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AURELIUS AGUSTINUS (A NUMÍDIA NATAL)

Naturalmente a Numídia natal de Santo Agostinho non podia escapar ilesa ao processo de declínio económico, político e cultural do Império. A estagnaçón económica provocou a decadência dos centros urbanos e a progressiva ruralizaçón da sociedade, dividida entre uns poucos e poderosos grandes proprietários de terras e a grande massa camponesa a viver quase na miséria. No âmbito político, o imperador e as intrigas políticas da grande Roma eram unha realidade cada vez mais distante e estranha, cuxa única face visíbel era a brutalidade e a cobiça dos funcionários imperiais ali destacados. Por último, e de forma mais significativa no que nos interessa, a vida cultural e educativa tinha perdido todo o vigor e fulgor criativo, tendo dexenerado para formas de barroquismo que non faziam mais do que reproduzir e recrear-se nas glórias literárias e rectóricas do passado. É neste ambiente, de miséria e escassas perspectivas de progressón pessoal, que Patrício e Mónica conceberam o seu pequeno Agostinho. Non é de estranhar, por isso, que a sua principal preocupaçón, quase obsessiva, fosse a de assegurar ao filho unha esmerada educaçón que lhe abrisse as portas de um futuro melhor. Depois dos primeiros anos de estudo em Tagasta, o xovem Agostinho foi enviado para unha localidade próxima, Madauro, para prosseguir a sua formaçón, e da qual teve de regressar ao fim de um ano devido às dificuldades económicas da família. Os pais conseguiram enviá-lo, um ano mais tarde, para a grande Cartago, graças ao apoio económico do xá referido Romaniano. A formaçón que Agostinho recebeu, tanto num lado como no outro, era um reflexo da provinciana sociedade africana; o principal obxectivo do seu sistema educativo era o de fornecer profissionais treinados na “arte da palabra” (oradores, professores de rectórica e advogados) às classes mais altas da sociedade do Império. Consequentemente, a formaçón dada caracterizava-se polo perfecionismo (non excluindo as devidas doses de violência sobre os alunos), polo recurso à memorizaçón e unha perspectiva eminentemente literária: os conteúdos científicos, filosóficos ou históricos brilhabam pola sua ausência.

E. A. DAL MASCHIO

AOS ONCE ANOS DO INCÊNDIO DO GRAN-HOTEL DO BALNEÁRIO

Os veciños de Mondariz-Balneário non deben de crerse inda que o Gran-Hotel non existe. Se cadra, están os seus balos en pé. Pero nada máis. O tempo detívose o nove de abril do 1983, hai once longos anos. Desde entón, ninguén sabe, a ciência certa cando, en qué ano foi o lume. A pantasmagórica -pois que hai dados de que ainda non está formalizada- Sociedade Promotora de Turismo do Condado segue o seu camiño, sen resolver nada. O passado luns día 16 estaba prevista unha reunión que nen siquera tivo efeitos legais. Velaí, nas páxinas centrais, unha sembranza do que foi o incêndio e de como están as cousas agora mesmo. Aquel día foi como se parasen todos os relóxios da parróquia, en San Pedro, no Outón, no rio, na praza, na estrada. Aquel día, mentras o carrillón do Gran-Hotel facia xirar as suas agullas entoleadas polo lume e logo caía feito un facho acceso diante das olladas de todos os viciños axuntados às portas do lume, pararon os relóxios de Mondariz-Balneário. Agora sentámonos no Lurdes ou nas Colónias, a ver pasar o tempo, paseniño, de vez en cando un automóvil cambia de marcha na revolta e colle a pista, recen asfaltada, que vai a Vilasobroso, à espreita de que, dunha vez por todas, a Xunta ou a Diputaçión ou Pepe Castro ou quen sexa, arranxe a estrada que ven por Pias desde Ponteareas. Os relóxios deben seguir marcando a unha do serán, pouco mais ou menos, e os calendários, o nove de abril do 1973. Porque a cousa foi no 1973, non sí? Hai na parróquia, única parróquia de Galicia que ten goberno municipal, tal como deberia ser, división de opinións ou de lembranzas: foi hai sete anos, dí un. Non, que estaba eu no bachelerato en Ponteareas, hai máis, corta outra. Agora o tempo vese pasar de lonxe, como cousa allea e alguns aproveitam para ir velo pasar a outros lugares, a Mallorca, a traballar na hostelaria, que é o único que saben facer de toda a vida, veña Gran-Hotel e veñan portugueses burgueses tomar as medicinais àguas do lugar. En Mallorca, ou en Benidorm, uns aposentanse e ván chamando polos outros. Pouco a pouco, o Balneário vai ficando só coa sua soedade machadiana. Véndese, reclama o hotel pequeno, aposento dos non moi acaudalados que querian curar vai tí saber que reúma ou non sei qué cousa rara dos riles coas àguas de Troncoso ou coas da Gándara. Véndese, ofrece a casiña de pedra, à beira da estrada, catro patacos e logo a gastar os cartos para adecentala un pouco por dentro. Véndese, véndese tudo e ninguén quere comprar. Bon, iso de ninguén é moi relativo.

