MONTAIGNE (A FORÇA DA IMAXINAÇÓN)

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               No capítulo “Da Força da Imaxinaçón” (I, 21), Montaigne descobre o valor antropoxénico e moral da força imaxinativa.  Com a “vis imaxinandi” sabe “pôr-se no lugar do outro”, até do mendigo que bate à sua porta; como escreve em “Da Solidón” (I, 39), as suas tentativas de tirar alguns rapazes da mendicidade revelaram-se um fracaso, por non terem sabido aqueles renunciar à sua indixência (III, 13).  Mas, sobretudo, é capaz de practicar o sentido pleno da tolerância.  “Em Catón, o Xovem” (I, 37), descreve-se como propenso a conceber e entender mil outras formas de vida diferentes da sua, a considerar o outro por si mesmo, no seu próprio modelo, sem xulgá-lo através do seu: com a imaxinaçón pôe-se no seu lugar.  Aprecia, sobretudo, a advertência, explicitada em “Dos Três Comércios”, segundo a qual é necessário ser, mas nunca viver, nem estar ligado nem obrigado por necessidade a um só modo de vida (III, 3).  Por isso, renunciou à exemplaridade e non tentou realizar unha biografía filosófica, mas antes unha antibiografía, no espírito de quem detesta erixir a sua própria estátua nos cruzamentos da cidade (Da Mentira: II, 18).  Na “Apoloxía de Raymond Sebond” (II, 12), confessa que teme o espectro de Narciso apaixonado pela sua própria imaxem, como Pigmalión pela estátua que o seu próprio artifício produziu.  Trata-se da mesma força imaxinativa que em I. 21 pensa e diz “sobre o que pode acontecer”.  Só assim a imaxinaçón pode transformar-se no seu Mercúrio no coraçón da alteridade, da história e do futuro.  Graças ao bom uso da imaxinaçón, derrotou também o temor à morte (antecipando-se à sua ideia, a morte torna-se habitual, um acto da vida), practicando-a todos os días, no meio das festas, desde criança (I, 20): mas, sobretudo, de Séneca aprendeu que morte e liberdade están estreitamente ligadas, e aprender a morrer significa desaprender de servir, ou sexa, aprender a viver unha vida livre.

nicola panichi

 

AMÉRICA DO SUL (SEGREDOS DE UM CONTINENTE)

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               Vamos aquí, desenterrar à superfície do Planeta Terra, mais um dos seus grandes segredos, escondidos e diseminádos por todas as partes.  América do Sul, foi unha nova fractura de Panxeia, que derivou a occidente até colisionar com a Placa do Pacífico.  Antes de se levantarem os Andes, os grandes rios desaguávam no mar Pacífico, mas com a colisón das placas, a água quedou bloqueáda e levou à formaçón de grandes selvas (das quais, aínda hoxe em día podemos disfrutar), acavando por revirar esses grandes rios para trás, cara ó Atlântico.  Os dous continentes, América do Norte (que parece ser mais antiga, que a do Sul, e como mais adiante veremos, tende a rachar em duas partes polo meio), e América do Sul, que é mais nova que a outra, mas que tampouco pensa parar por aí. Parece ser que, non é seguro, mas têm a intençón de voltar a unirse com África, para matar saudades (e algo mais), e xuntas, entrarem triunfalmente por Eurásia adentro, façendo inútil qualquer tentatíva da Liga Norte para evitá-lo.  América do Sul, e América do Norte, antes estavam separadas, e evolucionarón sobre elas diferêntes tipos de vida, tanto animais como prantas. Mas, gráças à conxunçón de dous fenómenos (as erupçóns vulcânicas em cadeia, e os depósitos de sedimentos), hoxe em día están practicamente unidas as duas, e os animais e prantas lograrón passar de unha a outra, celebrando a sagrada (Dionísiaca) orxía do mestizáxem (Pepe-Grilo).

léria cultural

HEIDEGGER (O FRACASO DO SER)

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               Este livro pretende fazer unha aproximaçón a Heidegger. No entanto, a tarefa torna-se complicada por vários motivos:  unha obra que aínda está a ser publicada 40 anos depois da sua morte; unha longa controvérsia sobre a figura do filósofo; um desacordo xeral sobre o próprio sentido e o alcance da sua filosofía…  non sabemos sequer se essa obra merecerá no futuro ocupar unha posiçón tan relevante como a dos seus predecessores:  Nietzsche, Hegel, Kant…  ou se será, simplesmente, posta de parte.  Mas, por motivos que aquí se expôem e desenvolvem, a obra de Heidegger interliga-se com a dos nomes acima citados, num sentido impossível de atribuir a qualquer outro filósofo do século XX, talvez porque nela se convoca toda a “história da filosofía”.  Neste estudo, renuncia-se expressamente a unha exposiçón enciclopédica e opta-se, por outro lado, por unha perspectiva sumária que reproduzca o problema de fundo que percorre todo o traxecto de Heidegger.  Ainda assim, é obrigatório referir a dificuldade que qualquer exposiçón da sua filosofía tem de enfrentar: reconhecer as chaves desse traxecto e decidir em que medida ao longo dele se abandona unha questón por outra, ou se, pelo contrário, apenas se reitera a mesma.  Aqui parte-se do pressuposto de que Heidegger apresentou apenas unha questón, que ele próprio configurou e desfigurou de tal maneira que a própria forma de a reflectir e expressar acabou por se transformar em conteúdo decisivo do seu próprio pensamento.  Talvez isso tenha a ver com o que Hannah Arendt disse sobre as suas aulas:  “Heidegger nunca pensa sobre algunha cousa: ele pensa algunha cousa”, mesmo quando se trata de Aristóteles, de Kant ou de Nietzsche.  Isso torna os seus textos mais difíceis. porque quase nunca se referem a um tema fechado que ele tivesse simplesmente de expor: quando pensa, arrisca, e isso torna-os mais vulneráveis, em certas ocasións erróneos, e ás vezes até ridículos. 

