Categorías
Arquivo
- Agricultura Alimentación Anonymous Arquitectura Astronomía Blogs para curiosear Bos desexos Cerebro Cine Darío e Breixo Economía Educación Frutais Futuro Historia Humor Indignados Libros Lingua Literatura Medios de comunicación Monte Comunal Natureza Poesía Política Procomún Publicidade Sidra Socioloxía Software libre Tradicións Viaxes Xadrez
A PIRENAICA
Na minha aldeia muito tempo, só houbo um aparato de rádio, um Ondina com carcassa de madeira e um grande olho redondo, que aínda conservo como suporte para libros. Era a xanela aberta ó mundo, a voz dos milagres, o aluvión de cousas que vinham de lonxe. Unha noite, de madrugada escuitei na Ondina algo que me puxo a cavilar desde o enunciádo: “aquí rádio Espanha Independente, estaçón pirenaica”. Ó ver-me aparecer na cozinha, a minha nái levantou-se da cadeira, e apagou a rádio e mandou-me prá cama. O meu pai protestou e eu tardei três ou quatro días em saber por quê, aínda que non de todo. O meu, com a rádio, eran preferentemente os xogos de bola e as orelhas que cortaban os “toreros”. Rádio Nacional os domingos pola noite. E “Fiesta en el aire” ou “Cabalgata fin de semana”. Os Sábados, programas de concursos e cançóns que dirixía José Luis Pecker, que me gostava muito. Jose Luis Pecker perguntou-lhe unha vez a unha concursante que estava embarazada, tan embarazada que quase pare diante do microfone: “¿solteira ou casada?” Ó melhor foi um lápsus inocente e sem maldade, mas o marido subíu ó estrado e sacudiu-lhe ó Pecker um sopapo de órdago á grande. Por se acáso. Non se tinha ganhado unha guerra para andar-se com éstas brincadeiras. Por entón eu non sabía nem que tinha habido unha guerra. A última á que chegara a enciclopédia, fora a Guerra da Independência contra os franceses. A recente, a essa que se refería Rádio España Independente, estaçón pirenaica, tinha sido unha cruzada. A Pirenaica non me decía muito ou cousas que non entendía, mas era unha tentaçón excitante que comezaba a materializar-se ás doze da noite, a luz da casa apagada, só o olho do dial da Ondina acendido como unha lamparina. De entón, creio que me vem certa propensón aventureira á clandestinidade: a Pirenaica ás escuras, cerradas todas as portas e contraportas, xanélas, contras e quarteiróns; inaudíveis quase, mentras os meus irmans dormían e eu, o pequeno acurrucado entre meu pai e minha nái, escuitaba cousas sobre um tal Franco. E gostaba daquel ton violento, aqueles discursos e proclamas, aquélas promessas de liberdade e de xustiza. Nem a cara nem o silêncio dos meus pais me aclaraba nada. Creio que nunca soubem se meus pais eran de Franco ou non. Eran do silêncio, parece-me a mím. A minha nái relixiosa e crente a “machamartillo”; meu pai, solitário, descrído e amigo de tabernas. Morreron cedo, aínda que non tan cedo que non tivéra-mos podido falar daquélas cousas, sobre tudo quando eu era xá unha “lumbrera” latinista no seminário. O caso é que non chegamos a falar. Por algo que me contaron anos mais tarde, parece ser que meu pai era um liberal indiferente e minha nái unha mulher temerosa de Deus e da política. Quando chegou a democracía, e aínda antes, alguém foi ó meu lugar, com o conto que eu andava entre os “rojos” da “antí-España”. As mulheres que tinham conhecido a minha nái comentában lamentando-se: “¡ay si la Rosário levantara la cabeza…!” Ou sexa, que minha nái, non era seguro, a Pasionária. Non é este, sem embargo, o enigma que mais me preocupa de minha nái. O que me segue deixando perplexo foi o que me dixo quando saín de casa a correr mundos e conquistar a glória: “filho, que non che passe o mismo que a Quevedo”. E deu-me os últimos cinco duros que lhe quedaban, para que empezara a edificar o meu império. Um império de ruinas, solidón e clandestinidade, ao que logrei sobreviver de milagre. A minha nái cría, que eu iba ser um xénio da Literatura, de aí possivelmente essa afinidade quevedesca. Mais tarde, quando na “mili” estivem a punto de ser declarado desertor, a minha nái voltou ó de: “Filho, que non che passe o que a Quevedo”. Non sei se me passará o mesmo que lhe passou a Quevedo. Polo de pronto, xa me quedei coxo.
