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CANCIONEIRO DE DOM DENIS (CANTIGA DE ESCÁRNIO)

CANTIGA DE ESCÁRNIO OU MALDIZER (CBN 1537)

Joam Bol’ anda mal desbaratado

e anda trist’ e faz muit’ aguisado,

ca perdeu quant’ havia guaanhado

e o que lhi deixou a madre sua:

um rapaz, que era seu criado,

levou-lhe o rocim e leixou-lh’ a mua.

.

Se el a mua quisesse levar

a Joam Bol’ e o rocim leixar,

nom lhi pesara tant’, a meu cuidar,

nem ar semelhara cousa tam crua;

mais o rapaz, por lhi fazer pesar,

levou-lhe o rocim e leixou-lh’ a mua.

.

Aquel rapaz, que lh’ o rocim levou,

se lhi levass’ a mua que lhi ficou

a Joam Bolo, como se queixou

nom se queixar’ andando pela rua;

mais o rapaz, por mal que lhi cuidou,

levou-lhe o rocim e leixou-lh’ a mua.

.

Dom Denis (Rei de Portugal – CBN 1537)

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VOLTAIRE (“MOI, J’ÉCRIS POUR AGIR”)

Aos nove anos, Voltaire é admitido como aluno interno no liceu dos xesuítas Louis-le-Grand, de Paris, onde permanecerá durante sete anos. Aí recebe unha educaçón clássica, que tem como eixos principais o latim, um pouco de grego, literatura, história e conhecimentos básicos de matemática. Era um bom aluno, apesar de non ser muito aplicado, e revela rapidamente a sua extrema facilidade para versificar em françês. Nesse liceu, relacionar-se-á com o terceiro duque de Richelieu, com os irmáns Argenson, que viriam a ser, respectivamente, ministros da Guerra e dos Negócios Estranxeiros, e com o conde de Argental. De entre os seus docentes conservou unha agradábel lembranza do professor de retórica e sempre agradeceu a todos no seu conxunto por o terem feito interessar-se por culturas non europeias, dado que non eram poucos os missionários xesuítas que voltavam do Oriente e, particularmente, da China, com muita informaçón em primeira mán. Isto non seria incompatíbel com o provocador episódio difundido por alguns biógrafos, como, por exemplo, Max Gallo na biografía intitulada “Moi, j’écris pour agir”: Vie de Voltaire, segundo a qual, sentado à mesa de Alexander Pope e em frente tanto da nái do anfitrión como dos criados ali presentes, talvez com o provocador espírito de ganhar notoriedade, Voltaire teria exclamado inopinadamente: “Ah, esses malditos xesuítas! Quando era pequeno fum sodomizado e xamais poderei esquecer isso enquanto for vivo!”. A senhora da casa retirou-se logo e non puido ouvir como, de seguida, Voltaire evocaba com admiraçón as aulas de rectórica, o domínio do latim e da arte de versificar ou a familiaridade com o mundo greco-latino. Quem sabe se as duas cousas forom ditas sucessivamente naquele serán. A única cousa certa é que nunca tivo papas na boca e que nada lhe era mais alheio do que a hipocrisia, a non ser quando lhe convinha, dado que a sua impertinência e insolência só som comparáveis com um narcissismo que teve de cultivar para compensar o facto de ser tán adoentado e non muito bem-parecido na maturidade. Com doze anos, o seu padrinho, o irrelixioso abade de Châteauneuf, levou-o a visitar unha veterana e célebre cortesán xá quase nonaxenária, que ficou tán impressionada com o rapaz que lhe legou, ao morrer pouco tempo depois, dous mil francos para comprar libros. Por essa mesma época, o seu padrinho introduziu-o na “Sociedade do Templo”, composta por um grupo de libres-pensadores epicuristas e libertinos, entre os quais se encontravam o duque de Sully ou o duque de Vendôme, Grán-Prior dos cavaleiros de Xerusalém e neto ilexítimo de Henrique IV. Voltaire estaba à vontade nesse círculo e adquiriu rapidamente fama de enxenhoso.

