LOCKE (INGLATERRA SÉCULO XVII

As reflexóns de Locke están marcadas pelo lugar e pelo momento histórico em que viveu: a Inglaterra do século XVII, um país em plena ebuliçón social. Locke veio ao mundo a 29 de Agosto de 1632 em Wrington, unha aldeia situada a sul de Bristol, no seio de unha família que, sem ser abastada, gozaba de unha posiçón bastante confortábel, graças ao salário de adbogado do pai. A família também seria beneficiada pelo triunfo da facçón parlamentarista, que apoiou durante a guerra civil (1642-1651). A sua infância decorreu em Pensford, localidade próxima do seu local de nascimento, num ambiente rural e austero. Tería recebido unha primeira formaçón de cariz puritano, ministrada em casa pelo seu pai, John, que impunha unha disciplina severa, conforme os cânones da época. A nái, Agnes Keene, de carácter muito mais afábel e flexíbel, faleceu precocemente, quando Locke acabava de atinxir a maioridade. Terminada a guerra civil entre parlamentaristas e absoluctistas, e em reconhecimento pelos serviços prestados, foi atribuído ao pai de Locke um cargo público que proporcionou segurança financeira à família e a protexeu da penúria que viriam a sofrer muitos dos seus conterrâneos. Graças aos contactos do seu pai, Locke entra em 1646 na Westminster School, unha escola tán prestixiada como severa, onde mostrou ser um rapaz de mente aberta e tolerante. Nessa etapa inicial, trava amizade com xovens de tendências monárquicas, o que o levaria a simpatizar com eles, sem abandonar os seus princípios familiares nem se entregar à causa monárquica. Estuda em Westminster até 1652 e, com vinte anos, passa a fazer parte do selecto grupo de estudantes do “College de Christ Church”, na Universidade de Oxford. Outra das grandes instituiçóns do país abria-lhe as portas graças aos influentes contactos paternos. Apesar de obter boas notas, as liçóns que recebeu non conseguiram motivá-lo e non se aplicou afincadamente nos estudos. A filosofía que se ensinaba em Oxford non ía para além das licçóns pouco inovadoras da escolástica aristotélica, de modo que Locke non se entregou a ela até descobrir as obras de Descartes, quando xá tinha uns trinta anos e a universidade xá concluída. Enquanto foi alumno de Oxford interessou-se por outras disciplinas: física, química e medicina. Chegou a travar amizade com um grupo de estudantes, entre os quais importa mencionar Robert Boyle, que acabaría por ser o pai da química moderna, e de quem Locke sería axudante de laboratório nalgunhas ocasións. Depois de se licenciar pelo Christ Church, em 1659, integra a instituiçón como leitor de Grego e Retórica e desempenhará ainda tarefas de Censor de Filosofía Moral. No entanto, o seu interesse pola ciência manteve-se, pois até se atreveu a exercer como médico e a dar conselhos de saúde, apesar de só concluir a licenciatura em Medicina alguns anos mais tarde, em 1674. De entre os grandes filósofos da história, John Locke é o único que ocupou cargos de governo relevantes. As suas qualidades como conselheiro, médico oficioso e educador permitiram-lhe fazer parte do séquito do eminente político lorde Ashley, o seu grande mentor, que o introduziria na política. Com a ascensón de Ashley a conde de Shaftesbury pelos seus serviços à coroa, Locke foi nomeado secretário do Conselho de Comércio e Agricultura em 1673, cargo a que renunciou quando os ventos políticos se tornaram desfavorábeis ao seu protector. Depois do seu grupo ter caído em desgraça, Locke regressou ao leitorado em Oxford, até que, em 1675, devido ao seu delicado estado de saúde, teve de abandonar a docência e mudar-se para França, em busca de um clima mais favorábel. Permaneceu cinco anos em terras francesas, onde entrou em contacto tanto com partidários como com detractores da obra de Descartes. Neste período, recebeu a influência dos seguidores de um dos mais conceituados críticos do cartesianismo: Pierre Gassendi.

SERGI AGUILAR

COMUNEIROS DE COUSO RETIRAM MAIS DE 300 PNEUMÁTICOS

Os montes da aldeia gondomarense de Couso parecem ter-se convertido no principal vertedeiro ilegal de pneumáticos da comarca do Val Miñor. Os comuneiros retiraram mais de trescentos só em ano e meio, segundo calcula o seu presidente, Xosé Antón Araúxo, que onte mesmo participaba com companheiros da directiva noutra xornada de trabalho para retirar as rodas e entregálas a um xestor autorizado. Forom mais de cinquenta as que trasladarom nunha só manhám, tendo que utilizar um remolque de grandes dimensóns, e realizar vários viáxes, com o fim de librar o meio natural de um material altamente contaminante, com mais de duzentos compostos químicos, muitos deles derivados de metais e do petróleo, que ván liberando substâncias tóxicas no meioambiente. Ao largo do ano passado, foron perto de duzentos os pneumáticos que retirarom da paisaxe. E este ano xá levam mais de um centenar. O maior foco de contaminaçón encontra-se xunto do mirador do Alto de Santo Antoninho, monte abaixo. Desde alí leváron-se onte mais de meio centenar. “Atira-nos desde arriba e ván rodando desde cima até que a maleza os para, nunha ribanceira de trescentos metros. Xá os tinhamos localizados fái uns messes, mas non se puido retirar por causa do matorral. Agora limpamos o monte e xá se puido actuar”, relata o presidente da Comunidade de Montes. A proliferaçón de vertidos neste lugar, levou a Comunidade de Montes a encargar barreiras que dificultem aos infractores a descarga. Seríam uns bloques de granito xunto à estrada que une o município de Gondomar com Tominho e Tui, para que os furgóns ou camións non puideram acercar-se à ribanceira. Mas também encontrarom este tipo de vertidos noutros lugares: “Da Portela e da Fraga sacamos outros cinquenta”, assegura. Fái messes que, denunciarom o assunto ante a Guardia Civil, mas todavía non há pistas sobre os autores. As sospeitas apontam a “algúm talher pirata” que non cumpre com a normativa que obriga ós estabelecimentos a declarar as rodas fora de uso e a pagar um xestor autorizado para que as recolha e as recícle, para dar-lhes unha segunda vida (…) Algúns membros da Comunidad, dán passeios polo entorno de día para vixiar, mas son conscientes das dificuldades para apanhar os autores destes atentados ecolóxicos: “venhem de noite, quando non há ninguém e atiram as rodas em questón de minutos”, lamenta o presidente. Os focos contaminantes de caucho son xá um dos principais problemas de um monte castigado por actividades pouco respeitosas com o meio natural. Segundo asseguram os membros da Comunidade, som vários os vertidos incontrolados de toda classe de resíduos – electrodomésticos, móveis, escombros de obras, e restos de podas – , mas também se enfrentam à utilizaçón do seu espaço florestal, para desportos como o “motocrós” ou os “quads”. Araúxo aponta para que estas prácticas destrozam as pistas florestais e removem a terra, de maneira que se vêm obrigados a gastar na recunduçón de águas para evitar inundaçóns nas zonas poboadas.

NELI PILLADO

VOLTAIRE (INTELECTUAL MEDIÁTICO)

Voltaire encarna a figura do intelectual comprometido, um papel que representará na perfeiçón, ao ponto de a pessoa se confundir com a personaxem, pondo em xogo todo o seu prestíxio como homem de letras, dotado de um notábel reconhecimento pelas suas obras, para denunciar as inxustiças e os abusos de poder. Isto, infelizmente, xa non está muito na moda ou, pelo menos, na Europa, xá non está assim tanto como esteve desde a época do próprio Voltaire até meados do século passado, quando os intelectuais costumabam tomar partido e as suas obras ou o seu activismo pretendiam transformar a realidade político-social, como sería o caso, para nos cinxirmos à França de Jean-Paul Sartre ou de Albert Camus. Hoxe em dia, o acesso do intelectual aos meios de comunicaçón de massa implica o preço da manipulaçón e da distorçón da própria voz, absorvida por códigos que dificilmente podem ser compatíveis com o pensamento. Num texto intitulado “A Invençón do Intelectual (La invención del intelectual), Fernando Savater destaca, com muita razón, que a grande façanha de Voltaire terá sido a de inventar aquele que hoxe chamaríamos “intelectual mediático”. Apesar de naquela altura non existir o desenvolvimento tecnolóxico dos meios de comunicaçón que agora conhecemos, Voltaire seria o mais parecido com um intelectual “mediáctico” pela sua mestría em saber chegar à “opinión pública” que, entretanto, se estaba a formar, graças aos xornais, aos libros e à correspondência. A verdade é que Voltaire usou os meios de comunicaçón da sua época como mais ninguém o soube fazer. O erudicto académico tem tendência para comunicar apenas com aqueles que pertencem ao seu círculo e quase fica incomodado quando se vê obrigado a divulgar os seus conhecimentos, tal como os crentes se sentem em comunicaçón directa com a sua divindade ou com os seus correlixionários; mas o intelectual precisa de chamar à atençón do público para aquilo que quer dizer, tem de ser capaz de seduzir os outros, porque, felizmente, non se trata de público cativo mas voluntário. A leitura de Voltaire transmite-nos a sensaçón de nos encontrarmos perante um grande comunicador, dotado de unha enorme capacidade para atrair o público. É óbvio que non tem a eloquência musical de Rousseau, mas, em contrapartida, sabe captar a benevolência do leitor com invexábel habilidade e desenvoltura. O célebre episódio de Newton a descobrir a lei da gravidade quando lhe caíu em cima unha macán da árbore sob a qual repousaba é da autoría de… Sim, adivinharam. Quem se lembrou disso foi Voltaire, que supostamente tería ouvido unha irmán de Newton a contar esta história, embora talvez a tivessem inventado, com o intuito de colorir com um divertido episódio unha biografía intelectual excessivamente sóbria.

