Categorías
Arquivo
- Agricultura Alimentación Anonymous Arquitectura Astronomía Blogs para curiosear Bos desexos Cerebro Cine Darío e Breixo Economía Educación Frutais Futuro Historia Humor Indignados Libros Lingua Literatura Medios de comunicación Monte Comunal Natureza Poesía Política Procomún Publicidade Sidra Socioloxía Software libre Tradicións Viaxes Xadrez
QUE NADA SE SABE (25)
Mas concedámos que as cousas sexam finitas em número. Non por isso saberás mais, pois nem sequer teis conhecimento do primeiro princípio e o mais necessário de todos; consequentemente, tampouco conhecerás os demais, que de el se derivan. Logo, nada sabemos! Por outra parte, entre as cousas há unhas que simplesmente son por sí, em virtude sua, em sí, mediante sí e para sí, tal como (permita-se-nos falar désta maneira), os filósofos consideran como causa primeira, a Deus. Todas as demais diferentes del, non son para sí, nem em virtude de sí, nem em sí, nem mediante sí, nem para sí solas ou em ordem a sí mesmas, senón que son unhas por outras, unhas em virtude de outras, unhas em outras, unhas para outras. E é necessário conhecer ambos ordens de cousas. Mas a Deus ¿quem o conhece perfeitamente? “Non me verá o home e seguirá vivendo”. Por isso, só a Moisés lhe foi permitido vê-lo, mediante o que de el se segue, isto é, polas suas obras. De aí, que o outro dixéra: “O invissíbel de Deus, vê-se entendendo-o atravéz do criádo”. Para saber algo perfeitamente é necessário conhecer também aquilo, a saber, que cousas causan a que outras, e de que maneira. Mas há tal concatenaçón entre todas as cousas que nenhuma está ociosa, senón que, mais bem, se opón ou favorece a outra; mais aínda, a mesma cousa está destinada non só a perxudicar a muitas, senón também a axudar a muitas outras. De aí se segue que, para o perfeito conhecimento de unha só, há que conhece-las a todas. Mas ¿Quem é capaz disso? Nunca vín que ninguém o fora! Por ésta mesma razón, unhas ciências axudan a outras, e unha contribuie ó conhecimento da outra. Incluso, e isto é mais importante, unha só non pode ser conhecida perfeitamente sem as outras, pelo que unhas se vêm obrigadas a sofrer câmbios por influência das outras, pois os seus obxectos están de tal maneira relacionados entre sí que dependem mutuamente e son mútua causa um do outro. De onde se confirma novamente que, ¡¡nada se sabe!! ¿Porque, quém conhece todas as ciências?
francisco sánchez
Publicado en Uncategorized
LITERATURA (SOROR MARIANA DE ALCOFORADO)
Tal como afortunadamente afirmou, José de Almada Negreiros, em momentos de elevada inspiraçón, a nossa Mariana, non é unha merdariana de Alcoforado qualquer, como a que nos presenta Júlio Dantas (¡¡Morra o Dantas. Morra!! ¡¡Plín!!). Apesar de ter empalmado durante séculos, um mar sem fundo de mentes calenturentas, com as suas cartas de amor a um oficial françês. A nossa Mariana, foi unha menina que com once anos, entrou acompanhada pela sua irmán mais nova, um séquito de criádas e escrávas destinado a servíla e protexé-la deste mundo fero. Neste pequeno paraíso na terra, que supostamente era a cartuxa do Convento da Conceiçón de Beja. Mas a crúa realidade, era diferente, entrou nunha sacristía cheia de ratas, pequenas rivalidades e dous bandos enfrentados: o partido dos Baptistas e o partido dos Evanxelistas. Ás vezes chegava-se inclúso ás vías de facto. Os castigos decidiam-se na sala capitular. Parece ser, que as cartas de amor som verdadeiras, pela descripçón detalhada do convento e do nome das pessoas referidas. O oficial françês, foi introducido na cartuxa pelo irmán de Mariana, do qual era amigo. E foi alí dentro onde se consumou a paixón dos amantes. A primeira edicçón, em françês “Cartas de Amor a um Oficial Françês”, foi publicada de forma anónima, aínda em vida de Mariana e com o seu nome (as quais, segundo Almada Negreiros, forom posteriormente estragádas para português). O Convento da Conceiçón de Beja, é hoxe também um museo de antiguidades clássicas, sendo o primeiro grande coleccionador o Bispo de Évora. Têm peças prehistóricas, visigóticas, e está actualmente necessitado de urxente intervençón nos telhados, que possa evitar a catástrofe e o saqueo de peças valiosas, das quais muitas xa foron levadas para as capitais. Com este artigo, basado num programa da televisón portuguesa (Visita Guiáda), intentamos devolver algo de dignidade, a unha menina enterrada entre grossas paredes, para toda a vida.
