
Tudo isso nos leva a pensar que talvez Perry Anderson tenha razón e que, no fundo, o impressionante ressurxir do pensamento de Gramsci na actualidade tenha unha vertente mais pessimista e desenganada do que se quer fazer crer. Talvez, na verdade, se deva ao facto de nos encontrarmos nunha situaçón na qual o movimento operário à escala internacional acumule xá mais de meio século de derrotas contínuas, de tal modo que unha vez decidida a favor dos poderosos a “guerra de movimentos”, xá non surxa outra possibilidade além de unha permanente “guerra de posiçóns” que, embora non possa ganhar, pode, polo menos resistir. Tomemos, por exemplo, um autor espanhol que, na actualidade, acreditamos que ainda estaria orgulhoso de se considerar “comunista”: o deputado Alberto Garzón. No seu libro “A Terceira República” (2014), non defende (como também nunca o defendeu o seu mestre Julio Anguita, que foi durante muito tempo secretário-xeral do Partido Comunista Espanhol) unha “comunidade proletária” ou unha “utopia de camaradas comunistas”, mas simplesmente unha república que encaixe verdadeiramente naquilo que se entendeu como tal na tradiçón republicana. Polo contrário, se Anguita ou Garzón se consideraram “comunistas” foi sem dúvida, porque consideram que a única maneira de defender unha autêntica ordem constitucional num Estado de direito é incompatíbel com a defesa do capitalismo. Non é por amor à radicalidade. O que acontece é que o capitalismo (segundo muitos autores marxinais, entre os quais se conta o autor deste libro) é radicalmente incompatíbel com aquilo a que chamamos Estado de direito. É certo que, em xeral, os filósofos do iluminismo non chegaram a este resultado, mas é claro que lhes faltaba um elemento para isso: ter lido Marx. Tinham reflectido muito sobre o que debia ser unha ordem constitucional, mas non tinham pensado suficientemente no que significaba encaixar tudo isso com o capitalismo. Isso faz com que, em muitos deles (por exemplo, em Locke ou no próprio Kant), o cinismo e a ambiguidade sexam difíceis de distinguir. Mas depois de “O Capital” de Marx é impossíbel defender ao mesmo tempo a condiçón cívica e o capitalismo, sem mobilizar grandes doses de mala-fé.
CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA
