ROBERTO R. ARAMAYO

A TEORÍA DO “BIG BANG” (F20)

O “realismo dependente do modelo” proporciona um marco para discutir questóns como: se o mundo fora criádo fái um tempo finito, ¿que aconteceu antes? Um filósofo cristán antigo, Santo Agostinho (354-430), afirmou que a resposta non era que Deus, estivera preparando o inferno para xentes que fixéram perguntas como ésta, senón que o tempo era unha propriedade do mundo criádo por Deus e que nón existíam antes da criaçón, cousa que el pensaba que sucedera há pouco tempo. Este é um possíbel modelo, favorecido polos que sostenhem, que a narraçón contida no libro do Xénese é literalmente verdade, ainda que apareçam fósseis e outras evidências que o fán parecer muito mais antigo. ¿Foram pois postos no mundo para enganar-nos? Mas, podemos adoptar outro modelo diferente, no que o tempo começou há perto de uns treze mil setecentos mlhóns de anos, no “Big Bang”. O modelo que explica a maioría das nossas observaçóns presentes, incluíndo as evidências históricas e xeolóxicas, é a melhor representaçón que temos do passado. O segundo modelo, xá pode explicar os fósseis e os rexístros radioactívos, e também o feito de recebermos luz das galáxias que están a milhońs de anos luz de nós, e por isso este modelo – “A Teoría do Big Bang”- resultará, muito mais útil que o primeiro modelo. Pese a tudo, non podemos afirmar que sexa mais real, que o outro modelo. Outras pessoas, sostenhem um “modelo” no que o tempo começou muito antes do “Big Bang”, o que explicaría melhor certas observaçóns actuais, porque parece que as léis da evoluçón do universo poderíam deixar de ser válidas no “Big Bang”. Se isto é assím, non tería sentido criar um “modelo”, que comprenda tempos anteriores ao “Big Bang”, porque o que existíu entón, non tería consequências observábeis no presente, e por tanto, podemos aceitar a ideia de que o “Big Bang” foi a criaçón deste mundo.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

HEIDEGGER (O SENTIDO DO SER)

“Manifestamente há muito tempo que están familiarizados com o que querem dizer quando utilizam a expressón sendo, no entanto, embora nós acreditemos tê-lo entendido unha vez, agora estamos em apuros.” Teremos hoxe unha resposta para a pergunta acerca do que queremos realmente dizer com a palabra “sendo”? De forma algunha. E, portanto, agora temos de voltar a fazer a pergunta polo sentido do ser. Entón, por acaso hoxe em dia encontramo-nos polo menos com o problema de non entender a expressón “ser”? De forma algunha. Entón agora, em primeiro lugar, temos de começar por despertar de novo unha compreensón do sentido desta pergunta. A elaboraçón concreta da pergunta pelo sentido do “ser” é xustamente o propósito do seguinte tratado. A interpretaçón do tempo como possíbel horizonte de qualquer compreensón do ser em xeral é a sua meta provisória.

MARTIN HEIDEGGER, (SER E TEMPO)

GUILLADE, CELEIROS E ARCOS ENFRENTAN-SE A OLIVEIRA POR TALAS DE MADEIRA ALHEIA

Acusan a esta última comunidade de montes de “saquealas” usando planos erróneos. As comunidades de montes pontareánas de Guillade, Celeiros e Arcos denúnciam “actos de pilháxe e saqueo”, por parte da Comunidade de Montes de Santiago de Oliveira, também de Pontareas. As três comunidades denunciantes fán sinalar, num comunicado conxunto, que desde fái muitos anos os conflíctos com Santiago de Oliveira som continuados, com cortas de madeira, que realiza esta comunidade de montes nos terrenos das outras três. Contrástam esta situaçón, com as boas relaçóns existentes entre elas, que conseguirón xá fái tempo acordos de deslinde amistosos. “Os únicos problemas que existem som exclusivamente com a Comunidade de Montes de Oliveira, que mantêm enfrentamentos e litíxios continuados com todas as demais comunidades do seu entorno”. Sinála Roberto Mera, secretário da Comunidade de Montes de Arcos e adbogado que representa as outras três comunidades. Segundo os comuneiros, “Santiago de Oliveira aferra-se ós planos feitos pola administraçón a finais dos anos setenta, que contenhem gráves erros manifestamente evidentes”. Consideram “significativo” que mentras Celeiros, Arcos e Guillade forom capazes de corrixir esses planos de mútuo acordo, Santiago de Oliveira, obriga às outras comunidades a acudir ós tribunais para que sexan estes os que rectifíquem os erros. “A Comunidade de Montes de Oliveira pretende apropriar-se de montes situados no interior das outras aldeias, que nem sequer lindan com Santiago de Oliveira” assegura o secretário da Comunidade de Montes de Arcos, quem menciona como exemplo, o caso de um monte ubicado dentro de Arcos a meio kilómetro de Oliveira, e que o xulgado reconheceu que era propriedade de Arcos. Os comuneiros acusan a Oliveira de “actos de pirataría, porque quando sabem que as outras comunidades ván levar a controvérsia para os tribunais, em vez de esperar à decisón xudicial, cortan e arrassam com tudo, apropriando-se de recursos que non lhes pertencem”. As comunidades denúnciam que nas últimas semanas Oliveira realizou meia dozena de cortes de madeira em montes de Celeiros e Guillade. Reclamamos unha nova directiva. Os comuneiros aseguram que “A Comunidade de Oliveira non representa a aldeia, e que se trata de unha minoría que está criando um enfrentamento inxustificábel entre aldeias. A maioría dos vecinhos de Oliveira reconhecem que temos razón”. Guillade, Arcos e Celeiros apelam a que “tomem cartas no assunto e, que se fagan com o control da Comunidade de Montes, para intentar unha nova etapa de diálogo e entendimento entre aldeias”.