léria cultural
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (50)
Hospital de San Xosé. O día 29 de Sptembro de 1914 á noite sonhei que estava na minha terra natural, e estaba a ver que hora era. logo aparecín com um escrito na mán, chorando diante de um individuo. O 1º de Decembro de 1914 fún ó hospital de Lisboa tomar unha consulta: os médicos me examinaron a 1ª vez, quando os demais, logo apartaron-me para um sítio, e por fím examinaron-me 2ª vez e non deron com a enfermedade, por último atribuíron o caso a falta de limpeza ou sarna, derom-me um baño e mandaron-me. De noite tivem um sonho, que tantas voltas levou que é impossíbel enumerálas; eu sonhei com consultas, carros, figueiras, caminhos, ouvín unha voz que me díxo… Generosa…xa está casada, por último vín-na nunha encrucilhada, acompanhada de unhas poucas pequenas. O día 2 de Decembro voltei ó hospital, e como fún em xexúm, voltei prá casa, e ó chegar iba apuntar éstas linhas, vindo-me ó momento unha cousa pola cabeza que quedei sem sentido por um minuto, porque se dura-se mais tempo, eu deixava de existir (vexa-se páxina 54… Susto páxina 55) Dor forte nos quadrís. O día 10 de Decembro de 1914 á noite tivem o sonho seguinte: Sonhei com minha nái, e despois voltei a sonhar e ó mesmo tempo o Spírito… estaba sobre mím inquietándome. Polas 4.50 da manhán despertei algo despavorido, estonteado, insensíbel com unha dor pontiaguda nos quadrís. O 17 fún ó Consulado… De noite notei que estaba num sítio que non conhecín, e estaba vendo um corvo negro, chamei por el e levantou voo para mím. Caput. Despois subín uns montes altos, que me pareceron os montes de Lisboa, vín uns cotos muito altos que eu imaxinéi ser os da Galiza (minha terra), despois sonhei que iba polo monte do Cotiño arriba, e vên-me em cima um forte pensamento de que eu som um malandro, e esqueceron-se-me muitas voltas, despertei, e encontro-me em Lisboa, com trinta reis e quinze centávos.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
VATTIMO (CRISTIANISMO E COMUNISMO HERMENÊUTICO)
Provavelmente, só a pós-modernidade foi capaz de a conceber como unha lucidez extrema pois, no fundo, é a sua própria questón histórica como possibilidade de ser de unha época diferente, sem sair da modernidade, que entra aquí em xogo e se coloca sobre a mesa. Porqué? Porque se o nosso critério depender de acompanhar a história do ser e escutar o seu apelo e, dito de forma mais simples, acontece que toda interpretaçón depende do seu contexto, entón, no caso de se terem deslexitimado e desvanecido as grandes metanarrativas, o que está em causa desde Nietzsche é que a história do Occidente non sexa unha história da “carochinha”. Unha “História escrita pelos vencedores” (como decía Walter Benjamín) ou unha fábula inventada por Santo Agostinho seguindo unha certa interpretaçón, de Platón, a do Timeu (que era um mito político para o Platón do Crítias), e unha certa interpretaçón de Paulo de Tarso. Portanto, em que contexto histórico se inscrevería o critério debolista de Vattimo se xá non houbê-se o contexto do ser da história precisamente porque se tinham desvanecido a credibilidade e lexitimidade platónico-xudáico-cristán do relato de salvaçón agostiniano, transformado na história secularizada da libertaçón e emancipaçón da humanidade? Unha história que o iluminismo secularizou aínda mais, tornando-a no núcleo racional do humanismo iluminista. Unha questón endiabrada. Aquí se toca, entón, a partir de Lyotard, o núcleo da teoloxía política como fonte da metafísica da história. E, por outro lado, non estaría Heidegger, sobretudo após a “Kehre”, a seguir o Nietzsche do eterno retorno? Também non parece que Heidegger pudesse ser muito partidário de continuar tal macronarrativa, do que parece vir a saltar noutro “espaço-tempo” graças ao pensamento do “Ereignis”. Mas, o que faz Vattimo quando descobre o problema? Lonxe de se intimidar é, neste ponto, absolutamente decisivo, onde e quando alcança, do nosso ponto de vista, o auxe do seu pensamento e unha mais livre e vasta lucidez sobre a sua articulaçón do mesmo. Vattimo coloca a sí próprio duas questóns: porque realizou (ele próprio) unha hermenêutica debolista e esquerdísta dos textos de Nietzsche e de Heidegger? E, unha vez mais, porqué e com que critério se pode preferir, entre as plurais interpretaçóns, as que impliquem menos violência; as que mitiguem a violência e a imposiçón da força?