arturo leyte

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (57)

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               Socorro. Socorro.  O día 19 de Agosto de 1915, fún escreber unha carta a Caetano, mostrando-se muito dolorido ó despedir-me, com voz grave e ton de tristeza.  Á noite sonhei com el e a súa filha Isolina; sei que eran eles por unha aspiraçón do sentido, e algo percebín-no também em imaxem, mas alí se me mostrou muito fea, que me non parecía cristiana.  E o seu pai, tamén muito feíssimo, o qual a agarrou por um brazo, e non sei que fixo, mas parece lhe bateu, mandando-a non sei onde…  Despois, encontrei-me debaixo de unha figueira e estaba vendo figos maduros entre as folhas verdes.  Sonhei que ía por uns caminhos, e de vez em quando dába-me a tosse, e vinha-me um pensamento de que estaba enfermo, quando tossía botaba fora o exputo, e ó mesmo tempo golfaradas de sangue entremisturadas e sentía-as brotar do peito, como se estivera desperto.  Ó mesmo tempo ven-me a idéia, de que xa non tinha cura.  Desperto, e encontro-me doente, o cabelo caíndo com determinaçón, e a puntada aguda nos quadrís, a dor inmensa da páxina 71…  E, o 21 de Agosto de 1915, pola hora das 3,30, vín a minha cabeza calva, só con dous peleiros espetados na frente.

manuel calviño souto

KANT (O IMPERATIVO CATEGÓRICO: FAZ O QUE DEVES FAZER)

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               Se a revoluçón kantiana em teoría do conhecimento é decisiva para a evoluçón da filosofía futura, non é menos essencial a súa contribuiçón no campo da ética, exposta principalmente na Crítica da Razón Práctica e na Fundamentaçón da Metafísica dos Costumes.  Apontemos aquí o que desenvolveremos posteriormente:  Kant afasta-se das éticas baseadas numa interpretaçón da natureza humana, que determinam as máximas e os preceitos a partir do modo de entender a idiossincrasía da pessoa (por exemplo: o homem aspira à felicidade e para alcançá-la deve fazer isto e aquilo); evita também os princípios condicionais caracterizados pela persecuçón de um fím e a determinaçón dos meios para alcançá-lo (do xénero, se queres aprender física, matricula-te na universidade; se queres ser unha boa pessoa, trata os outros com respeito), aos quais chama imperativos hipotécticos.  A inovadora filosofía moral de Kant caracteriza-se pelo seu universalismo e pelo seu formalismo. Tem de ser unha ética válida e obrigatória para todos os seres racionais, em qualquer circunstância, e independente de qualquer condiçón (portanto, non pode basear-se em imperativos hipotécticos).  Non pode fundamentar-se em conteúdos particulares e parciais, do xénero dos Dez Mandamentos (non matarás, non roubarás), porque o carácter universal e incondicional que Kant desexa conferir à sua ética requer que o seu preceito sexa prévio a qualquer circunstância pessoal, social ou histórica, e autónomo em relaçón a qualquer ideoloxía e relixión.  Kant formula este preceito – ao qual chama imperativo categórico – de várias formas distintas, que se complementam e completam sem incorrerem em contradiçón.  A elas voltaremos mais tarde.  Basta por agora a sua forma mais clara:  “Age apenas segundo unha máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”.  Isto é. age de tal maneira que te sexa lícito e lexítimo desexar que todo o mundo axa do mesmo modo.  Isto equivale a axir por dever e essa é a essência do imperativo categórico e da ética kantiana.  É a ética que fundamenta os grandes princípios espirituais (a liberdade, a imortalidade, a existência de Deus) e non o contrário, como costumava suceder em quase todas as construçóns éticas.  Também na ética Kant introduz unha revoluçón copernicana.  Esta formulaçón sumamente formalista, racionalista e abstracta, sem conteúdo particular, que Kant terá de ilustrar com vários exemplos para que sexa entendida nas suas implicaçóns, recebeu várias críticas ao longo dos anos.  Mas mesmo os seus mais acérrimos adversários reconhecem-lhe grandes virtudes: o seu carácter universal (a sua vocaçón de ser válida e obrigatória para todos) e autónomo (independente de partidos relixiosos e ideolóxicos). Se na teoría do conhecimento Kant supera o racionalismo dogmático e o empirismo radical, na ética supera o relativismo, a ideia de que non há princípios obrigatórios para todos.

joan Solé

PEQUENAS LEITURAS DA MAN DE PONTAREAS

(Anacos do texto lido como pregón na 1ª Feira do Libro de Ponteareas, o 27 de Xullo de 2017)