javier villán e david ouro
Publicado en Uncategorized
NIETZSCHE (A XENEALOXÍA DA MORAL)
A enorme productividade de Nietzsche como filósofo e escritor non evita que, aos quarenta e três anos, se sinta “tan só como quando era unha criança”. Había xá algum tempo que renunciara a ter um trabalho e um lar, decidido a consagrar a sua precária enerxía vital a pensar e a escrever como quem lança mensaxens numa garrafa. Tenta interpretar o seu enorme isolamento como algo necessário, como unha consequência natural da sua misón filosófica: cuspir verdades incómodas aos seus contemporâneos. Entretanto, a solidón, as doenças, as mudanças e as agruras económicas dos últimos anos ván-no minando. Prova disso mesmo é o profundo impacto que produz ao seu amigo Rohde, quando se reencontram depois de anos de separaçón: encontra Nietzsche envolto nunha atmosfera indescriptivelmente inquietante, como se o filósofo “voltasse de um país onde non vive ninguém”. Nesse ano, 1887, reúne forças para escrever A Xenealoxía da Moral. Unha Polémica. Em vez de um conxunto de aforismos, aquí encontramos um tratado sistemático ao serviço de um único obxectivo: desmontar a moral do cristianismo. Através de ferramentas psicolóxicas, Nietzsche desmascara a orixem imoral dos valores morais cristáns graças ao seu método “xenealóxico”. Nessa época descobre com grande alegria Dostoievski, um escritor que, acima do seu admirado Stendhal, é o “psicólogo” com quem tem mais afinidades.
toni llácer
Publicado en Uncategorized
DERIVA HISTÓRICA (REBORDINHOS Nº3)
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042016
REBORDINHOS Nº3
Como xa vêm sendo habitual no nosso país, este xacimento foi descoberto a raíz dos trabalhos efectuados num caminho florestal que atravessa o lugar. Parece ser um asentamento ó ar libre do Neolítico, situado na cima e pendente superior de unha altichaira, a sua extensón é-nos totalmente desconhecida. Se tomamos como mostra o numero de cerámicas encontradas, entre dez e quince fragmentos, non parece que o xacimento sexa muito rico quantitativamente. A sua importância vêm dada non obstânte, pela documentaçón dum tipo de cerámica decorada, adscriptíbel ao Neolítico tardío. Ao marxem de dous anácos, com decoraçón incísa que presenta unha composiçón indeterminada, há que resaltar dous bordes profusamente decorados, o maior deles corresponde pola sua forma a unha cunca e apresenta unha decoraçón formada por unha série de linhas oblíquas paralelas, que se desenvolvem em diferentes direcçóns; banda que se encontra enmarcada por duas linhas horizontais realizadas com técnica Boquique. A continuaçón aparece unha guirnalda realizada cunha espiguinha impresa, e o interior recheo de linhas incísas paralelas e oblíquas. Isto é tudo, de momento, sobre o xacimento nº 3 de Rebordinhos.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
VATTIMO (DIE WILLE ZUR MACHT)
Sobre as duas interpretaçóns désta expresón (como “Vontade de Poder” e “Vontade de Potência”) xá muito se disse. A primeira afírma-se negando. Trata-se do domínio excludente e do suxeito identitário ou de representaçón, que precisa de transformar o outro em obxecto, até o consumir, sem conseguir fazê-lo totalmente ( recorde-se a dialéctica do amo e do escrávo de Hegel), pelo qual os autoritários (ou aqueles que non tendo autoridade a desexam, e desexam também ser temídos) repetem e tornam a repetir os rituais de domínio e de violenta causalidade fagocitária ( de novo a atróz monotonía de Sade), insaciábel e estructuralmente insatisfeita. A sua temporalidade é edíptica (linear como a de Khrónos, o titán que há de persistir sempre a ocupar o lugar anterior e o do novo), enquanto o seu desexo pertencer á carência e ao mais além de todos os limítes ( tido por negatividade e castraçón): é unha configuraçón da vontade em toda a “metafísica”, que quer sempre ir “mais além” de todos os limítes (metá-tá-física, “transcender e assegurar-se”). Vigora no Occidente como metafísica-ciência-técnica, sempre impelidas para a empresa do domínio e para a conquista do demais além. Vattimo sublinhou com precisa erudicçón documental e eloquência admiráveis, fazendo ver que no “Caso Nietzsche”, desde a denúncia crítica do historicismo desenvolvimentista, xá determinada pela “Segunda Consideraçón Intempestiva”, até á “ontoloxía alternativa” do eterno retorno proposta pola boca de Zaratustra, consiste em denunciar a violência da repetiçón do “espírito de vinganza ” contra o tempo (linear de força física) e a sua passaxém, como doença do espírito da guerra, que serve de nó conductor á dialéctica da história do poder no Occidente, ligando as suas diferentes épocas com o mesmo ressentimento, manchado de sangue. Também Heidegger e toda a pós-modernidade filosófica som profundos seguidores “desse Nietzsche crítico”, pós-modernidade essa que se articula precisamente como pensamento (Non da repetiçón, mas sim da diferença). Há com efeito, “a outra interpretaçón” da vontade de poder, a que antes poderíamos chamar “desexo ou querer de potência, de possibilidade”, baseada na “Afirmaçón da Afirmaçón”, que se afirma duas vezes, xá que assumindo o vínculo da vida/morte, mas afirmando ambos e assumindo, enfím, a finitude tráxica, diz que sím outra véz á vida e á morte inseparáveis, abrindo, entón, caminho ao desexo da amizade e ao amor pelo outro, pelo diferente, que sobrevoa a possessón. É também esse desexo que pode por em cena a morte tráxica como vontade de arte e como potência criativa possibilitante. Assume o limíte porque comprende que este é a condiçón de possibilidade da pluralidade e a diferença. Inaugura o “grande perdón” que nos livra da “doença das cadeias” e do espírito de vinganza, recriando a abertura a outra historicidade menos violenta: mais culta e cultivada, mais alegre, mais lixéira. Non “mais além”, mais diferente. Tanto, que nem sequer consistirá xá nunha “superaçón” da época anterior ( a modernidade iluminista), mas na sua continuaçón delimitada e transformada, precisamente na medida em que agora a emancipaçón non desexada ocupar o lugar do “Deus-Ídolo” do poder racionalista. Assím se liberta a “Vontade de Potência” do “super-home” e nasce o “trans-home” de bom temperamento, sereno, alegre, prudente, inocente como o menino de “As transformaçóns do espírito humano” nietzschianas, que encerra a série (após o camelo Kantiano e o león marxista) como unha culminaçón menos elementar e mais virtuosa: a que inverte o “Suxeito Prepotente”, abrindo o caminho que aposta que essa outra possibilidade (a de “non ser Deus” nem querer) permita unha ressurreiçón imanente, a alegría do riso da libertaçón imanente, a “chance” de outra humanidade histórica, que permite também libertar-se, ao mesmo tempo, o próprio divino, da usurpaçón da qual estaba igualmente a ser obxecto por parte de todos os deuses metafísicos naturalizados pela força. Os construídos á imaxém e semelhanza dos homem todo-poderoso e dos seus desexos. Unha hipótese de segurança que se tornou excessiva no mundo moderno, onde as técnicas e os serviços sociais podem desempenhar essa mesma funçón.
teresa oñate e brais g. arribas
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (52)
Sonho terríbel. O día 15 de Xaneiro de 1915, no Largo das Gralhas hora das 5,20 da manhán, toda a noite andei em convulsóns com sonhos, mas acabaron por esquecer-me todos. Vín a Rosa da Teixucha de luto e triste. O 18 de Xaneiro de 1915, fún-me deitar e puxen-me a pensar na vida, com viva ideia e firme nos meus actos passados, e no Spírito… ante passados mortos, “ad calaveran”, etc… e sempre dando voltas na cama e a pensar em “muliéribus”… despois de largo tempo, logrei pegar no sono. Sonhei que andava xunto de unha igrexa de Lisboa (de Santo Cristovao), eu entrei de rodacú, porque tivem um pensamento de que era bô así. E vín a Fco. da Furuda ír por um caminho, despois vín unha sacristía e um home com unha luz que entrou também nunha igrexa, logo fún e entrei tamém, e neste momento, como que me quería afectar o medo, e acto seguido desperto e vêm o Spírito… inquietar-me de tal modo e com tanta força, que eu bramaba com grandes gritos e alaridos, que os padeiros que estabam velando quedarón surpreendidos; ó despertar ouvín decir ós companheiros éstas fráses, etc… “Está endemoniádo, grunhía como um cán”. O día 19 de Xaneiro de 1915, sonhei que estaba na terra, proximo de mím estaba Maria da Ganeca, a atmosfera estaba escura como de noite, e eu andava facendo cabriolas. O día 20 de Xaneiro de 1915, sonhei que estaba no sítio da Fraga, onde andaban uns poucos de rapazes, um deles fixo-me unha partida, e eu andaba detrás del para bater-lhe. Logo, vexo aparecer Guilhermina do Bértolo com o rostro resplandecente que parecía fogo.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
QUE NADA SE SABE (26)
