Arquivo por autores: fontedopazo

¡¡ QUE NADA SE SABE !! (47)

E, que poderias afirmar sobre os animais de pel manchada ? Como a pantera, o leopardo, o cán e outros semelhantes? E, quê das herbas, como o estragón, o cardo prateado, o trêbol moteado ? E, das flores variopintas, da betônica forraxeira e da violeta ? E, do feixón turco ? E das aves, como o pavón e o papagaio ? Será que, asignarás diferêntes temperaturas a unha mesma pluma de pavón, a unha mesma flor das prantas moteadas, a um mesmo pelo de leopardo ? Mas som cores permanentes. Quê dirás da pedra iris, da pomba variopinta, de um recipiente de vidro de àgua e de outro sem ela, cousas todas que, expostas ao sol de diferêntes maneiras ou segundo os diferêntes pontos de vista dos quais se miram, exhibem cores tán diversas ? Com razón quedarás mudo ! Como eu ! E muito mais respeito de todas as demais cousas, que temos enumerado anteriormente. Isto é asunto de nunca mais acabar; quanto mais rebuscamos, em mais líos nos metemos, em maior confusón nos vemos, e a saída mais se complica, “pois onde há multidón, reina a confusón” !

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (115)

Pola força da experiência, no referênte ao sonho suxerído, parece confirmar-se o seguinte: quando unha pessoa sonha com sitios, lugares ou casas, sexam animados ou inanimados, tocantes a ex-queridos, e algunhas vezes a pessoas non conhecidas, sem xamais habelas visto; sendo pessoas do sexo femenino, a estas parece acontecer-lhes logo que sonhais com elas o seguinte: o corpo conserva algunha pena ou paixón, ainda que non sexa senón um vago recordo, carnalmente (em estado de vixília). E, em estado de sonho queda em fermentaçón, de maneira que transmite a sua influênça ao Spírito. Entón o nosso espírito divaga polo mundo, e por virtude de outros espíritos que também tomam parte na acçón, acaba reencarnando-se nunha terceira pessoa (isto é, a que tem comunicaçón com o obxecto sonhado), entón neste caso sonhado, vé, passea, goza, etc… Non podendo realizar-se, polos motivos anteriores. Há, unha consciência e razón em afirmar, que estes sonhos som provocados por meio da maxía negra. Parece ser, que esta classe de sonhos, com aquelas pessoas que vós habeis mantído algunha relaçón com elas (ainda que somente fora aparente) e que se encontram encantadas ou apouquentadas, por algúm seductor, cuxa vontade (da pessoa seducida) non está no seu estado natural e tem pensamentos contrários aos do seductor, e que logo som dominados polo referído seductor ou polas pessoas com quem este mantém comunicaçón. E, o que vós sonhais, pode realizar-se nalgúm dos casos seguintes:

1º Pola saúde, abundância da pessoa, inclinaçón natural da mesma. 2º Pola fé na supestiçón, riqueza rústica, egoismo. 3º Polo lugar que a pessoa ocupa, Lacer. 4º Polo vício, orgulho. 5º Por mancomunidade com prostitutas, que sirvem como alcahuetas. 6º Por unión de Spíritos protectores, semelhantes à sua condiçón. 7º Pola intervençón da Maxía. 8º Pola maldade, fé, impertinência (entenda-se o mesmo seductor).

MANUEL CALVIÑO SOUTO

WITTGENSTEIN (SECESSIONISTAS)

Wittgenstein tinha um temperamento vienense. O seu carácter polifacetado e o fervor com que viveu e se dedicou à filosofia denotavam um ar de família característico de alguns dos vienenses que presenciaram a entrada no século XX. Refiro-me a artistas e intelectuais da envergadura do compositor Arnold Schönberg, do escritor Karl Kraus, do arquitecto Adolf Loos, do pensador Otto Weininger ou dos pintores Egon Schiele e Richard- Gerstl. Alguns leitores perguntarám-se, porque deixei o conhecido Klimt fora da minha lista se, além do mais, tinha beneficiado directamente do mecenato dos Wittgenstein. Naquela Viena de tán grandes afinidades, também hoube profundas diferênças. É conveniente distinguir duas correntes: a que albergaba figuras como as que enumerei, inclusive o próprio Wittgenstein. e outra, onde estaría a essência do “movimento secessionista” e autores como o seu ideólogo, o escritor Hermann Bahr. O traço distintivo fundamental era de índole moral, Janik referiu-se ao primeiro grupo como “modernismo crítico”. Os modernos críticos non deixaram de lutar contra o “estecticismo vazio” de significado reinante na corrente oposta através do seu próprio trabalho, onde prevalecia unha perspectiva formal rigorosíssima, quer fosse no campo da arte quer do pensamento.

