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– Fentos que lle tendes
medo aos autos
– Fentos que lles temos
medo ao lume
– Non gustades
desta charla, xa vexo
– Non gustamos,
gustamos da man
que nos aloumiña
co sangue da comprensión
– O voso talo medra quente
– E no outono fala ruibo escuro.
francisco candeira
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Os nossos leitores relacionarao rapidamente o nome deste complexo com uma das grandes tragédias clássicas, “Rei Édipo”, de Sófocles (496 a. C. – 406 a. C.). A apaixonante história do génio de Sófocles nao só narrava as desventuras de um homem concreto, Édipo, mas as peripécias pelas quais devia passar qualquer homem ou, melhor dizendo, qualquer criança. Se iluminarmos os alicerces de qualquer ser humano, veremos representada, segundo Freud, uma trágica cena similar á do malogrado Édipo. Está longe de qualquer dúvida que o bebé encontra na figura da mae a fonte de satisfaçao de todas as suas necessidades e desejos naturais: é a mae quem o alimenta com o seu peito, é a mae quem o mima, é a mae quem está ali a todo o momento para o consolar… Por todas estas razoes e por mais algumas, a mae torna-se o principal objecto de desejo da criança; até se poderia dizer, forçando um pouco o vocabulário, que a criança acabará apaixonada pela mae. A criança pequena ansiará, pois, por um tipo de relaçao íntima com a mae, como a que Édipo inconscientemente acabou por consumar. Em contrapartida, a figura do pai tem, para o bebé, um papel totalmente diferente do da mae. A maioria das vezes, o pai é um impedimento para a realizaçao desses desejos infantis. O pai limita a todo o instante o acesso da criança a essa fonte de satisfaçao representada pela mae, impoe limites ao seu desejo. Perante tal agravo, o bebé experimenta, a um nível nao consciente, claro, um grande ódio pelo seu pai. Desejaria destruí-lo, desejaria que desaparecesse; em última análise, desejaria a morte do rival. Sabemos que, efectivamente, Édipo acabou com a vida de Laio, seu progenitor. Os sentimentos vivenciados pela criança durante a primeira infância coincidem plenamente, pois, como a trágica trama que Sófocles nos narra: de forma similar a Édipo, a criança desejaria matar o pai e unir-se definitivamente á mae. É provável que os nossos leitores se perguntem o que acontece no caso das meninas. Porém, Freud, neste ponto, nao prestou muita atençao ás particularidades do sexo feminino e limitou-se, practicamente, a afirmar que, na menina se dariam esses mesmos sentimentos, mas desta vez de maneira prioritária em relaçao ao pai. Será outro psicanalista, o já citado C. G. Jung, que denominará a situaçao edíptica feminina como “complexo de Electra”. Como vemos, também Jung assume o nome deste complexo de uma tragédia de Sófocles: desta vez, sao-nos narradas as desventuras de Electra, que espera o regresso do seu irmao Orestes para que este vingue o assassinato do pai, Agamémnon, morto pela sua infame mae, Clitemnestra, e o seu amante. Seria lógico pensar que, quer se trate de um menino ou de uma menina, de um pequeno Édipo ou de uma Electra, estes desejos infantis de amor e ódio serao progressivamente reconduzidos para uma relaçao mais calorosa, consciente e madura com os pais…
marc pepiol martí
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Qué gustiño
que vexo baixar e subir
os montes
e o fío da soidade amo
e quero o novelo
do silencio
– Ti es un eucalipto
que di non,
que xeme atado a min
-Eu son un anaco
moi pesado de ar
– Mais amas, a calar
francisco candeira
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Em 1913, rompeu com o freudismo e continuou as suas investigaçoes por conta própria. Os interesses de Jung eram muito mais espirituais do que os de Freud, um estricto materialista. O psiquiatra suiço sentia-se completamente fascinado pelo mundo das religioes, das tradiçoes mitológicas e do misticismo em geral. Através das suas indagaçoes, Jung postulou a existência de um “Inconsciente colectivo” na psique humana, um substracto comum de natureza supra pessoal e de carácter hereditário. Alí residiriam uma série de arquétipos ou figuras simbólicas universais que se expressariam no sonho e nas grandes tradiçoes espirituais da humanidade. A caracterizaçao claramente sexual da líbido feita por Freud