PESCADA À POVEIRA

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               Este, que foi um dos pratos mais memorâveis, de toda a vida da Irmandade Gastronómica, surxíu dum confluir de casualidades meras, totalmente desconêxas e aleatórias.  Quando comprei a pescada na praça da Guarda, que a “Peixaría Narcisa”, tinha escondida no fundo do arcón, desconhecia completamente o seu destino.  Era unha “senhora pescada”, que deu oito postas grandes, unha para cada comensal.  Mais tarde, em Pont’areas, non sei porque razón, vêm-me à cabeza a ditosa “Pescada à Poveira”, que em galaico-português significa pescada à maneira da Povoa do Varzim.  Xá havia tanto tempo que non a comia, que inclúso tinha perdido o seu sabor peculiar da mente. É um manxar para xente com fame, ou ganas-de-comer, que vêm a dar no mesmo.  Entón, comprei dous mólhos de “Grelos de Santiago”, que tenhem um sabor um pouco mais forte.  Ó chegar à barraca, começei a prepará-la a consciência:  cortar a pescada em postas gordas, temperar com sal, e deixar estár durante unhas horas.  Transcorrido o tempo, lavar e colocar em água fria.  Levar ó lume, unha panela de agua fria, até levantar fervura, deitar a pescada com unha folha de loureiro.  Quando estiver cozida, retirar cuidadosamente as postas.  Logo, cozer as patacas (dous kg), os grelos (dous mólhos), e por fim, os ovos (dez ovos).  Cortar um pan de Cea em rabandas (oito fatias), unha por cada pessoa.  Preparamos entón o molho: cebolas picadas (duas), azeite (7,5 dl), pimentón doce (colher de chá), deixa-se ferver um pouco e, adiciona-se duas colheres de vinagre, temperando de seguida com sal e pimenta.  Por último, disponhem-se as fatias de pan no fundo da tarteira grande de barro, e rega-las com um pouco de molho.  Colocar as postas de pescada encima de cada pan, depois as patacas, os grelos, e os ovos cortados em rodelas e, finalmentemente regar tudo com o molho quentinho porriba.  Quando me parei a ver o resultado. quedei verdadeiramente “im-pressionado”, e o meu brilhante cérebro, dixo, demasiado para um só mortal.  A consequência do qual, chamei inmediatamente para “Madame Dori”, e ordenei, busca oito pessoas para unha “Pescada à Poveira” com letras grandes.     

a irmandade gastronómica

A FRANÇA (17)

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               Heinrich Floris queria dar ao seu primoxénito unha excelente educaçón, de homem de mundo, ilustrada e práctica, um ideal do século XVIII que favorecia o proxecto de transformá-lo num proeminente homem de negócios.  E assim, em 1797, quando Arthur tinha nove anos e acabava de nascer aquela que seria a sua única irmán (Adele), levou-o a viaxar por França e deixou-o em Le Havre, em casa de um empresário rico seu conhecido.  Arthur viveria perto de dous anos nesta cidade, no noroeste de França.  Ali travou unha estreita amizade com o filho mais velho do seu anfitrión, unha relaçón que duraria até ao início da Xuventude.  Neste biénio, Arthur aprendeu a falar em Francês com mais desenvoltura do que em alemán, adquiriu conhecimentos indispensáveis para os negócios e manifestaria um entusiasmo pela música que nunca viria a abandonar.  O pai autorizou-o a comprar unha flauta de marfím e, a partir de enton, o instrumento de sopro foi um companheiro ao longo de toda a sua vida.  As cartas entre nái e filho indicam, claramente, que existia um tratamento correcto e respeitoso entre ambos, mas sem qualquer traço de intimidade ou cumplicidade. Johanna raramente se interesa  pelo estado de espírito do filho ou pela forma como a sua personalidade se está a desenvolver e a consolidar a tantos quilómetros de casa; está mais empenhada em falar sobre o que lhe acontece a ela e em dar-lhe conselhos convencionais em que nada há de pessoal.  Quanto ao pai, os seus comentários severos limitam-se a assuntos relacionados com a formaçón comercial.  Este tratamento frio e distante que é reflectido na correspondência marcará, sem dúvida, a forma como Arthur se relacionará com os outros no futuro.

