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ROUSSEAU (À MANEIRA COMUM DE PENSAR)

Tal foi o lema seguido por Diderot ao criar o “Google” da sua época, essa “Enciclopédia” para a qual Rousseau redixíu um sem-fim de entradas sobre música e onde publicou o seu interessantíssimo artigo “Economia política”. Como refere Jacques Proust, em “Diderot e a Enciclopédia”, os enciclopedistas som, por encima de tudo, sábios e técnicos libres da maioria dos entráves de um passado esclerótico e que, no seu âmbito próprio, están dispostos a impulsionar qualquer investigaçón e inovaçón tanto quanto for possíbel. “Assim, preparam as bases teóricas e técnicas da revoluçón industrial de princípio do século XIX.” No entanto, Diderot non teria auspiciado com a Enciclopédia apenas esta revoluçón industrial ou a própria Revoluçón Francesa, mas também unha revoluçón mais radical de ordem ética, ao propiciar um conceito de cidadania inspirado por unha moral autónoma e obstinadamente antidogmática. As contribuiçóns técnicas e mesmo filosóficas de Diderot non possuem um valor técnico nem filosófico, salvo num segundo plano. Qualquer artigo de Diderot, à marxem do seu conteúdo, tem como obxectivo primordial modificar a opinión dos seus leitores e, assim, transformá-los em “didadáns mais iluminados”, fazendo prosperar com isso unha revoluçón necessária em matéria de costûmes e no tocante à “maneira comum de pensar”.

ROBERTO R. ARAMAYO

¿NECESITA O CAPITALISMO AS CRISES PERIÓDICAS?

Xá agora, podemos aproveitar este artígo, que foi feito para mitigar o sofrimento dos nossos amigos-amigas demasiado crédulos-crédulas e necesáriamente coniventes com o sistêma, para celebrar também os mil seiscentos artígos do nosso Pomar de Guillade. Esta é, unha importante pergunta, que hoxe mais que nunca, úrxe prantexar: ¿Necesita o Capitalismo, para a sua renovaçón ou sobrevivênça, inventar crises, guerras ou pestes continuadas? Entraremos, actualmente, nunha espiral incontrolada de “Canivalismo Económico”, em que é o próprio Leviatán ou Saturno, quem devorarám os seus incondicionais filhotes? Será, talvés, unha nova forma de “Pirataria”, que acabará monopolizando os medicamentos todos, ainda que isto nos poida parecer (aos que non estámos totalmente integrados no sistêma), algo éticamente monstruoso. Para espécular com eles e arrecadar inconfesábeis ganhos, ou superlativos roubos? Aquí quedam, todas estas titubeantes questóns, sobre o andamento actual da carruáxe política dos novos tempos. Nom acreditem, pensem! Pensem!! Todos xuntos!!! E, como dí o refrán: “para grandes males, àgua e xabón”.

Léria Cultural

PLOTINO (A IMINÊNCIA DO FIM DO MUNDO)

