
Carácter, estilo e significaçón da sua obra. Don Juan Manuel é o primeiro escritor castelán preocupado pola posteridade e pola conservaçón e transmisón dos seus escritos. No prólogo do “Conde Lucanor” comenta que “vio e sabe que nos libros acontecem muitos erros nos traslados porque as letras parecem-se unhas às outras (cuidando que unha letra é a outra, em escribílos múda-se toda a razón, e por ventura confúnde-se), e os que depois encontram aquílo, ponhem a culpa em quem fíxo o libro”; e em consequência advirte-nos que, antes de facê-lo responsábel de algunha méngua, confrontem as cópias com o orixinal dos seus escritos (cuidadosamente corrixídos de seu punho) que ele tinha depositádo para a sua custódia no mosteiro de Peñafiel: “que se falharem algunha palabra mal posta, que non ponham a culpa nele até que vexán o libro mesmo que Don Johan fíxo, que emendado em muitos lugares de sua letra”. No prólogo xeral das suas obras conta que um cabaleiro de Perpignan compuxo unha cantiga de grande beleza e que passando por unha rua escúitou a um zapateiro que a cantaba de modo que a deixaba “muito mal parada”. O cabaleiro penetrou airadamente na tenda do zapateiro e destrozou quantos zapatos encontrou. Ao protestar este ante o rei, o cabaleiro xustificou-se dizendo que o que tinha feito com os zapatos, fora o mesmo que este tinha feito com a cançón. Em numerosos lugares dos seus libros, pode advertir-se que Don Johan Manuel (non menos susceptíbel como home que como escritor) atormentába-se vivamente, polo conceito que teríam os demais sobre os rasgos da sua prossa, o conteúdo das suas obras ou incluso a sua condiçón de escritor. De ahí as frequentes alusóns que fái ao seu próprio estilo. Constante é o cuidado de Don Johan Manuel polo aperfeiçoamento (até no material) dos seus trabalhos literários. Quando remete para o arzobispo de Toledo unha cópia do “Libro del Caballero et del Escudero”, o adverte que non lho envía escrito em boa letra, nem em bom pergaminho porque é possíbel que non lhe agrade, mas que se lhe gusta, o refará “más apostado”. Nada mais diferente entre esta postura de escritor (sempre em alerta pola sua obra) e a despreocupaçón que sente pola sua o Arcipreste de Hita, quem non duvída, como vímos, em convidar os seus leitores que disponham dos seus versos ao seu antoxo. Non obstânte, o destino, xogou-lhe unha mala passada a este Don Johan Manuel, pois os manuscríptos, tán cuidadosamente guardados, que tinha depositados em Peñafiel, acabarom deborados polas chamas de um incêndio. Conservarom-se medianas cópias de outras procedências, mas algunhas das suas obras, como anteriormente dito, perdeu-se totalmente.
JUAN LUIS ALBORG