Arquivo por autores: fontedopazo

JACQUES DERRIDA (O FALOCENTRISMO)

Se ao exposto se acrescentam os perto de oitenta libros que componhem a bibliografia de Derrida, qualquer tentativa de abreviar essa disseminaçón nunhas poucas páxinas resulta completamente inútil. E, no entanto, é possíbel entrever um princípio de ordem nesse arquipélago de temáticas que componhem os textos, se as remetêmos à explosón primordial que causou o seu nascimento. Cabe-nos visualizar como unha constelaçón nessa voraxem se alguém se colocar no ponto de partida da “fenomenoloxia”, face à sua caracterizaçón da “consciência como pesença de si”. Ao mesmo tempo a partir de dentro e de fora da fenomenoloxia, a crítica de Derrida, permitiu-lhe situar-se para além dela (em boa medida graças à noçón “estructuralista de signo”, como xogo de diferenças que produzem sentido), conservando, em todo o caso, o desdobramento conceptual da “fenomenoloxia” como referência última das suas prácticas “desconstructivas”. Este desdobramento, nos seus momentos mais doutrinais, será identificado pura e simplesmente como metafísica. O que o “logocentrismo” denuncia é a rexência de um sentido metafísico sobre a escrita, um sentido que é anterior e exterior ao xogo dos signos inscríptos. Unha denúncia que se dobrará como “falocentrismo” no momento em que se tome em consideraçón non xá a consciência, mas o inconsciente. Denunciar-se-á entón a rexência de um sentido anterior e exterior ao xogo de signos inconscientes, que entroniza o “falo” como significante maior. Com este instrumento de dous gumes nas máns, Derrida corta essa “consciência como presença de si” nas suas duas metades. Submetida à “desconstruçón”, a identidade da consciência de si desdobrar-se-á num leque de diferenças, de alteridades. E este será um dos grandes eixos temáticos que alinhava a disseminaçón da sua obra, a alteridade. Podem destacar-se a esse respeito os libros “Psyché: Invençóns do Outro” (Psyché: Inventions de L’Autre, 1987), ou “Políticas da Amizade” (1994). Mas é todo o seu trabalho que é trespassado por essa atençón à alteridade. chegando a entender-se a sua escripta como dirixida por unha fidelidade ao que ocorre nela, à linguaxem “do outro” (que irrompe), “do outro” (que escreve em mim). Nos seus escríptos conxuga-se a alteridade nas suas mais diferentes formas, como “o outro” (a diferença, a repetiçón, o desexo, a morte), como “o outro” (a mulher, o xudeu, o espectro, o estranxeiro), ou como “os outros” (as xenofobias, os nacionalismos, a guerra). E, em todos os casos, a direçón será sempre libertar as diferenças da sua submissón aos antagonismos. A xustiça, dirá o autor, consiste em aprender a viver com o outro.

MIGUEL MOREY

O ILHA (11)

CONTOS DE UMA JUVENTUDE ENLUTADA

A MINHA HISTÓRIA CNA (CAPÍTULO TERCEIRO)