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DERIVA HISTÓRICA (VI)

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         O XACIMENTO DAS CARBALHAS  (GA36O42O1O)

               O xacimento arqueolóxico do “Monte das Carbalhas”, sito no límite do Monte Comunal, abranxe tamém as cabadas particulares, e foi como outros, incompreensivelmente cortado à mitade pela construçón de unha pista florestal, o qual confirma a teoría xeral de que a xente anda bastante “despistada”, e non têm patavina ideia de nada.  Alberga um “límite de xacimento arqueolóxico”, que está cercado por outro maior de “área de proteçón de xacimento arqueolóxico”, este último entra xá Comunal adentro. O velho lugar, tinha antes um bonito e acolhedor caminho de terra e pedras, que dava pola metade do corpo e, era como se um caminhara abrigado polo vieiro. Vinha atravessando desde o “Campo da Bouça”, na direcçón de Uma “O Calvário”.  Recordo-o cálido, protector contra os ventos do crú inverno, aparecendo os raios de sol por entre a folhaxe das árbores.  A “Cabada da Capelana”, é outro dos topônimos do lugar, que parece ser da idade do “Bronce Atlántico”, pois, non fai muitos anos, um dos filhos do Francisco da Parracha, descobriu uns moldes de fundiçón de machados de bronce, que parece ser figuran no Museo da vila.  Nun fogo que houbo aquí, salvei unha saramela de morrer abrassada, pois um desalmado a atirou propositadamente nas chamas.  Este acto insignificante, que parece carente de qualquer valor, para mim sí que o tivo.  E prova disso é, que ainda o guardo na memória hoxe em dia.  Pois, serviu para alimentar grandemente a minha auto-estima e, transformou-se num talismán para as situaçóns difíceis da minha vida.  Há que ter muito cuidado com os caminhos novos, pois podem danar grandemente o filón arqueolóxico sobre o qual estamos assentados.

 

a irmandade circular

HAMBURGO (16)

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               O pai reorganizou o negócio com o sucesso que se esperava dele.  Teve de remar durante três anos, período em que a família viveu numa casa modesta, mas quando os ventos voltaram a estar de feiçón, os Schopenhauer mudaram-se para unha luxosa mansón que era quase um palácio, com divisons para os mais diferentes usos e quartos para hóspedes e para os criados.  Alí recebiam a mais selecta elite económica e cultural de Hamburgo, assim como distintos exilados de França, que se encontrava mergulhada na guerra revolucionária.  Nos seráns que organizou na sua casa e noutros a que assistiu em casas alheias, Johanna pôde satisfazer a sua necessidade de conviver com pessoas requintadas.  Esse gosto pela vida social, esquecido durante os cinco anos em Danzig, torná-la-ia, passados alguns anos, xá falecido o marido, na “saloniére” mais famosa da Alemanha, o que Arthur, naturalmente, non deixaria de reprovar.  Isto seria na Weimar de Goethe, a partir de 1806.  Para xá, em Hamburgo, parece bastante óbvio que Johanna estava muito mais atenta aos eventos sociais do que a cuidar do filho.

joan solé

 

O PAVILHAO CHINÊS

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               Das deliciosas meninas burguêsas, que vinham pola semana, alá pelos felices e farturentos anos da louca xuventude.  Ás interessantes (baixo muitos pontos de vista), artístas de teátro e televisón, cuxas, deslumbram na noite lisboeta, xá demasiado ateigada de infindos turístas.  Do discreto encanto da burguêsia buñueliana, á autêntica traxédia nietzschiana.  Todo o Amor, é um páxaro multicolor, com a plumaxe do qual nos encantamos e desencantamos, nós mesmos.  Ignorantes á Vontade dum Universo determinista, contra o qual Schopenhauer nos acautelou como um pai.

