A CASA DO BACALHAU

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              Na rua do Grilo, alá polo Beato, onde há anos fun a pé propositadamente, vários kilómetros por esta zona arcaica da cidade de Lisboa, tan chea de lembrânzas para mim e para a minha família, com a intençón de comer um “Galo de Cabidela” feito por um xovém xefe de cozinha, o qual me recomendou que non o comera porque era demasiado pesado.  Mas eu, que sempre fun teimoso, e depois da caminhada efectuada, insistin no galo acompanhado de vinho da “Quinta do Peso” (ainda para mais inri), no Alentexo.  E confesso, que non me arrependo da minha contumácia, pois ainda hoxe conservo grata memória dessa aventura gastronómica.  Hoxe em dia (tempos duros de “eficácia” neo-liberal), nun convento xelado, do qual saim com escalofrios, non sabendo se o mau era eu ou o lugar, está agora a “Casa do Bacalhau”.  A sopa “aveludada de verduras” estava deliciosamente boa, e foi o melhor que alí comemos.  O “Bacalhau á Brás”, non estava mal.  O Irmán Comuneiro Chico pediu um “Bacalhau com natas”, que era unha amassada de queixo e natas, difícil de tragar.  Mas como non é homem de voltar a cara ás dificuldades, acabou por comer tudo.

léria cultural

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UNHA GRANDE CRISE DA FILOSOFIA (2)

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.              No ano de 1820, na Universidade de Berlim, foi possível assistir, várias vezes, ao início da tarde, a unha situaçón de acentuado contraste.  Por um lado, Georg Wilhelm Friedrich Hegel,  porta-estandarte do triunfante pensamento idealista, enchia a sala até ao tecto com mais de duzentos assistentes em cada unha das suas aulas, o que non seria nada de extraordinário para qualquer espectáculo mas, tratando-se de filosofia, era excelente.  A audiência de Hegel non se limitava a filósofos principiantes, muito pelo contrário, incluía trabalhadores de todos os tipos, bem como outros funcionários do Estado prussiano (o que hoxe conhecemos como Alemanha era, enton, em traços largos, a Prússia).  Havia várias razóns para tal sucesso clamoroso.  Hegel partia de um hiper-racionalismo levado ao extremo – “tudo o que é real é racional e tudo o que é racional é real”, sendo tudo o resto escória indigna de consideraçón filosófica – para construir unha interpretaçón optimista da sociedade, do Estado e da história.  Do seu ponto de vista, a história universal tinha um sentido definido, cuxo apogeu era a Prússia até áquele momento, enquanto o servidor (ele mesmo) era, naturalmente, o apogeu da filosofia, xá que tinha sido ele quem tinha identificado o desenvolvimento triunfal dos acontecimentos e das ideias.  A coisa era exposta com argumentos muito subtis e enrevesados, mas a ideia principal era essa e se todos ficavam satisfeitos non havia razón para a negar.  Hegel utilizava unha linguagem críptica e opaca para expressar esses conceitos obscuros que, ainda assim, gozavam de enorme aceitaçón nunha arrebatada audiência, podendo-se questionar até que ponto compreendia aquelas filigranas idealistas, em que um espírito absoluto se exteriorizava na história universal para atinxir a sua autorrealizaçón e autocompreensón.  Fosse como fosse, Hegel tinha encontrado unha fórmula ganhadora, um “leitmotiv” que fazia fortuna e um público que lhe aplaudia tudo.  E non só.  O Estado prussiano promovia-o na hierarquia universitária nacional, porque a sua mensagem, que afirmava o progresso histórico e social, mas dentro de unha ordem e subjugado á autoridade, vinha-lhe mesmo a calhar, numa altura particularmente vonvulsa (Napoleon fizera alguns estragos com os seus exércitos na Europa e na Prússia, estendendo os ideais da Revoluçón Francesa e tendo até a ousadia de proclamar-se imperador).  A Igrexa também estava contente com Hegel, porque o espírito universal non chocava com nenhuma das principais questóns da doutrina.  Feitas as contas, Hegel non podia pedir mais, a vida sorria-lhe.