Vejo-me e observo que as minhas referências sobre os professores nao vao além do 4º ano. O quinto ano, nesse aspecto, é um ano que nao existe. No entanto, durante o 5º ano tive aulas com o Dr. Raul Lopes e também com o seu amigo que leccionava Português. Mas, nada ficou além das suas figuras. O Dr. Raul Lopes, ao ser o Director do Colégio, era um homem cheio de lendas que iam desde a sua etapa de Coimbra como estudante até aos últimos dias. A sua figura sempre era situada no epicentro da lenda. Devo dizer que além das reunioes onde estava a minha família a interessar-se pela minha evoluçao, pouco contacto tive com ele. A minha memória só me fala de mais duas reunioes onde, frente a frente, estava a figura do Director e a figura do aluno. No entanto, os primeiros anos foram férteis em figuras para unha boa comédia de rua. Talvez, ao som dos tempos, tivéssemos “hapennings” sem nos aperceber de nada. Talvez, se deva, também, ao choque brutal que tive com aquela realidade “sue generis”. Evidentemente, o Coronel Alvarenga (graduaçao que foi rebaixada por um colega, mas, ao reter na minha memória esse tratamento non será agora que o transformarei em soldado raso, sargento ou major.) ocupa muitas das cenas imortais daquele Colégio. Além do anedótico e do humor que provocava a sua aselhice pouco se pode dizer deste professor. Como síntese posso dizer que era um mal-educado e um violento; o tratamento de “ò Minha Besta” que lhe dedicava aos alunos fala por si. Logicamente, tomávamos a devida e merecida vingança. Tinhamos como nossa principal aliáda a aselhice que o caracterizava. E também tinhamos a neurose típica de quem vive entre muros para passar-nos quatro limites nessa vingança. Nos, os alunos, nao sei se numa aula do 3º ou 4º ano, também agimos violentamente. Um belo dia, pretendeu zurrar num colega que estava perto de mim. Como que atraídos por um íman, levantamo-nos os próximos. Rodeamos com os nossos braços o professor e ao grito de “nao lhe bata; nao lhe bata…” Tínhamos o pobre homem imobilizado. Nisto, chegou do fundo da sala um colega de Moçambique; natural de Maputo; de nome José Luís e de apelido, creio recordar, Rodrigues – era um rapaz espigado; seco de carnes; rápido de movimentos; inteligente. – Que se uniu ao abraço inibidor, mas, somou ao acto, umas lindas e mais que lindas pisadelas, fortes e bem fortes, no velho militar. O coronel Alvarenga berrava; nós, apercebendo-nos do facto, ainda mais gritávamos: “Nao lhe bata, nao lhe bata.” Este homem de idade avançada, esteve retido ao mesmo tempo que era agredido uns bons minutos… Um par de anos antes e depois, ser-me-ia impossível imaginar-me metido numa trifurca, violenta contra um professor. Este acto nao é do meu agrado, quando o recordo porque me apercebo que naquela altura e com aquel tempo de estância no CNA, xá estava num grau alto de animalizaçón. Perdera as maneiras. Era mais um que louvava o cajado como elemento dialéctico. Para esquecer; para superar…

JOSÉ LUÍS MONTERO MONTERO

MICHEL FOUCAULT (AS SEQUELAS DO MAIO DE 68)

No final de 1971, teve início um movimento de revolta nas prisóns francesas, em parte devido às dinâmicas introduzidas polos estudantes esquerdistas presos na sequência dos acontecimentos de Maio. Com o tempo, as prisóns amotinadas chegarom a ser 35. Xuntamente com alguns intelectuais, Foucault fundará entón o “GIP” (Grupo de Informaçón sobre as Prisóns), que implantou o seu activismo em inúmeras frentes. “Acho que o GIP” – declarou mais tarde (entrevista concedida a C. Baker, 1984) – “foi unha iniciativa de problematizaçón, um esforço para tornar problemáticas e duvidosas algunhas evidências, algunhas prácticas, algunhas regras, algunhas instituiçóns e alguns hábitos instalados há décadas e décadas”. Do ponto de vista do seu trabalho, este foi o seu activismo mais fructífero. A partir dos resultados da acçón, sem dúvida o mais relevante será a fundaçón, nesse mesmo ano, da associaçón “Médicos sem Fronteiras” (e pouco depois a sua participaçón na fundaçón da “Médicos do Mundo”), xuntamente com Bernard Kouchner. Em 1975, em grande parte como resultado das reflexóns que surxiram de acordo com as actividades do “GIP”, Foucault publica “Vigiar e Punir” (com o subtítulo “Nascimento da Prisón”), unha nova alteraçón no seu percurso filosófico, da qual resultará unha modificaçón significativa do seu perfil intelectual. Dir-se-á que, doravante, a grande questón que ordena o desenvolvimento da sua obra deixa de ser a questón do saber e passa a ser a questón do poder. Que mesmo o interesse polo trabalho arqueolóxico parece declinar a favor de unha tarefa agora “xenealóxica”, no sentido que Nietzsche dá ao termo. Assim, na contracapa do libro, assinada por Foucault, lemos: “¿Será possíbel fazer a xenealoxía da moral moderna a partir de unha história política dos corpos?” E, efectivamente, Foucault parece seguir as indicaçóns dadas por Nietzsche em “A Genealoxia da Moral” e, ao mesmo tempo que descreve a articulaçón do poder punitivo prisional, coloca unha questón mais lata sobre o surximento da alma moderna e a sua moral específica. “Se eu fosse pretencioso” – declarou entón (entrevista concedida a J. J. Brochier, 1975) – “colocaria como título xeral do que faço: “genealoxia da moral”. Convém assinalar, no entanto, que os procedimentos xenealóxicos que adoptará daí em diante non venhem substituir a arqueoloxia, polo contrário, pretendem alargar e radicalizar o seu campo de atençón e os seus protocolos de análise.