XOSÉ CURRAS (PUBLICADO EM “A PENEIRA” ANO I – 1984)

WITTGENSTEIN (CONCERTO POUR LA MAIN GAUCHE)

O irmán imediatamente anterior a Wittgenstein, Paul, teve unha sorte diferente da de Hans e chegou a ser um importante pianista. A ele, que perdeu o braço dereito na Grande Guerra, foi-lhe dedicado, por exemplo, o “Concerto pour la Main Gauche” do aclamado compositor françês Maurice Ravel. No entanto, a sua maneira de tocar era qualificada como extravagante pola família, que preferia a subtileza da terceira e última das filhas, Helena. Aquela família considerava inconcebível non apenas unha aproximaçón boêmia à arte, como também qualquer práctica que se afastasse da rectidón e da minúcia. Em certa ocasión, a sua nái non permitiu a Margarete continuar a tocar por lhe faltar ritmo. O nosso Wittgenstein, non tán talentoso para as artes como a maioria dos seus irmáns (embora tivesse ouvido absolucto), movido polo desexo de agradar ao seu pai, optou por unha educaçón técnica e estudou enxenharia em Berlim e, mais tarde, aeronáutica em Manchester, tentando apaziguar um interesse crescente pola filosofia que foi crescendo nele durante os anos de liceu em Linz. Este contexto explica a veneraçón de Wittgenstein pola música e que tenha recorrido várias vezes a ela para ilustrar, com exemplos, aspectos bastante complicados da sua compreensón do conhecimento ou que nos seus manuscritos abundem as referências musicais. Desta forma, faz sentido, tendo em conta o ambiente artístico em que fora criado, que tenha procurado modelos para a filosofia na arte e na estéctica, inclusivamente o requinte e a minúcia quase neurótica que demonstrou no desenho da casa para Margarete.

CARLA CARMONA

A COUSA NOSTRA

¡¡Valga-me Dios!!

¡¡Arrasta!! ¡¡Pobre de quem!!

Vale mais, ser filha do C. R. e da P. X. ! Ningúm negociante, fai negócios honrados. Porque, senón, pergunta-lhe quando chegues ó outro mundo, como eram os xuros que acadaba dos seus paisanos? ¿e quê, etc…? ¡¡Cópiam uns polos outros!! Bem decia o meu tio Carlos: “Ao chegar aos deçoito anos, queres o “Din”, ou queres o “Dom”? Se queres o “Dim”? É, unha tapa de misérias! E, se a qualquer preço, pior! Só, que agora, está na moda ser honrado… Entón, procura-se, que unha mán lave a outra, e as duas xuntas lavem a cara!

¡¡Eu, non vivo para disgustos!!

¡¡Ricos, som os caramelos!! ¡¡E, mismo así, fán mal à saúde!!

Oportunistas, hai-nos em todos os sítios! Somente que uns, dissimulam mais do que outros. “¿Entón, que era, um vigarista?” ¿Eu, que sei? Às vezes, diz que divago!

