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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (121)

Este é o lugar ¡¡oh Céus!! Que busco, para chorar a desventura, em que vós mesmo me habeis posto. Este, é o sitio, em que o humor dos meus olhos, acrescentará as àguas deste pequeno riacho, e os meus continuados e profundos suspiros, moveram as folhas destas montaráces árbores, em testemunha e sinal da pena, que o meu acelerado corazón padece. ¡¡Oh vós!! Quem queira que sexais, rústicos deuses, que nestes inabitábeis lugares tendes a vossa morada. Ouvide a queixa deste desafortunado amante, a quem unha ausência e uns inimaxinábeis ciúmes, trouxérom a lamentar-se a estas asperezas. Queixas, da dura condiçón em que me puxo aquela bella ingrata. Têrmo e fím da humana fermosura! Náspeas e Dríades, que tendes por costûme habitar nas espessuras dos montes, assim como os lixeiros e lascivos sátiros de antiga raíz. Ainda que em ván amadas, nada perturbe xamais o vosso feliz sossego. Axudáde-me a lamentar a minha desventura. ¡¡Oh Dulcinea del Toboso!! Dia da minha noite, glória da minha pena, norte dos meus caminhos, estrela da minha ventura! O Céu te axude, a pedir-lhe, que considere o lugar e estado, ó qual a sua ausência me conducíu, e que com bom têrmo corresponda à minha fé. Árbores, que desde hoxe em diante, habeis de acompanhar a minha solidón, dai-me indícios com o brando movimento das vossas folhas, que non vos desagráda a minha presença. Tomáde bem nota na vossa memória, destes prósperos e adversos negócios, para que os conteis e reciteis à causante de tudo isto.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

MANDEVILLE (A COLMEIA RUIDOSA OU A REDENÇÓN DOS CANALHAS)

Em 1742, o filósofo, médico, e economista Bernard Mandeville publicou a sua famosa obra a “Fábula das Abelhas”, unha provocadora defesa do consumo e da necessidade dos vícios, contra a qual Berkeley arremeteu com dureza no “Alciphron” ou o “Filósofo Minucioso”. A “Fábula das Abelhas” foi qualificado como o libro mais malvado e intelixente da língua inglesa, e até Samuel Johnson reconheceu que a sua leitura lhe tinha ampliado muito a visón da vida real. Mandeville demorou vinte e quatro anos a elaborar a “Fábula das Abelhas”, que começou como um livrinho de vintiseis páxinas publicado sob anonimato, em 1705, com o atraente título de “A Colmeia Ruidosa ou a Redençón dos Canalhas”. Anos mais tarde, após sucessivos acrescentos, assumio o título de “Fábula das Abelhas, Vícios Privados, Benefícios Públicos”. Esta obra, fundamentada na experiência directa, mostra, de unha maneira orixinal, as contradiçóns da sua época. Utilizando a alegoria de unha colmeia, descreve o egoísmo e a perversidade de todos os seus membros e defende que o vício é o fundamento da prosperidade e do benefício, entendendo por tal tudo aquilo que contribui para o enriquecimento e a felicidade da naçón. A obra é, na verdade, unha profunda análise da virtude moral e da natureza da sociedade, e nela se conclui que é impossíbel unha sociedade ser florescente e, ao mesmo tempo, virtuosa. Muito em conformidade com a efervescência do luxo e dos vícios sociais que tinha lugar na época de Mandeville, a obra é um canto ao utilitarismo moral como impulsor do lucro económico. A moral da “Fábula” é que na grande colmeia do mundo há que medrar, qual videira avara, seca e retorcida, mas que dá vinho abundante; só os tolos se esforçam por fazer de unha grande colmeia unha colmeia honrada. O utilitarismo moral de Mandeville e a sua influência sobre as ideias económicas através da defesa do luxo, da divisón do trabalho ou da filosofia do “laissez-faire”, non agradarom a muitos autores, que se lançarom a mostrar que, contrariamente à posiçón de Mandeville, a virtude nunha “sociedade de mercado” é possíbel e que sem vício também pode haber paraíso.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

O ILHA (10)

A MINHA HISTÓRIA CNA

CAPÍTULO SEGUNDO (B)