joan solé

VELA LATINA

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.              Estava unha tarde demasiado calorosa, para ser o mes de Outubro.  Polo qual, fomos para as bandas do rio Tejo, perto da Torre de Belem, onde fica o restaurânte Vela Latina.  Lugar “Chick”, na vaga esperânza de encontrar por lá o nosso Doutor Sócrates, para assistir a unha das suas brilhantes conversas, das quais nos vimos privados, por abuso de autoridade do estado português.  Encontro bastante difícil de darse, porque em primeiro lugar el non nos conhece, e apesar do nosso apoio el nunca nos viu mais gordos.  Mas, estáva-se bem, é um lugar para o calor, a parsimónia, tomar um xelado de “frutos do pecado”, e sobre todas as cousas falar largamente.  E pensar, como o “Leviatán” português, devorou um dos seus filhos mais brilhantes, hoxe em dia, somente comparável a Pablo Iglésias.

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ARTHUR SCHOPENHAUER (1)

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“SCHOPENHAUER, QUE DESCIFROU TALVEZ O UNIVERSO”

.               Perante a invexosa quezília, que tenhem todos os filósofos do club académico para com Schopenhauer, eu mesmo me vim obrigado a fazer esta presentaçón.  Visto na extrema necessidade de defender este xénio, tal como a Bakunín, dos seus maldizentes introductores, que como perros assanhados lhe ladran, intentando morder-lhe as canelas.  Arthur Schopenhauer (1788 – 1860),  A principal das suas virtudes, depois das filosóficas e literárias, foi a misântropía, non era precisamente um homem caloroso, mas sim orgulhoso.  Durante toda a sua vida gostava de “falar da intelixência estúpida e, da estúpidez intelixênte”,  Em contra do “discurso,discursivo”  da “explicaçón, explicativa” e da “arte, artística”.  Falou mal e desprezou, os filósofos profissionais, em particular a Georg Wilhelm Friedrich Hegel, a quem acusava de ter elocubrado unha inclemênte “salgalhada”.  Afortunadamente, para todos os seus leitores, o dinheiro que recebeu do seu difunto pai, permitiu-lhe viver para a Filosofia, e non da filosofia.  Ás vezes, non podia aguantar-se mais, e montava alguns escandalozitos, acabando por insultar toda aquela borregada, sobre tudo nas tertúlias, nas que participava gustosamente até altas horas, se necessário fora. Estava dotado de um grande humor, brilhante e corrosivo, que atirava á cara do público, dizendo, que provávelmente non chegariam a entender nada do tratado, por estarem intelectualmente a baixa altura. “Quando unha cabeza que batia contra um livro, soá-se a oco, non necessáriamente sempre era culpa do livro”, e que non se preocuparam com o dinheiro gasto, xá que a elegante edicçón poderia muito bem decorar os seus “buffetes”.  Non obstante, muitos foram os leitores que disfrutaron verdadeiramente com as ideias de Schopenhauer, um dos nomes mais queridos de toda a Philosophia.  “Que em breve os vermes roam o meu corpo, é um pensamento que eu posso aguantar.  Mas que os catedrácticos universitários rumiem a minha filosofia, é unha ideia que me horroriza!”.  Mergulham na sua vida pessoal para intentar rebaixá-lo, ás vezes sem qualquer pudor, colando-lhe ás costas o cartel de pessimista.  Mas todos aqueles, que tenhem a fortuna de entendê-lo, sabem que aquí está um dos homens mais intelixentes que paríu madre.  E quando el fala, há que arrecrichar as orelhas, pois dificilmente alguém poderá faze-lo melhor.    

antónio argibay sebastian

EM NOME DE GUILLADE (XIV)

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.               Outro dos  pleitos, refere-se á apropiaçón por parte de Antonio Gregores e Pedro Damil de monte comúm e caminho de carro no lugar de Porto de Oleiros, em 1738. (ARG, Vecinhos, 9920-46).

