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O FADO (NUNO DA CAMARA PEREIRA)

Nuno Maria de Figueiredo Cabral da Camara Pereira, nasceu em Lisboa a 19 de Junho de 1951. É um dos mais conhecidos fadistas da nossa xeraçón, com muitos discos grabados, muitos prémios ganhos e a política a correr-lhe nas veias. É monárquico e deputado polo PPM como independênte na lista do PSD. Nuno pertence a unha família de fadistas. É sobrinho de Maria Teresa de Noronha e primo de Vicente da Camara, Joao da Camara e Frei Hermano da Camara. É enxenheiro Técnico-Agrário e, desde que terminou o curso, dedicou-se à agricultura. Em 1977, num espectáculo no Coliseu dos Recreios, experimentou cantar e o público gostou. Ali nasceu um brilhante cantor de fados e cançóns, continuando a sua vida artística em casas de fados e restaurantes típicos da capital. Até 1979 acumulou com as cantigas a vida de agricultor, quando foi convidado, em 1982, para gravar o álbum “Fado” onde incluiu os clássicos “Cavalo Russo” e “Acabou o Arraial”. A partir daqui a agricultura quedou para trás e, depois de outros trabalhos discográficos, conhece um retumbante êxito com o LP “Mar Português”, que alcança o disco de dupla platina. Vários concertos na Aula Magna, muitos espectáculos em Portugal e no estranxeiro e muitos discos consagram a carreira de um cantor que alcançou a fama, também graças a temas vindos de outras terras que non eram o fado.

A COZINHA DOS FAMOSOS

A AVAREZA

Non chamamos avarento ao homem que, tendo na bodega duas mil garrafas de vinho de Borgonha para seu uso particular, non nos deixa a meia dúzia delas que lhe pedimos. Ao que possui diamantes de um valor incalculábel, se lhe pedimos emprestado um que valha pouco, e non no-lo queira emprestar, considerá-lo-emos um home opulento, mas non avarento. Aquele que ganha grandes fortunas em negócios de aprovisionamento de exércitos ou em grandes empresas e, no entanto, faz empréstimos a um xuro usureiro, também non passará por avarento diante da opinión pública, embora tenha estado toda a sua vida atormentado polo demónio da cobiça, que o fez acumular riquezas até ao último dia. Essa paixón, que sempre conseguíu satisfazer, nunca se chamou avareza. Sem gastar a décima parte do rendimento, ganhou reputaçón de home xeneroso que vivia com excessivo fausto. Ao pai de família, que, reunindo unha modesta renda, só gasta anualmente metade, e vai acumulando as suas economias para estabelecer os seus filhos, acostumam chamar-lhe avarento, ladrón, axiota e miserábel. Este honrado pai de família é mais digno de respeito do que aquele home opulento, mas há unha explicaçón para cada unha das reputaçóns. Odeia-se aquele a que se chama avarento, porque non pode proporcionar nenhum ganho. O médico, o farmacêutico, o comerciante de vinhos, algunhas xovens solteiras e outras pessoas tiram proveito do home opulento e como non podem tirá-lo do poupado pai de família, conspiram contra ele, insultam-no e inxuriam-no.

DO ARTIGO “AVAREZA” DO DICIONÁRIO FILOSÓFICO

O ILHA (ARTIGOS) (1)

O furúnculo enrevesou-se e está muito infetado. Nao querem mostrar as nádegas à enfermeira. A infeçao propaga-se. A dor pede morfina. A morfina é a roda penosa da morte anunciada. O PSD vive nas ruas da amargura. Conspiram nas suas entranhas à procura de um novo Messias. O nome de Relvas, homem faz tudo e que olha com olhos de impor, já passou nos Mídias ao som da simpatia com uma ou outra personalidade. Passos Coelho está nu. Estamos em Fevereiro e Março e o frio ainda obriga ao uso de meias de la. Na Res pública nao há atitude mais suicida que a do galo que nao sabe cantar e acordar a vizinhança. Um galo que nem sequer canta, acaba no tacho, antes do dia da boda. O PSD nao sabe cantar; nao tem discurso, nem encontrar pretextos sólidos para tentar, dentro da sua incultura manifesta, alinhar vários parágrafos de oratória. Vivemos em crise e na crise e a Geringonça soma argumentos-demagogias políticas que a fazem ascender nas espectativas dos votantes. O PSD afoga-se só tem a cabeça à superfície. Marcelo Rebelo de Sousa tornou-se o Presidente dos afetos e das iniciativas. Almoça em casa de… Abraça a Maria Rosa… Bebe com a tia Joaquina. E diz que o seu lugar nao é um concurso de popularidade… Claro, é a popularidade em si e para si. O PSD nao tem padrinho salvador, nem cabra ou cabrao velho, para fazer uma boa chanfana.

JOSÉ LUÍS MONTERO MONTERO

ARISTÓTELES (¿QUAL É A ESSÊNCIA DO SER?)

