FRANCES HOWARD

Quando a xovem, que chegou enmascarada e acompanhada por unha servinte, descobríu o rostro, a experta em almidonados pensou que xamais tinha visto unha beleza comparábel com aquela e ficou confundida. Quince anos, um rostro fermoso e em que cada rasgo presentaba a mais absolucta perfeiçón, unhs olhos fascinantes de um azul verdoso tornasolado, unha massa sedosa de cabelos quase prateados de puro rúibos, a têz mais fina que se poida imaxinar, e um corpo alto, esbelto que parecía moldurado. Frances Howard, condesa de Essex, estaba extraordinariamente desarrolhada para a sua idade. “Desde Elena de Troia non se víu xamais unha beleza como ésta – pensou a senhora Turner – Queira o céu que non traga tantas desgráças…” Y perguntou humildemente à sua nobre visitante que desexába. Ésta quería dous filtros, um para conquistar um home e o segundo para afuxentar a outro. ¿Conquistar a um home? – exclamou a senhora Turner, sinceramente sorpreendida -. Mas milady, ¿que filtro mais poderoso que vós mesma podo eu oferecer? Os debería bastar com mostrárvos… A fermosa Frances, agradeceu debidamente o cumprimento. ¿Quem sabe? – replicou, encolhendo-se de hombros -, ¡Os homes som tán extranhos! Quero xogar sobre seguro. E seguidamente se explicou: dous anos antes – quando ela só contaba treze anos – a xovem Frances Howard foi casada, por razóns políticas, com o non menos novo Robert Devereux, conde de Essex, que ainda non tinha cumprido os quinze. Era o filho do célebre favorito da grande Isabel, cuxa presunçón o levou ó cadalso, mas cuxa família conservou riqueza e poderío. O arrogante conde de Norfolk, pai de Frances, e o seu tío, Nottingham, quixéron este matrimónio, que foi celebrado, mas nón, em vista da idade de ambos esposos, consumado. Frances regresou para xunto das suas bonecas, mentras Robert partía para efectuar a volta à Europa que entón completaba obrigatoriamente toda educaçón de um inglês bem nascido. Durante algúm tempo a xovem desposada sonhou com aquel marido xovem e seductor ó que ela apenas tinha entrevisto e esperou com impaciência o seu regreso. Mas um acontecimento recente tinha transtornado, à véz que a sua vida o seu corazón: Um mes antes, o rei Jacobo I, filho de María Estuardo, que non apreciaba muito as mulheres, mas sim em câmbio, aos xentil-homes xóvens e apostos, tinha celebrado um torneo em honra do seu favorito do momento, o seductor lord Hay, que tinha regressado de unha embaixada a França. Resultou que, montando num fogoso cabalo, um xovem precedía ò embaixador, seu dono, e levaba o escudo deste. Tratába-se de um escoçês de vinte anos, Robert Carr, tán bem prantado, que o rei esqueceu logo a lord Hay e só pensou no escudeiro. De pronto, o cabalo do escoçés encabritou-se e desmontou o xinete, que caíu no chán e rompeu unha perna. Sem disimular a sua grande axitaçón, Jacobo I correu-se a axudar o ferido. Fixo que o trasladaram ó palácio e que o cuidara o seu próprio médico, e durante oito dias Robert Carr, non recebeu mais visitas que as do seu soberano. O seu favor foi tán súbito como fulgurante. Quando recuperou o uso da perna, o modesto Robert Carr era xá Vizconde de Rochester e, nas semanas que seguiron, choveu sobre el um verdadeiro alûde de réxios presentes. Em breve tempo, foi secretário privado e cabaleiro da Xarreteira, recebeu pensón e castelos, e pronto non houbo ninguém em Inglaterra que ignorara que o rei estaba louco por el. O amor non tinha invadido tán só o débil monarca, senón que había feito pressa também em lady Essex: unha só mirada lhe tinha bastado a Frances, para decidir que xamais amaría a outro home, que non fora aquél e para xurar que sería súa. Mas, para semelhante empresa necesitaba aliádos e, polo tanto, confiou os seus cuidados ó seu tío Nottingham, mais que indulxente com a sua linda sobrinha e que, ademais consideraba boa política, estar de boas relaçóns com o novo favorito. Foi polo que enviou Frances xunto da Senhora Turner. Ésta escuitou com a maior atençón a sua visitante e, unha vez terminada a exposiçón, limitou-se a perguntar a quém destinaba o segundo filtro. ¡A meu esposo! – contestou Frances. Este debería regressar dentro de dous ou três meses, e ela non podería soportar nim sequera a ideia do contacto – . ¡Non quero que me ame! ¡A ningúm preço!

JULIETTE BENZONI

GADAMER (EXERCÍCIOS GRAECA)

  • Gadamer foi, na verdade, o axudante non remunerado de Heidegger à chegada deste a Marburgo (explosiva, orgulhosa: há provas escritas, por exemplo, do seu propósito de varrer, imediatamente, Hartmann dalí). A esposa de Gadamer, ansiosa por vida social, abríu a sua casa aos amigos filósofos que se tinham mudado em massa com o mestre de Friburgo (e que o mestre em questón xá non recebia em casa, como tinha feito muito pouco tempo antes). Em casa dos Gadamer, tomava-se o pequeno-almoço após a licçón das 7 da manhán e, depois desta ter sido discutida durante horas, lia-se literatura em voz alta no resto do dia. O caso é que, quando agora lemos os textos preparados por Heidegger para aquelas licçóns, custa-nos um pouco sentir empatía por semelhante tipo de adoraçón; devemos ser discípulos demasiado privilexiados da posterior hermenêutica gadameriana… Em relaçón ao próprio Gadamer, é muito interessante que o seu primeiro trabalho como axudante de Heidegger fosse comprar textos de Tomás de Aquino, dos quais – embora sexa quase incrível da nossa perspectiva – se sentia falta nos seminários de filosofía de Marburgo. Mas algunha coisa terá notado na aptitude de Heidegger para com ele, quando adoptou a humilde resolucçón de estudar sistemáticamente filoloxía clássica e esperar a posiçón de professor, que, depois, demorou a chegar. Os seus amigos mais íntimos de entón eram, na verdade, partidários do esoterismo de George, do qual alguns extraíram consequências políticas que os aproximavam dos nazis (naquela cidade universitária tiveron 18% dos votos, xá em 1924). Em termos humanos, constituiu unha axuda maravilhosa para o de novo desalentado Gadamer ser acolhido no âmbito quase familiar do grande teólogo Rudolf Bultmann. Em casa de Bultmann, durante 15 anos, foi possíbel reunir-se a ler textos gregos de todo o tipo, que só alguns podíam seguir no orixinal (íam sendo constantemente traduzidos). Em seguida, o platónico Paul Friedländer imitou estes exercícios (Graeca) e dirixiu com cordialidade os ensaios filolóxico-filosóficos de Gadamer.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

O MARAVILHOSO ALOE VERA

Aloe Vera é unha pranta suculenta de folha perene pertencente ó xénero Aloe. Orixinária da Península Arábica, hoxe em día encontra-se diseminada por todo o mundo, sempre e quando a zona xeográfica tenha um clima cálido. O seu cultivo localiza-se nas zonas tropicais, tanto para usos agrícolas como medicinais, sendo unha espécie ornamental frequente nas nossas casas e nos xardíns de todo o planeta. Seu nome, Aloe Vera, deriva do vocábolo árabe “alloeh”, xá que é desta forma como se denomina nessa rexión. É unha pranta com folhas espinhosas de xugo amargo, que actúa como defesa contra animais e insectos que se puideram alimentar da mesma. Forma parte de inumerábeis productos de uso diário, tanto relacionados com a elaboraçón de cosméticos, como de bebidas, ou da farmacopeia medicinal, em balsamos ou cremas para a pel, pomadas para queimaduras e suplementos dietécticos. Vem-se usando com fins medicinais desde fái mais de 3.000 anos. Tem-se constânza arqueolóxica do seu uso no Exípto faraónico, e também para os médicos gregos, o Aloe era unha pranta medicinal de probada eficácia e âmplo uso. A medicina ayurvédica e a medicina tradicional chinesa usam o Aloe tanto em aplicaçóns de cremas sobre a pel como por vía oral. Atesoura vitaminas A, B12, ácido fólico, C e E. O seu poder antioxidante protexe o organismo da acçón dos radicais libres, polo que têm actividade positiva frente ó envelhecimento e à dexeneraçón celular. O alto contido em minerais como o calcio, potássio, cromo, sódio, cobre, zinc e selénio, fái do Aloe Vera um aliado indispensábel para o metabolismo celular. Rico em aminoácidos, 20 em total, incluíndo 7 dos 9 essenciais. As folhas están cheias de um xél pegaxoso composto num 96% de água, e de um mucopolisacárido hidrófilo, um carbohidrácto complexo, conhecido como acemanano. O Aloe têm propriedades inmunoestimulantes, antivirais e anticanceríxenas. Contêm vários compostos antiinflamatórios, incluído ácido-salicílico, a cromosil C-glucosil e a enzima bradiquinasa. Para o cuidado da pel e do cabelo é ideal. Contêm enzimas proteolíticas que reparam as células mortas da pel, actua como acondicionador do cabelo, deixando-o suáve e brilhante, e permite o seu crescimento. Com acçón anti-caspa e aliviando a picazón do couro cabeludo. O Aloe Vera, usa-se desde sempre num âmplo abanico de productos de beleza, medicinais ou dietécticos, pelos seus benefícios incríbeis e as suas características maravilhosas.

RAÚL MARTÍNEZ

(Recomendo, comprar em farmácias um bote grande de aproximadamente 11 euros, de Aloe Vera puro)

HUSSERL (VIAXEM É APRENDIZAXEM)

Por sinal, um subtil engano da ciência, que precisamente Husserl non se cansou de debelar, consiste em tratar de convencer-nos que apenas existem os problemas, nunca os mistérios. É unha posiçón perfeitamente antifilosófica, que tecnicamente se chama “positivismo”. Consiste aproximadamente nisto: “embora eu próprio ainda non me consiga acostumar a esta verdade porque a minha educaçón me deformou demasiado, sei que non há nenhuma pergunta que tenha sentido que non se possa responder num laboratório, ou com unha estatística, ou com um modelo computacional. Por exemplo, espero que um dia a pretendida questón do sentido da vida me deixe totalmente de importar e até nem sequer a compreenda.” A filosofía nasceu em paralelo com a ciência e nela embrenhada, mas muito cedo, apenas com cinquenta anos de vida, estas siamesas souberam por sí próprias separar-se (mas as pessoas non son nem a ciência nem a filosofía, e insistem e insistirám talvez sempre em enmaranhá-las de novo). Aos “mistérios” carregá-los-emos para sempre, e o trabalho, penoso e delicioso unhas vezes, angustiante e embriagante outras, consiste, por conseguinte, em ir-lhes dando voltas. É como se, precisamente quando vamos chocar mortalmente contra o muro, passassem de aporías a colossais nuvens de tempestade, igualmente belas e sinistras, por meio das quais se aventura o piloto do avión. A experiência ensina-nos que se trata de algo semelhante a unha viaxem por unha paisaxem de montanha. Curvas, subidas, descidas; picos vertixinosos; vales sem luz; perspectiva infinita de súbito; um páramo; a foz de um rio… Tomo, a propósito, a imaxem do filósofo Franz Rosenzweig: somos como convalescentes da doença problemática, aporética e misteriosa da vida, que almexam a saúde nestas paisaxens, isto é, que procuram unha vida nova ou renovada aprendendo a ver todas as coisas depois de unha imensa “abstençón” a respeito das técnicas e das rotinas da vida quotidiana e da cidade de ar e de água poluídos, na qual adoeceram. Experiência quer xustamente dizer viaxem, e a viaxem é aprendizaxem. Quando a facilidade da traxectória da vida se vê alterada, dá-se unha espécie de reduplicaçón da vida: non posso non continuar a vivê-la, mas agora, além disso, penso-a.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

FADO PORTUGAL

Lisboa, em meados do século XIX, non tinha muita oferta de espaços nocturnos, pelo que as tabernas constituíam um ponto de encontro de unha mistura social, onde se reuniam em noites de “fado vadio” trabalhadores de hortas, artistas, estranxeiros, marinheiros, pescadores e fidalgos. O fado, por ser unha cançón nacional, rapidamente atraiu a aristocracia bohémia que era seduzida pelas mulheres e pelo néctar da luxúria e do pecado, da boa má vida, que se levaba nas vielas de Lisboa. E, assim, começou a frequentar os antigos bairros pobres da cidade, como Alfama ou Mouraria, onde xá se tocaba e cantava o fado, adquirindo um especial gosto por este estilo de música tipicamente português. O típico “teatro de revista” lisboeta surxe em 1851, começando a partir de 1870 a integrar o fado com regularidade, contribuindo, assim, para unha popularizacón e consequente enriquecimento da sua forma de escrita e música. É também neste período que a guitarra portuguesa se afirma como a definitiva companheira do fado. No voltar da década de 1880, o fado é levado para os salóns aristocráticos onde passa a ser acompanhado ao piano, voltando a sofrer outra nova evoluçón literária e artística. Os versos populares rebuscados e dramáticos começam a ser substituídos por poemas mais sofisticados. O fado passa, entón, a estar presente na taberna e no salón. Desde o seu aparecimento que mantém a sua expressón sentimental associada à fatalidade do destino, estando marcado pelo “pathos” (é unha palabra grega que significa paixón, excesso, catástrofe, passaxem, passividade, sofrimento e suxeiçón) das traxédias da Grécia clássica. No final do século XIX o fado surxe em Coimbra, encontrando no estudante de medicina Augusto Hilário a sua figura central, autor do respectivo “Fado Hilário” que viria mais tarde a ser interpretado por Amália e muitos outros.

FADO PORTUGAL

LEIBNIZ (ENSAIO SOBRE A ARTE COMBINATÓRIA

Sem interrupçóns, Leibniz começóu a trabalhar num escrito de habilitaçón para a Faculdade de Filosofía; intitulado “Disputatio Arithmetica de Complexionibus”, acaba por se converter na introduçón do primeiro grande escrito orixinal de Leibniz, Dissertaçón sobre a Arte Combinatória (Dissertatio de Arte Combinatória), onde desenvolve a sua ideia de um alfabeto do pensamento humano no qual todos os conceitos seríam combinaçóns mais ou menos complexas de um pequeno número de conceitos simples; Leibniz tinha-se inspirado na “Ars Magna” de Ramon Llull (Raimundo Lúlio), Mas ía mais além do método mecânico do catalán, que desconhecía as leis da “aritmética combinatória”, indicando as linhas orientadoras da sua arte de inventar e de unha escrita ou linguaxem universal – parecida com a escrita de sinais exípcia ou chinesa – que, anos mais tarde, desenvolvería no seu sistema da Característica Universal; a título de curiosidade, devo dizer que como anexo da obra aparece unha demonstraçón da existência de Deus na qual desenvolve o argumento ontolóxico de Santo Anselmo, segundo um modelo de demonstraçón euclidiana, antecipando a tese metafísica – à qual voltará anos despois – de que “se o ser necessário é possíbel, existe necessariamente”. Este ensaio sobre a arte combinatória foi publicado em 1666 sem fazer qualquer referência à Universidade de Leipzig, que lhe tinha negado o grau de Doutor em Direito, aparentemente para que non pudesse criar obstáculos a outros candidatos mais veteranos na posterior obtençón de um cargo de professor assistente.

CONCHA ROLDÁN

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (84)

SALVE

Deus Capital te salve Burguesía. Rainha e nái de amargura. Oh Deus e morte, tormento nosso, que el te salve. Contra tí clamamos, os desherdados filhos do Planeta, contra tí suspiramos, e por tua culpa xemêmos e sofrémos, neste vale de lágrimas. Ea, pois Burguesía, madrásta nossa, devolve-nos a nós e à sociedade as terras, minas, fábricas. E tudo o que nos teis roubado, e despois de tán fermosa acçón verás resplandecer as “bem aventuranzas” do novo rexíme Social. Oh pérfida! Oh malígna! Oh infâme Burguesía! Rogamos por tí Burguesía acaparadora e dona hoxe de tudo, para que sexamos dignos de alcanzar os benefícios da Revoluçón Social.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

HEGEL (ESPERANOS NA ESQUINA)

Este libro, cuxo obxectivo é encoraxar o estudo do pensamento de Hegel ou, polo menos, provocar unha certa curiosidade pelo autor, non foi escrito por um “hegeliano”, nem sequer por um detractor do pensamento hegeliano, mas simplesmente por alguém que “passou” por Hegel e atravessou a obra fundamental do seu sistema, a chamada “Ciência da Lóxica”. Passou por Hegel quase sem poder evitá-lo, atrever-me-ia a dizer, e com a mesma necessidade se distanciou dele (neste caso, sem acrimónia). Um afastamento que talvez tivesse sido induzido pelo próprio Hegel, respondendo à esixência de aprofundar o estudo de filosofias non apenas diferentes da hegeliana, mas também opostas a ela, e até mesmo em contradiçón com ela, mas quase nunca meramente “indiferentes” ao problema que o hegelianismo apresenta. Os dous xovens filósofos a que no artigo anterior me refería ficaram desanimados face à dificuldade de saber de que falaba o pensador, mas esforçaram-se por tentar percebê-lo, em virtude, sem dúvida, do prestíxio de que gozaba a filosofía hegeliana há meio século; um prestíxio proporcional à evocada irritaçón que xá entón provocaba. Hoxe, talvez, nem unha cousa, nem a outra. Muito aconteceu entretanto, tanto no terreno do pensamento filosófico e científico como no terreno económico e político. Relegado agora para a prateleira dos pensadores qualificados de “obscuros” e obxecto da erudiçón académica, veremos, no entanto, que é próprio de Hegel “esperar-nos na esquina” daquilo que acreditávamos ser xá um caminho trilhado. Fora do estricto enquadramento da filosofía, há factos novos e relevantes que poderíam contribuir para um novo renascer do filósofo alemán. Entre eles encontram-se, sem dúvida, o agravamento das contradiçóns sociais nos países europeus e, consequentemente, o retorno do pensamento de Karl Marx, tán directamente marcado em aspectos essenciais por Hegel (o seu método “dialéctico” é possivelmente, de novo, unha referência para quem tenta reflectir sobre as polaridades e as contradiçóns da sociedade em que vivemos).

VÍCTOR GÓMEZ PIN

O ROMÂNCE REALISTA ESPANHOL DO SÉCULO XIX

O Realismo, que foi característica essêncial e definitória das diversas literaturas europeias do passado século, iniciou-se na Espanha com os românces da escritora Fernán Caballero. Mas foi somente o ponto de partida de unha corrente literária de grande riqueza, na qual se situaron romancistas tán diferentes como José María de Pereda, Benito Pérez Galdós ou Juan Valera. A esta tradiçón uniron-se posteriormente os nomes de Leopoldo Alas, “Clarín”, Armando Palacio Valdés e, xá dentro de unha estéctica cercana ao naturalismo, Emilia Pardo Bazán e Vicente Blasco Ibánez. Con eles, novos temas da realidade contemporânea forom incorporádos na literatura espanhola. Acérrimo defensor do Realismo, Galdós (arriba) non aprego-ou nem practicou a mera reproducçón fotográfica do mundo observado. A pesar de que a sua literatura nos deixou testemunhos precisos e minuciosos de toda unha época. Abaixo, unha típica imaxem costumbrista: Primavera, óleo de Francisco Miralles.

RBA Editores, S. A. – Barcelona

PITÁGORAS (CÍCLICO RETORNO À XÓNIA)

Os três nomes que acabei de mencionar están cheios de ressonâncias: Éfeso é a cidade natal de Heraclito, em Samos nasceu Pitágoras e em Mileto, Tales. Várias vezes destruída e reconstruída ao capricho dos intereses dos diversos impérios, Éfeso tinha um importante porto chamado Panormo, mas sofreu um processo de assoreamento que a retirou da linha costeira. Hoxe, como em tantos outros lugares que outrora tiveram vida, Éfeso serve de álibi cultural para os passaxeiros de cruzeiros com paraxem programada na cidade turística de Kusadasi, a 19 quilómetros. A superfície da ilha de Samos non chega aos 500 quilómetros quadrados e actualmente conta com uns trinta mil habitantes. Samos foi unha das doze cidades que formou parte da Liga Xónica (xuntamente com Quios, Clazómenes, Cólofon, Éritras, Lebedo, Miunte, Fócia, Priene, e Teos, além de Mileto e Éfeso). No século de Pitágoras, Samos mantinha um explendor que procedia da época arcaica, com um porto fortificado, florescente em virtude non apenas da sua força militar e comercial, mas também, em certas ocasións, por ser um centro de pirataría. Os restos do dito porto foram rebaptizados com o significativo nome de “Pithagoreion”. Os historiadores indicam que Mileto teve unha indústria dinâmica e chegou a dispor de quatro portos. Lendariamente, Mileto debería o seu nome a um herói cretense que resistira a tornar-se amante do rei Minos e que tinha fuxido da ilha. No início do século V a. C., Mileto foi assediada pelos Persas, vencida e incendiada em 494 a. C., e os seus habitantes foram deportados, o que causou unha grande comoçón em toda a Grécia, e que, além disso, serviu de argumento a unha traxédia representada em Atenas. Mileto sería mais tarde libertada da ocupaçón persa, mas o seu tempo de explendor non voltaría e Atenas substituiu-a em poder económico, comercial e cultural. No entanto, foi sede arcebispal na época bizantina e, depois da ocupaçón otomana no século XII, o porto renasceu, mantendo um intercâmbio sobretudo com Veneza. Mas o assoreamento do porto representou a ruína e a cidade foi abandonada. Hoxe o mar fica a dez quilómetros e de Mileto apenas restam pedras. Embora referindo-se a outra cidade, Gabriel Álvarez de Toledo escrevia nos inícios do século XVII: “Nem gastar pode o tempo tua memória/ nem tua ruína caber no esquecimento.”

VÍCTOR GÓMEZ PIN

GALEGOS LISBOANOS (A BATALHA DE MONSANTO)

Mais a figura dos repartidores de pan desapareceu, de súpeto, das ruas de Lisboa um 16 de xuño de 1894, a consecuencia dun conflito coas autoridades municípais. O detonante eran as medidas de control que a Cámara Municipal tentaba facer do trabalho dos repartidores, coa imposición de fianzas e carnés de reparto, e o xeito abusivo co que as autoridades gobernativas tentaran levar adiante estas medidas, chegando à detención de repartidores pola falta dos devanditos documentos. A indignación dos trabalhadores era total, pois o motivo de fondo non era outro que a falta de peso dos pans, e eles defendían que non podían responsabilizarse desta fraude pois eran os donos das panaderías os que llos entregaban e, eles non tiñan medios para facer a comprobación de que o peso era o correcto. Despois dunha asamblea mantída polos traballadores no Club Terpsychore da Rua da Conceiçao, decidiuse marchar en manifestación cara ao goberno civil, encabezados por unha comisión nomeada para negociar a supresión dos carnés e as fianzas, e pedir a liberación dos repartidores detídos. Foi precisamente na altura da Ilha dos Galegos, no Largo das Duas Igrexas, onde as forzas da orde tentaron disolver a protesta, provocando enfrontamentos físicos e novas detencións. En consecuencia, os manifestantes tiveron que retroceder cara aos locais da Associaçao dos Operários Manipuladores de Pao, na rúa de Sao Bento, mentres a comisión continuaba a camiño para negociar coas autoridades. A comisión non conseguíu chegar a ningún acordo satisfactorio nin logrou a liberación dos compañeiros presos, polo que a clase continuou mobilizada nos locais sindicais durante todo o domingo 17 de xuño e, organizou unha nova asamblea na mañá do luns. Nesta xuntanza decidiuse enviar outra comisión negociadora, mentres os repartidores “grevistas” elixían como novo lugar de concentración a Serra de Monsanto, onde pensaban que poderían concentrarse libremente sen atrancos por parte das autoridades. Que o problema tiña atinxido xa unha enorme gravidade vén confirmado polo feito de que, a comisión chegou a ser recibida polo Ministro do Reino Joao Franco; mais o político do Partido Regenerador rexeitou modificar os regulamentos e derivou a liberación dos presos ao poder xudicial, polo que foi imposible calquera acordo. Entre 3000 e 4000 repartidores chegaron a concentrarse en Monsanto, baixo a vixilancia das forzas da orde pública. Os panadeiros organizaron un campamento no que ondeaba unha bandeira de cadros brancos e vermellos.

ELISEO FERNÁNDEZ

RORTY (UM PROGRAMA EXPERIMENTAL)

Em 1946, com 15 anos acabados de fazer, Rorty entrou no Hutchins College da Universidade de Chicago (um programa experimental de educaçón integral que aceitaba estudantes antes de acabarem o ensino secundário) e começou em busca de respostas. Os dois primeiros filósofos que tinha lido na sua vida, aos 13 anos, eram completamente diferentes ou, mais propriamente, incompatíveis: Platón e Nietzsche. Talvez os tenha lido por terem os dois unha entrada em cena muito elaborada ou talvez por saber que Nietzsche estaba contra o platonismo. A filosofía dominante em Chicago era de inspiraçón aristotélico-tomista e contrária à de um velho amigo da sua família, John Dewey, a quem apelidabam de relativista e vulgar, o que non era verdade, Dewey tinha sido um crente fervoroso na continuidade entre o Iluminismo françês e a experiência norte-americana. Para ele, a utopia era um plano por realizar, non um sonho. Por mais grandiosos que parecessem, os grandes ideais da humanidade non tinham significado se non se concretizassem em obras. Para Dewey, um fim nunca xustifica os meios pelo contrário, os meios son a única coisa que dá sentido aos fins à vista. Viver com o fim da liberdade é viver livremente. Mas para saber como viver libremente non temos outro remédio senón experimentar meios e aprender com a experiência, portanto é melhor concentrarmo-nos neles. Non acham? No entanto, no ambiente de Chicago em que Rorty se encontrava, Dewey parecia totalmente mundano e utilitário (no sentido pexorativo da palabra). Era visto como um reformador social, non como um pensador exemplar. A sabedoria clássica e o culto aos grandes libros, polos vistos, assegurabam um tipo de compromisso moral muito superior ao que um democrata afábel como Dewey podia inspirar. Mas o problema de Rorty naquele momento era o teórico. Dewey tinha feito parte do meio familiar que o angustiaba, de modo que ao enfrentá-lo podia rebelar-se contra a autoridade do pai e do seu clube de heróis progressistas. Além disso, “os absolutos filosóficos e morais eram um pouco como as minhas amadas orquídeas: difíceis de encontrar, e conhecidas apenas por uns poucos” (PP). A sabedoria ao estilo socrático parecia assegurar o cumprimento da responsabilidade moral. O lema de que a virtude é conhecimento “era música para os meus ouvidos, porque albergaba sérias dúvidas sobre o meu carácter moral e suspeitaba que as minhas únicas qualidades eram intelectuais” (PP). Mas os platónicos non eram os únicos que inspirabam este tipo de sínteses entre o saber e o dever. Os sectores relixiosos também proporcionabam aos jovens unha visón do mundo que podia integrar a admiraçón e o compromisso, o exotérico e o esotérico. Todavia, Rorty nunca teve ouvido relixioso e a combinaçón de cristianismo e modernismo do influente Thomas S. Eliot, o poeta norte-americano que se tornou cidadán britânico e se converteu ao anglicanismo, nunca o cativou. O platonismo, pelo menos, tinha a sua vantaxem: oferecia unha fusón entre a Verdade e a Beleza, mas non esixía, como a relixión cristán, um tipo de humildade de que Rorty confessaba non se sentir capaz.

