
A primeira personáxe com quem Nicolau tem de lidar é o imprevissíbel César Bórgia, convertido nunha temida força ascendente. A razón era simples: unha vez que o também chamado “duca” Valentino non podía herdar o Estado do seu pai, o papa, entregou-se de corpo e alma a conquistar um novo principado para si próprio na muito fragmentada Itália renascentista. Rápidos e fulminantes sucessos militares ao comando dos exércitos papais corroboravam unha ambiçón desmedida que parecía non conhecer limites. Quando César Bórgia conseguíu que o seu pai o nomeasse duque da Romanha, depois de ter conquistado vários pequenos senhorios dessa rexión, os seus exércitos encontravam-se às portas dos domínios florentinos. Nesse momento, foram enviadas duas delegaçóns diplomáticas de Machiavelli ao “duca” Valentino. A principal preocupaçón da “Signoria” era, tal como no caso francês, ganhar tempo e non se comprometer. Em contrapartida, o Valentino pretendía que Florença se xuntasse a ele e que o fizesse quanto antes. “Ou César ou nada” foram as opçóns propostas, como sempre, pelo xovem Bórgia aos seus adversários. Por ocasión da primeira das legaçóns, que durou apenas cinco dias, o secretário insistíu nunha das conclusóns que xá tinha posto preto no branco em França: “As amizades entre os senhores mantêm-se com as armas e só elas as querem fazer respeitar”. A segunda das embaixadas foi a que mais se prolongou (entre Outubro de 1502 e Xaneiro do ano seguinte) e tornou-se nunha das etapas mais formativas da carreira diplomática do nosso secretário. Em escassos meses, Machiavelli foi unha testemunha priviléxiada do proceder cruel e impiedoso do filho mais poderoso da Igrexa católica. Verificou, com um misto de assombro e de estupefacçón, que César Bórgia era um príncipe amoral, practicamente imparábel. A sua forma de axír convenceu-o, para sempre, de que, quando se tem um obxectivo ambicioso, há que dar tudo por tudo e non fazer cerimónias quanto a utilizar todos os meios disponíveis para obter o fim desexádo. Fazê-lo, embora non tenha tornado o “duca” invencíbel, deu-lhe muita vantaxem face a rivais mais indecisos do que ele. O filho do papa Alexandre VI eríxe-se, assim, no grande arquétipo a imitar, segundo a teoría de Machiavelli sobre o príncipe: activo, ambicioso, audaz e vigoroso, tinha a sua meta muito clara –conseguir um Estado próprio– e estaba plenamente determinado. Nada parecia poder detê-lo e tinha tudo o que era preciso ter. O nosso analista florentino apercebeu-se das capacidades excepcionais do Bórgia, para comandar, do seu grande valor e resoluçón, da sua flexibilidade e liderança. E englobou todas estas questóns no seu conceito de “virtù” que abordaremos no próximo capítulo.
IGNACIO ITURRALDE BLANCO