AS UPANISSADES (ISTO ÉS TU) (50)
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Schopenhauer descobriu o pensamento hindu (como se disse na biografía, graças ao orientalista Friedrich Majer) no final de 1813, quando o principal e até o secundário da sua filosofia estava xá formado, embora ainda non escrito: só tinha concluído “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente”. Espantou-o a similitude daquele saber oculto ancestral com a visón da essência do mundo, bem como as profundas aprendizagens que tinha obtido dos seus mestres, Kant e Platón. Impressionou-o ter atinxido, partindo do seio da mais estricta filosofia occidental, conclusóns quase idênticas ás do hinduismo, que depois encontraria também no budismo. Schopenhauer foi um dos grandes introductores do pensamento oriental na Europa. As Upanissades, conxunto de diálogos em sânscrito que Schopenhauer leu traduzidos para latim, son debates iniciáticos entre um mestre e os seus discípulos a respeito das grandes questóns da filosofia oculta, contida nos livros sagrados, Os Vedas. Nestes diálogos, falava-se da natureza profunda da realidade, ou essência do mundo, e evidencia-se o carácter ilusório de todo o manifesto, da aparente pluralidade dos seres. A “doutrina do véu de Maya” revela a irrealidade substancial do mundo, que se assemelha a um sonho, a um engano dos sentidos. Maya é o véu da ilusón que envolve a consciência humana e lhe cria unha sensaçón de multiplicidade e diversidade no que, em verdade, é unidade idêntica. Quem desexar conhecer a realidade terá de penetrar ou rasgar o véu de Maya para superar a ilusón sensível. Com a consciência empírica e as ciências non se rasga o véu de Maya, permanece-se no terreno fenoménico, non se entra na essência da realidade. É preciso outro tipo de conhecimento. O véu de Maya equivale ao mundo fenoménico e á representaçón, enquanto a realidade verdadeira (“Brahma”, em sânscrito), oculta atrás do véu, equivale à cousa em si ou númeno. Segundo Schopenhauer, Brahma, como cousa em si, é a vontade. A fórmula em sânscrito “Tat Twan asi”, que significa “isto és tu”, repete-se ao largo das Upanissades, como um mantra, para que os discípulos recordem a identidade essencial de tudo, incluindo o seu próprio ser. O individualismo, o egoísmo, a vaidade, a invexa, o ódio; todas estas paixóns daninhas están fora de lugar, porque surxem de um erro inicial sobre a natureza essencial da realidade. Desaparecem quando se penetra no véu de Maya.
jOAN SOLÉ
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