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DERIVA HISTÓRICA
OS TUNEIS SEGREDOS
D’esta, vamos andar arrastados, cegos como toupeiras, por debaixo do chan de Guillade percorrendo os tuneis segredos. Sabido é, de quase todos, que debaixo nossa há unha rede subterrânea de passadizos, construídos por diversos motivos. Uns, para enterrar becerros d’ouro, lonxe dos olhares cobiçosos. Outros, para poder escapar ás iras tumultuosas dos populares. Uns outros, para levar os cabalos a beber ó rio, de unha maneira diferênte. Etc… Um perigoso trabalho nos espera, só para xente valorosa e destemida, ou sexa, a xuventude incauta, que non têm medo de nada. Pois, sempre pode haver algum derrumbe, ou animais doutra espécie diferente da nossa. Ás veces, fai-se necessário rastexar, e “quanto mais se lhe mira, menos se lhe vê”. Alguêm que tivera ganas de morrer, sería o ideal. Pois, poderia iniciar sistemáticamente, unha viáxe ó Tártaro, percorrendo o nosso infra-mundo. Há várias bocas do inferno, unha delas, talvez a mais famosa de todas, fica no mato da Namora, e adentra-se por debaixo da igrexa. Despois, há outra que tem escaleiras, e baixa até ó rio. Outra, que vêm da Pena e toma a direcçón da igrexa, na qual entrei eu de pequeno, mas, xulgo que non cheguei ao fim (porque ainda sigo vivo). Agora, têm muitos derrumbes, pois vai quase á superfície do monte, e está techada de pastas, que se van partindo a causa dos muitos tractores. Parece ser, que existe um que fai o caminho entre a casa do abade e a igrexa, para que, em caso de muito tráfico, el poida chegar a tempo á misa. Di o Xosé da Masquina, que passa xusto debaixo do andén da Cruz do Balado. E por fim, o pái de todos os túneis, que chegaría até ó Coto da Pedreira. Por falar na Pedreira, também na falda da Coalheira há unha mina seca, com água no seu interior, oculta na encosta, á qual Felís Sebastián mandou fazer um borde de tixolo, para evitar que todo tipo de animais poideran cair dentro. Sempre me intrigou este lugar, non tem saída de água, mas quando se atira unha pedra para o seu interior, comprova-se que é profunda. E, prontos (non para acometer este negócio), mas, para ver se aparece alguém o suficientemênte destemido, para afrontar tal acometida, com garântias de éxito.
a irmandade circular
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O SER HUMANO É BIDIMENSIONAL, VIVE NA VONTADE E NA REPRESENTAÇÓN (46)
NON DISTINGUE ENTRE CORPO E ALMA OU MENTE .
Schopenhauer é monista ou antidualista na sua visón do corpo e do seu princípio de animaçón ou enerxia. Non distingue entre corpo e alma ou mente, mas expón um contínuo indivisível corpo-vontade. A vontade non é algo que primeiro desexe e depois orixine um movimento ou unha pulsón no corpo. O querer é a dimensón interna da acçón ou pulsón, non é unha causa temporalmente ou loxicamente anterior a elas. A acçón do corpo tem dous aspectos: um interno (o que recebemos na nossa representaçón cerebral, xá ao nível do fenoménico). Mas estes dous aspectos formam parte de um único feito. A consciência está no cérebro (corpo) e non pode existir fora dele: quando o corpo perece, a consciência individual desaparece. A razón como funçón cerebral responde a necessidades biolóxicas, físicas. Este monismo é decisivo para compreender a filosofia schopenhaueriana. O querer é ao mesmo tempo físico e metafísico, o corpo físico é vontade metafísica. O aspecto físico coloca o ser querente (corpo) no plano fenoménico, o aspecto do desexo coloca o ser corporal no plano numénico. Ambos os aspectos se coimplicam, pressuponhem-se, están correlacionados um com o outro, como o están também o suxeito cognoscente e o obxecto conhecido. Assim toda a acçón do corpo é um acto de vontade, mas non no sentido em que haxa unha relaçón causa-efeito entre o segundo e o primeiro; a vontade non ordena (como causa) que o corpo realiza unha acçón (como efeito), a vontade (o querer metafísico) está em cada acçón do corpo. Se existisse unha relaçón de causalidade, poderiamos pensar a vontade, mas ao pensá-la regressaríamos (pelo buraco do verme) ao âmbito da representaçón, xá non a experimentaríamos directamente. O suxeito vive-a de um modo muito distinto. (…) O ser humano é bidimensionalidade, vive na vontade e na representaçón. É, para si mesmo, vontade e representaçón.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (11)