VERÓNICA PALLEIRO

HUME (A MINHA PRÓPRIA VIDA)

David Hume nasceu em Edimburgo, Escócia, no dia 26 de Abril (dia 7 de Maio, de acordo com o actual calendário gregoriano) de 1711, e faleceu na mesma cidade a 25 de Agosto de 1776. Felizmente para nós, dispomos de unha breve autobiografia, intitulada “A Minha Própria Vida”, que Hume escreveu ao sentir que a sua morte se aproximava. Nela, Hume diz que vai ocupar-se da história das suas obras, algo que xustifica com a afirmaçón de que empregou quase toda a sua vida em trabalhos relacionados com a escrita. Neste sentido, foi unha existência plena e feliz: pôde dedicar-se quase em exclusivo ao que verdadeiramente desexaba, xá que desde muito xovem, confessa, eclodiu em sí unha paixón polas letras que se transformou na fonte das suas maiores satisfaçóns. Estamos, pois, perante a vida de quem hoxe em dia chamaríamos um intelectual, um homem de letras. Quem estiver à procura de aventuras mais excitantes terá de olhar para outro lado e entreter-se com outras personaxens. No entanto, antes de analisar a sua vida convém parar para pensar no que podia significar nascer e viver na Escócia do século XVIII. Nesse século, a sociedade escocesa iría passar por transformaçóns importantíssimas e, como resultado delas, iría viver a sua grande idade de ouro, até ao ponto de Edimburgo se transformar naquilo que se denominou a “Atenas do Norte”. Em 1707, teve lugar a unión da Escócia e Inglaterra, que, para a primeira, representou a oportunidade de participar nos benefícios derivados dos mercados e das colónias inglesas e de deixar para trás, assím, a perene pobreza que até àquele momento a tinha caracterizado. De facto, ao fim de cinquenta anos, encontraremos unha sociedade completamente nova, menos temente de Deus segundo as ideias conservadoras dos mais velhos, mas com unha economia dinâmica, florescente e virada para o progresso material. Estas mudanças ocorrerán em simultâneo com um esplendor cultural sem precedentes na sua história. É aquilo que se conhece como “Iluminismo escocês”, formado por um grupo de pensadores interessados na teoría do conhecimento, na economia, na história, na moral, etc… Convém recordar que Adam Smith era contemporâneo e amigo íntimo de Hume. Ambos serán testemunhas excepcionais deste processo de modernizaçón e, de certa forma, seus actores, pois tentaram fomentá-lo com todas as forças. Em suma, para eles, o “Iluminismo” era um processo do qual se sentiam partícipes. Estudar em que consistia, para Hume, o carácter peculiar deste proxecto iluminista constitui o obxectivo deste libro, e pensamos que aí reside o seu interesse. Ao fim e ao cabo, é impossíbel negar que somos herdeiros do Iluminismo. Outro aspecto é a forma como avaliamos esta influência, se como unha pesada carga, fonte de incalculábeis males e de um processo de decadência moral e relixiosa que ainda non está concluído (e, se esta é a nossa postura, Hume interessar-nos-á muito pouco, ou melhor, vê-lo-emos como um dos responsábeis intelectuais desse rumo equivocado da história), ou como unha herança proveitosa que nos permite centrar-nos na única vida que temos a certeza de possuir, esta que decorre na Terra, tentando, por conseguinte, nela ser felizes.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