O Curinha entrou e deu-lhe a versao do professor como lhe correspondia, mas, salvaguardou e mencionou a nossa versao. O Dr. Raul Lopes mandou-nos entrar; ficamos frente a frente com ele. Respirava-se mal. A figura pequena mas, ampla de ombros e formas do Dr. Raul Lopes impunha. Ouviu a nossa versao; a versao que lhe dei e que foi confirmada a coro pelos dois colegas. Mandou-nos sair. Ficamos à espera. Chegou, passado um tempo, o coronel com a alcunha de Salazar. Esteve reunido com o Director. Finalmente, fomos chamados. Entramos. O xá pestilento Salazar continuava com a sua versao. Entrei em discórdia com o nome que a maioria arrasadora dos portugueses nao quer recordar. O Dr. Raul, virando-se para mim, perguntou-me: como sabes os conxuntos? – O Dr. Catarino, o ano passado, no segundo ano, deu-nos tudo isso… O Dr. Raul ficou sério se é que xá non estava seríssimo. Olhou para o Salazar. O Salazar veio-se abaixo e reconheceu o seu erro. Mandou-nos embora e disse-nos que solucionaria o nosso caso, entretanto, non iriamos às aulas do Salazar. A fotografia do Sátrapa ficou dentro. Nao sei que falaram, non transcendeu nada. Quando a música virava ronca os alunos (por muito que se fabule agora…) nao sabíamos nada; nada e menos ainda outras coisas mais privadas ou íntimas. O dado real é o seguinte: no ano vindeiro o dito cujo coronel nao deu aulas no CNA, nem foi visto por perto… Aos alunos, aos três, separou-nos; eu dei, entao, com os ossos no tal 3ºA e os outros dois colegas foram cada um para uma turma diferente. Durante o acontecimento conheci o Dr. Raul Lopes. Nao era, nem foi um pedagogo, nem nada que se pareça a um pedagogo, mas, era das pessoas que tinha -talvez a que mais- sentido do arbítrio e da justiça no meio daquela selva rangente.

JOSÉ LUÍS MONTERO

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DAVID HUME (IMPUGNAÇÓN DO MÉTODO INDUCTIVO)

O filósofo escoçês David Hume (1711 – 1776) costuma ser considerado o representante mais influente do empirismo clássico, segundo o qual todo o verdadeiro conhecimento se debe basear na experiência sensorial (dada pola vista, polo ouvido, etc…), e apenas nela. Hume leva até às últimas consequências a posiçón do empirismo; para ele, existem apenas dous tipos de proposiçóns racionalmente aceptáveis: as puramente formais, que expressam relaçóns entre conceitos (por exemplo, “Nenhum solteiro é casado” ou que “Oito é um número par”), e as proposiçóns sobre o que indagamos através de experiências particulares (por exemplo, “O Joán está em casa” ou “Esta pranta é verde”). As primeiras, típicas da lóxica e da matemática, som absoluctamente verdadeiras, mas non proporcionam nenhum conhecimento da realidade, pois limitam-se a estabelecer relaçóns entre conceitos; as segundas, típicas da nossa experiência quotidiana, expressam de facto um conhecimento sobre a realidade, mas um conhecimento apenas provável e de qualquer forma referido a situaçóns particulares. Tudo o resto, isto é, tudo o que non é reductíbel a relaçóns puramente conceptuais ou a constataçóns de factos empíricos, e, em particular, as asserçóns da metafísica e da teoloxia que pretendem proporcionar-nos o conhecimento de unha realidade transcendente aos sentidos, non tenhem qualquer fundamento e, segundo palabras do próprio Hume, “debe ser lançado às chamas”. Hume empreendeu unha crítica demolidora de noçóns clássicas da metafísica, como as de alma, substância ou causalidade, mas também de ideias que, na sua época, pareciam mais próximas das ciências, como a de um método inductivo para alcançar xeneralizaçóns a partir de um certo número de factos particulares empiricamente observados.