também lhe valeu alguns desencontros com a comunidade psicanalítica, já que nem todos os especialistas concordavam em afirmar o carácter genuinamente sexual da “libido”. Por exemplo, C. G. Jung apresou-se a apostar na sua des-sexualizaçao. Em 1911, o psiquiatra e psicanalista suiço publicou “Transformaçoes e Símbolos da Libido”, uma obra com a qual pretendeu ampliar o conceito de “libido”; propunha considerá-la simplesmente uma espécie de “tensao” em geral, um “apetite” ou “tendência” indefinida própria da natureza humana. Porém, Freud nao estava disposto a transigir num ponto tao essencial da sua teoria psicanalítica, um facto que acabou por precipitar a ruptura com Jung, um dos seus discípulos mais queridos. Assim, para Freud, nao havia discussao possível: era necessário considerar a “libido” uma energia inequivocamente sexual, embora fosse verdade que podia ser canalizada através de actividades diversas. Uma determinada relaçao de amizade, a paixao pela arte ou por algum campo do saber, a dependência do trabalho, etc., deviam compreender-se como manifestaçoes disfarçadas desta mesma força erótica. Nesses casos tratavam-se de “sublimaçoes”, ou seja, de realizaçoes secundárias e parciais, essas, sim, socialmente muito mais aceitáveis, deste impulso libidinal básico de origem sexual. Uma vez definida a “libido” como alimento e motor da sexualidade humana, é imprescindível analisar a sua dinâmica interna, isto é, determinar de que maneira tal energia é capaz de agir no corpo humano, se nos é permitida a expressao, de sexualizá-lo. Chegados a este ponto, e para avançar na caracterizaçao da “libido”, deveremos pedir a Freud que nos esclareça mais algumas ideias sobre a sua visao da natureza humana.
marc pepiol martí
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-Castiro que abaneas
pra ceibar unha folla,
ámame todo.
-Eu só miro cómo cae
-Pro sen algo quedas
-Non son miñas
e eu son do aire
– E da terra
– E da terra
pra que ti me vexas
firme.
francisco candeira
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Á luz destes dois modelos teóricos da psique humana que Freud concebeu, podemos concluir que o homem nao age usando a razao, isto é, examinando com neutralidade e moderaçao as possibilidades que se lhe afiguram, mas age determinado por uma série de pulsoes e de severos imperativos inconscientes que escapam por completo ao controlo do eu racional. Sem dúvida, o “Id” exerce uma força determinante sobre o “Ego”, e este domínio expressa-se sobre tudo, segundo Freud, no que concordaríamos em chamar sexualidade. Com efeito, o estudo psicanalítico de um grande número de pacientes com algum tipo de patologia psíquica (histeria, neurose, psicose…) convenceu Freud de que a sexualidade era o núcleo gerador dessas disfunçoes. Por trás dos comportamentos neuróticos dos pacientes, Freud encontrava, sem excepçao, algum aspecto relacionado com o sexo, ora um desejo nao realizado ou reprimido, ora uma experiência traumática ou uma frustraçao. Era como a Tebas das cem portas: pode entrar-se na cidade pela porta que se quiser, mas vai-se sempre parar ao mesmo lugar, ao centro da cidade (neste caso, ao núcleo da psicanálise freudiana, a sexualidade humana). Mas nao é só isso: a teoria da sexualidade alçava-se num dos elementos-chave para explicar o comportamento geral das pessoas sans, permitindo, em último análise dar conta dos seus verdadeiros desejos, das suas motivaçoes e das suas variadas opçoes vitais… Freud dizia que nos neuróticos tudo o que havia era o reflexo amplificado dos desejos e perturbaçoes que, num momento ou outro da vida, qualquer pessoa podia experimentar ou sofrer… …para Freud, entre saúde e doença mental nao existia um salto qualitativo, mas meramente quantitativo, de intensidade… Freud foi buscar o termo “libido” á tradiçao latina, onde significava literalmente “desejo” ou “ânsia”; até mesmo, em certas ocasioes, poderia ser entendido por libido uma espécie de desejo desenfreado. Em termos gerais, poderia aceitar-se que, para Freud, a “libido” era uma espécie de “dynamis” ou “energia” de carácter sexual; de facto, para o pai da psicanálise acabou por representar a força mais paradigmática das pulsoes da vida (ou eróticas) que, como acabámos de ver, alimentam as camadas mais profundas da psique humana, ou “Isso”.