       (…)Nun vello libro de Patrícia Highsmith, mercado coa paga do domingo no quiosco que daquela tiña o Hossaín, lin aquela historia de Taylor Cheever, o escritor que desenvolvía a súa mellor novela na súa propia imaxinación;  ensimesmado, distraído, non topaba o tempo de vertela na escrita; tanto tiña, el sorría, estaba a escribir – a imaxinar – o mellor dos relatos; era suficiente.  (…) De moi rapaz ensaquetaba uns pesos para ir correndo á libraría de Pereira e apañar o último número das aventuras en banda deseñada de “Old Shatterhand” e o xefe apache “Winnetou”.  (…)  Deprendía, de vagas; que pasar a tarde arredor do quiosco do Hossaín levaba a fedellar nas séries de Agatha Christie que publicaba a Editorial Molino e mudabas o definitivo partido de fútbol nos restos da vella praza de abastos para esclarecer nervioso que pasara naquel tren que saíra para Paddington ás 04:50 horas.  E  xa, cando xuntabas algúns cartos máis, mergullado no vieiro dos mundos paralelos, facías da libraría de Charlot unha propia Igrexa particular onde topar a Série Negra que publicaba a Editorial Bruguera e nomeabas a Raymond Chandles o Párroco co que memorizar novos sacramentos naqueles días de fuscas catequeses.  Topabas e soñabas e tirabas da imaxinación frases do Philip Marlowe coas que chegar ao Instituto a triunfar.  (…)  Un outro día, cando Hossaín abriu ao cabo a súa libraría botei o ollo a unha reedicçón de Planeta de Seara Vermella, a novela de Dashiell Hammet ambientada na caciqueada vila de Personville (en Montana, ou así) e que el chama Poisonville.  Dende aquelas comprendín que a boa literatura axuda e obriga a comprender a propia realidade.  (…)  Comezaba a ler en cadea e ao chou.  O pai dalgún colega mercaba libros do Circulo que amoreaba pola casa aínda no seu plástico.  Nunha visita, logo dunha das primeiras resacas de Kalimba e Globos, descubrín o Pan con Xamón de Bukowski, inmaculado, virxe, agardandome para lle facer un sitio embaixo da miña cama,  e divulgalo feliz, obrigando a xente a partillar a historia dun rapaz com acné, tráxico e folgos de ler e escribir.  (…)  Daquela, volvín pola Biblioteca para ir máis atrás a coñecer a nosa tremenda historia agachada no xornal agrarista “El Tea” entre marabillosos textos literarios, e revelar contos exquisitos escritos polos emigrantes locais na revista “Lonxe da Terriña”.  (…)  Teimo, adrede, en lembrar ao Santiago Eizaguirre, o profesor de Literatura en Bacharelato, que me agasallou aos quince anos con dous libros de Benavides:  La Escuadra la mandan los cabos e El último Pirata del Mediterráneo; esta vila ten moita literatura, dicía.  E tal foi.  (…)  Posuía unha misión; eu tamén quería ser evanxelista do meu tempo (…)  Comecei por escribír versos febles e atrevidos, ganduxos de poemas para o tal profesor, que os desbotaba máis, con todo, insistía, intrigándome:  “Liches o Seraogna?  Búscao, procura ti os tesouros”.   Nin sabía por onde pescudar; se preguntaba, ninguén dicía ren.  Saberlle o nome a Pexegueiro, saber del, era cousa de Esperanza, do Anxo Abalde e outros hippies.  Até que lín que o Méndez Ferrín destacábao como o mellor poeta da súa xeración e ao pouco Luciano Fernández, un colega filólogo de Areas, aquelou unha fantástica edición para Xerais.  (…)  Cando din aborrecido a facultade refuxieime na biblioteca da Universidade entre os versos rebeldes de Walt Whitman e os textos libertários de Gustav Landauer ou Ricardo Mella para lle dar a volta ao mundo sen deixar a cadeira e ao cabo, caer na conta de que á base de ler e ler, dás por escribir e corrixir, e gardar, e volver a ler, e borrar todo para reescribir e, trás dunha luz máxica (como a de Saulo, supoño), dás cun verso, unha frase que te apaña e te leva da man (…)

kiko neves

NIETZSCHE (O RABO DA VACA)

