
“Em Ponte de Lima había unha ponte, que dava o nome à vila. Esta ponte, em parte romana, em parte gótica, era revestída com ameias e entestada por dous castelos oxiváis. A vereaçón, com motivo de desafogar a vista sobre as duas marxens do rio, manda demolir os castelos e serrar as ameias da aludida ponte!” Isto afirma Ramalho Ortigao em “Culto da Arte em Portugal”, e vem-me sempre à memória quando entro em Ponte de Lima. Há algum esaxero, e polo menos o escritor confunde castelo com torre: non había castelos, mas había torres que guardabam a frente e foram arrasadas. E non só as torres. Da Ponte de Lima medieval, non foi muito o que chegou até nós. Nenhum monumento tem a importância da ponte. Era preciso vir aqui para passar o rio, e foi de facto essa a orixem da vila. Vem xá da época romana, e incluía-se na via que ligava Braga a Tui. A maior parte dos arcos romanos foi destruída, ou pola corrente, que no Inverno é forte, ou pola guerra, mas ainda há vestixios dessa alvenaría monumental. Foi à volta da ponte que se esboçou a primeira povoaçón. A condessa D. Teresa, no foral de 1125, estaba interessada em fixar aquí mais xente, e por isso estabeleceu que das terras todas se pagasse o terço, das non rotas o quinto. Rotas significa xá cultivadas, e non rotas som as arroteadas de novo; a diferença do terço para o quinto era um estímulo para levar a lavoura de novo aos campos abandonados desde a guerra dos Mouros. Também sabemos que os primeiros reis passavam com frequência por aquí (non había mais onde passar, a non ser em pontes de barcas), porque aos habitantes de Arcozelo, que era a “outra banda” de Ponte de Lima, era imposta a obrigaçón de fazer pán para o rei e broa para as suas matilhas de cans, quando o monarca viésse aos “paços da ponte”; mas o rei tinha que lhes dar a farinha e o sal para o pán, e milho para a broa; eles davam o trabalho e a banha. Também tinham de armar o rio para a pescaría, mas non se lhes esixía que pescassem. A armaçón consistia na colocaçón de redes que impedíam a passaxem do peixe; era essa a parte mais árdua; apanhá-lo era, depois, um alegre xogo do qual os homes do rei se incumbiam. Sabe-se também que D. Dinis e D. Afonso IV andaram com obras na ponte (talvez sexa deste tempo a tocante ermida romano-gótica do Anjo da Guarda, que é unha espécie de voto de “Deus te guarde” a quem se mete a caminho), e D. Pedro e D. Fernando rodearam a povoaçón com unha muralha que tinha nove portas protexidas por outras tantas torres. Este pormenor é curioso, porque nove portas significam nove caminhos diferentes e exprimem a natureza do centro de comunicaçóns que fez o êxito da povoaçón, funçón que veio posteriormente a ser muito atenuada pola construçón da ponte de Ponte da Barca, e xá no século passado pola ponte de Viana, que fixou o trânsito pola via litoral.
JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS