EM NOME DE GUILLADE (XXVI)

                                  CLIMA

               Pola súa altitude, unha elevaçón media sobre o nível do mar inferior ós duzentos metros na maior parte do seu território, e pola súa posiçón xeográfica, próxima ó océano Atlântico, encádrase dentro do dominio climático que se pode considerar mediterrâneo húmido, oceânico com trazos mediterrâneos ou subtropical húmido.  Caracteríza-se polas temperaturas suaves no inverno e cálidas no verán, com abundantes precipitaçóns debido à influência oceânica.  O mes máis frío corresponde-se com Xaneiro, com 8,5ºC de media, mentres que em Xulho se rexistran as cotas máximas, com arredor de 21,5ºC.  A amplitude térmica é duns 13ºC, polo que xa indica certas características que se correspondem com o continental ou com o mediterrâneo com respeito a unha suavidade climática oceânica pura.  Os valores estivais som superiores ós atlânticos e as temperaturas invernais descendem dos 10ºC  en Decembro (8,5ºC), Xaneiro (8,5ºC) e Febreiro (9ºC), o que condiciona o desenvolvimento do ciclo biolóxico dos seres vivos.  Ademais, possúe um total de seis meses con valores inferiores ós 10ºC, rexistrándo-se ás vezes 0ºC, con riscos de xeadas.  A semelhanza cos climas de tendência mediterrânea deixa-se sentir sobre tudo nas médias máximas, pois superan-se os 25ºC em Xulho, Agosto e Sptembro.  As precipitaçóns anuais exceden os 1.500 milímetros, mas arredor das três quartas partes rexístran-se em seis meses, de aí o seu carácter irregular; Xaneiro, Febreiro e Marzo tenhem chúvias em mais da metade dos seus días, mentres que Xunho, Xulho, Agosto e Septembro som os máis secos, c’um acusado déficit hídrico.

alberte reboreda carreira

A ARTE COMO ALÍVIO E COMO REVELAÇÓN (54)

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      (redençón momentânea pola arte)

               O terceiro livro de O Mundo está dedicado á experiência estéctica.  É unha das grandes reflexóns alguma vez escritas sobre o assunto.  A arte permite substrair-se à trama da vontade, emerxir do querer.  Deixa a vontade em suspenso: de modo provisório, desaparece o perguntar obsessivo sobre a utilidade que as cousas têm para nós.  A arte entende-se de um modo singular, sem remeter o obxecto aos intereses egoístas, non subxectiva, mas obxectivamente.  Experimenta-se como pura representaçón, sem motivo para a acçón ou o desexo.  Por si mesma, non tem relaçón com outros obxectos.  Enquanto dura a experiência estéctica  “livramo-nos da humilhante urxência da vontade, celebramos o sabbath dos trabalhos forçados do querer” (MVR1,231).  A pessoa dotada de capacidade para a contemplaçón estéctica pode experimentar com obxectos naturais: unha paisaxem, unha árbore, unha rocha;  mas o obxecto idóneo para vivê-la com maior intensidade é o obxecto artístico.  A arte orixina um estado de comtemplaçón em que a vontade fica em suspenso, o que dá alívio e revelaçón ao espírito. O que a arte revela son arquétipos eternos.  Eleva o suxeito a um estado de conhecimento ou percepçón obxectiva na qual experimenta um tipo de prazer único ao ver com serenidade a forma eterna das cousas.   As ideias, os arquétipos, encontram-se fora das determinaçóns espaço-temporais,  para além das cousas e dos seres particulares, concretizados na matéria e das relaçóns que estes mantêm entre si.  Quando o suxeito está submetido à vontade só é capaz de perceber o reino do empírico e do particular, e de encaminhá-lo para os seus intereses egoístas.  O efeito terapêutico e cognitivo da arte consiste em permitir ao suxeito acceder à experiência estéctica das formas arquetípicas.  O suxeito capaz de se elevar ao nível da contemplaçón da Ideia percebe o eterno e inmutável, e abandona a sua habitual prostraçón apetitosa: perde a consciência de si mesmo como indivíduo.  Claro que os termos e conceitos de Ideia, Forma e arquétipo nos remetem de inmediato para a filosofia platónica que, como sabemos, xuntamente com Kant e o pensamento hindu, é a terceira grande influência na filosofia de Schopenhauer.  Neste sistema unitário, tudo conduz ao todo: também a estéctica à metafísica.

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (15)

CONVENTOIMG_1757

               Calamidades. Sufráxio.  O día 16 de Decembro de 1905,  assistiron todas as pessoas devotas á Santa Misa que se celebrou em sufráxio do meu tío (que em paz descanse), a minha nái assistíu, chegando de Matamá onde eu andava com a toura, e despois foi a Oliveira, chegando polas 6 da tarde chorando de tal maneira que tivem que ir por ela, perguntei-lhe que passava, e dixo que a sua irmán se tinha metido nela, despois de passados 15 minutos deixou de chorar, xa só se queixava da cabeza, eu tamém todo o día tinha andado aturdido da cabeza como se me quixera dar um síncope e queixas do corazón, etc…   Ofertórium.  O día 14 de Decembro de 1905 Domingo, a minha nái foi ó  ofertório do meu tío (q. e. p. d.), eu tinha quedado na casa, acto continuado chegou Avelino Carraceda, xogamos um partido e despois marchamos.  O día 18 de Decembro de 1905, sentín unha forte dor no xoelho da perna esquerda por via dum carbunclo, que reventou derramando aproximadamente meio quartilho de sangre, eu xamáis tinha visto carbunclo semelhante.  A minha nái e o adivinho.  O día 20 de Decembro a minha nái foi a Ponte pagar o consumo e de passo foi xunto ó adivinho.  De noite, vem o Spírito inquietarme, o meu corpo xa estava muito tomado pola bruxaría, que muitas vezes quando despertava moviase-me o corpo, quedando a cabeza quieta sem sentido e sem movimento, e non conseguia senon a forza de sacudir o corpo; nestes días passei muita fame.  Paporrubio.  O día 23 de Decembro de 1905 a minha nái fora a Ponte, e eu fún a dentro do eido cortar unhas polas de maceira e colhim unha postura mala ó respirar, e pareceu-me que se me introducíu aire num bacío, resultando unha grande dor por alguns días no referido sítio, e quando tossía a dor era insufríveĺ. Nesse día tivem unha surpresa porque, facía mais de trinta días, que todos os días entrava um paporrubio pola ventana até ó meio da casa e várias vezes saía pola porta; hoxe neste dia, o estou vendo sobre a porta e despois poussar no chan da casa.

manuel calviño souto

SCHOPENHAUER FACE AO PANTEÍSMO (53)

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               Os panteístas xá tinham concebido um princípio imanente unificador do mundo, um substracto comum a tudo.  Tinham achado unha divindade no mundo, non transcendente a ele, que era o seu sentido, a garantia da sua bondade.  Este panteísmo era optimista e racionalista: existia unha ordem, um sentido, o bem.  O panteísmo sustenta o que indica a etimoloxia do seu próprio nome:  tudo é Deus, o mundo é divino.  Schopenhauer partilha com o panteísmo percepçóns básicas como a de um princípio do mundo inerente a este, e non transcendente, a visón de unha essência comum a tudo.  Mas recusa-o porque non percebe no mundo motivos para esse optimismo racionalista.  Há nele demasiado sofrimento, demasiada rivalidade, demasiada maldade.  Parece-lhe inmoral pensar que este mundo de sofrimento é bom, que é o que deve ser.  O mundo está muito mais perto do péssimo, se fosse pior non poderia existir, do que do óptimo;  por isso é mais moral e xustifica-se mais ser pessimista do que optimista.  Além disso, considera que o panteísmo é inconsistente no seu método; parte de conceitos abstractos e da ideia de Deus, de algo desconhecido para explicar algo conhecido, o mundo;  ele, pelo contrário insere-se na interioridade mais íntima do ser concreto para achar, de modo intuitivo e directo (sem conceitos), a forza motora de tudo, e parte de algo conhecido (a vontade)  para explicar o desconhecido.

