
FERNÁNDEZ, Lucas (Salamanca, 1474?-1542). Dramaturgo que em 1498 ocupou praça de cantor na Catedral de Salamanca, que fora pretendída por Encina. Visitou Portugal alá por 1502 e ensinou música na Universidade de Salamanca, desde 1522 até a sua morte. O único manuscrípto do único exemplar conhecído das suas “Farsas y églogas al modo pastoril y castellano” (Salamanca, 1514) encontra-se na Biblioteca Nacional de Madrid. Consta de três dramas profanos, três dramas relixiosos e um diálogo para cantar entre dous pastores sobre o amor. Os três dramas profanos som a “Farsa o cuasi comedia del soldado”, que deriva directamente da figura do “Centurio” de “La Celestina”, e em última instância do “miles gloriosus” de Plauto; a “Comedia de Bras-Gil y Berenguella”, um drama sobre uns amores pastorís que acabam em cómico matrimónio ( nela aparece por primeira vez a figura do velho, neste caso o avô de Berenguella, tosco mas xentíl); e a “Farsa o cuasi comedia de una doncella, un pastor y un caballero”, na qual se introduce o novo tema do amor non correspondído dum pastor por unha dama. Em quanto à linguáxe, Fernández insería nas suas comédias profanas expressóns burlescas da fala rústica. Dos três dramas relixiosos ou autos sacramentais, o mais destacábel é o “Auto de la Passión para Semana Santa”, mais longo que as duas obras de Encina sobre o mesmo tema e de maior finura dramática. É a primeira obra de teatro do “Siglo de Oro”, em que aparece unha “conversión”. Nela apresenta-se ao astrónomo pagán “Sant Dionisio” (Dionisio el Areopagita) conversando com san Pedro, que se lamenta da traiçón de Xudas na noite anterior, e de que este mesmo negára ao mestre três vezes, etc… acabam todos, cantando as alabanzas do Salvador.
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