marc pepiol martí
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Trábanche as cousas e non as miras
– dixo a alma do verde monte.
– Paso e premo as follas do libro
pra gañarlle ao vento
– Vaiche boa vai, teño
pau pra tamancas!
– Pra que me salves
dígoche as letras
onde vou morrendo
– E o teu amigo Bosque
– O meu amigo sempre
FRANCISCO CANDEIRA
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Como vimos no capítulo precedente, até mesmo depois da publicaçao de “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, em 1859, o homem ainda tinha a esperança de pensar que, apesar de ser mais um animal, possuía uma genuína faculdade racional que lhe permitia dominar os impulsos animais. Parecia que, através da razao, a natureza animal do homem podia ser conduzida para fins muito mais elevados do que a mera conservaçao e reproduçao instintiva. Boa mostra disso é que, de maneira um tanto confiante e presunçosa, o homem se autoproclamou cientificamente como “Homo Sapiens Sapiens”, isto é, “homem” duplamente “sábio”. O desenvolvimento da psicanálise freudiana poe em causa este último bastiao de orgulho e confiança humanos: a razao consciente passa a ser tao só a pequena ponta de um enorme icebergue, submerso practicamente na sua totalidade em obscuras águas inconscientes; o que significa que o comportamento humano se rege mais pelos instintos do que pela razao. Adeus razao e livre-arbítrio! Vamos, precisamente, dar início a este capítulo analisando com atençao os dois modelos teóricos da mente humana que Freud foi elaborando de forma progressiva no decurso da sua vida; isto é, a “primeira tópica” e a “segunda tópica”, propostas que nos afastam, de uma vez por todas, dessa confiante visao do homem como ser racional e livre.
marc pepiol martí
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-Quero devorar a paisaxe toda,
con Natura falar, chorar
a espremer ourizos
se son de idea,
e despois calar
e despois durmir con vós
-Sé bo, non custa nada
-Son bo, pro como sei
-Se bo, como queres
-Son bo, como podo
Sé bo, pensa e cala
e durme con nós, respira
coma nós, canda nós
que semellamos vida e durmimos.