“Meu Amor!  Meu Amor!

Meu corpo, em movimento.

Minha vóz, á procura.

Meu pássaro, cinzento.

Meu limao de amargura!”

               Aconselho, non beber demasiado, porque um começa a cantar, espectacularmente, num derroche de vóz, quasi-lírica.  E, xá non sabe bem o que di!

léria cultural

INFÂNCIA (15)

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               Arthur, assim chamado porque o nome tinha unha grafia idêntica em alemán, francês e inglês, o que seria unha vantagem no comércio internacional, passou a maior parte dos seus primeiros cinco anos entre duas mansóns rurais localizadas na periferia de Danzig (a xá referida, da família paterna, e a da família materna).  Esteve a maior parte do tempo aos cuidados da nái, enquanto Heinrich Floris se entregava aos negócios e passava pouco tempo com a família.  Em 1793, a placidez desta vida – insípida e difícil de aguentar para a muito sociável e jovem Johanna – foi interrompida por um acontecimento político:   Catarina, a grande, da Rússia e Guilherme II da Prússia dividiram a Polónia, e Danzig perdeu o seu estatuto de cidade livre para ser absorvida pelo reino da Prússia (Königsberg, ao invés, passou a ser russa).  Os Schopenhauer non aceitaram o xugo prussiano.  Em março daquele mesmo ano de 1793, apenas vinte e quatro horas antes de os soldados prussianos tomarem a cidade, os três abandonaram-na xuntamente com outros 40.000 cidadans.  O destino dos Schopenhauer foi a hanseática cidade de Hamburgo, de 130.000. habitantes, e que manteve o título e os priviléxios de “livre” que Danzig acabava de perder.  Arthur viveria 14 anos em Hamburgo, dos cinco aos dezanove, embora com longas interrupçóns.  A criança era arrancada, súbita e violentamente, do ambiente rural em que crescera (num texto autobiográfico escrevera: “Fiquei sem pátria na mais tenra idade.  Desde entón, non voltei a ter outra”), para integrar unha cidade que lhe parecia hostil e incompreensível.  Quando tinha seis anos, Heinrich Floris e Johanna, que regressavam de um passeio, encontraram-no a chorar inconsolavelmente, mergulhado numa crise de ansiedade: pensava que o tinham abandonado para sempre.

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EM NOME DE GUILLADE (XVIII)

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               Na aldeia de Guillade tamém existian no passado devesas e prantíos reais.  Nas visitas e inspeçóns aos prantíos reais desde 1750, comprobamos que estaban instalados nos montes comúns da Pedreira e Albelle: 

               “Guillade- La real Dehesa de la fra. de Sn Miguel de Gui/llade está situada en terreno repecho/so y costanero al parecer de ynferior Ca/lidad para robles que limita por el poniente/ con el nuevo vivero, por el Naciente con/ tomada de Juan Ambrosio y consortes/ y por los demas vientos con monte comum/ aunque por el fondal corre un poco de Agua/ y lo poblado de ella tiene de largo ciento/ cinquenta y dos varas Castellanas, y de an/cho por el medio setenta y dos, la Dehesa/ mas cercana â esta es la de Batallanes ay/ como un quarto de legua, el Puerto de mar/ ô surgidero mas ynmediato es el de la/ villa de Redondela ay como seys leguas, y/ camino bastante trabajoso, como media/ legua de salir de esta dehesa, pero despues/ es corriente el subdelegado de Marina/ mas proximo, es el que reside en dha villa/ de redondela, y a la Barca de Tuy y rio/ miño ay quatro leguas cortas y buen Camino/ carretero.”  (AHDP, 1086/3, fol. 120)