Eu Salvaxe em Vigo. O dia 27 de Março de 1905, saín de Guillade ás duas da tarde (estaba a Teixucha a berregar com a minha nái) dormin em Ponte e pola manhán fún dereito a Porrinho, cheguei ás duas da tarde a Vigo, ás 5.15 da tarde, partin para Cangas, o outro dia pola manhán regressei para Vigo, e no outro partín de Vigo para Guillade, gastei 40 reais. Pelexa. Os de Cumiar. O dia 30 de Abril de 1905 ó vir da festa das Angustias, eran as dez da noite, e os de Cumiar, pois as raparigas no serán, tinham-lhe posto alcunhas a todos, e por isto implicaron comigo, botando-me as culpas a mim. O 12 de Maio de 1905 eu fún ás vispras de Vila Coba na companhia do Inocêncio do Fadista, e ó vir de volta destruimos a ponte de madeira, cheguei á casa ás duas da noite, e encontrei Avelino Carraceda a dormir no meu quinteiro, e assustei-me quando vin um home tirado alí no chan, e por pouco non lhe dei com um pau na cabeça, dormiu comigo e pola manhán levou-me enganado a Trancoso e dalí a Ponte, por via d’unha máquina de solfatar que tinha alí a gobernar. Desde Ponte fún a Vilacoba com dous rapazes de San Lourenzo, ó chegar á festa vin que tinha os pantalóns descosidos no cú, porque estaban muito apertados (traxe branco) feito pola mulher de José Rey Fernandes (lavativa), eu cheguei á festa e marchei acto seguido…
manuel calviño souto
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O MUNDO COMO VONTADE: A METAFÍSICA SEM CÉU (45)
Schopenhauer entende, imediata ou intuitivamente, que a sua essência numénica, sua em si, é o querer, o desexar, a vontade. Latente, palpitante em todas as manifestaçóns dos fenómenos do seu ser no nível da representaçón (sexam estas acçóns ou pensamentos) está a vontade. A sua descoberta decisiva non se deveu a nenhum conhecimento obxectivo ou abstracto, nem a um sentimento relixioso, mas, sim, à experiência interior ou autoconsciência, que o colocou em contacto com o mais particular, individual e íntimo. A sua metafísica non excede o âmbito da experiência, mas a experiência xá non se limita à representaçón: segundo Schopenhauer, pode ir para além dos seus limites. Outro filósofo tinha procurado, através da introspecçón, o fundamento de todo o conhecimento no seu próprio interior. René Descartes acreditou econtrar dentro de si unha certeza incontestável: posso duvidar de tudo menos do facto de estar a duvidar. “penso, logo existo”, a minha essência, o meu dado e feito básico e orixinal, é pensar. Schopenhauer opôn-se a esta abordaxem racionalista a partir da que se recebe pela experiência intuitiva interior: a essência do suxeito, sentida com honestidade na autoconsciência, non é racional, mas, sim, um querer permanente, a vontade; querer é o mais natural ao homem. O querer, e non o pensar, é o feito fundamental, o dado básico. A vontade actua a partir dos motivos que lhe mostra a mente, mas é prévia ao aparecimento destes na consciência. Non há nada que possamos experimentar de mais imediato do que a vontade, non há nada que permita explicá-la (conhecê-la) além de um puro querer. Precisamente porque o suxeito do querer se dá imediatamente na autoconsciência, non se pode definir nem descrever melhor o que é o querer; bem pelo contrário, este conhecimento é o mais imediato de todos, é, inclusivamente, o que, pelo seu imediatismo, lança a luz sobre todos os outros, que son muito mediáticos. (RS. 43)