FRANCISCO CANDEIRA
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Desde que o homem é homem sempre acreditou ser o centro do universo, uma espécie privilegiada dentro da criaçao e do plano divino. A humanidade, como aconteceu com Narciso, apaixonou-se pela própria imagem. Por sorte, afirmará Freud, a ciência tem contribuído para reduzir estas desmesuradas aspiraçoes. Concretamente, a supremacia do homem como espécie foi posta em questao graças a três teorias científicas; a teoria de copérnico, a de Darwin e, finalmente, a psicanálise do próprio Freud. Falaremos, pois, de três afrontas históricas ao narcisismo: uma cosmológica, uma biológica e uma psicológica. Vejamo-lo brevemente. Com muito poucas excepçoes, a cosmologia antiga baseava-se na ideia de que o universo tinha uma forma circular: se o cosmos era uma criaçao divina, só podia ser circular, já que o círculo era a figura mais perfeita (qualquer ponto é equidistante do centro). Além disso, as observaçoes apontavam para o facto de a Terra dever ocupar o centro deste círculo perfeito, pois tudo – as estrelas, os planetas errantes e o Sol – parecia girar em seu redor. Assim, a grandeza do homem como espécie expressava-se cosmologicamente através da centralidade da Terra, o seu habitat. Este modelo geocêntrico foi questionado por Nicolau Copérnico no século XVI. Claro que o heliocentrismo de Copérnico foi muito polémico, já que deslocava, sem contemplaçoes, o homem do centro da criaçao. No entanto, os estudos científicos posteriores confirmaram repetidamente a tese heliocêntrica de Copérnico. Na verdade, foi uma comoçao para o homem descobrir que, a partir de uma perspectiva cósmica, o universo se desenvencilhava muito bem sem ele. No entanto ao homem maduro e civilizado restava o consolo de pensar que, na Terra, ele era o indiscutível dono e senhor. Mas esta ilusao durou pouco tempo, já que, em pleno século XIX, Charles Darwin evidenciou que o homem nao podia ser considerado uma espécie animal privilegiada, muito menos independente das demais. O homem era apenas mais um dos galhos da grande árvore da vida. Assim, a reconfortante tese do Génesis, que dizia que o homem tinha sido criado á imagem e semelhança de Deus, dissolvia-se como tinta na água. Depois destes dois reveses, o homem ainda tinha de enfrentar a última e mais severa das afrontas, a da psicanálise. Até entao, todos os ataques ao seu amor-próprio tinham consistido em minar as suas certezas sobre a realidade que o circundava – o seu lugar no cosmos, a sua relaçao com o mundo animal; a partir da psicanálise, ao homem já nao lhe resta nem o seu próprio mundo interior para se regugiar, porque, inclusivamente, aí o seu domínio é completamente aparente. A psicanálise poe definitivamente em causa o papel preponderante da razao. O incontrolável e obscuro inconsciente passa a ser considerado o verdadeiro faz-tudo da vida humana.
MARC PEPIOL MARTÍ
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Xa se muda a devesa en brisa palpitante
alí onde os dedos piden clarexar
ángulos, sombras, nomes, fantasías.
Xa pousan o seu po de día rutineiro
nos poros anhelantes de luz íntima
porque os corpos reclaman o tremor
que pervive no tempo máis inmóbil.
Raudo medra o desexo e busca cego
en verde entraña branco sol de infancia.
Sobe un silencio ilícito ata os labios,
un fervor. Esta fronte xa non pensa:
só hai lampos acurtados polo olvido,
lampos e un canto breve coma a morte.
!Como cantan os grilos!
Brilla tamén a sombra. Pero escoita:
neste abandono limpo en que xacemos
quizais nos queden voces imprevistas:
paxaros azuis, chuvia, bosque antigo.
FRANCISCO XOSÉ CANDEIRA
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A psicanálise foi, claramente, uma criaçao de Sigmund Freud. De facto, pode-se inclusivamente datar com exactidao a primeira vez que o nosso autor se referiu á sua recém-criada técnica com o nome de psicanálise: foi num artigo publicado a trinta de março de 1896. Escusado será dizer que, naquela ocasiao, o seu método de análise da alma – é o que significa etimologicamente o neologismo – nao estava ainda suficientemente desenvolvido. Freud vislumbrava unicamente um horizonte muito prometedor. E podemos afirmar que o tempo acabou por lhe dar razao. Mas como chegou Freud a formular esta revolucionária teoria sobre a psique humana? Antes de começar a detalhar o périplo que levou Freud á descoberta da psicanálise, é importante esclarecer que aquí só analisaremos a psicanálise tal como a concebeu e practicou Sigmund Freud durante toda a sua vida. De facto, ainda no tempo de Freud, a escola psicanalítica diversificou-se notávelmente. Autores que num primeiro momento se situaram ao abrigo das ideias freudianas, começaram a separar-se do mestre e a propor novos princípios e formulaçoes. Em sentido estricto, falar da psicanálise actualmente seria falar das diversas escolas psicanalíticas existentes. Porém, o nosso objectivo incidirá apenas na compreensao desta primeira e mais genuína versao da psicanálise, a freudiana, que, como em breve descobriremos, foi concebida como método inteiramente terapêutico para tratar doentes de neurose e, pouco a pouco, foi evoluindo até se converter em toda uma filosofia do sujeito e da cultura.
marc pepiol martí
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I
Tódalas palabras que solicitan ser ave teñen o meu amor:
só o silencio do voo pode falar da cobizada Eternidade
e penetrar no íntimo coma un libro ou unha mulher amada.