              “Reconocimiento de los Reales/ Plantíos en la fra. de San Miguel/ de Guillade./   En la Feligresia de San Miguel de Guillade, en la Juris(diccion)/ de Salbatierra. à veintey un dias del mes de Julio, año de mill/ setecientos noventa y uno:  El Sor. Juez comisionado, asistido del/ Señor Yngeniero, y de los mas yndividuos de la Comision:  De Ygna/cio Pereira, Diputado, ó Maiordomo Juez pedaneo de esta dicha fra/ De Benito Gregores. y Diego Rodriguez Peritos que eligiò, y de/ los que S.S. recivió el correspondiente juramento, vajo el que/ y con asistencia de otros mas Vecinos, se prozedió al Reconocimiento/ de los Reales plantios pertenecientes a esta propia fra. y se hizo/ en los terminos siguientes./  En el Monte que se nombra da Pedreira, s ehalla la Real/  Deesa, con Ciento quarenta Robles, los mas desmochados, y po/dridos, y el terrno ès ynutil por alto, y pedregoso./  El Vivero está en la ynmediacion de dicha Deesa, y tam/bien és de mala calidad, y està sin cultibo alguno./  En el sitio de Albelle, que dista mas de un quarto de Legua de la referida Deesa, está un nuevo plantio con Dosci/entos noventay nuebe Robles:  El terreno és llano. y de re/gular calidad, por lo mismo se puede aumentar el Plantío./  El Real Pinar, se halla en el mismo parage, con la sembradura de treinta y un ferrados, y se le contaron seteci/entos setentaycinco Pinos: está mal cerrado, y puede es/tenderse à mas terreno Valdio que ày aproposito a la pte/ de vendaval./  Asimismo se reconocieron los mas Montes, y Valdios/ del districto de esta fra. y de hecho lo mandò poner S.S. por/ escrito, y lo firma con el Sor. Yngeniero, Operario de Maestran/za, Alguacil, Diputado, y Peritos, de queyo essno, certifico/ firmas.  (AHDP. 1094/9, 1791, f, 52-53)

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OS TRAÇOS DOMINANTES DO INTELECTO VENHEM DA NÁI

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               O casal residia durante a primavera e o verán nunha elegante casa rural na periferia de Danzig e passava os meses frios nunha mansón no centro da cidade, de estilo barroco e com quatro andares.  As duas residências eram cuidadas por numerosos criados e equipadas com todo o tipo de luxos em mobiliário, biblioteca e obras de arte, algumas de grande valor.  Rodeado de fausto e com apenas vinte e poucos anos, Johanna devia viver soberanamente entediada, nunha solidón apenas interrompida pelo relacionamento social com pessoas ricas muito mais velhas do que ela.  O seu gosto pela boa literatura (sobretudo a inglesa, que lia com a mesma facilidade que a alemâ) e pela pintura difícilmente animavam a existência naquela gaiola dourada.  Foi a este mundo de opulência que Arthur Schopenhauer chegou a 22 de fevereiro de 1788.  Nasceu em Danzig, mas esteve quase a ser inglês, Heinrich Floris, que apenas queria um filho para nomeá-lo herdeiro e sucessor nos seus negócios e património, pensou que se lhe oferecesse a nacionalidade inglesa dar-lhe-ia acesso a um mundo que ele amava:  uma sociedade caracterizada pela tolerância, a liberdade de pensamento e o pragmatismo comercial.  Assim, quando descobriu, durante unha viagem de lazer por França, com Johanna, que a esposa estava grávida, foi com ela para Inglaterra, disposto a aguardar na ilha a chegada do primoxénito.  Chegou até a considerar, seriamente, mudar para lá a sede da sua empresa, cansado que estava do embargo comercial da Prússia.  Johannna aceitou a ideia de bom grado, mas algo no carácter melancólico do marido (talvez algum ciúme infundado) fê-lo alterar repentinamente a decisón e o casal iniciou um regresso precipitado a Danzig, atravessando o Canal da Mancha de barco e viaxando, depois, num coche, por caminhos péssimos e muitas vezes lamacentos, nos quais a carruagem chegou a tombar.  Os três chegaram, finalmente, a Danzig, na última noite de 1787, e cinquenta e dois dias depois viria a este mundo o ser chamado para desvendar o seu mistério mais profundo. 