JOAN SOLÉ
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EM NOME DE GUILLADE (XXIV)
O CATÁSTRO DE ENSENADA
A realidade física e imaxinária, reflectirá-se no catástro do Marquês de Ensenada, realizado entre 1749 e 1759. Este interrogatorio do século XVIII convertiria-se na principal fonte documental para achar os limites das aldeias, reflectindo nos seus fólios a realidade histórica dos lindes entre aldeamentos e montes. O catástro vinha a confirmar a longa tradiçón dos limites , dos deslindes realizados entre vecinhos, dos acordos eclesiásticos, dos pleitos vecinhais pelos montes do comúm. O interrogatorio do catástro manterá-se ainda no século XIX como referência básica da realidade histórica das aldeias. Deste xeito, à excepçón dalguns casos, cando os concelhos tomam por sua conta os expedientes de exclusón de venda dos baldios comunais, a sua inspiraçón está no interrogatorio do Catástro de Ensenada. Xunto com este interrogatorio incorporarom-se outros materiais como o Real de Legos, no qual figura o listado dos montes do comúm. Sendo esta unha informaçón complementária da riqueza de datos do interrogatório, convertidos em material imprescindível para conhecer com precisón a existência histórica dos montes Vecinhais em Man Comúm, orgulho civilizacional de todos os Guilladenses.
a irmandade circular
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O BURACO DE VERME (44)
A física que postula a existência de diferentes universos paralelos introduz unha ideia que parece criada à medida para explicar o “pensamento único” de Schopenhauer. Um buraco de verme é um túnel que liga dous pontos do espaço-tempo ou dois universos paralelos. Ficou assim conhecido pola analoxía com o buraco que um verme faz dentro de unha mazán para ir de um lado ao outro em vez de deslizar pela sua superfície. Os buracos de verme son atalhos na malha do espaço-tempo, tendo unha entrada e unha saída em planos diferentes do espaço-tempo. Unem dous pontos remotos e permitem transitar entre eles mais depressa do que se se percorresse o universo à velocidade da luz. Até agora, nunca ninguém viu um buraco de verme, nem demonstrou a sua existência, mas os matemáticos dizem que, em teoria, són possíveis, tal como a existência de universos paralelos. É importante reter a ideia do “buraco de verme” para compreender um quarto tipo de conhecimento situado num plano diferente dos outros. Entre este e os três, existe unha diferença substancial, non de grau, mas tan grande que se pode falar perfeitamente de “salto quântico”. Non é exterior nem derivado, como os três anteriores (factos empíricos captados na intuiçón sensível, verdades matemáticas captadas na intuiçón pura e conceitos construídos pela razón). O quarto tipo de conhecimento, o “buraco de verme”, consiste em que um ser individual intua (non pense conceptualmente) no seu interior as causas, razóns ou motivos das suas próprias acçóns, a fim de tomar unha consciência directa, non conceptual, do que opera na sua dimensón interna ou numénica e, assim, descobrir a essência íntima do seu próprio ser. (…) A interiorizaçón conduz-nos do mundo fenoménico ao mundo numénico. É como se transitássemos entre dous universos diferentes e paralelos. O grande achado metafísico de Schopenhauer é o “buraco de verme” que permite deslocar-se entre o universo fenoménico, o mundo como representaçón, e a enigmática “cousa em si”. (…) A essência é o desexar: a realidade fundamental do ser é o facto de querer. A este desexar, Schopenhauer chama “vontade” (Wille) e vê-o como fundamento ontolóxico de tudo. Passamos da teoría do conhecimento à metafísica.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (10)
