e meteuno debaixo do mantelo; e ambos os dous marcharon pra o leiro. Serían as dez da mañán cando aparece un tábao grandísimo picando nos bois. Ela empezou a paus, pero o tábao seguía, hasta que logo, vai ela e saca de debaixo do mantelo o ramalliño de loureiro bendito. E, dándolle con il, marchou con unha pata rota o tábao. Desde aquela mesmo, os bois seguiron arando tranquilamente, hasta que acabaron. Esí que acabaron, fóronse pra casa, e, según chegaron, sentiron tocar a difunto en Meigarallás. Todos quen sería, quen non sería, hasta que dixo a muller: —Seguramente foi miña mai. —¿E logo? ¿Estaba mala, ou? —dixo o home. —Non, pero pasou esto. Contoulle o ocurrido, e logo foron aló, e, efectivamente, fora a misma.
CENTRO DE ESTUDIOS FINGOY, 1972 (2ª ED.): CONTOS POPULARES DA PROVINCIA DE LUGO, ED. GALAXIA, VIGO. GALICIA DE CONTO (HÉRCULES DE EDICIONES)
Viena era a capital do grande Império Austríaco, resultante da disoluçón do antigo Sacro Império Romano-Germânico, em cuxo seio conviviam as diversas nacionalidades que povoavam o vale do Danúbio. Porém, as recorrentes reivindicaçóns nacionalistas da Hungria, a mais importante das quais ocorreu em 1848, propiciaram por fim, xá no ano 1867, o Compromisso (Ausgleich) que deu orixem ao Império Austro-Húngaro. Este novo Império foi, de facto, unha monarquía dual: compunha-se de dous reinos, Áustria e Hungria, com os seus respectivos parlamentos, códigos e línguas, dispostos sob unha mesma bandeira e um mesmo monarca. O Imperador Francisco José I, da casa dos Habsburgo, que xá dirixía o Império Austríaco desde 1848, assumiu o governo do Império Austro-Húngaro, e fortaleceu a sua posiçón ao casar-se, em 1854, com Isabel da Baviera, a famosa imperatriz “Sissi”. Viena foi a sua residência oficial e a capital teve de responder dignamente a esse priviléxio. Por isso, sobretudo entre 1858 e 1888, a cidade foi reedificada practicamente por completo: erixiram-se palácios, belos edifícios, monumentos e âmplas avenidas. Todavia, este palco de sonho mal podía esconder as formas vazias dunha monarquia artríctica e anquilosada. Non por acaso, o escritor austríaco Robert Musil, autor da monumental obra “O Homem Sem Qualidades” (1930), designou ironicamente o vasto Império dos Habsburgo como “Kakania”, alcunha que abrigava o duplo “K” que articulava o título nobiliário do Império, “Kaiserlich-Königlich”, isto é Imperial-Real, mas que também aludia a um sentido escatolóxico. Em todo o caso, a longa linhaxem dos Habsburgo exaltava esta sociedade plural. A monarquia estaba muito presente na vida social vienense, embora quase como se fosse unha realidade mítica. A sua existência concebia-se como unha espécie de Olimpo atemporal. Na práctica, eram os valores bastante puritanos da burguesia que realmente rexíam a sociedade vienense. Em Viena, apenas importavam a estabilidade do conxunto e as aparências formais. A ordem, unha ríxida hierarquia totalmente imóvel e a non estravagância foram, durante muitos anos, um credo tácito e inquestionábel. Este formalismo burguês tán petrificado fazia de Viena unha sociedade aparentemente plácida; daí que Stefan Zweig, na sua obra “O Mundo de Ontem — Recordaçóns de um Europeu”, um extraordinário retracto da sociedade vienense de virar do século, definisse a Viena anterior à Primeira Guerra Mundial, como “o mundo da segurança”. Curiosamente, o escritor austríaco valorizava este facto a partir de um ponto de vista positivo e, ao mesmo tempo, negativo. Por um lado, os valores burgueses que guiavam a sociedade eram claros, sólidos e imutáveis. O caminho que um indivíduo tinha de percorrer para conseguir um certo reconhecimento social estaba bem traçado, só tinha de ter a paciência de o percorrer. Por outro lado, esta sociedade evitaba qualquer acçón ou decissón que pudesse conduzir a algunha mudança. A novidade podía pôr em causa ou romper esse equilíbrio tán conveniente.