ROBERTO R. ARAMAYO

GALLEIRA (10)

Um descubrimento fortuíto, e por desgráça perdido para a ciência e para Galiza, vem a dizer-nos que até nos lugares em que faltam as lembrânzas romanas e que é nula a tradiçón, há motivo, às veces, para pensar que existíu alí e durante longo tempo o home primitivo. A amenidade do lugar a que nos referimos e a sua proximidade ao mar, brindaba ós seus habitantes unha estaçón previlexiáda. Dous rios desembocam nos dous ângulos da extensa e tranquila enseada. Montes e colinas cerram o espaço e deixam como ailhado aquel pequeno mundo. O mais probábel é que levantassem as suas vivendas nas bocas de ambos os rios e nas suas marxens mais propícias, pois ofertabam muitas conveniências que non era prudente desdenhar. Nas alturas e nos campos dos arredores abundam os túmulos; na outra banda vê-se todavía um alinhamento? ou um paso sobre o pântano? dando-se o feito significativo de que nas idades médias, as torres, cuxos restos se conservam ainda, defendiam e alumiabam unha costa à qual o descobrimento do “kjoekkenmoedding” a que nos referimos e outros mais curiosos monumentos, devolvem a sua perdida importância. Ó sair de Villagarcía, marchando na direçón de Cambados e a escasa distância do Convento das Agustinas daquela vila, encontrou-se non fái muito anos, num terreno de aluvión, um grande depósito de conchas, entre as quais se vían misturados ossos de animais, constituíndo o conxunto um verdadeiro “kjoekkenmoedding” ou sexa, restos de cozinha. Cobertos com unha capa de terra e seixos (apenas os trabalhadores começarom a atacar a brecha e encher as carretas, quando apareceu o depósito, no qual dominabam as conchas de ostras, e lhe seguíam em importância as de berberechos e mexilhóns). A cada momento apareciam ossos que polas suas dimensóns puiderom desde logo pertencer a grandes paquidermos extíntos, e também se atoparom restos de cerâmica. Por último, a presença de um cráneo humano vem a completar a importância, verdadeiramente excepcional, para nós, do depósito a que nos referimos. A pessoa que tivo a sorte de observá-lo, e que por certo non é de todo alheia a esta clásse de conhecimentos, assegurou-nos, que os ossos estabam uns perforados e afundidos como para extraer a médula e outros apresentabam riscos lonxitudinais e sinais evidentes de terem sido raspados com grosseiros úteis de pedra. Chamou-lhe também à atençón a ausência de todo xénero de instrumentos de silex e muito em especial a de carbóns, por mais que seguindo a exploraçón à que lhe brindabam as circunstâncias atopá-se estes últimos noutros xacimentos cercanos, ao que parece non de tanto interése como o de que nos ocupamos, mas sím importântes também, baixo o ponto de vista arqueolóxico. Este “kjoekkenmoedding”, formaba unha franxa non muito extensa, mas de espessor desigual por presentar-se em declíve. Na sua parte superior o corte tinha seis metros e na base um metro

MANUEL MURGUÍA

HEIDEGGER (O SER)

Mais do que dois modos de ser, que remetem para dous mundos ou âmbitos distintos (lóxico e sensível), ideia e substância foram inicialmente apenas “recursos” interpretativos para se referir à manifestaçón do fenómeno (o ser), que se esquiva continuamente. Neste sentido grego, por “ontoloxía fundamental” terá de entender-se, sobretudo, unha teoria das cousas enquanto se manifestam, com toda a dificuldade que isso acarrexa – do qual se referiram xá alguns indícios -, e non enquanto unha mera teoria xeral sobre elas. Ou, por outras palabras, a suposta teoria teria de referir-se mais à manifestaçón das cousas do que ao conceito de ser, sobretudo, porque dizer que o ser é um conceito lóxico-gramatical, para além de ser parcial e estéril – o ser seria o conceito mais vazio -, deixa de fora o problema do ser, a sua questón, aqui entendida xá decididamente como “a da sua manifestaçón”. Daí também que, para Heidegger, a ontoloxia sexa fenomenolóxica, que significa precisamente o que acabou de referir-se – encarregar-se da questón do “manifestar-se” -, e non lóxica, que só prestaria atençón a um modo específico de dita manifestaçón. Por outro lado, a partir do momento em que o fenómeno non diz, por si, expressamente o que é, sendo preciso arrancar-lho através dos recursos da língua, como quando se interroga alguém que tem um segredo, poderíamos nomear essa violência interrogadora como “hermenêutica”, que aqui significa: “segundo o modo da interpretaçón”; um modo que xoga sempre entre o que a cousa interrogada indica por si própria, às vezes enganando, e o que os interrogadores son capazes de reconhecer nela, sem se enganarem. Daí que sexa sempre violento.

