
A crítica recente subraiou correctamente a sofistificaçón da técnica literária do poeta e a sua habilidade para adoptar, quando o desexe, o estilo alusivo dos seus contemporâneos neotéricos. Pola longa lista das suas dívidas aos escritores anteriores, gregos ou latinos, pode ver-se que Lucrecio é um autor inconfundibelmente “literário”. Por mencionar só autores gregos e excluir aos filósofos, há probas de que conhecia a Homero, Eurípides, Tucídides, partes do “corpus” Hipocrático, a Calímaco, a alguns dos autores de epigramas e probabelmente também a Hesíodo, Safo, Esquilo e Aristófanes. A lista é significativa non só pola sua extensón senón também polo alcance das suas simpatias literárias. Resulta instructivo comparar “De rerum natura” com os diálogos filosóficos que Cicerón escrebía na mesma época aproximadamente e com a mesma intençón xeral, a de fazer accesíbel a mensáxe da filosofia grega aos seus concidadáns. Em Cicerón, o estilo resulta menos intenso: constantemente é consciente do seu público romano e sempre está disposto a adaptar a argumentaçón às necessidades de homes prácticos; Lucrecio, em câmbio, fai muitas menos concessóns e os elementos romanos do poema están equilibrados polos que som claramente gregos. O tema de Lucrecio é “os obscuros descubrimentos dos gregos”, e Epicuro é saudado como “a gloria da raza grega”. O marco é grego a miúdo: o libro sexto começa com o elóxio de Atenas e acaba com unha descripçón da peste nesta cidade. Os nomes de lugares gregos som dez vezes mais correntes no poema que os romanos. Aparte de unha referência aos rolos etruscos, à costûme de cubrir a cabeça durante as pregárias e, possíbelmente, à “parentatio”, as prácticas relixiosas especificamente romanas nunca se mencionam no poema. Resulta difícil de explicar por qué um home que parece tán obsesionado contra a relixión podería haber descuidado a experiência do seu próprio pobo. ¿Considerou, como suxére Schmid, que as referências ao ritual romano teríam estado fora de lugar num poema científico escrito dentro da tradiçón alexandrina? ¿Ou acaso preferíu falar indirectamente aos seus concidadáns a través de um tratamento polémico das ideias gregas? Qualquera que sexa a explicaçón, esta aparente reluctância a tratar directamente das prácticas relixiosas romanas, dí algo sobre o público para o qual escrebía Lucrecio. Neste marco é no que temos que enxuiçar a actitude de Lucrecio, com relaçón aos acontecimentos do seu tempo. Era unha época de perigosa inestabilidade e violentas disenssóns de partidos. Vivéu na sua infância e xuventude a violenta luta da Guerra Civil, o império do terror organizado por Mario e Cina e as proscripçóns de Sila. O período que seguíu à retirada de Sila, apenas foi menos tenso, e ainda que os anos durante os quais se escrebéu “De rerum natura”, forom mais tranquilos em comparaçón com os que acababam de passar, em que había contínuas lutas nas ruas e aproximába-se o perigo da guerra civil. Tudo isto tívo que ter pessado no seu ânimo, e explicar a intensidade com que Lucrecio condena a ambiçón política no prólogo ao libro segundo e em outros lugares do poema. Non obstânte, non aplica a licçón mesma à pátria, ainda que tivéra sído fácil reforzar as suas estructuras morais com exemplos da sua época. A alusón mais cercana aos muitos contemporâneos dá-se nos seguintes versos sobre a avarícia humana: “cimentam / em sangre cidadán a sua fortuna, / e avarentos tesouros amontoam, maldade sobre maldade acumulando.”
E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)