joan solé

DERIVA HISTÓRICA

marcorevoltadous

       O MUINHO DE BARCA DA BELLA VISTA

               Forma parte do nosso património arqueolóxico, este muinho de barca, destinado a moer possívelmente bellotas, que era unha das bases alimentárias mais comuns da nossa terra.  Pois é, xá o arqueólogo, aconselhou procurá-lo, e depois pedir autorizaçón ás respectivas autoridades para o seu traslado ó Centro Cultural (Centro Bingueiro), onde supostamênte estaría a salvo.  Havia que reunir as xentes do comúm, e fazer unha batida sistemática a fim de localizá-lo.  Mas a “Sagrada Preguiça”, a virtude mais benêbola e indulxênte com o sofrimento humano, acabou por adiar ad infinitum este negócio, para futuros tempos de mais prosperidade.  Penso, que guardo, no fundo do meu previlexiado cerebelo, a localizaçón exacta, a meio do caminho dum povoado mineiro da idade do bronze.

a irmandade circular

GOTAS DE MERCÚRIO (52)

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               O que se submete ao princípio da razón suficiente, manifestando-se no espaço e no tempo, son os fenómenos.  Estas determinaçóns fazem com que o mundo se apresente ao suxeito como representaçón.  Espaço e tempo (que existem no suxeito e na matéria enquanto conteúdo da consciência)  constituem o “princípio de individuaçón”: produzem a existência fenoménica da multiplicidade de seres individuais.  Este princípio non actua no outro lado do espelho, o da cousa em si, que non precisa de determinaçóns (regras, límites), e é unitária.  A estructura do princípio de individuaçón confirma-nos, no plano conceptual, o que xá dissemos e que sabíamos intuitivamente:  non pode existir relaçón de causalidade entre a cousa em si e os fenómenos; a vontade, que non está submetida á causalidade (princípio da razón suficiente),  non pode ser a causa das cousas e dos factos que experimentamos no plano empírico, que, estes sim, estan submetidos á causalidade.  Na experiência directa do corpo, descobriu-se que a vontade non está, como causa, nem antes nem fora das acçóns fenoménicas: está nelas enquanto aspecto numénico, como cousa em si.  Entender esta inclusón, esta falta de exterioridade e de causalidade, é fundamental para a compreensón da vontade em si e a sua relaçón com o particular fenoménico.  A pergunta continua a ser como se manifesta ou obxectiva essa vontade ou coisa em si no fenómeno percebido.  Schopenhauer indica que son dous aspectos do mesmo, um dos quais podemos entender empiricamente e o outro non.  O fenómeno que entra na representaçón por efeito do princípio de individuaçón (inserçón no espaço e no tempo) é a obxectivaçón ou manifestaçón da vontade.  Esta é, basicamente, toda a explicaçón que Schopenhauer nos dá a esse respeito.  Visualizemos:  há unha grande bola de mercúrio essencial que é a vontade e múltiplas gotas que se desprendem dela e que se mantêm independentes durante algum tempo até serem reabsorvidas.  A grande bola de mercúrio é a vontade, o em si, o númeno, Brahma.  As gotas son os fenómenos, o particular; son este can, este homem, esta rosa e esta rocha, este desexo, a força da gravidade, o magnetismo.  Estava xunto ao reservatório de mercúrio do aparelho pneumático e com unha colher de ferro extraía algunhas gotas, lançava-as ao ar e recolhia-as com a colher.  Se non as apanhasse as gotas voltavam a cair no reservatório e a única cousa que se perdia era a forma momentânea.  Por isso, era-me bastante indiferente conseguir ou non conseguir apanhá-las.  É assim que se comporta a “natura naturans”, ou sexa, a essência interior de todas as cousas, como a vida e a morte dos indivíduos. (P2,686)

JOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (14)

CONVENTOTRES

               Ponte despedida molestado.  O 27 de Septembro de 1905, estando eu em Ponte vem o Spírito inquietarme, e pola manhán quedei dormido,  tendo a pousadeira que despertar-me xa passavam dez minutos da hora, de maneira que o Mestre berregou comigo e tomando-me de mala fé, achacava que non tinha ferramenta, etc…  No día 29 de Septembro de 1905 quedaba destituido, entón vinhem prá casa, e o dia 3 de Outubro de 1905 (terça feira) estando eu assomado á xanela, puxem-me a pensar fixando os meus pensamentos, notei que estava atolondrado da cabeza, dor, catarro pulmonar e latidos no peito, nervios;  a minha ideia era ir buscar trabalho a Salvaterra, Vigo, etc… (ou así um sítio lonxano).  O 4 de Outubro de 1905 pensava ir para Portugal, e acto seguido fún a Matamá xunto da minha nái, decir-lhe que iva a Ponte, e nesse mesmo instante começou a vomitar e a decir que morria, e o viaxe quedou em nada, despois assaltou-me a mim cólicos de barriga, e ningunha vontade de comer, com dor de cabeza, etc…

manuel calviño souto

 

A FORÇA DA VONTADE (51)

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               A vontade é um impulso cego e universal que só quer. Non tem consciência nem conhecimento, é um puro ímpeto.  Non tem fundamento algum, porque é o facto básico, o que non precisa de qualquer outro facto anterior, posterior, inferior ou interior.  Non obedece a regras nem leis, porque é unha força arrebatadora universal.  Non tem outra finalidade além da satisfaçón do querer pulsional ou, dito de outro modo, só se quer a si mesma e á sua sobrevivência ou conservaçón.  A vontade é, no singular e no todo, unha força cega sem conhecimento, um querer “que non sabe o que quer, simplesmente quer, precisamente porque é vontade e non outra cousa”.  O suxeito individual engana-se em cada momento da sua vida, acreditando que quer algo concreto.  O certo e essencial é que quer, quer sempre.  O obxecto concreto do seu querer em todos os instantes non é mais do que a ocasión circunstancial do seu querer essencial.  A vontade non pode ser conhecida, porque, como cousa em si, númeno, Brahma, non  se submete ao princípio da razón espaciotemporal, non entra na nossa experiência possível, na representaçón.  Só se podem ter vislumbres dela (recorde-se o dito nas páxinas 81-82), intuiçóns, mas os conceitos abstractos son incapazes de a abarcar.  Esta substância ontolóxica, este “ens realissimum” (ser mais real) choca com todas as concepçóns metafísicas da filosofia occidental que desde a antiguidade grega, tinham concebido unha ordem xeral racional e harmoniosa garantida por unha intelixência benevolente (logos ou Deus), que seria possível conhecer através do correcto exercício da razón humana.  A estas concepçóns optimistas, Schopenhauer opon unha força bruta caótica, indeterminada e irracional, como fundamento da existência.  A cousa em si, o númeno, o fundo da realidade, a essência do universo, é um querer insaciável, pura vontade de viver.  A vontade é indeterminada e una, encontra-se fora das determinaçóns que estructuram o mundo fenoménico da representaçón; espaço, tempo e causalidade.  Como non passa polos filtros do fenómeno, non se quebra a sua unidade essencial enquanto cousa em si, permanece fora da multiplicidade e da pluralidade, “Ela mesma é una”.  A pergunta inevitável é; como se expressa a vontade unitária e compacta na multiplicidade de indivíduos e factos que saturam o mundo?  A vontade é tudo e os seres individuais son singulares, parciais.  A vontade como cousa em si, “a parte metafísica do mundo”, é diferente, fora do fenoménico. Como se manifesta no mundo como representaçón?

