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HUSSERL (FENOMENOLOXIA PURA E FILOSOFIA FENOMENOLÓXICA)

A fenomenoloxia nunca chega a encarar como realmente natural a actitude que o libro programático de Husserl, o primeiro volume das “Ideias para unha Fenomenoloxía Pura e unha Filosofia Fenomenolóxica” (1913), estigmatizou como “actitude natural” por nela ver unha modalidade sumamente arraigada e profunda de erro, e vendo as cousas de perto, de mal moral, de infelicidade e de carência de beleza. O que motiva a abstençón filosófica tem de ser algo que xá existira antes dela; logo, é impossíbel desprezar tudo o que exista antes, deste lado da abstençón, como se fosse sempre falso, mau, infeliz e feio. Mas antes da libérrima abstençón fenomenolóxica (em grego, di-lo-ei por fim, diz-se “epochê”, isto é, época, no sentido, por exemplo, da nossa expressón “marcar unha época” – algo “marcar unha época” quando o devir da história como que, por um momento, nele se detivesse) o que existe somos eu mesmo e a realidade alheia (a que non tem vida e a que tem e, possivelmente, o Absolucto também). A questón é, portanto, se há em mim e só em mim, ou se há na realidade alheia e só nela, ou se se encontra em ambos os lados, o que de verdadeiro, bom, doce e belo non só motiva a mudança radical de actitude, mas também se conserva e passa através dele. E, a propósito, Husserl consideraba esta mudança de actitude tán radical – vimos que non lhe faltaba razón – a ponto de poder dizer que é algo muito mais taxativo e mais poderoso do que, por exemplo, unha conversón relixiosa. Afinal de contas, as conversóns relixiosas superficiais – unha brutal contradiçón de termos – non fazem de alguém filósofo… A única resposta possíbel à nossa pergunta é que tem de haber algo verdadeiro e bom no suxeito da abstencón, claro, porque esta é unha decisón perfeitamente libre que em princípio, somente a ele compromete; mas que também o há na irrupçón do misterioso real na vida, e que inclusivamente o há também nas camadas mais humildes do mundo e até nas nada problemáticas. É verdade que este bom, verdadeiro e gozoso que chama a atençón e interessa ao ser humano do berço à sepultura non pode, por si só, torná-lo filósofo, nas suas modalidades mais básicas. Para isto, é preciso que haxa problemas e que haxa acontecimentos do que tenho vindo a designar como aporético e misterioso. Sem as decepçóns, que começam por casos como os do exemplo da criança absorta nos bonecos musicais, isto é, sem ter de resolver problemas e sem ter, além disso, de enfrentar mistérios, o afán de verdade e bem non se purifica e non se agudiza.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