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               Nos finais de 1888, as cartas de Nietzsche son cada vez mais fanáticas e excessivas, e nelas se manifesta todo o tipo de fantasias megalómanas.  Chega a pensar, por exemplo, que tem “literalmente, o futuro da humanidade”  nas suas máns.  Por outro lado, a família turinesa com quem vive detecta que o seu educado hóspede alemán mostra comportamentos fora do normal: fala sozinho, toca piano de forma estranha e dança nú no seu quarto.  Todos esses episódios culminam no día 3 de Xaneiro de 1889.  Na praça Carlo Alberto, Nietzsche presencia um cocheiro a chicotear o seu cavalo e, num arranque de compaixón, abraçá-se ao pescoço do animal, começa a chorar e desmaia.  Uns dias mais tarde, o seu amigo Overbeck vai buscá-lo a Turím.  É internado nunha clínica de Basileia e pouco despois num hospital psiquiátrico em Jena.  Os médicos determinam que sofre de unha fase avançada de sífilis, hipótese que tradicionalmente se deu como válida.  Existe, no entanto, um grande debate a esse respeito.  Nos últimos anos, diversos cientistas puseram em dúvida o diagnóstico de neuros-sífilis e propuseram explicaçóns alternativas (tais como meningioma, demência frontotemporal ou unha rara doença hereditária abreviada com o nome de CADASIL).  Fosse qual fosse o causador do seu desequilíbrio mental, a verdade é que Nietzsche recebe vários tratamentos e, após unha melhora inicial, piora progressivamente.  Em 1890, a nái tira-o do manicómio e decide cuidar dele na casa familiar de Naumburg.  Nessa data, a irmán Elisabeth regressa do Paraguai depois do fracasso da colónia racial fundada com o marido, que, por esse motivo, se tinha suicidado no ano anterior.   Entretanto, as vendas dos seus livros disparam, axudadas pelas histórias que circulavam acerca da sua vida e da sua loucura.  A irmán Elisabeth e os amigos Overbeck e Köselitz encarregam-se das reediçóns das obras. Em 1894, funda-se o Arquivo Nietzsche em Naumburg, que três anos mais tarde, quando da morte da nái, se transfere para Villa Silberblick, em Weimar.  Elisabeth vai assumindo o controlo do Arquivo e manipula deliberadamente alguns dos escritos do irmán.  Esta operaçón levá-la-á a deturpar o pensamento nietzschiano até apresentá-lo, mais tarde, como um dos fundamentos ideolóxicos do nacional-socialismo (Hitler visitará a Villa Silberblick em 1933).  O filósofo, alheio a toda a polémica, sofre unha paralisia progressiva e xá quase non é capaz de falar nem de reconhecer rostos.  Depois de permanecer um tempo em estado practicamente vexetativo.  Friedrich Wilhelm Nietzsche morre a 25 de Agosto de 1900, com cinquenta e cinco anos.

toni llácer

O “HOMINES DE GUILLADE”, ¿AS PRIMEIRAS PALABRAS ESCRITAS EN GALEGO?

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               O presente artigo ten por intención divulgar e pór en valor un documento pouco coñecido e que fai referencia a unha parroquia do nosso concello.  Dito documento reférese á fundación da denominada “Domus Sancta Leocadia” pelos “Homines” de Guillade no que se expoñen as diferentes doazóns que os homes de Guillade aportan para fundar e soster unha igrexa ou mosteiro baixo a advocación de Santa Leocadia. Trátase dun pergamiño de 555 mm de longo e 320 mm de alto, no que a escritura consérvase en bo estado.  A importancia do “Homines de Guillade” queda reflectida no feito de ser estudado polo profesor Miguel Romaní  Martínez, Profesor Títular da Área de Ciencias e Técnicas Historiográficas do Dpto. de Historia da Universidade de Santiago, e por Pablo S. Otero Piñeyro Maseda do Instituto de Estudos Galegos Padre Sarmiento, para certificar a sua autenticidade e demais aspectos relacionados co mesmo (1).  Este pergamiño, datado no ano 963 (S. X), é o segundo mais antigo de que se teña constancia en que se menciona a unha parroquia de Ponteareas (o primeiro é do S. VI, no que se fai referencia á parroquia de Areas no Parroquial Suevo (2) ), e ademais é o documento máis antigo do fondo do Mosteiro de Santa María de Melón.  Os investigadores antes citados, como primeiro paso para comprobar a autenticidade do documento, analizan o tipo de letra empregada para a súa escritura, xá que no S. X empregábase a denominada “Visigótica Cursiva”, sen embargo atopan que o texto do pergamiño está escrito nun tipo de letra chamado “Minúscula Diplomática”, empregada mais tarde, en concreto durante o S. XII, polo que chegan á conclusión de que o documento analizado é, en realidade, unha copia do S. XII do orixinal do ano 963 (S. X).  Para sustentaren esta tese comparan a súa caligrafía com outro documento do fondo do mesmo mosteiro do S. XII, en concreto cun privilexio concedido ó Mosteiro de Melón polo Rei Fernando II (1157-1188) sendo a caligrafía case idéntica. Outro dato que reforza esta tese é que durante os séculos XII e XIII no reverso dos documentos de Melón e Oseira acostúmase a escribir unha pequena frase sobre o seu contido, que tamén aparece no pergamiño que se está a analizar.  Segundo os investigadores, as razóns polas que se debeu facer a copia poden ser a antiguidade do documento, a súa mala conservación, a dificuldade da sua lectura, ou ben que o orixinal fose doado á propria igrexa de Santa Leocadia.  O seguinte paso para comprobar a autenticidade do pergamiño é examinar se a redacción do texto corresponde coa usada habitualmente no S. X.  Para iso, os investigadores anteriormente citados comparan este documento con outros dos mosteiros de Celanova, Samos e Sobrado dese mesmo século, para verificar se as expresións empregadas no documento son concordantes.  Despois das comparacións conclúen que as expresións son de uso habitual no S. X, e as invocacións e referencias feitas ó princípio do documento son características de documentos solemnes desa época.  Tamén reforza esta tese o grande numero de nomes e apelidos de orixe xermánica no pergamiño.  Tendo en conta o expresado ata aquí, os investigadores consideran, aínda que con certas reservas, que o documento é fidedigno, ou sexa unha copia textual do século XII do orixinal do ano 963.   Outra cuestión que chama a atención dos investigadores é a grande cantidade de “galeguismos” que aparecen nun texto orixinalmente escrito no ano 963 en latín, que incluso parecen precoces para o século no que se fixo a copia (S. XII).  Considérase como primeiro texto en galego-portugues, escrito en Portugal, o denominado “Pacto dos Irmaos Pais”, escrito arredor de 1175 na zona de Braga (3), e o primeiro escrito en Galicia o titulado “O foro do bo burgo do Castro Caldelas” encargado por Alfonso IX, rei de Galicia e León, en 1228 (século XIII) e redactado por un notario de Allariz.  Sobre esta cuestión os investigadores fan as seguintes observacións por un lado, e debido á calidade e habilidade gráfica do copista, parécelles improbable que introducise palabras romanceadas (galeguismos) polo que deben copiar todo como o atopou e se cometese unha falsificación consciente, non iría mesturar duas linguas.  Outra posibilidade para a aparición dos galeguismos é que o copista puxera en galego algunhas das palabras latinas por consideralas improprias ou xa difíciles de entender no intre da copia. ( Outra grande possibilidade, foi que, para evitar problemas na identificación das propriedades, no texto orixinal do ano 963, se usara propositadamente o nome verdadeiro polo qual eran conhecidas entre os vecinhos.)  As palabras que os investigadores identifican como galeguismos no texto do pergamiño son as seguintes:

– aqua de Sancgineiro

– cadeyras

– colmenas

– cruce

-duos libros

-fonte de Beteiro

-hordino perfecto

-isso

-juiz

-kalice

-larea de Requieiso

-libro mistico

-Mazana

-ovelias

-pena de Undurina

-pena de undurina

-psalteiro

-Rego

-rotea da Bocalosa

-uachas

               Em todo caso, e como polas razóns expostas anteriormente o documento non puido ser escrito antes do reinado de Fernando II (1157-1188), nin muito despois do fin do S. XII, os investigadores apelan aos filólogos para veren se neste documento referente a unha parroquia do noso concello están as primeiras palabras escritas do galego, co cal, de ser así, o mesmo adquiriría unha relevancía incalculábel.

xosé manuel david giráldez

notas:

(1) Miguel Romaní Martínez – Pablo S. Otero Piñeyro Maseda.  La “Domus” de Santa Leocadia de Guillade (Ponteareas) en un documento del año 963.  Estudio sobre su autenticidad.  Cuadernos de Estudios Gallegos, LVI Nº 122, .  Xaneiro – Decembro (2009), pp. 113 – 137.

(2) José Carlos Sánchez Pardo.  Organización eclesiástica y social en la Galícia tardoantigua.  Una perspectiva geograficoarqueológica del Parroquial Suevo.  Hispania Sacra, LXVI 134,  Xullo – Decembro 2014, pp.  439 – 480.

(3) José António Souto Cabo.  Os primeiros escritos em galego-português: revisao e balanço.  Revista Galega de Filoloxia.  Monografía 9, pp.  369 – 393.

QUE NADA SE SABE (30)

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               Xá viste a dificuldade, no que se refere ás espécies.  E no que atanhe ós individuos, confesas que non há ciência algunha, posto que som infinitos.  Mas as espécies non son nada ou, todo o mais, unha certa fantasía.  Só os individuos existen, somente eles som percebidos, somente deles há que ter ciência e deles debe ser obtida.  De non ser así, mostra-me na natureza esses universais teus.  Presentarás-mos nas realidades particulares mesmas. Mas, non vexo nada universal nélas; todas som particulares.  ¡E, que grande variedade se observa em éstas! ¡ Impressionante !  Este é um ladrón redomado; aquél, um homicída; aquél non nasceu mais que para a gramática; outro é totalmente inépto, para as ciências; este é cruel e violento desde o berzo; a aquél non há maneira de apartá-lo do vinho; a esse a sexualidade, a este o xogo; outro se desvanece ó ver, ou inclúso ó cheirar um gato; aquél nunca probou a fruta, nem soporta que outro a probe; ó outro passa-lhe o mesmo com a carne; ó outro com o queixo; a um terceiro, com o peixe.  De todos estes conheço alguns casos.  Este traga e dixére indiferentemente moedas, vidro, plumas, tixolos, lán, nunha palabra, tudo;  ó outro da-lhe um síncope com o perfume ou a visón de unha rosa; esse aborrece as mulheres; este alimenta-se de cicuta; o outro dorme día e noite.  Eu arroxéi frequentemente os libros com irritaçón; escapei da biblioteca.  Mas, esté na rúa ou no campo, nunca deixei de pensar em algo, e nunca menos solo estou, que quando estou só, nem menos ocioso, que quando estou ocioso; conmigo levo o enemigo, non podo librarme de el e, como dí “Aquel”, “vou fuxindo de mím mesmo, como um vagamundo, buscando substrair-me ó meu cuidado, bem com os amigos, bem sonhando; em ván, porque o sombrío me acompanha, me acosa e persegue na minha fuxida”. 

francisco sánchez

O DESERTOR DO ARADO

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               A primeira noite que passei no Seminário foi unha noite tríste.  A saudade e a solidón deixaron-me a alma polo chán.  Creio que aquela noite nem sequer tinha alma, e cheguei a pensar que ésta tinha quedado á sombra dos choupos da minha terra.  Non tinha ánimos nem para rezar, cousa imprescindíbel antes de dormir, segundo o padre espiritual, para que tudo fora bem durante o sono.  Todos estábamos inquiétos e algúm incluso mexou na cama, com dez anos que tinha, e ó día seguinte non se quería levantar para non descubrir o pastel.  Era a primeira noite fora de casa, sem irmáns e sem nái.  E eu non podía rezar nem podía dormir.  O dormitório era unha nave corrida.  Había um centenar de camas e um pequeno armário na cabeceira de cada unha para guardar a roupa, o xabonete e a escoba de dentes.  O da escoba e a pasta de dentes foi a primeira surpressa, no ingreso, e tivemos que comprá-los nunha drogaría da Rua Maior porque na aldeia non usábamos.  Na aldeia, o mais que chegábamos era a uns palilhos, que se chamában hixiénicos, ou mais propriamente mondadentes, com os que escabichábamos na dentadura; despois enxaguábamos com água fresca.  As pessoas mais limpas, chegaban a fazer gorxeos com água boricada.  Total, que non sei porque, quando se quería mandar alguém a certas partes, se mandaba fazer gárgaras, que polo contrário é unha cousa hixiénica.  Do quase centenar ou mais que dormia na nave corrida ninguém conhecía a naide, salvo que houbesse dous da mesma localidade; e isso non era corrente.  Com que houbesse um listo em cada aldeia, ou um rico, isso xa bastaba.  Dous ricos, ou dous listos, ou um rico e um listo, xa era pedir demasiado.  Ademais, aínda había excepçóns, o curato era para ganhar a vida e os ricos na verdade xá a tinham ganhada.  Assím que, salvo os que axudabam ás becas dos outros, como promessa ou penitência digo eu que serían, os demais, pobres ou de meio pelo.  Antigamente os grandes labradores dedicaban um filho, o segundo, á Igrexa.  Mas isso era antes e como cousa de poder e de brilho social.  Agora non había que, e o poder do cura parróquial nas aldeias era unha aparença de realidade.  Respeita-se, mas quase todos pensaban que non debía meter-se na vida dos demais.  E aínda que se confessaran, non decían toda a verdade.  O día seguinte, a eles e a elas, via-se-os fazer as mesmas cousas nos cobertos, ou contra os baládos das veigas pola caláda da noite.  Nas féstas, algunha família com posses convidaba o senhor cura a merendar chocolate com picatostes, mas isso non era grande cousa para meter-se num Seminário.  Muitos podíamos merendar chocolate com pan, grandes pastilhas como tixolos que sabían deliciosas, só que estaban um pouco ásperas e daban acidez de estômago.  A primeira noite no Seminário foi um trago. De golpe, acostumado a dormir nunha mesma cama com algúm irmán, ou com os páis, um encontrába-se em dormitório inmenso sem conhecer a ninguém, e sem saber como despertar ó día seguinte.  Era Septembro, mas no dormitório corrido facía um frío imponente e inexplicábel.  Que dixeran que era necessário cumprir a vontade do Senhor, quando estában dando ganas de liar o petate e escapar a correr para casa, non axudaba muito.  Quase todos menos os da capital, estábamos acostumados ós espaços abertos, ó céu estrelado, ós páramos e ós horizontes; espaços muito mais grandes que as galerías, as salas e o dormitório do Seminário.  É curioso.  Estes parecian-me infinitos e, polo tanto, hostís, mentras os da minha aldeia, parecian-me sempre pequenos e, em consequência familiares.  Isto ocurría porque nas aldeias há unha mistura de infinitude e de cousas pequenas.  A cozinha, o quarto de dormir, a horta, o cán, o gato, son diminutos.  Mas abrindo as xanélas ou assomando-se sobre a tápia ou desde as ramas de um peral e, zás: o céu altíssimo e o campo inmenso.  Teis unha sensaçón de liberdade absolucta e, á vez, de estar protexido polas quatro paredes da tua casa.  Em câmbio, naquél grandíssimo caseirón, que era o Seminário, sentias-te como atrapado.  Do salón de estudos, ó do dormitório podian-se facer duas casas, polo menos, como as da aldeia.  E no pátio cabían mais de três hortas e, acaso, unha horta enteira muito mais grande.  Desde o pátio do Seminário Conciliar vía-se um céu alto e azul; ás vezes plomizo e panza de burra prenhada, ou sexa de nubes abombadas e escuras.  Entón era quando me doía a cabeza, non sei por quê.  De tudo cheguei a colixir que a liberdade têm e non têm que ver com os espaços, seundo e como. E que é como unha espécie de sensaçón interior.  Mas non estaba muito seguro disso; porque entón, por essa régra de três, na prisón, podería um estár estupendamente se sentes a liberdade interior.  E isso pode ser perigoso.  E enganoso.  Fosse o que fosse, o primeiro día de Seminário eu quería marchar para o minha casinha.  Non o fixém porque non dixéran, por non dar-lhe um desgosto a minha nái. E porque, no meu interior mais fundo, xa me tinha declarado desertor do arado, que era a ferramenta que me esperaba, de ter seguido na aldeia.

javier villán e david ouro

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (56)