O APARECIMENTO DO FADO

O fado enquanto expressón musical, aparece em Lisboa nos inícios do século XIX, despontando nos âmbientes portuários, cheios de tabernas e putarías. Onde a capital, era lugar de arribadas e partidas e de passaxem de muita xente. Começa por se manifestar nos locais mais populares e castiços da cidade, e a ser cantado em tabernas, ruas e pátios de Alfama, Castelo, Mouraría, Bairro Alto e Madragoa. Fundamentado em versos populares que espelhabam o estado da alma das xentes, que viviam um quotidiano duro. Desde as suas orixens, que ficou ligado às clásses sócio-economicas mais desfavorecidas, com a conseguinte conotaçón despreciativa por parte dos ricos, e das xentes aparentemente mais decentes. Mas, apesar de tudo o fado ganha corazóns, e unha dimensón crescente, no segundo quartel do século XIX. Encontrando na figura lendária de Maria Severa Onofriana (1820-1846) um dos seus símbolos mais sagrados, sendo a primeira cantadeira de fados a tornar-se popular, apesar de se conhecer outras mais antigas como a Rosário dos Óculos ou a Xoaquina dos Cordoes. A Severa, era unha nulher de beleza estonteante, bohémia e temperamental, trabalhava na prostituçón. Cantaba e tocaba o fado nas ruas, e no Café da Bola, na Mouraria, entre outros locais. O seu pai era ribatejano e a sua nái era proprietária de unha taberna. Morre apenas com vintiseis anos de idade, tendo sido sepultada nunha vala comum do cemitério do Alto de Sao Joao, aparentemente por vontade própria. Após a sua morte, foi fonte de inspiraçón dos meios artísticos, particularmente na poesía fadista, no cinema, no teatro e nas artes plásticas. Nos meios fadistas, Severa tornou-se a encarnaçón da xénese do fado. A sua fama, fora xá referida por Bulhao Pato ou Palmeirim, ganhando maior notoridade no século XX a partir da novela homónima de Júlio Dantas, que esteve na base de unha peça levada à cena em 1901, orixinando posteriormente o primeiro filme sonoro português, realizado em 1931 por Leitao de Barros. Nas artes plásticas, José Malhoa, com um ideário estéctico realista, foi o pintor mais importânte no combate a unha determinada corrente anti-fado. Contudo o fado só começa a ser conhecido nas ruas de Lisboa a partir sensibelmente de 1840. Na segunda metade do século XIX, levado pelas correntes do romantismo num acompanhamento musical de recitaçón em toada triste, exprimia o desalento do povo perante a inestabilidade vivida na altura e, assím, ía dando ânimo ao dia-a-dia das xentes mais pobres, nos bairros mais desfavorecidos e problemáticos de Lisboa, em ambientes de lodo e bohémia, em tabernas e bordéis.

FADO PORTUGAL

ARISTÓTELES (VIDA E ÉPOCA)

Aristóteles nasceu em 384 a. C. na pequena cidade de Estaxira, perto do monte Atos e integrada no reino da Macedónia, no norte da Grécia. Pertenceu a unha família próspera e habituada à vida pública, pois o seu pai, Nicómaco, era médico da corte do rei Amintas III – pai de Filipe II e avô de Alexandro Magno. Conta-se que Nicómaco pertencia ao clán dos Asclepíades, que afirmavam descender do deus fundador da medicina e cuxos conhecimentos se transmitiam de xeraçón em xeraçón. É mais do que provábel, pois, que o pequeno Aristóteles tivesse aprendido muitos desses segredos médicos na sua infância e xuventude, e tivesse integrado a investigaçón experimental e a reflexón racional no seu método de conhecimento, tendo-se apaixonado, pola ciência positiva. Nas palabras do filósofo escocês e estudioso de Aristóteles, William David Ross: É razoábel relacionar o interesse de Aristóteles pola ciência física, e, sobretudo, pela bioloxía, com a sua pertença a unha família de médicos. Galeno afirmaba que as famílias Asclepíades faziam com que os seus filhos aprendessem a dissecaçón, e é possíbel que Aristóteles tenha tido algunha práctica nésta matéria. Acredita-se que, inclusive, deva ter axudado o seu pai em algunha intervençón cirúrxica. A profisson de Nicómaco implicou também que Aristóteles passasse a sua infância e parte da sua adolescência na semibárbara Pela, onde se enconraba a corte macedónia, a cuxas peripécias o filósofo esteve intimamente vinculado o resto da vida. Pouco se sabe da sua nái, Féstis, apesar de se acreditar que também era descendente dos Asclepíadas. De qualquer modo, os pais de Aristóteles faleceram antes de ele atinxir a adolescência. Teve, por isso, de abandonar Pela muito xovem e dirixir-se a Atarneu, na Ásia Menor (a actual Turquia), onde foi acolhido pela sua única irmán viva, Arimnesta, e pelo seu marido, Próxeno de Atarneu, que se tornou seu tutor. A relaçón debe ter sido boa e de agradecimento por parte do Estaxirita, pois, anos mais tarde, quando Próxeno e Arimnesta morreram, adoptou e protexeu o seu sobrinho Nicanor.

