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EM NOME DE GUILLADE (OS PETOS DAS ÁNIMAS)
OS PETOS DAS ÁNIMAS
Éstas almas de Guillade, que nos levan desde Camoes, á práctica funcionalidade da vida moderna, seguem calando fundo no recordo daquéles que xá lá ván, e na certeza de que nós iremos despois. Que, inclúso, a minha alma de pagán, volta a cara atrás pensativo.
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Alma minha gentíl, que te partíste
tao cedo désta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre tríste.
Se lá no assento etéreo, onde subíste,
memória désta vida se consente,
nao te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tao puro víste.
E se víres que pode merecer-te
algua cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tao cedo de cá me leve a ver-te,
quao cedo de meus olhos te levou.
LUIS DE CAMOES
a irmandade circular
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (43)
Visón. Sonhei que eu iba por uns caminhos, e vía um grande “miting” á minha dereita, parecía ser num caminho, os oradores eran guardas-civiles, eu seguín de frente e entréi num átrio e a igrexa estaba caleáda, á ezquerda mirei unha cousa que parecía ser um palácio e de alí levantou-se unha figura de home, só que o corpo nón se vergaba, andava polo ar teso, com naríz de duas quartas de comprido, non tinha olhos, nem buracos deles e apenas tinha figura humana, entón começou a falar para o miting, mas frases que se nón entendían, senón que parecía grunhir como um cán, algo parecido a unha donosinha. Aproximou-se de mím (mas entón tendo outra figura, mais idêntica ao diábo), e estábamos por brigar os dous, e como temía del, e el temía de mím, e eu non facía por dar-lhe, el iba-se marchando, entón vên-me a idéia de perguntar-lhe, que me déra unha receita para colher unha mulher, ó que se negou. Eu, abrazei-me a él, para que ma dixéra, que o deixava dare fornicationen, entón meteu pola minha natureza a súa, servindo eu para el de mulher. Dixo-me que había que meter-lhe a ilusíon na cabeza, para que me acompanhá-se a lonxe, onde nón andara xente, a um monte deserto, e terminou com palabras confusas, das que nón aproveitei mais nada. ¡Pois, se burro estaba, burro quedei! Despertei, e tinha sobre mím o Spírito malo! Antes e despois deste sonho, voltou a molestar-me muitas vezes. Hoxe, 3 de Febreiro de 1914, á noite, estando a aquecernos ó lume da lareira, eu dormitaba algo e mamá velába, ó calor morno. Vindo-me o Spírito molestar polas 11 da noite, polas duas da manhán. De manhán, levantei-me despavorido, e pola unha da tarde preparei algo de comer, e despois ó redor do lume fixem um exorcismo.
manuel calviño souto
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A HISTÓRIA A CORES (TERESA CABARRÚS)
Teresa Cabarrús, é o nome de unha das mulheres da grande revoluçón françesa. “A Rainha do Directório”, foi chamada por uns cabeleireiros, que escreveron unha zarzuela dedicada a ela, o 16 de Abril de 1927, em plena dictadura. Os dactos sobre a sua vida, som mais bem escásos, e como boa sinal, diremos que, até certo ponto difamatórios. “desconheço a música, mas os alicientes do libreto que tenho á vista, som desencoraxadores”. Os cabeleireiros, critican sobretudo as súas capacidades seductoras, pois parece ser, que muitos merdeiros andavan detrás déla, e que naquéla época estavan muito solicitados os divórcios por parte das mulheres. E, practicamente, nada mais sabemos désta companheira (revolucionária) do Abade Marchena, que este nome que logrou chegar ós nossos días.