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               Realidade. Desde que cheguei á Galiza foi admirábel a grande diferença que notei nos sonhos, pois em Portugal, sonhaba de unha maneira alucinante, que parecía que eu estaba realmente desperto, compenetrádo corpo e alma com a cousa sonhada, até tal ponto que a vida se retiraba do corpo e se concentraba na alma, que xamais tinha tido sonhos tan reais.  Como quando morreu o ilustríssimo espiritísta Don Juan Vilar Val, cura que foi de ésta parróquia de Guillade y a notábel Sybilla de Ponte Dª Juana…, por alcurnia a (Corujera).  O 6 de Xúlio de 1915, eu andaba dolente, da dor aguda nos quadrís (pag. 71), que todavía era insufríbel.  Sonhos realizados. Tristeza.  O día 15 de Xúlio de 1915, fún escreber unha carta e envitaron-me a comer, que acto seguido me recorda o sonho da (pag. 67) de Isolina e o seu pai.  O 25 de Xúlio de 1915, non fún á fésta, por non ter roupa, nem saúde, etc…  Neste día, tivem unha tristeza imensa, e á noite tivem a seguinte Visón, sonhei que estaba num sítio donde vía a porta da Igrexa de Guillade de léxos, e comigo estaba Isolina do Caetano e Carmela da Costa, que estaba com a cabeza no chán, como se fora mergulhar, mas Isolina estaba mais próxima, de pé, séria, corpo pequeno como na realidade.  Tivem sobre ela uns pensamentos, que era pequena, e que era nova, e non lhe liguei afecçón ningunha, etc…  e non se falou nada.  Outra noite, sonhei que estaba brincando com ela no Portocelo.  Os sonhos dos días um ó quinze de Agosto de 1915, uns por outros, todos se me esqueceron, ou pouco me recordaban.  O mesmo día 15, apareceu-me um changlo na boca, lábio superior esquerdo.

manuel calviño souto

MONTAIGNE (PIRRONIZANDO)

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               O resultado eticamente mais relevante de tal contranarraçón do cepticismo levará Montaigne à actitude intelectual de “pirronizar” também na direcçón do espaço-tempo da política, embora, por vezes, pareça ancorado na conservaçón do “statu quo”.  Apesar do resultado céptico da Apoloxía de Raymond Sebond (II, 2: o capítulo mais longo, escrito por encomenda da rainha Margot, Margarita (de Valois) de Navarra, à qual Montaigne estava vinculado) revitalizado como unha espécie de “ultima ratio”, “o espaço do humanismo” – configurado nos Ensaios como “infinito em matéria”, “infinito em diversidade” – lexitima pluralismo e diversidade, abrindo-se em direcçón a novas perspectivas epistemolóxicas, mas sobretudo éticas e políticas non indiferentes às reflexóns contidas naquela pequena obra-prima da filosofía política, como foi definido o “Discurso da Servidón Voluntária”  do amigo Étienne de La Boétie.  A concepçón  montaigniana do espaço infinito do humano atesta-se como espaço da lexítimaçón e da lexitimidade da alteridade como forma “in natura” – e como “conférence”, comunicaçón e conversaçón em direcçón ao outro.  Nada é contranatura, mas tudo é antes, “in natura”, segundo a sua infinita potência, desconhecida para o homem.  Se o ser humano, na sua essência, é palabra e discurso, a “comunicaçón e a relaçón com os outros” son a sua autêntica substância e o seu horizonte de sentido.  A liçón do filósofo “non premeditada e fortuita” é cristalina: nunha época corrompida pelas guerras civis e externas e no tempo doente da “morte política”, ninguém se salva por si só.  Segundo Montaigne, todos os elementos que ván na direcçón da necessidade do cepticismo tornam-se os mesmos que se movem na direcçón proposta, menos cumprida, mas passíbel de consecuçón, das “convicçóns de um céptico” (Tournon).  De facto, estes mesmos elementos servem non apenas para confirmar ou reforçar as teses cépticas expostas, mas também para as retransformar num dispositivo teórico que unha vez preparado o terreno com as armas do próprio cepticismo no seu papel crítico, acaba de modo cárstico, para as transformar num novo horizonte de “convicçóns” e de possibilidades para o xénero humano.  

nicola panichi

ASTRONOMÍA (O MAR DE TÊTIS)

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                      O MAR DE TÊTIS

               Vamos falar aquí de algo, que a maioría das xentes, nunca ouvíu mentar.  O Mar de Têtis, estaba situado onde está hoxe em día, a cordilheira dos Himalaias, así, que, imaxinem-se a catástrofe que tivo que dar-se para que o fundo do mar, se elevara a mais de oito mil metros de altura.  Mas a India, que se encontraba perto de Madagáscar, enveredou por aí arriba, a lomos de unha pluma mantêlica monstruosa, que a espetou contra a placa asiática, provocando unha das maiores extinçóns massivas de vida no planeta Terra.  Fái sessenta e cinco milhóns de anos, um oceano atravessava o antigo continente asiático “O Tètis”, estava cheio de vida, com monstruos marinhos, e muitos dinosaurios, com faunas e floras inimaxinábeis para nós.  Daquéla, Turquía estaba debaixo da água, e existen hoxe em día na sua superfície, vestíxios de plantas ou plactón do mar, e restos das colisóns de rochas em chamas, e gás natural ou metano que aínda sái das profundidades.  Ésta calamidade, que matou metade da fauna e da flora (entre eles, parece ser que os famosos Dinos), e que em certa maneira favoreceu a primacía dos mamíferos, despexando o caminho á expansón do home sobre a Terra.  Mas, os perigos non paran, e agora sabemos que Austrália, que é muito mais grande que a India, navega para norte, com a intençón de empotrar-se contra a costa chinesa, seguindo a confluência em Eurásia, para a formaçón de um novo super-continente.  Isto, son futuros que nos venhem em cima a todos, poucos o sabem, muitos o ignoran, mas há que tentar trabalhar, com a intençón de evitar o maior numero de mortes possíbel.