Serán de Lira. O día 13 de Novembro de 1904 fún a Oliveira a unha festa de pandeiros que facia a família do Sr. Pintos (que neste tempo era Cura de Oliveira) eu e Avelino passamos um rato alegre, despois fomos ó Madrileno pedir para cortar pinheiros, onde o Spírito malo me veio inquietar, no día a seguir fomos roubar mazáns e despois alá nos fomos ó Serán de Lira; o 23 polas nove fomos tronzar pinheiros e logo fomos ó devandito Serán; o 24 fomos ó Serán de Celeiros, ó vir pola casa arriba da Capela, vin sair dum pinheiro tantos corvos que parecia que todo o pinheiro se desfacia em corvos, croando e desaparecendo a unha distância de 3 ou 4 metros, o ruido que facian era idéntico. Música Academia. O 25 DE Novembro de 1904 comecei a estudar música em Celeiros; o día 3 de Decembro, fixem inxuriar a minha tía, e despois em companhia de Carracedo fún ó Serán de Celeiros, a minha tía tinha-me botado pragas, chegando ó Serán, um filho da puta de Arcos revolucionou-se conmigo, despois levantando-se todos em revoluçión, eu escapei sem novidade. Chegando á casa xá estaban as raparigas tocando a pandeireta, serian as dez ou once da noite. Mama em Vigo. O día quatro de Decembro de 1094 polas seis e trinta e cinco da manhán levantou-se a minha nái e a minha tía (Maria) e se foron assanhadas a Vigo. O día 8 choveu assombrossamente, nessa noite passei-a toda na cozinha, até ás 3,40 quando quedei dormido sobre um banco, e entón vem o Spírito malo inquietarme, o oito fún á Procesión a Cumiar com unha roupa velha; e o dez recibim do Senhor Carraceda vinte reais polos pinheiros cortados e alá vem o Spírito malo inquietarme. As duas festas. Dor de cabeza. O día oito de Xaneiro de 1905 habia festa em Oliveira, Capela, pola ter gobernado, em Guillade de arriba gaiteiro, em Guillade de baixo música. Nesse polas 2,50 assaltou-me unha grande dor de muelas, e non fún a ningunha festa, e toda a noite desse día estiben na cama dando voltas, com áis e suspiros, de maneira que o dia seguinte atacába-me o sono, o día nove fún ó Cirurjáno (rula) para arrancar a dita moela, pois á maneira que me íba aproximando á casa, a dor iba passando, ó bater a primeira pancada no portal, desapareceu a dor por completo, parecia cousa diabólica; pois ó arrancá-la, partiu polo meio e quedou a metade dentro da boca e a úlcera tamém.
manuel calviño souto
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A RAIZ QUÁDRUPLA DO PRINCÍPIO DE RAZÓN SUFICIENTE (43)
Schopenhauer desexa encontrar o núcleo central, a essência mais íntima, da realidade para compreender e explicar o que é o mundo e o que é ele mesmo enquanto idivíduo. Trata-se, assim, de unha questón de conhecimento. Sistemático e consequente, o filósofo pergunta o que é o conhecimento e, responde conhecer algo é explicá-lo; em seguida, define o conceito de explicaçón; explicar algo é encontrar a causa por que esse algo é como é e non de outra forma. Essa “causa” é o que, na filosofia do século XIX, se chama “princípio de razón suficiente”. Schopenhauer entende que esta explicaçón (este princípio da razón suficiente) non é sempre a mesma para tudo o que se analisa, mas que apresenta diversas variedades ou modalidades segundo o âmbito em que se desenvolva a explicaçón ou conhecimento, como deixou xá enunciado na sua tese de doutoramento, “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente” (publicada em 1813 e reedictada, revista e aumentada, em 1847):
-No mundo físico, a razón suficiente tem a forma de causalidade: um facto A dá orixem a um facto B. Todos os factos son produzidos por outros factos (…) Pode conhecer-se todo o universo físico e o seu conteúdo no nível manifesto (fenoménico) mediante a aplicaçón do princípio da causalidade. A bioloxia e a física de Newton som exemplos (…) destacados da aplicaçón deste princípio explicativo, que funciona em todas as ciências naturais.