MIGUEL MOREY

AGRARISMO E OBREIRISMO NO CONDADO (5)

En Salvaterra, Alianza republicana e agrarios copaban o distrito conseguindo os 18 concellais. En Mondariz, a mesma alianza copaba asimesmo os 16 postos de concellal. E así en Salceda, Porriño, Vigo… A euforia quedaba desbordada en Ponteareas; a París e Madrid dirixíronse telegramas: “Bajo dirección insigne lider republicano Amado Garra conquistamos 17 puntos de 20 que componen Ayuntamiento feudo Bugallal. Caciquismo hundido definitivamente, pueblo liberado por República”. Todo isto sen xenreiras, venganzas ou tolerias: “Muchos vítores, muchos aplausos, sendos abrazos de efusión y cordialidad, pero ni un solo incidente, ni una sola nota disonante. El pueblo, e en particular ese ejército de juventud socialista que está afiliada a la organización obrera, dió la nota de cordura como si en todos estuviera gravado el lema directivo de: calma, cordura. Nada de borracheras de triunfo, nada de manifestaciones hostiles a nadie. Los elementos triunfantes han sido respectuosos con los muertos, en este caso com los caciques”. En España, os resultados electorais daban paso á Segunda República e en Ponteareas proclamábase solemnemente o día 15. Pero xa antes que en Madrid, a primeiras horas da mañá do 14, izábase na casa do concello pontearean a bandeira da República. O día 15 os concellais electos percorrían as rúas da vila precedidos da banda de música e levando como enseña a bandeira da Primeira República de 1873 que o antiguo republicano D. Severo Benavides gardara á caida da República e transmitira á sua viuva como símbolo sagrado. A procesión rematou na casa do concello, onde se procedeu ó acto de transmisión de poderes, discursos emocionados, comunicados, telegramas, homenaxes… A República foi tamén proclamada nas parroquias, e na tarde do 15, en Salvaterra onde se transladara gran cantidade de xente de Ponteareas. O novo alcalde D. Manuel Mariño Méndez leu o primeiro bando (común ó de Ponteareas) saudando e chamando á orde e respeto para todos. Un dos telegramas que dende alí se mandou, remataba: “… el entusiasmo es enorme. Comité de Puenteareas, vecindario y bandas de música de Cristiñade, Gulanes, Areas, Ginzo, Ribadetea, Puenteareas, Moreiras y de este distrito, están en estes momentos aclamando la República española en este famoso castillo”. Deste xeito foi proclamada na nosa bisbarra a Segunda República. Ainda que o camiño a seguer non fose doado, tiñase recuperado a dignidade.

PUBLICADO EM “A PENEIRA” (ANO I – 1984)

PLATÓN (PARALIPOMÊNA)

Platón, é unha dessas mentiras, que quase todo o mundo toma por verdades. Digo quase todo o mundo, porque a ignorância nunca é total, e o mesmo acontece com a deshonestidade, também nunca se realiza completamente. Depois de ter lído toda a obra de Arístocles (a considerada autêntica, a duvidosa e a espúrea, os fragmentos e toda a sua correspondência.). Cheguei à brilhante conclusón, de que tinha sído enganado, que todo este “corpus” non pertencía a um home só e muito menos a “Platón”. Logo, cabe perguntar-se ¿de quem será entón? Boa pergunta! Este compêndio de filosofia arcáica, depois de consultar nas histórias da filosofia grega, parece ser que, foi feito por filósofos Neo-Platónicos, a encargo da Biblioteca de Alexandría. E, como era costûme na época, otorgou-se-lhe o nome do filósofo mais famoso (tal como se fixo com o “Corpus Hipocraticum”.) De ahí, venhem depois também as dificuldades para declarar a autenticidade e a cronoloxía das obras, xá que non dispomos da data de publicaçón de ningunha delas. Non obstânte, intentarom ordená-las dentro de um quadro que fora o mais fiábel possíbel, e que nos derá unha forzada evoluçón do pensamento pessoal de Arístocles. As obras forom estudadas baixo variádos prísmas, primeiro linguisticamente, depois forom anotadas todas as referências internas, e por último também as referências externas à obra. Tudo isto, para que dera lugar a diversas cronoloxías, que puideram apoiar a opinión e o gosto dos especialistas na matéria em estudo. Mesmo sem haber um consenso unânime, puiderom definir-se, polo menos, algúns agrupamentos fundamentais:

Época Primeira (A MAIÊUTICA E A IRONIA SOCRÁTICA)

As obras mais destacadas som: “A Apologia de Sócrates”, “Protágoras” e “A República” (Libro I).

