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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (78)
CULTO MEDICINAL
Os deuses curandeiros, proporcionaron um notábel continxente ó novo panteón. Os antigos acreditabam na realidade dos sonhos: a funçón do sonho, a sombra adaptada a todo corpo, suxeríu-lhe a ideia dos Spíritos, e da alma, e deu nascimento assimesmo à metafísica. O sonho provocado, foi um dos mais importantes descubrimentos da medicina antiga, era practicado nos templos de Esculápio, dos mais famosos e numerosos de toda a Grécia. Os templos de Esculápio, à par dos consagrados a Serápis, Minerva médica, a Chalcaz, a Podalgro filho de Esculápio, e a outras divindades médicas, teríam por anexo um hospital. No que, os que visitabam o lugar, eram consultados e submetidos a um rexíme especial – os doentes eram preparados para a curaçón, com um ritual determinado e unha dieta severa de quinze días; banhos simples ou termais, fricçóns, uncidos e fumigados. Como complemento estaba a suxestón, provocada polo anúncio repetido de curas milagrosas; a música, os cheiros de flores e de perfumes. Despois, quando os doentes estabam preparados, o sacerdote ordenaba o sonho com ademáns solemnes, e a imposiçón de mans, abrindo a porta do mundo suxestivo. Afirmaba Galenno: “Neste momento, o sacerdote mandaba como um xeneral ós seus soldados, e as curas eram frequêntes. É certo, que os médicos axudabam a divindade, para que se non enganara nas consultas suxeridas durante o sonho dos clientes, e que estas non tinham de sobrenatural mais que as aparências. Os antigos asignabam a certas divindades o poder de curar doênças específicas. Invocando a Apolo contra a peste; e a Hércules contra a epilépsia; a Igrexa Romana invocaba a Santo Roque contra a peste, e a Santo Valentín contra a epilépsia; Diana deusa da caza, curaba a ráiba dos cáns. A costume de dormir nos templos, para provocar sonhos susceptíveis de ser interpretados era xeral na antiguidade.
manuel calviño souto
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PLOTINO (ENCAIXAR A RAZÓN COM A RELIXIÓN)
Como em toda filosofía que se preze, há em Plotino elementos que convivem de modo problemático. Neste caso, estamos perante unha das tentativas mais ambiciosas da história da filosofía para encaixar a razón com o espírito relixioso. Por conseguinte, é muito importante esclarecer que a “mística” plotiniana (reunión e identificaçón da alma individual com o Uno-Bem) apenas se produz sobre o horizonte de unha construçón conceptual que deve ser estudada “antes”. O êxtase deve ser minuciosamente preparado por um prolongado esforço intelectual: esta é a mensaxem de Plotino, e o que faz dele aínda um grego. Unha filosofía non resolve um problema sem o ter apresentado de forma orixinal. O problema com que Plotino se confronta é o de como salvar “para a nossa própria experiência vital” um Deus que, tendo-nos criado, permanece, no entanto, infinitamente separado e, como Aristóteles e Epicuro tinham dito, alheio às nossas penúrias e necessidades. Plotino diz.nos que, para pensar adequadamente este vínculo com a divindade, é preciso ver que a alma non deve sair de si em busca de nada, pois essa procura nunca terminaria: a fuga é interior. A Amélio, um discípulo muito querido, disse: “Son eles os deuses, que devem vir até mim, e non eu a eles”. A alma contém, de forma latente ou em estado virtual, por causa da sua própria insensibilidade, todos os níveis ou “hipóstases” do divino. O seu trabalho será, entón, despertar e reavivá-los, libertando a sua própria potência. Voltar a ser “neles”. Na sua renovada concepçón da alma, Plotino tentará superar o dualismo e fornecer unha soluçón para o problema da incomunicaçón das substâncias (sensíveis e intelixíveis) que tanto ocupara os pensadores helenísticos.
ANTONIO DOPAZO GALLEGO
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POETAS DA TERRA (AIRAS NUNES)
QUE MUYTO MEU PAGO
Que muyto meu pago d’este verao
por estes rramos e por estas flores,
e polas aves que cantan d’amores,
por que ando hy led’ e sen cuydado;
e assy faz tod omen namorado:
sempre y anda led’ e muy louçao.
