
Todo o quartel se encontrava no estado de imundície e caos a que a milícia reduzía todos os edifícios que ocupava e que parecía ser um dos subproductos da “revoluçón”. Por todos os cantos se víam montes de mobiliário espatifádo, selas partídas, capacetes de latón da cavalaria, bainhas de sables vazías e comida, principalmente de pán. Só na sala onde me encontrava deitava-se um cesto de pán fora, a cada refeiçón (triste procedimento, quando a populaçón civil tinha falta desse alimento). Comíamos em compridas mesas montadas sobre cavaletes, em marmitas cronicamente engorduradas, e bebíamos por unha cousa horríbel, chamada purón. Um purón é unha espécie de garrafa de vidro com um bico do qual sai um fino xacto de vinho sempre que o inclinamos. Isso permite beber de lonxe, sem tocar com os lábios, e passar o purón de man em man. Eu, porém, mal vi um purón em acçón entrei em greve e reivindiquei um púcaro. A meus olhos, aquela história parecía-se muito com um urinol de cama, especialmente quando estaba cheia de vinho branco. Pouco a pouco, forom distribuindo uniformes aos recrutas, e como estábamos em Espanha era tudo distribuído peça por peça, de modo que nunca se tinha a certeza de quem recebera o quê. Algunhas das cousas de que necessitávamos, como cinturóns e cartucheiras, só foram distribuídos no último momento, quando o comboio xá estaba à espera para nos conduzir ao frente. Falei no “uniforme” da milícia, o que talvez tenha causado unha impressón errada pois non se trataba exactamente de um uniforme. Provabelmente o termo adequado sería “multiforme”. A roupa de toda a xente obedecía ao mesmo tipo xeral, mas non había dous homes vestidos da mesma maneira. Practicamente toda a xente do exército usava calzóns de bombazina até aos xoelhos, mas a uniformidade chegava aí e paraba. Uns usavam grevas, outros polainas de bombazina e outros perneiras de couro ou botas altas. Toda a xente usava um casaco com fecho de correr, mas uns casacos eram de cabedal e outros de lán e de todas as cores imaxinábeis. Os tipos de bonés resultabam tán numerosos como os seus portadores. Era costume adornar a frente do boné com um emblema do partido e, além disso, quase todos os homes usavam ao pescoço um lenço encarnado ou negro-encarnado. Naquele tempo, unha columna de milicianos era unha turba de aspecto extraordinário. Mas as roupas tinham de ser distribuídas à medida que esta ou aquela fábrica as entregaba, e non eram malas, atendendo às circunstâncias. As camisas e as peúgas, porém, eram unha desgraça, de algodón e absoluctamente inúteis contra o frío. Nem quero pensar no que os milicianos debem ter sofrído nos primeiros meses, quando ainda non estaba nada organizado. Lembro-me de ter encontrado um xornal de dous meses antes, apenas, em que um dos líderes do P. O. U. M. afirmaba, depois de unha visita à frente, ir fazer os possíbeis para que “cada miliciano tivesse um cobertor”. Unha frase que causa arrepios de frio a quem xá dormíu nunha trincheira.
GEORGE ORWELL