Época Segunda (AS GRANDES LINHAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO)

Destacam-se: “Górgias” e “Ménon”.

Época Terceira (AS OBRAS DA MATURIDADE)

Som: “O Banquete” (ou Simpósio), “Fédon”, “A República” e “Fedro”.

Época Quarta (OBRAS MAIS TARDÍAS)

Forom : “Teeteto”, “Parménides” e “Timeo”.

Por fim, recordemos, que nunca a ignorância nem a deshonestidade, serán totais.

ANTONIO ARGIBAY SEBASTIÁN

ROBERTO MERA COVAS (HOMENAXEM A ALEJANDRO VIANA) (8)

O tres de febreiro Viana aínda se atopa en Figueres con Luciano Vidán e Mercedes Orgaz. Baixo un sol radiante, os tres diríxense cara a Francia no coche de Vidán. A estrada é un regueiro de miles de persoas cargadas con enseres e maletas que van quedando polo camiño. O pánico xorde de maneira intermitente cando os avións franquistas descenden dende o ceo bombardeando e varrendo coas súas metralladoras a estrada. Nun dos ataques abandonan o vehículo para refuxiarse baixo un piñeiral. O incidente causa a morte dun coñecido, e ao regresar á estrada descobren con resignación que o coche desapareceu. Os tres regresan a Figueres camiñando. Nos días seguintes Mercedes Orgaz, Pastor Candeira e Isabel Napal son evacuados a Francia dende a Subsecretaría de Armamento a través de La Bisbal, en Girona. Alejandro encárgase de asegurarlle a Mercedes o necesario para a viaxe. “Eu levaba víveres porque o noso querido amigo Viana nos provera moi ben; ía e viña varias veces a Francia e traíanos pan torrado, leite condensado e latas de conserva. A min encheume a maleta desas cousas que case non me cabían.” O Goberno, desbordado polos acontecementos, emprende tamén a súa fuxida. O seis de febreiro Azaña e Negrín, cun pequeno séquito de familiares, servizo de seguridade e algunha outra personalidade, cruzan os cumios dos Pirineos e entran en Francia. Na comitiva tamén se atopa o presidente das Cortes, Martínez Barrio. “Ía un frío glacial, non maior, porén, que o que levabamos nas almas. Temporalmente todo rematara e a República e a Liberdade nacional, agonizantes a véspera, estaban mortas. A última homenaxe ás potestades caídas foi o tributo dos carabineiros destacados no posto fronteirizo, quen, ríxidos, presentaron armas ao paso do presidente Azaña. A luz desvaída do mencer descubriu, sinuoso, o camiño do desterro.”

ROBERTO MERA COVAS

RUSSELL (A COMPAIXÓN POLO SOFRIMENTO HUMANO)

Apesar do espírito antiacadémico, non seria quem é sem a sua contribuiçón para a filosofia no sentido mais técnico da disciplina. A sua importância como lóxico só é comparábel no século XX à de Gödel. Podemos afirmar que cria a filosofia analítica da linguaxem a partir do nada e de certa forma, a filosofia da mente. É imprescindíbel em epistemoloxia e em filosofia da ciência. Talvez debido ao seu protagonismo extra-académico non tenha sido tán apreçado como a sua obra xustifica pola filosofia que axudou a criar, a qual discutia os problemas e copiava o seu estilo sem o reconhecer como debia. O seu Outro essencial foi Ludwig Wittgenstein. Foi-o em personalidade, espírito e estilo, e foi-o também em filosofia. (…) Em muitos aspectos, Wittgenstein ultrapassa os limites autoimpostos polo puritanismo epistémico de Russell, mas em muitos outros é Russell quem nos adianta muito mais que Wittgenstein sobre qual poderia ser a funçón e o valor da filosofia e das humanidades num mundo que crescentemente as despreza. No emotivo prólogo à sua “Autobiografia”, intitulado “Aquilo por que vivi”, Russell enuncia três paixóns que o impulsionarom, como ventos que tivessem empurrado a sua nave em diversas direçóns. Assim, apesar de a ânsia de amor, a busca de conhecimento e a compaixón polo sofrimento humano poderem ser compatíbeis como fins desexábeis, a dedicaçón a cada um deles conduz a planos de vida incompatíbeis, algo de que Russell se sentiu muito consciente e por que pagou um preço muito alto em fracassos afectivos, distanciamento do mundo académico e isolamento e dissidência política.