Para Aristóteles o vazio non existe. Tal como o concebe, o mundo está literalmente cheio de cousas e essas cousas possuem certas propriedades ou relacionam-se entre elas. Por exemplo, a árbore que existe em frente da minha xanela é unha das cousas que existem no mundo. Essa árbore, apresenta várias características, entre elas, o facto de estar em frente da minha xanela e de as suas folhas serem verdes; no entanto, tratam-se de factos acidentais. Essa árbore poderia estar perfeitamente noutro lugar (se fosse transplantada), ou podia ter as folhas castanhas (se fosse outra época do ano) e non deixaria por isso de ser essa mesma árbore. Mas há outras características que non som acidentais, que se non fossem como sóm faríam com que essa árbore non fosse essa árbore. Para começar, unha dessas características non acidentais que definem essa árbore é, xustamente, o facto de ser unha árbore. E, além disso, sucede-lhe algo tán essêncial como ser unha árbore, que é ser essa árbore. Este esquema podería reproduzir-se com qualquer outro obxecto ou circunstância que identifiquemos à nossa volta: unha cadeira, um amigo, a Europa, o computador ou o libro que nos ocupa. Todas estas cousas som reais: todas som. Portanto, o facto de ser é algo comum a todas as cousas e constitui a sua característica mais fundamental. No entanto, como afirma Aristóteles, “o ser diz-se de muitas maneiras”. Isto implica que, quando afirmamos que algo é, este “é” possa ter diferentes significados. Para começar, como acabámos de ver, as cousas som, porque existem. Se afirmamos que unha cousa é, estamos a afirmar a sua existência. Mas também podemos dizer que as cousas som algo. Por exemplo, a árbore é alta ou Aristóteles é filósofo. E chegados a este ponto, é lóxico perguntar-se entón, qual é a essência do “ser”? Em que consiste essa única característica comum, subxacente a todas as cousas individuais, que faz parte daquilo a que chamamos realidade? E mais ainda: o que é o Ser? O que é a realidade? Afinal, como assinala de maneira brilhante o filósofo americano Willard van Orman Quine, o problema ontolóxico e muito simples: “Pode expressar.se em três palabras: “O que existe?” Pode responder-se com um único vocábulo: “Tudo!”, e todos aceitarám a resposta como verdadeira. Contudo, isto quer apenas dizer que existe o que existe. Sobra espaço para o desacordo sobre os casos particulares; e assim a questón perdurou através dos séculos”.

P. RUIZ TRUJILLO

LITERATURA CASTELÁN (POEMA DE FERNÁN GONZÁLEZ)

Este poema completa a série de grandes obras do “mester de clerecía”, no século XIII. O “Poema de Fernán González”, escrito probabelmente, na opinión de Menéndez Pidal e Carroll Marden, alá por meádos da centúria e conservádo num só manuscrípto, defeituoso e mutilado, do século XV, que se guarda na biblioteca de El Escorial. Supôn-se que foi o seu autor um monxe de San Pedro de Arlanza, mosteiro cuxa fundaçón é atribuída ao famoso conde de Castela, e foi centro principal destas tradiçóns. Sobre Fernán González talvés muito cedo, fora composta unha cançón de xésta. A “Crónica Najerense”, da mitáde do século XII, refére xá a prisón do conde polo rei García de Navarra e a sua libertaçón por mediaçón da irmán do rei, prévia promesa de casamento; relatos procedentes, sem dúvida, de algum cantar antígo, hoxe desconhecido. Basándose indubitabelmente nele, o monxe de Arlanza, autor de clerecía, compuxo o seu poema, transportando o velho cantar para o novo “mester”, acomodândo-o aos seus propósitos e amoldándo-o à técnica e esixências cultas da dita escola. A “Primera Crónica General” prosificou este poema de clerecía, e dela passou aos seus derivados; em câmbio, a de 1344 deu preferência a unha xésta popular sobre o mesmo asunto, da qual existe resonâncias em algunha xesta francesa. De este cantar derivarom probabelmente alguns românces tradicionais. Forom asinaládos numerosos pontos de contacto entre o “Poema” e os outros autores de clerecía do seu tempo, particularmente Berceo e o “Libro de Alexandre”. O autor, segundo norma do seu mester, alude em ocasións às “Escrituras” em que se informa, como proba da verdade do que se narra; admite-se que entre estas fontes encontra-se o “Epitoma Imperatorum” ou crónica rimada escrípta a mitáde do século VIII polo anónimo de Córdoba, a “Crónica de Turpin”, o “Chronicon Mundi” de Lucas de Tui, de onde toma algúns episódios sobre os godos e parte do seu “elóxio de España”, e a “Historia Gothorum” de San Isidoro. Há também vestíxios do “Poema del Cid” e da “Chanson de Roland”, e, por descontado, da “Biblia”. O “Poema”, que nunha longa introduçón de 160 estrofas, resume a história de España desde a apariçón do Cristianismo até à caída dos visigodos, relata a vida enteira do conde castelán e combina dactos históricos com todos os elementos lexendários que adornam a vida do herói: a profecía do anacoreta de Arlanza, a consequência da qual funda o conde o mosteiro, o episódio da venda do cabalo e o azor ao rei de León Don Sancho, a independência do Condado, a prisón do conde libertado por dona Sancha, a anedocta do arcipreste, que pede a honra daquêla a câmbio do seu silêncio, etc… O poeta de Arlanza, a pesar da sua condiçón de clérigo, sabe adaptar-se de maravilha ao âmbiente heroico e guerreiro que anima todo o relato, e som precisamente os episódios bélicos os que alcançam maior perfeiçón formal e unha entoaçón mais robusta. O Poema de Fernán González resulta assim, segundo asinála Zamora Vicente, o mais influído, entre os de clerecía, pola poesía popular: “em todos estes episódios percébe-se, disimulado, encuberto baixo o monorrítmico metro do monxe arlantino, o bafo da xesta antíga”.

J. L. ALBORG

HEIDEGGER (A ANÁLISE EXISTÊNCIAL)