ARTURO LEYTE

ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO DE ALDANA)

Aldana, Francisco de (Nápoles?, 1537-1578). Poeta, inxustificadamente ignorado até fái pouco. Escrebeu sonetos de amor sensual, a miúdo em marco pastoril. É autor de poemas relixiosos, como a “Canción a Cristo crucificado”, e mitolóxicos, como a “Fábula de Faetonte”. Atesoura um vigor intelectual atribuíbel à sua formaçón e às suas leituras italianas. A sua aficçón ao neoplatonismo, entón de moda (perceptíbel na sua “Carta para Arias Montano sobre la contemplación de Dios y los requisitos della”, (1577, ed. de Cossío de 1935), e a sua liberdade no tratamento do amor físico (como no soneto “¿Cuál es la causa, mi Damón?”) som também rasgos italianizantes. As suas imáxens e o seu vocabulário eram sorpreendentemente orixinais e moverom a Cervantes a aplicar-lhe o epítecto de “el Divino”. Morreu em Alcazarquivir durante a malograda campanha militar do rei Don Sebastián de Portugal em terras de Marrocos. O seu irmán Cosme editou em Milán, em 1589, “La Primera parte de las obras que hasta agora se han podido hallar del capitán Francisco de Aldana”, e em Madrid, em 1591, a “Segunda parte”. As suas poesías forom editadas por E. L. Rivers em “Clásicos Castellanos” (1957); o seu “Epistolario poético completo” por A. Rodríguez-Moñino (Badajoz, 1946); e as suas “Obras completas”, em dous volûmes, por M. Moragón Maestre (1953).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (COSME DE ALDANA)

Aldana, Cosme de (Valência, s. XVI). Irmán do poeta Francisco de Aldana. Editou a obra do seu irmán despois da morte deste. O mesmo ano que morreu Francisco publicou em italiano um poema: Discorso contra il volgo, in cui con buone raggioni si riprovano molte sue false opinioni (Florencia, 1578), que mais tarde revisou e traducíu com o título de: “Invectiva contra el vulgo y su maledicencia”, reedictado em 1855. Deixou o serviço dos Médici em Florencia e uníu-se ao séquito do Grán Condestábel Velasco em Milán. Escrebeu tantos sonetos adulando ó seu amo que este o despediu despois de insultálo. Escrebeu entón a paródia épica: “Asneyda; obra irrisoria de las necedades más comunes de las gentes”, mas morreu antes de vê-la publicada e os axentes de Velasco a buscaron e destruíron. Hoxe, dá-se por perdida. A única notícia que temos dela, é dada por Suárez de Figueroa no seu “Passagero”. Também foi autor de “Sonetos y octavas… en lamentación de la muerte de su hermano el capitán Francisco de Aldana” (Florencia, 1587).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JOAN ALCOVER I MASPONS)

Alcover i Maspons, Joan (Palma de Maiorca, 1854-1926). Publicou em castelán as suas poesías (1887), às quais seguirom unha série de obras em catalán, entre as que se encontram algúns dos mais belos sonetos escritos nessa fala, como por exemplo “Desolació”. A obra em catalán foi editada como “Poesies completes”. Os seus melhores poemas non som populares, polo refinado estilo que tinha, mas merecia ser mais conhecido pela sua delicada xentil melancolía expressada particularmente nas elexías escritas à morte dos seus quatro filhos e na “La cançó de la balanguera”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (PEDRO DE ALCOÇER)