Vou traer a colaçón algúm exemplo breve para que isto que acabo de dicer non quede sem proba. Bastará com referir-se ó home. Este aborrece o basilísco, pois dí-se que o basilísco perece pola saliva de um home em xexúm; o basilísco aborrece o home e a comadrexa, que, segundo contan, o mata ela sola; a comadrexa aborrece o basilísco e o rato; o rato e a comadrexa ó gato; o gato ó rato e ó cán; o cán, ó gato e á lêbre; a lêbre, ó cán e ó furón. No que se refere á antipatía, baste com isto. Así mesmo, o home non se alimenta, nem disfruta com qualquer manxar. senón com carne de vaca, de carneiro, etc… Estes animais non se alimentan com qualquer cousa que se lhes ofereça, senón com feno, aveia, palha. Á sua vez, estes non se nutrem com qualquer terra, senón com ésta ou aquéla. Por sua parte, ésta terra non produce de tudo, senón isto ou aquílo, ao qual contribui em sumo gráu que o clima sexa este ou aquél. Tudo isto, no que se refere á simpatía. ¿Como suceden todas éstas cousas? É necessário conhecer a natureza de cada unha délas antes de conhecer adecuadamente ó home. Ademais, dado que o home se nutre, crece, vive, enxendra, corrompe-se, razoa, há que perguntar-se acto seguído,pola alma e as suas faculdades. Em virtude disto, há que perguntar-se, respeito das prantas, com que alma viven, e o mesmo, respeito dos animais, e igualmente haberá que ocupar-se do inanimado, pois a ciência dos contrários é a mesma, e a xeraçón e a corrupçón ¿a que se debén? A qualidades contrárias. A continuaçón, há que ocupar-se de éstas, dos elementos, dos corpos superiores (porque o Sol e o home enxendran ó home); e dado que o home se senta, enxendra, entra em calor, há que ocupar-se da introduçón da alma, da introduçón das formas, da acçón e da paixón, da qualidade, da quantidade, da posiçón, da relaçón. Ademais, dado que isto se dá no tempo, isso é instantâneo, aquílo está em repouso, há que averiguar que é o tempo, e depois há que ocupar-se dos Céus e seus movimentos, pois o tempo, dí Aquél (aínda que mal, como no seu lugar veremos), é o numero do movimento segundo um antes e um despois. Dado que há um movimento em linha recta e para baixo, ó ponto se há de averiguar que é “arriba” e “abaixo”, e tamém há que ocupar-se do centro do mundo, dos seus polos e suas partes.
francisco sánchez
Publicado en Uncategorized
ASTRONOMÍA (BALEIAS NO SAHARA)
Quando um se interesa pelo seu planeta Terra, pode chegar a certos conhecimentos, que num princípio poderíam parecer bastante afastados do nosso alcance. Isto é, teríamos a oportunidade de chegar a muita informaçón acumulada durante miles de milhóns de anos, quase nada. De aí partimos, para saber para onde caminha-mos todos xuntos, e as consequências a que levarán inevitabelmente éstas mutaçóns, com efeitos catastróficos sobre os seres do planeta Terra. Tal como afirma-mos ó início do artigo, o deserto do Sahara era um mar, que foi emerxíndo á superfície, ó chocar as placas teutônicas do que queda de Panxeia (agora chamada África), que continua deslocando-se cara ó norte, para chocar contra Eurásia, e désta confluência de vários continentes, que caminham todos para a formaçón de um novo “super-continente”. Este é um dos grandes acontecimentos actuais do nosso mundo, que avanza inexorabelmente cara ó seu obxectivo e, pode supor extinçóns massivas de vida na terra. África nasceu do mar, e das ruinas de Panxeia. Nas cálidas areias do deserto do Sahara, foron encontrados esqueletos de Basilosauros (baleias xigantes), que evolucionaron a partir de mamíferos terrestres, com grandes dentes como leons (com perto de 37 milhóns de anos). Estes animais, aproveitavam os peixes em funduras baixas de perto de 30 milhons de anos, mas o mar foi-se secando pouco a pouco, e África nasceu do fundo do mar. E assím, mediante a chamada do “super-continente”, todos caminham para norte, Itália e Grécia, xá colisionaron com Eurásia, formando os Alpes e outras cadeias montanhosas. Hispania, chocou formando os montes Pirineos. A zona de París era outro mar, como indican as rochas de carbonato de cálcio, incrustádas de fósseis marítimos. Europa, também foi aflorando lentamente do mar. O Mediterraneo, acabará por morrer entaládo por África, que avanza para norte, e que poderá despertar unha cadeia massiva de erupçóns vulcânicas, que causaría um cataclísmo sobre fauna e flora terrestre. Tudo caminha, para a formaçón de um “super-continente”, ó redor de Eurásia, que podería provocar unha nova extinçón da vida.