FERNANDO BRONCANO

GALIZA PARA COMÊLA (CHORROS)

Durante a época de crecemento do millo, as espigas máis novas e brandas (aquelas nas que os grans parecen zumegar leite) eran seleccionadas coidadosamente e con delicia polos rapaces, que as roubaban moitas veces das leiras para darse un festín, co conseguinte enfado dos donos da colleita.

RECEITA:

Cravadas nun pau e postas nas brasas da lareira, ou de calquera lume improvisado na propia leira do millo – cunhas areas de sal por riba se se desexa -, estas mazarocas convertíanse nun exquisito e festivo manxar. O sabor dáballe mil voltas ás espigas e millo que actualmente consumimos en conserva. Ó sabor uníase, ademais, o incrible olor a millo torrado…

GALICIA PARA COMELA (HÉRCULES DE EDICIONES S. A.)

MARX (A CABEÇA É A FILOSOFIA, O CORAÇÓN O PROLETARIADO)

Em qualquer caso, a luta xá non é só filosofica; há que decidir a emancipaçón a nível práctico e na sociedade civil, e a filosofia tem de axustar o seu papel com humildade pois, enquanto forma de consciência, é afectada pola realidade social que aspira transformar, contaxiada polo seu mal. A filosofia, polo seu carácter teórico e pela sua determinaçón social, mostra as suas duas limitaçóns como instrumento de libertaçón: porque a tarefa a realizar é “práctica”, de transformaçón da base material da sociedade, som precisas outras armas; e porque a filosofia, enquanto consciência da sociedade, non escapa à determinaçón desta, a sua voz non enuncia a Verdade, non pode dizer o que se debe fazer. Tem de assumir que apenas é parte dessa realidade, que também tem de ser transformada. Definitivamente, para levar a Alemanha à “hauteur des principes”, ou sexa, a unha revoluçón que non só a coloque ao nível oficial dos povos modernos, mas também à altura do espírito da época, em primeiro lugar é necessário articular a crítica das armas e a arma da crítica, pois “a arma da crítica non pode substituir a crítica das armas; a violência material non pode ser derrubada senón com violência material”; e, em segundo lugar, há que redefinir a crítica filosófica sabendo que, por um lado, “a teoria converte-se em violência material unha vez conectada às massas” e, por outro, “um povo só colocará em práctica a teoria enquanto esta representar a realizaçón das suas necessidades”. Duas teses que Marx nunca abandonará e cuxa articulaçón caracteriza a sua análise, pois reconhece o necessário papel da subxectividade, das ideias, e a sua inevitábel determinaçón polas condiçóns obxectivas. Deste modo, a esperança na emancipaçón da sociedade passa da filosofia que faz avançar o espírito para um novo suxeito, “unha clásse que non reclama um direito especial, xá que non é unha inxustiça especial a que padece, mas a inxustiça simplesmente; que xá non pode invocar nenhum título histórico mas apenas o seu título humano”. Marx encontra essa clásse no proletariado, cuxas primeiras imaxens empíricas das suas lutas o axudarom a recuperar a confiança na emancipaçón, e cuxa iniciada leitura da economia clássica lhe permitiu compreender a funçón. A impotência da filosofia é compensada com o moderado optimismo que Marx encontra no proletariado: “Da mesma forma que a filosofia encontra no proletariado as suas armas materiais, o proletariado encontra na filosofia as suas armas intelectuais”. E acaba este brilhante texto com palabras milhóns de vezes citadas como expressón da intuiçón de unha nova via de emancipaçón: “A cabeça desta emancipaçón é a filosofia, o seu coraçón, o proletariado. A filosofia non se pode realizar sem suprimir o proletariado; o proletariado non se pode suprimir sem realizar a filosofia”. A partir de agora, grande parte da sua vida será direcionada para fornecer unha base teórica racional a esta xenial e provocadora intuiçón.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