teresa oñate e brais g. arribas
Publicado en Uncategorized
DERIVA HISTÓRICA (REBORDINHOS Nº1)
.
REBORDINHOS Nº1
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042011
Asentamento ao ar libre, a adscripçón é indeterminada, talvéz do Calcolítico ou da idade do Bronce. O pobre tamém non se librou da pista florestal de marras, que atravessa o xacimento. Restos de cerámica lisa. prehistórica e algunha industria lítica (núcleo de quarcita sobre canto rolado). As cerámicas, non son o suficientemente expressivas para concretar a sua adscripçón cultural, movendo-se entre o Calcolítico e a idade do Bronce, os restos aparecen na superfície do caminho, bastante dispersos nunha lonxitude duns centenares de metros.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
NIETZSCHE (ASSÍM FALAVA ZARATUSTRA) (17)
No início de 1883, e como um autêntico iluminado, Nietzsche escreve em Rapallo, e em apenas dez días, o prólogo e o primeiro libro de Zaratustra. O segundo e o terceiro libro suxirám desse mesmo estádo visionário e escrevê-los-á também em raxádas de dez días, no verán e no inverno seguintes. A obra é unha fábula que tem como protagonista Zaratustra, um profecta que oscila entre a solidón e o contácto com todo o tipo de personaxéns simbólicas, tanto animais (águias, cobras, burros, macacos…) como humanas (discípulos, bailarinas, mendigos, funambulistas…). Durante as suas andanças, o profecta pronuncía “unha espécie estranha de ‘sermóns morais’ ” em que irán aparecendo ideias que, como o eterno retorno, a vontade de poder ou o super-homem, se identificarán para sempre com o núcleo da filosofía nietzschiana. O filósofo está convencido de ter escrito a seu melhor libro, pelo seu conteúdo e pela sua forma. Com o seu estilo poético e alegórico, Nietzsche pretende transmitir um tipo de conhecimento que non necessita de argumentaçóns. Ao substituir os conceitos por imaxens, tenta recriar no leitor a sua própria experiência de inspiraçón ao conceber a obra. Neste sentido, Assím Falava Zaratustra é unha experiência única de ruptura com o pensamento racional (que poderíamos definir como discursivo, lóxico e dialéctico)e que, desde a obra de Sócrates, monopolizou a filosofía occidental. Nietzsche acredita ter chegado ao seu apoxeu como filósofo e sente-se “o homem mais independente da Europa”. Alberga esperanças de que, graças ao seu estilo, a valiosa menssaxém de Zaratustra possa chegar ao grande público. (Trinta anos depois, o governo alemán mandará imprimir 150 000 exemplares do libro para os soldados que lutam na Primeira Guerra Mundial.) No entanto, a obra passa despercebida. A eufória que sente ao comprovar a maturidade do seu pensamento, contrásta com a sua situaçón real: passa horas a tiritar de frío num quarto diminuto e, vendo-se ao espelho, exclama: “Amigo Nietzsche, agora estás totalmente sozinho!”