CARLA CARMONA

LA BANDA

“La banda”, começou a medrar bem pronto e xá non quixo saber mais nada da construçón civil. Fora tanto o interesse suscitado pola Academia, “ligue seguro”, que abandonarom também a hostelaría em qualquera das suas vertêntes. Mais tarde, os fracasos sistemáticos dos alumnos na cousa do “ligue” começarom a causar problemas. Somente habia duas asignaturas: Alemán e Seducçón de Extranxeiras, que pronto se modificou, por “ligue”, resultando como mais natural. Nesta asignatura, quem mandaba como xefe de estudos e programas era Roberto. O resto da banda actuaba como de axudantes, que, por um canibéte que tinham aplicado certo dia a unhas holandesas um pouco borrachinhas, pensabam que eram uns atletas sexuais. Em realidade, parecia extranho, que aquelas tías beodas fossem holandesas. As holandesas eram muito exquisitas e non se xuntabam com golfos; mas, parece ser que, por unha vez, perderom o pé e a dignidade, acaso por culpa do condenado metílico. Claro que os alemáns eram proletas com pôsses, non como os espanhois mortos de fame. Aos espanhois que trabalhabam na Alemanha, Polster tinha-lhe um certo respeito, “espanhois non perros, como perros turcos, espanhois buenos…”. Adolf Polster non viaxába nos autocarros gregários, senón que num Volkswagen desportivo, acompanhado de unha loura que, nada mais que cruzar a fronteira françêsa, se dedicou a pôr-lhe os cornos com ânimo redobrado. Polster, afogaba em cervexa e em “Schnaps” o seu passado de guerra e o seu pressente de chifres.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

PASCAL (PENSAMENTOS)

A chegada de Pascal à capital francesa coincidiu com unha nova crise em Port-Royal. Em 1661, a Assembleia do Clero tinha redixido um formulário no qual se condenavam várias das teses jansenistas, um documento que todas as congregaçóns relixiosas deviam assinar obrigatoriamente, caso non quixéssem seríam suprimidas de imediato. Os irmáns Arnauld, responsábeis por Port-Royal, concordaram em assinar o documento, enquanto Pascal e a sua irmán se recusarom categoricamente. A postura adoptada polos Arnauld fixo com que Pascal se afastasse da comunidade relixiosa de Port-Royal. Sobre este episódio, Pascal deixou escrito: “Quando vi todas as pessoas que xulgava conhecedoras da verdade por vontade de Deus hesitarem e esmorecerem, confesso que senti tal dor que non consegui resistir e tivem de sucumbir a elas”. Este distanciamento coincidiu com unha boa notícia da qual tanto el como o seu amigo Roannez estabam à espera há algum tempo. Por fim, tinha-lhes sido concedida a licença real necessária para poderem montar um negócio que tinham estado a planear: a implantaçón de um sistema de transporte público em París baseado nunha rede de carruaxens. Pascal e o duque non tinham um interesse económico no negócio; tinham decidido que os lucros que obtivessem seriam destinados à beneficência. Infelizmente, non conseguirom desenvolver este proxecto, visto que a saúde de Pascal começou a piorar de forma muito preocupante, e ele próprio pediu que o internassem no “Hospital dos Incurábeis”. Finalmente, a sua irmán Gilberte convenceu-o a instalar-se na sua própria casa, para que ela pudesse cuidar dele. A saúde do nosso filósofo non melhorou, e começou a temer-se o pior. Pascal, que tinha consciência da situaçón em que se encontrava, decidiu tratar dos seus assuntos e fez um testamento no qual deixava o seu dinheiro aos hospitais que cuidavam dos mais necessitados. A dezassete de Agosto de 1662, Blaise Pascal pediu para receber a extrema-unçón e, por fim, na noite do dia dezanove, à unha da manhám, faleceu. Pascal foi enterrado a 21 de Agosto de 1662 na Igrexa de Saint-Étienne-du-Mont. Era o fim do home, mas o começo de unha lenda, e non só polo que xá tinha trazido ao mundo em vida, mas também porque na sua mesa de trabalho se encontrariam as notas que componhem a sua obra-prima, os “Pensamentos”.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE

O FADO (ANA MOURA)

Nasceu em Santarém, começou a cantar para amigos e familiares. Na sua época de xuventude, formou parte de unha banda rock. Ana Moura, é hoxe em dia, unha das mais estimadas cantadeiras de fado da actualidade. O seu primeiro CD, “Guarda-me a Vida na Mao”, foi editado em 2003, e nunca mais deixou de cantar e encantar o mundo, com a sua voz bem timbrada e a sua beleza exóctica.