joan solé

AGRADECIMENTOS A TODOS OS VOLUNTÁRIOS QUE TRABALHARON NO MONTE COMUNAL DE GUILLADE

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               Agradecemos a todas aquelas xentes solidárias, que o día dezaseis de Decembro do ano dous mil dezasete, trabalharon em comúm, lado a lado, na defensa da nái Natureza, para o bem das xentes do comúm, e pola livre e prazenteira disposiçón das nossas vidas.   Pois o mundo, perderia muito do seu sentido, sem o disfrute da Natureza e da companhía mútua de todos.  Non obstânte, queremos também aquí alertar, para um despregue indiscriminado da xenerosidade, que nos puidera transmutar em “monxas do liberalismo”.   Com um saúdo fraternal, das xentes do comúm de Guillade, e a bonânza tutelar de todas as nossas Amadríades

                                       ¡¡SAUDE!!

A IRMANDADE CIRCULAR

AS UPANISSADES (ISTO ÉS TU) (50)

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               Schopenhauer descobriu o pensamento hindu (como se disse na biografía, graças ao orientalista Friedrich Majer) no final de 1813, quando o principal e até o secundário da sua filosofia estava xá formado, embora ainda non escrito:  só tinha concluído “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente”.  Espantou-o a similitude daquele saber oculto ancestral com a visón da essência do mundo, bem como as profundas aprendizagens que tinha obtido dos seus mestres, Kant e Platón.  Impressionou-o ter atinxido, partindo do seio da mais estricta filosofia occidental, conclusóns quase idênticas ás do hinduismo, que depois encontraria também no budismo.  Schopenhauer foi um dos grandes introductores do pensamento oriental na Europa.  As Upanissades, conxunto de diálogos em sânscrito que Schopenhauer leu traduzidos para latim, son debates iniciáticos entre um mestre e os seus discípulos a respeito das grandes questóns da filosofia oculta, contida nos livros sagrados, Os Vedas.  Nestes diálogos, falava-se da natureza profunda da realidade, ou essência do mundo, e evidencia-se o carácter ilusório de todo o manifesto, da aparente pluralidade dos seres. A “doutrina do véu de Maya” revela a irrealidade substancial do mundo, que se assemelha a um sonho, a um engano dos sentidos.  Maya é o véu da ilusón que envolve a consciência humana e lhe cria unha sensaçón de multiplicidade e diversidade no que, em verdade, é unidade idêntica.  Quem desexar conhecer a realidade terá de penetrar ou rasgar o véu de Maya para superar a ilusón sensível.  Com a consciência empírica e as ciências non se rasga o véu de Maya, permanece-se no terreno fenoménico, non se entra na essência da realidade.  É preciso outro tipo de conhecimento.  O véu de Maya equivale ao mundo fenoménico e á representaçón, enquanto a realidade verdadeira (“Brahma”, em sânscrito), oculta atrás do véu, equivale à cousa em si ou númeno.  Segundo Schopenhauer, Brahma, como cousa em si, é a vontade.  A fórmula em sânscrito “Tat Twan asi”, que significa “isto és tu”, repete-se ao largo das Upanissades, como um mantra, para que os discípulos recordem a identidade essencial de tudo, incluindo o seu próprio ser.  O individualismo, o egoísmo, a vaidade, a invexa, o ódio; todas estas paixóns daninhas están fora de lugar, porque surxem de um erro inicial sobre a natureza essencial da realidade.  Desaparecem quando se penetra no véu de Maya.

jOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (13)