léria cultural   

NIETZSCHE ( O ANTICRISTO)

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               No seu regresso a Turím, e até ao final do ano, Nietzsche trabalha em vários manuscritos.  O primeiro deles é “O Anticristo. Ensaio de unha Crítica ao Cristianismo”, um ataque de máxima acidez e virulência contra a relixión cristán.  Pouco depois, no día do seu quadraxésimo quarto aniversário.  Nietzsche começa a escrever a sua autobiografía: “Ecce Homo. Como se Chega a Ser o Que Se É.” (Em latím, ecce homo significa “aquí está o homem”, as palavras que Pôncio Pilatos pronunciou, quando apresentou Xesus Cristo, gravemente ferido, perante o povo.)  No libro, realiza um percurso pela sua  vida e obra em que, no entanto, se vislumbram as habituais fronteiras entre “vida” e “obra”.  Em Dezembro, Nietzsche deixa acabadas as suas últimas obras: o poemário “Ditirambos a Dioniso” e o impiedoso panflecto  “Nietzsche contra Wagner.  Dossier de um Psicólogo”.  A obsesón pelo compositor xá o tinha levado a escrever “O Caso Wagner. Um Problema para Músicos”.  O seu ataque, recordemos, non é pessoal, nem tan pouco estéctico (nunca deixa de admirar a música wagneriana).  Wagner está no seu ponto de mira, porque é um sintoma inequívoco dos tempos.  Actua como unha lente de aumento que permite ver o problema que verdadeiramente obceca Nietzsche: a incapacidade da cultura moderna para curar os males da vida.  A campanha final contra Wagner faz parte da missón a que Nietzsche consagra as suas últimas enerxías mentais: derrocar a ordém estabelecida da Modernidade a todos os níveis (político, moral, artístico, filosófico…).  Essa vontade crescente de mudar o rumo da história do Occidente levá-lo-á a verdadeiros delírios de grandeza e será um dos sinais de alarme do seu deslizar rumo à loucura.

toni llácer

LITERATURA (TOLSTOI)

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              león nikolaevich tolstoi

               Nasceu o 9 de Septembro de 1828, e morreu o 20 de Novembro de 1910.  Era natural do feudo de Lásnaia Poliana, rexión de Tula, e procedente de unha família da velha nobreza, filho do conde Nikolai Tolstoi e da princesa Maria Volkonskaia.  Realizou os seus primeiros estudos na casa paterna, aínda que quedou orfán muito cedo, tendo que ser educado por unha tía.  Ós dezaseis anos iniciou a carreira de filoloxía Árabe-ó-Turca, na universidade de Kazán, com miras a empreender a carreira diplomática, estudos que abandonaría três anos mais tarde e non reanudaría nunca mais.  Assím, antes dos vinte anos, encontrou-se em Moscovo, levando unha vida “muito desordenada, sem trabalho, nem ocupaçóns, sem obxectivo”.  Mas, como estava disposto a converter-se nunha pessoa útil, discorriu várias soluçóns dispares: ser um funcionário; ir para Sibéria; ou estudar música.  Porém, ningúm destes propósitos o satisfacía, salvo, talvez, a singular ocurrencia de convertir-se em escritor.  Finalmente decidiu partir  para o Cáucaso com o seu irmán Nikolai.  Foron dous anos de vida militar, compartidos entre as incursóns contra os montanheses e as francachelas.  Non obstânte, o seu segredo literário seguía vivo:  dedicava unha boa parte do tempo a escrever.  Assím nasceu Infância, que apareceu em Septembro de 1852, na revista “Sovremennik”, de Nekrasov, o mesmo que tinha sido padrinho literário de Dostoievski.  Infância conforma unha triloxía autobiográfica com Adolescência (1854) e Xuventude (1857).  Tem unha personaxe central, Nicolenka Irtenev, que se identifica plenamente com Tolstoi;  de igual maneira, as figuras secundárias tenhem o seu prototípo nas pessoas que rodearom o escritor na sua infância.  Mas, trata-se de unha obra de criaçón literária.  Despois de Dostoievski e de Turguéniev o romance realista chegou ó seu apoxéo na Russia de Léon Tolstoi, criador de unha das obras de ficçón mais importantes da literatura.  Românces como “Guerra e Paz” e “Anna Karénina”  desbordam de feito o marco da literatura nacional russa para situar-se no âmbito das grandes criaçóns universais.  Mas Tolstoi, non foi unicamente um escritor xenial, senón também um pedagogo innovador e um reformador que tratou de dar respostas ós gráves problemas sociais do seu tempo, convertindo-se no apóstolo de unha relixíon ética e sem dogmas, bassada no amor universal, na austeridade e na solidariedade entre os homes.

rba editores, s. a. (barcelona)

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