¡¡¡Em fím, valga-me Dios e todo-los santos!!!

MARIA DE MOLINA

PASCAL (A XEOMETRIA DO AZAR)

Após a morte do pai, aconteceu algo que nem os mais autorizados biógrafos de Pascal conseguem descrever em pormenor, xá que quase non existem referências a esse respeito. Pascal deu unha reviravolta à sua vida e passou um ano a frequentar círculos diferentes daqueles aos quais estaba habituado, fazendo novas amizades que o introduziram nos círculos libertinos da sua época. É de destacar neste período a amizade que estabeleceu com o duque de Roannez, bem como a companhia frequente de Damien Mitton, escritor e burguês rico da corte, e do Cavaleiro de Méré, matemático amador e também escritor, dous libertinos que colaboraram na teorizaçón do ideal do século XVII do “honête homme”, o homem honesto. Este momento da sua vida é conhecido como o período mundano, que conciliou com os seus estudos científicos e durante o qual Pascal continuou a trabalhar nas suas experiências sobre o vazio, que deram orixem ao “Tratado sobre o Equilíbrio dos Líquidos e do Peso da Massa de Ar (Traités de l’Équilibre des Liqueurs et de la Pesanteur de la Masse de l’Air), unha obra em que formula a teoria do equilíbrio hidrostáctico, obtendo das suas experiências unha lei xeral que hoxe se conhece como lei de Pascal e que se expressa da seguinte forma: a pressón que se exerce sobre um fluido pouco compressíbel e em equilíbrio dentro de um recipiente de paredes indeformáveis transmite-se com a mesma intensidade em todas as direcçóns e em todos os pontos do fluido. A lei de Pascal foi decisiva para o desenvolvimento da prensa hidráulica. Em 1654, um dos seus novos amigos, o Cavaleiro de Méré, que estaba especialmente interessado nos xogos de azar, colocou a Pascal duas questóns para ver se este era capaz de as resolver. Como é óbvio, estas tinham que ver com o grande passatempo de Méré: quantas vezes é preciso lançar os dados para garantir que sai um duplo seis vencedor? E como distribuir os lucros equitativamente entre os participantes de um xogo se este for interrompido a meio ou se um deles o abandona antes de terminar? Pascal aceitou o desafio e pôs máns à obra imediatamente, com a intençón de dar resposta às duas questóns através da matemática. O resultado dos estudos suxeridos por Méré ficaram no “Tratado sobre o Triângulo Aritmético (Traité du Triangle Arithmétique), unha obra na qual se estabelecerom os alicerces do cálculo de probabilidades e que lhe permitiu anunciar à Academia de Paris a invençón da xeometria do azar. Este período mundano terminou com um estranho acontecimento que marcaria o resto da vida de Pascal.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE

CANCIONEIRO DE DOM DENIS (PASTORELA)

CANÇÓM PASTORELA

Unha pastor se queixava

muit’ estando noutro dia

e sigo medês falava

e chorava e dizia,

com amor que a forçava:

“Par Deus, vi-t’ em grave dia,

ai amor!”

.

Ela s’estava queixando

como molher com gram coita,

e que a pesar des quando

nacera nom fora doita;

por em dezia chorando:

“Tu nom és se nom mia coita,

ai amor!”

.

Coitas lhi davam amores

que nom lh’eram se nom morte;

e deitou-s’ antr’ uas flores

e disse com coita forte:

“Mal ti venha per u fores

ca nom és se nom mia morte,

ai amor!”

.

DOM DENIS REI DE PORTUGAL (CANCIONEIRO-B 519 V 102)

RAWLS (AS CONCEPÇÓNS DO BEM)