OS DOUS MALATESTAS

Intentámos, com este despropositado artigo “Dos dous Malatestas”, celebrar os mil novecentos do nosso soberbo “Pomar”. Non é que o nosso Malatesta, estivéra mal da testa, polo contrário, tinha as ideias muito bem arrumadas. Tratába-se de um apelido familiar, e como xá sabemos, a nossa liberdade non contêmpla a escolha da família. Apesar deste desprestixiante apelido familiar, era um poeta de fortes convicçóns, que non renunciaba pôr em práctica as suas ideias, e desarrolhar as potencialidades da sua vida. Acçón directa, radical e libertadora. E. non duvidaba expor a sua vida, para favorecer o bem comúm. Som homes como este, que necessitamos como sócios, para melhorar o mundo. Se tivéra habido muitos Malatestas, non andaríamos com a cabeza tán baixa, nem com o cú ó aire por aí adiante. Nem seríamos súbditos desta monarquía bananera, mas seríamos unha Confederaçón Helvética, rica e confiante no futuro, com relóxios de cuco velando os nossos sonhos. E, sobretudo, non uns “cabecitas locas”, andando por aí ao “tun-tun” como cataventos de Dios, nem faría falta que nos asobiáram para beber àgua. Mas, non é deste Malatesta que queremos falar agora, mas doutro malandro estrafalário que conhecemos em Lisboa. Resultará unha diabólica confusón de personáxes, para a qual pido prudência aos nossos sufrídos leitores, à hora de ler este conto completamente destrambelhado. Necessário será reconhecer, que este nosso amigo estaba um pouco (muito pouco) alterado polas fúrias da vingança, debido a uns paulazos no lombo e na cabeça, que lhe administrára um “honrado” taberneiro de configuraçón galega, baixo e quadrado, e com as forzas puxadas polo rude trabalho, que lhe baixarom os fumus de golpe ao nosso desafortunado amigo. E, ademais, o seu relóxio e as suas gafas, desaparecerom como por milágre. O malandro, maliciosamente insinuába, que a Dona Maria do Nascimento, lhe tinha apalpado o cú. Cousa que, duvido, non porque ela non fora capaz disso e de muito mais, pois tratando-se de xuntar os trapinhos com xente nova, era capaz de tudo. Aquí, falando entre nós, eu é que non som de alternar com as minhas inquilinas, pois considero que isso é um críme económico gráve. Bom, chegamos a recomendar-lhe, que dada a atraçón pessoal existênte entre âmbos, mandara a Maria com unha garrafa de butano, xá com a mecha acendida às costas, na direcçón do maldito bar para entregar ao funêsto taberneiro. Mas. o nosso Malatesta, era home contumáz, pertináz, e afortunadamente relápso. Na busca da vinganza, non duvidaba incluso em utilizar as autoridades competêntes, para achandar o terreno. Como consequência de tudo isto, acabámos nunha comisaría de polícia, perto de Santa Apolónia. E, foi só aí, que eu me dei conta, onde fora o “horizonte de sucésos”. “O Largo do Torreirinho”, nada mais, que a Meca de todos os malandros de Lisboa! Persiguenei-me três vezes. E, três vezes, dixem. Dá graças por estáres vivo! Quem se mete, em semelhante lugar? Non merece outra cousa! Apesar de todos estes abatáres, todos conservamos unha gráta lembranza desta época da nossa vida, e das demoradas discusóns filosóficas, mantídas em alta voz (para descrédito do pobo espanhol, diante dos recatados portugueses). Ainda hoxe me acordo do debate mantído na Ordêm dos Médicos (de Luís Suspiros) e também no Restaurante Coelho, esta ainda mais escandalosa que a anterior. Mantinha o nosso Malatesta II, unha curiosa teoría, que hoxe xá passados os anos, non logrou borrar-se da minha memória elefântina: “el, era um Suêvo, grande e inmóbil. Nós, eramos uns Visigodos, pequenos e irrequiétos”. Grandes, ruidosas e demoradas paléstras filosóficas, tán autênticas como a vida mesma.

LÉRIA CULTURAL

CANCIONEIRO D’AJUDA (CCXXXIII)

Amigos quero vos dizer

mui gran coitan que me ten a

mui gran coitan que me ten

ua dona que quero ben e que

me faz en sandeçer. e catando

pola veer. Assi andeu assi an-

deu assi andeu assi andeu assi

andeu.

E ia meu consello non sei

Ca ia omeu adubad e

e sei mui ben per boa fe

que ia sempr assi andarei

catando se a veerei

Assi andeu assi andeu

E ia eu non posso chorar

ca ia chorandensandeçi

e faz mia mor andar assi.

como me veedes andar

ca tando per cada logar.

Assi andeu assi andeu

.

E ia o non posso negar. alguen

me faz assi andar.

CANCIONEIRO DA AJUDA (CCXXXIII)

HEGEL (O CAN MORTO ABRE UM OLHO…)

Há meio século, René Cresson, excelente professor de filosofía nunha escola francesa, descrevia um viaxante que, fascinado, avista ao lonxe as torres simétricas de unha catedral gótica, e que, ao aproximar-se, descobre com tristeza que os sólidos muros eram apenas cenários montados com enxenhosos recursos de teatro de ópera. Tal como a víctima desta miráxe da catedral, muitos leitores de Hegel – no seu tempo deslumbrados com o seu sistema – acabariam por ser alérxicos até mesmo ao nome do pensador, Daí a metáfora do animal contaminante do qual convém non aproximar-se. Na perspectiva dos seus detractores as únicas razóns para incitar à leitura de Hegel, seriam quase profilácticas: ler Hegel, diz Bertrand Russel, poderia constituir unha espécie de vacina para se inmunizar contra unha determinada práctica da filosofia. A autêntica ascese que implica a imersón na “Fenomenoloxia do Espírito” e, sobretudo, na “Ciência da Lóxica”, implica apostar realmente em encontrar aí o absolucto a tornar-se efectivo; no entanto, após a inevitábel decepçón, o espírito ficará prevenido para sempre e xamais abraçará aquilo que non tiver passado antes pola proba da confrontaçón, quer sexa com a realidade empírica quer com postulados e axiomas lóxicos partilhados pola comunidade filosófica e científica. “Tal como os médicos aprendem unha série de cousas sobre a saúde ao estudarem doenças, também nós podemos aprender muito acerca da saúde filosófica ao estudarmos Hegel”, escreve um estudioso particularmente acutilante, que tem o prazer de citar Santayana, para quem Hegel seria o caso paradigmático de egotismo, que consiste em conciliar as cousas com as palabras e non ao contrário. Porém, este cán morto tem unha estranha característica: o seu enterro entre pestilências repete-se ciclicamente. Na verdade, a nossa víctima da peste teve múltiplos renascimentos, sem deixarmos de lado a possibilidade de o momento em que vivemos ser um deles.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