joan solé

A “XUVENTUDE GALIZA” CORRE PERIGO

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               Este Outono, durante unha breve visita minha a Lisboa, tivemos que ir buscar unha amiga ó Convento dos Cardais, que fica alá polo Príncipe Real, e a grata surpressa de encontrar quase toda a diáspora galega da cidade.  Depois dos respectivos cumprimentos, fomos todos tomar um refrixério, a unha das explanadas da zona.  Ó ar livre, porque para a época do ano, estava demasiado calor ainda.  A resultas do qual, me vim inmerso nunha acalorada conversa sobre o futuro do Centro Galego de Lisboa, e a sua actual deriva histórica.  A promoçón da cultura galega, que se supon deberia ser o obxectivo fundamental do Centro, non é, e parece que a altura de miras anda seguramente um pouco perdida. ¡¡Agora querem fazer um Centro de Dia para Velhos!!  Depois de terem acabado com os Anaquinhos da Terra, testemunho morto da música, dos cantares e das danças da terra, e entregarem o Centro ás classes do baile “Flamenco”, agora para rematar, venhem com o assunto dos velhos.  Acaso non saben, nas suas obnubiladas cacholas que isto é a “Xuventude Galiza”?  A xente estava alarmada, pois parece ser que, existe no documento de oferta do palacete á Xuventude Galiza, unha cláusula que se a associaçón se dissolver, o imponênte edifício voltaria para a família Boullosa.  Cuidado, que son palavras maiores, aparte de outros valores grandes, há também pequenos intereses, este palacete, no sítio em que está, com vistas de mirador sobre o centro da cidade de Lisboa, ¡¡VALE UM GUEVO!!  Plantexáva-se, a urxente necessidade de incorporar xente nova na actual directiva, de reactivar os Anaquinhos da Terra, para acautelar possíveis manobras obscuras, e a pervivência para o futuro da nossa grandíssima cultura em Portugal.  Cousa, que as autoridades culturais galegas (se é que na realidade existen), deberian preocupar-se por estes pequenos assuntos, mostrar algúm interês, ainda que fora pouco, mas actualmente isto parece que é pedir peras ó olmo.  ¡¡Cuidado, com a “Teoría do Eterno Retorno”, representa um fundado perigo, para o património cultural galego!!

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O “BUDA DE FRANKFURT” (13)

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               Arthur Schopenhauer nasceu em 1788 (um ano depois da segunda ediçón de “A Crítica da Razón Pura de Kant e um ano antes da explosón da Revoluçón Francesa), na cidade-estado autónoma de Danzig, hoxe conhecida por Gdansk e pertencente á Polónia.  Danzig estava localizada na costa do mar Báltico, a unha centena e meia de quilómetros de Königsberg (hoxe Caliningrado) onde, em 1788, vivia um Immanuel Kant de sessenta e quatro anos dedicado á elaboraçón da obra que, duas décadas mais tarde, seria decisiva na formaçón do jovem filósofo.  Há quatro séculos que Danzig gozava do estatuto de “cidade livre”, o que lhe trazia grandes vantagens comerciais ao mesmo tempo que lhe garantia a proteçón da Polónia contra ataques exteriores.  Mas a Prússia, que era unha grande potência, cobiçava aquela cidade rica e com unha localizaçón privilexiada para o comércio e, por isso, decidiu impor-lhe um apertado bloqueio e tributar o seu fráfego comercial com elevadas taxas, o que prexudicou bastante as famílias da alta burguesia que tinham enriquecido com o transporte marítimo internacional de mercadorias.  Os Schopenhauer eram a mais importante destas famílias.  Heinrich Floris Schopenhauer, pai de Arthur, recebera de herança unha grande empresa de importaçón e exportaçón – sobretudo de café, especiarias e licores – bem como unha fortuna assinalável que ele aumentou, graças ao seu empenho e intelixência comercial.  Também herdou da sua nái unha forte propensón para a melancolia – antigo nome do que se conhece por depressón -, que, no caso dela, xá raiava a doença mental e que, no filho, se manifestaria como um distúrbio;  Arthur non estava livre das garras da “dama negra”.  Heinrich Floris era um homem de educaçón esmerada e gostos requintados na arte e na literatura; leitor de Voltaire e Rousseau e assinante do Times, um autêntico “gentleman” culto de convicçóns republicanas e um comerciante respeitado e honesto.  Graças ao seu sucesso empresarial, Arthur pôde viver para a filosofia e non dela, facto pelo qual lhe agradeceu em várias ocasións.  A verdade, porém é que o pai non aprovou a sua vocaçón filosófica; apenas unha reviravolta imprevista do destino permitiu que o filho se desviasse da vida de grande homem de negócios que lhe estava destinada.  Non foi propriamente unha história de amor o que uniu Heinrich Floris, de trinta e oito anos de idade, a Johanna, de dezanove.  Foi sobretudo um casamento de conveniência.  O abastado comerciante, transformado xá no homem mais rico de Danzig, viu na bonita e educada xovem a nái ideal para os seus filhos, nunha época em que o cobiçado solteirón xá non podia adiar a necessidade de garantir um herdeiro, Johanna terá um papel de destaque nas páxinas seguintes, mas adiantamos xá que será o modelo – de unha forma provavelmente inmerecida – a partir do qual o futuro filósofo irá definir a sua intensa misoxínia.

joan solé

A PORTUGÂLIA DO CAIXINÉ

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               É um sitio maravilhoso para passear xunto das águas do rio tejo, falar, e tomar o sol de inverno.  O local é âmplo, vistoso e acolhedor, e sobre tudo há pouca xente.  O marisco, non vale grande cousa, pelo que cheguei a recomendar non comer marisco em Lisboa, salvo algunhs pratos tradicionais que vale a pena provar.  Por isso, se vêm aquí pida unhs camarons ó alho. bem quentes e acompanhados com cervexa, xá que a “Portugâlia”, era a mais famosa fábrica de cervexa da velha Lisboa, e ficava na “Avenida Almirante Reis” perto da “Praça do Chile”.   A qual, era um dos locais mais frequentados e populares da cidade, com o seu famoso “Bife á Portugâlia” regado com a cervexa da casa por dentro e por fora. 

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OS PASSEIOS DE SCHOPENHAUER (12)

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               Caricatura de Schopenhauer a passear com o seu can de água, da autoria de Wilhelm Busch.  O filosofo dava um longo passeio de duas horas, quase todas as tardes da sua idade adulta, fizesse o tempo que fizesse.  Com um elegante fato, cortado segundo padróns mais do século XVIII do que do século XIX, e acompanhado pelo ser mais leal que, segundo el, podia encontrar neste mundo traidor.  Schopenhauer, caminhava e meditava sobre ideias e intuiçóns fundamentais que concebeu até aos vinte e cinco anos e que xá non abandonaria até ao seu ultimo dia.

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EM NOME DE GUILLADE (XVII)

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              No caso dos montes de Santiago de Oliveira, como aldeia vecinha de Guillade, se sinalaría o seguinte:

       1.    “Quatro ferrados de monte/ ynutil, al sitio, casiñas do chan./ linda por el L. con Estevan Maior/   P. Juan F(ernandez) y por las mas partes/ cerrado su figura la del mar/gen.

        2.    Quatrocientos ferra/dos de Monte ynutil al sitio/ marco do forno, linda por el L./  Ygnacio Rodriguez  P. Ciprian/ Andres, por las mas partes cerrado/ su figura la del M.