toni llácer
Publicado en Uncategorized
EM NOME DE GUILLADE (OS MUINHOS)
OS MUINHOS
Em Guillade había, unha vasta colecçón de muinhos, repartidos pelas ribeiras do río Uma principalmente, mas também por outros regatos escondidos, dos quais practicamente só ficam as ruínas d’um passado no qual parece ser que as águas eram bem mais abundantes. Nas ribas do río Uma há muitos, começando pelo do “Costureiro”, despois vinham os dous nossos (situádos no fím do regueiro de Ponte Souta, que vinha do Casal em Uma), em que se turnavam várias casas da rañó (a minha nái disfrutáva de largas séxtas no muinho, enquanto a roda de pedra voáva sobre a farinha, mas certo día víu unha grande cobra, e desde aquéla nunca mais), tudo estáva regulamentado rigorosamente por horas e días semanais. Seguía o da “Masquina” e por aí a baixo era um milágro deles, algúns verdadeiras casas de pedra, outros parecían fortalezas no alto das pedras, abandonados muitos deles, poucos aínda em movimento. Até que unha noite, as obras da autovía A 42, arrasarón com tudo, só non houbo mortos porque non había xente, a enxurrada levou pontes, muinhos, e em certas partes, até o río mudou de curso, tal foi a avalancha das águas. Podía-se encontrar mós de pedra por todas partes, unha autêntica catástrofe, patrocinada pela forza incontível do progrésso. Había tamém vários regueiros, que daquéla eram capazes de mover pedras de muinho, táis como “Os Muinhos” em Guillade d’arriba, xá abandonados há muito tempo, o “Muinho do Roupeiro” em Reimonde, e o “Muinho da Ferreira” no regueiro de Sorríbas. Formavam parte de um sistema de pans e farinhas, que resultavam fundamentais para unha vida de autosuficiência xeral, e para subministrár productos de unha qualidade tán máxica, como as pápas de óleo de milho.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
QUE NADA SE SABE (24)
Portanto, há na ciência, se admites a minha definiçón, três factores: “cousa que se há de saber”, “conhecimento” e “perfeito”. Teremos que examinar cada um deles por separado para deducir disto que nada se sabe! Em primeiro lugar, ¿Quantas cousas há? Talvéz infinitas, nón só tomadas individualmente, senón tamém como espécies. Negarás que som infinitas; mas nón probarás que son finitas, pois nón puidestes contar nem sequer unha mínima parte délas; eu apenas tenho novas de que haxa mais que o home, o cabalo e o can. Logo xá simplesmente disto nón sabemos nada. Pois, nem tú viste o termo de todas as cousas, aínda que afirmas que som finitas, nem eu vín a sua infinidade, aínda que conxecturo que som infinitas. ¿Que é o mais certo? Tú verás; para mím nem um nem outro. Mas o feito de que sexan infinitas -dirás- ¿em que pode impedir o conhecimento de unha só? Em muito, segundo tú, porque para conhecer unha cousa é preciso conhecer os princípios, sem dúvida a matéria e a forma. Mas, no caso da infinitude, as infinitas matérias som talvéz especificamente diferentes (por mais que tú non queiras distinguír especificamente de qualquer outra cousa a matéria, xá que a privas de toda forma; disto trataremos despois). Das formas non há ciência. Dirás, non obstânte, que incluso a matéria de infinitas cousas pode ser a mesma. É verdade. Mas também pode nón ser a mesma e, em consequência, ser múltiple, pois acáso há outras cousas, que ningúm de nós conhece, totalmente diferentes das nossas. Agora bem: o que pode ser e pode nón ser, resulta dúvidoso, se é ou non é. Mas a ciência, segundo tú, é o que é e non pode ser de outra maneira. Tampouco é necessário que haxa infinitas cousas para que a matéria sexa diferente, pois inclúso a tí, que as consideras finitas em número, todavía nón che consta nem che constará nunca (bem sexa verdade que podo enganar-me) se a matéria do ciclo é a mesma que a déstas cousas inferiores. Mais aínda: ¿Non há acáso unha matéria própria dos espíritos, aínda que se afirme que som simples? Sem dúvida. Tú afirmas que há muitos xéneros deles e que há em consequência, muitas diferenças. Logo convenhem em algo comúm: isto, segundo tú, é a matéria. E diferêm noutra cousa: isto é, na forma. E em quanto ós accidentes, ¿non tenhem também eles a sua matéria própria? Tú chamas matéria ó seu xénero, e forma á diferença. ¿Acáso a matéria dos astros é a mesma que a do céu? Non o sabes. Parece que non é a mesma. Logo também se ignora quais e quantos som os princípios, aínda que as cousas sexan finitas em número. E non será possíbel deter-se na série dos princípios. Os princípios do home som os elementos; deles, á sua véz, os princípios som ésta matéria e ésta forma; e désta matéria e ésta forma há outros princípios mais simples. Outro tanto sucede com os do león, do ásno e do urzo. E assím até ó infinito. Por outra parte, respeito das formas non há dúvida algunha de que na infinidade serán infinitas. Mas é necessário conhecer de antemán os princípios. Dirás que os elementos non som princípios; destes falaremos despois. Mas todavía: non haberá princípios, pois do infinito non há princípio algúm!