Neste contexto, e para entender até que ponto o ascetismo plotiniano non é simplesmente unha mania, mas um sintoma do seu tempo, pode ser muito útil completar o quadro da sua personalidade e quam significativa é a sua orixem com os avatares históricos que o rodearam. A Plotino calhou-lhe viver unha época que quase poderíamos qualificar de apocalíptica. Se algunha vez existiu a consciência de que o fim do mundo desabava sobre unha grande civilizaçón, foi provavelmente o século III da nossa era aos olhos de um habitante do mundo greco-romano. Tanto assim é que o período do Império Romano que vai de 235 a 268 é conhecido como “a grande anarquia”, embora sexa verdade que a desastrosa herança provinha xá do século anterior, com o reinado de Cómodo (180-192) e a monarquia militar dos Severinos (193-235). Ambos os governos tinham causado danos irreparáveis na aparatosa maquinária político-militar de Roma. Como consequência, o panorama político a que Plotino assiste ao longo da sua vida é desanimador. Nas fronteiras, cada vez é mais difícil conter xermanos e persas, e começa a tornar-se visíbel que, mais tarde ou mais cedo, os bárbaros penetrarám em tropel polas costas norte e leste do Império, respectivamente. No interior, a situaçón é igualmente ruinosa: um Estado na bancarrota paga a sua péssima xestón asfixiando os cidadáns com impostos enquanto os candidatos ao trono imperial enfrentam sanguinárias conspiraçóns, o que se traduz em imparábeis sucessóns de assassinatos de senadores que, por sua vez, motivam revoltas e sediçóns nas lexións. Como se isso fosse pouco, surtos consecutivos de peste assolam Roma e as suas províncias, agudizando a ostensiva míngua da povoaçón. Finalmente, unha terra de cultivo esgotada provoca fames e agrava a crise económica. Perante este aziago panorama, non é de estranhar que muitos cidadáns com um mínimo de desafogo económico renunciassem à política para se refuxiarem em ocupaçóns de tipo contemplativo, como o culto relixioso ou o estudo da natureza dos seres divinos e da vida depois da morte. Este é precisamente o caso de Plotino, mas também o de muitas escolas filosóficas da época cuxa actividade xá versava quase inteiramente sobre questóns relixiosas e teolóxicas (isto é, acerca do vínculo causal entre Deus, o mundo e os seres humanos).

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

AS EQUAÇÓNS DE MAXWELL (F-43)

Esse éter hipotéctico seria o meio através do qual se propagariam as ondas electromagnéticas tal como o som se propaga polo ar. Se o éter existira, habería um standard absolucto de repouso, o repouso com respeito ao éter, e polo tanto também unha maneira absolucta de definir o movimento. O éter proporcionaría um sistema de referência preferido a través de todo o universo, com respeito ao qual se poderia medir a velocidade de qualquer obxecto. Assím, a partir de bases teóricas postulou-se que o éter existía, cousa que fixo que vários científicos se dispuxeram a buscar unha maneira de estudá-lo, ou, ao menos, de confirmar a sua existência. Um destes científicos foi o próprio Maxwell. Se corremos com respeito ó ar até unha onda sonora, a onda acercase-nos a maior velocidade, e se nos alonxamos dela nos alcanza mais lentamente. Análogamente, se existira um éter, a velocidade da luz variaría segundo a nossa velocidade com respeito ó éter. De feito, se a luz se comportara como o fai o som ocurriría que, assím como os que viaxam em avión supersónico nunca ouviriam ningúm som emitido desde a zona posterior do avión, os viaxeiros que correram com suficiente velocidade com respeito ao éter deixariam atrás unha onda luminosa. Basándose nestas consideraçóns, Maxwell suxeríu um experimento: Se exíste um éter, a Terra debería estar movendo-se respeito a el à medida que xira ó redor do Sol. E como a Terra avanza nunha direçón diferente em Xaneiro que, digamos, em Abril ou em Xulho, deberíamos ser capazes de observar unha minúscula diferênça na velocidade da luz em diferentes épocas do ano – vexa-se a figura -.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

ESPINOSA (PARADOXO DO ATEU ÉBRIO DE DEUS)

Citemos, por exemplo, Curley: “O estilo de apresentaçón axiomático de Espinosa non proporciona, na verdade, a clareza que este pretendia. É habitual que as definiçóns pareçam obscuras, e é frequente que os axiomas non sexam evidentes, que as demonstraçóns sexam com frequência pouco convincentes”. De seguida, acrescenta: “E, no entanto, custa muito abstrair-se da sensaçón de que aqui há algunha cousa pola qual vale a pena fazer um esforço para tentar compreender, algo que, se estiver certo, tem unha enorme importância, e algo que, muito possivelmente, está certo”. Esta é a sensaçón de todos aqueles que leram a “Ética”. É extremamente difícil, non atinxe nem de lonxe a perfeiçón formal a que aspira com o método xeométrico, e o leitor tem de preencher activamente muitas dessas lacunas. Ainda assim, vale a pena o esforço. Paradoxo do ateu ébrio de Deus: Unha das palabras que mais aparece na Ética é Deus. O poeta alemán Novalis escreveu que Espinosa estaba “ébrio de Deus”. Mas o filósofo holandês é considerado por muitos um pensador ateu (“sem Deus”). Como é evidente, nas diversas apreciaçóns existem abordaxens diferentes da concepçón de Deus.