Porém, Rawls cai nunha incoherência que os seus críticos destacam de imediato. Como é possíbel respeitar a pluralidade de concepçóns do bem, o respeito igual polas diferentes e lexítimas formas de entender o bom, se os indivíduos se veem a si próprios como suxeitos morais autónomos? A autonomia moral, unha ideia básica da ética kantiana, é mais unha das concepçóns do bem. Nem todos os cidadáns das sociedades democráticas se veem a si próprios como moralmente autónomos. Os crentes, por exemplo, assumen que a verdade moral é revelada ou que é, além disso, unha lei natural. De acordo com esta concepçón, os indivíduos non podem decidir por si próprios sobre o que significa ter unha vida boa. Essa informaçón está predeterminada. Outro exemplo som os utilitaristas, que pensam que o bem comum consiste em optimizar o bem-estar colectivo. Nem utilitaristas nem crentes parecem dispostos a aceitar que esse bem se possa escolher de maneira autónoma. E será que isso significa que é impossíbel encontrar unha concepçón da xustiça que todos poidam aceitar? Na sua segunda grande obra, “O Liberalismo Político”, de 1993, Rawls rectifica os seus argumentos sobre a xustificaçón dos princípios, mas sem se desviar da sua finalidade. Mantém a validade dos princípios de xustiça, mas a estabilidade social é xustificada de outra forma. Renuncia à autonomia moral como requisito da liberdade, mas non à ideia de que os indivíduos se veem a si próprios como pessoas libres; contudo, agora a liberdade está muito mais ligada à condiçón de cidadán do que na sua obra anterior. O que Rawls fai é aprofundar a sua intuiçón de que a xustiça è unha questón política e non metafísica. No seu novo argumento, a liberdade non é unha suposiçón ética do suxeito moral, mas sim unha condiçón política dos cidadáns. Non é necessário que as pessoas se vexam a si próprias como moralmente autónomas, como axentes morais que escolhem o seu próprio bem. Basta conceberem-se como cidadáns libres e iguais, dispostos a chegar a acordos sobre como conviver politicamente no espaço público. É unha condiçón muito menos esixente do que a anterior: permite que os crentes non renunciem à verdade moral revelada, e que os utilitaristas pensem que há unha maneira impessoal de entender o bem colectivo. A única condiçón é que todos aceitem as regras da convivência democrática. E Rawls xulga que essa é unha condiçón compatíbel com a maior parte das doutrinas substantivas do bem (quer sexam éticas, metafísicas ou relixiosas) que existem nas sociedades democráticas reais.

ÁNGEL PUYOL

GALLEIRA (9)

Banhada Galiza polas áugas de múltiples rios e xungída estreitamente, na sua longa e dilatada extensón, polas ondas do Oceano, tem sido desde logo propícia para o home lacustre. Lagos e lagoas lhe brindarom com a seguridade dos seus asilos apacíbeis; e os nossos rios e enseiádas oferecerom-lhe sitio oportuno no que levantar as suas vivendas. Àugas tranquilas, ares puros, abundante alimento, ribeiras fructíferas, tudo isto encontrou fácilmente, e o que é mais, tudo isto aproveitou com o ânimo que indicam as tradiçóns relativas às cidades levantadas sobre as ondas. Sem temor de enganar-se, podemos asinalar o emprazamento das antigas povoaçóns que herdeiras directas das dos palafitos, se enriquecerom com o comércio dos sidóns, e avivarom despois a cobiça cartaxinesa e romana. Onde queira que um rio de algúm caudal desemboca no mar, formando essas rexións médias entre a àuga doce e a salgada, a que chamamos rias, alí se asentarom as nossas primitivas poboaçóns, como as que as seguirom despois. Iria, Brigantia, Lámbrica, Flavia Lambris, Noela, Duos Pontes, som um exemplo. As que non alcanzarom tanta fama, apresentam a pesar disso à consideraçón dos arqueólogos, restos suficientes para testemunhar o passo do home lacustre em semelhantes lugares. Sostenhem algúns autores que muitos dos antigos palafitos non chegarom a ser abandonados de todo, antes alcanzarom como depósitos até à época romana. Polo que lhe toca à Galiza, non è possíbel afirmar outro tanto. Ao contrário, non se atopa o menor indício que autorice fundamentadamente esta presunçón, pois vê-mos que ainda que non desaparecerom de todo, persevéram emprazadas nos mesmos lugares ou nas suas imediatas cercanías e como que quixeram ter um pé na marxém e o outro nas ondas movediças. As que lhe sucederom, testemunham com farta claridade, qual foi a sua orixe e o seu posterior destino. Pouco a pouco forom-se alonxando do mar e estabelecendo-se terra adentro, sendo das primeiras, casualmente aquelas que por ter sostído um activo comércio com os sidóns e fenícios, puideram muito bem ser apenas simples depósitos ou feitorías. A chegada dos romanos apressou um movimento de deserçón. As que non eram tán importantes e sobre tudo as do interior -mais pobres, menos conhecidas e por tanto non tán cobiçadas- essas duraron, essas virom, na sua maioria, acampar os suevos ó pé das suas vivendas. Mais felíces que as marítimas, compartirom largamente o seu império com as rudimentárias poboaçóns das alturas e com as dos antros. Escondidas, perdidas na solidón dos vales e ribeiras galegas, forom as esquecidas proxenitoras do que hoxe cobre o nosso chán, ocupando as situaçóns mais privilexiadas. Se se querem probas, fácil seria buscálas nas tradiçóns que respeito de tantas cidades como se dín submerxidas nas àugas, conservam-se entre nós acusando unha dilatada poboaçón lacustre. Irmán nesta, como em tantas outras cousas, da Irlanda, a Galiza que contaba numerosos centros, tivo também como aquela numerosos burgos levantados sobre as àugas, habitados à sua hora, num e noutro país, polos celtas, nossos proxenitores. Os que duvidem, podem fixar-se nos nomes das localidades presumidamente lacustres; quase todos, tanto os latinos como os actuais, significam àuga em sanscripto ou em celta.

