
A única cousa pior do que um cristán, um católico ou até um protestante: é um ateu, ou nihilista. O cristianismo tinha sido, é verdade, desprezo pola vida, nihilismo. Mas, no fim de contas, o cristán, ao viver por e para outra vida, fazía por viver esta. Do católico, é melhor nem falar: no calendário há sempre unha Santa Rita, unha Santa Marta ou um San Pancrácio para ter a ocasión de fazer unha festa. Logo, depois da ressaca, um católico confessa-se e volta a começar, à espera da festa de Santo António. À custa de desprezar esta vida a favor de outra, esforça-se muito para disfrutar neste mundo. Outra cousa, dizia Nietzsche, é o protestante, que suprimíu as festividades do calendário, um ser austero, amargurado, triste e trabalhador, unha massa disforme de puro ressentimento contra os prazeres da vida. Mas ainda había de vir algo pior; e, finalmente chegou: somos nós, o “último home”, unha humanidade maioritariamente ateia que, no entanto, non inventou qualquer valor que lhes permita apreçar a vida. Se o cristán vivia por e para outra vida, o ateu vive por e para nada. Se non se suicida, é porque “até morrer o cansa”, porque a iniciativa de se suicidar sería demasiádo vital para o seu total nihilismo. Na verdade, este retrato tán “nihilista” do “último home” parece-se bastante àquele que Marx fai do proletariado no “Manifesto Comunista”. O filósofo e xurista alemán Carl Schmitt resumía-o bem com estas palabras: “Tudo o que se refere ao proletariado apenas pode ser determinado de forma negativa. Dele só pode afirmar-se com certeza que non participa da “mais-valia”, que non possui e non conhece nem família, nem pátria, etc… O proletariado é um “nada social”. Dele só pode dizer-se que non é mais do que meramente humano”. Efectivamente, o capitalismo, ao proletarizar a populaçón, despoxou o ser humano das suas qualidades antropolóxicas mais elementais. Em primeiro lugar, da relixión: unha relixión é, antes de mais, um calendário de festas para celebrar, e o mercado de trabalho non tem tempo para festividades relixiosas. Daí que, como propuxéra a famosa obra de Max Weber, o protestantismo era unha relixión muito mais de acordo com as novas necessidades do capitalismo. No tempo de Marx (e na actualidade também, mais do que às vezes se quer acreditar) suprimíu-se inclusive o descanso dominical. O capitalismo necessitaba de unha populaçón tán trabalhadora que non tinha tempo para desabafos relixiosos. O proletariado continuou a ser relixioso (também non convinha que deixasse completamente de o ser), mas de unha forma cada vez mais nominal e menos practicante. No final, temos unha populaçón à qual, como auguraba Nietzsche, tanto lhe fai que sexa ateia ou crente, porque comporta-se em qualquer dos casos com idêntico nihilismo: unha populaçón que vive por e para nada, à qual “até morrer cansa”.
CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA
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