O ponto de partida argumentativo da análise na primeira secçón pode resumir-se desta forma: as cousas aparecem existencialmente, ou sexa, à luz do “ser-aí”, cuxo modo de ser non é o das cousas, porque consiste em “existir”. O termo vem salientar que o “ente” que consiste em estar aberto às cousas, o “ser-aí”, non tem, ao mesmo tempo, o significado de unha cousa nem, em xeral, qualquer significado: o lexema “ex” significa precisamente “o exterior e alheio a todas as cousas”. Além disso, se as cousas se caracterizam por serem idênticas a si próprias e por se encontrarem dentro do seu limite (a pedra como pedra, o escudo como escudo), existir non tem nada que ver com “ser si próprio”, mas precisamente com o contrário, “non ser si mesmo”, mas, por isso, estar aberto a todas as restantes cousas e ter assim a possibilidade de ser outras. Neste último sentido, na verdade, só o home existe, xá que as cousas non podem sair dos seus limites (a pedra non pode polos seus próprios meios deixar de ser pedra) e, por isso, delas só se pode dizer que som. Decisivo para o curso da investigaçón sería entender que o exemplar e privilexiado non passa, de qualquer forma, por ser “humano”, que constitui apenas unha mera determinaçón ôntica, mas passa, em todo o caso, por o ser humano “existir”. Esta determinaçón non procede de unha característica que estexa à vista, tratábel de forma teórica, porque non há significado: a existência non será mais um tema ontolóxico, mas, precisamente, aquilo que precede tal tratamento. A isto se refére Heidegger com o “pré-ontolóxico”, que constituirá o único tema propriamente ontolóxico. A filosofia de Heidegger encontra nesta descoberta pré-ontolóxica inicial -a existência- a sua primeira determinaçón. A relaçón ontolóxica moderna entre a consciência ou o suxeito que se opón a um obxecto (que é o mundo) fica suspensa. Da perspectiva pré-ontolóxica, tanto suxeito como obxecto som entes aos quais, portanto, correspondem determinadas características que os tornam incompatíbeis com o ser, tal como começou a compreender-se a partir da existência. Agora trata-se de investigar o âmbito onde ser tem lugar, que é a existência. Aquilo que se entender por suxeito, razón ou consciência só se poderá compreender a partir do próprio existir. Desta maneira, fica sentenciado que a investigaçón ontolóxica non é nem gnoseolóxica, nem epistemolóxica, nem ética, nem política, nem psicolóxica, mas unicamente “existencial”. Abordará a forma como aparece e tem lugar o “ser” -de facto, o ser das cousas- , que o faz de forma existencial.

ARTURO LEYTE

GALLEIRA (32)

Xá em grupos, ou sexa de maneira ailhada, no cûme dos montes, nos seus declíves, nas cháns, nas beiras do mar, no mais recóndito dos bosques, e o que é mais significativo, na crôa dos castros. Estes bloques com estânques naturais ou artificiais, apresentam-se, à vista do que os examina, como cousa digna de especial estudo. Na sua presença, non pode deixar-se de perguntar: ¿quê forom? ¿Teriam o destino relixioso que se lhes asigna? ¿Quê papel representarom na nossa mitoloxía? ¿Servíron xá as razas anarianas ou só fixo uso delas o celta? ¡Quem o pode afirmar!… Graças que os nossos verdadeiros antiquários, convenham em conceder-lhes um indiscutíbel destino relixioso. Para o Sr. Villaamil a pedra de Foz, non só alberga este carácter, senón que a xulga proba fehacente de que se conhecerom na Galiza os que el chama “bárbaros usos druídicos”. Para nós é assim evidente que forom sagradas, xá como altares, xá como pedras, que por qualquer motivo que fosse se lhes rendía culto; ora servíram os seus buracos ou concabidades para conter as águas do céu e por tanto milagrosas, ora se depositássem nelas as ofertas dos que acreditam. Consta a adoraçón de que forom obxecto, pensou-se que estabam adornadas de especiais virtudes, consta em fím que o pobo, como se respondesse a unha lonxana tradiçón, denomina, a muitas delas, altar, na Bretanha como em Portugal e na Galiza. ¿Por quê? A maior parte destas rochas tenhem hoxe ós olhos do rústico a sua virtude, a sua tradiçón, a sua história. Non lhe som indiferêntes. Restos da sua antiga importância relixiosa, formam parte das lendas e dos santos mais populares, das crênças do rústico, das superstiçóns adxuntas como para sempre ao corazón da multidón. Pedras milagreiras unhas e encantadas outras, xá que están unidas ao culto actual, e recordam um passado ainda non morto. Persistem nas costûmes, conservando os rasgos necessarios para testemunhar o grande uso relixioso que delas se fixo noutros tempos. Confirmam a adoraçón de que forom obxecto, a inscripçón da Torre de Hércules (Coruña); o seu destino xurídico. As pedras de abalar; a sua virtude milagrosa, as de Padrón e Viveiro, e a sua estreita unión com os tesouros, as que se encontram cobertas de signos, mais ou menos antigos e importântes.

MANUEL MURGUÍA

ARÍSTOCLES (DILEMA DO UNO E DO MÚLTIPLO)

No mundo grego do século VII a. C. costuma-se destacar, de forma practicamente unânime, um acontecimento que alterará o destino da humanidade: o nascimento da filosofia. De facto, nesse momento da história aparece, nas costas Xónicas, unha série de personáxes que enfrentam o mundo, adoptando unha actitude radicalmente nova. Tales, Anaxímenes e Anaximandro xá non recorrem a explicaçóns sobrenaturais ou míticas ( em poucas palabras, à vida e milágres de Zeus e companhia), mas visam desvelar os fenómenos naturais unicamente com a axuda da intelixência e de argumentos racionais. Embora as suas respostas possam parecer-nos hoxe em dia arbitrárias ou puerís (se bem que conviria non esquecer que em pleno século XXI, há quem reze à Virxem para resolver o desemprego ou os problemas económicos de um país), essa actitude constitui um autêntico marco na história da humanidade, do qual com o tempo surxirám a filosofia e a ciência. Nos seus primeiros passos, a atençón filosófica dirixe-se para o mundo natural, a “physis”, caracterizada polo contínuo e permanente devir: a madeira consumida polo fogo transforma-se em cinzas, os astros mudam de posiçón no céu, os seres vivos (e entre eles os homes) nascem, crescem e desaparecem. ¿Mas se tudo muda, o que é o real? O trabalho desses primeiros filósofos naturais destina-se à procura de um “primeiro princípio”, daquilo que permanece e subxáce à mutabilidade: o “arché”. Sexa qual for a soluçón adoptada por uns e por outros, a questón fundamental que convém explicar é a da mutabilidade e, como consequência desta, a conciliaçón da ideia de unidade (realidade subxacente) com a de multiplicidade (de fenómenos e casos nos quais se manifesta). Vexámos porquê. Num dia de calor, se enchermos um recipiente com água e o deixarmos ao sol, passadas unhas horas a água ter-se-á evaporado e ter-se-á misturado com o ar. Nos dias mais frios do inverno, essa mesma água conxéla e transforma-se em xêlo. Desapareceu entón a água e apareceu no seu lugar, o xêlo? Se assim for, se non houver nada que irmâne a água e o xelo, unha continuidade entre unha e o outro, porque é que, quando está frio e desaparece a água, aparece sempre no seu lugar o xêlo e non, por exemplo, um litro de bom vinho ou um estufado de borrego? Parece mais razoábel supor que existe “algo” que permanece mas que se mostra sob diversas formas. Se assim for, tanto a água como o xêlo “som” na realidade esse algo (o ser) que adopta “aparências” diferêntes. Suponhamos que somos uns bons e abnegados pitagóricos e, como tal, optamos polos números como esse “”primeiro princípio”, a estructura última da realidade que subxáz aos fenómenos da nossa experiência. Assim sendo, a bela rapariga ou algo charmoso para o qual se nos escapou o olhar, som na realidade números… ¿Som na realidade? ¿Significa entón que nem a rapariga nem a cousa som? ¿Non existem? ¿Se a realidade é “una”, a pluralidade das suas manifestaçóns non é mais do que unha ilusón? Nós que acreditávamos que isso do “dilema do uno e do múltiplo” non era mais do que um aborrecido passatempo dos antigos gregos e, aparentemente, quase sem nos apercebermos, démos de caras com ele.