MANUEL MURGUÍA

BERKELEY (O CURSO DO IMPÉRIO DIRIXE-SE PARA OCIDENTE)

Berkeley acreditaba que o futuro económico da Inglaterra e da Europa passaba pola América, mas non fomentando empresas tán pouco recomendáveis económica e moralmente como a Companhia do Mar do Sul. Recordemos que a sua famosa afirmaçón, xá citada, segundo a qual “o curso do império dirixe-se para ocidente”, se converteu no lema dos pioneiros norte-americanos. Berkeley axiu com coherência e tomou a decisón de emigrar para o Novo Mundo com o propósito de construir nas ilhas Bermudas o coléxio universitário de que xá falámos,e que tinha como finalidade educar tanto os filhos dos proprietários como os dos indíxenas. A meio caminho entre um proxecto de mudança social e um plano da Providência, a ideia teve êxito e foi apoiada com unha axuda de vinte mil libras (que nunca receberia) polo Parlamento, que com medidas como esta tratava de compensar escândalos como o da “borbulha” da Companhia do Mar do Sul. O título do documento que contém o proxecto de Berkeley é esclarecedor: “Uma proposta para melhor abastecer as igrexas nas nossas plantaçóns estranxeiras e para converter os selvaxens americanos ao cristianismo, através da fundaçón de um coléxio universitário erixido nas ilhas Summer, também chamadas ilhas Bermudas”. Era Berkeley, o missionário que nunca deixaría de ser. Nunha publicaçón de 1737, intitulada o “Pesquisador” (onde formula seiscentas “pesquisas” ou indagaçóns de carácter interrogativo), Berkeley perguntava-se como se poderia estimular a melhoria económica e o comércio próspero, para concluir que a riqueza de unha naçón radica no trabalho e no cuidado dos cidadáns. “Há algunha outra virtude no ouro ou na prata que a de pôr as pessoas a trabalhar ou a criar indústrias? Algunha vez hoube, há ou haverá unha naçón laboriosa pobre ou unha ociosa rica?”, perguntava-se Berkeley. Vale a pena sublinhar o mérito da procura racional de explicaçóns acerca do atraso económico e dos sofrimentos da populaçón irlandesa, tendo em conta que os estudos económicos mal existiam, de que o primeiro modelo económico, o “Tableau Économique” de François Quesnay, foi publicado em 1758, e de que a que se considera unha das obras inaugurais da ciência económica, a “Riqueza das Naçóns”, de Adam Smith, só veria a luz em 1776.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