Cand’ eu passo per alguas rribeiras
so boas arvores, per boos prados,
se cantan hy passaros namorados
log’ eu con amores hy vou cantando.
AIRAS NUNES (CANTIGAS DE SANTA MARÍA Nº263)
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A TEORÍA DO “PRINCIPIO HOLOGRÁFICO” (F16)
Os filósofos, desde Platón até hoxe, tenhem discutido ó largo dos séculos sobre a natureza da realidade. A ciência clássica está basseada na crênça de que existe um mundo real externo cuxas propriedades som definitivas e independêntes do observador que as percibe. Segundo a ciência clássica, certos obxectos existem e tenhem propriedades físicas, tais como velocidade e massa, com valores bem definidos. Nessa visón, as nossas teorías som intentos de descreber ditos obxectos e as suas propriedades, e as nossas medidas e percepçóns correspondem-se com eles. Tanto o observador como o observado som partes de um mundo que têm unha existência obxectiva, e qualquer distinçón entre ambos non têm importância significativa. Em outras palabras, se vemos unha manada de cebras competindo por unha praza num garaxe. Todos os outros observadores que olharam mediríam as mesmas propriedades e a manada tería aquelas propriedades, houbera ou non alguém que as observara. Em filosofía, esta crênça é denominada “realismo”. Aínda que o realismo pode resultar unha posiçón tentadora, o que sabemos da física moderna fái difícil defendê-lo, como veremos posteriormente. Por exemplo, segundo os principios da física quântica, que é unha descripçón muito precisa da natureza, unha partícula non têm nem unha posiçón definida nem unha velocidade defenida, a non ser que – e até o momento em que – ditas magnitudes sexan medidas por um observador. Polo tanto, non é correcto dicer que unha mediçón dá um certo resultado porque a magnitude que está sendo medida têm aquel valor no instânte de efectuá-la. De feito, em alguns casos os obxectos individuais nem sequer tenhem unha existência independênte, senón tán só existem como unha parte de um conxunto. E se unha teoría denominada “principio holográfico” demostra ser correcta, nós e o nosso mundo quadridimensional poderíamos ser sombras da fronteira de um espaço-tempo maior, de cinco dimensóns. Em dito caso, o nosso estatus no universo sería literalmente análogo ó dos peixinhos do exemplo inicial. Os realistas estrictos a miudo argumentam que a demostraçón de que as teorías científicas representan a realidade radica nos seus éxitos. Mas diferentes teorías podem descreber satisfactoriamente o mesmo fenómeno através de marcos conceptuais diferentes. De feito, muitas teorías que tinham demostrado ser satisfactórias forom substituidas posteriormente por outras teorías igualmente satisfactórias basseadas em conceitos completamente novos da realidade.