léria cultural
Publicado en Uncategorized
POBRES E BAGABUNDOS
De pequeno eu quería ser pobre, modesta aspiraçón que protexe da frustraçón e fracasos. Pobre de pedir, de caminho, de fardel e cachaba por montes e pradeiras. Pobre de tender-se á sombra dum salgueiro e refrescar-se num regato; pobre de mirar os labradores deslomar-se sobre o arádo no Outono ou agavilhando baixo o sol no vrán. Pobre de non facer nada, de non ter obrígas, nem próximos nem casa, nem dívidas nem aforros, nem senhores. Pobre de tumbar-se á bartola de cara ó céu, mentras os demais se afánan angustiosamente sobre os negócios deste mundo. Pobre sem dinheiro. O de impecúne, conseguim-no mais ou menos; o da liberdade muito pouco, quase nada. Os pobres, ademais, formabam parte da paisaxem do meu povo e de todos os povoádos circundantes. Eran como peregrinos do Caminho de Santiago, em todas as épocas do ano, fixéra frío ou calor, nevara ou caí-se fogo derretido. Había o pobre de Paredes, o pobre de Ampudia, o pobre de Carrión, pobres com denominaçón de orixem que eran como marquesados ou condados da pobreza. Estabam muito organizados, tinham os seus días fixos de ronda e o seu calendário. E sabíamos que tal día da semana ou do mes, iban chamar á porta toc, toc, toc; unha limosna, por amor de Deus. Dinheiro, muito pouco. Unha “perra-chica”, cinco centávos; ou ao sumo, unha “perra-gorda”, déz centávos. O mais frequente, cousas de comer: chourizos, toucinho, algúm ósso sobrante para um cozido. E nas casas mais aváras um mendrugo de pán, que o pobre bicaba com santa unçón e metía reverencialmente no zurrón. Levava um fardelinho para cada cousa, debía de ser por medo a que se misturaram os sabores, os do toucinho, com os do chourizo, os do chourizo com os dos óssos, e assím, que os pobres tenhem o paladar muito fino e exquisito é cousa sabída. Algúns davam-lhe ó sopro, ou sexa á botelha e, em véz dunha limosna por amor de Deus, pedíam um copo de vinho; como o poéta célebre, o bom cura Gonzalo de Berceo, refén da virxém e forxador do primitívo castelán, que em pago dos seus versos só pedía “um copo de bom vinho”. Había um que lhe chamabam o Medalhas, que estava sempre atiborrado de vinho. Com frequência andava a tropezóns e traspés. Quando escuitába as malévolas risadas que se burlában da sua caída revolvía-se iracunso: “Se me caín que me caía, que eu bem dereito iba”. Memorável filosofía aquéla, lóxica que desvinculaba os efeitos das causas e ós pequenos nos deixaba perplêxos. Vía-mos os pobres tumbados á sombra, ou sentádos tomando um refrixério. Mentras os homes e as mulheres do povo se deslomabam por semeádos e rastroxéiras. E os pobres, nos parecíam os reis da criaçón: uns verdadeiros maraxás. Chegada a noite, sempre encontrabam um palheiro aberto, unha eira, ou unha morea de espígas em pleno campo, dependendo do tempo e da estaçón, onde dormir a perna solta. O que digo: ¡¡como uns reis!!
javier villán
Publicado en Uncategorized
DERIVA HISTÓRICA (REBORDINHOS Nº 2)
.