C. ULISES MOULINES

O FRACASO DA ACADEMIA

Quando Isabelle foi despedida do “Cristina Filibustera”, porque a dona suspeitou que se tinha enrredado com Elipio Aldansa, perdoei-lhe as suas calumnias e puxêm-na de colaboradora na Academia, com um ordenado, que lhe pagaba eu do meu próprio pecúnio. Unhas cinco mil pesetas ao mês. Resultou unha modelo perfeita, Conhecia bastante bem a gramática alemán e, a respeito da gramática parda, sabía-as todas. Nunca soubem, nem me importaba que vida levaba na Alemanha a Isabelle. Aquí, cada dia que passaba era mais “zorra”. Cristina perseguía-a para despelhegá-la, polo do colombiano e Rocío despreçába-a, por algo de que nunca quixo falar. Mas, aos alumnos da Academia, tinha-os a todos completamente loucos e, inclúso marcabam explicaçóns com ela para depois das clásses. A mim, “pardilho” e sem benefício, facíam-me responsábel por todos os desaguisádos e desafôros, que a Isabelle cometía. A culpa, em verdade, era minha por tê-la repatriádo. Com respeito à Academia, o único problema de Isabelle foi que, acabou ocupando-se mais dos seus assuntos de fora, que das obrigaçóns de dentro; e que a usara para seu benefício pessoal. Esta Isabelle, chegaría lonxe, se Cristina Filibustera non lhe pegaba dous tiros. Porque Cristina tinha unha pistola, eu bem o sabía. E sabía, que non perdoaba, nem esquecia desaforo de alcoba ou usurpaçón de amante. Há pessoas cuxo destino é complicar-se a vida e também complicar-lha aos demais. Bem estaba que Isabelle sacára unhas “perras” extras nas horas libres, mas sem abusar. Tudo o que facía como modelo era inacreditábel, e os aspirantes a “Don Juan” agarrabam uns calentóns fortíssimos, e xá desexabam copular alí mesmo com ela, sem que acabára a clásse. Convencer a estes fulanos, que a Academia non era unha “casa de putas” e delimitar as lindes entre a teoría e a práctica era, para mim, um trabalho complicado. Por isso, quando a Academia pechou, preocupou-me menos perder uns dinheiros, mas deitei de menos a diversón. A “pasta”, sempre me importou pouco; tinha o meu ordenado no hotel e os meus “trapicheos” fora. E xá sabía o que era acumular ganhos, que me durabam um suspiro. Tinha um raro talento para queimar o dinheiro, de todas as maneiras e formas possíbeis, e daba-me igual oito que oitenta.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

DESCARTES (O PRIMEIRO MOTOR INMÓVEL)

A ciência que Descartes estudou na escola era, portanto, a dos gregos. Embora Aristóteles tivesse racionalizado e “mitigado” em grande medida o dinamismo inxénuo dos antigos (para quem o mundo do material era visto como um grande ser vivo, e os seus lugares vistos como relativos a funçóns e essências que determinavam o movimento das cousas e sobre as quais se podia influir através de oferendas e oraçóns), o mundo sublunar permanecia para ele dividido em quatro grandes rexións (fogo, ar, água e terra, esta última ocupando o centro do cosmos) que atraíam ou repeliam de forma natural o movimento dos corpos (na sua maioria compostos por misturas variáveis dos citados elementos). Non habia, portanto, lugar para a inércia: o mundo inteiro permanecia atravessado por causas impulsoras, a mais eminente das quais era Deus, cuxa inmobilidade todos os seres procuravam imitar sem êxito. Os astros eram compostos por um quinto elemento (éter ou quinta essência) e, estando apenas um gráu abaixo do primeiro motor inmóvel (isto é, Deus), deslocavam-se eternamente segundo o movimento mais perfeito concebíbel, o circular (pois é o que menos modificaçóns implica: o começo, o meio e o fim som nele virtualmente indistinguíveis a respeito do centro). Ora bem, o acesso a esta fabulosa ordenaçón dos seres non era público nem evidente: permanecia zelosamente guardado pola autoridade dos clérigos, que obstentavam nas suas bibliotecas e escolas o monopólio de leitura do “Libro do Mundo”, como se apenas eles e a sua língua especializada (um latim cheio de tecnicismos) tivessem a “chave” da proporcionalidade entre Deus e as cousas. Foi precisamente contra esse monopólio do saber que se rebelou a Reforma Protestante no século XV, defendida por teólogos modernos como Lutero, Tomás Moro, Erasmo de Roterdam ou Jacob Böhme. Segundo eles, a relaçón entre Deus e o home debia ser repensada de forma a facilitar um acesso “individual”; todo aquele que quisesse consultar as Escrituras debia poder fazê-lo sem passar pola intermediaçón de unha Igrexa corrupta. A relixión (“religatio”, aliança ou vínculo) seria assim “renovada”, e com isso inaugurar-se-ia unha nova era.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ROBERTO MERA COVAS (HOMENAXEM A ALEJANDRO VIANA) (7)

