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A CERVEXARIA TRINDADE
Só têm unha cousa boa, e é que dá comida fora de horas. Así que se te retrassas, sempre podes comer na “Trindade”. O “Caldo Verde”, que antes era normal, e vinha nunha cunca de barro xeitosa, agora, em tempos “neo-liberais” é sub-normal, coitado, ficou completamente minguado, raquítico, non parece para pessoas, parece comida para canários. Local emblemático, bonito e desafogado, grandemente frequentado por “xentes que venhem e ván, em ván”. O “Bacalhau á Brás”, é o único prato que me atrevo a pedir aquí, pode-se comer e até têm bom sabor, claro que os ovos som liberais e dan pálidos reflexos doentios. O “Bife do Lombo”, unha cousa redonda a chorrear sangre, que resignadamente se come. “Melon á maneira Bárbara”, e unha bola de vainilha xelada. A “Teoría de Murphy”, de que tudo era incompetência neste mundo, porque á frente dos negócios, ian ficando aquelas pessoas que non valiam para outra cousa, e por aí se quedavam pilhadas, confirma-se plenamente neste lugar.
léria cultural
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TRATA DE COUSAS DIFERENTES (9)
As grandes secçóns do pensamento schopenhaueriano pertencem á filosofia mais consolidada: gnosiologia (ou teoria do conhecimento), metafísica (ou reflexón sobre a natureza da realidade), ética e estéctica. Mas a sua forma de tratar os conteúdos destas secçóns é muito idiossincrática, muito diferente de tudo o resto. Acabámos de assinalar a inclusón do nível irracional na sua filosofia. Há que acrescentar, igualmente, a sua visón da arte, e em especial da música, como um meio de conhecimento privilegiado da essência mais íntima do mundo e non apenas como unha diversón para os sentidos e unha elevaçón para o espírito. E, pela primeira, e até agora, última vez, a integraçón num grande sistema filosófico occidental de concepçóns fundamentais do pensamento oriental, concretamente do hinduísmo e do budismo. A filosofia de Schopenhauer é imanente, non é transcendente: tudo está dentro do mundo que vemos e experimentamos, non há um além nem unha vida ultraterrena; aquí xá está tudo, só é necessário aprender a percebê-lo através da incessante mudança aparente, do surxir e do desaparecer de tudo. Neste sentido, como noutros, a sua doutrina non têm nada a ver com a filosofia que tem dominado no Occidente desde que o neoplatonismo e os Padres da Igrexa adaptaram o idealismo platónico ás crenças cristáns.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XVI)
OS MONTES DO COMÚM EM GUILLADE.
Na relaçón dos montes do comúm do Marqués de Ensenada voltan a precisar os límites mas com uns deslindes menos precisos:
1. “Ciento y sesenta fe/rrados, de Monte ynutil al sit/tio de fonte lagarta, linda por/ el L. y P. con D. Benito car/ballo, por el N. con la fra. de San/ Ciprian de Mouriscados, por el/S. con francisco Rodriguez, su fi/gura del M./
2. Ciento y cinquen/ta ferrados de Monte ynutil/ al sitio de Santo Thome, linda/ por el L. con la fra. de San Zipri/an de Mouriscados por el P. y N./ con la de San Estevan de Comi/ar y por el S. con Juan francisco,/ su figura la del M.
3. Ciento y sesenta/ ferrados de Monte Ynutil/ al sitio de Rebordinños, linda/ por el L. con la fra. de San Andres/ de Uma, por el P. con Juan fran/cisco, por el N. con la fra. de San/ Ciprian del Mouriscados, y por/ el S. con D. Matheo pardo/ su fig. la del M.
4. Sesenta ferrados/ de Monte ynutil, al sitio da pe/dreyra, linda po el L. con la fra./ de San Andres de Uma, por el/ P. con dehesa de S. M. por el/N. Con esta fra. y por el S. con Ju/an ambrosio, su fig. al M.
