
Se a questón central na crítica de Lucrecio é a relaçón entre a poesía e a filosofía, resulta importânte comprehender até que ponto reflexa fielmente Lucrecio o espírito de Epicuro. Evidentemente o poeta considerába-se a si mesmo um epicúreo ortodoxo e non pode duvidar-se da intensidade da devoçón ao seu mentor filosófico. Non obstânte, “De rerum natura” é muito diferente em tôn e carácter dos escrítos de Epicuro. ¿Como podem estimar-se estas diferênças? Um modo polo qual esta questón foi contestáda habitualmente, é através do exame da personalidade do poeta: “De rerum natura” difére dos escrítos de Epicuro, porque Lucrecio era diferente. A aproximaçón biográfica à literatura sempre pode ser suspeitosa, e no caso de Lucrecio é crítica biográfica sem unha biografía. Quase nada se sabe da vida pessoal do poeta e vemo-nos forzados por isso a extrair conclusóns sobre a personalidade do poeta mesmo. Das testemunhas externas, a de maior influênça é a de San Xerónimo. Nos adxuntos que fíxo à “Crónica” de Eusébio, no ano 94 ou 93, antes de Cristo, escrebeu: “Nasce Tito Lucrecio, poeta que depois enlouqueceu a causa de um filtro amoroso e quando nos interválos dos seus atáques de loucura, escrebeu vários libros, que Cicerón corrixíu. Mais tarde suicidou-se no ano quarenta e quatro da sua vida.” Toda esta calumniosa afirmaçón, foi âmplamente discutída na posteridade: dificilmente podem ser correctas as datas; a ediçón de Cicerón foi negada, tendo em conta a sua hostilidade contra o epicureísmo, e defendeu-se a causa do seu interesse pola literatura; Os filtros amorosos, non é probábel que causáram a morte, nem as calamitosas consequências médicas que barrunta a afirmaçón do santo, e a história da loucura e suicídio, non é apoiada por ningúm outro testemunho da Antiguidade, e será resultado da malevolência cristán. Os que subraiárom as diferênças temperamentais entre Lucrecio e Epicuro, buscarom a miúdo unha confirmaçón para as suas opinións, no pessimismo do poeta. “A comedia epicúrea da natureza (escrebeu Guissani) se transforma quase em traxédia em Lucrecio.” Toda a questón do pessimismo do poeta foi debatída âmplamente e saírom veredíctos bastânte diversos, que ván da suave melancolia à depressón enfermiza.
E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)