Alcoçer, Pedro de (Toledo, s. XVI). Historiador. É autor de unha “Historia de la Imperial ciudad de Toledo” (1554), de grande interese pola enorme quantidade de feitos e lendas que recolhe. Também escrebeu unha “Relación de algunas cosas que pasaron en estos reinos desde que murió la reina católica Doña Isabel, hasta que acabaron las Comunidades en la ciudad de Toledo”, que permaneceu inédicta até 1872.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (BALTASAR DEL ALCÁZAR)

Alcázar, Baltasar del (Sevilla, 1530-1606). Foi soldado e poeta xocoso. Os seus versos som lixeiros e humorísticos e nunca considerou que a sua obra merecera ser publicada. O seu amigo Francisco Pacheco preservou algunhas mostras do seu trabalho, em que se combinam a fluidez com a graça e o rítmo. De carácter alegre, merece plenamente a frase de Jáuregui: “non só é superior a todos, senon entre todos singular”. Os seus muitos epígramas forom escritos baixo a influênça de Marcial. Som interessantes no aspecto estilístico, ademais de rebosar intelixência. Os seus sonetos tenhem qualidade e os seus poemas amorosos resultam com frequência exquisitos. Os seus versos mais característicos, som, non obstante, aqueles nos que canta a vida prazenteira, como: “La cena jocosa”. “En Tres cosas me tienen preso”, no qual o poeta eloxia com igual entusiasmo à sua amada, o pernil e as berenxenas recheias com queixo. Reunirom as suas obras, Espinosa (1605); López de Sedano (1776-1778); Estala (1797); De Castro (1854) e Rodríguez Marín (1910).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO JOSÉ ALCÁNTARA)

Alcántara, Francisco José (Haro, Logroño, 1922). Novelista. “La muerte le sienta bien a Villalobos” (Barcelona, 1955) ganhou o Premio Nadal de 1954. Em 1961, a sua “Historia de Esmeralda” (prohibida em Espanha) foi publicada em Alemanha.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALONSO ALCALÁ Y HERRERA)

Alcalá y Herrera, Alonso (Lisboa, 1599-1682). Poeta e mercader. É um contista de considerábel inxénuidade, cuxa principal contribuiçón ó Barroco foi o libro “Varios efectos de amor en cinco novelas ejemplares”. E “Nuevo artificio de escribir prosas, e versos, sin una de las cinco letras vocales, excluyendo vocal diferente en cada novela” (1641). Nesta raríssima obra, “Los dos soles de Toledo” está escrita sem usar a letra “a”; “La carroza con las damas”, sem a letra “e”; “La perla de Portugal”, sem “i”; “La peregrina ermitaña”, sem “o” e “La serrana de Cintia”, sem “u”. Este “novo artifício” xá era conhecido na literatura espanhola a través de um românce que recolhe “La vida de Estebanilho González (1646). Também é autor de “Iardim anagrammatico” (1654), cuxa segunda parte recolhe versos relixiosos em espanhol e o resto está escrito em português e latim; ademais escrebeu “Corona, y ramillete de flores salutíferas; antídoto del alma, consuelo de afligidos y desengaño del mundo” (1682).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JERÓNIMO DE ALCALÁ YÁÑEZ DE RIBERA)

Alcalá Yáñez de Ribera, Jerónimo de (Segóvia, 1563-1632). Estudou medicina em Valência e exerceu em Segóvia. Escrebeu obras menores de devoçón, como Milagros de Nuestra Señora de la Fuecisla (1615) e Verdades para la vida cristiana (1632). Non obstante é conhecido pela sua novela picaresca Alonso, mozo de muchos amos (1624-1626), conhecida em posteriores ediçóns como: El donado hablador.

OXFORD

DAVID HUME (OBXEÇÓN À METAFÍSICA)

Esta é, na verdade, a obxeçón mais xusta e mais aceitábel contra unha parte considerábel da metafísica: que non constitui propriamente unha ciência, mas brota tanto dos esforços estéreis da vaidade humana que quer penetrar em recintos totalmente inacessíbeis à intelixência humana, como dos artifícios das superstiçóns populares que, incapazes de se defenderem lealmente, arquitectam essas sarças enmaranhadas, para cobrir e protexer as suas fraquezas. Afuxentados do campo aberto, estes bandidos refuxiam-se no bosque e esperam, emboscados para irromper em todas as vias desguarnecidas da mente e subxugá-la com temores e preconceitos relixiosos. Até o antagonista mais forte é manietado, se por um momento baixa a guarda. E muitos, por cobardia e desvario, abrem as portas aos seus inimigos e de boa vontade os acolhem com vénias e submissón, como se eles fossem os seus lexítimos soberanos. Um segundo fructo da tentativa de apresentar de outra maneira as ideias do “Tractado” apareceria em finais de 1751: a reformulaçón do libro III, “Da Moral”, sob o título “Investigaçón sobre os Princípios da Moral.” Quando Hume aborda esta obra na sua autobiografia, escrebe: “É, na minha opinión – que non deberia xulgar nesse assunto -, de lonxe, o melhor de todos os meus escriptos, sexam eles históricos, políticos ou literários”. Unha cousa é certa: poucas vezes na história da filosofia se soube unir tán bem a análise rigorosa e a profundidade com a clareza expositiva e a elegância estilística como Hume fez nesta obra, procurando conscientemente desembaraçar a ciência moral – as expressóns som suas – de especulaçóns supérfluas e pondo-a ao alcance de todos os leitores. Enquanto se iam publicando as suas obras e estas iam obtendo o reconhecimento que, sem dúvida, mereciam, também voltou a encontrar o fracasso nunha nova tentativa de obter unha cátedra na universidade, desta vez em Glasgow. Contudo, teve o consolo de obter em Edimburgo a vaga de bibliotecário da Faculdade de Adbogados, o que significava ter à sua disposiçón unha biblioteca magnificamente dotada. Foi assim que conseguiu escreber a sua História de Inglaterra, unha extensa obra cuxo primeiro volume, dedicado à casa dos Stuart, recebeu críticas de todos. Ingleses, escoceses e irlandeses, libres-pensadores e crentes, os dous partidos da época (aos quais poderíamos chamar liberais e conservadores), todos se uniram por unha vez nas suas críticas a Hume, que, no entanto, se considerava o único historiador a ter-se mostrado completamente independente dos poderes constituídos, das autoridades do momento e dos preconceitos populares. Reconhecerá que foi víctima do desânimo e escreverá que: “(…) se a guerra entre França e Inglaterra non tivesse rebentado, certamente ter-me-ia mudado para algunha cidade da província do primeiro destes reinos, teria mudado o meu nome, e nunca mais teria voltado ao meu país natal.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

ANTÓN CHÉJOV (3)