stephen hawking e leonard mlodinow
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ESPINOSA (OS PARADOXOS DA RAZÓN)
A história do pensamento é pródiga em destinos inesperados. O que um dia esteve no cume non tarda a cair no esquecimento, o que parecía destinado ao desaparecimento acaba por perdurar. Erasmo de Roterdám foi, no século XVI, a personalidade mais destacada do humanismo europeu, um dos grandes impulsionadores da modernidade cultural, cuxa palabra era lei no continente, e hoxe é apenas leitura de especialistas. Voltaire deu nome a um século, o tán recente século XVIII, identificou-se, em grande parte, como o proxecto emancipador iluminista, foi eloxiado por Nietzsche na segunda metade do século XIX e teve um destino idêntico ao do seu predecessor humanista. Em determinada altura, a cultura foi hegeliana, quando se percebeu que a história da Humanidade tinha unha direcçón e um sentido precisos, percepçón essa que chegou a ser avassaladoramente hexemónica em vários períodos do século XIX e XX, e, hoxe em dia, quase ninguém quer recordar Hegel. Todos os indicadores condenavam a doutrina de Espinosa a um obscuro canto das enciclopédias. Este filósofo xudeu holandés do século XVII, condenado e excomungado, expoente máximo de unha corrente filosófica, o racionalismo, rexeitada de forma conclusiva por Immanuel Kant na Crítica da Razón Pura, pensador determinista que defendia que tudo o que acontece, acontece necessariamente e non podería acontecer de outra forma, que afirmou que Deus era a realidade e incluiu o ser humano nessa realidade necessária, non devería ser, de acordo com todos os prognósticos, um autor vivo, um contemporâneo nosso. A sua escrita sóbria, austera, até mesmo árida, está à marxém da literatura. A sua visón da existência humana é totalmente oposta à percepçón de liberdade como expontaneidade que se impôs no mundo actual. Nada em Espinosa se adequa facilmente ao século XXI. Mas, aínda assim, continua a ser um dos pensadores mais estimulantes, vigorantes e completos que algunha vez existiram. Talvez nenhum pensador anterior (excepto Platón) e muitos poucos posteriores a ele até ao século XX continuem a despertar tal interesse em tantos leitores. Três séculos e meio depois da sua morte, as suas ideias mantêm non só um enorme interesse intelectual, como a capacidade de axudarem as pessoas concretas a viverem na sua existência real: em particular, o seu estudo da psicoloxía humana é de unha modernidade e clarividência surpreendentes. É por isso que continua a ser lido na era das tecnoloxías.
joan solé
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“IL NASONE” (UM REI PINTORESCO)
Unha das cousas mais incompreenssíbeis, foi que o discreto Carlos III de Espanha tivéra unha descendência tán tríste e mediócre. O nosso Carlos IV; este Fernando IV de Nápoles e primeiro das duas Sicilias; e o inefábel infânte António Pascual. Fernando IV de Nápoles era um Borbón, a quem pola sua superlativa naríz, chamarom “il Nasone”. Era filho do nosso Carlos III e de Amalia de Saxónia e resultou bem diferente do seu grave pái. Quando Carlos III, rei de Nápoles, subíu ó trono espanhol em 1759, leva para Espanha a xóia do seu herdeiro, que será o nosso inimitábel Carlos IV, e deixa o Nasone em Nápoles. Pintoresco personaxem real foi o tál Fernando. A sua educaçón foi descuidada e os seus gostos populacheiros, prefigurabam a garrula imaxem do seu sobrinho, o nosso sinístro Fernando VII. Fernando o das narízes, era um personaxe popular, xá que non polas suas qualidades, mas sim pelas suas formas. Inculto, supersticioso, em lugar de dedicar-se às amenas artes do “ganchilho”, como o seu réxio irmán Carlos IV, era um obsseso da caza e da pesca. Os embaixadores extranxeiros ficabam suspensos ante a sua habilidade para despedazar as grandes pezas de caza e o seu coloreado linguaxem para vender por si mesmo o peixe no mercado. Alí habia que vê-lo, vestido como os pescadores – calzas, camisa aberta sobre o peito peludo, barretina roxa que parecía um gorro fríxio -, apostrofar alegremente ós compradores remissos e insultar aos competidores com um napolitano agressivo e torrencial. Penso que ao leitor pode divertí-lo que nos detelhamos ante este pintoresco personaxe a quem nada puido fazer perder o seu bom humor: nem o desterro, nem as adversidades militares, nem as quebras políticas. Tudo lhe era indiferente e a sua pereza era tal que se negaba até a servir-se do carimbo com a sua firma, que se