
Xá avancei várias vezes que a “Ciência da Lóxica” é simultaneamente o núcleo e aquilo em que está sustentado todo o edifício hegeliano. O motor oculto, a finalidade, que reside por trás das diferentes figuras que se sucedem nessa aventura que a “Fenomenoloxía do Espírito” descreve sería alcançar o equivalente ao platónico campo eidético, o lugar onde a razón se realiza. A natureza é unha alienaçón do campo das ideias, unha alienaçón prevista na própria ideia e rexída por um conceito que, finalmente, obriga a natureza a retornar à sua orixem: “O movimento da ideia de natureza implica que ela saia da sua imediatez para aceder ao seu fundo, suprimir-se a si própria e transformar-se em espírito”. Podemos, pois, dizer que sem essa “Ciência da Lóxica” sobre a qual tudo xira, tornam-se, de facto, inintelixíbeis os restantes libros que componhem o sistema. E de que trata a “Ciência da Lóxica”? Resumir o conteúdo é obviamente unha taréfa árdua, mas podemos abordá-la por algum lado; por exemplo, considerando o que nela se diz sobre o conceito de realidade. Hegel serve-se unha vez mais do conceito de Deus, mas desta vez no sentido literalmente panteísta de “conxunto de realidades” e para indicar o que Deus, assim concebido, sem dúvida non é. A concepçón segundo a qual, em primeiro lugar, as cousas som o que som e apenas, em segundo lugar, entram em relaçón diferêncial unhas em relaçón às outras, recebe a estocada final em pensadores como Hegel, embora este non sexa o único. Leibniz tinha preparado o terreno, enunciando princípios que é necessário recordar e contextualizar.
VÍCTOR GÓMEZ PIN