               Nestes pleitos compróba-se como se recurre ás testemunhas dos vecinhos mas tamém a velhos litíxios ou deslindes parroquiais para ratificar os dereitos que os vecinhos reclamavam sobre o monte comúm e os seus recursos.  Deste xeito aparecem documentos como probas que c’o passo do tempo desapareceron ao se perder a custódia sobre os mesmos ou como acontecia por non se ter conservado nos rexistros parroquiais, lugar de guarda de moitos documentos importantes para a aldeia.

lèria cultural

O DEVIR EXISTENCIAL

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               Apresentamos o suxeito segundo Kierkegaard como um devir existencial, como unha existência que procura a sua essência num tempo finito aberto á transcendência.  A noçon de devir, de desenvolvimento, é fundamental para o pensador dinamarquês, que descreve a traxectória moral e espiritual do ser humano no seu processo de individualizaçón.  O suxeito define-se a cada momento como o que quer ser e estabelece um horizonte de anseios e expectativas.  Dissemos, no capítulo anterior, que Kierkegaard conserva aspectos da filosofia hegeliana, embora despoxados do seu idealismo absolucto e interpretando-os de um ponto de vista existencial.  Em nenhum outro ponto se dá tan claramente esta adaptaçón como na dialéctica.  Hegel descreve com ela o desenvolvimento de um espírito universal.  Kierkegaard apropria-se desta dialéctica, introduz-lhe modificaçóns substanciais e usa-a para mostrar o devir do ser humano.  Vexamos como se produz esse salto qualitativo.  Na dialéctica hegeliana, o processo e a mudança (ou, dito de outra forma, os conceitos do processo e da mudança) cumprem-se segundo unha evoluçón necessária que exclui a continxência e a liberdade pessoal.  A razón individual e xeral, o pensamento e a realidade (unha vez que na filosofia de Hegel son essencialmente idênticos), têm movimento interno, son um fluxo de devir.  Cada um dos seus princípios é unha ideia, e cada unha das suas ideias contêm a ideia contrária, que pugna por emergir e impor-se á primeira.  Há primeiro unha tese (imediatez, afirmaçón), que choca com unha antítese (negaçón ou contradiçón, mediaçón), e do encontro entre ambas surxe necessáriamente unha síntese (superaçon ou negaçon da negaçón).  Por sua vez, esta síntese transforma-se numa nova tese. que xera unha nova antítese, que desemboca nunha síntese nova, que dá orixem a unha tese nunha nova oposiçón dialéctica, e assim por diante indefinidamente:  eis aqui o processo dialéctico segundo Hegel.  Vexamos um exemplo; a) Tese: Unha pessoa está muito bem sendo solteira;  b) Antítese: mas a companhia de outra pessoa é enriquecedora;  c) Síntese: o melhor é criar unha relaçón com outra pessoa que respeite a independência de ambos;  a) Tese: o melhor é criar unha relaçón com outra pessoa que respeite a independência de ambos;  b) Antítese: mas unha relaçón a sério requer o compromisso e a participaçón na vida do outro;  c) Síntese: na relaçón deve combinar-se a independência com a participaçón na vida do outro;  a) Tese: Na… (e assim por diante).  Ou, segundo um exemplo aduzido por Victor Gomez Pin:  a) Tese: a monarquia é ordem;  b) Antítese: a monarquia é desordem; ordem republicana;  c) Síntese: a monarquia restaurada é ordem, e a partir daí unha nova antítese, e assim sucessivamente.  Kierkegaard adopta a estructura dialéctica hegeliana para entender a estructura da mudança ou transformaçon pessoal (vemo-lo, por exemplo, nas três esferas de existência), mas introduzindo três modificaçóns tan decisivas que quase fazem pensar numa estructura distinta.  Em primeiro lugar, muda a dinâmica do processo.  Em  Hegel, a passagem de um termo para outro dá-se forçosamente por necessidade lógica.  A tese enxenda a sua antítese e ambas derivam numa síntese num movimento automático, circular.  Nesta dialéctica non conta nem intervém a personalidade nem a liberdade individual.  É como um processo fabril em cadeia em que as máquinas bem oleadas funcionam automaticamente, sem necessidade de operário.  A dialéctica hegeliana do absoluto non deixa lugar para as contradiçóns que se dan na experiência vital da pessoa, porque os movimentos desta dialéctica do espírito racional, e impessoal son abstracçóns alheias á existência concreta e particular.  Por isso, tudo é tan fluido e circular, Kierkegaard opón a este modelo abstracto unha dialéctica existencial pessoal em que a continxência e a liberdade son decisivas.  A escolha subjectiva e voluntária do indivíduo, e non unha dinâmica interna que funciona sozinha, é aquilo que produz o devir e a mudança. 

joan solé

¡¡BUSCACHE A MULHER QUE ESTÁ ROUCA!!

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              Frase, que Maria do Pazo, aplicava inclemênte, a todas aquelas mulheres que eran acusadas de incontinência femenina.  Fora unha velha história, que passou na sua época a unha boa moza de todas conhecida, e que non fora precisamente inventada pela literatura contemporânea, unha mulher de cuidado, que se atirava ós mozos.  Qual, valorosa “Xoanna D’Arque” galega, acostumada a tomar a iniciativa amorosa nas suas mans.  Famoso foi, aquel “affaire” no passo do rio Uma, quando lhe soltou a um incáuto barón: ¡¡Ai, Xoanzinho, se me quixeras ser bô!!

           ¡¡Si, pero tu gritávas!!

           ¡¡Buscáche a mulher que está rouca!!

               Decia, Maria do Pazo, com um brilho azul nos seus olhos malandros.  Sorriso aberto de mestra contadora, repartindo refráns, para cada caso que se presentava, sacava um da manga.

              ¡¡Em mim mandava o meu marido!!  ¡¡Morreu!!

                        ¡¡Agora, quem manda son eu!!

 

a irmandade circular

                                                           

VERDADE SUBJECTIVA

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.               “Em Kierkegaard dá-se a particularidade de o pensamento se ter formado menos por assimilaçón de elementos estranhos que por aprofundamento contínuo da própria personalidade, por unha consciência cada vez mais lata e exigente das condiçóns, non xá da sua existência em xeral, mas do seu próprio existir”.  A verdade non é algo que se pensa, mas que se vive na própria existência individual, subjectiva.  Non se pode compor á força de estudo livresco, compoê-se no existir real.  A expressón dessa verdade non pode ser mais que unha observaçón exacta e honesta da própria interioridade:  “Toda a obra xira sobre mim mesmo, única e exclusivamente sobre mim mesmo” (Pós-Escripto).  Neste ponto encontramo-nos muito perto do “Ensaios” de Montaigne, para quem “o pior estado do homem dá-se quando perde o conhecimento e o governo de si mesmo”.  A consciência da própria existência coincide com esta mesma existencia.  É unha consciência interior que leva a compreender a própria existência a partir de dentro, non de fora, teoricamente, como se fosse um objecto como os outros.  Este é precisamente o erro do racionalismo, que ao objectivar a subjectividade faz desaparecer a existência.  Non há um hiato entre o ser e o saber, os dois están fundidos.  A diferença entre  verdade subjectiva e objectiva pode ser ilustrada pelo uso do verbo “acreditar” com e sem preposiçón.  Pode acreditar-se que a alma é imortal, unha alternativa á possibilidade de ser mortal;  Sócrates acreditava na imortalidade da alma,  por isso aceitou tomar cicuta depois de ser objecto de um veredicto injusto e aguardar a morte conversando tranquilamente com os discípulos acerca da imortalidade.  Se alguém nos diz que acredita que Deus existe (ou que non existe) só nos comunica unha ideia;  se disser que acredita em Deus está a envolver-se pessoalmente.  “Acreditar” é, nestes exemplos, algo meramente intelectual,  um saber que non compromete o ser;  “acreditar em si” implica a totalidade da pessoa, porque representa unha verdade subjectiva que dá alento e impulso.  Em algunhas questóns procura-se a verdade subjectiva: a morte, casar-se, o modo de vida que se escolhe, admitem tratamentos “objectivos”, mas, pelas suas profundas implicaçóns para a pessoa, o que requerem é a procura de unha verdade subjectiva.  Os epicuristas do período helenístico diziam que era absurdo preocuparmo-nos com a morte, porque quando estamos ela  non está e, quando ela está non estamos nós.  É um argumento muito sensato, muito sóbrio, muito claro.  Mas quem pode ficar satisfeito com a sua assepsia? Non está muito mais perto da alma humana, da sua verdade subjectiva, o desabafo de Miguel de Unamuno: “Non quero morrer, non, non quero, nem quero querê-lo;  quero viver sempre, sempre, sempre, e viver eu, este pobre eu que son e me sinto ser aqui e agora, e por isso me tortura o problema da duraçón da minha alma, da minha.”?

joan solé

O GALITO

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.              O “Galito”, segue em frente, marcando o passo firme.  Desta vez, xá son demasiados clientes, ruidosos, optimistas, doutores a quem a confusón desta vida, lhes acarrea prosperidade material.  Menos mal, que o chefe me conheceu, e nos improvissou um lugarinho discreto, alí nunha esquina.  Foi unha “Açorda de Bacalhau” de primeiro, seguida de “Febras de Porco Preto Alentejano no espeto, acompanhadas de patacas fritas, manga e “Pan de Rala”.  Se todos puideram comer así, seria um adeus definitivo á fame no mundo.

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O CHOQUE COM A SOCIEDADE

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              Era provavelmente considerado unha personagem um pouco excêntrica devido ás suas ideias radicais, e sem dúvida que era conhecida a autoria das suas obras pseudónimas, mas após o tumulto que a ruptura com Regine Olsen causara.  Kierkegaard vivia tranquilamente em Copenhaga, onde dava passeios quotidianos e conversava com pessoas de todas as orixens que encontrava na rua.  Esta vida pacata acabou em 1846, devido a um conflicto aparentemente absurdo.  Um crítico literário publicou unha resenha de “Estádios no Caminho da Vida” na qual non deu mostras de ter entendido o livro e, em todo o caso, non o elogiou.  Kierkegaard replicou com um artigo num xornal, em que relacionava o crítico com unha revista satírica do momento, “O Corsário”, publicaçon semanal que ridicularizava personagens públicas da sociedade dinamarquesa, mas que até enton non se metera com ele porque o seu director o respeitava.  No artigo de réplica, Kierkegaard desafiou sarcasticamente a revista que o transformará no alvo dos seus.  Non devia ter-se mostrado tan ofensivo.  No início de 1846, começaram a aparecer em “O Corsário” caricaturas que o apresentavam como unha personagem disforme, corcunda (os anos tinham acentuado a deformaçon das suas costas).  Com pernas de extensón desigual que lhe causavam um andar irregular, ou sexa, no conxunto, como unha figura desconcertante. Embora o semanário tenha deixado de ser publicado em outubro daquele mesmo ano, o prexuízo que causou a Kierkegaard foi enorme; transformou-o num motivo de chacota.  Muitos reconheciam-no pelas caricaturas satíricas e riam-se dele quando o viam na rua.  O autor, que provocara a sua própria ruína ao desafiar “O Corsário”, de repente perdia um dos seus grandes prazeres, que era passear pela sua cidade.  Non tardou a transformar a amargura por esta situaçon desagradável nunha intensa consciência de martírio, á semelhança do que Cristo padedera.  Reforçou a sua convicçon de ser um indivíduo isolado em confronto com as massas,  sem mediaçon possível entre  os dois termos.  O patronímico Sorensen (“filho de Soren”) é um dos apelidos mais comuns na Dinamarca.  No entanto, o nome Soren, que em tempos também foi dos mais vulgares do país, quase deixou de se usar depois da campanha difamadora de “O Corsário”.  O incidente tornou-o um nome maldito.  

joan solé

SARDINHAS ASSADAS NO FASCO

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               Para quatro pessoas,vintiquatro sardinhas grandes e gordinhas; sal gordo; e agulhas de pinheiro, tamém chamadas em galaico-português enguiço.  Sobre unha laxe de pedra, espalha-se unha camada de dez centímetros de fasco (tamém chamado caruma). Lavam-se as sardinhas em água fria e disponhem-se sobre o fasco, tempera-se logo com sal abundante.  Cobrimos com mais dez centímetros de agulhas de pinheiro, seguida pegamos candeia á mezcla explosíva nas quatro esquinas, e deixar arder.  Retiramos as sardinhas todas chamuscadinhas coitadas, mas non queimadas, e limpamos lixeiramente.  Servir imediatamente acompanhadas com patacas cozidas e regadas com azeite.  Os expertos asseguram, que son muito mais dixestivas, e que no sabor, desafiam qualquer outra maneira de cozinhá-las.

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O DESTINO DE ESCRITOR

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               Os anos que se seguiram á ruptura son de unha produçon literária assombrosa.  Numa década escreveu perto de trinta livros e vinte volumes de diários.  Mal rompeu o noivado, em agosto de 1841, obteve o doutoramento em Teologia na Universidade de Copenhaga, com unha defesa da tese “O Conceito de Ironia, Constantemente Referido a Sócrates” (em setembro) e, em outubro, partiu para Berlim.  De regresso a Copenhaga, quatro meses depois, deu início a essa década em que o seu tempo de vigília foi quase exclusivamente dedicado a escrever e a ler livros necessários para a composiçon dos seus.  Os únicos momentos de distraçon eram aqueles em que dava os seus passeios pela cidade, os das conversas com pessoas do mundo editorial e a frequência assídua dos espectáculos do Teatro Real (onde se deixava ver, inclusive nas épocas em que mais consagrado estava á sua misson, mesmo que fosse apenas durante os dez minutos do intervalo, para fazer crer que continuava a levar unha vida de estecta hedonista).  Entre 1844 e 1848, voltou a viver em casa do pai, de onde saíra ainda estudante e que ficara desocupada quando o irmán mais velho. Peter Christian, a deixara para assumir a direcçon de unha parróquia.  Em fevereiro de 1843 aparecéu o voluminoso “Ou-Ou”, onde expon as suas ideias sobre os estádios ou esferas estécticas (hedonistas) e ética (baseada no dever moral e na responsabilidade) da vida.  Este grosso volume contém a xá mencionada narraçon na primeira pessoa “Diário de Um Seductor”, apogeu da visón estéctica e talvez a obra mais representativa.  No mesmo ano foram publicados o célebre “Temor e Tremor” (extensa reflexon sobre o sacrifício, no Antigo Testamento, de Isaac pelo pai, Abraam).  “A Repetiçon” e vários discursos de índole religiosa (intitulados “Discursos Edificantes”), pensados para ser lidos em voz alta, e que continuaram a aparecer em novembro e em anos posteriores (1844, 1847).  O leque temático do conxunto destes discursos é vasto: amor, bondade divina, conteúdo da fé…  Em 1844, publicou as “Migalhas Filosóficas”, em que distingue a verdade cristán da verdade filosófica, tal como fora construída de Sócrates a Hegel, o famoso “O Conceito de Angústia” (análise psicológica da relaçon do homem com o pecado através da angústia) e mais “Discursos Edificantes”.  No ano seguinte, “Pós-Escrito Definitivo e Non Científico ás Migalhas Filosóficas”, o seu livro mais claramente filosófico e sistemático, no qual se ocupa principalmente da ideia de verdade subjectiva, um exame que influiria enormemente na corrente existencialista do século XX (o autor vincula a verdade subjectiva á especificidade da fé cristán).  Surge, também em 1845, “Estádios no Caminho da Vida”, dividido em três partes assinadas por diversos pseudónimos, unha delas o diálogo “In Vino Veritas”, inspirado na forma de “O Banquete” platónico.  A parte final dos “Estádios” exponhem a vison decisiva dos estádios ou esferas – isto é, modos de vida – que podem caracterizar unha existência humana: estéctico, ético, religioso (vexa-se o quarto capítulo do presente estudo).  Estádios pode entender-se como unha ampliaçon de “Ou-Ou”, quer por usar unha estratéxia literária semelhante quer por acrescentar a esfera religiosa, ás duas primeiras, xá expostas no livro anterior.

joan solé   

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO

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               Caminho da serra do Xurês, vamos de longada, xá provistos de um portentoso avance da civilizaçon, o magnífico, o milagrento “Ton-Ton”.  Voamos pela A-52, até bem passado Ourense-City, quando de repente, unha voz sobrenatural nos ordena, “mantenha-se á direita, a trescentos metros colha a saída de Celanova (Unha outra intelixência, muito mais perfeita, vai completando a informaçón), Celso Emílio, Fuco Buxan, emigra!  Terras de Bande, Lóbios mais alá no horizonte lonxano, nas estribaçons da cordilheira do Xurês, venhem á memória velhas recordaçons dum companheiro de banca, chamado Xaime Tejada, tocador de viola e cantador de fados (O galo canta/ a galinha chora/ porque os pintaínhos ficarom a dormir fora/).  O seu pai tivera unha mina de Wolfrâmio, que sacava o mineral pela cidade do Porto, e travalhava com mineiros portuguêses, dos quais Xaime contava contos de nunca acabar.  “Monsenhor” Tejada, era um profundo admirador de Portugal, inclúso se apropriára das requintadas maneiras portuguêsas, no bem vestir, e no encarar a vida.  Bom, afrontemos defenitivamente a serra pela Portela do Home, mas isto xa non é o mesmo doutrora, está tudo modernizado (quer decir conspurcado).  Daquela estrada velhinha, com postes de madeira á marxem, que parecia o deserto mexicano, xa non queda nada, somente unha fronteira fantasma, morta, arrassada por ordas de bárbaros liberais, pela qual paradoxalmente chegamos a sentir a falta.  Com o rabo-do-olho posto no “Tontainas”, do qual non nos fiámos nin um ápice (pois xa nos pregou unha partida diabólica, da qual saímos milagrosamente, porque non encontramos ninguém de frente, pois o carreiro no que nos meteu, era estreito de verdade.).  Descemos lentamente o Parque Nacional do Xerês, com o motor em ponto-morto, admirando toda a luxuriante policromia outonal, das selvas nativas galegas. Há bastante xente por estes lugares ultimamente, eu sei que tenhem direito tamém a disfrutar da paisaxe, mas, esperemos que non inundem tudo de lixos e vivendas.  Agora, caída a noite negra, “mecanizados e duros”, vamos meter-nos na boca do lobo.  Levanta-mos a cabeza do aparcadoiro sub-terrâneo do Centro-Centro de Braga, para encontrar-nos diante dum faraônico, concorrido, e ao mesmo tempo acolhedor café, escondido detrás dunha grande fonte luminosa, cuxa água refresca o calor do outono.  Soberbo lugar! Para admirar os edifícios inmóveis, e os monumentos que pasan diante das nossas narizes.   Um home, non é de pedra!  Por isso mesmo, tivemos que ir comer ó Ignácio, que estava cheio de espanhois, catalans, galegos e vascos.  Provei pela primeira vez na minha vida os

famosos “Roxóns Minhotos”, e penso que foi suficiente. Hacho que penetrei bastante bem o espírito do prato. De todas as formas é melhor pedir bacalhau ou cabrito ó forno (tenrinho, e com as patacas caramelizadas).

  –      “¡¡Jorgue!!  ¡¡My dear Jorgue!!

–        “¡¡Monsenhor!!   ¡¡Monsenhor!!   Recuava, Jorgue Vasquez, facendo reverências pausadas e zalamalêques, naquel teatro da vida que era o Banco Gallego de Baiona.

 