francisco sánchez
Publicado en Uncategorized
LITERATURA (STENDHAL)
STENDHAL
Considerado como um dos grandes mestres da literatura do século XIX, Stendhal foi, xunto com Balzac. o criador da moderna novela realista, mas, á diferença deste, que gozou do aplauso dos seus contemporâneos, non foi apreçado debidamente na sua época e, tal como el mesmo intuíu, a sua obra non foi de todo compreendida até ó nosso século. Stendhal soubo por de relevo o dramático conflícto que enfrentou o indivíduo com a nova sociedade surxída do “antigo rexíme” e as formas emocionais em que cristalizou o referído conflícto. Estes rasgos que o definem como escritor som os que melhor entroncam a sua obra com a sensibilidade contemporânea. Stendhal chamava-se todavía Henri Beyle e tería uns dezaseis anos quando chegou por primeira vez a París, o dez de Novembro de 1799 o, segundo o novo calendário estabelecido em França durante a revoluçón, dezanove de Brumário do ano VIII. Sempre tinha sido um estudante aventaxádo e aquel mesmo ano había obtido o primeiro prémio no curso superior de matemáticas da Escola Central de Grenoble, pelo que a sua família decidiu enviá-lo á capital com obxecto de que alí ingressára na prestixiosa Escola Politécnica. O chegar, encontrou París muito soliviantado, non sem razón; a véspera Napoleón Bonaparte, a sazón um xovém xeneral de brilhante executória, tinha dado um golpe de estádo e tinha-se proclamado “Primeiro Consul”. Com este pucheirázo, Napoleón punha fím á década turbulenta da “Revoluçón” e, ó mesmo tempo, consolidava para sempre os seus ideais; França voltava a ser na práctica unha monarquía absolucta, mas agora non cenhía a coroa o seu herdeiro lexítimo, senón um militar de orixém pebleio, cuxa ascensón había possibilitado a Revoluçón e seus avatáres. O feito era novo e nón tán novo. Em todos os tempos e países tinha habído homes de armas dispostos a fazer-se com o poder em momentos de zozóbra e incertidúme, mas sempre á maneira dos tiranos de ocasión e com um único propósito de restabelecer a ordem interna em nome próprio. Napoleón actuou também désta maneira, mas ó mesmo tempo como soberano natural dos françêses e com o apoio e aínda fervor destes. Conquistou Europa para impor-lhe os princípios revolucionários que el tinha contribuído a sofocar em França, e quando foi derrotado, despois de quinze anos de guerra ininterrompida e confinádo nunha ilha diminúta situáda a meio caminho entre Brasil e Angola, a xeografía política do mundo occidental tinha mudádo radicalmente e o pensamento político dos povos também. Stendhal, como todos os europeus da sua xeraçón, viveu esse câmbio e conheceu dúas concepçóns do mundo contrapostas e irreconciliáveis. Em boa parte, a sua personalidade e a sua obra, som fructo désta dualidade e a reflêctem.