Todo o quartel se encontrava no estado de imundície e caos a que a milícia reduzía todos os edifícios que ocupava e que parecía ser um dos subproductos da “revoluçón”. Por todos os cantos se víam montes de mobiliário espatifádo, selas partídas, capacetes de latón da cavalaria, bainhas de sables vazías e comida, principalmente de pán. Só na sala onde me encontrava deitava-se um cesto de pán fora, a cada refeiçón (triste procedimento, quando a populaçón civil tinha falta desse alimento). Comíamos em compridas mesas montadas sobre cavaletes, em marmitas cronicamente engorduradas, e bebíamos por unha cousa horríbel, chamada purón. Um purón é unha espécie de garrafa de vidro com um bico do qual sai um fino xacto de vinho sempre que o inclinamos. Isso permite beber de lonxe, sem tocar com os lábios, e passar o purón de man em man. Eu, porém, mal vi um purón em acçón entrei em greve e reivindiquei um púcaro. A meus olhos, aquela história parecía-se muito com um urinol de cama, especialmente quando estaba cheia de vinho branco. Pouco a pouco, forom distribuindo uniformes aos recrutas, e como estábamos em Espanha era tudo distribuído peça por peça, de modo que nunca se tinha a certeza de quem recebera o quê. Algunhas das cousas de que necessitávamos, como cinturóns e cartucheiras, só foram distribuídos no último momento, quando o comboio xá estaba à espera para nos conduzir ao frente. Falei no “uniforme” da milícia, o que talvez tenha causado unha impressón errada pois non se trataba exactamente de um uniforme. Provabelmente o termo adequado sería “multiforme”. A roupa de toda a xente obedecía ao mesmo tipo xeral, mas non había dous homes vestidos da mesma maneira. Practicamente toda a xente do exército usava calzóns de bombazina até aos xoelhos, mas a uniformidade chegava aí e paraba. Uns usavam grevas, outros polainas de bombazina e outros perneiras de couro ou botas altas. Toda a xente usava um casaco com fecho de correr, mas uns casacos eram de cabedal e outros de lán e de todas as cores imaxinábeis. Os tipos de bonés resultabam tán numerosos como os seus portadores. Era costume adornar a frente do boné com um emblema do partido e, além disso, quase todos os homes usavam ao pescoço um lenço encarnado ou negro-encarnado. Naquele tempo, unha columna de milicianos era unha turba de aspecto extraordinário. Mas as roupas tinham de ser distribuídas à medida que esta ou aquela fábrica as entregaba, e non eram malas, atendendo às circunstâncias. As camisas e as peúgas, porém, eram unha desgraça, de algodón e absoluctamente inúteis contra o frío. Nem quero pensar no que os milicianos debem ter sofrído nos primeiros meses, quando ainda non estaba nada organizado. Lembro-me de ter encontrado um xornal de dous meses antes, apenas, em que um dos líderes do P. O. U. M. afirmaba, depois de unha visita à frente, ir fazer os possíbeis para que “cada miliciano tivesse um cobertor”. Unha frase que causa arrepios de frio a quem xá dormíu nunha trincheira.
EZRA, Moisés ben Jacob ben (Granada, c. 1055 – c. 1138). Poeta xudeoespanhol de família poderosa e rica. “Sus poemas juveniles” som 245 peças lixeiras sobre o vinho, o amor, a Primavera e a amizade, que refléxam unha vida de lacer: “Shrei ha-Khol” (ed. H. Brody, Berlím, 1935). Non sabemos se foi perseguído durante as matanzas de xudéus andaluces de 1066, mas talvez fora entón quando estudou com Ishaq ben Yehuda ben Gayyät em Lucena. Sabe-se que estívo em Granada durante a invasión almorávide de 1090, pois permaneceu durante um tempo na cidade, mentras a sua família se dispersaba. Também el tívo que escapar, escrebendo poemas emocionantes sobre a pérda de Granada. Yehuda ha-Levi escrebeu um poema dedicádo a Ben Ezra.