P. RUIZ TRUJILLO

IMPOSSÍBEIS DE TODA IMPOSSÍBILIDADE

Daba igual que fixera as cousas bem ou mal; o meu nome seguía soando, marcandome um lúgubre destino que nada de bom me auguraba. Acostumado ó meu apelido, o tenente Ordoño non podía esquecerse del. E assím, quando, advertía algunha anomalía próxima de mím, gritaba: “o detrás de Zapata, que trocou o passo”, “o da dereita de Zapata, esse fusil”. Premoniçón era aquilo de que, por um caminho ou por outro, a fama acabaría sendo a minha companheira, se bem os seus atalhos começabam a ser demasiádo tortuosos. Aínda que melhorei algo, acabei no pelotón dos torpes. Alí acababam os recrutas impossíbeis de toda impossíbilidade. Na teoría, em câmbio, eu era um ás. Com ánimo de lavarme de tanta afrenta, de vez em quando o alférez de complemento facía-me algunha pergunta. Um día que dixo: “a ver Zapata, que sabes do “mauser”? Dixem-lhe, tudo o que sabía e mais. O alférez de complemento estaba licenciado em Filosophía e a milicia non lhe atraía demasiado; mas, melhor cabaleiro e oficial, aínda que fosse um alférez, que um puto “guripa” de mérda. Aínda que Crispín Blanco Areces non fora própriamente um intelectual, gostaba muito mais dos clássicos do Século de Ouro, que dos fundamentos técnicos de unha arma de fogo. Esse día tinha-me disparado, e a clásse fora um golgório, parecido ós da instrucçón; mas désta vez non pola minha torpeza, senón pola minha sapiência. A todos gostou mais o que ignoraba do “mauser”, que o que sabía; o que inventaba: histórias nas que o tiro saía pola culata, guerras perdidas pola ineficácia daquel trásto, o maldito “chopo”, a “novia”, non te fode. Guerras perdidas por exércitos extranxeiros, nunca polo espanhol, que, salvo traiçón ou trastáda e inclemência dos elementos, xamais puido ser vencido. Explicaba as partes do fusíl e as suas funçóns com tanta claridade, que o alférez me permitia qualquer digresón fabuladora. Sentado, com o mosquetón entre as máns, armando-o e desarmando-o a cegas, para adquerir perícia em caso de guerra, aquela tropa mirábame como um Deus. Sobre a marcha, acordei-me de um verso de Maiakowski, que me ensinarom os anarquistas do Paralelo e um imprenteiro da rua Unión. O verso vêm-me de maravilha para rematar unha brilhante demonstraçón: “Que cálem os oradores / camarada máuser / têm vostede a palabra”. Aquilo, causou impresón, e o “patizambo-bizco” quedou de tal maneira transposto que, durante uns minutos, se lhe calmou o bizqueo; tinha os olhos em branco, como se tivera visto a Virxem. A bizqueira voltou, quando o centinela da porta deu o aviso regramentário: -Companhía, o tenente! Todos em pé, à voz de mando do alférez: -Companhía, fiiir…mes! O alférez adiantou-se, saudou e deu a novidade, que non existía: -Sem novidade na classe teórica, meu tenente. O tenente Ordoño ordenou que continuara a classe: Continuem. E, para demostrar que non se esquecera do meu nome dixo: -A ver Zapata, que sabes do mosquetón? O alférez Crispín Blanco Areces, por pouco lhe dá unha alferecía, e non é brincadeira, pois unha alferecía, nada têm a vêr com um alférez, aínda que tenha parecida raíz. Isso, tivem que explicar mais tarde ò bizco, que tardou bastante em colhê-lo. Respondim o requerimento do tenente Ordoño, dixem tudo, de pé a pá, e non quedou recobeco nem peza do mosquetón que non descrebera. Quería vingarme das minhas humilhaçóns nas practicas da instrucçón e demostrar que non era tán imbécil. Embalado, cerrei os olhos e, a cegas, montei e desmontei a arma com unha celeridade e precisón que deixarom pasmado o tenente Ordoño. E, mais se pasmou quando, num rápto lírico e patriótico, rematei com o do camarada máuser. Non quixem citar o nome do autor, por se acáso, que Maiakowski cheiraba a russo e podía levantar suspeitas impossíbeis de esclarecer em poucos minutos. O de “camarada máuser” foi um exitazo; por muito que amara o chopo, non tinha caído o tenente Ordoño em chama-lo camarada: pareceu-lhe unha palabra muito bem traída. A partir de entón, quando tinha que fazer-me algunha correcçón, dezía, Zapata, olho com o “camarada máuser” E, ría a sua própria graça. A formaçón em pleno soltaba também a gargalhada, e ninguém daba pé com bola!