ANTÓN PÁVLOVICH CHÉJOV

Durante os seus estudos, colaborou em revistas de humor, às quais subministraba comentários, crônicas de sucésos, resenhas teatrais, contos, e inclúso novelas de terror, que el firmaba com pseudónimos como: “Ulises”, “O home sem brazo”, “O irmán do meu irmán”, “O médico sem doêntes” e, com mais frequência, “Antosha Chejonté”. Eram relatos vinculados a um tipo de humor tradicional em esta clásse de publicaçóns, às quais Chéjov se amoldaba perfeitamente. No fim de contas, o que el pretendia era ganhar algúm dinheiro para manter a sua família. Parte destes relatos integraram posteriormente o primeiro libro de Chéjov, “Contos de Melpómene” (1884), e também o segundo, “Relatos variopintos” (1886). As personáxes que povoam estes contos som xeralmente os humilhados que tanto pululam polas páxinas dos clássicos rusos. Recordemos, por exemplo, “Humilhados e ofendidos” de Dostoievski. Ainda que, a diferença dos seus predecessores, Chéjov mostra-se implacábel com eles. Todos esses chupa-tintas, empregados de mesa, pequenos funcionários, sem ningúm sentido da dignidade, humilhan-se até que se lhes presenta a oportunidade de converter-se em déspotas e tiranos. Chéjov saca os seus argumentos da realidade, e nisto non é diferente da tradiçón literária rusa. Non obstânte, aquí também pressenta unha diferênça: a realidade à que sempre invoca é mais falsa do que qualquer ficçón, pois à sua vez falseia as relaçóns humanas. Neste sentido é típico o conto “O gordo e o fraco” (1883), no qual dous amigos que se comportam como tais, até que se descobre que âmbos som funcionários e que um deles ocupa um posto muito mais elevado que o outro. Momento em que as relaçóns humanas som substituidas polas xerárquicas. Para o inferior, o outro deixa de ser um amigo e converte-se em “Sua Excelência”. Ó final resulta que o diálogo cordial da primeira parte tinha sido unha transgresón vituperábel do sentido da subordinaçón. Desta maneira, Antón Chéjov, pleno de ironia, recreia no relato a realidade social que os rodeia, na qual as relaçóns xerarquizadas, estabelecidas em funçón do poder e do prestíxio, imponhem-se aos xenuínos e mais elementais vínculos humanos.

RBA EDITORES, S.A. – BARCELONA

THOMAS S. KUHN (ESTRUCTURALISMO METATEÓRICO)

Kuhn sempre se defendeu das posiçóns extremas que lhe atribuíam. Fê-lo no xá mencionado Colóquio com os popperianos, no apêndice da segunda ediçón do seu libro (publicada em 1970) e, por fim, nunha série de ensaios reunidos em 1977 sob o título “A Tensón Essencial”. Em todos estes textos posteriores ao libro “A Estructura das Revoluçóns Científicas”, Kuhn tentou especificar a sua verdadeira posiçón, tornando-a mais fácil de dixerir polos seus opositores. Inclusivamente, perante os filósofos “clássicos” da ciência que o acusabam de ambiguidade e de falta de rigor formal, aceitou a obxecçón e deixou claro que, por princípio, non estaba contra o uso de métodos formais (além dos históricos) para analisar as teorias científicas, mas simplesmente non tinha encontrado os instrumentos adequados para o fazer, pois as noçóns mais ou menos formais (quer dizer, oriundas da lóxica e da matemática) utilizadas até entón polos filósofos da ciência pareciam-lhe inadequadas. Neste sentido, é significativa a sua recepçón positiva aos novos métodos formais para analisar e reconstruir as teorias científicas que Joseph Sneed, Wolfgang Stegmüller e os seus colaboradores (entre outros, o autor deste libro) tinham desenvolvido no início da década de 1970, e que som conhecidas como “concepçón estructural das teorias científicas ou também estructuralismo metateórico”. A este ponto voltaremos na última parte deste libro.

C. ULISES MOULINES

¡¡VENTE A ALEMANIA PEPE!!