CONVENTO

                Cousas invisíveis.  Conmunitaten.  A minha nái foi à Cañiza, e toda a manhán a passei na cozinha, ás cinco da manhán assomei-me à xanela, para ver as fermosas estrelas correndo de unha parte para a outra; e vexo enseguida unha luz na Ferreira, como parecendo ser xente com unha fachuqueira, até sentín ruído, como a queimar cascas de pinheiro, despois como a cortar milho, etc…  A luz sempre no mesmo sítio, despois de quinze minutos começan a separar-se unhas lucinhas muito pequenas da grande; unhas brancas, outras azuis, cardenas, roxas; unhas dirixiam-se ó norte outras ó poênte, oeste, leste, outras ó céu e outras parecia que se metian nas profundidades da terra, separabam-se vagarosamente e à distancia de três a quatro quartas da luz grande desaparecian, até que desapareceu tudo.  Consulta.  O día 25 de Agosto de 1905 fún a queimadelos (Adivinha), o 15 de Septembro de 1905, restregei-me com um alho ó deitarme, toda a noite andiven em convulsóns e sonhos malos, pois tivera que me levantar polas 10,20.  O 18 de Septembro de 1905 ó deitarme restregara-me com um alho e o Spírito inmundo inquietando-me com sonhos malos, mas non me molestou muito a consequência do alho, mas faciame vários inconvenientes, tais eran, quedar dormido até ás dez ou doze, levantar-me espantado, sem forças, impedido da minha sorte, etc…  Mala Sorte.  O dia 24 de Septembro, regressei a Guillade, escribín unha carta e pissei unha tinálha de uvas – P, comim figos e bebim vinho, e estaba inchado, mas non me fixeron mal, só que pola noite, vem o Spírito inquietarme, e logo, puxo-se sobre o telhado na figura de um cachorro que partiu unha telha, minha nái levantou-se e começou a rifar com el, pola manhán ainda que tarde partín para Ponte.

manuel calviño souto

SEGUNDA CRÍTICA À METAFÍSICA (ANTROPOMORFISMO) (49)

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               Unha segunda crítica à metafísica de Schopenhauer, depois da exposta nas páxinas 81-82, é a de antropomorfismo.  Segundo esta interpretaçón, extrapolar a essência que desexa do homem a toda a natureza signifíca atribuir falaciosamente características humanas ao que é extra-humano. Percebe-se unha perspectiva antropomorfista na afirmaçón de que o mesmo princípio que anima e dá forma ao homem está no interior de unha pedra, de um carvalho, do vento. É certo que a palavra “vontade” tem conotaçóns, e até um sentido explícito, que associamos de imediato ao carácter humano, a unha característica ou faculdade sua muito consciente, tal como se entende ao dizer que alguém tem muita força de vontade.  Há quem opine, por este motivo, que Schopenhauer non esteve muito bem ao elexê-la para designar um princípio universal.  De qualquer modo, devemos ter presente que os textos do autor son inequívocos:  a vontade está em tudo e unha componente deste tudo é o ser humano.  Non se antropomorfiza o universo, integra-se o homem no conxunto.  E quanto ao suxeito humano, non deveria dizer-se que tem muita força de vontade, mas que sofre muito a força da vontade, porque se manifesta nele mesmo sem ter sido convocada.  Da vontade descoberta mediante introspecçón como essência querente do nosso ser e existência passámos, por analoxía, à essência (idêntica) de todos os seres e factos.  A vontade é o substracto ontolóxico do mundo.  Todos os corpos, obxectos e factos son manifestaçón desta grande vontade xeral “Wille” é a essência do mundo e de todos os seres:  Schopenhauer, embora advirta que é quase um pleonásmo, unha redundância, também lhe chama “vontade de viver” (Wille Zum Leben), unha expressón que se xustifica pelo seu carácter enfáctico ou intensificador e explicativo.

joan solé

EM NOME DE GUILLADE (XXV)

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                          TERRITÓRIO

               Esta demarcaçon atópase atravessada de norte a sul polo extenso e fértil val que conforma o río Tea e os seus tributários, mas a súa configuraçón física caracteríza-se pola hetereoxeneidade, xa que ó lado de formas montanhosas dunha altitude considerável, aparecen terras muito baixas, situadas case ó nível do mar.   Ao longo do território municipal pódense atopar diferentes unidades. No sector noroccidental é onde se rexistran as máximas alturas, debido a que por esta zona se estenden os montes graníticos da serra do Galleiro, que serven de límite natural cos concelhos de Pazos de Borbén e Mos e que acadan o seu cume máximo no coto de Cales (742 metros).   Ao leste tamén existen algúns residuos montanhosos cunha escasa altura, correspondentes aos somontes da serra da Paradanta (con cotas que non superan os 500 metros), onde se localiza A Picaraña (458 metros), na que se atopan dúas moles graníticas.  A súa parte central está formada por um âmplo espazo, máis baixo, que coincide coa fractura de falha que aproveitan o río Tea e os seus afluentes para abrir o val que van percorrendo de norte a sul, formando terrazas fluviais e glaciais.  En conxunto, Pontareas presenta unhas características dum bloque muito fracturado, muito afectado pola tectónica e cum aspecto perfeitamente delimitado pola depresón lonxitudinal que foi criando a erosón fluvial; a súa altitude média apenas supera os 100 metros porque, malia existir algunhas elevaçóns superiores, a maior parte do território está ocupada pola chaira que regan os diferentes leitos.   Póde-se afirmar que a súa paisaxe se define pola alternância de outeiros e vales; estes últimos están muito afectados pola acçón do home, xa que neles predomina o espazo cultivado e é onde se sitúa a maior parte das vivendas.   Seguindo a Henri Nonn, os factores condicionantes da morfoloxía do municipio son os comúns ós do batólito do Porriño, que se caracteriza por unha litoloxía favorável á erosión diferencial, unha tectónica que reforza as diferenzas litolóxicas e unha presenza de dominios morfoclimáticos durante o terciário e o quaternário.   Dende o punto de vista litolóxico, destaca a presenza do granito intrusivo herciniano, que domina sobre toda a extensón superficial.   É possível diferenciar, así mesmo, granitos de dúas micas com textura non orientada e de gran grosso e meio nos bordos montanhosos, que coinciden cos límites municipais leste e norte.   No resto do termo atópase o típico granito de biotita.   Existen, ademais, outros afloramentos graníticos de menor extensón que se misturam cos depósitos aluviais e coluviais que dán lugar ás terrazas fluviais.   Em quanto à edafoloxía, predominan os solos ácidos, cunha textura areenta ou franca-areenta.   Os máis frequentes pola súa extensón son o tipo Samarugo, cun ph compreendido entre o cinco e o cinco e meio e cunha escasa matéria orgánica (sempre inferior ó 10%);  o Sargadelos, semelhante ó anterior, incluso con menor quantidade de matéria orgánica no seu contido;  o Tebra, que se assenta em pendentes elevadas, o que provoca a apariçón de litosolos;  o Meixente, de textura franca e com um contido em matéria orgánica que pode acadá-lo 12%;  e o Goián, de características parecidas ao anterior, mas cunha escasa superfície.

alberte reboreda carreira

TUDO É UM (48)

