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WITTGENSTEIN (OS SUICIDAS DE VIENA)

“Como posso ser um lóxico se ainda non som um home?”, perguntaba Wittgenstein nunha carta a Russell. Que a lóxica e a ética eram a mesma cousa, o deber em relaçón a si próprio, tinha-o aprendido com Weininger. O ponto de partida certeiro na vida e na filosofia consistía em axustar contas consigo mesmo, em batalhar contra o próprio modo de ver a realidade. Wittgenstein também admirava a autenticidade com que Weininger enfrentou os seus problemas, a sua franqueza e falta de afectaçón, a sua disposiçón para ir directamente ao essencial, embora non estivesse de acordo com grande parte dos conteúdos da sua filosofia. É mais do que perceptíbel no trabalho de Wittgenstein a marca de unha obra de Weininger que aquele tinha lido na sua adolescência, “Sexo e Carácter”, publicada em 1903. O libro tinha sido um êxito enorme em Viena, e o posterior suicídio de Weininger -com apenas vintitrês anos, na casa onde tinha morto Ludwig van Beethoven!- fora interpretado como a consequência lóxica, ética inclusive, como o único desenlace coherente para essa luta espiritual. Naquela Viena de suicidas, forom muitos os que seguirom o seu exemplo. Resulta esclarecedor que Wittgenstein quisesse que fosse o editor de “Sexo e Carácter” a publicar o “Tractatus”, que esperasse encontrar um interlocutor válido em quem tinha sido capaz de apreciar o texto de Weininger. Tanto Wittgenstein como Weininger viveram com amargura a decadência que vislumbravam nos tempos modernos, caracterizados polo declínio das artes e pola preponderância da palabra “progresso”. Tal como Kraus, Weininger interpretou, nunha perspectiva xudaica, os aspectos da civilizaçón que considerava negativos e descreveu o que sucedia à sua volta em termos de unha polaridade sexual entre o masculino e o feminino. Mas Weininger foi mais além, aplicando ambas as cousas ao seu interior: sentia-se xudeu e mulher. Numa situaçón vital parecida, Wittgenstein leu com intensidade as páxinas deste xénio suicida. É necessário ter em conta que a homossexualidade masculina foi quase um terreno tabú para o próprio Freud (que também non estudou a fundo a feminina). De facto, entendeu a homossexualidade como um processo de inversón derivado de unha experiência infantil de certa forma traumática e referiu-se a tal inclinaçón como unha perversón e unha aberraçón.

CARLA CARMONA

ESCRITORES HISPÂNOS (MIGUEL CANÉ)

CANÉ, Miguel (Montevideo, 1851-1905). De orige argentino, o seu pai exiliou-se no Uruguay, onde nasceu Miguel. Xornalista e home de letras arxentino, cuxo diestro toque ilumina ainda as suas primeiras tentativas literarias: “Ensayos” (1877), “Charlas literarias” (1879), “Notas e impresiones” (1901) e “Prosa ligera” (1903). Cané está considerado o autor mais importânte da xeraçón de 1880. Recorda-se especialmente por unha autobiografía na qual relembra os seus anos escolares, “Juvenilia” (1884), publicada o mesmo ano que o seu importânte libro de viáxes “En viaje”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JERÓNIMO DE CÁNCER Y VELASCO)

CÁNCER Y VELASCO, Jerónimo de (Barbastro, c. 1594-1654). Autor teatral e poeta. De família nobre vinda a menos, encontrou proteçón xunto dos condes de Luna e de Niebla. Foi amigo de algúns dos dramaturgos mais importântes do seu tempo: Moreto, Pedro Rosete Niño e Antonio de Huerta. Improvisador inxenioso e intelixente, que sobresaía nos xogos de palabras ao estilo conceptista e nas sátiras à maneira de Quevedo. Fray Andrés Ferro de Valdecebo no “El templo de la fama” afirmou que foi único na arte de retrucar e o primeiro em fazê-lo com a alma. As únicas obras teatrais que fixo sem colaboraçón alheia forom: “La muerte de Baldovinos” (prohibida pola Inquisición em 1790) e “Las mocedades del Cid”, âmbas em tôn burlesco. O resto das suas obras forom escritas em colaboraçón com outros autores, que non sempre eram os mesmos, como mais adiante veremos. Cada autor escrebía um acto. Entre outras, citaremos, com a colaboraçón de Matos e Moreto: “Caer para levantar”, “El bruto de Babilonia”, “Hacer remedio el dolor” e “La adúltera penitente”. Com Rosete e Martínez escrebeu: “El arca de Noé” e “El mejor representante san Ginés”. A maioría destas obras oscila entre a imitaçón de outras, e a inspiraçón, ainda que a maior parte delas caracterizam-se por ser pedestres, escritas únicamente para ganhar dinheiro de unha forma rápida. As suas “Obras varias” aparecerom em duas ediçóns, muito diferêntes em contído, âmbas em 1651. Outras obras forom recolhidas na “BAE” (1850, vol. XIV) e a sua poesía, em “BAE” (1857, vol. XLII),