LÉRIA CULTURAL

RAWLS (A CORRIDA POLA COMPETIÇÓN SOCIAL)

Unha vez garantída a proteçón da liberdade pessoal, preocupar-se-án com o facto de todos terem igualdade de oportunidades para levarem a cabo a vida que desexarem, polo menos que ninguém parta com priviléxios decisivos para ultrapassar os outros na corrida pola competiçón social, ou sexa, para chegar aos cargos sociais mais relevantes e limitados. Além de igualdade de oportunidades, também ván querer estar a salvo das penúrias da pobreza para o caso de descobrirem, ao retirarem o “véu”, que som eles os pobres. Inicialmente, talvez pensem que os recursos económicos se deviam distribuir sempre com igualdade, e non apenas no início do périplo vital. Dessa forma, assegurar-se-iam de que ninguém está melhor do que os outros em nenhum caso. Contudo segundo Rawls, os indivíduos apercebem-se rapidamente que há unha opçón melhor para os seus próprios interesses: permitir que os mais talentosos obtenham mais lucros se isso contribuir para que os que ganham menos sexam menos pobres do que seriam em condiçóns de igualdade económica. Afinal de contas, unha pessoa egoísta prefere sempre ter mais recursos económicos do que menos, independentemente do que os outros tenham, a non ser que sexa invexosa, além de racional. Mas a invexa, afirma Rawls, non debia fundar unha teoría da xustiça e, portanto, o “véu de ignorância” cobre também, oportunamente, os invexosos, para que a invexa non afete a escolha dos princípios de xustiça. Poder-se-ia pensar que nem todas as pessoas som tán prudentes e que muitas preferirám arriscar, por exemplo, favorecendo princípios que deem mais vantáxens aos ricos. Como na lotaria, talvez algunhas pessoas optem por apostar tudo no número vencedor se o prémio for realmente apetecíbel (por exemplo, ser multimilionário e non apenas ter um salário um pouco melhor do que os outros). Muitos estaríam dispostos a arriscar sem se preocuparem muito com as consequências de perderem. Porém, Rawls acredita que, nunha escolha vital como a dos princípios de xustiça que orientarám permanentemente as instituiçóns sociais, os amantes do risco, moderar-se-án para assegurarem, como os outros, que non sofrerám os piores efeitos de serem os mais desfavorecidos depois de se despoxarem do “véu de ignorância”. Rawls assume que a racionalidade dos membros da “posiçón orixinal” non inclui aspectos psicolóxicos particulares sobre como se enfrentam os riscos. Há, no entanto, unha questón que non debia passar desapercebida: porque é que os membros da “posiçón orixinal”, que desconhecem quem som de um modo particular, pensam, porém, que os talentosos ván pôr os seus talentos a trabalhar “apenas” se ganharem mais do que os outros?

ÁNGEL PUYOL

LITERATURA HISPÂNA (O ROMÂNCE SENTIMENTAL)