léria cultural
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QUE NADA SE SABE (19)
Mas xá el, polo demais, se puxo ésta mesma obxecçón: “Se verdadeiramente só é ciência a que se obtêm por demonstraçón, e os primeiros princípios non se podêm demonstrar, certamente nón haberá ciência destes, e em consequência nón há ciência algunha”. Mas, nón resolveu satisfactoriamente, ó afirmar que nón toda ciência é demonstractiva, senón que é indemonstrável a daquélas cousas que nón necesitan de meios. De aí, pois, segue-se que nón se dixo com carácter absolucto que sexa verdade isto; “Saber é conhecer unha cousa polas suas causas”. E igualmente aquílo: “A ciência é um hábito adquirido por demonstraçón. Mas posto, que há algunha que nón se pode demonstrar. Em câmbio, tinha-se expressado melhor noutra parte, e houbera-se podido desculpá-lo, se sempre tivesse falado da mesma maneira e se algunha vez explicara bêm o que é a ciência; Mas, como sempre, é vago, confuso e inconstânte, nón cabe lugar a desculpas. Pois em definitiva, tinha dito: “A ciência das cousas que tenhêm princípios, causas e elementos depende do conhecimento deles”. É ridícula a maneira como o exponhem os seus sequáces, porque desviando as cousas para as palabras e os siloxísmos (atontados pelo velho erro e apodrecendo nél) interprétam os princípios como as proposiçóns primeiras e evidentes de cada ciência, assím como as hipotécticas, e eles mesmos chamam-nas princípios e axiomas; explican as causas como proposiçóns intermédias que se ponhem entre os princípios e o que há de ser probado; e como elementos consideram ó suxeito, ó predicador, á cópula, ó termo médio, ó extremo maior e ó menor. ¿Nón é isto unha ficçón subtíl? ¿Ou mais bêm um delírio? Assím o chefe engana-se um pouco, mas eles, que nem o entendem, nem o seguem, todavía se enganam aínda mais, até que acaban caíndo em tamanha quantidade de vaguedades, ó apartar-se passo a passo da verdade. Mas voltemos a él. Nón se pode desculpá-lo: antes afirmava que há ciência dos primeiros princípios, mas que é indemostrável; noutro passaxem chama ó conhecimento dos primeiros princípios intelixência, nón ciência, no que obra mal, pois se tivéra ciência destes, assím como de outras cousas, sería unha ciência perfeita. Agora bêm: como nón a há destes, tampouco a há daquélas cousas das quais estes son princípios. De onde se segue, que nón se sabe nada!! Ademais, ¿que é a ciência, senón intelecçón de unha cousa? Porque afirmamos saber algo, quando a entendemos!!
francisco sánchez
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LISBOA (OS LOUCOS ANOS DA MODERNIDADE)
LISBOA (OS LOUCOS ANOS DA MODERNIDADE)
Atravéz deste artigo, iremos entrando nas profundezas de unha modernidade, que nos trouxo um capitalismo novo, de cunho “bananero”, que aínda que parecía “inxénuo”, e que vinha para liberar-nos, na realidade, ocultava debaixo da sua capa “Beaubeariana” gráves perigos para o futuro. Iremos vendo, como as luxosas mansóns aristocráticas, depois de arruinádos os donos, se ván paulatinamente convertindo em “Clubs”. Alí se xoga, alí se bebe, se come, e se forníca como animais. ¡¡Isso sim, pagando por tudo!! Agora, que xa son inofenssívos, non podo deixar, se for possível ,de recomendar unha visíta a estes ântros do vício, lugares cheios de arte e encanto (as peças de arte xa están em museos, as que se conseguiron salvar). Até ó ponto, de que muitos deles, eram considerados como verdadeiros musêos. Lisboa, aumentára muito a sua povoaçón, chegando a ter perto de meio milhón de habitantes. Nésta sociedade portuguêsa, tán civilizada e xentíl, as meninas ricas e independêntes, chamadas “garçoniérres” (possivelmente, as mulheres mais atractívas de todos os tempos). Non só, pela sua posse estéctica física (cabelo curto, chapêus, vestidos), mas sobretudo, polas idéias e ganas liberadoras. Néstes “Clubs”, luxuosos e refinádos, a “xente deçente”, convivía de natural modo, com prostitutas e malândros (bastânte civilizados, diga-se), intelectuais, artístas, xornalístas, xogadores, bebedores, comedores, tabaquístas e drogadictos (era um negócio, incipiênte). Está claro, que quase tudo o que a modernidade trouxo, foi lixo, xogo, trata de “brancas” e, de “negras”, champán, droga, tabáco, cocaína, ópio, especuladores, e o pior de tudo, as guerras brutáis que se adivinhavam. Estes “Clubs”, estavan todos nas zonas “Chics”, situádos principalmente na Rua das Portas de Santo Antón, nos Restauradores, e no centro da cidade. Verdade é, que o luxo, também alternava ó mesmo tempo, com a miséria xerál da povoaçón, que malvivía em barracas de madeira, nas zonas do Arco do Cégo, e outras mais, ameaçados por doênças epidémicas, como a côlera ou a tuberculose. Mas non viémos aquí, para afundar-nos no fângo de Lisboa, e procuraremos olhá-la, sem mirar muito os seus defeitos e maleitas.