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A RELAÇON COM A AMADA

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               Em agosto de 1841, chegamos ao segundo acontecimento:  Soren rompe o noivado que assumira onze meses antes com a novíssima (dezoito anos, menos nove que ele) e bela Regine Olsen, filha de um alto funcionário do Estado dinamarquês. Depois de, em 1837, se apaixonar pela rapariga de catorze anos, levara mais de dous a conquistar o afecto da xovem, que xá estava noiva, e da família.  Assim que obteve a sua man, Soren caiu na mais profunda melancolia.  Compreendeu que non estava feito para o casamento e que faria Regine profundamente infeliz, embora a amasse profundamente.  Estes onze meses foram o único período na vida de Kierkegaard aparentemente orientado para a respeitabilidade pública:  preparava-se para ser um homem de bem, útil á comunidade, para “realizar o universal” característico de unha vida ética.  Comunicava diariamente com Regine, escrevia-lhe e enviava-lhe presentes, dava passeios com ela, xantava frequentemente com a sua em breve família por afinidade, tan devota como a sua, e preparava-se no seminário para ser pastor.  Mas o destino de Kierkegaard era claramente outro, e ele sabia-o com crescente certeza.  Depois de unha intensa correspondência, com cartas demasiado literárias, decidiu pôr fim ao noivado.  Sabemos pelas anotaçons do seu diário como sofreu com a decisón, a que ponto chegou a torturar-se.  Mas de nada valeran as súplicas iniciais de Regine, nem as do pai dela.  Simulou ser vil e insensível para ser mais fácil á xovem aceitar a ruptura.  Atendendo á honra de Regine. e prevendo a inevitável maledicência da pequena Copenhaga, Soren propôs primeiro que anunciassem que fora a rapariga a romper o noivado; como ela se negou a representar o papel, simulou ser um homem cruel e depravado, entregue aos prazeres sexuais, para carregar ele o opróbio.  Consumada a ruptura, Kierkegaard partiu de imediato para Berlim, onde assistiu, durante quatro meses, a aulas na Faculdade de Filosofia e escreveu grande parte do seu voluminoso livro “Ou-Ou”.  Depois daquele noivado romântico e infeliz,  Regine reatou a relaçon com o seu primeiro pretendente, antigo tutor e xá entón destacado advogado e funcionário que abandonara quando Soren aparecera, e que, ao contrário deste,  seria capaz de desempenhar devidamente as funçons de esposo maduro, responsável e de confiança.  O anúncio do novo noivado, passados dous anos sobre a ruptura, foi um rude golpe para Kierkegaard;  perdido na abstraçon ensimesmada das suas emoçons, foi, por fim, envolvido pelo princípio de realidade.  A interrupçon do noivado obcecou Kierkegaard para o resto da vida, com diversos graus de intensidade conforme a época.  A relaçon aparece recriada em “Diário de um Seductor” e “A Repetiçon”, duas histórias de relaçons infelizes, embora com significados muito diferentes; apresentada na perspectiva do D. Juan no primeiro relato e na óptica de unha posterior crise religiosa no segundo.  Muitas conjecturas se fizeram sobre as causas da ruptura.  Alguns psicanalistas freudianos aplicaram os seus esquemas ao caso. Era apenas encaixar as peças: pai intensamente melancólico, dominante e ao mesmo tempo lascivo, filho dissoluto que volta a casa, com um carácter latente ou xá patentemente obsessivo e possíveis disfunçons fisiológicas reforçadas por unha rexeiçon visceral da parte física da sexualidade, tudo isso sublimado numa religiosidade cada vez mais desconcertante.  O hipotéctico freudiano poderia emitir aqui o seu veredicto de neurose incurável, e interpretaria todo o pensamento do autor como manifestaçon desses traumas, xá houve mais de um que assim o fez.  Unha leitura non psicanalítica de Kierkegaard non irá tan lonxe:  terá em conta todos os aspectos traumáticos da sua vida como unha das causas do seu pensamento, mas non o reduzirá a mero sintoma ou manifestaçon de unha neurose.  Há entre as vivências e as ideias do dinamarquês sobreposiçon, mas também desaxustamento e é por esse desaxustamento que entram a sua sensibilidade, intelixência e espiritualidade.

joan solé

 

EM NOME DE GUILLADE (XIII)

               Fol. 2. Dentro del atrio de la yglesia de S. M. de Guillade (…) por quanto ellos y los mas vezinos desde mas de quarenta y cinco años a esta parte se allan en la quasi Possesion de hir a cortar leña y a pastar los ganados Mayores y menores a los montes comunes del destrito de la feligresia de Uma todas las vezes y cada y quando que les pareciere a vista Ciencia y consentimientos de los vezinos y moradores de ella sin que jamas ellos ni sus causantes lo Ubieren repunado según escruptura de concordia otorgada por Ante Jacinto Suarez de Zuñiga escribano que fue de su magestad y del numero de la jurisdiccion y camara de Oliveira ahora defunto. que la qual se otorgo por Algunos de los vezinos de una y otra feligresia abra dichos quarenta y cinco años”.

               Fol. 55v.  (…)  “que algunos vezinos de la feligresia de Guillade y han a coxer leña y estrume a los montes altos de la feligresia de Uma desde Seijos alvos a la piedra de escorregadoura.  Para la parte de arriva de Juimo a la bereda que ba de campo de mouro para la Franquera y llevaba todo genero de ganados a a pastar con ellos con lo mismo hazian en quanto al Pasto de ganados para la parte de avajo hacia a la Rivera y feligresia de Uma que desde dichas demarcaciones avajo no cojian los de Guillade leña ninguna sino para la parte referida de arriva.”,  testigo Amaro Álvarez de San Pedro de Batalláns.

               Entre os argumentos dos veciños de Uma estaba a pobreza da parroquia, que non permitía que os veciños de Guillade levasen  a leña e estrume dos seus montes.

               A sentencia de 1709 sería favorable aos veciños de Guillade, mantendo esta servidume fóra dos mesmos montes comunais de San Miguel de Guillade.

 

a irmandade circular

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