E. A. DAL MASCHIO

HOMENÁXEM A ALEJANDRO VIANA (12)

Na creación do “SERE” conflúen vontades e decisións de tres gobernos: o republicano español, que achega os fondos; o mexicano, que outorga o amparo legal e político, e o francés, que consinte a súa acción alixeirando así a carga económica que os refuxiados supoñen para Francia. Durante a guerra, o Goberno mexicano do xeneral Lázaro Cárdenas apoiara decididamente o Goberno republicano e xa amosara a súa disposición para recibir refuxiados. Seguindo a súa longa tradiçión de país de asilo político e refuxio humanitario, México, a través do seu embaixador en París, Narciso Bassols, recoñece a legalidade republicana no exilio, ampara e tutela o funcionamento do “SERE” e o seu persoal, manexa os seus fondos de común acordo co Goberno da II República e acepta acoller miles de refuxiados no seu territorio. Negrín coloca á fronte do “SERE” a Pablo de Azcárate, embaixador da España republicana en Inglaterra. É a figura institucional que o organismo precisa como presidente: ten boas relaçóns na administración francesa e carece de afiliaçión política. Para o labor de dirección e xestión, Negrín volve confiar en Osorio Tafall. O presidente do Goberno eloxia a súa figura, a súa capacidade organizadora e as súas cualidades como home de acción. O ministro de Facenda, Méndez Aspe, asume tamén o peso do servizo, pois é quen controla directamente as finanzas do exilio. Baixo o mando de Osorio Taffal créase a figura dun secretario xeral e cinco xefes de sección: o de Censo, estatística e información xeral; o de Campos de concentración, o de Organización de refuxios, o de Subsidios e o de Emigración. O cadro de persoal está formado por empregados administrativos e inspectores, que se encargan das visitas aos campos de concentración e do contacto directo cos refuxiados. A organización do “SERE” complétase cunha estrutura territorial de delegacións nas cidades francesas e do norte de África nas que están situados os campos de refuxiados e os portos dende os que partirán as expedicións para trasladar os exiliados a outros países: Burdeos, Limoges, Marsella, Perpignan, Orán e Toulouse. Tamén se estabelece unha delegación na República Dominicana e se constitúe, como filial do “SERE” en México, o Comité Técnico de Ayuda a los Republicanos Españoles (CTARE). Para a dirección política do “SERE” créase o Consello Executivo, con representación dos diferentes partidos e no que participará Viana como representante dun sector de Izquierda Republicana. A nova responsabilidade de Osorio Tafall é determinante no reagrupamento de Alejandro Viana e os galegos que compartiran as vicisitudes da guerra en Valencia e Barcelona á sombra do Comisariado Xeral de todos os exércitos e da Subsecretaría de Armamento que dirixían Tafall e Alejandro Otero.

ROBERTO MERA COVAS

MICHEL FOUCAULT (O QUE A MÁQUINA QUER PRODUZIR SOM “SERES NORMAIS”)

Depois, a norma. A prisón é o lugar onde se cumpre a pena ditada pola Lei, mas o seu interior non é um lugar xurídico. O que rexe o espaço prisional é a norma. Non é um lugar onde haxa certas cousas prohibidas e as restantes fossem indiferêntes ou libres. Todas as cousas están sob a regulaçón da norma, e todo o comportamento que escape à norma é “sancionábel”. Nenhum acto resulta indiferênte para um sistema disciplinar. A operaçón xeral levada a cabo polo poder disciplinador é, pois, unha “normalizaçón” das conductas; unha transformaçón técnica dos indivíduos para os adaptar à sua “norma”. Por fim, o enxame. No enxame, a vixilância e a sançón cruzam-se, sobreponhem-se. O seu olhar, escrebe Foucault, “é um olhar normalizador, unha vixilância que permite qualificar, classificar e castigar”. Neste xesto veremos como, de novo (como no manicómio ou no hospital) “poder e saber” aparecem unidos num processo comum, alimentando-se mutuamente. “O enxame” -acrescentará- “trai-e consigo todo um mecanismo que une um certo tipo de formulaçón do saber e unha certa forma de exercício do poder”. Concluída a caracterizaçón dos principais elementos da técnica prisional, Foucault constacta a exportaçón do modelo disciplinar para além do âmbito prisional, num primeiro momento, a todas as instituiçóns totais (hospital, escola, fábrica, quartel), e depois a todo o corpo social, qualificando-o entón de “sociedade disciplinar”. E, no teatro disciplinar do panótico, basta colocar um vixilante na torre central e em cada cela encerrar um louco, um doente, um réu, um operário ou um estudante, para que a máquina começe a funcionar. No limite, nem é necessario um vixilante, basta apenas que o interno se sinta vixiádo, basta apenas que estexa obrigado a ser visíbel. No limite, o que a máquina pretende produzir som indivíduos “normais”.