Assim como a “novela picaresca” apareceu como um anacronismo diante dos críticos que usavam patróns europeus, as metamorfoses da “novela sentimental” da América Hispâna, haberíam de despistar a mais de um catalogador. Producto do seminal século XVIII, a “novela sentimental” contaminou na Europa inclúso aqueles que deberíam haber tido a mente mais lúcida. Nón somente Samuel Richardson producíu algunha das obras mêstras do xénero (e Sterne a sua magnífica paródia em “Tristram Shandy); Rousseau, Goethe e Chateaubriand encontrarom formas de ventilar o seu sentimentalismo em libros que hoxe parecem mais lacrimóxenos que verdadeiros. A epidemía desatada por estes mêstres, e polos românticos mais novos que os seguem, habería de chegar à América com toda a sua força a partir de 1830. Mas a melhor producçón do xénero, María, 1867, do colombiano Jorge Isaacs (1837- 1895), non se publicaría até passado o meio século. Nésta novela quintaesência-se o elemento idílico (de égloga clássica e renascentista) no qual se basa o xénero, mas como a data de redacçón resulta tardía, Isaacs tivo tempo de depurar a sentimentalidade até torná-la contída e elegante. Em lugar de lacrimóxena, María resulta tríste e sombría, com o peso da fatalidade em cada unha das suas páxinas. A pesar dos anos, e dos câmbios das modas, está considerada a mais lexíbel (ou a única lexíbel) das novelas sentimentais do século XIX na América Hispâna. Unha matizaçón do sentimentalismo que conheceu um êxito extraordinário foi a “indianista”. Como em outros xéneros, a variante tinha sido também anticipada na Europa por Bernardin de Saint-Pierre com a sua “Paul et Virginie” e polo ubicuo Chateaubriand com “Atala”. Parecia inevitábel que ao intentar resgatar o passado indíxena, como xá tinham apontado os precursores do americanismo literário, os româncista hispânoamericanos acudirom ao modelo sentimental da “novela indianista”. Nas máns da peruana Clorinda Matto de Turner (1854 – 1909), autora de “Aves sin nido” (1889), a novela sentimental dexenéra no panflecto indixenista com um vigor que non exclúie o melodrama, de forte presênça na cultura popular. Mas, talvés a mais ambiciosa das novelas “indianistas” sexa “Cumandá” (1879), do peruano Juan León Mera (1832 – 1894). Situada nos começos do século XIX, e com um vago contexto histórico de rebelión de indios que na realidade correspondia ao século anterior, Mera usa outra vez o recurso favorito da novela sentimental de fazer que os namorados sexam irmáns (o “deus ex machina” deste xénero parece ser o incesto), mas o melhor da novela non reside no seu socorrido esquema sentimental, senón no vigor com que se denuncíam os atropelos contra os indíxenas.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

BERKELEY (ABANDONAR O ESTADO DE MENORIDADE)

Contudo, existem diferenças entre as características dos processos iluministas da França, Alemanha e Inglaterra. O Iluminismo françês caracteriza-se pola procura da unificaçón do conhecimento, espelhado na “Enciclopédia”, e apresenta um grande conteúdo político e social, reflectido posteriormente na “Revoluçón Françesa”. Para o Iluminismo alemán, a razón concebe-se mais como um método do que como um ideal, manifestando um carácter muito mais sistemático do que os Iluminismos françês e inglês. Por sua vez, o Iluminismo inglês, fundamentado no empirismo e no sistema científico de Newton, apresentará propostas mais individualizadas e utilitaristas, e centrará as suas discussóns mais relevantes nos assuntos da relixión, da moral pública e privada, e da defesa acérrima da observaçón e da experimentaçón. Um a um, os inspiradores e protagonistas do processo iluminista inglês (Newton, Locke, Berkeley, Hume, Toland, Clarke, Mandeville, entre outros) ván derrubando os obstáculos que impediam o ser humano de sair do seu estado de menoridade. Newton formulou um sistema mecânico capaz de explicar o universo nos seus “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, publicados em 1687, quando Berkeley tinha apenas dous anos. Assim, podemos compreender o motivo polo qual a polémica entre relixión natural e a relixión revelada, e a irrupçón do deísmo como conceito essêncial do Iluminismo respondem a unha mudança de enorme envergadura no terreno do conhecimento científico. Face à relixión revelada, a natural exclui o mistério e agarra-se à razón sob o nome de “deísmo”, defendendo as verdades que a razón demonstra ou compreende. A relixión natural remete para essa capacidade racional de poder deduzir a existência de Deus. Trata-se de um conhecimento da divindade a partir dos próprios meios humanos, ao passo que a relixión revelada, esixe unha mensaxem divina. O “deísmo” non é senón a possibilidade de conhecer Deus através da razón e da experiência. É muito significativo que “deísta” e “libre-pensador” fossem considerados no século XVIII dous conceitos quase sinónimos, pertencentes ao longo processo de racionalizaçón da teoloxia que culminaría no século XIX com a obra de outro inglês, Charles Darwin.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

O ILHA (1)