JOAN SOLÉ

ESCRITORES HISPÂNOS (MATEO ALEMÁN)

Alemán, Mateo (Sevilla, 1547-1615). Novelista. Filho de um médico xudeo adscrípto à prisón de Sevilla. Estudou medicina em Salamanca e Alcalá. Foi encarcerado por dívidas em 1580, 1594 e 1601. Viaxou a Nueva España em 1608, com o seu protector o arzobispo García Guerra, cuxa biografía publicou em 1613, baixo o título de “Sucesos de Fray García Guerra, Arzobispo de México”, que contem interesantes informaçóns sobre a vida da Colónia. Outras obras menores som a biografía “San Antonio de Padua” (1603) e “Ortografía castellana” (1609). É mais conhecido como o autor do “Guzmán de Alfarache”, popular novela picaresca, que publicou em duas partes: a primeira em Madrid (1599) e a segunda em Lisboa. Com ela contribuíu a difundir a figura do pícaro na literatura europeia. É unha dígna sucesora do “Lazarillo de Tormes”, a pesar de que nela aparece xá um fundo moralista, alheio ós melhores acertos do xénero.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (VERSOS ALELUIAS)

Aleluias, versos que se imprimem baixo algum grabado ou ilustraçón. Num princípio forom de temática relixiosa, mas pronto se secularizarom. Proliferarom desde finais do século XV até ó século XIX. A sua importância, como vehículo de informaçón foi visceral, para entender o alcance da cultura popular em etapas nas que o libro era património das elítes.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (O VERSO ALEXANDRINO)

Alexandrino, verso composto por dous hemistiquios de sete sílabas cada um. Non debe ser confundido com o alexandrino françês, que tem doze sílabas, nem com o português, que tem treze. O alexandrino debe o seu nome a Alexandro o Grande, pois as suas façanhas épicas e as suas lendas forom celebradas neste metro, no “Libro de Alexandre”, no “Libro de Apolonio” e o “Rimado de Palacio” do canceler López de Ayala, forom escritos também em alexandrinos. Um dos primeiros cultivadores de este metro foi Gonzalo de Berceo. Rubén Darío modificou lixeiramente a estructura do verso, acentuando as sílabas terceira e sexta de cada hemistiquio, como na sua famosa “Sonatina”: “La princesa está triste… ¿Qué tendrá la princesa? / los suspiros se escapan de su boca de fresa, / que ha perdido la risa, que ha perdido el color…”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (VICENTE ALEIXANDRE Y MERLO)

Aleixandre y Merlo, Vicente (Sevilla, 1898). Estudou em Málaga e sacou a carreira de adbogacía em Madrid. A sua delicada saúde afastou-o das clásses. A partir de 1925 dedicou-se plenamente à poesía. Os seus primeiros versos aparecerón na Revista de Occidente, que dirixía José Ortega y Gasset. Formou parte da xeraçón do 27. No seu primeiro libro, “Ámbito” (1928), apercebe-se a influênça de Jorge Guillén e a de Salinas, os quais também figuram no movimento do 27. Aleixandre utilizou o surrealismo em “Espadas como labios” de 1932, em “Pasión de la tierra” (1935), “La destrucción o el amor” (1935, Premio Nacional de Literatura) e “Poemas paradisíacos” (1942). A crítica considera “Sombra del paraíso” (1944) como a sua melhor obra. Foi eleito membro da Real Academia Española em 1949. Escrebeu também “Mundo a solas” (1950), “Nacimiento último” (1953), “Historia del corazón” (1954); um libro de lembranças sobre personalidades literárias titulado “Los encuentros” (1958) e, em adiçón às suas “obras completas” (1960), “En un vasto domínio” (1962) e “Retratos con hombre” (1965). Finalmente, depois da segunda ediçón das suas “Obras completas”, publicadas em 1968, viron a luz “Poemas de la consumación (1968), “Antología del mar y de la noche” (1971), “Poesía superrealista” (1971), “Diálogos del conocimiento” (1975). A última ediçón completa da sua obra recolhe-se em “Antología total” (1975). Ao igual que outros poetas surrealistas, a leitura de Aleixandre é difícil ó princípio, mas é um poeta preocupado polos problemas fundamentais da existência e do home mesmo e exercéu com a sua obra unha importante influença na poesía espanhola deste século. Em 1977, foi-lhe concedido o Premio Nobel. As suas “Poesías completas” forom publicadas em 1975.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (FERNANDO ALEGRÍA)