GALLEIRA (18)

Nón serán estas comarcas montanhosas e esquecidas as únicas que na Galiza conservem tais monumentos e lembrânças. Outras tán ásperas serras, e outros tán retirados lugares, como os que acabamos de mencionar guardarám intáctos todavía os restos das suas primitivas fortificaçóns e as vivas pegadas de que a xente à qual debemos patria, fala, tradiçón, poesía, quanto constitui o nosso passado, tudo quanto é vida da vida deste pobo. Encontrámo-lo alí onde o Narahío passa silencioso por entre as rochas e prantíos e bosques seculares; vexámo-los agora naquela outra rexión montanhosa e solitária onde o Ézaro, ao precipitar-se no caudal das suas àguas sobre o Oceâno, forma a incomparábel cascada do seu nome. E, perto dela, ouvindo o bronco rumor da corrente que se despenha desde a altura sentindo brilhar no horizonte a extensa linha do mar que rompe nunhas praias, que o mundo antigo acreditaba ser o último confín da terra, eleva-se o monte Pindo com os seus cinco colhados cobertos de árbores e malezas, cheios de frescura e tán fermosos como aqueles outros da Grécia, farto gratos às Musas. Ven-se aquí e alí grandes bloques de granito, muitos com sinais do seu primitivo destino relixioso. Entre eles unha enorme rocha vacilante, que os homes sacarom do seu sítio, temerosos de que se desprendera um día e, causa-se danos irreparábeis. O Padre Sarmento, que visitou estes agréstes lugares a meiádos do século passado, afirma que no colhado que mira cara ó despenhadeiro do Ézaro elevába-se um antigo edifício, e que ouvío dizer a um rústico, que era a imitaçón da Torre de Hércules da Coruña, e que había alí “ruínas de edifícios, xardins e calzadas, tudo de silhares”. Opinaba, em vista disto, que podía ser um faro -opinión que ainda hoxe sostenhem alguns, – mas resulta impossíbel, para nós: melhor seríam restos de unha torre dos tempos medievais, para vixiar a costa, á maneira das que ainda podem ver-se desde Cambados a Carril, tanto, que ainda conserva o nome de “Torre Fiel”, nome farto significativo como se verá quando se trate da mitoloxía galega. Os que conhecem a localidade, aseguram que se atopam por aqueles paráxes, abertas em algunhas rochas, inscripçóns muito curiosas cuxas letras com desconhecidas: non as letras, senón a sua leitura, é o que resulta difícil, e em ocasións também o mesmo sentido, como sucede na que temos e ofertamos mais adiante, que parece unha excomunhón e alude sem dúvida a prácticas xentílicias, ou aos habitantes de um castelo, que alí púido existir. Tal vez o que a muitos lhe parecem restos de um faro, non sexam senón os desta fortaleza.