Abrir este espaço, nao é mais que aproveitar a oportunidade de procurar a autosuficiência no mundo da comunicaçao. Nao está na raíz desta ideia competir; afirmar ou propagandear questoes egoístas ou satisfazer vísceras inconfessáveis. Os Humanos comunicámos; mostrámos; damos e recebemos. Nasce para que sexa eido de todo tipo de pessoas; de todo tipo de ideias de Liberdade… Nao só eu serei o escritor de serviço; toda e qualquer pessoa que sinta desejo e vontade de escreber ou inserir um texto; um poema; uma emoçao ou um queixume, tem aquí uma janela para comunicar com esta parte do Mundo. Procurarei que sexa abranxente na questao temática, além das crónicas diárias, também se editarao diferentes tipos de expressoes artísticas ou de pensamento. Tentarei incluir um género de “CONVERSAS COM…”, que consistirá, como o próprio título diz em conversas para ser publicadas com diferentes tipos de pessoas e sobre diferentes campos da expressao Política; Pensamento ou Arte. É óbvio que nao esquecerei a rua; nao esquecerei as pulsoes sociais que percorrem o mundo nesta época de crise sistémica. Caminho; caminhamos; todos os caminhos levam à Liberdade. Sintam-se em casa.

JOSÉ LUÍS MONTERO

KUHN (“PARADIGMA” OU “MATRIZ DISCIPLINAR”)

Como funciona normalmente a ciência?

Segundo Kuhn, o que caracteriza um período de ciência normal é tratar-se de um modo de investigaçón científica que aparece inteiramente dominado por um tipo de estructura conceptual muito xeral, difícil de precisar, unha estructura que os cientistas envolvidos xamais ponhem em causa e que se transmite sem modificaçóns substanciais de unha xeraçón para o seguinte. Na primeira ediçón de “A Estructura das Revoluçóns Científicas”, Kuhn utilizou o rótulo de “paradigma” para esta estructura conceptual intocábel. Pouco depois da publicaçón do libro, vários críticos obxectarom contra o uso excessivamente vago e equívoco deste termo. Kuhn aceitou as obxeçóns e propós, no apêndice à segunda ediçón do seu libro (redixido em 1969), unha denominaçón alternativa para o tipo de entidade conceptual a que se queria referir, “matriz disciplinar”, além de mudar o nome, tentou precisar as suas componentes essenciais. No melhor dos casos, só unha dessas componentes correspondería de um ponto de vista filolóxico, ao significado xenuíno do termo “paradigma”. Exporemos mais adiante a descripçón de Kuhn sobre as diversas componentes de unha “matriz disciplinar”. Todavia, apesar de a expressón “matriz disciplinar” ser efectivamente mais apropriada que a de “paradigma” para o que Kuhn tinha em mente, a realidade é que quase todos os comentadores de Kuhn continuaram a falar de “paradigma”, e este é o termo que se tornou famoso – tán famoso que, inclusivamente, passou a fazer parte do vocabulário coloquial. Continuaremos, pois, a utilizar esse termo apesar de concordarmos com Kuhn que “matriz disciplinar” sería muito mais adequado. Em vez de falar de “paradigma” ou “matriz disciplinar”, Kuhn também podería ter usado o termo “teoría”. Evitou-se deliberadamente esta terminoloxía non foi por querer ser orixinal, mas porque conhecia bem o uso que os filósofos da ciência do seu tempo faziam dela. Referimos mais acima que, para os filósofos clássicos da ciência, unha “teoria” é simplesmente um conxunto de axiomas com as suas consequências lóxicas, Kuhn xulgou que este conceito era demasiado restrictivo, e demasiado inóquo ao mesmo tempo, para designar de forma adequada o xénero de estructura conceptual que impera durante um período de ciência normal. Um “paradigma” é muito mais “forte”, mais “dramático” (embora também muito mais difícil de definir) que unha simples “teoría” como sistema de proposiçóns. Um “paradigma” é unha espécie de “visón do mundo”. Examinamos em pormenor a complexidade da estructura conceptual em questón.

C. ULISES MOULINES

GALINHA DE FRICASSÉ

RECEITA:

  • 1 – Retirar a pel da galinha

2 – Partir a galinha em anácos

3 – Refogar com alho picado, cebola picada, sal, pimenta e azeite.

4 – Dar um aperto de calor aos pedazos da galinha durante uns minutos, regando com unha copa de azeite sobre o refogado.

5 – Quando começe a alourar, xunta-se unha copa de vinho branco e deixa-se cozer. Adicionando vinho conforme sexa necessário.

6 – Depois de cozida a galinha, retira-se unha cunca de molho e deixa-se arrefecer.

7 – A este molho frio xunta-se unha xema de ovo e zumo de limón, misturando tudo muito bem.

8 – Deita-se depois este molho no tacho, remexendo tudo.

9 – Finalmente, xuntamos salsa picada.

POPPER (AS REGRAS DA LÓXICA FORMAL)

A lóxica é unha disciplina puramente formal, isto é, em que non há afirmaçóns substânciais acerca do mundo. A sua funçón é proporcionar regras infalíbeis de raciocínio que. a partir de unha ou várias proposiçóns de partida (as premissas), permitam deduzir outra ou outras proposiçóns, que som as suas consequências. Se a(s) primeira(s) forem verdadeiras, a(s) segunda(s) também o serám necessariamente. Assim, por exemplo, das premissas “Todos os homes som mortais” e “O Xoán é um home” deduz-se necessariamente “O Xoán é mortal”. Duas das regras mais importântes e de mais frequênte aplicaçón na lóxica som o “modus ponens” e o “modus tollens”. Desempenham um papel de primeira ordem nos nossos raciocínios explícitos ou implícitos, tanto na vida quotidiana como na matemática e nas ciências empíricas. Vexamos como funcionam com um exemplo simples. Suponhamos que estou convencido de que é verdade que: a) se chove, entón a rua está molhada, e b) agora chove. Entón deberei estar também necessariamente convencido de que: c) agora a rua está molhada. Para isto nem sequer é preciso, dar unha espreitadela pola xanela, para me certificar de que realmente a rua está molhada. As proposiçóns a) e b) som as premissas (ou pressupostos) do meu raciocínio e c) é a sua conclusón necessária. A premissa a) chama-se “proposiçón condicional”: estabelece a condiçón de que, para que aconteça algunha cousa (por exemplo, a rua estar molhada), outra cousa debe acontecer (por exemplo, chover). Em contrapartida, b) non é unha “proposiçón condicional”, mas unha “proposiçón apodíptica”: afirma textualmente que chove. Estamos perante um exemplo de aplicaçón da regra do “modus ponens”. Esquematicamente, esta regra formula-se da seguinte forma, tomando as letras p) e q) como “variáveis” para unha qualquer proposiçón: a) Se p, entón q (proposiçón condicional); b) p (proposiçón apodíptica); Logo: c) q. No nosso exemplo, p = “chove” e q = “a rua está molhada”. O “modus tollens” é, por assim dizer, a regra contraposta ao “modus ponens” e resulta igualmente inflexíbel. Para a entendermos, prossigamos com o nosso exemplo da chuva e da rua eventualmente molhada. Suponhamos que continuo convencido de que, a) se chove, a rua está molhada; mas agora olho pola xanela e verifico que b) a rua non está molhada. Em tal caso, debo necessariamente inferir que non chove. O esquema correspondente é: a) Se p, entón q; b) Non q; Logo: c) Non p. Note-se que no caso do “modus tollens” ao contrário do “modus ponens”, a negaçón de unha proposiçón desempenha um papel fundamental. Para utilizar a terminoloxía de Popper, poderíamos dizer que aqui se trata de unha “falsificaçón” (no nosso exemplo, a “falsificaçón” do presuposto de que chove). Para compreender a importância do “modus tollens” para a metodoloxía científica, consideremos o seguinte exemplo, um pouco mais complexo que o anterior: a) Se o Xoán estiver em casa e o Pedro tocar à campainha com suficiente intensidade, entón o Xoán abrirá a porta; b) O Xoán non abre a porta; Logo: c) O Xoán non está em casa ou entón o Pedro non tocou a campainha com a suficiênte intensidade. Esquematicamente: a) Se p e se q, entón r; b) Nón r; Logo: c) ou non p, ou non q. Se non temos mais informaçón, em princípio non podemos decidir qual das duas alternativas é a verdadeira. Se quisermos optar por unha das duas, debemos apelar a outros elementos de xuízo. Por exemplo, podemos decidir-nos por non p porque sabemos previamente que a essa hora o Xoán non costuma estar em casa, ou porque sabemos que o Pedro toca sempre à campainha com muita força, etc. Como veremos, esta situaçón de indecisón é típica na ciência quando se aplica o “modus tollens”, e Popper referir-se-á a ela mais em pormenor.