2 – As ciências matemáticas puras da aritmética e da xeometria desenvolvem-se, respectivamente, no espaço e no tempo, que como sabemos, son formas “á priori” da sensibilidade e, como tal, son anteriores á experiência, pelo que non necessitam de ser aplicadas empiricamente no mundo. (…) O princípio da razón suficiente no tempo e no espaço, como formas “á priori” da sensibilidade (isto é, na aritmética e na geometria), é matemático.
3 – Outro âmbito diferenciado é o dos “conceitos” e dos xuízos abstractos que, como também sabemos, pertence à razón. Combinamos conceitos ou ideias para produzir ideias novas. Aqui, non nos questionamos acerca da causa dos factos físicos que conhecemos na intuiçón sensível, nem acerca da causa dos factos matemáticos que conhecemos pela intuiçón pura. Aqui, questionamo-nos acerca da razón e da validade do nosso conhecimento. Os conceitos seguem-se uns aos outros e mantêm entre eles relaçóns de dependência causal. Podem estar xustificados ou non, ser verdadeiros ou non. A análise da ligaçón entre os conceitos oferece-nos unha verdade lóxica ou, se for das leis que rexem essas ligaçóns, unha verdade metalóxica.
Schopenhauer mostra que nenhum dos três é capaz de proporcionar accesso ao núcleo da realidade, á essência íntima do mundo, que é o que ele persegue na sua filosofia. Nenhum dos três pode superar os limites da representaçón, isto é, do fenómeno. Non podem tocar a realidade, son-lhe externos. (…) Os três conhecimentos oferecem razóns para factos, segundo o princípio da causalidade mas, em última instância, se se chegar ao início da corrente causal, observa-se que partem de premissas ou fundamentos non xustificados nem demonstrados. O conhecimento obxectivo non pode alcançar nunca o em si das cousas, o númeno, e fica sempre do lado de fora, no fenómeno. A representaçón non pode levar-nos para além da representaçón: “non se consegue acceder á essência das cousas a partir do lado de fora; por muito que se investigue, non se consegue mais do que imaxes e nomes. A filosofia (metafísica) aspira a outro tipo de conhecimento que começa onde acabam os três anteriores. Sabemos que o conhecimento que verdadeiramente nos pode revelar o fundo substancial, o nível ontolóxico ou a essência íntima da realidade, deve ser, orixinalmente, unha intuiçón imediata, non um conceito ou um princípio construído. (…) Existe algum tipo de experiência que nos permita franquear a esfera da representaçón fenoménica e entrar no misterioso âmbito numénico da cousa em si? Que xá non se centre no poquê (causa) mas no quê (realidade)? Schopenhauer responde afirmativamente: existe um quarto tipo de conhecimento. Este é o célebre “pensamento único” do autor, a grande revelaçón ou iluminaçón que teve a sua vida, “a pedra fundamental” de todo o seu sistema filosófico.
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA
OS TESOUROS DO FEITICEIRO
Tudo começou nunha manhán de nevoeiro, de princípios do século vinte. quando um cidadán português deâmbulava por unha libraría de París. Encontrou um curioso livro, cheio de nomes de aldeias galegas: Moreira, Guillade, Uma, Sobroso, etc… E ademais, unha larga lista de tesouros escondidos. Descoberto, por mera casualidade, “Os Tesouros do Feiticeiro” San Cipriano, acabou por ter unha fama considerável, eu diria que por todo o mundo (Brasil). É suposto, que foram escondidos precipitadamente, a raíz da fuga ocassionada pela invasón mourisca da península, e que se pensavam recuperar quando o perigo passára, e os senhores voltaram á sua terra. Claro, que a história está muito bem contada, agora, poderá ser verdadeira, ou, seguramente falsa. Mas, como sempre existiron, e é muito probável que seguirán existindo, muitas almas cândidas, sobre tudo cobiçosas, a história tornou-se eterna. O maior de todos os tesouros, está enterrado em Uma. Bem sepultado diria eu, escondido a sete homes de profundidade, por unha raínha, mulher de um rei local, que andaria ocupado em outras guerras. Repousa, no cruze dos dous caminhos de carro principais. Em princípio, parece bastante fácil dar com el, qualquer home intelixente, poderia localizá-lo. Agora, aquí, levantam-se dous escolhos difíceis de solucionar, o primeiro é encontrar um home medianamente intelixente. E o segundo, e non menos embarazoso, é, que, um home intelixente se interesse por estes temas. Havería que sopessar tudo muito bem, se por muito ouro que haxa enterrado, valeria a pena cavar em terreno endurecido polos séculos, sete homes de profundidade? Se compensa, fazer o ridículo, para que depois o Feitiçeiro se quede a rir de nós na sua tumba?