había imaxinado para evitar-lhe o trabalho de trazála. A xustíza distributiva que acostuma sentar-se detrás dos tronos, fixo que este personáxe casara com unha mulher para quêm a política o era tudo: María Carolina de Austria, filha de María Teresa e irmán de María Antonieta. É dicer, primeiro estivo prometido à sua irmán, a archiduquesa Josefa, mas ésta morreu de vexigas em Viena. O seu prometido decidíu em Nápoles guardar o decoroso luto de um día e deixar os seus prazeres habituais, prazeres da caza e da pesca. Aborrecido no seu palácio, decidíu celebrar os funerais da sua prometida. Para fazê-lo buscou o seu mais xovem chamberlán, que era um mozo adamado e fino. Fixo-o vestir de princesa, meteu-o no caixón, e para melhor finxir as pústulas da varicéla, moteou o seu corpo com manchas de chocolate á espanhola. Logo o cortexo fúnebre, com escoltas e cantando o “gori-gori”, recorreu, com o caixón aberto, à usanza napolitana, útil neste caso, para que o efebo non se asfixiára, nas salas do palácio de Portici. Fernando, gráve e grotêsco, oficiaba como maestre de cerimónias. Aconteceu que o embaixador de Inglaterra se presentou em palácio para expressar o seu pésame e encontrou ésta lúgubre paródia. O pobre embaixador escapou correndo e xurando que em efeito, Fernando tinha narízes. Non esquéçamos, repito, que “el Nasone” era irmán de Carlos IV de Espanha e do infante don António Pascual. Casado com a irmán da archiduquesa Josefina, um irritante animal político, tivo de ver como o seu reino era gobernado por um inglés, o amante da sua mulher, sir John Acteon, e polo embaixador de Inglaterra, milord Hamilton, cuxa mulher, Emma Hart, antiga moza de pousada, foi querida de lord Nelson, a quem “el Nasone” fixo príncipe napolitano de Bronte. Ó fím Napoleón botou do reino toda a tribu. E na adversidade pode advertir-se o paralelo entre dous nécios memorábeis: o rei da Prusia Federico Guilhermo III e este Fernando IV. Ambos se quedaron tán frescos, e foron as suas esposas a rainha Luisa de Prusia e esta María Carolina, as que mantiverom o fogo sagrado. A rainha de Nápoles tivo mais sorte, e por poucos dias viu a derrota de Napoleón (morreu em 1814 em Viena). O seu esposo voltou ó trono e ó cabo de poucos dias da morte da sua mulher, casou com a sua querida de turno, Lucía Migliaccio, à que fixo duquesa de Florida. Passou a ser em 1816 Fernando I rei das duas Sicilias. Reprimíu a revolta do xeneral Guilhermo Pepe com a axuda das tropas pontifícias, perseguíu ós Carbonários, cometeu mil exacçóns e finalmente morreu em1825, deixando um reino em plena descomposiçón, unha duquesa de Florida, feita um mar de lágrimas e um sucesor que, por incríbel que pareça, resultou mais incapaz do que el. Referimo-nos ó seu filho Francisco I.
HISTÓRIA Y VIDA
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HANS-GEORG GADAMER (VIDA LONGA EM TEMPOS TERRÍVEIS)
Hans-Georg Gadamer nasceu a 11 de Febreiro de 1900. Um biógrafo minucioso sublinha que fazía exactamente 250 anos nesse día morrera Descartes, cuxa proposta, fundadora da Modernidade em filosofía, ia terminar a sua fase de vitalidade às máns da crítica deste recêm-chegado ao mundo. Embora a cidade em que Gadamer nasceu tenha sido Marburgo – e que foi capital na sua formaçón universitária – , foi Breslau o lugar que marcou a sua infância. O pai de Gadamer era investigador em química para aplicaçóns farmacêuticas, de modo que peregrinaba, com unha certa frequência, de universidade em universidade. A infância non foi feliz o irmán mais velho sofría de epilépsia crónica, e, a longo prazo, teve um papel culpabilizante na vida do seu brilhante irmán mais novo; a nái morreu cedo, debilitada por partos malsucedidos e abortos; unha madrasta, desde os seus seis anos, non despertou no rapaz ecos afectivos especiais. Hans-Georg esteve, em boa medida, encarregado do irmán doente, Willi, até que o pai decidiu o seu internamento num sanatório (dentro do qual, xá muito sozinho, sobreviveu até às penúrias do final da guerra, ou sexa, aínda perto de 30 anos). O pai era muito autoritário e foi vendo com progressiva desaprobaçón como o filho se inclinaba para os estudos literários, que ele qualificaba como palabreado. Non se trataba de unha opinión de pouco peso, vindo daquele entusiasta partidário de Bismarck que chegou a ser reitor da muito prestixiosa Universidade de Marburgo (que xá o era, por exemplo, quando o seu filho Hans-Georg aí se doutorou). Apenas mais adiante pôde Gadamer pensar meio a sério que a sua vaga predisposiçón relixiosa (que se saiba, nunca actualizada nunha fé concreta ou na pertença real a unha igrexa, embora tenha sido baptizado e confirmado no cristianismo luterano) era herança da nái que non conheceu. No que respeita aos deveres militares, que xá teriam podido alcançá-lo na Primeira Guerra Mundial, o xovem Gadamer viu-se dispensado por problemas de saúde. Além disso, sentiu fortemente, à volta do final daquela desgraça, a atraçón do círculo neorromântico do poeta esotérico Stefan George que definitivamente o afastou de algunha veleidade de proximidades ao nacionalismo paterno untraconservador. Foi precisamente em 1918 que Gadamer se matriculou em filosofía alemán na Universidade de Breslau. Acidentalmente, quando os seus professores o decepcionabam nésta matéria, assistiu a aulas sobre orientalística e filosofía. Acabou por se deixar deslumbrar pela forma de neokantismo que em Breslau era fomentada pelo notábel escritor Richard Hönigswald (de orixem xudáica e, por sinal, condenado fulminantemente pelo relatório do reitor Heidegger, em Junho de 1933, ao ostracismo universitário).
miguel garcía-baró
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¡ÁI AMIGOS, QUEM ME DERA, VIVER NO TEMPO PASSADO!
fado
O vocábulo, é um substantivo masculino, do latím “fatum”, a mesma palabra que deu orixem a “Fada”. Sinónimo de destino, sina, sorte, fortuna ou fatalidade. O destino estabelece a ordem natural do universo, unha forza humanamente insuperábel. É importante perceber este significado, para se entender esta cançón portuguesa. Eu, dada a minha tendência para unha heterodóxia, xá conxénita em mím. Atrevido, como todos os ignorantes, teimo em suspeitar que este xénero musical, vêm de lonxe. Que vêm do “cérne” colectivo, da alma antérga de um povo de “trovadores” e de “bardos”. “Na sua forma habitual é cantado por unha voz – a voz fadista – ; mas também pode ser cantado por mais vozes e “à porfía”, o que caracteriza o diálogo das desgarradas. É acompanhado normalmente por guitarra portuguesa e viola de fado, podendo-o ser também por outros instrumentos como baixo, contrabaixo, piano, violoncelo, violino e até mesmo por orquestra. Quanto à indumentária, a mulher fadista enverga ós ombros um “xaile” sobre um elegante vestido, enquanto o home traxa de fato. Musicalmente, o fado assenta nunha estructura rítmica baseada em compassos de divisón binária. A base harmónica é efectuada pela viola, utilizando os bordóns como acompanhamento de baixo na tónica e na quinta alternadamente, usando as restantes cordas como suporte harmónico. A guitarra portuguesa embora participe na harmonia tem um papel mais melódico de contra-canto, acompanhando a voz ou alternando com esta. A voz, embora ritmicamente estexa suxeita ao suporte rítmico, tende a libertar-se, expandindo-se, por vezes libremente, com ênfase. Os fados terminam na sua maioría em cadência perfeita, havendo algunhas excepçóns no Fado Menor que finaliza em suspensón. A base rítmica e melódica do fado tradicional assenta na trindade do “Fado Menor”, “Fado Corrido” e “Fado Mouraria”. O Fado Menor é triste e melancólico e tem unha toada lenta em xeito de balada, sendo um dos mais interpretados. Apesar de ser composto em tons menores, diz-se ser o “maior dos fados”. O Fado Corrido caracteriza-se por ser alegre, dançábel, ter um andamento rápido e ser composto em tom maior. O Fado Mouraria é saudoso, cuxa composiçón também é em tom maior com um ritmo moderado. Apartir de 1930, aparece o fado cançón, que se distingue por ter refrán, afastando-se da sua xénese e aproximando-se de outras músicas populares mais comerciais. O fado tem a particularidade de poder ser cantado com poemas diferentes na mesma música e de ser cantado de forma diferente com o mesmo poema. Fado é também o nome comúm atribuído à própria cançón, cuxos temas abordados non diferem muito dos orixinais: a saudade e o destino, o amor e o ciúme, a tristeza e o sofrimento, a traxédia e a desgraça, mas também pode ser irónico e divertido, tecendo críticas políticas e sociais. Em suma, a poesia fadista reflecte as venturas e desventuras da história e do quotidiano do povo português. Para além de Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro, as figuras de maior relevo son actualmente: Carlos do Carmo, Camané, Mariza e Ana Moura. Habendo unha predisposiçón natural e um gosto especial por este xénero nas novas vozes que ván surxindo todos os anos.”
Ái amigos, quem me dera,
Viver no tempo passado.
Em que a Maria Severa,
Era a rainha do Fado.
fado portugal
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HUSSERL (A IDEIA DA FILOSOFÍA)
E agora, a “ideia da filosofía” (e até nos abstemos do respeito ou talvez do receio que o mero som desta palabra, puro grego, nos suscita à partida: xá disse, esqueçamos, por favor, tudo o que sabemos de filosofía – até o seu nome e o sabor do seu nome). “A vida non se pode viver sem exame; non devo simplesmente ser o filho de meu pai; necessito acima de tudo verdade e bem, verdade sobre o bem; tería de me responsabilizar com absolucta radicalidade por cada unha das teses que, por admití-las, me fazem viver como vivo”. Mas é que além do mais a sociedade devería organizar-se com cidadáns que participem destes mesmos ideais e non como sempre parece ter sido. Um filósofo pouco posterior a Husserl e que o apreciaba, mas que também escrevía muito bem e era poeta, espelhou esta situaçón global do ser humano em termos extraordinariamente úteis. Gabriel Marcel, com efeito, tornaba explícita a diferença entre a filosofía e o que aínda non o é – embora se lhe pareça – propondo que mantenhamos bem separados os “problemas” dos “mistérios”. Um “problema” é, como diz com precisón a palabra (puro grego também) um “obstáculo”. A imaxem quase inevitábel da nossa vida é a de um traxecto, o mais recto possíbel, mas que costuma cruzar-se com escolhos, e tem entón de inventar algo para ultrapassar estes “problemas”: contorna-os, salta por cima deles, bombardeia-os… E a vida passa, só que agora armazena um saber novo no seu repertório: tal problema soluciona-se desta ou daquela maneira. Este prosseguir da vida na sua traxectória é encontrar no campo do “mundo” ou no oceano da “realidade” unha facilidade, um espaço aberto (que em grego se diz “poro”). Mas também non se pode duvidar – outra certeza básica, pois entón – que há ocasións especialmente prementes ou aflictivas (passamos ao latim: “estreitas”), isto é, sem espaço para se sair, atravessando-as, contornando-as ou bombardeando-as. Estes xá non son problemas, antes literalmente, “aporías”. Como se fôssemos de cabeza contra a parede, sem poder deter o ímpeto da vida. Parece que vamos morrer esmagados por esse obstáculo xigantesco. Se calhar, damos voltas sobre nós próprios a fím de adiar em ván o choque. Por sinal, Sócrates atribuiu a orixem vital da filosofía non a nenhuma “curiosidade” saudábel ou doentia, mas a um âmago de angústia, e na tentativa de os solucionar reside o princípio das ciências e das técnicas, primas da filosofía.
miguel garcía-baró
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A GALLEIRA DE MAELOC
A GALLEIRA DE MAELOC
Alá, polos meiados do século quinto da nossa era, as hordas de bárbaros xermánicos, invadiron as terras do sul da ilha de Gran-Betranha. E os Celtas Bretóns, viron-se na necessidade de buscar unha nova terra. Muitos deriváron cara à Armórica (Gália), e os outros vinhéron estabelecer-se na costa septentrional da Galleira. Trouxeron tudo o que podiam portar, gando, maneiras de viver, mas sobre todas as cousas a sua música. Comandados pelo Druída Maeloc, aquí, nestas verdes terras, talmente as suas, atoparon o fogar de unha nova pátria, e nela permanecem xá para sempre.
mensaxem
Vinde à terra do vinho, deuses novos!