O novo ano iníciase con escuras perspectivas: a ofensiva do exército de Franco sobre Catalunya é xa definitiva, as defensas republicanas derrúbanse e, a partir do 28 de xaneiro de 1939, miles de refuxiados e soldados do exército republicano atravesan os pasos fronteirizos con Francia. Ás dez da noite do 1 de febreiro celébrase unha sesión das Cortes. O escenario escollido son os sotos do Castelo de Figueres, en Girona, moi preto da fronteira con Francia. Tan só sesenta e dous deputados, dos catrocentos setenta e cinco que compoñian as Cortes, asisten a unha sesión convocada en segredo. Viana é un deles, e con Suárez Picallo, Osorio Tafall, Alfonso Pazos e Pedro Longueira conforman a única representación galega na derradeira sesión das Cortes en territorio español. O acto presídeo Diego Martínez Barrio. “Antes da medianoite abriuse a sesión. Ocupaba o banco azul a maioría do Goberno, co señor Negrín na cabeceira, e os escanos uns 55 deputados. Cando axitei a campaiña fíxose o silencio, unha sensación de grandeza e eternidade encheu o salón onde nos reuniamos. Quen máis, quen menos, sabía que o seu nome, incorporado á historia, sería futuramente lección e exemplo.” Negrín intervén para advertir que non está disposto a aceptar a derrota, recoñece a alarma que no Goberno francés comeza a provocar o éxodo masivo de refuxiados, e admite as dificultades para adquirir armamento, pero defende o mantemento da contenda en coherencia coa súa estratexia de resistencia á espera do estourido da guerra europea. Os deputados presentes, en votación nominal, outórganlle un voto de confianza ao Goberno de Negrín e aproban por unanimidade unha declaración institucional. Quince minutos antes da unha da madrugada péchase a sesión, pero as esperanzas dos republicanos véñense abaixo en cuestión de horas no medio dun absoluto caos: centos de miles de refuxiados, xunto a boa parte das tropas, foxen espavorecidos cara a Francia; o colapso nos postos fronteirizos é absoluto, e as residencias de Juan Negrín e de Lluís Companys son bombardeadas por avións franquistas. Os dirixentes republicanos salvan as súas vidas refuxiándose nun bosque próximo.

ROBERTO MERA COVAS

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MARX (PARA A CRÍTICA DA ECONOMIA POSSÍBEL)

“O resultado xeral a que cheguei e que, unha vez obtido, serviu de fio conductor aos meus estudos, pode resumir-se assim: na produçón social da sua vida, os homes contraem determinadas relaçóns necessárias e independentes da sua vontade, relaçóns de produçón, que correspondem a unha determinada fase de desenvolvimento das suas forças productivas materiais. O conxunto destas relaçóns de produçón constitui a estructura económica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue a superestructura xurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produçón da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em xeral. Non é a consciência do home que determina o seu ser, mas, polo contrário o ser social é que determina a sua consciência.

MARX (PARA A CRÍTICA DA ECONOMIA POSSÍBEL)

GALIZA PARA COMÊLA (OS BOLOS DO POTE)

Esta vianda era, ata non hai moito tempo, un recurso moi socorrido cando, xa ben entrado o inverno, nas casas quedaba pouca fariña (ou se acababan as patacas) e coas chuvias e grandes cheas invernais os muíños deixaban de moer. A falta de pan ou de patacas (ou de ambas as dúas cousas, o que non era raro), en moitos fogares amasábanse os bolos do pote.

INGREDIENTES: Fariña de millo e de centeo; Auga, sal, cebola, touciño.

