
Unha das características principais da monarquía absoluctista, é que o monarca ordena e os súbditos obedecem. Necessitados de voz e de voto, e desprovidos de qualquer mecanismo para influênciar ou controlar quem é detentor do poder, aos cidadáns está vedado qualquer papel que non sexa o de se submeterem aos desígnios e à vontade do soberano, sexam benéficos para eles ou non. desta maneira, os cidadáns non tenhem unha entidade própria, están ao servíço de um governante que se pode preocupar com o seu bem-estar ou ignorar completamente o seu sofrimento. Unha situaçón política e social que, no tempo de Locke, encontrou um defensor de relevo na figura de “sir” Robert Filmer, um escritor e político inglês que, no seu “Patriarca ou o Poder Natural dos Reis”, publicado postumamente em 1680. Recorría à analoxía entre o Estado e a família para xustificar o poder indiscutíbel dos reis. O propósito da obra era o de combater a perigosa ideia de que “a humanidade foi naturalmente agraciada e nasce libre de qualquer suxeiçón, e com liberdade de escolher a forma de governo que quixér”, como se lê no “Patriarca”, para o qual se serve de unha peculiar interpretaçón da Bíblia para fundamentar a naturalidade e inevitabilidade do poder absolucto. Segundo o seu raciocínio, Deus tería concedído a Adán todo o poder como patriarca da humanidade, de maneira que o tornou no primeiro rei, cuxos lexítimos herdeiros seríam os actuais monarcas. A monarquia tinha, portanto, sido instituída directamente por Deus, e os reis, como Adán, eram um xénero de pais da humanidade cuxa autoridade e poder de decidir sobre os seus “filhos” non podería contrariar-se. Locke dedicará o primeiro dos seus “Dous Tratados do Governo Civil” a refutar as teses de Filmer, taréfa que emprehende tanto do ponto de vista relixioso (apoiando-se em inúmeros passos das Escrituras que contradizem a interpretaçón do seu oponente) como através da argumentaçón racional. À partida, Locke assinala que a hipotética instituiçón do patriarcado na figura de Adán baseia-se nunha deliberada e surprehendente omissón, pois non passa despercebído a ninguém, que o primeiro home non estaba só, mas, sim, acompanhado de unha primeira mulher: Eva. Portanto, é a âmbos que Deus concede, em todo o caso, o poder sobre a criaçón, e non só ao home.

SERGI AGUILAR