Depois de terminar os seus estudos em 1884, Chéjov exerceu a medicina em diversos hospitais da provincia de Moscovo. Continuou escrebendo e aparentemente nada o distinguía da labor de outros humoristas. Anos despois, quando preparaba a ediçón das suas obras escolhidas, expurgou profundamente estes relactos, ainda que é indubitábel que o trabalho como humorista daquela primeira época constituíu para el um excelente aprendizaxe. “Saber escreber é saber cortar”, sería o seu credo. Em 1886 recebeu unha carta do famoso escritor Dimitri Grigoróvich. Tinha lído por casualidade um relato firmado por A. Chejonté e ficara impressionado pola orixinalidade e sinceridade com que estaba escrito. “…Estou seguro que está destinado a escreber algunhas obras excelentes, realmente valiosas. Cometerá um grande pecado moral se non responde a essas esperanzas. Para isso é preciso respeitar em sí um talento que tán poucas vezes se concede. Deixe de lado o trabalho urxente. Desconheço os seus meios materiais, mas se som escasos, opte por passar fame, como prácticamente todos nós a passamos nestes dias.” Esta carta forzou a Chéjov a recapacitar sobre o futuro e a elexer entre a profissón de médico e a de literato. Decidíu ser escritor e “entrar no terreno do sério”. Assim criou “A Estepa”, publicada em 1888 nunha revista literária. Concebida inicialmente como unha novela que consagraría o seu autor como um escritor “sério”, A Estepa non passa de ser um conto largo que non puido cumprir as expectativas previstas. Mas o que Chéjov consideraba como unha incapacidade para descreber “in extenso” era reflexo da sua visón da vida, concebida como um transcorrer monótono e circular, onde o hoxe é igual que o manhán, e que, por tanto pode resumir-se em poucas páxinas. A Estepa extrai o seu tema das recordaçóns infantís do escritor. Egórushka, o protagonista, vai estudar na capital da província e fái a viáxe num lento carromato. O fío conductor do relacto tem como único enlace a mirada límpida do neno, a través da qual aparece a estepa tinxída por diferentes estados de ânimo. Unhas vezes mostra-se risonha e outras tríste, ainda que sempre se revela como a imaxem perfeita e descarnada do desamparo e da solidón. Com A Estepa, Chéjov iniciou a exaltaçón do conto, xénero que elevará à categoría de grande literatura. E pesse a que a traxectória da sua arte foi sempre em ascenso até alcanzar o virtuossismo, as personáxes que enchem os seus ralatos som bastante semelhantes. Vivem unha realidade obscura, sem horizontes, e quase sempre esta realidade é independente da sua condiçón social. Apenas se diferenciam pola sua maior ou menor capacidade para aceitar o tédio da existência.

R B A EDITORES, S. A. – BARCELONA

ARISTÓTELES (A ESCOLA DO PERÍPATOS)

Ao regressar a Atenas, Aristóteles encontrou unha Academia dirixida por Xenócrates, que xá tinha aspirado ao cargo quando morreu Platón e acabara por suceder a Espeusipo. Apesar de o Estaxirita ter unha boa relaçón com o novo director, os seus interesses intelectuais eram, nesta época, muito diverxentes, pois Aristóteles mostrava-se cada vez mais crítico relativamente à platónica “Teoria das Ideias”. Por isso, descartou a ideia de se incorporar na instituiçón. A decisón estaba tomada: fundaria a sua própria escola em Atenas, o Liceu, também conhecida como a “Escola Peripatética”, no ano 335 a. C., e ali permaneceria doze ou treze anos, Sendo Aristóteles um “meteco” (apesar de soar a algo muito pior, isto só significa que era estranxeiro ou forasteiro), de acordo com a lei ateniense da época non podía comprar terrenos nem imóveis. Portanto, tivo que arrendar os lugares de que necessitaba para criar a sua nova instituiçón. E encontrou-os no Liceu, um ximnásio situado xunto de um pequeno bosque onde habia um templo dedicado a Apolo Lício, daí o nome de “Liceu”, unha denominaçón que, tal como a de “Academia”, se aplicará, a partir de entón e chegará até à actualidade, a muitas instituiçóns, sobretudo dedicadas ao ensino e à cultura. Non debe surpreender-nos que unha escola de filosofia se instalasse num ximnásio. Os ximnásios da antiga Grécia eram lugares dedicados à educaçón, non apenas física, mas também espiritual. Eram como um centro da vida social, onde se encontravam filósofos e cidadáns para trocarem ideias. Por outro lado, ali treinavam os atletas para as competiçóns, que normalmente eram consagradas aos deuses. A palabra “ximnásio” provém do grego “gymnos”, que significa “nudez”, e era habitual realizar o exercício físico sem roupa, para realçar assim a beleza dos corpos dos atletas. As instalaçóns do Liceu incluíam um passeio coberto (perípatos em grego), onde Aristóteles costumava dar aulas e filosofar enquanto caminhava (segundo algunhas versóns, devido a ser propenso a problemas de estômago) só ou acompanhado polos seus discípulos, pois, para o Estaxirita, mostrar e aprender eram dous processos inseparábeis, daí que partilhasse no momento as suas descobertas com os demais e, inclusive, gostasse de levar a cabo algunhas das suas investigaçóns na companhia dos discípulos.

P. RUIZ TRUJILLO