Em lugar de ir-me a Alemanha, seguindo os conselhos do Salustiano e do Salva, esperéi que a Alemanha vinhera a mím; e fixo-se pressente na costa catalán de Canet de Mar. A Alemanha de aquí tinha muito pouco, ou quase nada, da disciplina que eloxiabam os emigrantes; a Alemanha de aquí, a que chegaba em autocarros e em rebanho, era o desmadre da borracheira e da fornicaçón. Decía o Salustiano que aquilo era o paraíso e que as alemáns andabam sempre desbragadas, faróis e fantasías de um zaloio de Castela. O mais seguro era que o “arbeiten arbeiten arbeiten”, non lhes deixara tempo para nada; ou sexa, dar o calo de contínuo. Unha cervexa de vez em quando e a cascála. As missivas do Salvador Barón eram mais contídas e menos fantasiosas que as de Salustiano García. Notabase-lhe que tragaba a amargura e que, de non ser polo medo a voltar à sua terra com o rabo entre as pernas, xá tería deixado aquilo aos poucos dias de chegar. Estas cartas meterom-me o desexo de conhecer os focos xermânicos de Canet e seus arredores. Um pouco mais arriba, na Costa Brava, por onde as montanhas parecem cair no mar, debería de haber outros focos mais discretos e menos bullangeiros; polo menos isso decíam os que conheciam os “intríngulis” mais segredos da costa. Xente de vida social pechada e restrinxida, prófugos acaso de unha derrota, postos de rendistas ou xubilados. Ou de industriais hoteleiros. Ás vezes, nalgúm sítio afín a eles soltabas, como sem querer, Nuremberg e producía-se um silêncio de pedra. O Villán, que andaba de transeúnte polo mundo, sem ánimo de enrraizar nalgo fixo, estaba obsesionado com este assunto, e em qualquer signo vislumbraba unha cruz gamada. Eu conhecia um pouco ó Villán dos infaustos dias da Laboral de Tarragona. Mal lhe iba a ir por Canet, em questón de fornicaçóns, se em cada teta e cada cono divisaba unha esvástica. Imaxinar swásticas em zonas tán tórridas do corpo humano cortaba um pouco, ainda que a certos viciossos lhes puidéra por “cachondos”. Como eu tinha adquirido certa relevância, pese à minha vida pouco exemplar, tivem ocasión de enchufá-lo como lavapratos no Hotel San Carlos. Por entón, e suponho que também agora, eu era um ser contradictório. Impunha-me certas regras de xogo que, unha vez determinadas, cumpría a “rajatabla”; o mau era quando essas regras non coincidíam com as regras dos demais. Ahí sobrevinha um duro problema de adaptaçón ó meio, circunstância da qual sempre saía escaldado. A contradiçón estaba em que aceitaba as minhas regras, mas desdenhaba as que me impunham os demais.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

KARL R. POPPER (EM BUSCA DE UM MUNDO MELHOR)

É também por esta altura que a fama de Popper atinxe o seu auge. Recebe um grande número de honrarias e homenaxens em todo o mundo. Em 1965, a rainha de Inglaterra concedeu-lhe o título de Knight Bachelor, que fez de Popper Sir Karl. Em 1974, a Library of Living Philosophers, unha colecçón de libros consagrados a filósofos vivos, considerados os mais influentes da nossa época, dedicou dous volumes ao pensamento de Popper, que perfizeram um total de trinta ensaios. Na última fase da vida, Popper non publicou nenhuma obra com a puxança das anteriores, mas elaborou textos de divulgaçón, para um público o mais vasto possíbel, como a colecçón de ensaios “Em Busca de Um Mundo Melhor” (1984). Por outro lado, também nos últimos anos, dedicou-se mais que nunca ao que ele próprio consideraba o seu passatempo intelectual favorito: a traduçón e reinterpretaçón dos filósofos gregos pré-socráticos. Os ensaios que escreveu sobre eles foram publicados postumamente, em 1998, com o título “O Mundo de Parménides. Continuou intelectualmente activo até poucas semanas antes da sua morte. Karl Popper faleceu em Londres a 17 de Septembro de 1994.