MIGUEL MOREY

O VINHO (14)

A VIDEIRA CHARDONNAY

A Chardonnay é a variedade de uva branca mais apreçada, dentro do pequeno grupo das clássicas. Os vinificadores intentaron recrear, ao menos parcialmente, o êxito que esta tivo nas suas terras orixinárias da Borgonha e da Champagne. Unha variedade muito adaptábel, que dá vinhos variádos nunha gama de lugares diferêntes. É fácil de cultivar, suporta todo o tipo de climas, desde os fríos da Champagne aos calores da Austrália do Espíro Santo. Os vinhos clássicos da chardonnay som os da Côte d’Or, de Chablis, do Mâconnais e da Champagne. Na Borgonha, a chardonnay é vinificada em solitário. Na Champagne, pola contra, é misturada frequentemente com uvas negras de “pinot noir” e de “pinot meunier”. O seu vinho branco xunta os sabores da chardonnay e do carbalho. Em xeral as barricas som usadas para a fermentaçón do vinho e também para a sua crianza. Esta uva, acostuma apresentar poderosos aromas, nos países mais cálidos. Os melhores vinhos de chardonnay acostumam a madurar bem, outros som feitos para beber rápidamente, tudo dependêndo da estratéxia do vinificador.

LUGARES EM QUE SE PODE ENCONTRAR

Ésta é, talvés a melhor referência de um chardonnay de Borgonha. Domaine de la Romanée-Conti, é somente proprietário de 0,7 ha das oito hectárias de “Le Montrachet”. da qual compraron as parcelas 31, 129 e 130 em 1963, 1965 e 1980, respectivamente. Todas as videiras se encontram no sector “Chassagne-Montrachet” do vinhedo. As uvas som vinificadas na “cuvérie” do Domaine em Vosne-Romanée por Bernard Noblet, e som engarrafadas depois de haber madurado em barrica sobre uns quinze meses. O Domaine procura recolectar o seu Montrachet tán tarde como sexa possíbel, a miúdo muito depois de que os outros productores acabaram de vindimar. O coproprietário, Aubert de Villaine, observou ao largo dos anos que as uvas de Montrachet retenhem a sua acidez, incluso se estas se deixam até muito tarde nas vinhas. A colheita tardía dá como resultado, unha opulência excepcional e unha intensidade quase monolítica, que afirma mais do productor, que do vinhedo. Mas depois de um momento na copa, começa a mostrar o carácter incríbel do vinhedo. Resulta difícil definir com palabras a duçura deste vinho. A colheita de 2000, que este autor probou fai pouco tempo, mostra um vinho quase perfeito, que persiste durante unha extraordinária lonxitude de tempo.

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Madame Lalou Bize-Leroy é a proprietária, xunto com outros accionistas, de Domaine Leroy, em Vosne-Romanée, e da firma comercial Maison Leroy, em Auxey-Duresses. Xunto com a sua irmán, é dona da mitade do Domaine de la Romanée-Conti. Por se isto fora pouco, também foi construíndo ó longo de mais de vinte anos unha empressa própria. A propriedade non é muito grande -actualmente tem menos de quatro hectárias- mas está composta por: Mazis-Chambertin, Bonnes-Mares, Criots-Bâtard-Montrachet e Chevalier-Montrachet; de este último pago, colheita dous tonéis e meio. Comprou esta parcela á firma Chartron, em Puligny-Montrachet, a inícios dos noventa. Está situada nas Demoiselles, na parede norte de Le Montrachet. O rendimento desta propriedade Leroy é muito reducído. Outros cultivadores poderíam sacar, probabelmente, um terço mais de produçón. Mas desta maneira ganha-se em concentraçón do vinho. Este 2002 tem unha força que só se vê num Montrachet. Trata-se de um vinho que alberga muito corpo, resulta seco mas muito rico, profundo, multidimensional, aristocrático e magnífico.

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Os sete “climats grand crus” de Chablis ocupan somente o três por cento da superfície total cultivada da zona. Les Clos talvés sexa o mais valorado e a miúdo o mais denso de todos, com grande riqueza e brío. Jean-Paul Droin cultiva vinte e quatro hectáreas e conquistou um nome durante a década de 1980, graças a uns vinhos concentrados e poderosos que resultarom controvertidos debido á utilizaçón de unha alta proporçón de carbalho novo, especialmente no caso dos “grands crus”. Desde começos da década de 2000, o seu filho Benoit moderou a exposiçón ao carbalho envelhecendo a mitade dos vinhos “cru” em depósitos, mentras o resto madura em quinze por cento de carbalho novo. O ano 2005 sacou um vinho excepcional e um Les Clos exemplar. Destacam o aroma a pedra, probabelmente derivado do alto conteúdo em caliza do chán, assim como riqueza e intensidade, qualidades que se reflexam no paladar. É um vinho potente e com corpo, mas bem equilibrado com unha acidez briosa que lhe outorga unha grande persistência de sabor. Como vinho xovem resulta surprehendentemente acessíbel, para ser Les Clos, e a sua estructura e equilibrio garantizam-lhe unha longa e interesante vida.