LITERATURA CASTELÁN (GONZALO DE BERCEO)

Vida e obra : Gonzalo de Berceo, é o primeiro poeta castelán de nome conhecido, e o mais xenuino representante do “mester de clerecía” e pode que o seu introductor. Da noticias de si mesmo em diversos pasáxes das suas obras. Por el sabemos que nasceu – a finais, probabelmente, do século XII – no pequeno poboádo de Berceo, diócese de Calahorra, na Rioja. Foi educado no mosteiro benedictino de San Millán de la Cogolla, onde foi agregado como clérigo secular.

Gonzalo fue so nomne qui fizo est tractado,

en Sant Millán de suso fue de ninnez criado,

natural de Berçeo, ond Sant Millán fue nado…

.

Yo, Gonzalo por nomne, clamado de Berceo,

de Sant Millán criado, en la su merçed seo…

Debeu morrer bastante velho; por diversas escrituras notariais, sabe-se que ainda vivia em 1264. Mas, fora disto, pouco mais é o que se conhece da sua vida, que parece transcorreu plácidamente entre xentes sinxélas, entregadas aos seus deberes relixiosos e a compôr as suas obras. Todas as obras de Berceo som relixiosas: Três vidas de santos – “Santo Domingo de Silos”, “San Millán de la Cogolla” e “Santa Oria” -; três poemas dedicados à Virxem – “Loores de Nuestra Señora”, “Planto que fizo la Virgen el día de la Passión de su Fijo Jesu Christo” e “Milagros de Nuestra Señora” – ; e três poemas mais de asunto relixioso vário – “El Sacrificio de la Misa”, “De los signos que aparescerán antes del Juicio” y “Martirio de Sant Laurençio” – . Também lhe forom atribuídos “Três himnos”.

J. L. ALBORG

AL-FARABI (METAFÍSICA, PSICOLOXÍA, INTELECTO)

METAFÍSICA

A metafísica de al-Farabi segue as linhas mestras de Aristóteles: estuda o ser enquanto ser, os princípios das ciências e o ser que non é corpo nem existe num corpo. No entanto, quando explica a multiplicidade do mundo sensíbel, afasta-se de Aristóteles e introduz o emanatismo neoplatónico. Em vez da física aristotélica aparecem aqui as doutrinas de Plotino. Tenta-se conciliar deste modo o Deus único, transcendente e criador do Coram com o “Uno” de Plotino. Digamos em sua defesa que parte da sua argumentaçón tinha um fundamento pseudoaristotélico, xá que durante a Idade Média circulava como obra do Estaxirita a intitulada “Teologia”, na verdade unha organizaçón alternativa das “Enéadas”. Unha deriva similar mostra a sua tentativa de conciliaçón entre Aristóteles e Platón. Para ele, as diferênças entre ambos som accidentais, em coincidência com a interpretaçón dos neoplatónicos. Nunha questón central dentro da cosmoloxía aristotélica como a eternidade do universo, al-Farabi defende a criaçón do nada anterior ao tempo, xá que este tería aparecido somente depois do movimento das esferas.

PSICOLOXÍA

Na sua psicoloxia encontramos claramente as doutrinas aristotélicas, da definiçón da alma (“a perfeiçón última do corpo natural orgânico dotado de vida em potência”) até à explicaçón do processo cognitivo: “Alguns acreditaram que no entendimento se produz a forma das cousas ao mesmo tempo que os sentidos percepcionam os sensíbeis e que se produz sem nenhum intervalo. Non é assim na verdade, mas sim que entre ambas as cousas há algo de intermédio que consiste em os sentidos percepcionarem os sensíbeis e assim resultarem neles as suas formas que ván ao senso comum até se reproduzirem nele; o senso comum transporta-as à imaxinaçón e a imaxinaçón à potência cogitativa (…) e, depois de assim informadas e movidas, ván ao entendimento, e é entón que o entendimento as obtém em si.”