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042012
ASENTAMENTO Ó AR LIBRE REBORDINHOS Nº2
Este xacimento é um asentamento prehistórico ó ar libre, que está na rechán média da ladeira leste dunha altichaira, e para non ser menos que os outros, tamém el foi cortado por pistas florestais. Non se sabe a sua adscripçón cultural, xá que os fragmentos cerámicos, tanto os de paredes finas como grossas, e as lascas de quarcita non permitem dactálos. As cerámicas son de aspecto prehistórico, mas sem bordes nem decoraçóns. Uns cinquenta metros, na direcçón do Côto da Pedreira, tinha este povoádo o seu manantial d’áuga.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
LITERATURA (BALZAC)
HONORÉ DE BALZAC
Ó escreber a “Comêdia Humana”, este prodixioso ciclo narrativo cuxa riqueza e profundidade non foron igualadas contemporaneamente, Honoré de Balzac ampliou os limítes do românce até fazer désta o meio de expressón privilexiada da moderna literatura. Ó mesmo tempo, criou um realismo de novo cunho que lhe permitíu descreber as mutaçóns experimentadas pola sociedade francêsa despois do império napoleónico. Mas, mais alá déste contexto histórico e literário, Balzac, conserva a perene actualidade que é própria de todos os grandes escritores universais. Ó final de “Papá Goriot”, erguido no alto do cemitério de Pére Lachaise. o xovém Rastignac avanza uns passos e contempla París “tortuosamente extendida ó largo das duas marxéns do Sena, no que comezabam a brillar as luzes. Seus olhos quedaron prendidos, quase ávidamente na columna da praza Vendôme e na cúpula dos inválidos, onde vivía aquel mundo elegante no que había querido penetrar. Lanzou sobre aquela zumbeante colmeia unha mirada que parecía extrair o mel por antecipado e pronunciou éstas grandiosas palabras: “Agora nos veremos as caras!” Ésta podería ser a escena emblemática, o arrogante mascarón de prôa que embiste e rasga as néboas do tempo e os prexuízos que flotan sobre a vida e a obra de Honoré de Balzac. Em românces anteriores, Rastignac, era um obscuro personaxem de segunda ordem, um comparsa (aparece por vez primeira em 1831, em “A Pel de Zapa”) e depois o veremos muitas outras vezes passeando os seus sonhos e ambiçóns por toda a “Comédia Humana”, o grande retrato da “França da Restauraçón” monárquica que seguíu ó Império de Napoleón. Deixando de lado ó próprio Honoré, que probavelmente supera em ambiçón e desmessura a todas as suas ciaturas literárias. Rastignac, é a personaxe mais balzaquiana de toda a basta obra do escritor. Filho espiritual de Julien Sorel de “Roxo e Negro”, este xovém sem meios de fortuna, atractivo e sonhador que, cegado pelo fulgor do éxito e do dinheiro, desde o alto de “Père Lachaise” desafía a cidade de París e convoca a glória futura non é outro que o “alter ego” de Balzac, cuxo afán de triunfo non têm limítes e que non parará de escreber, correr em pós de quimeras e tantear negócios derrochando vitalidade até ser admitido nos salóns mais distinguidos de París e viver apaixonados românces com as damas mais fermosas e intelixentes daquéla sociedade deslumbrante que aínda estava demasiádo perto do império, apesar de Waterloo. E é désta maneira, no meio désta febríl actividade social e sonhadora que Balzac concebe o vasto proxecto da “Comêdia Humana”, sentado na mesa de trabalho do seu estudo parisiense, ás altas horas da noite e em batín, atiborrado de café e de visóns, e rodeado de cadernos enfarruscados. Había que conquistar París e o triunfo social, da mesma maneira que Napoleón Bonaparte tinha conquistado Europa.