rba editores s. a. (barcelona)
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (49)
Casa Roubada. O día 29 de Novembro de 1914, polas três da manhán, sonhei que aparecín nunhas casas velhas arruinadas, cheias de silvas, onde estaba um indivíduo vestido de preto, e eu mandei-lhe fazer um tráxe, pondo el o pano. Entón, vinhem cara á minha casa depréssa, até que voáva polos aires (unha quarta porriba do chán), ó chegar a debaixo da minha xanéla, vinha o caminho cheio de água, e eu submerxíndo-me na água, vinhem a nadar até á porta da casa, alí estaba a minha nái, a chorar decíndo que lhe tinham roubado a casa, que deixára quedar a chave na porta. Eu aparecín no Cotinho, entréi na casa da …, vín-na deitar na cama, e fún prá xunto déla, mas non entrei néla, nem se derramou por mím o leite dos amores (a atmosféra tinha aspecto de ser noite) Despois subín áquel alto e vexo vir Guilhermina com o rostro encendido, e perguntei-lhe que caralho quería, e ela correndo sem perder tempo marchou até á Ferreira, e dixo-me que o caralho xa o levára, a mím, vêm-me a ideia de casar com ela, mas duvidába porque andaba prenhada, ou non sei qué; ouvín unha voz que dixo: -con ela têm que casar, quêm a… etc…, despois eu estaba entre unhas poucas de pedras, balados, sucalcos, etc…, ou cousa semelhante, vindo-me ó pensamento de que alí andavam serpes, e estába axuxándo quando saíam, para as matar. Eu estaba com medo, había duas pessoas conmigo que non conhecím, um pouco mais, e apoderou-se de mím um medo que marchéi, nunca as cobras saíron, nem eu as vín.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
O PAN
o pan
Bicar o pan encerraba um sentido sacrosanto de pobreza. Bendecía-se o pan, igual que Cristo na última ceia, antes de partí-lo. Como um don. E tamém se bicaba o pan que caía no chan. Como em desagrávio: um pecado involuntário que se redimía com um bico. Bicaba-se o pan porque o pan sempre era de Deus, e porque se temía que faltara. E porque había fame. O pan, último baluarte contra a fame. Era um alimento básico e, ás vezes, quase exclusívo. Habendo pan, había alegría. Aproveitáva-se todo o pan, até á última côdea. E quando xá non se podía roer, de pura pedra em que se tinha convertido, áspera pedra que podía descalabrar a um cristiano, entón faciam-se sopas de alho. A pelo, sem tropezóns de pernil nem ovo escalfado. Isso, mais que um luxo, houbera parecído um milágre. Sopas de alho urxentes e caldorosas, com uns pingos de azeite ou de toucinho derretido, que erq mais barato. Ou sopas de leite, que tamém estavam muito boas, sobre tudo se o leite tinha nata, o espessor amarelento e rico que dava todo o leite sem água anhadida. As sopas de alho para cear e as de leite para de manhán, que entón chamávamos pequeno almorço. O pan cozía-se por turnos, unha vecinha cada día, num forno, cuxa dona cobráva em páns ou em farinha o trabalho de forneira, unha espécie de maquía, como nos muinhos. Os días de cocedura eran unha fésta. Desde pola manhán comezaba a barafunda; primeiro, levar ó forno os brazados de lenha e a palha para enrroxá-lo, logo, o saco de farinha, e despois amassá-la, deitar a lavadura e fazer os pans. Estes metíam-se dentro do forno com unha pá de madeira de larguíssimo mango. Com a massa sobrante, que non alcanzava para fazer um pan, nos fabricavam ós nenos tortas ou paxarinhos muito bem moldeádos, tál que parecíam páxaros de verdade e até dava pena comê-los, primeiro a cabeza, logo unha asa, e así. Eran como comunhóns colectivas. Deus me perdoe, que compartíamos com os amigos. Había no povoádo um sistema de préstamos rotatórios, unha espécie de troco, resíduos sem dúvida de unha primitiva economía sem dinheiro. Tu dás-me hoxe dous pans, e manhán eu chos devolvo. Assím, por este sistema, nunha aldeia com poucos possíveis e muitas carências, permitiam-se o luxo de comer pán fresco todos os días. Os páns eran de quilo, redondos, compactos e candeais. A todos nos gostavam mais os corruscos que a miga. As migálhas usabam-se muito para sopas ou para recheio do cozido. Todos os días, ou quase todos, había cozedura, e todos devolvíam relixiosamente os préstamos que tinham recebido os días anteriores. Nón existía o perigo de quedármos sem pan. Passava igual com as matanzas. Quando o porco, que se criáva em todas as casas, lhe chegaba o seu “Santo Martinho” e o degolávam, repartiam-se razóns entre os vecinhos que ó melhor levávam: um trozo de toucinho, outro de lombo, costelas, xigas ,e unha morcela. Assím, desde primeiros de Decembro até finais de Xaneiro, mais ou menos. todas as semanas comía-mos manxáres de porco. Dinheiro non había, mas a comida era unha ledícia. E o fantásma da fame de post-guerra, foi menos acusado nas aldeias, pelos recursos naturais do campo, e tinha desaparecido, em parte, nos anos cinquenta, que son dos que estou falando. Tudo isto, vêm polo de beixar o pan, por esse sentido sacro de comunhón que dábamos ó pan; pola sua condiçón de remédio fixo contra a fame. O pan era o alimento sagrado e redentor.