RECEITA: A masa facíase cunha pouca fariña de millo e algunha fariña de centeo, mesturadas com algo de auga que axudase a ligalas. Nesa masa poñíanse pequenos anacos de touciño desalgado previamente e cebola picada, e íase facendo un bolo do tamaño dunha pataca grande. Había que ter en conta o punto de sal do touciño para engadir máis sal ou non. Os bolos pasábanse un pouco por unha tixola untada previamente cun anaco de touxiño e despois, cando fervía o caldo no lume, rescaldábanse primeiro e deixábanse cocer despois co caldo, polo menos ata que aboiasen, momento no que xa se podían comer.

Con un pouco de unto vello

que o ben soupen aforrar,

e ca fairiña munda

xa tiña para cear,

fixen un caldo de groria

que me soupo que la mar

fixen un bolo do pote

que era cousa de envidiar.

ROSALÍA DE CASTRO (FOLLAS NOVAS)

GALICIA PARA SOÑAR (HÉRCULES DE EDICIONES S. A.)

HANNAH ARENDT (RACISMO)

Para Hannah Arendt, é preciso distinguir entre “pensamento racial” – unha espécie de estudo pseudocientífico sobre unha suposta hierarquía racial – e “racismo”, enquanto ideoloxia utilizada como xustificaçón nos planos políticos do colonialismo imperialista. Neste ponto, debemos recordar que, para Arendt, as ideoloxias som “sistemas baseados nunha única opinión com força suficiente para atrair e persuadir unha maioria de pessoas”. De acordo com isso, o racismo seria unha ideoloxia que “interpreta a História como a luta natural das raças”. O imperialismo criou a ideoloxia racista como xustificaçón para a conquista e para proporcionar unha base biolóxica à comunidade, questón que mais tarde o nazismo radicalizou ao estabelecer a sobreposiçón entre raça e naçón, de tal forma que os que non eram da raça prescripta ficavam à marxem da naçón, da comunidade política. Neste sentido, debemos ter presente que a política racial do Terceiro Reich pretendeu criar um novo mapa racial da Europa, redesenhando a humanidade de acordo com critérios raciais e devolvendo-a a unha natureza “orixinal”.

CRISTINA SÁNCHEZ

UN EDIFÍCIO PANTASMA

Pouco antes da chegada da democrácia construiuse un edifíxio (na rua António Palácios) que deberia, segundo din, cobixar aos sindicatos verticais locais. Ao chegar o novo réxime, xa co edifício rematado e desaparecidos os ditos sindicatos, comenzou unha longa agonia: de ser un inmóbel novo, sen inaugurar oficialmente, de baixo e dous andares, hoxe non é máis que estrutura, cando xa pasaron vários anos. Ninguén sabe onde foron parar nen a caldeira da calefacción, nen os radiadores, nen as portas, as xanelas… Todo o máis, hai uns dous anos, houbo nel unhas paroladas sobre menciña, pero nen para iso prosperou a construcción. O derradeiro expólio del tivo lugar o dia un deste mes, no que un furgón (segundo nos contan) cargou os restos das estruturas de alumínio das xanelas. Convén, xa que logo, desde aquí, chamar a atención das autoridades do que dependen para que lle percuren un destino axeitado antes de que sexa irremediábel.

PUBLICADO EM “A PENEIRA” (ANO I – 1984)

NICOLAUS MACHIAVELLI (OS MEDICI)

Em 1414, os Medici conseguiram tornar-se nos banqueiros papais, o que funcionou como impulso definitivo para o seu poder. Poucos anos depois, Cosme, o velho, filho de Joan, xá encabeçaba a lista dos homes mais ricos da Europa. E como costuma ser comum em sociedades muito desiguais, a riqueza de Cosme também lhe serviu para, mais tarde ou mais cedo, fazer do governo de Florença o seu próprio negócio. Como o conseguiu? Manipulando o sistema de nomeaçón dos candidatos ao principal orgań de governo da cidade, a “Signoria”, que depois eram referendados por votaçón do “Grande Conselho” como um mero trâmite. No ano em que Machiavelli nasceu, quem herdou o poder foi Lourenço, neto de Cosme, que deu orixem à verdadeira idade de Ouro do Resurximento em Florença. Foi o mais importante de todos os príncipes da família Medici, algo que lhe valeu o cognome de “o Magnífico”. Apesar de, em boa verdade, ter sido muito mais magnífico com Deus – e com a cultura – do que com os lucros dos seus libros de contabilidade. Porque durante o seu principado, a importância do banco Medici decaiu notoriamente. Tal como o seu avô, Lourenço deu continuidade ao proxecto de modificar as instituiçóns do governo da cidade, neste caso criando um novo “Conselho dos Setenta” cuxa finalidade non era outra senón limitar os poderes da “Signoria”.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