Começamos pelo “Majestic Club”, situado na Rua das Portas de Santo Antón, agora transformado êm “Casa do Alentejo” (recomendo unha visita, pois pode levar unha agradável surpresa). Aquí, vinha-se sobre as nove da tarde, só ou acompanhado, tomáva-se um invento américano chamado “cocktail”, ademais, había cabeleireiros “chics” e manicuras (cachondas). Depois, podia-se comer (pela boca) no restaurânte fino, seguidamente havía espectáculos, champán e baile em abundância. E, muito máis tarde, vinham os verdadeiros problemas, “strip-tease”, xogo, drogas e sexo mercantil, tudo no mesmo sítio e á mesma hora, como agravánte.
Outro, dos grandes “Clubs”, era “O Monumental”, situádo também na mesma zona central de diversón, e com a mesma filosofía, moderna e funcionál.
O “Club Pálace”, que é agora a honésta “Camara de Comércio”, xá foi também em tempos passados, lugar de fésta, desemfréio, e perdiçón. Néste ântro luxoso, foi vendida pela primeira véz em Lisboa cocaína, xá debidamente repartida em doses pessoais, e era de cabalheiros, invitar os seus amigos e as suas amantes. Um dos locais mais afamados do mundo, frequentado por xentes admiradoras de Freud e do Psicanálise. Fica na mesmíssima Rua das Portas de Santo Antón, ó inferno.
Néssa mesma rua, ficava também o “Bristol Club”, que foi “Meca”, alá pelos anos vinte, de intelectuais, artistas e xornalistas, e, coitado, acabou sendo comprado pelo Bêmfica, alá pelos anos vinte, o qual supuxo um enorme retrocesso civilizacionál, pois a cultura caíu nas máns da “trangalháda”. O seu dono anterior, era um “rico-home”, que atesourava nele obras de arte, entre elas unha de José de Almada Negreiros (poéta sensacionísta e narcíso-do-Ejípto). É pelo que coloco aquí no artigo, fotografía déla.
Finalmente, tampouco escapou o maxestuoso “Palácio Fóz” da prostituiçón xeral dos tempos, arruinado também o seu lexítimo dono (seguro que propositadamente). As forzas malébolas da modernidade, erixíron sobre o seu cadáver o “rien plús”, “la Crême de la Crême”, feito para a xente mais fina da cidade, um autêntico “Versailles”, “O Maxims Club”!! Até tinha espectáculos para os nenos (non sexam mal pensádos, pola tarde). Frequentádo pela elít, tinha de tudo o que é imaxinável, tudo o que unha mente retorcida poida pensar, aí estava. Áh!! Mas, héis, que apareceu um monstro!! Um fascísta!! Salazar!! O ôgro rexenerador, acabou com o desemfréio, acabou com a “Coca Cola”, com a loucura das xentes!! Desterrou o vício, para lugáres distântes, para o Estoríl, para Cascáis, para a Madeira. O vício, esse continuou, mas escondido. E sobre tudo, só para xente importânte!! Assím, êm 1930, o último dos grandes “Clubs” de Lisboa, foi finiquitádo ad aeternam.