rba editores, s. a. -barcelona
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (51)
O Largo das Gralhas. O 22 de Decembro de 1914, fún trabalhar pró Largo das Gralhas (padaría), para andar nunha venda, no lugar do António do… uns días, enquanto el non se punha bem de unha perna; tivem alá mil sonhos, ó princípio muito discretos, logo pró final algo confusos. O Spírito… xamais me tinha molestado tanto como no Largo das Gralhas, eu chegára á decadência completa, as paixóns, a miséria física, a desgráça e a mala sorte, tinha tirado conmigo ás sombras da morte, quase á terra do esquecimento, e poucos días despois ouvín criticarme, sobre aquílo que um home busca e non quixéra encontrar. O día 24 de Decembro de 1914, sonhei que estaba na terra (dentro do eido), vía xente, alí vín o meu corpo vestido com unhas calzas de ganga, com um vivo pensamento que non tinha dinheiro, que estaba na puta miséria. O 7 de Xaneiro de 1915, sobre a manhan, me chamában para o serviço militar, e eu protestába porque motivo me tinham chamado a mím, diante de mím iba Isolina do Caetano, parecendo como que fuxía, mas presentou-se-me mais pequena do que na realidade era, despois encontrei unha garíta, que pensei ser a minha, as demais voltas esqueceron-se-me.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
VATTIMO (ÜBERMENSCH)
Se Deus morreu, segue o “Relatório Nietzsche (Zaratustra)” aparece o “Übermensch”, do qual son possíveis duas interpretaçóns. Segundo a primeira, aquele que ocupa o lugar do “Deus Todo-Poderoso” é um “Super-homem”, o qual, unha vez desaparecidos histórica e sociolóxicamente os valores do cristianismo, agora que tudo está permitido e se torna irrisório non só qualquer castigo do além-túmulo, como carecer da força e da coraxém suficientes para tomar o poder, xá que é aos poderosos a quem a sorte sorri, sente-se libre e apréssa-se a dictar por sí próprio as “léis” segundo sua conveniência e em virtude da sua força, dispon-se também a dictar de sua libre vontade arbitrária e criadora o que está bem e o que está mal (um novo sofista: um terrível Trasímaco, ou um novo Marquês de Sade, a quem xá se opuseram Sócrates-Platón e Kant. Trata-se de um homem (ou mulher) todo-poderoso sêm limítes, um humano emancipado, único dono de tudo o que quiser a seu “bel-prazer”, e que luta por se antepor como amo e senhor á “Ordem”, ao “Tempo”, á “Linguaxem” e ao “Mundo”. Infelizmente, conhecemos muitos “senhores brutais” assím, inclusive entre algúns “administradores” do legado de Nietzsche. Non é o caso de Vattimo, que (nos libros referidos) extrái precisamente a outra leitura (nisto igual ao Foucault de As Palavras e as Coisas): entender o “Übermensch” como “trans-homem”, como “o homem de bom temperamento”, o que sabe contraefectuar o acontecimento ou fazer da necessidade virtude (por aquí será seguido também pelo Nietzsche de Gilles Deleuze), e que sabe extrair as paixóns alegres da condiçón tráxica do mortal. O que, por “cortesía” e xenerosidade para com os outros e para com o dom gratuito da vida e da existência tráxica, poderá cultivar as “Paixóns alegres” de Espinosa (que Nietzsche lía em Sils-Maria (Suiça) quando se lhe “revelou” o pensamento do “eterno retorno”. segundo relata “dramaticamente” o filósofo; as alegres virtudes e paixóns do “Gaio-Saber”, ou da “Gaia Ciência”, do próprio Nietzsche. Tal é a mensaxém de “Aurora”, de “Humano Demasiado Humano”, ou mesmo de “A Gaia Ciência” e, em xeral, do que Vattimo chama “o Nietzsche iluminista”, certamente em consonância com toda a obra nietzschiana: prescindir de um “Deus-Idolo Asegurador” (tecnicamente utilizado pelo homem como um instrumento ou “farmaçón”, unha droga de salvaçón) e abrir-se a renomear o sagrado (indisponível) e o divino de Deus, non como se fosse unha substância autosuficiente (um suxeito em sí e para sí; metafísico, que non precisa de nada nem ninguém), mas antes encarregando-nos de formar como o divino “só” acontece na palavra, na oraçón e na linguaxem dos seus outros: os mortais, os que non son Deus (recorde-se que esse é o título da autobiografía – até 2006 – de Vattimo); esses “seres de um día”, que talvez por amor ao outro tensional constituinte, por amor á diferença e alteridade que de nós necessita; por “amor a Deus”, se simultaneamente se desse a assumpçón da morte (de certa forma impossíbel), e com isso non se exinguisse o desexo de eternidade (a que pertence todo o prazer e todo o desexo de retorno), enton agora, libres do deus todo-poderoso, inventado pelos homens do poder, poderá acontecer o melhor do possível (para o divino e para nós) que oferecêssemos ao divino precisamente o que non temos, o que non podemos ser: o eterno, a linguaxem-lugar “do cruzamento” onde pode realmente dar-se o acontecer (provavelmente descontínuo) da alteridade da sua diferença, como contiuidade histórica, embora cada um de nós tenha de desaparecer. Assím o quería o poeta da poesía, F. Hölderlin, e assím o quererá e cantará a profunda piedade do segundo Heidegger: assím o assinála a obra-príma de Nietzsche, o seu “Zaratustra”, e assím o lê Vattimo que, sem dúvida, opta e toma partido non pela vontade de força, mas pela “inversón dos valores”; a transvaloraçón, que abraza a razón dos “Débole”.