MANUEL MURGUÍA

A BUSCA DA SUBSTÂNCIA MATRICIAL

No terceiro capítulo do segundo libro da “Metafísica”, que pode ser considerado como a primeira história da filosofia e talvez também a primeira história da ciência, Aristóteles diz-nos que os primeiros pensadores apenas tratabam das cousas a partir da perspectiva do seu princípio material (vexa-se caixa da páxina seguinte). Situemos a afirmaçón no seu contexto. Aristóteles acaba de nos dizer que, para constatar a existência dos seres, é preciso considerar-se quatro causas. Como no caso de unha cadeira normal: a madeira que a constitui sería a sua “causa material”, o carpinteiro que trabalha a madeira sería a “causa eficiente”, a “causa formal” é a ideia ou o conceito de cadeira, que preexiste na mente do carpinteiro e que se “materializa” mediante o trabalho deste, e, por último, a “causa final” é a funçón para a qual está destinada a cadeira e que, em princípio, a constitui. Em certa medida (sobretudo se nos ativermos às entidades artificiais), Aristóteles aponta aqui o problema, que mais acima esbocei, sobre a relaçón e a eventual prioridade entre o que na cadeira procede do intelecto (a ideia, conceito ou forma) e a matéria que percebemos através dos sentidos. Na sua opinión, os primeiros filósofos apenas tiveram em conta a “causa material”, isto é, partiram da percepçón imediata através dos sentidos e ocuparam-se em determinar a essência daquilo que era percebido. O leitor, talvez obrigado nos seus anos de escola secundária a memorizar dinastias de filósofos, como se memorizasse a dinastia afonsina ou a de Bragança, dirá que falta aqui polo menos um. E é, de facto, surpreendente que, entre Tales e Anaxímenes, Aristóteles non situe a Anaximandro, dada a relevância que lhe foi outorgada por historiadores, non apenas do pensamento filosófico, mas também (como vimos) do pensamento científico. Falta um ou outro nome de primeiríssima importância, como é Parménides, que, no entanto, será mencionado por Aristóteles nas páxinas seguintes. Mas vamos aos que están ou, melhor dizendo, a unha parte dos que están, polas razóns óbvias que derivam das características deste libro. Reparemos que, com a excepçón do siciliano Empédocles de Agrigento (nascido por volta de 495 a. C.), e Hipaso, também oriundo da Itália meridional (por volta de 500 a. C.), todos os mencionados som oriundos da costa da Anatólia.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO

Em primeiro lugar, para que o leitor estexa aquí agora, foi preciso que bilións de átomos errantes tenham conseguido xuntar-se, nunha dança intrincada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a sí. Trata-se de unha combinaçón tán única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez. Durante muitos anos futuros (esperemos), estas partículas minúsculas iram dedicar-se sem qualquer queixume aos mil milhóns de hábeis e articulados esforços necessários para o manter intacto e deixá-lo disfrutar da experiência supremamente agradável, mas xeralmente subestimada, a que chamamos existência. A razón pola qual os átomos se dam a este trabalho non é muito clara. A nível atómico, ser o leitor non é propriamente compensador. Ou sexa, apesar da atençón que lhe dedicam, os átomos non se preocupam consigo – na verdade, nem sequer sabem que existe. Nem mesmo que “eles próprios” existem. Nada mais som do que partículas sem consciência, e nem sequer têm vida própria. (Non deixa de ser lixeiramente impressionante pensar que, se tentasse disecar-se a sí próprio com unha pinça, átomo a átomo, nada mais iría conseguir do que um monte de fina poeira atómica, da qual nem um grán algunha vez tivera vida, mas que, toda xunta, era você.) E, no entanto, durante todo o período da sua existência, a única preocupaçón dessas partículas será a de responder a um único impulso incontrolábel: fazer com que sexa quem é. O lado menos bom da questón é que os átomos som inconstantes, e que o seu período de dedicaçón a unha causa é passaxeiro. Muito passaxeiro mesmo. Até unha longa vida humana non dura mais do que unhas 650 mil horas. E quando este modesto marco é ultrapassado, ou por volta dessa altura, por desconhecidas razóns os seus átomos ván dispersar em silêncio, para se tornarem noutras cousas. E é o fim da história para sí.

BILL BRYSON

RORTY (A VIRAXEM LINGUÍSTICA)

Com este libro Rorty obteve mais conhecimento sobre duas posturas diferêntes acerca da “análise da linguaxem” que tinham marcado a filosofia do século XX: A primeira visava a construçón de unha linguaxem ideal, que tinha a lóxica como modelo; a segunda preferia descreber os usos da “linguaxem ordinária”. A primeira postura era a do positivismo do “Círculo de Viena” – xá a mencionámos -, e a segunda, que surxíu em Inglaterra despois da guerra, era empírica, mas menos intransixente: desconfiaba das xeneralizaçóns, mas non aplicaba um método xeral, multiplicaba exemplos e dissecaba-os minuciosamente. Tentavam esclarecer-se todos os aspectos de um problema em vez de forxar unha soluçón; o senso comum reinaba como máxima autoridade e os enunciados filosóficos eram confrontados com os usos normais das palabras. Em Cambridge, esta escola xá non trataba o metafísico como um vigarista que fazia passar por conhecimento algo que non o era, mas como um doente. John Wisdom, por exemplo, entendia a análise linguística como algo semelhante a unha terapia, mas Rorty leu sobretudo representantes de Oxford, como Gilbert Ryle, e practicaba unha terapia mais rigorosa, era severo com os desvios do uso ordinário das palabras e concentrava-se nalgunhas categorias xerais ou conceitos a que a filosofia dava importância. O britânico J. L. Austin era talvez o mais descriptivo de entre os filósofos da linguaxem e fazia distinçóns tán subtis nos significados e usos de expressóns do inglês que alguns até o confundiam com um filólogo. Rorty sentiu-se mais atraído por este estilo, entre outras razóns porque em Wellesley tivera como directora de departamento Virginia Onderdonk, unha estudiosa do último Wittgenstein, e também porque tinha lido a sua grande obra “Investigaçóns Filosóficas” e começava a ler as ideias de alguns representantes da análise da linguaxem ordinária. Rorty sabia que non podia voltar atrás, que a filosofia teria sempre a ver com a linguaxem, que non fazia sentido pensar em experiências ou dactos independentes dos vocabulários humanos, mas isso non era a mesma cousa que acreditar que existia outro método de análise linguística que solucionaba os problemas filosóficos. Unha cousa é a linguaxem passar para primeiro plano do foco filosófico e outra muito diferente é que a filosofia se debia fazer usando um método linguístico. A viraxem linguística tinha axudado a entender que muitos problemas da filosofia dependiam de imáxes persistentes (por exemplo, os relacionados com a ideia de representaçón), mas isso era diferente de acreditar que a filosofia tinha encontrado outro caminho seguro.