C. ULISES MOULINES

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FÍSICA (41 – AS EQUAÇÓNS DE MAXWELL)

Na actualidade, as equaçóns que descrebem os campos eléctricos e magnéticos som denominadas “equaçóns de Maxwell. Ainda que pouca xente tenha ouvido falar delas, som probabelmente as equaçóns comercialmente mais importantes que conhecemos. Non só rexem o funcionamento de tudo, desde as instalaçóns domésticas até ós computadores, senon que também descrebem ondas diferentes tais como as da luz, como por exemplo microondas, radioondas, luz infrarroxa e raios X, todas as quais diferem da luz vissíbel em só um aspecto: a lonxitude de onda (a distancia entre duas crestas consecutivas da onda). As radioondas tenhem lonxitudes de onda de um metro ou mais, em tanto que a luz vissíbel tem unha lonxitude de onda de unhas poucas dezmilhonéssimas de metro, e os raios X unha lonxitude de onda mais curta que unha centéssima de milhonéssima de metro. O Sol emite todas as lonxitudes de onda, mas a sua radiaçón é mais intensa nas lonxitudes de onda que nos resultam vissíbeis. Probabelmente no é casualidade que as lonxitudes de onda que podemos ver a simples vista sexam precisamente as que o Sol emite com maior intensidade: é probábel que os nossos olhos evolucionaram com a capacidade de detectar radiaçón electromagnética no referido intervalo de radiaçón, precisamente porque é o intervalo que lhes resulta mais disponibel. Se algunha vez nos encontraramos com seres de outros planetas, teriam probabelmente a capacidade de “ver” radiaçón às lonxitudes de onda emitidas com máxima intensidade polo seu sol correspondente, modulada por algúns factores secundários como, por exemplo, a capacidade do pô e dos gases da atmósfera do seu planeta de absorber, reflextir ou filtrar a luz de diferentes frequências. Os alieníxenas que tiveram evolucionado em presença de raios X teríam, pois, um magnífico futuro na seguridade dos aeroportos.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

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DESCARTES (REQUINTADO PRODUCTO DA SUA ÉPOCA)

René Descartes nasceu a 31 de Março de 1596, a escassos metros das turbulentas águas do rio Creuse, nunha pequena aldeia da província de Turena, perto do vale do Loire, no centro de França. Embora ele non o tivesse chegado a saber, a modesta La Haye prestar-lhe-ia unha homenaxem póstuma ao adoptar o seu nome a partir da Revoluçón Francesa de 1789: os que ali nascem chamam-se agora “descartoises”. O pequeno René teve unha infância pouco assinalábel e com o componente traumático de ter perdido a nái, víctima de um parto complicado, quando ele tinha apenas um ano de idade. O pai, um reputado xurista, formou rapidamente unha nova família, mas teve a prudência de deixar os seus anteriores filhos a cargo do tio materno, um político tolerante acostumado a mediar com êxito os conflictos entre católicos e “huguenotes” (como eram conhecidos os calvinistas franceses, partidários da Reforma Protestante) na localidade vizinha de Châtellereault. Descartes cresceu beneficiando das comodidades de unha família católica de clásse média-alta, composta por médicos e xuristas, embora acometido de unha fraxilidade física (manifesta pela sua inseparábel tosse seca), que apenas começaria a superar a partir dos vinte anos. “Preferi ver sempre as cousas do ângulo mais faborábel e tentar que a minha felicidade dependesse principalmente de mim mesmo, e creio que essa predisposiçón venceu gradualmente a minha debilidade”, confessaria anos mais tarde, ao constactar algo xá sabido pelos filósofos de qualquer época: que a saúde do pensamento influi na saúde do corpo. Graças à amizade que unia a sua família aos directores, aos dez anos pôde ingressar na resplandecente escola de La Flèche, xerida pela ordem católica xesuíta. Tratava-se do centro de estudos mais avançado da Europa cristán e, como veremos seguidamente, um bom exemplo da complexa tessitura ideolóxica na qual o pensamento moderno foi abrindo caminho.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO