
Ao mesmo tempo, as comparaçóns xeram o amor-próprio e as suas funestas consequências, tal como opina nos “Fragmentos Políticos”. “Assim que um home se compara com os outros torna-se necessariamente seu inimigo, porque cada um querendo no seu coraçón ser o mais poderoso, o mais feliz, o mais rico, non pode deixar de ver como um inimigo secreto qualquer um que, tendo o mesmo proxecto, se torna um obstáculo para executar esse obxectivo.” Tudo isso produz necessidades presunçosas e supérfluas cuxa satisfaçón provisória requer o outro, “de quem se torna escravo em certo sentido, convertendo-se mesmo em amo e senhor; se é rico, precisa dos seus serviços; se é pobre, precisa do seu auxílio”. Além disso, impulsionados pelo amor-próprio a possuir sempre mais, só o podem conseguir à custa dos outros. “As usurpaçóns dos ricos,” –lemos no “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homes”– “os assaltos dos pobres, as paixóns desenfreadas de todos, sufocando a piedade natural e a voz ainda mais fraca da xustiça, tornaram os homes avarentos, ambiciosos e maus.” Os ricos levam a impostura até ao seu paroxismo, ao encobrir os benefícios que lhes traz o direito de propriedade e revestí-los com o manto de um acordo vantajoso para todos, “transformando a usurpaçón em direito xenuíno e o disfrute em propriedade”, segundo argumenta em “O Contracto Social”. Conseguem “utilizar a seu favor as mesmas forças de quem os ataca, conseguem tornar os seus advesários seus defensores, inspirando-lhes outras máximas e dotando-os de outras instituiçóns que lhes sexam tán propícias como contrário era o direito natural”, anunciába xá o “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homes”. Quem sería capaz de non subscrever este programa: “Unamo-nos para protexer os fracos da opressón e conter os ambiciosos”? Assim se inventa o Estado. O obxectivo de tal associaçón sería “assegurar” a cada um a posse do que lhe pertence, reparar em algunha medida os caprichos da fortuna, submetendo igualmente o poderoso e o fraco a obrigaçóns mútuas”.
ROBERTO R. ARAMAYO