RAMÓN DEL CASTILLO

A VIDA E OPINIÓNS DE TRISTRAM SHANDY

Ao quinto dia do mês de Novembro de 1718, que, polo calendário, se aproximaba dos nove meses tanto quanto qualquer marido podia razoavelmente esperar – fum eu, Tristram Shandy, Fidalgo, traído a este nosso mesquinho e desastroso mundo. -Quem me dera ter nascido na Lua, ou em qualquer outro planeta (com excepçón de Xúpiter ou Saturno, porque nunca suportei o clima frio), pois qualquer deles dificilmente poderia ter sido pior para mim (embora nada possa afiançar acerca de Vénus) do que este vil e suxo planeta nosso, – o qual, com certeza, e digo-o respeitosamente, debe ter sido feito com os frangalhos e as aparas dos restantes; -non é que o planeta non sexa suficientemente bom, desde que um home possa nele nascer para ficar com um grande título ou com unha grande propriedade; ou consiga polo menos ser chamado a cargos públicos, ou outros empregos de poder e dignidade; -mas non é esse o meu caso; -e assim cada um diz da feira conforme o que lá vendeu; -razón pola qual afirmo e reafirmo que é um dos mais vis mundos que algunha vez se criou; -pois, desde a primeira vez que nele respirei, até agora, que xá mal consigo respirar, por causa de unha asma que me atacou quando patinava contra o vento na Flandres, -bem posso dizer que tenho sido a chacota contínua daquilo a que o mundo chama fortuna; e embora non lhe faça a inxustiça de dizer que Ela algunha vez me tenha feito sentir o fardo de qualquer grande e notório mal; -ainda assim direi, com a maior calma do mundo, que, a cada passo da minha vida, e em cada curva ou esquina onde me pôde apanhar, essa desgraçada Duquesa me arremessou tal saraivada de penossas desventuras e contrários acidentes que pequeno Herói algum xamais sofreu.

LAURENCE STERNE

MONTAIGNE (O SABOR DOS BENS E DOS MALES)

No capítulo “Como o Sabor dos Bens e dos Males Depende em Boa Parte da Opinión que Tenhamos Deles” considera a doença como precursora da morte. A sua iminente viaxem à Europa e, sobretudo, a Itália, estará repleta de pedras expulsas, que aos poucos dissolvem e esvaziam a sua própria vida. Sobre a base da filosofia cirenaica, Montaigne reformula, nos “Ensaios”, o conhecimento do eu como consciência sensíbel redefinida com as únicas sensaçóns admitidas “dor e prazer”, unha espécie de tacto interno. No seu elóxio paradoxal da calculose, o bordalês non deixará de indicar a natureza mortal e, ao mesmo tempo, saudábel da doença: castigo onde gozou muito e purificaçón do corpo das escórias contaminantes, mas, sobretrudo, aprendizaxem para a morte. A nove de maio de 1579 obtém o “privilège de roy” para a publicaçón dos “Ensaios”, que se produz a um de Março de 1580. O seu editor foi o bordalês Simon Millanges, “imprimeur du Roy”. A vintidous de Xunho, parte para o cerco de La Fère, em Picardia; no caminho, passa primeiro por París para entregar um exemplar a Henrique III. Na base da sua filosofia da vida, além de Plutarco, sempre permaneceram Epicuro (Lucrécio) e Pitágoras (Ovídio). Com Lucrécio, Montaigne pón à proba o conhecimento do mundo e descobre a dissoluçón de unha coesón ilusória, enquanto a percepçón do infinitamente pequeno o conduz à persuasón da mobilidade do mundo e do indivíduo. Lucrécio ensinou-lhe que descrever a matéria significa descreber a realidade de corpúsculos invisíveis, a concreçón da substância permanente e imutábel revela que o vazio é tán concreto como os corpos sólidos. Para exorcizar o risco do peso esmagador da matéria (e de leis mecânicas que determinam qualquer evento), Lucrécio tinha advertido sobre a necessidade de permitir aos átomos uns desvios imprevisíveis da linha recta, para garantir a liberdade à matéria e aos seres humanos. A poesía do invisíbel, dos “simulachra”, das infinitas potencialidades imprevisibeis, a poesía do nada nasce de um poeta que non alberga dúvidas sobre a fisicalidade do mundo. A pulverizaçón da realidade também se estende aos aspectos visíbeis os gráns de pó que rodopiam num raio de sol, dentro de um quarto escuro; as teias de aranha que nos rodeiam sem darmos por elas enquanto caminhamos. Mas Montaigne também sente fascínio polas “Metamorfoses” de Ovídio, para cuxa leitura, como se disse, foi treinado desde pequeno.