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ESCRITORES HISPÂNOS (ARTURO CANCELA)

CANCELA, Arturo (1892-1956). Contista arxentino e, segundo Carmelo M. Bonet, novelista “por accidente”, autor da “Historia funambulesca del profesor Landormy”, obra influída polo estilo de Anatole France. A sua obra mais importânte foi “Tres relatos norteños” (1922), na qual aparecem “El cocobacilo de Herrlin”, “Una semana en holgorio” (sobre a semana tráxica de Xaneiro de 1919) e “El culto de los héroes”. As duas primeiras narraçóns som amábelmente irónicas, mentras que a terceira é unha súbtil parábola que conta a história de um pobre emigrado asturiano na Arxentina, que se fai rico à forza de trabalhar duramente. A sua filha, criada como nena rica, avergonha-se del. Juan Martín e Juana María som figuras arquetípicas da sociedade arxentina. A profunda anglofília de Cancela, levou-o a ser influído por Chesterton. Escrebeu também “Babel” (1919) e “El suicida y el león de Persia”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (HÉRIB CAMPOS CERVERA)

CAMPOS CERVERA, Hérib (Asunción, 1908-1953). Poeta e crítico paraguayo. Foi um dos fundadores da revista de corte modernista “Juventud”, mas logo se tornou surrealista em 1926. Durante muitos anos residíu em Chaco, na parte oeste do Paraguay, e trabalhou também como xornalista em Buenos Aires. Conhecido como o escritor mais importânte da xeraçón dos 40, escrebeu os seus primeiros poemas transcendentes entre 1940-1942. Deixou únicamente um libro de poemas, “Ceniza redimida” (1950), mas a sua influência foi profunda, especialmente em Augusto Roa Bastos e Elvio Romero. Os seus temas som a morte, a nostalxía (em “Un puño de tierra”, por exemplo) e, com menor fortuna, a guerra, o trabalho e a política.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ ANTONIO CAMPOS)

CAMPOS, José Antonio (Guayaquil, 1868-1939). Xornalista e crítico literário equatoriano. Os seus escritos humorísticos apareceron baixo o pseudónimo de “Jack el Destripador”. Varias das suas obras forom publicadas em Guayaquil; especialmente interesantes som “Cintas alegres” (1919) e “Cosas de mi tierra” (1929).

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ESCRITORES HISPÂNOS (RAMÓN DE CAMPOAMOR)