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Orixem: França, Champagne, Côte des Blancs. (Vinho espumante natural, branco seco, 12% vol. Uva: Chardonnay. O conde Audoin de Dampierre é um experto em champagne, aristócrata e algo excêntrico, cuxa conexón familiar com a sua terra remonta a mais de setecentos anos. Facendo honra ao orgulhoso lema da sua família -“Sans peur et sans reproche”- compra somênte uvas de terrenos “grand cru” e “premier cru”, e non pede disculpas polo alto preço dos seus vinhos. Entre os raros afortunados, que podem permitir-se probar estes vinhos, há embaixadores em todo o mundo, ademais de algún que outro monarca, presidente ou primeiro ministro. Mas, ainda que quarenta e dous embaixadores non se podem enganar e o “Cuvée des Ambassadeurs NV”, resulta unha boa mistura de chardonnay e pinot noir, também o conde tem muito bom gosto, e o seu “Blanc de Blancs Reserva Familiar” é sem sombra de dúvida o seu melhor vinho. Este “Blanc de Blancs” elabora-se com uvas dos “grands crus” de Avize (50%), Le Mesnil-sur-Oger (40%) e Cramant (10%). Fermentado em tanques de áço-inox, nota-se a sua ilústre orixem. O superlativo 1996 alberga unha mousse extrafina, textura sedosa e retrogosto centelheante. Leva unha etiqueta desenhada no século XIX, e unha rolha de cortíza atáda à mán com bramante.

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Parece lamentábel que este asombroso vinhedo de cinco hectáreas e meia, non poida ser classificado como “grand cru”, mas o lugar ao qual pertênce, Mareuil-sur-Aÿ, é somênte um “premier cru” (do 99%). O Clos des Goisses alza-se empinado sobre as casas de Mareuil, orientado para sul, e está prantado com pinot noir (70%) e chardonnay (30%). Este Champagne, Montagne de Reims, vinho branco seco de 13% vol., foi durante anos o grande segredo dos iniciados no champagne. Mas agora Clos des Goisses, é o nome que um solta para demonstrar as nossas credenciais de autêntico amante deste vinho espumoso. O Clos des Goisses resulta antivarietal, É quase impossíbel adivinhar os seus componentes específicos. O que impressiona deste vinho, é a robustés, a masculinidade e a sua intensa mineralidade caliza. Define o estilo do grande champagne e ao mesmo tempo, difére lixeiramente; nem tán afrutado como o Cristal nem tán salobre e com sabor a nózes como o Krug. O Clos des Goisses, pode ser o champagne mais importânte, o que combém encargar, porque xá non o vás a encontrar mais. Um vinho penetrante, capaz de despertar non só admiraçón, mas também curiosidade.

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França, Champagne. Vinho espumânte natural, branco seco, 12% vol. Uva chardonnay. A colheita de Champagne de 1990 tivo desde um princípio um potencial de grandeza. Foi um vrán muito quênte, com um récord de 2.100 horas de sol. Por sorte, as uvas non sufríron demasiádo calor, xá que a chuva chegou nos momentos adequádos; assim pois, para os cultivadores atentos, houbo um nível aceitábel de acidez. As condiçóns forom practicamente perfeitas para a elaboraçón de um sumptuoso Dom Ruinart, a “cuvée” de prestíxio, obtída exclusivamente de uvas chardonnay, da firma mais antiga da Champagne. Mas este foi um “blanc de blancs” diferênte, xá que Ruinart utilizou sempre unha importânte proporçón de chardonnay das suas aldeias natais de Montagne de Reims: Sillery y Puissieulx. Estes “crus” de Montagne dán vinhos mais ricos e redondos que os dos grandes vinhedos da Côte des Blancs. Quando se misturam hábilmente as chardonnay de Montagne e da Côte -como fixo em 1990 Jean-François Barot- obtem-se algo muito especial. Degolado em 2002, tudo vai encaixando, quando este champagne se aproxima aos seus 18 anos: a côr dourada, unha naríz sensualmente madura, mineral e unha boca âmpla e luxosa -mais rica e sedosa que a de 1996-, com gloriosa nota final de vainilha. A opulência do 1990, transforma o Dom Ruinart nunha opçón gastronómica destinada para as grandes ocasións. Acompanha muito bem o “foie gras fresco” ou algo que pode convertir-se em mais sensacional todavía -uns “tartuffi” brancos, no risotto definitivo. Bom proveito, para os que poidam!

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França, Champagne. Vinho espumânte rosado seco, 12% vol. Uvas Chardonnay (87%), Pinot Noir (13%). O Dom Ruinart Rosé de 1988, será talvés o melhor champagne rosado do mercado e desde logo desmente o mito de que o champagne rosado é um espumânte efímero que debe beber-se novo. Procede dos mesmos “grands crus” de chardonnay que o “blanc de blancs”, mas em 1988 xuntou-se-lhe um 17% de bouzy rouge. É unha colheita de champagne para entendidos: um ano clássico, equilibrado, mais firme, mais seco e menos vistoso que em 1990, mas igual de bom. De exquisito tom asalmonado com luzes cobrizas, O 1988 tem um buqué extraordinario, fresco e vexetal, com um atractivo sensual próprio de um borgonha. Com alto conteúdo de chardonnay, o paladar resulta elegante, mas com unha maravilhosa complexidade, mais associáda à pinot noir: peche os olhos e, se non fora polas borbulhas, podería estar bebendo algo fragante e com estilo de Volnay. O exotismo deste rosé bem envelhecido, mas ainda vital, fai-no bom acompanhante para um âmplo repertório de pratos, tanto clássicos como orientais: vacuno secado ó aire, prosciutto de San Daniele, lagosta com salsa de vainilha, costélas de vitéla, pato à cantonesa, queixo Epoisse… a relaçón pode ser grande. As instalaçóns de Reims, restauradas no seu estilo do século XVIII, rezumando tradiçón. As adegas calizas galorromanas (crayères) som as melhores da cidade e forom declaradas monumento nacional. Estas adegas som o escenário do Trophée Ruinart, unha competiçón internacional para elexir ao melhor “sumiller” da Europa.

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França, Champagne. Vinho espumânte natural, branco seco, 12% vol. Uvas Pinot Noir (55%), Chardonnay (30%), Pinot Meunier (15%). Este vinho é simplesmente um dos melhores Champagne sem anhada. Os seus preceitos e composiçón resultan do histórico legado do difunto Daniel Thibault, o mêstre adegueiro de Heidsieck e, para muitos comentaristas, o melhor misturador de champagne do seu tempo. ¿Por qué unha mistura “NV” específica um ano na sua etiqueta? Daniel acreditaba que os entendidos em champagne, tinham que estar debidamente informados da idade da mistura, com o fím de xulgar a sua madurés. A expresón “Mis en Cave” significa na realidade (data de engarrafamento), e o vinho base é engarrafado sempre na primavéra seguinte à colheita, de maneira que “1997” indica que o vinho base é da grande colheita de 1996. Nunha cata vertical de cinco “Mis en Cave” realizada em 2007, este vinho quedou primeiro. A côr verde dourado suxería a asombrosa estructura do champagne, confirmada polo vigorosamente fresco buqué, com aromas de acidez rochosa. Em boca era xeneroso, redondo e carnoso, com deliciosos sabores a pera e damâsco, e o retrogosto, duradouro. Com a sua textura cruxente e mastigábel, quase se podía comer, com o acompanhamento de um frango assado de Bresse.

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Este vinho de Pol Roger é um champagne absoluctamente delicioso, com clásse e ridículamente infravalorado… ainda que sexa um fenómeno paradoxal. Dado que os champagne Pol Roger som famosos pola sua lonxevidade, e que a chardonnay é a uva de mais longa vida da Champagne, o razoábel sería esperar que um Pol Roger de pura chardonnay conseguíra o seu maior potencial de envelhecimento. Mas, non obstânte, este resulta muito curto. Todas as colheitas desta “cuvée” som tán sumptuosas e cremosas quando som postas no mercado, que non tem muito sentido madurá-las. Também, se desarrolham bem em adega, e se quere um Pol Roger com unha duraçón garantizada de cinquenta anos ou mais, compre Pol Roger Vintage. Mas, se o que quer, é um impacto instantâneo e fascinante, abra unha garrafa de “blanc de blancs”. O 1998, foi unha das melhores colheitas desta “cuvée”, mas a de 1999 (do primeiro ano de Dominique Petit, ex chefe de adega de Krug) dá-lhe pola barba, se temos em conta que 1998 foi unha melhor colheita.

LÉRIA CULTURAL

RUSSELL (DA MATEMÁTICA DOS TRANSFINITOS À MECÂNICA QUÂNTICA)

Bertrand Russell representa a actitude “fundacionalista” na filosofia “analítica”. No dealbar do século XX, o sentimento de crise xeneralizou-se em todos os campos da cultura: nas ciências, na política e na arte – da matemática dos transfinitos à teoria da relatividade e à mecânica quântica; da termodinâmica à xenética das populaçóns. Foi a era em que os grandes impérios intelectuais – París, Viena, Berlim, Londres – se axitarom com as criaçóns modernistas e inovadoras de xornalistas, escritores e pintores. Bertrand Russell está no centro deste furacón. Non se pode entender Russell sem o “modernismo” nem o “modernismo” sem Russell. O seu desexo de encontrar fundamentos tem de enquadrar-se nesta era. Assim o víron aqueles que compreenderam imediatamente a sua mensaxem, como o “Círculo de Viena”, de que Russell se distanciou, e Wittgenstein, cuxo pensamento non se pode apreender sem a sua obsessón por superar a filosofia “fundacionalista” russelliana, que absorvera. O “fundacionalismo” é unha filosofia constructiva, ou sexa, propón-se como actividade básica, reconstruir unha parcela do conhecimento humano sobre bases sólidas (aviso: unha filosofia constructiva non é necessariamente unha filosofia construtivista; a filosofia “construtivista” defende que quase tudo é unha “construçón social”, ou sexa, producto de convençóns culturais e de interesses, e a filosofia “construtiva”, polo contrário, é um método para analisar o complexo nas suas partes e relaçóns). Nesta actividade de construçón debem distinguir-se dous problemas e as duas soluçóns respectivas: o primeiro é o problema da base, ou sexa, o problema dos materiais com que se vai realizar a construçón, os materiais que assentam no chán formado polos fundamentos. O segundo é o problema da construçón em si, isto é, da forma como se articula a trama que transfere a xustificaçón ou força epistemolóxica da base até ao vértice. Se non se distinguirem estes dous aspectos pode acontecer que unha crítica a um deles se dirixa erradamente contra todo o sistema. No caso do pensamento de Bertrand Russell, esta diferença é muito importante porque, ao longo da sua extensa carreira, mudou de forma substancial o seu modelo “construcionista” à medida que ia tendo em conta as críticas que as suas propostas suscitaram. No que diz respeito á base da construçón, começou por ser defensor dos dados sensoriais no conhecimento empírico e dos axiomas da lóxica no conhecimento formal, e posteriormente especificou ou mudou aspectos essenciais da base. Em relaçón aos instrumentos de construçón, em xeral manteve a sua confiança nos recursos que axudou a descobrir e que abordaremos neste capítulo e no próximo: a teoria das relaçóns, a teoria dos tipos lóxicos e a teoria das descripçóns definidas. O conxunto constitui aquilo a que chamou “atomismo lóxico”, unha das grandes contribuiçóns para a filosofia contemporânea.

FERNANDO BRONCANO

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (“IUS GENTIUM” E “LIBER HOMO”)