LITERATURA CASTELÁN (EL MESTER DE CLERECÍA)

Os clérigos e o seu “mester”. Frente ao “mester de xugraría” caracterizado, como vimos, polo contído popular e a irregularidade métrica, surxe no século XIII unha nova escola narrativa de carácter erudicto: o chamado “mester de clerecía”, cultivado por clérigos, ainda que entendendo sempre por tais non só a quem o eram propriamente, senon também – segundo a conhecida definiçón – a todo home culto e letrado, que albergára a educaçón “latino-eclesiástica”. Os cabaleiros, o mesmo que os reis, viviam entregados quase com exclusividade aos negócios da política e ao oficio das armas, e com frequência desconheciam até os rudimentos da ecritura; durante os séculos da Alta Idade Média, sobre tudo, forom numerosos os monarcas que non soubérom firmar. 0 “povo” pola sua parte, entendido inclúso no seu mais âmplo sentido de classe média ou burguesa, tería de passar um longo tempo antes de incorporar-se ao mundo da cultura literária com o nascimento e dessarrolho das cidades. O saber é pechado, pois, dentro de mosteiros durante séculos, clerecía e saber passam a ser quase sinónimos. Estes “clérigos” letrados, tinham escrito até enton as suas obras em latím, mas debido ao uso crescente da fala românce e, por tanto, ao feito de que cada dia decrescía o número dos que entendiam a fala clássica, acabarom por descender ao cultivo da fala popular, com o propósito de difundir entre as xentes o saber que atesouravam as suas bibliotecas: “Quiero fer una prossa en román paladino / en el qual suele el pueblo fablar a su veçino…”/, afirma Gonzalo de Berceo no começo da sua “Vida de Santo Domingo de Silos. E ao princípio do “Martyrio de Sant Laurençio” escrebe: “Quiero fer la passión de sennor Sant Laurent/ en romanz que la pueda saber toda la gent…”/. O “mester de clerecía” non desprazou, senón que coexistíu com o de xugraría e com as diversas formas e escolas líricas, mas sem confundir-se xamais com elas. Mantivo sempre o seu carácter peculiar e non foi nunca nem a poesía do povo, nem a da classe militar, e muito menos – como tantas vezes a lírica – , mera letra de cancións para as festas e diversóns da multidón. Non obstânte, a separaçón entre um e outro mester – o de “xugraría” e o de “clerecía” – non sempre é tán radical como podería parecer a primeira vista. Para xá empregam o mesmo idioma e están dirixidos a um mesmo tipo de público; ademais, non é infrequênte que os “clérigos” utilicem temas extraídos da canteira popular ou da tradiçón épica, ao menos como elementos accesórios. Por outra parte, a sua condiçón de vulgarizadores de temas relixiosos ou erudictos converte aos “clérigos” em competidores ou rivais dos xugráres andariegos, com a sua bagaxe de espectáculo e diversón. Existe unha como “xugraría ad divino” que pretende – disputando a “clientela” – contrarrestar com os seus relatos os efeitos que entón eram considerados pecaminosos, e até profundamente inmorais, do xugrar profano. Berceo chama-se a sí mesmo xugrar de Santo Domingo e trovador da Virxem. E ao explicar as razóns do mester que cultiva, pede aos seus ouvintes – nos conhecidíssimos versos – unha recompensa polo seu trabalho, como o mais modesto xugrar: “…bien valdrá, como creo, um vaso de bon vino.”