CAMPOAMOR, Ramón de (Navia, Asturias, 1817-1901). Poeta post-romântico. Primeiro acreditou sentir unha vocaçón relixiosa, que deixou para estudar medicina, mas finalmente decidíu-se pola política e pola literatura. O seu primeiro libro de versos foi “Ternezas y flores” (1840), ao qual o próprio autor negaba qualquer mérito. “Ayes del alma” e “Fábulas” (âmbos de 1842), que passarom desapercebidos para crítica e público, mas as suas “Doloras” (1845; ed. ampl., 1886) forom acolhidas como poesías de grande arte. Como Valera, Campoamor desdenhaba a adulaçón e non acreditaba merecer tamanhos eloxíos. Segundo Félix Ros, “quizá por temor a una emoción fuerte”. Este detalhe revéla-nos a debilidade do epígono de Espronceda, que se caracterizou precisamente pola expresón poética de fortes emoçóns. A través da sua traxectória poética, Campoamor tentou sem êxito o poema épico e filosófico: “Colón” (Valencia, 1853), “El drama universal” (1862) e “El licenciado Torralba” (1881) som mostras disto. Crítica e público gostavam dos seus poemas mais curtos, especialmente “Doloras”, “Los pequeños poemas” (1871) e “Humoradas” (1886). Foi home rico, com prestíxio e grandes influências. Foi membro do “Partido de los moderados” e obtívo, entre outros cargos, o de gobernador de Castellón, Alicante e Valencia sucesivamente. Os temas da sua poesía ponhem de manifesto unha filosofía pessoal e unha ideia do amor. Tratou de reconciliar as crênças relixiosas com o xiro intelectual europeio cara ao positivismo e ao escepticismo. Nesta linha escrebeu “El personalismo” (1835) e “Lo absurdo” (1865), que hoxe pecam pola sua inxénuidade, mas que podem interesar aos estudosos das ideias filosóficas. Também escrebeu unha valiosa “Poética” (1883). As ideias que expresa neste libro non coinciden com o seu próprio ideário como poéta. Teóricamente defende a claridade e a significaçón de ideias e estilo, a transformaçón destas ideias em imáxes viváces e a plasmaçón destas imáxes num linguáxe rítmico que evite a frase poética vácua. Com estes princípios reaccionava contra a extravagância e a pedantaría de algúns poetas românticos. Com o seu libro, influíu em Bécquer e Batrina na Espanha, e em Darío, Gutiérrez Nájera e José Asunción Silva em América. As suas “Poesías” forom editadas em 1956.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ESTANISLAO DEL CAMPO)

CAMPO, Estanislao del (Buenos Aires, 1834-1880). Poeta do gaucho (vexa-se Literatura Gauchesca), xornalista e soldado arxentino. Usou os pseudónimos “Anastasio el Pollo” e menos frequentemente “El Pardo”. Foi discípulo declarado de Hilario Ascasubi. A sua obra mais importânte é “Fausto” (1866), diálogo poético para gauchos em seis episodios que foi inspirado pola representaçón do “Fausto” de Gounod em Buenos Aires. Um gaucho supersticioso e inxénuo que assiste à representaçón da ópera francesa, acredita que presenciou unha autêntica representaçón de maxía no teatro Colón. A tendência a ver no gaucho um suxeito cómico acabou com a publicaçón do “Martín Fierro” de Hernández. Editou-se em Buenos Aires em 1951 (3.ª ed.). Os primeiros poemas gauchos de Campo apareceron no diário bonaerense “Los Debates”. As suas “Poesías” (1870) forom reeditadas duas veces.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ÁNGEL DEL CAMPO)

CAMPO, Ángel del (Ciudad de México, 1868-1908). Contista, novelista e humorista mexicano, que escrebeu baixo o pseudónimo de “Micrós”. Publicou três volûmes de subtís, a miúdo amábeis, contos: “Ocios y apuntes” (1890), “Cosas vistas” (1894) e “Cartones” (1897). Os seus quadros de costûmes forom considerados dos melhores, na linha de Fernández de Lizardi, “El Pensador Mexicano”, de Guillermo Prieto, “Fidel”, e de Cuéllar, “Facundo”. Forom escriptos baixo o pseudónimo de “Tic-Tac”, como colaboraçóns para diários. Algúns podem encontrar-se em “Obras” (1958). Escrebeu também duas novelas: “La sombra de Medrano”, que nunca foi publicada completa, e “La Rumba”, publicada primeiro por entregas no “El Nacional” (1890-1891), que leva o nome de unha “tenda” fictícia situada num bairro pobre da cidade. Na qual, unha pobre costureira é violada por um vendedor brutal, a quem ela mata despois. Campo, mostrou nesta novela o seu grande conhecimento das clásses média e proletária. Urbina escrebeu: “No ve en grande, pero ve en detalle y límpidamente. Su dibujo és asombroso; su color brillante y enérgico”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (NARCISO DEL CAMPILLO)

CAMPILLO, Narciso del (Sevilla, 1835-1900). Poeta e contista, membro da tertulia de Valera e amigo de Bécquer, Campillo foi influído pola tradiçón clássica de Virgilio a través de fray Luis de León, e polo romântismo de Zorrilla e Espronceda. Foi professor de literatura em Cádiz e em Madrid, onde editou a importânte revista “El Museo Universal”. Nesta época escrebeu “Memoria y teoría del estilo” (Cádiz, 1865) e “Retórica y poética” (1871). Os poemas de Campillo eram espontâneos, eclécticos e bastânte medíocres. Forom publicados em “Poesías” (Sevilla, 1858) e “Nuevas poesías” (Cádiz, 1867), que forom complementados com a ediçón das suas “Cartas y poesías inéditas” (1923). Campillo escrebeu também contos: “Una docena de cuentos” (1879), “Nuevos cuentos” (1881) e “Cuentos y sucedidos” (1891).