        3.    Ducientos ferrados de/ monte ynutil al sitio Marco/ do Baldopino.  Linda por el L. con/ Gregorio da Vila,   P. dehesa de S. M.   N. camino Rl   S. Pedro/ Baqueiro su figura la del M.

        4.    Cien ferrados de Monte/ ynutil, al sitio Pedra do visso/ linda por el L. con dehesa de/ S. M.   P. Domingo davide,   N. /  camino Rl.   S. monte su figura/ la del M.

         5.    Um ferrado de monte yn(nutil)/ al sitio da Camba, linda por/ el L., con Amaro/ Redondo,   P./ Domingo Mouriño,  N. y S. cerrado/ su figura da del M.

         6.    Medio ferrado de monte/ ynutil al sitio da graña/ linda por el L. con Joseph Bieites/ por el  P. Bernarda Ulloa, y por/ las mas partes cerrado su figura la del/ M.”

 

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UNHA SAÍDA NO CIRCUITO FECHADO DO EGOÍSMO

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              O egoísmo e a sua manifestaçón práctica na vida están enraízadas na crença de que cada pessoa é unha e única:  o egoísmo tem as suas fundaçóns no individualismo metafísico.  Schopenhauer mostra-nos que esta concepçón individualista é errónea, que a singularidade diferenciada se dá apenas na superfície ou na aparência, no mundo como representaçón. Na interioridade de todos os seres há unha mesma força, um mesmo princípio vital.  A consciência desta identidade comum permite conhecer os outros (e a sí mesmo) e este conhecimento desperta a compaixón pelo próximo.  O egoísmo desaparece, non porque sexa mau, mas porque está fora de lugar.  Formula a grande pergunta. Houve um tempo em que alguns seres sentiram o espanto de existir, de que existia algo (tudo) que poderia perfeitamente non existir.  E perguntaram-se pelo fundamento desse existir e pela possibilidade de o conhecer.  Non é possível sentir intensamente esse espanto sem fazer unha investigaçón.  Por um equívoco da história, a essa investigaçón chamou-se metafísica.  E metafísica é o que practicaram os grandes pensadores gregos anteriores a Sócrates, Platón e, depois, filósofos eminentes como Espinosa e Schopenhauer, antes do materialismo contemporâneo desencantar o mundo e ocultar o seu mistério essencial irreductível.  Ler “O Mundo como Vontade e Representaçón” é entrar em contacto com a grande pergunta, é eliminar o ruído do transistor moderno para respirar o ar da alta montanha, tirar partido do horizonte visual e conceptual dos mais altos cumes.  Mas depois, claro, é necessário descer ao vale.

joan solé

DERIVA HISTÓRICA (V)

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                          A CADEIRA DE OIONS

          Este é um embarazo arqueolóxico surpreendênte!  Pois, xa fai muito tempo, anos, que eu e o Xosé Manuel andávamos á caza dos eucaliptos na zona dos Muinhos e da Lomba.  Daquela houbera unha dessas queimas cíclicas totais, que se repitem aproximadamente de dez em dez anos, como um encontro puntual do fogo com o abandono.  Tudo estava completamente arrassado, e passamos pola tal cadeira, que eu confundia com o petroglífo de Oions.  Da qual, eu só me apercibín, e non a primeira vista, senon despois de enfocar bem e demoradamente, logrei comprovar que estava toda coberta de olhinhos pequenos, imperceptíveis a simples vista.  E pensei que era “Oions”, mas non era verdade,  incluso, escrevin um artigo sobre o Carqueixo em que falava dela.  Mas o curioso é que voltei várias vezes para buscala, xá com a vexetaçón bastante grande, e foi-me impossível encontrala, o qual me levou a duvidar, se non teria eu sonhado?  Teria eu, confundido algum sonho meu, com a realidade dum obxecto desexado, que eu xuraría estar nesse lugar concreto?  Pois, xá que voltou a arder tudo outra vez, vou retornar para comprobá-lo, prevenido desta contra as suas características peculiáres.

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