Nicola Panichi

AS IDADES DA TERRA

Como quase sempre que disfruto de Lisboa, também desta vez, durante a “Dictadura dos Trafulhas”, dirixo os meus reticentes passos cara às “Idades da Terra”, ou sexa ó Museo Xeolóxico. Quería fazer uns artígos da mán do meu amigo Francisco González, que prometera sacar unhas opinións heterodóxas sobre a matéria em causa. Cousa, que non cumpríu, talvés, ainda non muito confiante sobre a sua sabedoría, de todas maneiras, tem medo de caír no ridículo da opinión pública. Algo que compreendo, pois em boca cerrada non entram moscas e tampouco saem incongruêntes impropérios. Entrar no mundo da xeoloxía, non é tarefa fácil e, ademais dos cabreos e das discusóns que provoca, está tudo bem pechado e confinado, polo qual non há maneira humana de penetrar nele.

Mas, estaría realmente pechado? Quando informo o meu vecinho de Guilhade, que estivem dentro do Museo e que fum comprar uns libros à Libraría Bucholz, Um relâmpago de loucura varreu o seu olhar. ¡¡Impossíbel!! Sacou o seu telefóne-móvil e esfregou-me com el nas trômbas. Alí estavam todas as normativas gobernamentais, sobre a campânha do covi. E, segundo elas, as Librarías e os Museos, estaríam supostamente cerrados até ao dia nove de Abril! Idem. Idem. Aspas. Aspas!! Mas, xuro, que comprei seis libros, em duas librarías do centro da cidade que estabam totalmente escancaradas! Qual, quê? Isso non é possíbel, só, se tenhem material de papelaría? Ademais, xuro em arameo que, estivem dentro do Museo eu sozinho, entrei por alí a dentro, como “periquito por su casa”, e até saquei as fotografías que adxunto como proba, e inclúso um Senhor xovém amábelmente me deu o bom-dia. Nada! Tempo perdido! Ó Chico em Lisboa, ninguém logra enganá-lo, está bem documentado. Nem mesmo unha bomba vulcânica dos Açôres, de trinta quilos de peso , que está situáda à porta do segundo andar da Academia das Ciências de Lisboa, na sua cabeça, lograría fazê-lo duvidar da fiabilidade das autoridades competêntes. Mas, eu tenho probas fotográficas irrefutáveis, da veracidade incontornábel das minhas afirmaçóns. ¡¡Contra factos, non valem argumentos!!

LÉRIA CULTURAL

LOCKE (A MORAL PRÁCTICA NA AUSTERIDADE)

