
A maior parte das espécies actualmente vivas, resistíu a várias eras glaciais e conseguiram sobreviver a temperaturas globais mais baixas. Contudo, non se sabe se conseguiram lidar com as mais elevadas; há milhóns de anos que o planeta non apresenta temperaturas significativamente superiores às actuais. Durante o Plistoceno, mesmo animais muito pequenos, como os escaravelhos, migravam ao longo de centenas de quilómetros para tentarem acompanhar o clima. Hoxe, inúmeras espécies están mais unha vez em movimento, mas, ao contrário do que sucedia na Idade do Xelo, é frequente terem o caminho barrado por cidades, rodovias ou plantaçós de soja. “É certo que o nosso conhecimento acerca do modo como reaxiram no passado de pouco poderá servir para prevermos quaisquer reaçóns futuras às alteraçóns climáticas, dado que impusemos restriçóns totalmente novas à mobilidade das espécies”, escreveu Russell Coope, paleoclimatoloxista britânico. “Deslocámos de um modo inconveniente os postes da baliza e criámos um xogo de bola com novas regras.” Também existem muitas espécies que, pura e simplesmente, non conseguem deslocar-se. Em 2014, um grupo de investigadores australianos realizou unha pesquisa em Bramble Cay, um pequeno atolón no estreito de Torres. O atolón tinha unha espécie de roedor, o “morcego-rato”, um animal semelhante a unha ratazana, que era o único mamífero conhecido por ser endémico da Grande Barreira de Coral. Debído à subida do níbel do mar o atolón estaba a submerxir, e os investigadores queriam saber se o animal continuava a existir nesse “habitat”. Xá non o encontrarom, e em 2019 o goberno australiano declarou a sua extinçón. esta foi a primeira extinçón documentada atribuída às alteraçóns climáticas, embora quase de certeza tenha sído precedida de muitas outras non documentadas. Os próprios recifes de coral, som demasiádo vulnerábeis às alteraçóns climáticas. Os corais que constituiem os recifes som pequenos animais xelatinosos, cuxa cor vem das algas simbióticas, ainda mais pequenas, que vivem no interior das suas células. Quando a temperatura da água aumenta, quebra-se a simbiose entre os corais e as algas. Os corais expulsam as algas e ficam brancos, um processo conhecido por “branqueamento” dos corais. Sem os seus simbiontes, os corais ficam famintos. Se o episódio non durar demasiádo tempo conseguem recuperar, mas as temperaturas do oceano están a aquecer depressa e os fenómenos de branqueamento som cada vez mais prolongados e frequentes. Segundo um estudo de 2020 feito por unha equipa de investigadores australianos, a cobertura de corais na Grande Barreira de Coral disminuíu para metade desde 1995. De acordo com outro estudo, conduzido também em 2020 por um grupo de cientistas americanos, nos últimos cinquenta anos a maior parte dos recifes das Caraíbas transformou-se em “habitats” dominados por algas e esponxas. Outro estudo realizado em 2021 alertaba para que os recifes do oceano Índico Ocidental som “vulnerábeis ao colapso do ecossistema”. Se os recifes entrarem em colapso, podem arrastar com eles milhóns de espécies. O final desta história também é desconhecido. Nos últimos quinhentos milhóns de anos, hoube cinco extinçóns em massa, tendo cada unha dizimado perto de três quartos das espécies do planeta. Os cientistas alertam para o facto de estarmos a caminhar para unha “Sexta Extinçón”, fenómeno que tem a particularidade de ser o primeiro provocado por um axente biolóxico (nós). ¿Será que vamos axir a tempo de a evitar?
ELIZABETH KOLBERT