INTELECTO

Quanto ao intelecto, aprofundou de maneira especial o tema do intelecto especulativo, que diversificou em quatro aspectos. Para ele, o intelecto axente ou criativo está separado do corpo, causa da intelecçón e cuxa relaçón com o intelecto em potência é como a do Sol com o olho. Apresentou pola primeira vez a possibilidade de unión do home com o intelecto axente, o que representaria a culminaçón de todo o processo cognitivo e gozou de notábel difusón dentro da escolástica.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

MADALENA IGLÉSIAS

Natural de Lisboa, foi unha das mais populares cançonetistas portuguesas. As suas actuaçóns obtiveram grande êxito em Portugal e em numerosos países. Estudou música no Conservatório e na Escola do Canto e, com apenas 15 anos, entrou para o Centro de Preparaçón de Artistas da Rádio da Emissora Nacional. Em 1957 estreia-se na televisón e como cantora efectiva da Emissora Nacional. A sua carreira internacional começa em 1959 com unha actuaçón na televisón espanhola. Representou Portugal em vários festivais internacionais. Foi por diversas vezes “Rainha da Rádio e da Televisao portuguesas”, premiada em festivais e pola crítica, quer em Portugal, quer no estranxeiro. Em 1966 venceu o Festival RTP da Cançao com “Ele e Ela”. Madalena Iglésias tem aproximadamente 110 discos editados em 14 países. A sua carreira passou também polo cinema. Quem non se recorda das suas representaçóns em “Passagem de Nível” (1965) ou “Sarilho de Fraldas” (1966)? A década de 70 marcou o fim da sua actividade artística. Mas o reconhecimento público non parou, tendo recebido em 1991, o Prémio Prestígio, atribuído pela Casa da Imprensa. Em Outubro de 2008, foi lançada em Lisboa a sua fotobiografia, baixo o título de “O Meu Nome é Madalena Iglésias”, da autoria de Maria de Lourdes de Carvalho.

A COZINHA DOS FAMOSOS

HUME (DIÁLOGOS SOBRE A RELIXIÓN NATURAL)

A HIPÓTESE DO MUNDO-ANIMAL E DA DIVINDADE COMO ALMA DO MUNDO

Unha outra obxeçón tem orixem no princípio segundo o qual “quando se observa que várias circunstâncias conhecidas som semelhantes, as desconhecidas revelar-se-hán também semelhantes”. Fílon infere daí que o universo, como é mais semelhante a um animal do que aos artefactos humanos, é um animal, e que Deus, em vez de ser a sua causa, é a sua alma.

A HIPÓTESE DA XERAÇÓN E VEXETAÇÓN

Outra obxeçón de Hume parte da maior semelhança que, polo menos aos seus olhos, o universo revela com os corpos dos animais e das prantas do que com os artefactos. Devido a isso, afirma Fílon, é, pois, mais probábel que a sua causa se assemelhe às causas dos primeiros do que às dos últimos, polo que a sua orixem debe ser atribuída à xeraçón ou à vexetaçón e non a um axente intelixente semelhante aos seres humanos.

DAVID HUME

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (A PROSA LATINA ARCAICA)

