
Dificilmente podíam ler estes versos os contemporâneos de Lucrecio, sem pensar nos crímes e confiscaçóns que fixérom a revoluçón proveitosa para os fortes: (cimentam / em sangre cidadán a sua fortuna, / e avarentos tesouros amontoam, maldade sobre maldade acumulando.) Mas, raras som nesta obra as pasáxes desta clásse: a mensáxe de Lucrecio non era a rexeneraçón nacional, senón a salvaçón pessoal. Ao adoptar esta actitude seguía a ensinança ortodoxa da sua escola. Non obstânte, quando Epicuro aconselhava aos seus seguidores evitar a luta política, non trataba de que o Estado acabára ou se deslizara para a anarquía. A teoría política epícurea implicaba sempre unha distinçón, entre o que é bom para o filósofo e o que é bom para a massa dos homes e, na práctica, a boa vida apenas sería possíbel sem a estabilidade da lei. Certamente había epicúreos em Roma, como C. Veleyo e L. Manlio Torcuato, que tratabam de conciliar as suas crênças com unha vida pública activa. Mas Lucrecio non era home de compromiso, e o seu reconhecimento no primeiro prólogo de que se chega a guerra, Memio tería que cumprir com o seu deber, sem dúvida no é tanto unha afirmaçón de princípio, como um reconhecimento do inevitábel. Por isto, só num sentido especial pode chamar-se a “De rerum natura” um “tratado para todos os tempos”. Non é um poema político e non há insistência na época contemporânea. Incluso a narraçón da evoluçón do Estado no libro resulta surprehendentemente teórica e difícil de quadrar, o que Lucrecio afirma sobre o tema, com o que os romanos pensabam sobre a sua própria história constitucional. É improbábel, por exemplo, que os ataques de Lucrecio à relixión, estiveram dirixidos aos ricos e poderosos, cuxa autoridade se apoiaba em parte na dignidade da costûme estabelecida. O último século da República ofertaba um rico campo para um escritor de dotes satíricas, e podería haber dito muito mais, se o desexára, sobre a exploraçón cínica da relixión com fins políticos. O seu poema sobre a natureza das cousas, non estaba dedicado ao home corrente, àqueles que manipulabam o culto estatal, para lograr os seus próprios fins.
E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)