javier villán e david ouro
Publicado en Uncategorized
ASTRONOMÍA (PANXEIA)
O nosso mundo, non é algo parado, nem carente de “vontade”, nem muito menos inofensivo. É um inferno, em constante movimento e transformaçón. E estes câmbios, xá levaron várias vezes á extinçón, ou quase-extinçón da vida no planeta Terra. O interior do mundo é um mar de fogo, sobre o qual dançan os continentes, salvando-nos com as suas rochas de morrer abrassados. O magma ardente, luta desesperadamente por saír á superfície, atravéz das forxas de Efaístos, senhor dos infernos. As “Plumas Mantélicas”, fán chocar os continentes uns contra os outros, xuntando-os e separando-os ó antoxo aleatório, da lei das carambolas, levanta fundos marinhos a mais de oito mil metros e afoga montanhas no fundo do mar. Panxeia, nasceu do mar, como consequência da reunión dos “Cratóns”, xigantes Titáns, cuxas raízes se afundam a mais de douscentos kilometros de profundidade, som rochas sólidas que logran baixar as temperaturas, tenhem mais de trescentos milhóns de anos, quando aínda non había continentes, somente ilhas pétreas “Cratóns”. A teutónica de placas, debaixo dos fulanos, logrou formar os primeiros continentes: Ártica, Atlântica, Mena e Panxeia. Mas, passados milhóns de anos, também a Panxeia lhe chegou o seu “Santo Martinho”, unha erupçón vulcânica massíva, lava expulsada durante miles de anos, a qual logrou acabar com a metade da vida na Terra, tanto plantas como animais. Unha “Pluma Mantélica”, dividíu Panxeia em duas partes separadas pelo Atlântico, um novo oceâno que nasceu, com a sua “dorsal centro oceânica”, unha cadeia continuada de vulcáns, situada entre a placa Euro-Africana, e a placa Americana do norte. Despois, vei-o unha nova catástrofe, a fractura de Panxeia (separando-se América do Sul), que acabou colisionando com a placa teutônica do Pacífico. A pobre da Panxeia, continuará desmembrando-se no futuro, como consequência da “Pluma” do Val do Rif, abrindo-se ás águas do Oceano Índico, caminho da formaçón de um novo super- continente em Eurásia.
léria cultural
Publicado en Uncategorized
QUE RECEBE VATTIMO DE HEIDEGGER?
1º A diferênça ontolóxica ser/ente.
2º A questón do non dito e non pensado dentro do ser histórico, que se dá na linguaxem, como fonte da continuidade de futuros diferentes: outras interpretaçóns epocais (mortais) ou descobertas do ser.
3º A necessidade possibilitante do limíte infranqueável da morte e do retirar-se do ser (léthe) que se dá e se vela (como ausência e esquecimento) porque difére, no seu acontecer temporal (alétheia-verdade), resguardando com a radical finitude do seu non-dar-se a pluralidade diferenciada do dom.
4º Que o ser non é (son os entes) poque é diferença, ausência e evento gratuito.
5º Que o pensar do ser é Andenken (rememorizaçón), porque o ser non é presente (como um obxecto), mas sem presença-ausênça temporal, oscilante. Que o ser dá na linguaxem do pensar do ser.
6º Que a metafísica é a história de um progressivo esquecimento do ser, assimilado ao ente e ao obxecto para o homem suxeito, que passa a ser o fundamento racional do cosmos-ordem.
7º Que na época moderna do niilismo cumprido e do capitalismo (bélico multinacional) de consumo ilimitado, se alcança por completo a essência (metafísica) productiva da técnica moderna como vontade de vontade sem limíte, a qual, ao chegar ao seu total cumprimento e expansón, dá lugar a sociedades letais de controlo-domínio total e de neoliberal indiferença, quando o ser e o homem xá som meros obxectos, coisitos de mercado, méras existências, recursos humanos e mercadorias; disponíveis sem mais e descartáveis sem mais, expostas, instaladas, recolocadas e intercambiáveis nas suas calculádas e técnicas montras, de acordo com mecanismos de rentabilidade, os quais, também por seu lado, devem ser obxecto de constante manutençón e asseguramento funcional, para obterem a máxima rentabilidade.
8º Que nesse “inmundo” se abre a possibilidade histórica de um diferente dar a volta do ser-tempo á linguaxem (do pensar do ser) do homem, como acontecer (ex) propriador, eventual, que dissolve os caracteres de suxeito-obxecto e a lóxica racionalista do domínio moderno do mundo.