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ESCRITORES HISPÂNOS (CARLOS CAMINO CALDERÓN)

CAMINO CALDERÓN, Carlos (Lima, 1884-1956). Novelista peruano autor de “tradiciones” basadas nas lendas populares do seu país. A sua obra mais conhecida é a novela “La cruz de Santiago: memorias de un limeño” (Trujillo, 1925), na qual narra feitos da Independência. Um ano antes escrebéra “Ildefonso” (1924). Também escrebeu “El caballero de Santiago” ” (1935), “Anecdotario de los libertadores” (1941), “El daño” (1942), novela sobre o Perú rural; “La ilusión de Oriente” (1943), “Tradiciones de Trujillo” (1944), “Tradiciones de Piura” (1944), “Diccionario folklórico de Perú” (1945), “Mi molino” (1947) e “Cuentos de la costa” (Trujillo, 1954).

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ESCRITORES HISPÂNOS (GIUSEPPE CAMERINO)

CAMERINO, Giuseppe (fl. 1624). Novelista italiano. As suas “Novelas amorosas” (1624), escritas em castelán, encaixam na corrente de narrativa amorosa que floreceu no “Siglo de Oro”. O seu trabalho foi alabádo por Lope de Vega. Ruiz de Alarcón, Vélez de Guevara e Guillén de Castro, a pesar de que Roca Franquesa e Díez Echarri as catalógam como as doze novelas “más insípidas que pueden darse en su género”. Forom reeditadas em 1736. Outras obras em castelán som: “Discurso político sobre estas palabras: a fe de hombre de bien (1631) e “La dama beata” (1624, mas na realidade em 1655).

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ESCRITORES HISPÂNOS (EUGENIO CAMBACERES)

CAMBACERES, Eugenio (Buenos Aires, 1843-1888). Novelista satírico e político liberal arxentino, que propuxo a separaçón da Igrexa e do estado na Arxentina em 1871. Abandonou o Parlamento com “una ilusión menos e un desengaño más”. Os seus dous primeiros libros, “Potpurri” (1881) e “Música sentimental” (1884), mostram unha misantropía maior que as de: Groussac, Eduardo Wilde ou Lucio Vicente López. O principal defeito das obras é que tenhem um incongruente final feliz. A sua melhor novela é “Sin rumbo” (1885), muito influênciada por Zola, cuxo final estraga o conxunto de logradas escenas costumbristas. Por outra parte, o estudo psicolóxico da personáxe central, Andrés, é do melhor que foi escrito na Arxentina. A sua última novela, “En la sangre”, determinista e de um corte marcadamente zolesco, apareceu por entregas em Sud América durante 1887.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JULIO CAMBA)

CAMBA, Julio (Vilanova de Arosa, Pontevedra, 1882 – 1962). Humorista cuxas caricaturas carecen de amargura, incluso na sua sátira contra os Estados Unidos em “La ciudad automática” (1932). Camba foi xornalista na Arxentina (como o seu irmán Francisco Camba, 1884-1947), França, Estados Unidos e Turquía. Escrebeu toda unha série de simpáticos artígos em “Las alas de Ícaro” (1913), “Alemania” (1916), “Londres” (1916), “Playas, ciudades y montañas” (1916), “Un año en el otro mundo” (1917), “La rana viajera” (1920), “Sobre casi nada” (1928), a sátira sobre Espanha em “Haciendo la República” (1934), e “Millones al horno” (1948). As suas “Obras completas” forom publicadas em 1948.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MANUEL J. CALLE)

CALLE, Manuel J. (Cuenca, 1866 – 1918). Xornalista equatoriano. Foi um prolífico polemista na sua columna “Charlas”. Os seus ensaios forom reunidos em “Biografías y semblanzas” (1920), mas é mais conhecido por um libro dedicado à xuventude: “Leyendas del tiempo heroico: episódios de la guerra de la Independência” (Guayaquil, 1905).

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