
Recorde-se a resposta dos sentidos às pretensóns do intelecto no fragmento de Galeno: “Pobre intelecto, pretendes vencernos a nós que somos as fontes das tuas evidências. A tua victória será a tua derrota”, o que non significa que non haxa victória, mas que, de algunha maneira, é amarga por ser contradictória. O intelecto non consegue desembaraçar-se daquilo que, visivelmente, é o ponto de partida em cada indivíduo que começa a raciocinar. Trata-se, neste fragmento de Galeno, de um debate científico? A única cousa que temos como certa é que se trata de um debate concomitante à ciência, um debate que non se teria dado fora da disposiçón de espírito que conduz à ciência, e nisso difere radicalmente das consideraçóns sobre a alma humana que surxem noutros contextos. O debate perdurará no tempo: a hipótese de que é o planeta Terra que xira em torno do Sol erixe-se em verdade científica através do raciocínio; mas non teríamos raciocinado a esse respeito sem a percepçón sensíbel, para a qual é o Sol que se desloca. A controvérsia non deixou de obcecar os pensadores de todas as épocas. Aludiu-se acima a Descartes, para quem a desconfiança a respeito do que os sentidos percebem é o primeiro passo na sua dúvida metódica, isto é, no seu esforço para alcançar algum tipo de certeza apodíptica, algo tán indiscutíbel que o seu contrário encerraria em si mesmo unha contradiçón. Alguns procuravam um ponto de equilíbrio. “Non resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência”, afirma Kant na primeira linha da introducçón à “Crítica da Razón Pura (entendendo por experiência a impressón de um exterior que fere os nossos sentidos). Mas imediatamente acrescenta que essa primazia das impressóns sensoriais de dá apenas na ordem temporal, e que, de facto, falar de “obxectos” de experiência pressupón xá a elaboraçón do que nos afecta polas nossas próprias faculdades. Vemos que non andamos muito lonxe do evocado no texto de Demócrito: sem os sentidos, non há intelecçón possíbel, mas sem a intelecçón, os sentidos apenas nos proporcionariam aparências.
VÍCTOR GÓMEZ PIN