teresa oñate e brais g. arribas
Publicado en Uncategorized
ASTRONOMÍA (EM AROUCA, LÁ DEBAIXO DO MAR)
Em Arouca, lá debaixo do mar. Lá, na frecha da Missarela, e na Cascada dos Ameiros. Tan escondidas no meio das louseiras das ardósias, nos telhados de pizarra das casas de pedra, aparecem fossilizadas, vindas doutros mundos passados xá, uns seres extranhos chamados “Trilobites”, que tenhém três lóbulos lombáres, e por isso mesmo se chaman assí. Semelhan talmente, baratas xigantes. Som um grupo de artrópodos fossilizados, que viveron durante o Paleozoico, parece ser que apareceron fái 542 millóns de anos, durante o período Câmbrico, e están agora petrificadas neste mar de ardósia. Os mineiros, ó abrir as lousas, deparabam-se com éstas criaturas inquietantes, e em vez de rompélas em mil anácos (como farían na minha terra), as coleccionábam nas pedreiras, como seres reverenciais do tempo do grande “Dilúvio Universal”. O que parece certo é, que éstas Trilobites, lograrón resistir duas extinçóns massivas da vida no planeta Terra, mas á terceira extinçón, non puideron sobreviver, desaparecendo quase definitivamente (pois parece que aínda quedaron por aí algúns parentes). Ésta terceira catástrofe, que debeu abalar os fundos marinhos, e os fixo emerxer á superfície do mundo, logrou chegar até ás canteiras de Arouca, demonstrando que fái mais de 500 milhóns de anos, as Trilobites eram tan comúns e diversas, como as lagostas (os crustáceos actuais, seus primos) nos restaurantes de Cuba. Pois, haber-las, hai-las, mas tan grandes como as de Arouca, em parte algunha. Se por acáso da fortuna se perder, e passar por éste lugar, non deixe de visitar o museo das ardósias, e ver algo, que o fará cabilar largamente sobre os mundos perdidos. (Também os poderá ver em Lisboa, no Instituto Superior Técnico), mas, xá de maneira mais carpeto-vetónica.
léria cultural
Publicado en Uncategorized
NIETZSCHE (PARA ALÉM DO BEM E DO MAL)
Em 1885, escreve unha quarta parte para Zaratustra. Desencantado com a falta de leitores, Nietzsche decide publicar o libro nunha ediçón a seu cargo, de quarenta exemplares, dos quais acaba por enviar apenas meia dúzia ao seu círculo mais íntimo. Também nesse ano, entre gráves problemas oculares, Nietzsche escreve – ou, melhor, dicta “Para Além do bem e do mal. Prelúdio a unha Filosofía do Futuro”, obra em que regressa ao estílo aforístico, depois da experiência poético-narrativa de Zaratustra. Désta vez parece decidido a encontrar o seu público: em 1886, paga do seu bolso unha ediçón de 600 exemplares e envía um bom número deles a revistas e xornais, com a esperança de que se façam eco da sua obra. Perante o silêncio xeral, sente-se eufórico quando, por fím, aparece unha sinopse do libro num diário suíço, em que se comparam as suas ideias com unha invençón da época: a dinamite. A vontade de fazer-se entender também o leva, nesse ano, a dar a conhecer, de novo, a sua obra. Após meses de negociaçóns e problemas de direitos editoriais, consegue que se reedictem todos os libros publicados até à data, e isso quando a grande maioría dos exemplares das ediçóns orixinais aínda está nos armazéns. Nietzsche incorpora novos materiais e escreve prólogos para os seus antigos libros (sem os reler!), tentando dar, retrospectivamente, certa continuidade e coherência ás suas ideias. Também trabalha intensamente num libro que concebe como o culminar do seu pensamento: “A Vontade de Poder. Ensaio de unha Transmutaçón dos Valores”. Inicialmente proxecta-se como unha obra magna em quatro volumes, mas anos depois abandona o plano, que acaba transformado num conxunto disperso de uns quatrocentos apontamentos. Apesar disso, depois de falecer, a sua irmán Elisabeth decide editar a obra com a axuda de Peter Gast. Com essa finalidade, ordenará, agregará e suprimirá materiais inéditos com um critério mais do que discutível, motivo pelo qual a ediçón póstuma de “A Vontade de Poder” xerou polémica durante décadas.
toni llácer
Publicado en Uncategorized
