léria cultural
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NON CONHECEMOS AS COUSAS COMO SON EM SI, MAS APENAS COMO NOS APARECEM (42)
FENÓMENO, NÚMENO OU COUSA EM SI.
Podemos xá abordar a decisiva diferenciaçón que Kant enunciou entre fenómeno e cousa em si ou númeno. Foi decisiva a tal ponto que marcou grande parte da teoría do conhecimento depois dele. É fácil enunciar o sentido deste binómio: “non conhecemos as cousas como son em si, mas apenas como nos aparecem”. Fenómeno é tudo o que está na minha representaçón, tudo o que se rexista na minha consciência. A cousa em si é o mesmo que o fenómeno, mas fora da minha representaçón, como o lado oculto da Lua. Olho para unha cadeira e o que vexo é o fenómeno, a representaçón: Kant diz-nos que, além disso, existe ainda um númeno ou cousa em si, que é esta mesma cadeira, mas fora do fenómeno ou percepçón, enquanto autónoma e independente da consciência. O que pode ser o que está fora da minha representaçón? O que é a cousa em si? Kant teve unha intuiçón xenial, deixando um enigma opaco para os filósofos posteriores, mas non se preocupou demasiado em clarificar qual era o conteúdo concreto dessa cousa em si. Talvez tivesse suposto que, non sendo possível conhecer o númeno – xá que está fora das nossas representaçóns, que son os fenómenos -, o lóxico seria deixá-lo de lado como algo inalcançável. Schopenhauer ficaria fascinado pelo mistério da cousa em si, a qual, como iremos ver, seria determinante para iluminar a sua intuiçón decisiva. Deixou expresso num manuscripto: “A minha maior glôria acontecerá quando se diga de mim que resolvi o enigma proposto por Kant.” Kant dá ao fenómeno um tratamento simplesmente descriptivo (fenómeno é a forma como as coisas se mostram ou aparecem, o que, naturalmente, é coherente com a etimoloxía da palabra grega, “aparência”, “manifestaçón”); em Schopenhauer, o fenómeno adquire um valor negativo; é o aparente enganador. O binómio fenómeno-númeno aplica-se ao ser humano além de ao mundo físico exterior, e á filosofia moral, além de ao mundo sensível. Cada pessoa tem, para si mesma e para os outros, unha dupla dimensón ou habita em duas dimensóns: unha fenoménica e outra numénica. Enquanto corpos, pertencemos ao mundo natural rexido por unha ferrea lei da causalidade e tudo é causa e consequência de algo; non existe a liberdade. Enquanto seres dotados de interioridade espiritual, estamos num mundo numénico (incognoscível para nós próprios), livre dessas correntes causais fenoménicas. Há, pois, um suxeito intelixível e um suxeito empírico. Schopenhauer parte da visón fundamental de Kant, do ser humano dividido entre dous reinos, como ser fenoménico e como ser numénico, eliminando por completo do segundo a componente relixiosa, tan essencial em Kant; como reza o título do capítulo seguinte, a metafísica de Schopenhauer é unha metafísica sem céu.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (9)
Os de Uma. Agresón. Unha triste noite do mes de Outubro de 1904 em que a Providencia divina nos daba sentimentos, a noite escura, o vento soprava assombrossamente por vezes, eu polo día tinha ido á festa a San Lourenzo, na que rifavan unha toura, e houvo unha zaragata com Avelino, xá nombrado, e por culpa del tamém me metin eu, tinha vários a meu favor. Despois fun a Guillade d’arriba ó seran, onde estaban os de Uma, dixeron que os acompanhase-mos ao serán d’abaixo, e de repente os de Uma a pelear… esta mesma noite ó dormir implicou comigo o Spírito inmundo, eu sentia-me com as penas arriba ditas, e ademais levantei-me sentido unha dor no brazo dereito, mas o que me causou mais afliçón foi tirar polos pelos do brazo e arrincá-los pola raiz sem sentir nada, e um sonho aterrador. Adivinha, primeira vez. No mesmo día vintinove saín a um viaxe polas nove e vinticinco, com a intençón de consultar… Fún polo Pedroso até Fontán seguindo a Queimadelos, todo o dia botei arredor da casa, até que ela me viu casualmente, eran as quatro da tarde quando me dixo o seguinte: Sai um cargo de almas que há que cumprir e parece que é um home que che aparece em sonhos, teis o corazón aberto, fai-che falta uns evanxélios e tomar medicinas feitas na casa ou manda-las facer, um primeiro día pola cabeza, etc… “son estas as palabras mais importantes que me dixo; no outro día xá estaba melhor. O dous de Novembro de 1904 atopaba-me inchado, despois de me levantar encontrei-me com um cansaço, floxo de forzas, nervos, e todo estéril, polas duas da tarde, comim algo, assaltando-me logo unha diarreia e um sono espantoso; O día sete de Novembro de 1904 pola manhan levantei-me da cama com unha pequena dor nas costelas, polas once e vintitrês do dia tinha-me passado, tiven mil sonhos malos, o oito assaltou-me unha grande dor de dentes, acto seguido atacou-me a cabeza, e fun-me deitar, alá pola alta noite vem o Spírito malo inquietar-me, ainda que non foi tanto como outras vezes, mas toda a noite estiven sonhando cousas malas, sonhos malos, de todos eles só me acorda o seguinte: estava sonhando que a minha nái estava dentro do eido (xunto dos loureiros) chorando com unha tremenda dor de cabeza, sentada encima do mato, movendo-se e balanceando-se, e falava cousas que non me acordan, despertei e era muito cedo, voltei a dormir, e levantei-me polas oito da manhan, logo a minha nái dixo que non se podia levantar, mas por fim levantou-se polas 11,30 e alá foi cabar para o sítio onde eu sonhara com ela.
manuel calviño souto
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AS FUNÇÓNS CEREBRAIS (41)
Em suma, Schopenhauer aceita a totalidade da teoria do conhecimento kantiana, com três modificaçóns substanciais: Reduz as doce categorias a unha básica, o princípio de causalidade ou “princípio da razón suficiente”. Assinala que, dada a correspondência simétrica entre suxeito e obxecto, que son duas faces da mesma moeda, espaço, tempo e causalidade están também no obxecto. A matéria, enquanto termo da percepçón, é portadora dessas três estructuras. Transforma o enquadramento ou a base das faculdades, Kant cinxe-se ás funçóns ou capacidades que componhem a “faculdade de conhecimento”, sem as associar a algo físico. Pelo contrário, Schopenhauer refere-se a um organ muito concreto, o cérebro. Este organ, com o apoio do sistema nervoso, transforma-se na sede da consciência, onde se organizam as representaçóns orixinadas pelo etendimento ou intelecto (que produz conhecimento intuitivo, percepçón sensível) e os conceitos produzidos pela razón (criadora do conhecimento abstracto). As funçóns cerebrais ocupam o lugar das etéreas faculdades kantianas. O conhecimento, compreendido como representaçón, passa a ser, em Schopenhauer, “um processo fisiolóxico muito complexo no cérebro de um animal” (MVR2, 214); este organ tem as suas funçóns próprias, tal como o estômago se encarrega da dixestón e o fígado da segregaçón da bílis. Schopenhauer dá um cariz biolóxico, fisiolóxico e materialista á teoría do conhecimento, tan abstracta em Kant. A faculdade do conhecimento, segundo Schopenhauer, está estructurada da seguinte forma; há um entendimento ou intelecto que percebe o mundo empiricamente, de um modo que o ser humano partilha com os animais. O que o distingue deles é a capacidade de separar as percepçóns dos conceitos e de os combinar através do raciocínio. Este segundo nível, da razón, é uha funçón cerebral exclusivamente humana e é a que permite cultivar a ciência e a filosofia.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XXIII)
Como indica Lisón Tolosana as aldeias na Galiza forman unha unidade xeográfica, social e cultural bem delimitadas. Os vecinhos e vecinhas, eran perfeitos conhecedores da paisaxe e reconheciam qualquer accidente no terreno. Os marcos de límites da aldeia convertem-se así nunha parte mais da paisaxe reconhecivel, quase permanente quando nos escritos sobre os montes comunais se assinale “per suos terminos antiquos” ou “desde tempo inmemorial” quando as testemunhas se expressan nos interrogatorios. Os límites da aldeia como os do monte comúm van formar parte da paisaxe vivida polos vecinhos, convertem-se em fitos de referencia os marcos mas tamém os penedos, mâmoas, antas, muros ou corredoiras. Xurdem na aldeia as linhas imaxinárias, tanto sexa entre marcos, penedos, mâmoas ou caseríos. As augas vertentes sinalan a pertenza a unha aldeia ou outra, a linha recta entre marcos (em dereitura) transformam-se na unidade espacial de referencia entre os vecinhos. Os elementos que conformarom os límites divisórios dos montes ou aldeias transformáron-se em referência da cultura popular ao solapar-se com espazos vencelhados ás lendas tradicionais (mâmoas, castros, caminhos), redefínem-se como unha parte do património intanxivel da comunidade. Os conflíctos polos límites entre aldeias vecinhas tamém se incorporan á paisaxe mental da aldeia, cargando os marcos divisorios com unha ritualidade especial: cruces, letras, simbolos que son o resultado dos acordos entre dúas ou várias aldeias.
a irmandade circular
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IMMANUEL KANT E O CONHECIMENTO (40)
Kant fez unha “revoluçón copernicana” na teoría do conhecimento. Se Copérnico foi o responsável por a humanidade renunciar á visón xeocêntrica do firmamento e, em vez disso, colocar o Sol no centro e os planetas a xirarem á sua volta (modelo heliocêntrico), Kant substituiu a tradicional concepçón do conhecimento, em que o suxeito adapta a sua mente ao obxecto, por outra em que é o suxeito que determina, com as suas faculdades, o tipo de percepçón. O suxeito passa a desempenhar um papel sumamente activo na construçón da percepçón. Esta mudança de modelo cognitivo non implica modificaçóns no conteúdo das percepçóns, que continuam a ser as mesmas (da mesma forma que o modelo heliocêntrico copernicano non implicou modificaçóns na traxectória aparente do Sol, que non deixa de aparecer a nascente e desaparecer a poente), mas o novo modelo permite explicar muito mais cousas e transforma a concepçón que os homens têm do seu lugar no universo. Entre as transformaçóns decisivas resultantes da revoluçón copernicana de Kant, há a destacar unha que é fundamental para Schopenhauer: o único conhecimento verdadeiro é o que se dá na experiência, na qual se obtém unha intuiçón sensível a partir do contacto entre o mundo e o conxunto sensibilidade-entendimento: tempo, espaço, categorias (recorde-se o que foi dito nas páxinas 62-65). Tudo o que non se integre neste esquema carece de garantias. Segundo Kant, non é possível unha intuiçón intelectual (ou sexa, a razón non pode criar conhecimento sólido a partir de conceitos desvinculados da percepçón e da experiência). Entre outras cousas, esta visón pon fim ás pretensóns da metafísica dogmática de construir unha ciência: questóns últimas como a da existência de Deus e a da inmortalidade da alma, non podem ser tratadas no âmbito da fé. Há unha segunda implicaçón decisiva, tanto para a filosofia em xeral como para a de Schopenhauer em concreto: a distinçón entre fenómeno e cousa em sí ou númeno. A exposiçón deste binómio, fundamental na filosofia, fica reservada para a páxina seguinte.
joan solé
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