C. ULISES MOULINES

LITERATURA CASTELÁN (LA RAZÓN DE AMOR)

A “Razón de amor” e os “Denuestos del agua y el vino”. Forom encontrados, estes dous poeminhas num códice da Biblioteca Nacional de París e publicados por Morel-Fatio em 1887; ao final deles figura o nome de Lope de Moros, mas, a xulgar pola fórmula empregada e o lugar da sua colocaçón, parece seguro que se trata non do autor, mas de um mero copista. Os poemas seríam pois, anónimos e supostamente pertencentes a princípios do século XIII. A “Razón de amor”, vinha sendo considerada desde a sua publicaçón, e até ao descubrimento das “jarchas”, como a primeira composiçón lírica que se tinha conservado em castelán. Desde os seus versos iniciais o poema mostra-se-nos enraizado nos refinamentos da lírica provençal ou do “dolce stil novo” dos primeiros poetas toscanos. A personáxe masculina, que se apresenta como um poeta “que siempre dueñas amó”, aparece no meio dum delicado e fermoso xardím cheio de árbores, herbas e flores, na proximidade de unha fonte; é o momento da sésta; o poeta colhe unha flôr e descubre entón unha doncela, que à sua vez tinha preparado um copo de vinho e outro de àgua, resguardados baixo unha sombra, para oferecê-los ao amante. A doncela, que reúne todas as prendas da mais delicada beleza, vem cantando unha “cançón de amigo”; o poeta toma-a da mán, e entablan um diálogo de amor, com mútuas queixas. Quando a xovem se vai, o poeta queda desconsoádo. Unha pomba, que entón aparece, derrama a àgua sobre o vinho e começa com isto a segunda parte, ou o segundo poema independênte; xá que a relaçón entre ambos, tem sido diversamente estimada polos diferêntes comentaristas.

J. L. ALBORG

DESCARTES (A FUNESTA GUERRA DOS TRINTA ANOS)

Após a nomeaçón do novo imperador, e depois de unha breve “paraxem técnica” em Ulm, onde seria assaltado pola sua grande epifania intelectual (“Sonho de unha noite de inverno”), dirixiu-se a Viena para se alistar nas tropas do xá citado Maximiliano. Este poderoso exército encontrava-se em marcha, na direcçón de Praga, como parte da campanha militar católica destinada a despoxar das suas possessóns ao reformista Frederico, eleitor do Palatinado da Boémia, o que constituiría o começo da funesta Guerra dos Trinta Anos. Chegado a Praga, Descartes participou na batalha da Montanha Branca, onde, nunha sangrenta manhám de Novembro de 1620, os vinte mil homes de Maximiliano venceram os quinze mil de Christian de Anhalt, do Palatinado. Embora non tivesse chegado a entrar em combate (supostamente mantívo-se como enxenheiro na retaguarda), Descartes ia no continxente que ocupou a rexión (hoxe checa) da Morávia. Seguíu-se entón unha feroz repressón dos protestantes boémios, que incluíu execuçóns massivas e atrocidades de todos os tipos. Com o catolicismo reinstaurado a ferro e fogo, os xesuítas desembarcarom em tropel para exercerem o control de escolas e universidades. Mas embora fosse o grande império católico (os Áustrias e os seus aliados xermânicos) a ter tomado a iniciativa na guerra, isso foi posteriormente o princípio do seu declínio: as outras potências europeias de ampla populaçón protestante, particularmente a França e a Suécia, observaram os sangrentos acontecimentos e aproveitariam os anos seguintes para estrangular loxística e diplomaticamente o inimigo, que tinha demasiados frentes abertos e se desdobrava ao longo de unha extensón territorial imensa. Pouco depois da sua “missón” em Praga, Descartes partíu para Itália, atravessando a perigosa rexión da Valtellina, unha passaxem estratéxica controlada polos Áustrias que estaba quase a cair nas máns do inimigo. Em Itália, viveu dous anos entre Veneza e Florença, e aproveitou para ir peregrinar a Loreto (lugar sagrado ao qual uns anxos supostamente levaram de Nazaré a casa da Sagrada Família) para, presumivelmente, dar graças pola sua revelaçón em Ulm. Quando regressou de Itália, provavelmente dando por finalizada a sua vida como viaxante (ou espión), tentou sem grande êxito encontrar um lugar como xurista similar ao do seu pai, na sua terra natal. Descartes era um tipo impaciente e, ao ver que os procedimentos se prolongavam, decidiu ficar três anos em Paris, onde permaneceu até 1628.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO