Talvez alguns pensem que unha pessoa com grandes dotes naturais merece esses talentos e o carácter superior que possibilita o seu desenvolvimento (…) Este ponto de vista está claramente errado. Non merecemos o lugar que temos na distribuiçón dos dotes naturais, nem a nossa posiçón inicial na sociedade. É também problemático que mereçamos o carácter superior que nos permite fazer o esforço para cultivar as nossas capacidades, xá que tal carácter depende, em grande parte, de condiçóns familiares e sociais vantaxosas na infância (…). A ideia de mérito non se pode aplicar a estes casos. Assim sendo, os que têm unha maior vantaxem non podem dizer que merecem e, portanto, têm direito a um modelo de cooperaçón que lhes permita conseguir benefícios sem contribuir para o bem-estar dos outros.
Desta vez, os Deuses non nos forom favoráveis. Um temporal de ventos fortes, bramou durante toda a noite, teimando em levantar o telhado polos aires. Depois, também, a puntualidade espanhola logrou retrassar a viáxe duas horas mais. Apesar de tudo, a desconexón da vida do quotidiano resultou ser total. Dadas as circunstâncias da partída, as ganas de comer, aparecerom à altura de Aveiro, e non podíamos desperdizar a oportunidade de unha “Caldeirada de Enguías” na Praia da Torreira. Debído ao tempo desapacíbel, os melhores restaurantes estabam pechados, a causa do qual aplicámos a regra de “quem tem boca, vai a Roma”. Entramos num restaurante popular, bastânte concorrido polos “Últimos dos reformados” e xentes hispânas viaxeiras. As enguías non eram das melhores, nem das mais gordas, mas saímos satisfeitos e contentes, pela comida agradábel e saudábel (Sopa, Enguías e Manga laminada).
Entrámos em Lisboa pelo rio e deixámos o carro estacionado na “Terminal de Cruceiros” do Campo das Cebolas. E, baixo unha chuva quente, levámos as malas a pé, até ao largo de S. Domingos, centro de reunión da diáspora africana, para falar das cousas da terra. O largo estaba quase deserto, pois a chuva correu com todos eles. Tivem também a extranha sensaçón de que o centro da cidade era muito menos ruidoso que antes.
Essa mesma noite da chegada, sentim saudades da “Sopa de Pato”, do “Tia Matilde”, que estaba simplesmente divina. O “Tía Matilde”, é um bom restaurante, e non é demasiado caro, no qual se pode comer dunha maneira bastânte saudábel (Dupla Sopa de Pato, Pataniscas com arroz de grelos, Perdiz e Manga laminada):
Para ir ao “Tía Matilde”, aconselho tomar um taxi, porque a Rua da Beneficiência é um lugar complicado para quem non conhece. Fica perto da Fundaçao Gulbenkián, mas do outro lado da linha do comboio.
O dia seguinte, fomos tomar o pequeno almorço à “Confeitaria Nacional” da Praça da Figueira. Um lugar tradicional da Baixa Pombalina, cheia de história, encanto, e fabríco próprio.
O dia seguinte, sempre é dia de grandes passeios, lugares, recordaçóns passadas e xente amada que ficou para trás. E xá sabemos, como estas emoçóns abrem muito o apetite. Non sabemos bem como, mas fomos parar ao “Gambrinus”, que xá non é aquel doutros tempos, em que Gabino Gil levaba a comer a Torrente Ballester, mas, apesar de careiro non está mal de todo. Este restaurante sempre teve unha boa cozinha, mas, os tempos som complicados e um turismo de massas acaba por dar cabo de tudo. Désta vez comemos no balcón da entrada, mas, há pequenos detalhes que podem deitar a baixo um prestíxio de décadas:
Ésta sopa era boa, mas necessitaba ter o dobro do volûme, e ser servída nunha cunca em condiçóns, que non aumente a sensaçón de penúria.
Cataplana de marisco e peixe (garoupa), bastânte correcta. Manga lamináda e café de balóm.
O café, parece ser que non era certamente um “Malongo do Sul de Minas”.
De tarde, partímos para Sintra, para visitar o “Palácio da Regaleira”, a quinta do Monteiro dos Milhóns, um banqueiro doutros tempos. E logo de seguída o “Palácio dos Sete Áis”, onde a monarquía portuguesa se rendeu a Napoleón, e lamentábelmente depois, escapou para o Brasil escoltada polo inglês.
De noite, depois de muito buscar, para diante e para trás, tivémos que ir ao “Estoril Mandarim”. A verdade é que levaba anos querendo visitar este restaurante de mais de vinte anos de vida. É o lugar ideal para levar amântes e amigas. Fica no mesmo Casino do Estoril, enfrente dos xardíns, e o lugar é para cair as bragas.
A recepcionista é encantadora! Boa moça, alta, bonita (unha flor do loto), elegante e bem faláda. O local é desafogádo, pode-se falar sem incomodar os do lado, e temos cem pratos chinêses ao nosso dispor. É certo que a cozinha chinêsa é unha das duas melhores cozinhas do mundo, xunto com a francêsa, e bem merece um lugar deste caládo e beleza. É o lugar onde os orientais residentes em Portugal, celebram as suas cerimónias familiares.
Para a “Cozinha Chinêsa”, como para muitas outras cousas, reconheço a minha mais completa ignorância sobre a matéria. Habería que frequentar o local com mais constânça, e ir pedindo pratos diferêntes para saber o que é bom ou non, armado de unha paciência celestial. Ou fazer como nós, ir perguntando ao empregado de mesa, qual é o caminho a seguir:
Primeiro, foi unha sopa deliciosa (Won-Tun), que foi o melhor com diferênça que aquí comémos. Logo uns (Crepes à Cantonês) fritos, que non estabam nada mal. Depois, (Gambas salteadas) similáres às “al ajillo”. E, como prato principal (Pato assado à Pequim), o cuxo non me gostou demasiádo, mas, non obstânte, nos deu de comer a todos. A sobremessa foi (Tapioca com leite de coco), e (Barco de Banana).
A Laurinda, que foi um dos nossos descobrimentos recentes, era a cozinheira da “Flor do Carmo”, o restaurante que tinha o Albino da Rosária na esquina do Quartel do Carmo (famoso pelo quartelazo do 25 de Abril). Tem um restaurante modesto, mas muito limpo, e dado que os restaurantes bons que antes había em Lisboa, están em processo de extinçón, pensamos que ela era a soluçón para esta crise actual. Chamámo-la sempre dous dias antes, e pedímos-lhe que faga o que nós queremos:
Desta, foi, um “Caldo de Couve Lombarda”, muito tradicional e familiar. Um “Cherne com batatas no forno” e melón. Ameaçamos, seriamente com voltar um dia, como Pedro Homem de Melo, ainda que nos chamem traidores!
Um copo mediano de auga; trescentos gramos de fariña de trigo; unha culleradiña rasa de sal e dous ovos.
RECEITA:
Velaquí un producto directamente emparentado coas filloas, ás veces chamado freixó (como as próprias filloas) e feito a base de fariña de millo, auga e ovos. Mestúranse os ingredientes de xeito que se forme unha masa que irá á tixola exactamente igual que a masa das filloas. A diferencia estriba no grosor do producto, que lembra no seu aspecto a unha tortilla. Comvén deixar que se vaia facendo con pouco lume, dáselle a volta só unha vez e está lista en escasos minutos.
VARIANTES:
Hai quen prefire comelos con azucre ou mel por riba, mentres outros engádenlle anacos de touciño frito durante a coción. En moitos fogares facíase un prato de follados, amontoados uns sobre os outros, e servían de sustento varios días da semana, aproveitando deste xeito o tempo que habería que dedicar a cociñar para outras cousas. Así, cando a xente volvía de traballar a terra xa tiña a cea lista.
GALICIA PARA COMELA (VOLUME I) HÉRCULES DE EDICIONES S. A.
Esta separaçón ciência-relixión, embora debesse disfarçar-se num princípio sob unha concepçón “instrumentalista” da primeira (segundo a qual a ciência apenas construía hipóteses fictícias, sendo a verdade monopólio das Escrituras), era xá unha conquista muito moderna e com a qual Descartes se sentia à vontade, porque lhe permitia entregar-se libremente às suas investigaçóns, conservando o seu estatuto social e a sua fidelidade à educaçón recebida. De certa forma, Mersenne representaba o rosto amábel da Igrexa católica para com a nova ciência, um rosto que, embora parcial e nem sempre oficialmente sancionado, desempenhou um papel essêncial na divulgaçón das novas ideias. Tanto Mersenne como Descartes entenderom, portanto, que a maneira de combater a Reforma e a fúria anticlerical xá non podia ser um retorno a Aristóteles. Apenas assim se explica que fosse nesse círculo católico que se reuniram os intelectuais franceses do momento e se difundiram as novas ideias, entre elas o “atomismo”, o “heliocentrismo” e o “mecanicismo” (Mersenne defendeu e divulgou amplamente Galileu antes e depois da sua condenaçón definitiva). Entende-se pois que Descartes e o círculo de Mersenne tivessem ocupado um lugar peculiar neste clima “libertino” no qual as novas ideias científicas se misturabam com um último ressurximento da maxía ou da alquimia. Demasiado avançados para a doutrina oficial da Igrexa católica, sem dúvida, mas igualmente distantes a respeito do esoterismo renascentista, cuxo esgotamento começaba a mostrar claramente que se trataba apenas de um discurso insubstancial e nostálxico acerca de unha suposta sabedoria oriental perdida, da qual ninguém sabia nem tinha sabido nunca nada ao certo e que funcionaba mais como um código de adesón entre descontentes do que como unha alternativa real ao aristotelismo. No entanto, como se algunha cousa o incomodasse, Descartes decidiu abandonar subitamente París no final de 1628. É significativo que isso tivesse acontecido depois de unha audiência privada com o cardeal Berulle, cuxo protexido, Richelieu, tinha chegado ao poder e tentaba debilitar a influência exterior dos Áustrias e, simultaneamente, unha alternativa educativa católica aos xesuítas. Se a hipótese da espionáxem estiver certa, Berulle debe ter-lhe comunicado que sabiam das suas movimentaçóns com o inimigo e que non podiam garantir-lhe a segurança por mais tempo em França. Isso explicaría o exílio autoimposto (xá non voltaria a viver no seu país) e a mudança obsessiva de residência (polo menos dezoito vezes durante os quinze anos seguintes, algo insólito para um filósofo) durante a sua estada nas Províncias Unidas, nos Países Baixos do norte. A razón oficial, em qualquer caso, foi que Berulle o encoraxou a desenvolver as suas ideias e ele aceitou de bom grado procurar “a solidón perfeita nunha terra moderadamente fría, onde ninguém o conhecesse”.
Poucos quilómetros mais e estamos na Ponte do Mouro. O viaxante passa sem ver, porque o monumento fica a unhas dezenas de metros da nova ponte actual, num plano mais baixo, sobre unha apertada garganta do rio. Foi aqui que há precisamente seiscentos anos (aconteceu no dia primeiro de Novembro de 1386) se encontrarom o duque de Lencastre, que nessa altura se intitulaba rei de León e de Castela, e D. Joao I, rei de Portugal, e aqui se axustarom os termos de unha acçón militar conxunta e o casamento do rei português com D, Filipa de Lencastre. Fernán lopes conta com grande colorido esse episódio, que tivo consequências fecundas na história nacional. O duque, porque estaba casado com unha princesa castelhana (D. Constança, filha de Pedro, o Cru) reclamaba para si a herança da coroa de Castela. Organizou unha expediçón que embarcou em cento e trinta navios, onde trazia duas mil lanças e três mil archeiros e apareceu no porto da Corunha precisamente no vinticinco de Xulho, dia de Santiago. Os portugueses que vinham com ele sabiam que, no dia do apóstolo, non habia ninguém que non fosse em peregrinaçón a Compostela; por isso entrarom pola ria de Betanços onde estavam ancoradas as galés do rei de Castela e destruiram-nas depois de baldearem para os seus navios tudo quanto la acharom. O duque atravessou a Galiza sem encontrar resistência e veio-se aproximando lentamente da raia portuguesa. Instalou-se em Ourense, e diz-se que ali começarom as negociaçóns para a paz, ainda antes de tentada a sorte da guerra. Os mensaxeiros correrom a levar a notícia de que os Ingleses tinham desembarcado ao rei de Portugal, que naquela altura estaba em Lamego. A situaçón era melindrosa, porque os portugueses ainda estabam bem lembrados da salvaxaría brutal daqueles bandos de guerreiros, que no tempo de D. Fernando tinham deixado um sulco de terror nas rexións que atravessaram. Era verdade que vinham como aliados, e portanto era preciso recebê-los; mas também era necessário evitar que se instalassem em Portugal e devastassem a terra. Foi por isso que se marcou a Ponte do Mouro: “Acharam que era bem de se verem na Ponte do Mouro, entre Melgaço e Monzón, que eram dezanove léguas do Porto.” A data marcada foi o dia de Todos-os-Santos. Non houbo portanto pressa: de Santiago aos Santos ván três meses e cinco dias, tempo excessivo para atravessar a Galiza. Mas D. Joao I era prudente, dissimulado, precavido. Aquela aliança tinha de ser bem ponderada, e era preciso fazer preparativos para as pompas reais com que queria aparecer diante do duque: era aquela a primeira grande cerimónia em que aparecia no seu novo estado de rei. Além disso o duque chegava no tempo das vindimas; era preciso dar tempo aos labradores para fazerem o vinho e para guardarem as cubas a bom recato, onde os aliados as non vissem.
Íbico, igual que Estesícoro, procede da Magna Grecia: nasceu em Regio e foi enterrado na mesma cidade, mas cambiou Occidente pola corte de Polícrates, tirano de Samos, entre o 533 e 522 a. C., aproximadamente. Non é seguro que escrebera monodia. Foi conhecido como compositor de poemas narrativos com os mesmos temas e no mesmo estilo de Estesícoro, e o longo fragmento em papiro que lhe é atribuido (282a) tem a estructura triádica da poesía coral. Mas a natureza fortemente pessoal e erótica dos seus fragmentos mais conhecidos (286, 287) e o feito de que o companheiro de íbico em Samos fora Anacreonte, a maior parte de cuxa obra é monódica, deixa lugar à possibilidade de que parte da sua obra fora para executar em solo. O fragmento 286 pode considerar-se como unha reelaboraçón da comparaçón de Safo do amor com um vento de grande forza:
“Em primavera, os marmelos regados polas aguas correntes dos regatos, alí no xardím intácto das Virxens florecen, e rebrotan e crecen os cachos debaixo dos talos umbrosos dos pâmpanos. Mas conmigo o amor non descansa em ningunha estaçón, senón que, como o trácio Bóreas inflamado polo raio, precipita-se desde a casa de Cipris com abrasadores delirios, tenebroso e impertérrito axita com forza desde a raíz o meu corazón.”
Íbico contrasta a regularidade estacional da natureza com o seu amor omnipresente que non conhece estaçóns, e pôm ademais em contraste a tranquilidade da natureza, que ilustra com a repetida aliteraçón vocálica dos seis primeiros versos, e a dureza do ataque do amor. Resulta adequada a imáxe de que o amor “non descansa” en ningunha data. Ao descreber o vento do amor, íbico intercala os seus epitectos: “obscuro”, suxerindo as nubes arrastadas polo vento, mentras que “desvergonhado”, refére-se mais bem a um Amor personificado por Cipris. A imaxinaría do fragmento 287 resulta igualmente chocante:
“Outra vez Eros me mira com lânguidos olhos debaixo dos seus párpados azuis, e com múltiples feitiços me lança nas redes inmensas de Cipris. Tremo na verdade quando se acerca, como um cabalo de carreiras ganhador de trofeios antâno que, em torno da velhice, volta renuênte a competir com os carros veloces.”
A metáfora da caza na qual Eros conduce à presa às redes de Afrodita vai seguida suavemente pola imáxem da carreira de cabalos, e há tanto “humor” como “pathos” na descripçón do cabalo velho, victorioso em dias passados, mas agora renuênte para a competiçón.
Por outro lado, o protagonismo que a ciência e as suas aplicaçóns técnicas estabam a adquirir tinha unha orixem social e claramente práctica. O desenvolvimento das cidades obrigava a encontrar soluçóns para os problemas levantados pola construçón de prédios, o mobiliário ou a canalizaçón de água corrente, isto é, as necessidades humanas que os ingleses designarám como “confort”. Exemplo disso é a indústria do mobiliário em que os carpinteiros vam abandonando a elaboraçón dos móveis aristocráticos em favor de outros mais “confortábeis”; assim, os artesáns experimentam e procuram ferramentas de trabalho mais modernas. Também aparecem novas substâncias no mundo da farmacopeia e, graças à anatomia, os progressos em medicina e cirurxía som relevantes, criam-se escolas de cirurxía em Londres, Edimburgo e Berlim. Todos estes progressos derom orixem a um clima favorábel às descobertas científicas, e a ciência começou a ter interesse social. A astronomia, que permitia um melhor conhecimento do céu, tornou-se essencial para o comércio marítimo. A ciência estaba de moda e o progresso industrial, em andamento. A presença social da ciência institucionalizou-se e, em 1645, foi criáda a Royal Society de Londres para a promoçón dos conhecimentos naturais. Nasceu da vontade de coordenar as investigaçóns e conciliar os esforços dos filósofos orientados para o mundo e dos amantes das ciências, com o propósito de divulgar os avanços nos diferentes âmbitos do conhecimento científico. Apenas a experimentaçón representa a autoridade, e acerca dos factos e respectivas probas, dizia Newton, non se pode discutir. E Berkeley? A peripécia do nosso autor no mundo da ciência é insólita. No “Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano” e em “O Analista”, tentou refutar Newton, atacando a sua proposta de cálculo e os seus conceitos fundamentais da filosofia natural, como o movimento, o espaço e o tempo. Escreveu igualmente unha obra “De Motu”, acerca do movimento e das suas causas, e, no final da sua vida, imiscuiu-se no campo da química e da medicina ao publicar “Siris”, um ensaio dedicado a eloxiar as propriedades benéficas da água de alcatrón. Nada foi alheio a Berkeley, muito menos a matemática, a física ou a química.
O nosso sistema solar, pode ser a cousa mais animada que existe em trilións de quilometros, mas tudo o que é vissíbel dentro dele (o Sol, os planetas e as suas luas, os bilións ou mais de rochas cadentes da cintura de asteróides, cometas e vários outros tipos de detrictos à deriva) preenche menos de um trilionésimo de todo o espaço que existe. Também nos apercebemos rapidamente de que nenhum dos esquemas do sistema solar, que o leitor víu até agora está minimamente desenhado à escala real. A maior parte dos mapas escolares mostra os planetas uns a seguir aos outros, como bons vizinhos (em muitas imáxes, os xigantes exteriores chegam a proxectar as respectivas sombras no próximo), mas trata-se de um erro necessário, quando os queremos ilustrar todos dentro da mesma páxina. Neptuno, por exemplo, non está lixeiramente afastado de Xúpiter, está muito para além deste (cinco vezes mais lonxe de Xúpiter do que este está de nós, tán lonxe que só recebe três por cento da luz solar em comparaçón com Xúpiter. Tán grandes distâncias que, na práctica, se torna impossíbel representar o sistema solar à escala real. Mesmo que xuntássemos muitas páxinas desdobráveis aos libros escolares, ou usássemos unha longuíssima folha de papel para fazer os mapas, nunca chegaríamos nem perto. Num diagrama do sistema solar à escala, com a Terra reduzida ao tamanho de unha ervilha, Xúpiter estaría a mais de trecentos metros de distância, e Plutón estaría a dous quilómetros e meio (e tería o tamanho de unha bactéria, de forma que non o conseguiríamos ver). Na mesma escala, a Próxima de Centauro, a estrela mais perto de nós, estaría a dezaseis mil quilómetros de distância. E mesmo que encolhéssemos tudo de forma a Xúpiter ficar tán pequeno como um ponto final num fím de frase, e Plutón non fosse maior do que unha molécula, Plutón estaría ainda a mais de dez metros de distância. Portanto temos que ter unha ideia aproximada do mundo em que nos movemos!
Unha das questóns fundamentais apresentadas por Hannah Arendt, e que diferência a sua análise da dos outros autores, é o papel da sociedade na manutençón do totalitarismo, na aceitaçón desses passos para a violência extrema. Neste sentido, o totalitarismo non só implica unha forma de governo inédita e com características concretas, como produz unha sociedade, a sociedade totalitária, na qual a cumplicidade da populaçón e a aceitaçón da violência é a tendência mais xeral. Além disso, Arendt destaca unha série de traços desse tipo de sociedade. O que debemos sublinhar aqui é que esses traços non som exclusivos da sociedade totalitária; também os encontramos nas sociedades de massas modernas. O que o totalitarismo faz é aproveitar essas tendências presentes na sociedade de massas contemporânea para levar a cabo a implantaçón do terror. Como vimos, Arendt non apresenta em caso algum o aparecimento súbito do totalitarismo como algo abrupto na História. Polo contrário (e esta afirmaçón é recorrente nas suas obras), as condiçóns para o seu triunfo “xá estavam dadas”, o que implica a existência de um processo político e social que conduzisse ao domínio total. O totalitarismo limita-se a evidenciar essas tendências perigosas.
CASTRO, Américo (Río de Xaneiro, 1885 – 1972). Crítico literário e historiador espanhol, discípulo de Ramón Menéndez Pidal e de Francisco Giner de los Ríos. Foi professor em Espanha, em Hispanoamérica e finalmente em Estados Unidos. A. M. de Lera o descrebe como “quizás el más esforzado e profundo investigador de la realidad histórica de España”. As suas teorías aparecem principalmente em “Eapaña en su historia: cristianos, moros y judíos” (Buenos Aires, 1948; 1983) e “La realidad histórica de España” (México, 1954; 1966). Neles expón que o factor decisivo no desarrolho da cultura espanhola foi a cohexistencia destas três culturas. Também assenta que qualquer investigaçón que non se base na diversidade cultural da Península corre o perigo de non entender a natureza do espanhol. Esta teoría foi desarrolhada, ademais de nos libros xá citados, em “Origen, ser y existir de los españoles” (1959), reeditada como “Los españoles” (1965), “De la edad conflictiva” (1961), “Sobre el nombre y el quien de los españoles” e “Españoles al margen” (âmbas de 1973). A sua posiçón foi atacada por Claudio Sánchez Albornoz e outros historiadores e críticos. Outras obras suas forom menos polémicas: “Lengua, enseñanza y literatura” (1924), “Don Juan en la literatura española” (1924), “El pensamiento de Cervantes” (1925), “Santa Teresa y otros ensayos” (1932), “Lo hispánico y el erasmismo” (Buenos Aires, 1942), “Castilla la gentil” (México, 1944), “Antonio de Guevara” (Princeton, 1945) e “Cervantes y los casticismos españoles” (1966). Também fixo numerosas ediçóns das obras de diversos autores, entre eles, Juan de Mal Lara, Quevedo, Lope de Vega, Rojas Zorrilla, Tirso de Molina e muitos outros.
CASTILLO Y GUEVARA, madre María Francisca Josefa del (Tunja, Boyacá, 1671 – 1742). Escritora relixiosa colombiana cuxa autobiografía alcanzou grande popularidade. O seu pai era orixinário de Illescas (Toledo) e a sua nái era unha criolla colombiana. De oito irmáns, quatro entrarom em relixión. María Francisca entrou na Orden de las Clarisas Pobres à idade de vinte anos, depois de haber recibido unha educaçón estricta como era usual na época. Escrebeu a sua autobiografía, “Vida” (Filadelfia, 1817; Bogotá, 1942) por instruçóns do seu confessor, o padre Francisco Herrera. Também escrebeu unha patéctica e encantadora obra chamada no manuscrípto “Afectos espirituales”, publicada como “Sentimientos espirituales” (I, 1843; II, na “Historia de la literatura colombiana” de A. Gómez Restrepo, 1945-1946). Esta última foi sobrevalorada ao ser comparada com os escritos de Santa Teresa de Jesús. Também escrebeu poesía, mas non foi publicada.