“Manio me fixo para Numasio”, “Que ninguém viole este bosque sagrado nem arranque ou leve o que está no bosque, nem corte lenha excepto o dia em que tem lugar o sacrifício anual.” O uso mais antigo do alfabeto foi para recolher feitos particulares e prohibiçóns como esta, e non resta dúvida de que desde unha data temperám a xente escrebía listas, receitas, cartas, etc… sobre superfícies mais perecedeiras que a pedra ou o bronce. Perdeu-se todo o rasto disto, xá que non existe um “papiro de Oxirrinco” romano. A literarura em prosa, como oposta ao simples escreber, pode afirmar-se que começou quando os homes se derom conta de que as suas opinións podíam multiplicar-se por meio do “liber ou volumen”. Isto era no período helenístico, depois de que os romanos entraram em contacto com os gregos do sul da Italia e da Sicilia. Antes disto, os romanos tinham estado como a maioría dos povos da Antiguidade – por exemplo, os espartanos, os cartaxineses ou os atenienses contemporâneos até à época de Sócrates – usando o alfabeto para escreber em prosa com fins específicos. Mentras que os homes considerabam que falar bem era unha “virtus” necessária em política, o escreber non estaba visto como fonte potêncial de autoridade e glória nos asuntos da cidade e em qualquer outra esfera da vida. Em quanto ao que implicava a “multiplicaçón” de exemplares de um libro, as mesmas noçóns de “publicaçón”, “comercio de libros” e “público leitor”, assim como do lêr em sí – xá que o ouvir era tán importante -. Ao menos desde o decénio do ano 130 a. C. os próprios romanos acreditabam que o pai da prosa latina tinha sido Apio Claudio o Cego, um contemporâneo de Filemón, Ptolomeo I e Pirro. Cicerón fai referência a unha carta de Panecio (residente em Roma no ano 130 a. C.), na qual o filósofp estoico elóxiaba um “carmen” – a palabra non supón necessariamente forma de verso – que parecía de Apio Claudio o Cego e que era de carácter pitagórico. O mesmo Cicerón tinha por autêntico um discurso em que Apio se opunha à paz com Pirro e no século II a. C. o xurista Pomponio refére-se a unha suposta obra de Apio, “De usurpationibus” que, non obstânte, xá fai tempo que non existía. Moral, oratória, dereito: resulta significativo para a nossa apreciaçón da actitude romana para com a prosa que foram obras de esta clásse as que se tenham atribuído ao venerábel estadista. Non obstânte, é duvidoso quanto menos que algunha delas fora autêntica. Na xeraçón anterior a Cicerón, a clásse de escritos que xá tinham florecido como xéneros separados e que estabam ainda adquirindo a “sua própria natureza” foram ordenados em excelência desde a oratória – forense, xudicial e conmemorativa -, passando pola história, as memórias e a epistolografía, até aos tratados sobre temas prácticos, tais como a agricultura, o dereito, ou o calendário. Ademais, agora que tinha existido unha poesía latina helenizante desde habia mais de um século, estabam alí os princípios de unha literatura erudicta dirixida à sua sistematizaçón e explicaçón. Naturalmente, isto era asunto dos mesmos poetas e dos libertos cultos ou dos seus filhos, como Accio, Elio Estilón, Octavio Lampadio e Lutacio Dafnis. Também, qualquer outra clásse de escritos em prosa foi desarrolhada por senadores romanos non buscanso a arte, senón como armas mais cuidadosamente afiadas, úteis directa ou indirectamente na sua vida política. M. Porcio Catón o Velho foi o mais importante de todos eles. No seu prefácio a “Origines”, observaba que os grandes homes famosos debíam dar conta non só da sua vida pública senón também do seu “otium”, descanso. Escrebeu história non para conmover ou filosofar, senón para persuadir ao leitor da conveniência para o presente e o futuro de certos valores morais e políticos – os de Catón, lóxico -, como os vía nos “exempla” do passado, e para confirmar assim na mente dos seus leitores o que consideraba a verdadeira identidade romana.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

KANT (O CONFLICTO DAS FACULDADES)

A significaçón global da “filosofia crítica” consiste em instituir o ideal iluminado do ser humano autónomo e responsábel nas suas actividades cognoscitivas e nas suas acçóns, liberto xá dos grilhóns medievais que continuavam a submetê-lo à instância divina. Em nenhum lugar Kant o expressou tán bem como na sua última obra, “O Conflicto das Faculdades”. A filosofia non é unha ciência das representaçóns, conceitos e ideias, ou unha ciência de todas as ciências, ou ainda algo de semelhante, mas unha ciência do home, do seu representar, pensar e axir; debe apresentar o home em todas as suas partes constitutivas, tal como é e debe ser, isto é, tanto segundo as suas determinaçóns naturais como também segundo a sua condiçón de moralidade e liberdade. A filosofia antiga adoptou um ponto de vista completamente inadequado no que respeita ao ser humano no mundo, porque o converte nunha máquina em si, que, como tal, tinha de ser completamente dependente do mundo ou de cousas e circunstâncias externas; assim, fez do ser humano, practicamente. unha parte passiva do mundo. Apareceu entón a “Crítica da Razón” e atribuiu ao home no mundo unha existência plenamente activa. O próprio home é orixinariamente criador de todas as suas representaçóns e conceitos, e debe ser o único autor de todas as suas acçóns. Nisto radica o essencial de Kant: em situar o home no centro da reflexón, tanto no conhecimento, como na ética e na relixión. A estas três dimensóns humanas correspondem as três perguntas essenciais que formulou – o que posso saber? O que debo fazer? O que me é permitido esperar? – que podem resumir-se a apenas unha: o que é o home?

JOAN SOLÉ