Vinde, porque é de mosto
O sorriso dos deuses e dos povos
Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.
Houve Olimpos onde houve mar e montes.
Onde a flor da amargura deu perfume.
Onde a concha da mao tirou das fontes
Uma frescura que sabia a lume.
Vinde, amados senhores da juventude!
Tendes aqui o louro da virtude,
A oliveira da paz e o lírio agreste…
E carvalhos, e velhos castanheiros,
A cuja sombra um dormitar celeste
Pode tomar os sonhos verdadeiros.
miguel torga
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LEIBNIZ (ARTICULAR MATEMÁTICA COM DIREITO)
A reflexón levada a cabo no pequeno bosque de Rosenthal confrontou Leibniz com a realidade: tinha de aprofundar o estudo da matemática, que, como vimos, non era o forte da Universidade de Leipzig. Por este motivo, durante o semestre de verán de 1663 pede transferência para a Universidade de Jena, onde dava aulas Erhardt Weigel, um matemático de renome, além de filósofo moral e do direito, que tentava dar resposta às contradiçóns dos escolásticos com demonstraçóns matemáticas nas suas aulas. Weigel teve unha grande influência em Leibniz também com os seus escritos, nos quais, baseando-se no método demonstractivo de Euclides, empreendia unha reforma da filosofía e da ciência, propondo a reconciliaçón entre Aristóteles e os modernos como Bacon, Hobbes e Gassendi, sob a ideia de unha “scientia generalis (ciência xeral); é preciso destacar aqui que Weigel só se permitia fazer alguns comentários críticos sobre Descartes nas suas aulas, xá que este estaba proscrito das universidades alemáns – sobretudo das faculdades de teoloxía, tanto católicas como protestantes -, pelo que nenhum professor ousaba defender as ideias cartesianas em público sob pena de ser expulso da sua cátedra. Isto fez com que surxissem sociedades mais ou menos secretas onde se podía discutir com liberdade as ideias filosóficas; era este o caso da Societas quaerentium, presidida por Weigel em Jena, que reunía semanalmente estudantes e professores. A partir deste momento, Leibniz aprende a frequentar este tipo de associaçóns, nas quais era possíbel trocar verdadeiramente o saber, unha actividade que repetiria nas diversas cidades europeias que visitou ao longo da sua vida.
concha roldán
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“SOPLÓN” E “GORRÓN”
A um artista que comezaba a ser famoso e que, por frequentar o “Molino Rojo” do Paralelo, acreditaba estár destinado à gloria de Toulouse Lautrec, aínda lhe adeudo cem pesetas; vinte machacantes do ano 60, que xa nunca poderéi devolver, porque non recordo nem o seu nome. Ós anarquistas do Paralelo debo-lhes um sentido da vida, dívida mais impagadeira todavía. E áqueles polícias chulangáns e corrompidos, debo-lhes a “manta de hostias” que me arrearom, quando descubriron que era amigo de anarquistas, e que andaba de “soplón”: de “gorra” e de “soplón”! Ir de “gorra” era o de menos, porque tampouco eles pagabam e tinham “barra libre” em todos os “tugúrios” e todos os “garitos”, mas descubrir que era um “cantarra” sentou-lhes muito mal. E moeron-me a paulazos, e graças que non me detiverom por “comunista”, que houbera sido pior. No fundo, foi um detalhazo. A vinganza, nunca me pareceu um sentimento nobre; mas a tunda foi tal que, quando descubrim que ó Mellado lhe tinham pegado um “sifilazo” incurábel, me alegrei de todo corazón. As putas do Barrio Chino, pagadas por algúm mafioso cansado de extorsóns e “mordidas”, tinham-se confabulado para perder ó Mellado. E encargarom à mais podre de todas, a “Veneno”, assí se chamaba, para que lhe pega-se o mal. Quando o Mellado estaba borracho xa non miraba com quem se encamaba. E, algunha vez a punta de pistola, tinha votado da cama dunha puta a outro cliente, que xa tinha pagado o “serviço”. O Mellado, era um “poli” de “película”; chulería pura e matonismo legalizado: um autêntico “rei da noite” e “capitán de bandoleros”. Com tanto desarranxo, raro que o mal non o houbera colhido antes, Ao descubrir a infecçón, quixo matar a Veneno, dum tiro no conho; mas, para entón a Veneno, consciente das consequências do encargo cumprido, xa se tinha esfumado. Entón, o Mellado quixo liquidar a todas as putas que tinha “traxinado”; e as outras tamém. Non tivo tempo! A Sífilis foi maligna e instantânea! Enseguida tiveron que levá-lo ó hospital, secçón de incurábeis. O mal foi, que xá vinha incubando fai tempo. Enterrado com grandes honras, e feitas as loas fúnebres pelo mesmo xefe superior da polícia.