léria cultural
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GIANNI VATTIMO (RUMO A UNHA ONTOLOXÍA HERMENÊUTICA CRÍTICA)
Xá na universidade, na faculdade de filosofía de Turim, o seu grande mestre e amigo foi o filósofo Luigi Pareyson. Apesar de ser unha pessoa muito preocupada com o pecado e com o inferno. Vattimo recorda que Pareyson sempre foi de unha tolerância e de unha liberalidade refinadas, especialmente com a sua homossexualidade e com o marxismo (que lhe eram completamente contrários), daquele xovém “gay”, de esquerda e cato-comunista que era Gianni Vattimo, e que em breve se tornaría seu professor assistênte. Relativamente á sua influência filosófica sobre Vattimo nota-se a marca de Pareyson, na abordáxem hermenêutica ou interpretativa da sua filosofía e na selecçón das problemáticas principais a abordar, apesar de a sua pertença a épocas diferentes os diferenciar radicalmente. Enquanto Pareyson é aínda um filósofo hermenêutico de caríz existencialísta (mais próximo de Karl Jaspers do que do primeiro Heidegger e, em todo o caso, tán próximo de Schelling, como Gadamer de Hegel), Vattimo bebe mais da fonte do segundo Heidegger (tal como Gadamer) e reconhece, na ontoloxía da linguaxem (do ser) como evento e envio de menssaxens (cuxo sentido tem de ser compreendido, interpretádo e reenviado no contexto do acontecer histórico), que este ser da linguaxem consiste em que non só a falamos como também nos fala e nos pon em xogo, metendo-nos no conflito tensional do “logoy pólemos” (ligaçón-diverxência) interpretativo (como xá assinalava Heráclito); o logos próprio das apelaçóns, respostas e interrogaçóns, que condiciona e possibilita a experiência central tanto do acontecer “da verdade da arte” (como experiência “verdadeira” que transforma o que a faz, xá indicada por Hegel), como da verdade histórica e historiográfica e até da verdade hermenêutica teolóxica. Tudo isto equivale a seguir Hegel, tal como faz Gadamer, mas segundo o pensamento do seu intérprete-discípulo Vattimo: substituindo o “Espírito Absoluto” (aínda idealista e do “Suxeito” – como síntese autotransparente do espírito subxectivo do eu e do espírito obxectivo do mundo) pela mediaçón, “fazendo-se sempre historicamente e diferindo” do ser da linguaxem. E sem nunca perdermos de vista que pertencemos á linguaxem, tal como se pertence a um meio (Heidegger costumava dizer que o homem pertence á linguaxem, como os peixes ao mar, ou as aves ao céu), ou sexa, com unha invencível ambiguidade entre a proximidade e a distância oscilatórias que se ponhem em xogo na interpretaçón: na relaçón aberta e crítica que mantemos, paralelamente, com os passados que nos estranham e se nos aprópriam do mesmo tempo, e com o futuro que abrimos ao reenviá-los “traduzidos” (necessariamente distorcidos e “actualizados”). Tensón hermenêutica que, no caso de Vattimo, insiste no conflicto e no desacordo e non só no diálogo, e cuxas acepçóns recolhe no método da “Verwindung”: deslocaçón, deslocamento, distorzón, assumpçón despotenciada e niilista das menssaxens do “ser-história-linguaxem”; por profundas razóns “históricas” que se devem ao “ser para a morte” de Heidegger e ao niilismo de Nietzsche.
teresa oñate e brais g. arribas
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (42)
Cloroformo. O día 14 de Novembro de 1913, eu enganando ó boticário com unha receita de um libro, fixem cônque me déra um pouco de cloroformo, mas ó final, houvem de correr perigo mortal, pois quedéi aturdido por 5 ou 10 minutos, por terme caído um átomo no dedo pulgar da mán dereita. O 19 de Novembro de 1913, cometím um pecado de impureza. Tiro na mán. O día 17 de Xaneiro de 1914, fún a Vilacoba xunto com Vidal, por um assunto pecuniário, que me rendeu 5 pesetas, ó vir para casa por Reimonde, sentei-me num carro que passava por alí, pondo a escopeta arrimada a mím, mas no meio do carro había um buraco, polo que a escopeta caíu ó chán tropezando o gatilho no estrallo do carro, por ésta vía recibín um tiro na pulseira da mán esquerda. quedando alí mesmo estendido, sorpreendido e estônteado. O motivo de non me tronzar o pulso da mán, foi que tinha pouca forza, por mor de estár a meia carga, ou tálvez menos, por isso non se cravou muniçón algunha. Contudo, tivem de ir a Ponte lavar a ferida com água sublimada todos os días.
manuel calviño souto
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DERIVA HISTÓRICA (AS CASTINHEIRAS)
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042023
O ASSENTAMENTO PREHISTÓRICO DAS CASTINHEIRAS
É unha zona de abundantes águas, com presas e moinhos muito antigos, xá em estádo ruinoso, cousa que se aprecía na toponímia local (Os Muinhos). Tamém há restos de veigas comunais, que parece foron cultivadas outrora. Conforme baixa o regato, aparece unha espécie de eira com chán de laxedo natural (perto dos muinhos), que têm como um marco de pedra trabalhada. Este xacimento ao ar libre, está situado na ladeira do monte, aproveitando dous escalóns, que como é habitual foron cortados pela pista florestal que ascende ás cháns. No primeiro sucalco, foron localizados restos de industria lítica de quarcita, e muito pouca cerâmica no corte da pista. Tamém se insinúan na superfície da pista, duas possíveis estructuras de pedra e unha lareira, que non se puido confirmar. Nunha côta inferior localiza-se a segunda rechán, limitada por unha pista prependicular á anterior. Na parte superior da ladeira colindante com ésta pista, aparece outra zona na que foron localizadas cerâmicas lisas, em maior abundância que na zona anterior, sobre a pista e, nos regos abertos para unha plantaçón de pinheiros. O desconhecimento déstas cerâmicas, non permitíu classificar o xacimento a ningunha época em concreto, se bem, son todas elas prehistóricas. Pelo que, concluímos que este xacimento é um perfeito desconhecido para nós.
A IRMANDADE CIRCULAR
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NIETZSCHE (O MÉDICO DA CULTURA)
Apesar do escândalo – ou graças a ele -, Nietzsche está decidido a continuar com o seu programa de renovaçón cultural, dessa feita mediante cinco conferências que pronunciará de seguida e que serán reunidas sob o título “Sobre o Porvir das Nossas Instituiçóns Educativas”. No ano seguinte escreve o breve ensaio “Sobre a Verdade e a Mentira em Sentido Extra Moral”, um dos textos mais influentes da filosofía nietzschiana, apesar de só vir a ser publicado muito depois. Há que esclarecer que, se é verdade que Nietzsche é quem “pensa” tal obra, é Gersdorff quem a “escreve”: os problemas de que padece nos olhos obrigam-no a pedir axuda ao amigo, que escreverá este e outros textos da época que Nietzsche lhe vai dictando. No futuro, semelhante tarefa recái em várias outras pessoas, principalmente em Heinrich Köselitz (rebautizado por Nietzsche com o pseudónimo de Peter Gast), um dos seus alumnos em Basileia que acabará convertido em seu discípulo e colaborador mais fiel. Nesse ano de 1873, realiza também leituras intensivas de libros de ciências naturais e conhece o seu futuro amigo, o filósofo xudeu Paul Rée. Entre 1873 e 1876, Nietzsche publica as suas quatro “Consideraçóns Intempestivas, em que se apresenta como um “médico da cultura”, capaz de detectar os males que qfectam as instituiçóns da sua época e propor remédios inspirados na sabedoría tráxica. Nietzsche denota, por essa altura, um péssimo estado de saúde que o leva a viver situaçóns limíte, e começa a temer a possibilidade de sofrer unha morte prematura como a do seu pái. Aparece, além disso, o fantasma da loucura, do qual, na sua opinión, só é salvo pela relaçón que mantém com os seus amigos.
toni llácer
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EM NOME DE GUILLADE (OS LAVADOUROS COMÚNS)
OS LAVADOUROS COMÚNS
Estes remânsos de frescura, son lugares onde dançan as fadas saltarinas, sobre a brancura inmaculada das sábanas estendidas, em campos de flores verdexântes. Eran sítios de convívio, onde as mulheres vinham lavar os “trápos suxos” de toda a vecindade. Lugares especiais, florídos, viciosos, libidinais. Os melhores observatórios, para ver as pernas das mozas, um pouco mais arriba do normal.
“Descalza vai p’era fonte, Lianor pola verdura.”
“Vai fermosa, e non segura!”
“Leva nela gráça tanta, que dá gráça á fermosura.”
“Vai fermosa e non segura!”
a irmandade circular
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GIANNI VATTIMO (ANOS DE APRENDIZAXEM)
Gianni Vattimo nasce a 4 de Xaneiro de 1936, no mesmo ano em que aparecem duas das obras mais emblemáticas para a filosofía e, em particular, para a estéctica: “A Orixem da Obra de Arte”, de Heidegger, onde o filósofo alemán defende a tese de que a arte é o lugar do acontecer (Ereignis) da verdade “ontolóxica” (Alétheia: “des-encobrimento”, chama-lhe Heidegger em grego) e histórica; e “A Obra de Arte na Era da sua Reproductibilidade Técnica” de Walter Benjamin, um filósofo xudeu de caríz marxista e próximo da Escola de Frankfurt, cuxa defesa dos mais fracos, irá aparecendo, de forma cada vez mais explícita, no pensamento de Vattimo. Dous pensadores, Heidegger e Benjamin, que marcarán de maneira decisíva o filósofo de Turim ao longo de toda a sua produçón. Assim, nem tudo é de lamentar nesse 1936 do dealbar da atroz guerra civil espanhola, embora, pela sua própria memória autobiográfica, a infância de Vattimo também tenha sido marcada pola experiência da guerra, que veio xuntar a sua tristeza á dor pela morte do pái, Rafael Vattimo (um emigrante que era polícia), quando o pequeno Gianni tinha dezasseis messes de idade. A partir de entón, o núcleo familiar foi constituído pola sua nái, Rosa, pola irmán mais velha, Liliana, e pela tía Anxelina. As três mulheres eram operárias assalariadas, e a tía Anxelina, que era solteira, despertava em Vattimo unha profunda compaixón ao achar que ninguém guardaría na sua memória a vida insignificante e silente daquela pobrezinha cheia de ternura. Com a guerra, a família abandona Turim e muda-se para a Calábria, de onde o pái de Vattimo era natural. Alí, no campo, encontraríam qualquer cousa para comer. Quando Gianni tem cinco anos, a família regressa a Turim, onde o pequeno será alvo de unha cruel troça por parte dos colegas de escola, por falar frequentemente com expresóns calabresas. No entanto, mais tarde tornar-se-á, ano após ano, no “primeiro” da turma, o que lhe permitirá obter algunhas bolsas de estudo, com axuda da Igrexa e da Acçón Católica e ir para a universidade. Apesar dos seus sucessos escolares, e segundo as suas próprias declaraçóns na sua autobiografía (Non Essere Dio), nunca conseguiu libertar-se de unha insegurança quebrantada: “As minhas orixens son éstas. As raízes do Sul. Um pái emigrado. Unha pobreza digna. Eu, um menino meio órfan(…) que tinha nascido na classe baixa: tipo de xente que se afadigava da manhán á noite. Conheço desde o início, demasiado bem, a minha família e a minha própria inseguranza. Vi a guerra, vivi a guerra e lembro-me déla; em 1939, tinha três anos, nove em 1945.” Xá no secundário o xovém Vattimo inclina-se para o estudo da filosofía que frequentará no Liceu Gioberti (fora da sua escola), pela mán do “neoescolástico” monsenhor Pietro Caramello, que entón preparava unha ediçón da obra de Santo Tomás de Aquino, para a Editorial Marietti, e a quem Vattimo dedica sentidos elóxios.
teresa oñate e brais g. arribas
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (41)
Sonho desertor de Preciosa. O día 17 de Outubro de 1913, sonhei que estaba nunha fésta descalzo, eu e Preciosa…, ó fím resultou que atopamos unha moeda falsa, eu faláva-lhe com amor. Estávamos em marcha para casa, e apareceu outro rapaz com nós, ós poucos momentos, apareceron dous mais, estes últimos, queriam uvas, entón eu desenhei-lhe unha vinha muito florida, que parecía ser de D. Ignácio. Acto seguído, vexo passar Pra. de frente, a uns oitenta metros, caminhando para a vinha, eu seguín-na, tán pronto cheguei alá, estaba ela colhendo unhas castanhas, debaixo d’um castanheiro. Ó seguir viáxe, passamos por diante d’unhas casas, intentando eu que non me visen, dixem-lhe que non corre-se, mas ela mais corría. Despois, ouvín unha voz que dixo – donde é essa rapariga, e nada respondemos; entramos núm caminho que parecía ser unha carretera, alí parou-se um pouco, e passou por xunto de nós unha mulher feia, e dous rapazes feíssimos, um deles dixo: Pra… non vale nada, non sái de quêm é. Despois entramos nunha carretera, ela marchou diante correndo demasiado, e eu detrás dela, até que cheguei a um sítio, onde partía um carreiro p’rá dereita, e sumíu-se-me da vista. Andei um pouco á sua procura, e non a encontrei. Despois, seguím a estrada e encontrei-me nunha frága de carbalhos, e unhas velhas, duas mulheres trabalhando, eu dei volta á dereita, e introducín-me nunhas veigas deliciossíssimas, provistas de herba, horta, frutáis, água. Entón, vêm-me um morto ó pensamento, por serêm as veigas del, e sêm saber como, aparecín com a escopeta nas máns, e á dereita dous guardas, estes despois de unha disputa, vinham para me prender, mas eu disparei um tiro, e a escopeta disparou outro, e a luta seguíu. Apareceron logo, duas mulheres contra mím, ofendín unha, e escapei, e despois parece que fún arrebatado polos aires. Desperto, e eran as cinco da manhán, deixei-me estár, tiven outro sonho, mas pequeno…
manuel calviño souto
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A HISTÓRIA A CORES (1)
RAMON MERCADER DEL RÍO
O Catalán, Jackson Mornard Mercader (Ramón, para os amigos), tivo que mudar o nome, a razón dos preparativos para o atentado que custaría a vida ó político ruso Trotski, a quem a G.P.U., intentou eliminar em quarenta e duas ocasións diferentes. Quando o Presidente mexicano o acolheu naquél país, puxo á sua disposiçón unha casa em Coyoacán, que era unha verdadeira fortaleza. Rodeádo polos seus guardacostas, Trotski vivía alí consagrado ós seus trabalhos teóricos e de direcçón da Quarta Internacional. O assalto patrocinado pola G.P.U. contra a casa de Coyoacán, na que participou o pintor mexicano David Alfaro Siqueiros, fracassou dadas as características da mansón, aínda que mais de trescentas balas se estrelaron contra as paredes, destrozando cristais e mobiliário. Trás este intento “á tremenda”, a G.P.U. pensou melhor, nunha infiltraçón nas fileiras trotskistas. Trotski só podía ser assassinado dentro da casa, e para que alguém entra-se alí era necessária unha pessoa que gozára da confiança de Trotski. Foi entón, quando se pensou em Mercader, filho de Caridad Mercader, antiga militante da Unión de Mulheres Comunistas e colaboradora dos principais xefes soviéticos da Intelixencia que tinham actuado na península, durante a guerra civil. Em 1938 Mercader, que se facía chamar Mornard, foi apresentado em París, á militante trotskísta Silvia Ageloff, que era irmán de unha antiga secretária de Trotski. Mornard afirmou estár seguindo uns cursos de xornalismo na Sorbona, e cortexou a Silvia, até converte-la em sua amante. Mais tarde trasladou-se a Nova York – onde explicou á sua companheira, que tinha voltado a mudar de nome – agora era Jackson – para poder sair da Europa sem contratempos. Permaneceu alí um mes, e entón transladou-se a Mêxico, onde asseguraba que tinha encontrado trabalho. Em Xaneiro de 1940, Silvia reuniu-se com el na capital aztéca. A axuda da mulher, foi indispensábel para que Mercader se introducira nos meios trotskístas em primeiro lugar, e pouco a pouco entre os achegados a Trotski: fixo amizade com os guardacostas, e um día foi presentado ó político ruso. Algúm tempo mais tarde, conseguíu Mornard unha entrevista privada com Trotski no seu gabinete, ocasión que aproveitou para coroar o seu proxecto de assassinato, golpeando a cabeza de Trotski com um piolet. Quando se publicáron em Mêxico as primeiras fotografías do assassino de Trotski, alguns xornalistas refuxiádos no país aztéca, reconheceron a Ramón Mercader.