CASTILLO SOLÓRZANO, Alonso de (Tordesillas, Valladolid, 1584 – 1648?). Autor de novelas picarescas e de obras teatrais. O seu pai esteve ao serviço do duque de Alba e el mesmo foi protexído polo marquês del Villar e polos marqueses de los Vélez. A sua melhor obra teatral é “El mayorazgo figura”, publicada por primeira vez em “Los alivios de Casandra” (Barcelona, 1640), que trata de las aventuras de um idiota com pretensiones. Os seus “Entremeses” forom publicádos em 1911 (NBAE, vol. 17). É conhecido fundamentalmente por ser o autor de obras de tipo picaresco, ubicadas num marco narrativo na linha de Boccaccio do Decamerón; sitúa as suas narraçóns quase sempre num escenário urbano ou cortesán. Estas histórias de evassón eludem o didactismo. A miúdo dán a impressón de estar escritas mecânicamente, como se o autor non puidéra sacar as suas personáxes da rutina das complicadas acçóns para profundizar um pouco nos seus motivos. Algunhas das suas narraçóns som: “Tardes entretenidas” (1625), “Jornadas alegres” (1626), “Tiempo de regocijo” e “Carnestolendas de Madrid” (1627), “Lisardo enamorado” (Valencia, 1629; 1947), “Las harpías em Madrid” e “Coche de las estafas” (Barcelona, 1631; 1907 com “Tiempo de regocijo), “Noches de placer”, que contém doze novelas (Barcelona, 1631; 1906; 1914; 1922), “La niña de los embustes”, “Teresa de Manzanares, natural de Madrid” (Barcelona, 1632); 1906; 1929), “Los amantes andaluces: historia entretenida” (Barcelona, 1633), “Fiestas del jardín” (Valencia, 1634, que contém quatro contos e três obras de teatro: “Los encantos de Bretaña”, “El fantasma de Valencia” e “El marqués del cigarral”, as famosas “Aventuras del bachiller Trapaza, quintaesencia de embusteros y maestro de embelecadores” (Zaragoza, 1637; 1944; 1949) e a sua melhor “secuela”, “La garduña de Sevilla, y anzuelo de las bolsas” (1642; 1922; 1942), “La quinta de Laura” (Zaragoza, 1649) e “Sala de recreación” (Zaragoza, 1649).
CASTILLO PUCHE, José Luis (Yecla, Murcia, 1919). Novelista e autor de libros de viáxes, que se deu a conhecer com um estudo sobre Baroja, “Memorias íntimas de Aviraneta” (1952). As suas novelas som “Sin camino” (Buenos Aires, 1956), escrita em 1947. “Con la muerte al hombro” (1954), “El vengador” (Barcelona, 1956), “Hicieron partes” (1957), “Paralelo 40” (Barcelona, 1963) e “Oro blanco” (1963). Afirma-se que se trata de um escritor moralista e católico, mas a sua observaçón da realidade resulta a miúdo intelixente, como mostrou desde a sua primeira novela, que é o reconto irónico da indecisón de um seminarista, entre a sua tardía vocaçón e o seu questionamento interno que tende para o anárquico. Está situada temporalmente nos inicios da guerra civil. “América de cabo a rabo” (1959) foi o seu primeiro libro de viáxes, seguido por “El Congo estrena libertad” (1961). Em 1977 escrebeu “El amargo sabor de la retama” e em 1982 publicou “Conocerás el poso de la nada”.
CASTILLO ANDRACA Y TAMAYO, fray Francisco del (Piura, 1716 – 1770). Poeta e autor teatral peruano. Foi conhecido como “El Ciego de la Merced”, pois neste convento servía como irmán lego. Ingresou em relixión aos quatorze anos e levou unha vida de meditaçón e de estudo. Muito conhecido pola sua habilidade como poeta improvisador, no estilo acostumado pola sociedade limenha do século XVIII. Escrebeu sainetes e obras teatrais imitando o drama do neoclassicismo françês. As suas obras forom editadas em 1948 por Rubén Vargas Ugarte.
CASTILLO, Hernando del (fl. 1510). Compilador do chamado “Cancionero general de Hernando del Castillo”. A sua obra tem grande importância para o estudo literário e documental dos reinados de Enrique IV e os “Reyes Católicos”, a mesma que o “Cancionero de Baena” e o de “Stúñiga”, ofertam para o de Juan II e Alfonso V de Aragón, respectivamente. O “Cancionero general de muchas y diversas obras de todos y los más principales trovadores de España en lengua castellana” (Valencia, 1511), contem 1.033 poemas escritos por 128 poetas, ademais de innumerábeis anónimos. Os poemas forom divididos em satíricos, morais e didácticos, devotos, galantes e os que forom escritos para xustas e torneos. A maioría dos poetas conhecidos na sua época están representados na obra: os Manrique, Cota, Sánchez de Badajoz, Álvarez Gato, Santillana, Mena, Montoro e Diego de San Pedro, entre outros. “A ediçón de Toledo” (1520) incluie 167 poemas mais, elimina outros muitos e altera as versóns impresas no anterior. “Rodríguez Moñino publicou unha ediçón facsimilar” (Madrid, 1958). A antoloxía foi muito popular no seu tempo e teve grande influênça nas várias xeraçóns literárias que se sucederom. Entre as reimpressóns podemos citar as de Valencia (1540), Zaragoza (1554) e Amberes (1557).