II
Abrirlle as portas ó sono coa chave chuventa do silencio
deixarse durmir coma un príncipe desleixado ou un aedo feliz
e soñar, cada noite que arde soñar un soño improbable.
III
Vivir e amar nunha casa de pedra, beirada de musgos e nogueiras
vivir así (recolleito): sen auto, sen televexo, sen canción urbana
e estar namorado do silencio, en homenaxe, ata o derradeiro intre
FRANCISCO XOSÉ CANDEIRA
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A obra escrita de Freud é, sem dúvida, muito considerável. Há que salientar que a sua produçao científica e filosófica, traduzida para castelhano, abarca um total de vintitrês grossos volumes. Além disso, teriamos de acrescentar a sua importante e muito significativa actividade epistolar. Sem dúvida que Freud foi um escritor consciencioso e muito prolífico… Contudo, é habitual classificar tematicamente a obra escrita de Freud em quatro grandes blocos. Um primeiro grupo corresponderia ás obras em que Freud estabelece as bases do seu modelo psicanalítico; a célebre “A Interpretaçao dos Sonhos” (1900) ou “Psicopatologia da Vida Quotidiana” (1901) serian as mais significativas. Um segundo grupo incídiria nos contributos de Freud em relaçao á importante teoria da sexualidade humana e da líbido; neste sentido, merecem ser citados os polémicos “Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade” (1905). Os textos a partir dos quais se estabelece a segunda tópica, isto é, o último modelo teórico da psique humana com o qual Freud trabalhou, ocupariam um terceiro bloco; nele destacaria “Para Além do Princípio do Prazer” (1920) e “O Eu e o Id” (1923). Finalmente, Freud consagrou grandes esforços a reflectir sobre a sociedade e a cultura; neste grupo inclui-se “Totem e Tabu” (1913) ou o impressionante “O Mal-Estar na Civilizaçao” (1930). Apesar da necessária distância crítica e objectiva que Freud queria manter, os seus textos denotan, pelo menos, três aspectos muito pessoais a destacar. O primeiro é a sua honestidade científica, isto é, a sua retidao e honestidade intelectual; o segundo, a sua grande erudiçao, e, finalmente, o seu olhar crítico sobre os factos e a própria obra, uma actitude que fez dele um pensador sempre em construçao, em processo… Além disso – é importante destacá-lo – Freud nunca se amedrontou perante o possíbilidade de as suas escandalosas teorias lhe pesarem a nível social ou profissional. Temos um bom indício desta actitude noutro dos fragmentos de “O Futuro de uma Ilusao”…
MARC PEPIOL MARTÍ
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Aos meus amigos de Guillade
Fora dono do casco de Plutón pra tornarme invisible
(descasí, non de todo): estar cos ollos ben abertos
na voz un gromo de silencio
-bufa a curuxa fóra-
estar aí na Taberna do Alén, a carón dese lume
entre rostros amigos, voces, espiritoso viño
e ver e comprender
Giordano Bruno
queimado en Roma
por ter pensado acerca do Universo, do Infinito e dos Mundos
e saber que hai un viaxeiro a piques de baixar do tren
en Compostela e que non dará chegado
onda nosoutros
porque esqueceu unha contraseña exacta
porque non trae a Palabra que nos faría felices
a Palabra perdida polos homes todos
hai tanto tempo.
FRANCISCO XOSÉ CANDEIRA
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