javier villán e david ouro
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HEGEL (UNHA SALGALHADA)
Um importante filósofo espanhol explicaba, com algunha ironia, o seu desconcerto quando, no início de uns estudos de filosofía tán brilhantes como iconoclastas, decidiu ler xuntamente com um companheiro a obra mais conhecida de Hegel, a Fenomenoloxía do Espírito. Despois de algunhas horas de luta com a primeira páxina, tiveram de pedir axuda, xá non devido à dificuldade para seguir a argumentaçón, mas, sobretudo, para saber sobre o que o autor estaba a falar messas primeiras linhas da sua obra. Hegel é certamente difícil, e o seu estilo, sem dúvida, pouco cartesiano. No entanto, a maior dificuldade, quando lidamos com ele – e non apenas quando nos iniciamos na sua leitura – é unha inevitábel cisón interna. Non se pode ler Hegel de unha maneira distanciada ou fría, como quem simplesmente desexa saber o que diz um autor, retardando até lá o xuízo sobre ele. Sem unha disposiçón favorábel e, atrever-me-ia a dizer, entusiasta, os textos de Hegel (sobretudo o texto central chamado Ciência da Lóxica) son, na minha opinión, literalmente impossíveis de suportar. Mas, ao mesmo tempo, a leitura vê-se constantemente perturbada por unha sombra de suspeita sobre a lexitimidade non apenas de algunhas das proposiçóns que o autor vai avançando, mas sobretudo do tortuoso caminho que nos conduz até elas. No primeiro capítulo deste pequeno libro veremos que, nesta disposiçón ambivalente, a desconfianza acaba muitas vezes por se impor, de tal forma que alguns dos mais ilustres leitores de Hegel tornaram-se nos seus mais acérrimos críticos
víctor gómez PIN
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A TEORÍA DA REALIDADE SIMULADA (F15)
Assím pois, que sistema se axusta melhor à realidade, o ptolemaico ou o copernicano? Ainda que é bastante habitual que se diga que Copérnico demonstrou que Ptolomeo estaba enganado, isso non é verdade. Tal como no caso da nossa visón e na dos peixinhos do aquário redondeado, podemos utilizar ambas visóns como modelo do universo, xá que as nossas observaçóns do firmamento podem ser explicadas, tanto se supomos que a Terra ou o Sol están em repouso. Apesar, do seu papel nos debates filosóficos sobre a natureza do nosso universo, a ventaxa real do sistema copernicano é simplesmente que as equaçóns de movimento som muito mais simples, no sistema de referência em que o Sol está em repouso. Um tipo diferente de realidade alternativa se presenta no filme de ciência ficçón “Matrix”, na que a espécie humana vive sem sabê-lo nunha realidade virtual criada por ordenadores intelixentes para manter-nos satisfeitos e em paz, mentras os ordenadores sorbem a sua enerxía bioeléctrica (sexa isso, o que sexa). Mas talvés non sexa tán descabezado, porque muita xente prefere passar o seu tempo na “realidade simulada” de páxinas “Web” como “Second Life”.
stephen hawking y leonard mlodinow
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