J. L. ALBORG

BERGSON (INTRODUÇÓN À METAFÍSICA)

A “Introduçón à Metafísica” reveste-se de especial interesse por ser considerado o manifesto inaugural do “bergsonismo” como moda intelectual. Era costume, entre as novas correntes artísticas de princípios do século XX, apresentar-se à sociedade com um texto explosivo, carregado de agressividade e desprezo face ao “velho”. Non bastaba oferecer novas ideias: era preciso reinventar o ser humano. Neste caso, Bergson resume a sua crítica à filosofia tradicional, cristalizada nos valores do estáctico e do eterno. No seu lugar, esboça um novo método, o da “intuiçón”, que é introduzida pola primeira vez na sua obra. O texto é pura dinamite para unha época exaltada. É traduzido para as principais falas e serve de inspiraçón às correntes mais diversas, do futurismo italiano de Giovanni Papini ao sindicalismo revolucionário de Georges Sorel, passando polo dadaísmo anarquista russo ou o recém-nascido cubismo françês. Os nove “princípios do método” incluídos nesse texto som, de forma abreviada, os seguintes:

1º “Há unha realidade exterior e, no entanto, dada imediatamente ao nosso espírito.” O senso comum tem razón neste ponto tanto em relaçón ao idealismo como ao realismo dos filósofos.

2º Esta realidade é mobilidade e “tendência”, e, no entanto, trata-se de unha existência “substancial” e persistente.

3º O nosso espírito, que procura pontos de apoio sólidos para a acçón, tem por funçón principal, no curso ordinário da vida, representar “estados e cousas”. Reduz visóns quase instantâneas sobre a mobilidade indivisíbel do real obtendo “sensaçóns e ideias”. Assim procede a nossa intelixência quando segue o seu curso natural: com percepçóns sólidas e concepçóns estáveis. Mas também deixa escapar do real o que constitui a sua própria essência.

4º As dificuldades inerentes à metafísica, as suas antinomias, contradiçóns e disputas entre escolas antagónicas, resultam de se aplicar os procedimentos de utilidade práctica ao conhecimento desinteressado do real. “O fixo pode ser extraído do móvel, mas a mobilidade non será reconstruída com fixidez.”

5º “As demonstraçóns que Kant deu da relatividade do nosso conhecimento están viciadas: suponhem, como o dogmatismo que atacam, que todo conhecimento debe partir de conceitos de perfis definidos para apreender com eles unha realidade que, polo contrário muda.” Toda a história da filosofia, de Platón a Kant, repousa sobre o postulado “erróneo de que o nosso pensamento é incapaz de outra cousa que non sexa “platonizar””, isto é, esvaziar toda a experiência possíbel em moldes preexistentes.

6º Mas a verdade é que o nosso espírito pode seguir o caminho inverso. Conduzirá assim a conceitos fluidos, capazes de seguir a realidade em todas as suas sinuosidades e de adoptar o movimento da vida interior das cousas. “Filosofar é inverter a direcçón habitual do trabalho do pensamento.”

7º Esta inversón nunca foi practicada de forma metódica, mas unha história profunda do pensamento mostrará que lhe debemos o mais importânte que foi feito em metafísica. “Um dos obxectos da metafísica consiste em operar diferenciaçóns e integraçóns qualitativas”.

8º “É relativo o conhecimento simbólico através de conceitos preexistentes que ván do fixo ao móvel, mas non o conhecimento intuitivo que se instala no móvel e adopta a própria vida das cousas. Esta intuiçón atinxe um absolucto”.

9º Os filósofos antigos pensaram que a acçón era unha contemplaçón debilitada; a duraçón, unha imaxem enganosa e móvel da eternidade imóvel; e a alma, unha queda da “Ideia”. Esta concepçón, embora inicialmente rexeitada, foi assumida também polos modernos, que se deixaram arrastar pola confortábel inclinaçón do pensamento.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

POETAS DA TERRA (ALFONSO PEXEGUEIRO)

CANCIÓN CALADA (A NANA DO CONTO)

Eu atopei un reiseñor branco

Xogando na area…

Pero non dixen nada…

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Unha garza azul buscando auga

Un mono verde xogando

Un pouco de vento correndo

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Eu atopei un reiseñor branco…

E, anque el non me dixo nada, eu

Souben quen era…

Pero disimulei… e non dixen nada…

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Vendo o mono xogar…

Vendo a garza beber…

Vendo o vento correr…

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ALFONSO PEXEGUEIRO.