história e vida
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QUE NADA SE SABE (18)
Talvéz recorrerás ao Deus óptimo e máximo, causa primeira de todas as cousas, e fím último de todas elas. Dirás que há que deter-se aí, sem necessidade de proceder ó infinito. Disto, trataremos despois, mas de momento transíxo. ¿Que se segue daí? ¡Que non sabes nada! Foxes do infinito, para ir cair noutro infinito, inmenso, incompreenssíbel, inefábel, inintelexíbel. ¿Acáso, se pode conhecer? De ningunha maneira! Mas, é a causa de tudo, segundo tú. Por tanto, o seu conhecimento é necessário para o conhecimento dos efeitos, de acordo com a túa definiçón. Logo, non sabes nada! E, se non consideras necessárias a causa eficiênte e a causa final, para o conhecimento de unha cousa. ¿Por qué, non estabeleceste essa diferênça na tua definiçón? Eu, certamente entendín que te referías a todas, quando afirmabas de modo absolucto “conhecer unha cousa polas suas causas”. Mas, também el, noutra parte abarca todas as causas e as enumera – eficiênte, material, formal, e final – , ó dicer que nós estimamos conhecer unha cousa quando possuímos a sua causa primeira. Sem embargo, concedo-che (aínda que non se debe, nem se pode lexitimamente facê-lo) que a eficiênte e a final, non son necessárias. Quedam duas, a material e a formal; e éstas – creio eu – consideradas que debem ser conhecidas. Mas, resulta pior. Se queres conhecer a forma, é preciso que a conheças polas suas causas, conforme a túa definiçón. Non pola eficiênte e a final, tal como quedou estabelecido antes; logo pola material e a formal. Mas non as téis. Portanto, non as chegarás a conhecer. E, se non as conheces, tampouco conhecerás aquílo do qual é forma; pois, ignoradas as partes, ignora-se o todo. O mesmo direi da matéria, que todavía é mais simples e têm menos entidade, e da qual non há talvéz causa algunha, ó menos, eficiênte, material, e formal, segundo Aristóteles, pois da final cabe duvidar. ¿Que dí a isto? : que basta qualquer conhecimento das causas, aínda que non sexa perfeito, para ter ciência de unha cousa. Isso, son fábulas. É impossíbel conhecer perfeitamente o todo sem que conheças perfeitamente as partes. E, aínda conhecendo também isso, pergunto: ¿pode-se ter ciência da forma e da matéria? Concederá-lo, posto que alardeas de saber todas as cousas. Mas, insisto: ¿é unha ciência por causas? Se non o é, a túa definiçón non têm valor. Se o é, volto a perguntar respeito das tais causas: ¿pode haber ciência delas? Non menos que das primeiras, e inclúso máis, pois, segundo tú, o mais simples é mais patênte por natureza e, conseguintemente, de seu mais susceptibel de ciência. ¿Acáso também por causas? Vamos ó infinito. Logo a definiçón non têm valor. Mas todavía: polas mesmas razóns, non sabes nada!
francisco sánchez
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