9º Que non há inculpaçón em Heidegger (como non había em Nietzsche), mas sim compreensón e interpretaçón do sem-sentido e sentido do que acontece e pode acontecer; mas Heidegger está mais perto de Marx non só na crítica profunda do capitalismo, mas por perceber que som as próprias autocontradiçóns do próprio sistema capitalista que abrem a possibilidade da sua dissoluçón histórica, que é preciso acompanhar sem dúvida, com todas as potências da crítica. De qualquer forma, Vattimo aprende a maneira como Heidegger se distância de forma crítica do voluntarismo de Nietzsche recusando que, depois da metafísica, o homem tenha de imprimir no ser os carácteres do devir.
10º É preciso deixar ser o ser, o devir histórico do ser, que agora acontece, na pós-modernidade, como diferença e alteridade, escutando o sentido désta mensaxem histórica como envío ontolóxico; agora, tendo-se transformado a essência da linguaxem (do ser e do homem) num lugar de co-pertença diferencial e non em instrumento, dissolve-se a essência metafísica da técnica. .
teresa oñate e brais g. arribas
Publicado en Uncategorized
O MOSCÓN
O MOSCÓN
Era mais unha demonstraçón bruta dos maiores que unha brincadeira infantil, aínda que ás vezes tamém. Éra xogo de Inverno, ou de Outono, quando as chúvias e as neves non deixavam ós labradores saír ó campo a trabalhar. Entón reuniam-se na taberna e unhas vezes xogabam ás cartas, ó “mus” preferentemente e outras zurrabam-se ó “moscón”. As cousas empezabam em broma e amizade, mas ían-se aquecendo pouco a pouco e acababam como o “rosário da aurora”. O rosário da aurora era unha práctica relixiosa que, como as rogativas para pedir água em tempos de pertináz sequía, tinham lugar á alba. Non sei por quê era así, sendo o rosário relixiosidade vespertino. Nem tampouco sei por quê esse célebre rosário, nêm em que ocasión, acabou com os fiéis atizando-se com as velas e as linternas. O da sequía pertináz sí que me recordo, pois escuitaba os maiores que, decía Franco cada véz que dava algunha explicaçón sobre algo que non marchaba bem, do campo e das colheitas maiormente. Toda a culpa a tinha a “pertináz sequía”; que as demais naçóns se burlábam ou nos davam um corte de mangas, pertináz sequía. E tudo así. Bom, o que quería decir é que o xogo cáfre do “moscón” o xogabam os homes na taberna os días de neve e frío ou chúva, ou sexa, quando non había “pertináz sequía”. E nós xogabamo-lo quando nos dava a gana. Ó que por sorteo e por desgrácia, que non por sorte, lhe tocaba por-se cara á parede, non demasiado perto déla; logo se verá por quê. Com a mán dereita tapaba os olhos e cruzaba o brazo esquerdo por diante do peito, oferecendo a palma da mán colocada exactamente no sobáco dereito. Sobre esse albo fixo, estrelabam-se os golpes dos demais xogadores. Estes colocados nas costas da víctima, lanzabam a sua mán dereita com toda a forza contra a palma cobigada debaixo da axíla. Unhas vezes á sobaquiño, ou sexa um golpe semicircular de baixo arriba; outras, describindo um movimento de atrás para diante em sentido horizontal. O que se punha tambaleáva-se e, apenas recuperado o equilíbrio, dava a volta tratando de adivinhar quem dos xogadores fora o merdeiro, que quase o tinha descalabrado. Estes xirabam ó redor do agredido, as máns levantadas e imitando com a boca o zumbido do moscardón que, no meu sítio, chamába-mos “moscón”. Se, entre o zumbido e o bosque de máns axitádas e tremorosas como folhas de árbore, acertaba quém fora, o descoberto ocupaba o lugar da víctima anterior. E, sí se tinha excedido no golpe, comezaba, claro, a vinganza. Olho por olho e dente por dente. Se non acertaba quém, seguía recebendo trompadas. Davam-se verdadeiras palizas muito bem resistídas por uns e outros, amistosamente, entre linguatazos de mistéla misturada com aguardente. Como fora chovía e caían chuzos de punta, decían que era para entrar em calor.
javier villán e david ouro
Publicado en Uncategorized


