Alegría, Fernando (Santiago de Chile, 1918). Novelista, poeta, crítico literário. O seu poema vanguardista “Instrucciones para desnudar a la raza humana” foi traducido a várias falas e foi ilustrado polo célebre pintor chileno Matta. Estudou nos Estados Unidos, onde posteriormente impartíu cursos sobre literatura, especialmente na Universidade de California. Ganhou o prémio literário Farrar e Reinhart pola sua novela “Lautaro: joven libertador de Arauco” (1943). Anteriormente tinha publicado “Recabarren” (1938), biografía do fundador da Federación Obrera Chilena; socialista e depois comunista, que se suicidou em 1925. Publicou também unha novela curta, “Leyenda de la ciudad perdida” (1941); unha novela política sobre a corrupçón política do Chile: “Camaleón” (1950); unha série de contos políticos, “El poeta que se volvió gusano” (1956) e “Caballo de copas” (1957), novela picaresca situada em San Francisco. Aparte de numerosos artígos sobre literatura chilena, Alegría publicou “Ideas estéticas en la poesía contemporánea” (1939); “Ensayos sobre cinco temas de Thomas Mann”; “Walt Whitman en Hispanoamérica” e “La poesía chilena: origenes y desarrollo del siglo XVI al XIX”. Nos últimos anos escrebeu “Literatura y revolución” (1971) e a novela “Amerika, Amerikka, Amerikkka” (1970). Publicou ademais “El paso de los gansos” (1975).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CIRO ALEGRÍA)

Alegría, Ciro (Huamachuco, provincia de Péru, 1909-1967). Novelista. Foi educado em Trujillo; sendo discípulo de César Vallejo. Como consequência da sua militância no partido Aprista negou-se-lhe a possibilidade de terminar os seus estudos universitários e foi arrestado várias vezes. Finalmente, foi exilado em Chile a partir de 1934. A sua triloxía sobre a opresón dos indios continua, a muito alto nível, a obra de Clorinda Matto de Turner. “La serpiente de oro” (1935, Premio Nacimiento) foi traducida a variadas falas. A sua primeira novela da triloxía, trata de um poboado indio ubicado nas marxêns do rio Marañón e foi escrita quando Alegría trabalhaba como xornalista em Chile. Enfermou de tuberculose em 1936 e durante a convalescência escrebeu “Los perros hambrientos” (1938). A sua melhor novela é “El mundo es ancho y ajeno” (1939). Escrebeu também “Duelo de cabalheros” (1963) e “Lázaro” (1973). Alegría foi professor da Universidade de Puerto Rico. A importância de Ciro Alegría é dupla: por um lado, foi um grande artísta, polo outro, foi um pensador que acreditou e sostívo que os indios peruanos son capazes de decidir o seu próprio destino, presente e futuro. Os seus libros acompanham a tradiçón de Enrique López Albújar e prefiguram ao grande novelista peruano José María Arguedas.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (BERNARDO JOSÉ DE ALDRETE)

Aldrete ou Alderete, Bernardo José de (Málaga, 1565-1641). Antiquario. Foi dignidade da Catedral de Córdoba em 1614. distingue-se polo seu elegante estilo, vertido em estudios linguísticos e sobre antigüidades: “Del origen y principio de la lengua castellana o romance que hoy se usa en España” (Roma, 1606) e “Varias antigüedades de España, África y otras provincias” (Amberes, 1614).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (IGNÁCIO ALDECOA)

Aldecoa, Ignácio (Victoria, 1925-1969). Novelista e contista está considerado por alguns críticos como o escritor mais importante da segunda xeraçón da post-guerra, a de 54, da mesma maneira que se considera a Cela o melhor da primeira. Casou com a novelista Josefina Rodríguez. Despois de escreber dous libros de poemas, “Todavía la vida” (1947) e “Libro de las algas” (1949), dedicou-se à novela. Afirmou da sua xeraçón literária: “Non escrebemos lbros sobre libros, non somos discípulos de ninguém e tampouco queremos influir em ninguém. Seguimos um caminho: a novela da realidade e o lirismo na Espanha de hoxe”. A sua primeira novela, “El fulgor y la sangre” (Barcelona, 1954), explora a realidade da Espanha a través dos recordos de cinco mulheres casadas com guardias civiles, que están atados ao seu quartel nalgum lugar de Castela pois “foron traídos ao mundo com o propósito de cumprir com o seu deber”. O autor dixo que estaba convencido de que había unha realidade espanhola à vez dura e terna que non tinha sido expressada na narrativa, deficiência que el tratou de encher mergulhando nos aspectos menos pintorescos e menos prazenteiros da vida espanhola que o turista, por exemplo, prefere non ver. As outras duas novelas da triloxía “La España inmóvil” tratan de ciganos: “Con el viento solano” (Barcelona, 1956), e do mundo taurino: unha novela escrita em 1958, que permanece inédicta, “Los pozos”. Escrebeu também “Gran Sol” (Barcelona, 1957) e “Parte de una historia” (Barcelona, 1967). Novelas curtas e contos, “Vísperas de silencio” (1955), “Espera de tercera clase” (1955), “Caballa de pica” (1961), “Arqueología” (1962), “Neutral córner” (1962), “Pájaros e espantapájaros” (1963) e “Los pájaros de Baden-Baden” (1965). Escrebeu dous libros de viáxes, “Cuaderno de Godo” (1961) e “El país vasco” (1962).

OXFORD

LEIBNIZ (DA DIPLOMACIA À VERDADEIRA POLÍTICA)

O verdadeiro motivo da viaxe de Leibniz a França, que termina em París em Março de 1672, é unha missón diplomática muito concreta. Perante a ocupaçón francesa da Lorena, em Septembro de 1670, e da ameaça da Holanda, Boineburg, que também tinha motivos pessoais para querer procurar o favor do rei françês, tinha encarregado Leibniz de apresentar pessoalmente na Corte francesa um memorando que convencesse Luís XIV a renunciar a declarar guerra à Holanda (a Flandres espanhola), em troca de unha espécie de cruzada contra o reino musulmano do Exípto. Leibniz trabalhou mais de um ano em segredo a escreber alguns rascunhos e outros tantos resumos do proxecto. O plano de conquista do Exípto era um proxecto que vinha de lonxe, pois xá no início do século XIV o veneziano Marino Canto tinha suxerido ao Papa empreender unha cruzada contra os infiéis para afastar os conflictos internos do solo europeu, mas só Napoleón acabará por materializá-lo (1798), embora nem todos os estudiosos de Leibniz defendam que o imperador françês conhecia o escrito leibniziano antes de levar a cabo a sua campanha. Apesar de tudo, a orixinalidade do plano de Leibniz consistia em demonstrar à França que com a conquista do Exípto conseguiria o seu verdadeiro obxectivo, a destruiçón da Holanda, mas em vez de atacá-la directamente, iniciando unha guerra dispendiosa e de resultados incertos, debia arruinar o país vizinho, paralisando o seu comércio, que era a sua principal fonte de riqueza; ao conquistar o Exípto, passaria a controlar a única via de comércio entre a Ásia e a África, que era fundamental para o empório económico holandês, sem esquecer a possibilidade da abertura de um canal que facilitaria o comércio da Ásia com a Europa; embora o sonho de abrir unha passaxem desde o mar Vermelho até ao mar Mediterrâneo xá vinha da época faraónica, na qual se chegou a abrir unha primeira passaxem entre o rio Nilo e o mar Vermelho (“canal dos faraóns”), só em meados do século XIX é que tal empresa foi levada a cabo pola man de Ferdinand de Lesseps. O resultado foi o Canal do Suez, inaugurado em 1869. Leibniz propunha unha estratéxia militar e comercial bastante inovadora para a época, apoiada, além disso, por múltiplos argumentos metafísicos e teolóxicos; mas o ponto fraco da sua proposta – como o próprio Leibniz reconhece – está no facto de que para concretizar a sua empresa era preciso unha marinha forte, e Luís XIV non a tinha. Além de contribuir para outro obxectivo político, tal como obrigar a Turquia a deslocar a sua força militar do cenário europeu para o africano, o proxecto tinha sobretudo unha virtualidade filosófico-política: Leibniz concebia a acçón europeia sobre outros continentes como unha forma da progresso e de contribuiçón para um maior bem-estar xeral. Num capítulo posterior voltaremos à questón da luta entre o eurocentrismo e o cosmopolitismo na obra leibniziana.

CONCHA ROLDÁN

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (HESÍODO)

“Quem poderia falar o bastante alto sobre a aprendizaxe da arte de escreber?”, pergunta o historiador Diodoro. “Por este só meio os mortos falam aos vivos, e através da palabra escrita os que están muito separados no espaço comunicam-se com aqueles que están lonxe como se foram vecinhos”. O quarto de milénio entre 730 a. C. e 480 a. C. na Grécia foi um período no qual a alfabetizaçón vem a ter efeitos a largo prazo na literatura, facendo possíbel unha rede infinitamente complexa de relaçóns entre autores alonxados uns dos outros no tempo, o espaço ou ambos, e permitindo o desarrolho de unha única cultura literária unificada, à qual as diferenças locais só aportarom riqueza. Pois non é coincidência que, à medida que se estendeu a alfabetizaçón, se deu unha consciência crescente de identidade nacional, o helenismo universal de todos os que falavam e escrebíam a fala comúm. Este acontecimento capital, a reinvençón da escritura, foi em si mesma, mais ainda, só um elemento entre muitos dentro do grande relanzamento da Grecia, que vêm do redescubrimento de um mundo mais extenso tras séculos de ailhamento – séculos que, seguirom ao colapso da cultura micénica escrita entre 1200 e 1100 a. C., tinham esquecido todas as belas artes e delicadas técnicas da Idade do Bronce, reducíndo-se tudo o que quedara ó recordo das grandes façanhas e dos grandes heróis, entronizados nas formas tradicionais da poesía oral e cantados aos precários estabelecimentos de refuxiados da franxa costeira da Asia Menor-. Tem sentido começar um estudo do período alfabetizado da Grécia por Hesíodo, non porque haxa a menor certeza de que fora um poeta alfabetizado – de feito há muito que dizer em quanto a que trabalhara na tradiçón da poesía oral formulária que estaba estreitamente emparentada com a de Homero -, senón porque fixo algo novo e individual que sinalaba o caminho que habia de tomar a poesía grega posterior. Pois mentras Homero mantém a sua própria personalidade enteiramente separada da sua poesía e non proporciona clave algunha de ningúm acontecimento dactábel com o qual se puidéra relacioná-lo. Hesíodo é o primeiro poeta europeo que se apresenta dentro da sua obra como um individuo com um papel característico que representar. E em “Os Trabalhos e os Dias” dá o importante passo de abandonar a narrativa tradicional com o seu fundo de temas e escenas estabelecidos, em benefício de um poema com argumento, talvez utilizando modelos da cultura do Oriente Próximo como inspiraçón (ainda que non podemos assegurar que os poetas gregos non tiveram empreendido xá a composiçón de literatura erudicta deste tipo). Ó combinar a forma e o estilo tradicionais com um “tôn de voz” altamente individual e ó extender o alcance das funçóns do poeta, Hesíodo estabeleceu o modelo do que chamamos equívocamente poesía grega “arcaica”, a literatura de um período de expansón territorial por meio da colonizaçón, de rápido câmbio social e de sofisticados experimentos artísticos.

P. E. Easterling e B. M. W. Knox (eds.)