Em Inglaterra, as mudanças relixiosas orixinarom unha moral práctica fundamentada na austeridade, que configuraria grande parte da vida e da obra de Locke. Serve de exemplo a decência e o esmero extremo, roçando o ridículo, que emanava da correspondência amorosa que manteve com diversas mulheres ao longo da sua vida. Naquelas cartas non habia lugar para palabras fora de tom, nem indício algum de unha actitude imprópria nem passional. Manteve sempre um tom de zelosa correçón, apesar de se corresponder com mais de unha xovenzinha ao mesmo tempo. Também notámos essa prudência que o caracterizava na xestón dos textos teóricos suxeitos a unha revisón constânte e publicados tardiamente, quando a situaçón política deixou de lhe ser hostil. Apesar do seu carácter moderado, a sua convicçón e a sua aposta pela tolerância relixiosa lavaram-no a mostrar unha certa aversón pola Igrexa papal e a posicionar-se a favor do anglicanismo. Para sermos xustos, temos de reconhecer que a instituiçón católica tinha dado motivos de sobra para provocar a rexeiçón de qualquer um. As condenaçóns de Roma a cientistas como Giordano Bruno ou Galileu Galilei, por desafiarem a doutrina oficial com as suas teses científicas, ainda ressoavam nas mentes das pessoas bem formadas. Por muito que o seu poder tivesse diminuído, a Igrexa continuava a constituir unha ameaça para os que pecavam por atrevimento. Para evitar represálias, quer fosse por parte da Igrexa quer dos monárquicos absoluctistas, Locke non publicou algunhas das suas obras, até que o cenário político se acalmou com a chegada do novo rexíme parlamentarista de 1689, liderado por Guilherme de Orange.

SERGI AGUILAR

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (MIMNERMO DE COLOFÓN)

Tirteo e (até onde sabemos) Calino eram amadores, fabricados por unha crise nacional, a utilizar o único meio de propaganda que conheciam. Somente isto é suficiente para designá-los os inventores da elexía, em contra das pretensóns do lonxevo Arquíloco. Unha xeraçón mais tarde viveu outro professional de destacada técnica, Mimnermo de Colofón. Viveu durante a última parte do século VII a. C., a data tradicional está confirmada polo conhecimento que das suas obras mostram outros autores. A sua obra compreendia ao parecer dous libros polo menos (muitos, de acordo com a Suda), que continham unha série de poemas separados, evidentemente bastante curtos, assim como unha produçón mais larga entitulada posteriormente “Nanno”, por ser o nome de unha flautista da qual o poeta estaba namorado. Mimnermo foi recordado principalmente como poeta amoroso; mas os fragmentos que se conservam de Nanno, non tenhem muito que ver com o amor. Isto pode ser meramente accidental, ademais de que vários fragmentos podíam associar-se com um contexto erótico mais âmplo. Mas é mais anigmático encontrar também atribuído a Nanno o primeiro relacto que se conserva da migraçón xonia, o estabelecimento de Colofón e Esmirna partindo de Pilos. Fala das “desexábeis flores da xuventude”, e pergunta “Que é a vida, que é a alegría sem a dourada Afrodita? Oxalá eu morra quando estas cousas xá non signifiquem nada para mím”. O poeta continua lamentando a indignidade e as privaçóns da velhice. A poesía de Mimnermo ganhou pronto unha vasta circulaçón, como podemos deducir das alusóns de outros escritores. O fundo pessimísmo com o que repetía a comparaçón homérica da vida de um home com a das folhas cuxo brotar breve acaba pronto, talvéz estimulou a um poeta posterior caminho da reflexón mais fortificante de que, posto que a comparaçón se mantém, um debe ser liberal no disfrute do bom da vida, durante o maior tempo possíbel (Simónides). Tampouco parece que a sua fama se marchitara durante os séculos posteriores. É fácil entender o entusiasmo de Calímaco: “aquí habia poesía brilhantemente vivida e, à sua maneira, sofisticada e elegante.”

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

VOLTAIRE (A PRIMACIA DA SUA AFIADA PLUMA)

Por essa altura, escrebe “Epístola a Urânia” (Épître à Uranie), só publicado em 1738, obra em que Voltaire faz unha primeira exposiçón das suas ideias relixiosas, as mesmas que depois orquestrarám o “Dicionário Filosófico” e o “Poema sobre a Lei Natural” (Poème sur la loi naturelle), ou sexa, unha clara primazia da moral sobre os dogmas non é incompatíbel com unha relixión natural que congregue vontades em vez de as dividir. Esta profissón deísta devia-se a unha figura que acabava de conhecer: Henry St. Johns, visconde de Bolingbroke, unha das famílias com mais linhaxem da Inglaterra, de xuventude tormentosa e libertina, familiarizará Voltaire com unha filosofia da qual os xesuítas só lhe tinham ensinado as argúcias escolásticas. Apesar de ser um homem do mundo, o visconde gostava de se retirar para o campo, o que Voltaire imitaria com os seus retiros nos castelos ou mansóns de Cirey, de Les Délices e de Ferney. Há um acontecimento que marcará para sempre Voltaire de formas muito diferêntes e que conduzirá ao seu proveitoso exílio em Inglaterra. A família de Rohan é unha das mais antigas e de maior linhaxem de França. Certa noite na ópera, um membro dessa família pergunta a Voltaire qual era o seu autêntico apelido, se Arouet ou Voltaire. Este responde-lhe que em todo o caso, ele tinha o primeiro apellido da sua própria linhaxem, enquanto o seu interlocutor parece o último elo do seu. Desafiam-se com as espadas, mas a disputa é evitada por um oportuno desmaio da actriz Lecouvreur. Dias mais tarde, quando Voltaire estaba a xantar na casa do duque de Sully, mandam-no ir até à rua, onde vários lacaios de Rohan lhe dán unha valente malheira, mentras o outro grita desde a sua carruaxem, para non lhe baterem na cabeça, non fora algunha cousa boa poder sair dela. Os seus amigos nobres recusam-se a acompanhá-lo a apresentar queixa, por solidariedade de classe. Ao saber-se que anda em aulas de esgrima para vingar ele próprio a sua honra num duelo, é desterrado a cinquenta léguas de París. Manteve este impulso vingativo durante toda a vida, embora sempre tenha utilizado a sua afiada pluma e, felizmente para ele, xamais usou outro tipo de armamento a non ser o dialéctico, no qual a sua supremacia quedaba desde logo assegurada.

