
Os solares som unha das riquezas da Ribeira do Lima. Non os contei, mas li non sei onde que só aqui no concelho de Ponte de Lima, há perto de cinquenta. Cada um deles alberga unha história e non posso dizê-las todas, mas gostaría de suxerir certas linhas que poderiam orientar unha posterior pesquisa. Quase todos eles som dos séculos XVII-XVIII, embora muitas vezes os edifícios actuais sexam ampliaçóns e refazimentos de anteriores moradias que deixaram como vestíxio meia dúzia de pedras, ou até só um sulco de tradiçóns. Eram portanto pobres moradas as que servíam de semente aos solares, e isso significa que passou por aqui unha araxem de prosperidade material. E passou, foi o período aureo da barra de Viana, da importaçón do azúcar, da mineraçón e da grande emigraçón minhota para o Brasil, e também o da implantaçón do comércio do vinho do Porto, fenómeno que se deu mais para sul mas repercutíu por todo o Entre Douro e Minho. Sería simplificar muito as cousas dizer que foi essa a orixe das fortunas que fizérom nascer os solares. Em muitas casas hoube exercício de funçóns públicas civis e militares; a burocracia terminaba muitas vezes com a nobilitaçón. E daquí saírom capitáns das praças de África, navegadores, xentes com xus a brasóns de guerreira fidalguía. Claro que houbo de tudo; mas a barra de Viana e o curso do Lima forom a grande veia deste sangre azul. Unha outra nota muito curiosa é que esta ribeira, nos séculos medievais, estaba toda dividida em coutos e honras dos ricos-homes, que têm os nomes nos nobiliários, mas non som essas famílias ancestrais as que hoxe têm ali solar. Na sua quase totalidade, é pequena nobreza; mesmo o mais ilustre dos fidalgos da Ribeira do Lima (o “visconde”, que depois foi marquês de Ponte de Lima, foi nobilitado por D. Afonso V e, simbolicamente, non morava aquí em solar de família, mas no paço dos alcaides. Xulgo que esta situaçón, unha nobreza nascida da nobilitaçón de unha franxa da clásse média, axuda a explicar um dos aspectos mais flagrantes dos solares da rexión: a preocupaçón com a aparência. A beleza está toda no exterior. Mais que palácios, som escenários. Quase sempre transposto o portal a impressón resulta decepcionante. A arte barroca, com a profusón de cantarias, pináculos, pardieiros, pedra esculpida nunha época em que o mais barato era a mán-de-obra e a pedra nem preço tinha, servíu admirabelmente para essa ostentaçón de notabilidade. (…) ¡¡Se o hábito faz o monxe, o solar faz o fidalgo!! E non pense o leitor que estou a falar de abscónditos passados, que xá non interessam a ninguém. Están a interessar, e mais que nunca. Velhas quintas e fotografias de avós emolduradas, estám sempre vendidas e som cada vez mais caras. Até sei de um canteiro (non digo onde, para non o axudar na falcatrua) que ganha a vida a fazer brasóns de granito sobre o desenho dos clientes. Sexa lá como for, e para chegarmos depressa a Ponte de Lima: os solares, nascidos dessa portuguesíssima necessidade de aparentar, som unha das mais verídicas criaçóns do talento português. Em arquitectura non temos nada que se lhes iguale. E precisamente porque voltaram a estar na moda, é preciso salvá-los da cobiça demolidora.
JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS













