
Partilho o parecer de um inglês que dizia que todas as orixens, todos os direitos, todas as instituiçóns pareciam um pudim, para cuxa elaboraçón alguém pôn primeiro a farinha, unha segunda pessoa acrescenta os ovos, unha terceira o azúcar, unha quarta as passas, e assim se fai o pudim. No prefácio do “Dicionário Filosófico”, Voltaire descrebe o modo de utilizaçón de unha obra destinada a quem pretende “instruir-se divertindo-se” e que procura filosofar sem aspirar a ser filósofo, avisando de que a obra non esixe unha leitura continuada, mas unha intelixência crítica, porque a sua leitura serve para fazer polo menos metade do caminho. Na verdade, persegue o mesmo obxectivo que Diderot, quando dizia que na sua “Enciclopédia” queria mudar a maneira de pensar, ou o que, mais tarde, dirá Kant sobre o pensar por si próprio, sem se apoiar nas confortáveis muletas de qualquer tutela. No seu exemplar pessoal da “Enciclopédia”, Voltaire sublinha um passo essencial no artigo “Enciclopédia”, redixido por Diderot, onde este tem a ousadia de descreber a forma como pretende enganar os censores através de um enxenhoso estrataxema, como o de tratar os assuntos espinhosos com um respeito finxído, mas remetendo depois para outros artigos até que o leitor ligue as pontas soltas. “A obra enteira receberá unha força interna e unha utilidade secreta, cuxos efeitos se notaram necessariamente com a pasáxe do tempo, remetendo para artigos onde os princípios sólidos servem de base a verdades opostas”. O exemplo mais citado é o artigo “Comunhón” da Enciclopédia de Diderot, que remete para “Canibalismo”.
ROBERTO R. ARAMAYO