ROBERTO R. ARAMAYO

A MACKNOVICHINA

Aproveitamos a situaçón actual da Ucrânia, convertida em campo de batalha para o confronto entre as potências imperialistas (é o que costûma acontecer, quando os governantes de certos países non tenhem cabeça, quem as paga é a poboaçón). Salta à palestra na actualidade, a deplorábel situaçón do país, com guerra, mortes e pérda de territórios. Ái, se Nestor Mackno, levantára a cabeça! A história volta maléficamente a repetir-se! Daquéla, quando Mackno partíra à frente do seu glorioso exército ucraniano, de perto de 10.000 homes, dos quais terminada a guerra contra o imperialismo alemán, somênte retornarom uns setecentos. Todos contribuírom grandemente para a victória sobre os invasores, com a sua guerra de guerrilhas, e golpes na retaguarda dos enemigos e nas linhas de abastecimento das tropas. Foi um estratéga formidábel, todo o contrário da revoluçón espanhola, que resultou num autêntico desástre militar e um mangonêo infernal. Chegou a combater com vários ferimentos de bala no corpo, utilizabam carromatos de cabalos, para dormir, descansar e transportar os feridos. Faciam atáques relâmpago, às vezes a mais de cem quilómetros de distância da sua suposta posiçón, onde ninguém os esperaba, semeândo o caos entre as tropas atacadas. Enfrentabam com a cabalaria, os ninhos de ametralhadoras, destrozando tudo como um vendavál de morte. Desafiabam os enemigos para combates singulares de cabalaria, sendo o exército branco, o único que se atrevia às vezes a aceitar os duelos. Talvés, a sua única mancha, fora a morte dos mensaxeiros do exército branco, que foram enviados para negociar. Também houbo um intento de negociaçón com as tropas do Atmán Grigoriev, no qual se intentou assassinar a Mackno à traiçón, durante o seu discurso aos combatentes alí reunidos. O Atmán, sacou repentinamente a espada, mas o escolta de Mackno logrou ferílo nunha perna, e seguidamente foi rematado por Mackno alí mesmo diante de todo o campo. Seguíu-se um intento de levantamento dos partidários de Grigoriev, que os anarquistas estratéxicamente situados entre a tropa derrotarom rapidamente. Racko Mackno, assim chamado pola sua baixa estatura, chegarom a fazer de unha só vez mais de 10.000 prisioneiros do exército vermelho, que depois tinham inevitábelmente que liberar, prévio adoutrinamento libertário, o qual desataba as airadas protestas do exército vermelho, que non queria que se adoutrinara os seus prisioneiros. Non cabía outra maneira, había que libertá-los, pois, non se podía massacrar a tanta xente, em certa maneira inocêntes. A consequência, era que a maioria dos soldados, voltavam de novo para as suas filas, formando unha espiral viciáda, que acabou por esgotar as forças anarquistas, esmagadas polas baixas e pola enorme desproporçón dos seus enemigos. Apesar de tudo isto, Mackno logrou escapar para París, onde xá velho e doênte, foi acolhido e protexido polos anarquistas hispânos. Fraternalmente, Ucrânia e Hispânia, as portas da Europa, estes pobos extremados, forom sem dúvida as xentes, onde a grande aventura anarquista logrou chegar mais lonxe, nos nossos tempos.

A IRMANDADE CIRCULAR