5. Duzientos ferrados/ de Montes ynutil, al sitio de/ albelle, linda por el L. con fran/cisco Luis, por el P. con la fra. de/ Santiago de olibeyra, por el N. con/ francisco Rodriguez, y por el S. con/ la fra. de San Felix de Zeleiros/ su fig. la del M.”
a irmandade circular
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UNHA FILOSOFIA PESSOAL EXISTENCIAL (8)
. Non só Hegel e os seus acólitos ultrarracionalistas, mas quase todos os grandes pensadores – desde Platon a Espinosa e outros – consideram que a filosofia é unha disciplina abstracta, da qual deve ser removido qualquer rastro subjectivo de paixón e despropósito; há consenso de que existe unha verdade objectiva, estável e acessível, e que a tarefa do pensador é preparar e polir bem o seu instrumento, a razón, para conhecê-la. Schopenhauer prescinde da proibiçón do obsceno e, ao invés disso, sublinha nas suas reflexóns aspectos como a dor física, pulsons irracionais, como a fame ou o desexo sexual, estados como a insatisfaçón e o aborrecimento, em suma, atreve-se a penetrar no lado menos elegante da natureza humana. É o primeiro filósofo que institui o irracional como algo substâncial da vida e non como algo que é preciso ignorar ou reprimir de forma a poder concentrar-se em questóns transcendentes fundamentais. Num dos seus magníficos aforismos, escreve que a boa filosofia procede da vida e que a má procede dos livros. É coerente com esta percepçón que dê a máxima importância e credibilidade á intuiçón, á percepçón directa de estados interiores, , em oposiçón ás demonstraçóns do saber discursivo dominante na tradiçón filosófica. Naturalmente, expón a sua filosofia no plano abstracto dos conceitos, mas limita o uso da razón ao que intuiu previamente, ao que ficou rexistrado na consciência através da vivência.
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA
O SILVA
Foi um português, a quem a necessidade trouxe até nós, para trabalhar nas obras de construçón da estrada. Pois, como nunca encontrara nada melhor na sua vida, por aquí entre nós quedou. Primeiramente vivia na altaneira “Casa da Recruta”, um formidável poleiro oratório, dotada de unha bonita xanela sobre o val. Do qual se aproveitava para dar demorados discursos, que sempre acabavam com a mesma sentença “há que respeitar as ferraduras dos cavalos”. Parece ser, que os paciêntes vecinhos se cansaron de tanta lenga-lenga, e acabou desterrado nunha corte do fundo de Mourigade, ó lado da “Casa da Lianora”. Unha pequena corte, que conservava todo o encanto doutrora, com um bonito pátio semi-circular coberto pela sombra benefactora d’unha videira. Alí passou este ser humilde vindo de lonxanas terras, os seus últimos dias. ¡Que a terra lhe sexa leve!.
a irmandade circular
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UM GRANDE ESCRITOR (7)
.
. Depois de ler a linguagem ultratécnica de Kant e o abstruso xargon de Hegel e restantes idealistas, a prosa schopenhaueriana é unha lufada de ar fresco, um reencontro com as palavras, com a linguagem significativa. Escreveu algo que todos deveríamos ter gravado: “O verdadeiro filósofo procura sempre a luz e a clareza e esforça-se para ser como um lago suíço, capaz de xuntar unha grande profundidade a unha grande clareza que é, precisamente, o que revela a sua profundidade” (RS, 53). Conclui que a clareza é a boa-fé dos filósofos. Naturalmente, pode ter um estilo claro porque tem as ideias muito claras. Mesmo nas partes mais abstráctas da sua doutrina (as que se referem á teoria do conhecimento) consegue ser agradável e interesante, lê-se com agrado e sem esforço. É um artista da prosa. Grande leitor de poesia e da melhor literatura – admira Shakespeare, Cervantes, Goethe, os poetas antigos -, converte a leitura de filosofia nunha experiência estéctica, non só nunha transmissón de ideias. Transforma as ideias mais abstráctas em poderosas imaxens, socorrendo-se de comparazóns e metáforas, com as quais o leitor passa de imediato, da dimensón conceptual á da intuiçón poética, acabando por se reforçarem mutuamente. Por isso, mais do que um escritor para filósofos profissionais (que em xeral, prescindiram dele), é o pensador que fascina escritores – Tolstoi, Mann, Nietzsche, Borges, Beckett – e pensadores xeniais – Wittgenstein.