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               Schopenhauer identificou a inescrutável cousa-em-si com a muito experimentável vontade na essência mais íntima e irreductível do seu próprio ser:  desexo num corpo, logo existo.  Experimentou-o ou percebeu-o no seu sentido interno, de modo non conceptual-abstracto, mas ituitivo e directo.  Seguidamente, dá um salto ontolóxico e, por analoxía, concebe (agora no âmbito da representaçón) que esta mesma  e idêntica vontade, que é a sua essência, é também a essência de todos os seres humanos, que podem experimentar-se no seu foro interno como querer e que son um corpo material que desexa.  O filósofo capta a identidade profunda de todas as pessoas na sua essência metafísica encarnada nos corpos individuais; a vontade.  Se o primeiro círculo concêntrico do lago incluía o suxeito cognoscente, o segundo abarca os seus conxéneres.  O salto non se detém na concepçón da vontade como fundamento de todos os humanos; a analoxía estende-se a toda a realidade,  O pensamento fundamental (a descoberta de um buraco de verme que conduz à dimensón numénica da própria individualidade, ao outro lado do espelho, e nela descobre unha essência que é o querer,  a vontade) estende-se como chave interpretativa a todos os fenómenos do mundo.  Schopenhauer concebe a interioridade humana como um microcosmos da interioridade do universo, ou macrocosmos, e de todos os seus conteúdos particulares.  O “abre-te sésamo” universal que é a introspeçón intuitiva dá-nos acesso à identidade volitiva de tudo.  Non se trata apenas de humanos quererem, mas de, essencialmente, serem querer, vontade.  Também o son todos os animais, as plantas, o inorgânico, as forças elementares da natureza.  Tudo tem como essência, como cousa-em-si, a vontade, tudo é querer:  um can concreto, um lírio concreto, unha pedra, a força da gravidade, Vénus, a agulha da bússola que aponta o Norte, o pinheiro que resiste ás chicotadas do vento, o vento que chicoteia o pinheiro.  Tudo é vontade obxectiva enquanto manifestaçón percebida na representaçón, vontade metafísica enquanto força que desexa.  O universo é também, ao mesmo tempo, fenómeno percebido no plano sensível-empírico e cousa em si metafísica oculta para os sentidos:  Quando contemplamos o ímpeto poderoso e irresistível com que as águas se precipitam para as profundezas e o imán se volta unha e outra vez para o Polo Norte, a ânsia com que o ferro corre para o íman, a violência com que os polos eléctricos se atraem, e que, tal como os desexos humanos, se intensifica com os obstáculos;  quando vemos como o cristal se forma rápida e subitamente, com unhas linhas tan regulares que evidenciam claramente unha aspiraçón em diferentes direçóns, muito decidida, determinada, precisa, e dominada e retida pela solidificaçón;  quando percebemos a selecçón com que os corpos, postos em liberdade em estado líquido e arrancados aos laços da solidez, se procuran e se reúnem, se unem e se separam; (…) entón non nos custará grande esforço de imaxinaçón reconhecer, mesmo a tanta distância, a nossa própria assência, o mesmo que em nós persegue o seu fim à luz do conhecimento, mas que aquí, nos seus fenómenos mais débeis, só actua de forma cega, surda, unilateral e invariável.  (MVR1,140-141)

JOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (12)

INOCENCIO M

               Recordaçón de Ponte. Carpinteiro.  O dia nove de Agosto de 1905 (quarta feira) principiei a trabalhar de carpinteiro em Ponte co meu mestre D. Ricardo, meu padrinho, que me tinha sacado algunha ferramenta a fiado na Casa de Romero, sendo as primeiras nocións de carpintaría, ganhando 5,10 reais. O día vinte e vintium de Agosto de 1905, neste dia celebrou-se a festa de San Roque no bairro da Ponte (Ponte) eu assistín a ela e os meus companheiros, tendo eu um convite ad conxugalema.  Spírito malo, por los días 18, 20, 23, 26 de Agosto de 1905, vem-me inquietar.  O dia 27 andei no trabalho doente, parecia que todo o corpo me estremecia, e até os mesmos ossos, ó deitar-me aliviou-se-me algo, de noite vem o Spírito inmundo inquietarme, nos momentos que me deixaba chamei duas veces em alta voz, mama, mama!  E ó momento me recordou que estava solinho e em terra extranha, e logo caín no sono, acabei perdendo um quarto de día, e para mais, tivo que chamar a pousadeira por mim.  Pelexa.  Acometeu-a comigo um companheiro meu e chegamos a andar a zocos até que o mestre começou a berregar.  Á noite de incomodado rasguei um libro de Cirurxía e demais obxectos.  Ó outro día, ó vir pola casa encontrei minha nái com unha bróa, unhas poucas peras, e unha camisa que vestín no meio daqueles montes.  Houvo um grande eclípse de Sol, e trabalhei meio día.  O día 24 de Agosto de 1905, polas doze da noite, fún molestado polo Spírito malo.

manuel calviño souto