RAMÓN DEL CASTILLO

POR NINGÚM LADO SE VISLUMBRAM ENEMIGOS

Algo parecido a isto, escrebeu por aqueles dias um xornalista, num xornal que se chamaba Diário Rexional, e fixerom-lhe um Conselho de Guerra, alí mesmo em San Quintín. Afirmaba aquel xornalista que a “mili” era tempo perdido, um parentese absurdo na vida civil de um cidadán. E decia, para qué tantas guardas, se non había que guardar, para qué, tanta parafernália se, nunha contenda, um exército como o nosso estaba condenado ó extermínio. Non se atreveu a dicer o xornalista, um tal senhor Areán, que o Exército Espanhol, nos últimos séculos, só tinha ganhado unha guerra, e ésta contra os próprios espanhois. Queriam-no fusilar, e isso que era do Opus Dei, organizaçón que, ainda que se definia como estrictamente relixiosa e apolítica, estaba enquistada em todas as esferas da vida pública. Era protexída por Carrero Blanco, o “delfín”, ou sexa o sucesor. Decian que se tinha feito do Opus, quando conheceu a monsenhor Escrivá, o fundador que o consolou dos “cornos”, que a sua mulher lhe punha com o “choufer”. Isto, xa mo tinham contado os anarquistas do Paralelo de Barcelona, ainda que nunca se sabe. Sobre questóns de “cornos” e infidelidades, nunca me gostou pronunciar-me. Os do Opus desprezabam os falanxistas, e afirmaba-se que acabaríam apartando-os da política, se é que non os tinham corrido xá; eram intocábeis, mas áquel xornalista os militares, apanharom-no, caralho se o apanharom. De momento, um Tribunal Militar; que ainda que o xornalista non fora militar, tinha rozado cousas do Exército e isso era, “ipso facto” Conselho de Guerra. Aquel dia de xuízo, o quartel era como um baluarte cheio de soldados armados, patrulhas, carros que íam e vinham. Suponho que tanto “jaleo” era só para impresionar. Non recordo em que ficou o assunto, mas o susto que os militares meterom no corpo dos xornalistas foi “morrocotudo”.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

MONTAIGNE (UNHA SOCIEDADE MAIS EQUITATIVA)

Os biógrafos indicam o ano de 1559 como dacta da primeira viaxem à corte; em Septembro do mesmo ano, o bordalês acompanha o rei, Francisco II, a Bar-le-Duc, onde se celebra o casamento da sua irmán Cláudia com Carlos III de Lorena. Em “Da Presunçón”, recorda ter assistido à entrega de um autorretrato do rei de Sicília, para honrar a sua memória, e rexista “Por que motivo, da mesma forma, non é lícito a todos pintar-se com a pena como ele se pintava com um lápis?” (II, 17). A pergunta retórica suxeriu a hipótese de que, talvez, xustamente naquela ocasión, lhe pode ter surxido a ideia de fazer um retrato de si próprio. Ao longo de 1561, non se encontra nenhum vestíxio da sua presença no Parlamento, Mas é, precisamente, por mandato directo do Parlamento que irá de novo para a corte e ficará em París até Fevereiro de 1563. Para ser admitido no Parlamento de París, a 12 de Junho de 1562, tinha xurado fidelidade à relixión católica. Em Outubro do mesmo ano, acompanha a armada real no cerco a Rouen, por parte dos huguenotes, e fala longamente com um dos três indíxenas do Brasil que chegaram a essa cidade, aos quais se refere no capítulo “Dos Canibais” (I, 31): “Três deles, sem saber quanto custará um dia para a sua calma e felicidade o conhecimento da corrupçón do nosso mundo e que desse comércio nascerá a sua ruína (…) foram a Rouen, na época em que governaba o difunto rei Carlos IX…” Daquele encontro e daquela conversa (verdadeiros ou supostos) com os seus eloquentes caníbais nascerá a ideia de unha sociedade mais equitativa.

NICOLA PANICHI

CREDO DO TRABALHADOR (83)

Acredito no trabalho todopoderoso, transformador da Terra. E na Ciência, que foi concebida polo estudo e o sonho dos homes, e também pola intelixência. Padeceu baixo o poder tiránico, sendo escarnecida e maltratada, e baixou ó fundo das minas, resuscitando de entre os escombros do rexíme Capitalista. E desde alí, desde o sistema Socialista, onde terá um trono. Xulgará a História desde os seus inícios, até aos nossos tempos. Acredito, no Socialismo Científico e Revolucionário, na Santa Unión, que dá a força à Sociedade, para resistir com a colaboraçón e a Solidariedade Humanas.

MANUEL CALVIÑO SOUTO