O único exemplo de proteçón do Senado à “literatura” foi o encargo dado a D. Silano, depois da destruçón de Cartago no 146 a. C., de traducir para o latim os vintioito libros do Manual de Agricultura do cartaxinês Magón. Outras investigaçóns das que temos notícia forom os estudos cronolóxicos e sobre o calendário de M. Acilio Glabrión e M. Fulvio Nobílior, aproximadamente em 190 a. C. e a obra astronómica de C. Sulpicio Galo (cónsul em 166 a. C.), quem, non obstânte, resulta improbábel que conhecera, e menos ainda que entendera, as investigaçóns do grande Hiparco de Bitinia, seu contemporâneo. Como indicamos anteriormente, os poetas e erudíctos iniciarom o estudo da história da literatura latina no período dos Gracos. Lamentábelmente, pola qualidade do seu trabalho, foi a escola de Pérgamo mais que a tradiçón da erudiçón alexandrina, a que influíu por cima de tudo. Muito mais importânte foi o estudo do direito romano, para o qual eram directamente apropriádos os métodos de classificaçón e definiçón peripatéctica, e que se resentía menos do dogmatismo e da especulaçón característica de Crates de Malos e os seus seguidores de Pérgamo. A primeira obra importânte foi a “Tripertita” de Sex. Elio Peto Cato, escrita probabelmente na década do 190 a. C. Incluía um texto das “Doce Tablas”, um comentário sobre a sua interpretaçón e um informe sobre os procedimentos apropriádos ante a lei. Há de ter-se em conta que Elio foi o primeiro xurista que non era “pontifex” ou “augur”. Tampouco o era Catón. El mesmo, ou o seu filho, escreberon comentários de algún tipo sobre o direito civil, mentras é seguro que Liciniano escrebeu quinze ou mais libros idênticos em que incluíam um “De legis disciplina”, nel apareciam proposiçóns teóricas. C. Sempronio Tuditano (cónsul em 129 a. C.) escrebeu treze ou mais “libri magistratuum”, unha obra que combinaba a investigaçón histórica e interpretaçón legal. Pomponio considera a P. Mucio Escévola o Pontífice (cónsul no 133), M. Junio Bruto e Manio Manilio (amigo de Lucilio) como fundadores do direito civil. Atribuie-lhes respectivamente dez, sete e três libros. P. Mucio Escévola o Pontífice, em certo sentido publicou também os “annales” do Coléxio dos Pontífices; estes ocupabam oitenta libros. Non está claro o que implica exactamente a “publicaçón”. Certamente, os arquivos forom acessíbeis para os historiadores arcaicos. O seu filho Q. Mucio Escévola o Pontífice (cónsul em 95) compuxo dezoito libros autorizados sobre direito civil, assim como unha monografía, cuxo título, “Opoi” (definiçóns), implica a natureza peripatéctica do tratamento. As três obras autênticas de M. Junio Bruto som de interesse por ser as primeiras em latim, escritas em forma dialogada, com localizaçón dramática em Priverno, Albano e Tibur. Evidentemente, esta é a forma literária empregada por Cicerón com tanta graça e nostalxía nos últimos anos da República. Ainda que virtualmente non poida citar-se nada específico destes estudos legais do século II a. C., colectivamente representam unha contribuiçón importânte para a história das ideias, xá que estes xuristas íam muito mais alá dos logros gregos neste terreno, combinando estudos empíricos anteriores com a abstraçón teórica. De ahí surxíndo conceitos legais tán importântes como “ius gentium” e “liber homo”.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

MARX (ESTADO E RELIXIÓN, DUAS FORMAS DE SE PERDER A SÍ MESMO)

Marx apontava mais alto na sua crítica, bem para além do tema xudaico. E o que questiona é a suficiência da libertaçón política e, portanto, a ideia do estado como lugar dela. Nesses momentos, para Marx, a relixión e a estado som duas manifestaçóns das “lacunas ontolóxicas” do home real, que revelam a sua incapacidade para controlar as rédeas da sua vida, a sua impotência para gobernar a sua existência e satisfazer as suas aspiraçóns naturais. Essa lacuna do ser humano concreto lança-o para fora de sí e do seu mundo (é a proposta feuerbachiana), empurra-o para a libertaçón de sí; compensa ilusoriamente a perda de sí mesmo com a esperança noutra vida, noutro mundo, perante um xuiz exterior e transcendente. O estado e a relixión som, assim, duas formas de alienaçón da nossa vontade, duas maneiras de a submeter a forças e figuras transcendentes criadas por outros. Essas duas instâncias exteriores às quais o ser humano se submete, e nas quais deposita as suas esperanças, ás quais presta culto, qual referência de sentido da sua vida, som na realidade duas formas de se perder a sí mesmo definitivamente. Marx deixa de pensar no estado e na relixión como meios de reconciliaçón e recuperaçón de sí para passarem a ser mediadores de unha emancipaçón imaxinária e, eventualmente, mecanismos de reproduçón da alienaçón. Mas Marx non só iguala a funçón do estado à da relixión, e reivindica a crítica a âmbos, como parece convencido de que é o momento de centrar a crítica na ilusón política. Daí que afíe a sua pluma e faça sair o seu talento, tentando mostrar que, no fundo, o estado non só é criticábel porque se contaminou de particularismo, negando o seu próprio conceito, non só é criticábel nas suas imperfeiçóns, mas é igualmente criticábel na ideia, na sua apresentaçón ideal como universal que trata a todos da mesma forma, sem reconhecer nenhuma particularidade. Marx dirá que a forma universal com que o estado se apresenta é a melhor maneira que tem de servir a particularidade; ou sexa, a perversón do estado non reside nas suas imperfeiçóns accidentais, mas na sua essência ideal, no seu conceito, nessa universalidade que oculta e nega a particularidade a que serve. O último segredo do estado, onde radica a sua inquietante eficiência, está em tratar-nos como cidadáns na esfera pública enquanto nos consolida como indivíduos privados na esfera civil; declarar-nos alí iguais, emquanto aquí reproduz a nossa desigualdade. E, assim, o conceito filosófico hegeliano de estado, dá lugar a outro, xá marxista, no qual a sua funçón real, oculta e intrínseca, é a de manter e sacralizar as particularidades e diferênças que non reconhece publicamente. Descoberta esta verdadeira funçón do estado como necessária, xá non é possíbel a esperança na libertaçón por esta vía.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

Imaxe

POETAS DA TERRA (BOUZA BREY)

LECTURA AUTUMNAL

Na serán escalazada

remanece o meu fastío

no azul dos tolle-merendas

e no marelo dos vimbios.

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Na brétema se arrandea

meu corazón esquencido,

mentras o orballo destece

os contornos fuxitivos.

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Cando queiras podes vir,

feliz ensono perdido,

que a luz xa vai devecendo,

das mans escorrega o libro

e na fiestra, embarazados,

choran docemente os vidros…

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FERMÍN BOUZA BREY