joan solé
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O MERCADO DO PEIXE
. O lugar é âmplo, desafogado, pode-se conspirar á vontade, falar em alta voz de negócios e ladroáxens várias, grandes carros, Ferráris e Mercêdes. Non obstânte, o melhor desta casa son os bons vinhos na xeleira. Demasiado caro, para o que oferta. O peixe non tem sabor, bastante seco, ainda com as escamas agarradas. Os salmonetes, dos quais a pel que é precisamente o mais sabroso, non se podia comer. Dous camarons grandes grelhados, com certo sabor, mas muito discreto. Isto demostra também, que a burguesia empressarial, e íncluso os turistas, apreçam muito mais a posse social, que a boa comida.
léria cultural
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“A HUMANIDADE APRENDEU DE MIM ALGUNHAS COUSAS QUE NUNCA ESQUECERÁ”
. Pouco antes de morrer, nunha conversa com um discípulo, Schopenhauer disse-lhe, “A humanidade aprendeu de mim algunhas cousas que nunca esquecerá”. É verdade. O seu pensamento talvez nunca venha a ser unha corrente dominante, tanto nas universidades como na sociedade e, possivelmente, é melhor que assim sexa, xá que isso implicaria que a humanidade tivesse de aprender a ser santa (o que é improvável) para conseguir viver sem ilusóns nem miraxens. Mas está muito presente em alguns âmbitos do pensamento contemporâneo e, de um modo xeral, pode falar-se de unha presença difusa das suas ideias no mundo actual. A sua doutrina, tan afastada da linha filosófica dominante na cultura occidental, ficou suspensa no ar como se ninguém soubese muito bem o que fazer com ela. O pensamento oficial non aceitou as suas ideias por serem impossíveis de assumir como um bloco, non só porque conduziriam a um precipício social, mas também porque muitos filósofos tém assinalado defeitos e inconsistências na sua doutrina metafísica. Mas, ao mesmo tempo, essas ideias non podiam ficar esquecidas, acabando por perdurar, por conterem alguma verdade demasiado profunda para poderem ser ignoradas. Schopenhauer é hoxe o filósofo mais lido, xuntamente com Nietzsche, despertando fascínio e surpressa na nossa imaxinaçón metafísica. O mundo non esqueceu “algumas cousas” que aprendeu dele. E é possível assinalar as principais razóns desse prolongado namoro.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XV)
. O pleito mais interessante é o conservado no arquivo da Chancelería de Valhadolíd (ACV, 3882.0021, anexo documental), tamém entre os vecinhos de Guillade e os de Uma sobre demarcaçón de montes, datado em 1828.
Sobre os límites entre as dúas parroquias incorporaría-se ao pleito um expediente de deslinde parroquial realizado em 1690: “(…) en ella se ha de poner un mojon antiguo que se halla en el outeiro Mou/rigade; y de halli va corriendo derecho de dicha demarcación se obra señal que se puso en la/ (…) de antonio que es de Juan Jorge y Pedro Dominguez (…) se le a de poner otro mojon/ y desde dho sitio y señal que queda, va corriendo derecho dha demarcador a otra señal que/ queda entre la heredad de Benito Martinez y Juan Miguez que hoy posee su muger en don/de se ha de poner otro mojon y desde alli ba corriendo derecho dha demarcacion al muro de la eredad/ que llaman de toudon que hoy tiene Benito Martinez en donde se ha de poner otro mojon y desde halli ba/ corriendo derecho dha demarcacion a otra señal y esta en el Prado de el campo que llaman de fonte de/ mouro que finco de Pedro Marcos que hoy tiene sus herederos en donde se ha de poner otro mojon y de/ halli va corriendo derecho dha demarcacion a una Piedra que esta entre dho campo y el monte/ de la parte de arriva de el riego que tambien queda señalado y halli se ha de poner otro mojon y/ desde halli va corriendo derecho dha demarcacion a este mojon que esta en el monte que lla/man de esto de hipias, y cividad y desde halli a las demas demarcaciones que hubiere y en esta manera di/geron dho abad de Guillade y dicho P. Prior su nombre de dho convento aceptaban la dha demarcacion.”.
a irmandade circular
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A PARTE DIGNA DA HUMANIDADE
Schopenhauer foi ignorado e passou completamente desapercebido até aos setenta e muitos anos, levando unha vida de solteiron solítária e á custa dos seus rendimentos, convencido do valor das suas ideias e de que, mais cedo ou mais tarde, a humanidade (ou a parte digna da humanidade) acabaria por aceitá-las. A partir de 1855, houve unha reviravolta e alcançou um grande sucesso, ainda que non tivesse sido com a sua obra fundamental, escrita três décadas antes, mas com unha versón menos difícil de compreender (e de aceitar) do seu pessimismo metafísico, unha perspectiva, intelectual e moralmente, mais suavizada, ou, como ele a apelidava, unha “filosofia para o mundo”; unha colecçón de reflexóns éticas para sobreviver e, até, conseguir melhorar a passagem por este vale de lágrimas. Os seus últimos quatro anos foram de fama e reconhecimento, um sucesso que acolheu com enorme complacência, tal como o séquito de submissos admiradores que o idolatravam. Lonxe de practicar a moderaçón dos desexos e a renúncia que aconselhava como princípios éticos, era muito dado á boa mesa, fumava belos charutos e assistia com bastante frequência a concertos (adorava Rossini, mas também Mozart), óperas e peças de teatro. Durante a xuventude e xá na idade adulta teve várias relaçóns amorosas. Sempre viu as relaçóns humanas nunha perspectiva vertical, em termos de submissón e admiraçón em que ele, naturalmente, devia ocupar o polo superior. Salvo na infância e na primeira xuventude, non conheceu a amizade. No caso de Schopenhauer (tal como no de Nietzsche e de Kierkegaard), non é possível, nem desexável, analisar as ideias em abstracto e descarnadas, á margem da personalidade que as concebeu, tendo em conta a intensa humanidade da sua obra. Além disso, Schopenhauer dá ao carácter humano um enorme relevo no conxunto da sua doutrina, xá se enunciou que, segundo esta, o mundo é unha manifestaçón de unha força ou energia universal que se objectiva e expressa em todos os seres individuais. Nessa manifestaçón há unha gradaçón do ser de acordo com a sua complexidade, em sentido crescente, de menos complexo (o inorgânico: unha pedra) até ao mais complexo. O topo desta hierarquia é ocupada pelo carácter dos seres humanos: cada carácter individual de cada pessoa singular é unha expressón única e irreductível da força, ao contrário do que acontece com os animais, nos quais non existe um carácter individual, isto é, o indivíduo non se diferença da espécie. Cada carácter humano é algo fixo e atemporal, non se modifica nem se transforma pelas circunstâncias ou pelo passar do tempo. Se qualquer carácter idiossincráctico revela esta força, é obrigatório prestar atençón ao carácter do ser humano que forxou esta concepçón, porque nos mostrará algo essencial da força que nele se expressa.
joan solé
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O TIA MATILDE 2017
O “Tia Matilde”, subiu um pouco na qualidade, ainda que nunca mais conseguiu alcançar aquela altura memorável das “Anguias assadas nas brasas”, e do branco “Madrigal” de Bento dos Santos. Mártir, condenado por elitísta. Perdeu o seu programa televisivo. ¡¡Viva a trangalhada!! Muito boas “Pataniscas de Bacalhau”, melhor “Canxa de Garoupa”, e o “Arroz de Pato”, tamém estava quá-quá!
léria cultural
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O YIN E O YANG (4)
. Um observador taoista diria que os dous professores (Schopenhauer e Hegel) encarnavam o “yin e o yang”, dois princípios opostos. Non era pouco o que separava o sucesso hegeliano do falhanço schopenhaueriano. Hegel falava de unha História com um sentido e um fim, cuxo apogeu era atingido graças aos conceitos filosóficos que ele espelhava nos seus livros e nas suas aulas. Que oferecia o candidato ao seu lugar? Exactamente o contrário. Quanto á História, afirmava que non fazia qualquer sentido, comparando-a a unha grotesca representaçon da “Commedia dell’Arte”, em que algumas personagens recorrentes – Arlequim, Pantaleón, o militar patéctico – levaram a cena, unha e outra vez, a mesma representaçón tráxico-cómica, sem nenhuma melhoria, sem nenhum progresso, apenas com unhas leves variaçóns no argumento e no cenário, das quais elas non estavam, sequer, conscientes; também a comparava a um caleidoscópio que mostrava formas diferentes a cada volta, mas sempre com os mesmos espelhos. Mas a sua concepçón da história até nem era a questón menos atractiva. Com a metafísica mais pessimista que alguma vez unha mente europeia foi capaz de conceber, defendia que este mundo que vemos e no qual vivemos, desde o nosso corpo e do nosso querer mais íntimo até ao último confim do universo, é a dolorosa manifestaçón de unha força ou energia cósmica cega que ele denominava de “vontade”, eternamente desexosa, eternamente insatisfeita. A vontade manifesta-se nos indivíduos, marionetas dessa força devastadora e insaciável, tal como em todos os fenómenos naturais, nas árvores, nos animais e nas pedras. Explicava que a existência humana é um pêndulo em oscilaçón entre os polos da dor e do aborrecimento, ambos igualmente insuportáveis. Recomendava que se aprendesse a renunciar e a refrear os desexos de forma a alcançar um estado de serenidade e indiferença – influência do hinduísmo e do budismo – e apresentava a compaixón como única relaçon positiva possível entre as pessoas: a amizade e o amor eram quimeras, aspiraçóns impossíveis de realizar: os que as buscam parecem-se com porco-espinhos que, numa noite fria, se apertam uns contra os outros para manterem o calor e apenas conseguem espetar os espinhos uns nos outros. A única felicidade que os humanos podiam atinxir era de índole negativa: ausência de sofrimento, de desexo e de tédio. Para compreender esta amarga verdade, era preciso corrigir o “erro inacto” por excelência; achar que se chegou a esta vida e a este mundo para ser feliz. Non só se sofria todos os males físicos e morais imaxináveis, como ainda se era víctima de um engano: o suxeito, para além de pensar que estava aquí para ser feliz, achava que podia mandar na própria vida, quando, na realidade, era unha marioneta cuxos fios eram movidos por essa insaciável “vontade” universal. Além de ser um simples meio para a perpectuazón da espécie; quando pensava que se tinha apaixonado no mais profundo do seu ser, quando lhe fervia o sangue nas veias e se sentia na lua, era a espécie que o levava a copular para que procriasse e, assim, garantir a sua permanência; a cada indivíduo em particular non prestava atençón. Além disto, na indolente ignorância de si mesmo, o homem desconhecia que o seu ser individual se encontrava num sonho e que, quando acabasse esse sonho, desvanecer-se ia a sua falsa singularidade. Enquanto non descobrisse todas estas verdades, e se mantivesse como um vehículo do desexo insaciável, continuaria a assemelhar-se ao aplicado hamster que corre na roda da sua gaiola e que, apesar de todo o seu esforço, non avança nem um centimetro. Non, Schopenhauer non tinha encontrado a fórmula do sucesso. Nem seria provável que, hoxe, o contratassem como “coach” para dar cursos de motivaçón, participaçón em dinâmicas e sinergias de empresa ou superaçon pessoal.
joan solé
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O DEFUNTO COM GORRO DE GAITEIRO
Estava eu, com a porcaria da televisón acesa, quando de repente, no segundo canal da espanhola, começou um novo programa sobre os “Celtas”. Cousa muito rara! Pois segundo os entendidos na matéria, a civilizaçón Celta vêm sofrendo unha ocultaçón, que se prolonga por milénios, e que começou pelo assassinato dos Druídas por parte dos romanos e tamém de Carlos Magno. Como se as crenças igualitárias e o seu modelo de organizaçón social, representaram unha ameaça para as civilizaçóns modernas. Nas massácres dos Príncipes e Druídas, buscava-se, borrar radicalmente a insolència de uns e a prestixiosa sabiduria dos outros. Non eran compatíveis com um mundo de vassalhos, nem com os grandes impérios megalómanos, non obstânte, penso que non conseguiron eleminá-los de todo. Prova disso, é o nosso Druída de Guillade, e tamém todos aqueles que seguem aparecendo das tumbas. Sendo o nosso Prisciliano, a maior de todas estas reminiscências, e que apesar de ter acabado igualmente de forma tan tráxica, marcou fundamentalmente o carácter Galaico durante séculos. Mas, retornando ao nosso tempo e ao espectáculo televisivo, esta série sobre os Celtas, mostrou unha mâmoa descoberta há pouco em França, em cuxa câmara funerária estava sepultado debaixo do seu escudo, um personaxe importânte, que ademais do seu torques e braceletes de ouro bellissimos, tinha um altaneiro gorro de duas puntas, igualinho áquel que usan os nossos gaiteiros.
léria cultural
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EXACTAMENTE Á MESMA HORA (3)
. …a poucos metros de distância (da conferência de Hegel), mas noutro universo conceptual, um xovem professor de trinta e poucos anos dava os primeiros passos na sua carreira universitária. E podia contemplar o vazio absoluto exposto nos bancos desocupados á sua frente. O curso que se anunciava, com unha certa pompa, há que dizê-lo, como “Filosofia Xeral ou teórica da essência do mundo e do espírito humano” apenas tinha despertado a curiosidade de cinco ouvintes. O doutor Arthur Schopenhauer publicara a sua tese há sete anos e apenas há dous a sua obra-prima; “O Mundo como Vontade e Representaçón”, que, segundo o seu autor, clarificava o mistério da existência humana e do universo. Mas o mundo demorava a dar-se conta daquela revelaçón. O balanço mais positivo do seu exercício académico seria unha diminuta assistência que, no segundo semestre daquele ano, correspondia a quatro seguidores; um funcionário público, um dentista, um professor de equitaçón e um comandante aposentado. O digno professor non tinha encontrado a fórmula ganhadora. Apesar de ter iniciado o curso com ímpeto e confiança, tendo pedido expressamente á direcçón da universidade que programasse as suas aulas á mesma hora que as de Hegel, xá que queria derrotar o que classificava como filosofastro e autor de unha “ladainha inintelixível”, a verdade é que, naquele ano, teve de comer o pan que o diabo amassou, tal como nos anos seguintes em que a Universidade de Berlim continuou a anunciar o seu curso sem qualquer repercusón. Ao fim de unha década de indiferença, Schopenhauer acabou por renunciar á carreira docente e, daí em diante, passaria a desprezar e a ridicularizar a filosofia de academia. O mundo non lhe deu importância nenhuma durante os trinta anos seguintes e, enquanto isso, o filósofo viveu no anonimato sem que as suas concepçóns tivessem qualquer repercusón.
joan solé
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