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

JACQUES DERRIDA

Jacques Derrida nasceu em El-Biar, um subúrbio de Argel, no dia 15 de Xulho de 1930, no seio de unha família xudía sefardita à qual foi concedida a nacionalidade francesa em 1870, ao abrigo do Decreto Crémieux. Estudou em Argel, e sofrendo as consequências das leis de Vichy de 1940 a 1944, dada a sua condiçón de xudeu, Em 1949, mudou-se para París para prosseguir a sua formaçón. Os seus primeiros companheiros serám Pierre Bourdieu, Michel Serres, Pierre Nora, Louis Marin. Entra na École Normale Supérieure em 1952, onde terá lugar o seu encontro decisivo com Louis Althusser. Segue com admiraçón os cursos de psicoloxía experimental de Michel Foucault (“É impressionante a sua eloquência, a sua autoridade, o seu brilhantismo…”), E costuma convidar alguns dos seus alumnos para o hospital de Sainte Anne, para que enfrentem directamente a loucura, unha experiência que será para Derrida, segundo admite, “chocante”. Depois de se licenciar em letras pola Universidade de París, realizou um estáxio (1953-54) nos Arquivos Husserl em Lovaina. Obtém o diploma de estudos superiores em filosofía com unha dissertaçóm intitulada O Problema da xénese dans la philosophíailosof de Husserl (Le problème de la xénese dans la philosophie de Husserl (Lê Juyce. Em 1956, obtém unha agregaçón em filosofía e vai para a Universidade de Harvard (Cambridge), como auditor especial. Começa a trabalhar na traduçón de A Orixem da Geometría de Husserl. Interrompe o serviço militar (1957-59), em plena guerra da Arxélia. Derrida declara-se contrário à política colonial francesa e acredita nunha forma de independência para a Arxélia que permita a coexistência entre arxelinos e franceses do país. No seu regresso, é enviado para o liceu Montesquieu em Le Mans e, pouco depois, em 1960, entra como assistente na Faculdade de Letras da Universidade de París, cargo em que permanecerá até 1964. Entretanto, o seu trabalho sobre Husserl ficou pronto para impressón. Em 1962, coincidindo com o fím da guerra na Arxélia. Derrida publicou a sua traduçón de A Orixem da Xeometría de Husserl, precedida por unha longuíssima introduçón. A fulgurante carreira do filósofo começara.

MIGUEL MOREY

FILTROS DE AMOR DA BELLA CONDESA

Se a senhora Turner había adquirido, ós trinta anos, unha reputaçón tán invexábel e unha fortuna tán quantiosa, e se os visitantes acudían em abundante numero á luxosa residencia no corazón da City londinense. Non era debido ó seu grande talento como almidonadora ou ó afán de procurar-se unha daquelas enormes gorxeiras de cor amarelo enxofre, para as que aquela mulher habilidosa tinha descoberto um almidón milagroso. Mas, também había outras razóns, bastante menos respeitábeis. A química apenas tinha segredos para a senhora Turner e, para a confecçón dos seus engrudos, de diversos perfumes, pastas para a cara e ungüentos de beleza, unía a de productos muito menos inocentes: tais como drogas, filtros e venenos de toda índole. Dito doutra maneira: aquella mulher fermosa e opulenta gozaba de unha inquietante reputaçón de feiticeira que, com toda seguridade, a tería levado à fogueira, de non ter sido frequentada por unha clientéla tán rica como poderosa, à que ela prestaba impagadeiros serviçós. Polo tanto, non experimentou inquietude nem sorpresa quando, unha tarde do mes de Novembro de 1608, recebeu aviso da visita de unha dama muito xovem, muito bela e tremendamente nobre, que precisaba com a maior urxência dos seus serviços. Quêm anúnciou a visita, era nada menos que lord Nottingham, grande almirante de Inglaterra. A xovem, era a sua sobrinha, lady Essex

JULIETTE BENZONI

MAURICE BLANCHOT (A CONVERSA INFINITA 1969)

UNHA NEGATIVIDADE RADICAL

Non o home non esgota a sua negatividade na acçón. Non, non transforma em poder todo o nada que é. Talvez possa alcançar o absolucto igualando-se ao todo e tomando-se a consciência do todo, mas, neste sentido, a paixóm do pensamento negativo é mais extrema do que este absolucto porque perante essa resposta, ainda é capaz de introduzir a pergunta que suspende o comprimento do todo, e de manter outra esixência que em forma de problema, refere-se unha vez mais ao infinito… A experiência límite é a experiência do que está fora do todo, quando o todo deixa tudo de fora a experiência daquilo que fica por alcançar, quando tudo está alcançado, e por conhecer, quando xá se conhece tudo. O próprio inacessíbel, o próprio deconhecido… Ao homem, tal como é, pertence-lhe unha falta essêncial de onde lhe vêm esse direito de se colocar a si mesmo sempre em questón. E voltamos a encontrar a nossa observaçón precedente. O homem é aquel ser que non esgota a sua negatividade na acçón, portanto, quando, portanto, quando tudo está terminado, quando o “fazer” ( pelo qual o homem também se faz) está cumprido, é portanto, quando o home xá non tem nada que fazer, tem de existir, tal como é, tal como Georges Bataille o expressa com a mais simples profundidade no estado de “negatividade sem uso” e a experiência interior é a forma como se afirma esta negaçóm radical que xá non tem nada que negar”.

