
Viena era a capital do grande Império Austríaco, resultante da disoluçón do antigo Sacro Império Romano-Germânico, em cuxo seio conviviam as diversas nacionalidades que povoavam o vale do Danúbio. Porém, as recorrentes reivindicaçóns nacionalistas da Hungria, a mais importante das quais ocorreu em 1848, propiciaram por fim, xá no ano 1867, o Compromisso (Ausgleich) que deu orixem ao Império Austro-Húngaro. Este novo Império foi, de facto, unha monarquía dual: compunha-se de dous reinos, Áustria e Hungria, com os seus respectivos parlamentos, códigos e línguas, dispostos sob unha mesma bandeira e um mesmo monarca. O Imperador Francisco José I, da casa dos Habsburgo, que xá dirixía o Império Austríaco desde 1848, assumiu o governo do Império Austro-Húngaro, e fortaleceu a sua posiçón ao casar-se, em 1854, com Isabel da Baviera, a famosa imperatriz “Sissi”. Viena foi a sua residência oficial e a capital teve de responder dignamente a esse priviléxio. Por isso, sobretudo entre 1858 e 1888, a cidade foi reedificada practicamente por completo: erixiram-se palácios, belos edifícios, monumentos e âmplas avenidas. Todavia, este palco de sonho mal podía esconder as formas vazias dunha monarquia artríctica e anquilosada. Non por acaso, o escritor austríaco Robert Musil, autor da monumental obra “O Homem Sem Qualidades” (1930), designou ironicamente o vasto Império dos Habsburgo como “Kakania”, alcunha que abrigava o duplo “K” que articulava o título nobiliário do Império, “Kaiserlich-Königlich”, isto é Imperial-Real, mas que também aludia a um sentido escatolóxico. Em todo o caso, a longa linhaxem dos Habsburgo exaltava esta sociedade plural. A monarquia estaba muito presente na vida social vienense, embora quase como se fosse unha realidade mítica. A sua existência concebia-se como unha espécie de Olimpo atemporal. Na práctica, eram os valores bastante puritanos da burguesia que realmente rexíam a sociedade vienense. Em Viena, apenas importavam a estabilidade do conxunto e as aparências formais. A ordem, unha ríxida hierarquia totalmente imóvel e a non estravagância foram, durante muitos anos, um credo tácito e inquestionábel. Este formalismo burguês tán petrificado fazia de Viena unha sociedade aparentemente plácida; daí que Stefan Zweig, na sua obra “O Mundo de Ontem — Recordaçóns de um Europeu”, um extraordinário retracto da sociedade vienense de virar do século, definisse a Viena anterior à Primeira Guerra Mundial, como “o mundo da segurança”. Curiosamente, o escritor austríaco valorizava este facto a partir de um ponto de vista positivo e, ao mesmo tempo, negativo. Por um lado, os valores burgueses que guiavam a sociedade eram claros, sólidos e imutáveis. O caminho que um indivíduo tinha de percorrer para conseguir um certo reconhecimento social estaba bem traçado, só tinha de ter a paciência de o percorrer. Por outro lado, esta sociedade evitaba qualquer acçón ou decissón que pudesse conduzir a algunha mudança. A novidade podía pôr em causa ou romper esse equilíbrio tán conveniente.
MARC PEPIOL MARTÍ