MAURICE BLANCHOT

OS QUARKS (F19)

No caso das partículas subatómicas que non podemos ver, os electróns som um modelo útil que explica muitas observaçóns, como por exemplo as trazas nunha câmara de borbulhas e as manchas luminosas num tubo de televisor, entre outros muitos fenómenos. Dí-se, que o electrón foi descoberto polo físico británico J. J. Thomson nos labotatórios Cavendish da Universidade de Cambridge, quando estaba fazendo experimentos com correntes eléctricas no interior de tubos de gás practicamente vacíos, um fenómeno conhecido como “raios catódicos”. Os experimentos conduciron à audaz conclusón de que os misteriosos raios estabam compostos por minúsculos “corpúsculos” que eram constituintes materais dos átomos,, que até aquel momento habíam sido considerados a unidade fundamental e indivissíbel da matéria. Thomson non “viu” ningúm electrón, nem a sua especulaçón sobre eles, foi demonstrada directamente e sem âmbiguidades polos seus experimentos. Mas o modelo, demonstrou ser crucial nas aplicaçóns, que ván desde a ciência básica à enxenharía e na actualidade todos os físicos xá acreditam nos electóns, aínda que, non poidam vê-los. Os “quarks”, que tampouco podemos ver, som um modelo para explicar as própriedades dos protóns e dos neutróns no núcleo atómico. Aínda que afirmamos que os protóns e os neutróns estám constituidos por “quarks”, nunca observaremos um “quark”, porque a forza que liga os “quarks” entre sí aumenta com a separaçón entre eles e, polo tanto, na natureza non podêm existir “quarks” libres ailhados. Em câmbio, se presentam sempre em grupos de tres (como por exemplo protońs e neutróns), ou como “quark” mais “antiquark” (como por exemplo “mesóns pi”), e se comportám como se estiveram unidos por cintas elásticas. A questón de se têm sentido ailhar um deles, foi um tema de controvérsia. Se os “quqrks” existem realmente? É algo que non podemos afirmar na actualidade. Nos anos posteriores a quando os “quarks” forom propostos por primeira vez. A idéia de que algunhas partículas estabam compostas por diferentes combinaçós de unhas poucas partículas “sub-subnucleares” proporcionou um princípio explicativo simples e atractivo das suas propiedades. Mas, aínda que, os físicos estabám acostumados a aceitar as partículas que só podíam ser inferidas a partir de picos estadístico em dactos referentes à colisóm e dispersón de outras partículas, a ideia de atribuir realidade a unha partícula que, por princípio, podía ser inobservábel foi demasiado para muitos físicos. Com os anos, sem embargo, à medida que o modelo de “Quarks” ía conducindo a mais e mais prediçóns correctas, essa oposiçón foi-se atenuando. Certamente, sería possíbel que algúns alieníxenas com dezassete brazós, olhos com infrarroxos e a costume de soprar crema polas orelhas levarám a cabo as mesmas observaçóns experimentais que nós, mas as decribiríám sem “quarks”. Non obstânte, segundo o “realismo dependênte do modelo”, os “quarks” exístem num modelo que concorda com as nossas observaçóns do comportamento das partículas subnucleáres.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

GEORGES BATAILLE

Tanto Blanchot como Bataille seguiram os seminários dictados de 1933 a 1939 por Alexandre Kojéve (1902 – 1968) sobre a “Fenomenoloxía do Espírito” de Hegel, na qual Sartre se baseou para a sua argumentaçón histórica, especialmente na parte dedicada ao Amo e Escravo. Ambos partilham ao detalhe essa reflexón em comum e tentam levá-la um passo mais além, até ao limite. Bataille reivindica durante algum tempo a decapitaçón da dialéctica, a sua suspensón num ponto em que o confronto entre o Amo e o Escravo se constitui num conflicto irresolúbel. “Em Fenomenoloxía do Espírito” – escrebe Bataille em A Literatura e o Mal (1957) – “Hegel, perseguindo a dialéctica do amo (do senhor, do soberano) e do “escravo” (do homem condenado ao trabalho), que está na orixem da teoría comunista da luta de clásses, conduz o escravo ao seu “triunfo”, mas a sua aparente soberanía non se torna entón mais do que vontade autónoma de servidón; a soberanía non tem para si mais do que o lugar do impossíbel”. Alí onde Hegel exalta a negatividade própria do trabalho, através do qual o homem transforma o mundo negando-o e, deste modo, transforma-se a si mesmo, Bataille reivindicará unha “negatividade sem aplicaçón”, sem uso, inútil, sem outra aplicaçón que non a de se manifestar como experiência “soberana”. Assim, a despessa, a perda, o desperdício como formas de transgressón do princípio de utilidade; o éxtase e a embriaguez, a efusón erótica e o sacrifício como impugnaçóns das prerrogativas do eu consciente, racional e utilitário; o riso como transgressón dos imperativos lóxicos do discurso; e a efusón poética como impugnaçón das normas comunicativas da linguaxem, todos eles formarám o universo de conceitos que se abrem à questón a partir desta inversón da dialéctica hegeliana, unha questón para a qual a experiência literária oferecerá unha axuda essencial. Serán também estes conceitos que constituirám o fío conductor da diversificada obra de Bataille, tanto de exercícios de meditaçón como os conteúdos da sua triloxía da “Soma Ateolóxica” (Somme Athéologique – L Expérience Intérieure, 1943; Le Coupable, 1944; Sur Nietzsche, 1945), como os seus ensaios sobre economía e política (A Parte Maldita, 1949; O Erotismo, 1951) ou as suas incursóns no erotismo e na pornografía (História do Olho, 1928; Madame Edwarda, 1941; O Azul do Céu, 1957).

MIGUEL MOREY