Categorías
Arquivo
- Agricultura Alimentación Anonymous Arquitectura Astronomía Blogs para curiosear Bos desexos Cerebro Cine Darío e Breixo Economía Educación Frutais Futuro Historia Humor Indignados Libros Lingua Literatura Medios de comunicación Monte Comunal Natureza Poesía Política Procomún Publicidade Sidra Socioloxía Software libre Tradicións Viaxes Xadrez
Arquivo por autores: fontedopazo
EM NOME DE GUILLADE (XXII)
A Aldeia de Guillade, parte dunha orixem territorial mais antiga do que a época baixomedieval. A organizaçón do território eclesiástico e senhorial define-se habitualmente polos accidentes naturais (montes e rios) e fragmentam-se a partir do século XI e XII a medida que o espaço eclesiástico se organiza em base ás comunidades rurais em crescimento. A edificaçón de novas igrexas, para dar solucçón ás necessidades relixiosas das comunidades agrárias (vencelhadas ás antigas “villae”) fomentará a apariçón dum território eclesiástico definido pola proximidade dos feligreses á sede parroquial e dos próprios limítes naturais. Como sinala Sánchez Pardo: “o obxectivo teórico da rede parroquial, é a cobertura mais eficaz possíbel dum território, atendendo concretamente ao reparto da poboaçón nel.” Será deste xeito que poidamos comprender como um antigo território como o de Guillade se reduza em superfície, a partir dos séculos XI ou XII a medida que se vaian criando novas igrexas parroquiais e xurda a necessidade por parte da sede episcopal de marcar limítes entre as novas feligresías que estabam nascendo. A distancia entre vecinhos e igrexa e os elementos próprios da paisaxe natural, rios e montes, definirám a nova identidade territorial.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
O BUDA DE FRANKFURT (36)
O ser individual que foi Arthur Schopenhauer deixou de existir a 21 de septembro de 1860, víctima de unha pneumonia, com unha serenidade que non conheceu em vida. Por ser verdadeira a sua doutrina metafísica, restituiu a sua singularidade ilusória áquela vontade universal que agora se manifesta, incessante, em quem isto escreve, em quem isto lê. Um xornalista popularizou a alcunha de “Buda de Frankfurt”. Pelo que xá sabemos, este epitécto pode ser válido para caracterizar parte do pensamento de Schopenhauer, mas non a sua vida. Também non é rigorosa a classificaçón de pessimista se formos para lá da sua filosofia. Schopenhauer soube tirar prazer da literatura e da arte (Nietzsche escreveu: “Pergunto-me, por acaso, se um negador de Deus e do Universo que toca flauta pode realmente chamar-se pessimista”), non se absteve do contacto com mulheres e teve o dom de amar a montanha. Pôde levar a vida de filósofo que desexava, conhecer o pensamento dos grandes espíritos de todos os tempos e elaborar um sistema próprio. Nunha nota privada, do tempo em que escrevia “O Mundo”, analisa-se: “o resultado deste conhecimento é triste e aflixe, mas o estado de conhecimento, a adquisiçón de saber profundo, o acesso á verdade, son extraordinariamente aprazíveis e, embora pareça estranho, acrescentam unha parte de doçura á minha amargura.”
joan solé
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (6)
Aproximandose o três de Abril Páscua de Ressurreiçón, polas três da tarde, chegou o nosso amantíssimo Jesus em máns de “supercheros”, dando as misteriosas visitas, estava a minha nái convalescente e tinha unha peseta, e eu tinha outra, mas como nos facia falta, e também non chegaba non lhe puxo dinheiro á Crúz, eu sain para detrás da casa e non biquei a Crúz, mas puxem-me a escuitar a conversa, como non viron dinheiro saíron furiosos pola porta fora, entón foron ó Cotinho, e ó vir de volta com rosto carrancudo. “Bem, sabes unha cousa; pois há que confessar-se e administrar-se, entendes, quanto mais antes-; Arre Corno! Dixo o Cura, Vilar, pagou trinta mil”. Questóns embrigueiras. O vintiseis de Abril de 1904, eu ainda andava descalzo, tinha uns zapatos velhos e dixo-me o zapateiro Xavéco que mos gobernava e que aguardaria polo dinheiro, tan pronto gobernados, fixo-me pagalos no acto. pedindo-me unha galinha a por ovos. Eu roguei a Deus e ó demónio. Pola alta noite, vem unha cousa p’orriba da casa dando pios como a rapinha e ó mesmo tempo imitando unha voz chorosa, aguda e rápida, e ás duas da noite continuava. O dia doze de Maio de 1904 (Ascensón) levantei-me sem novidade, mas pensando na minha sorte; a camisa que vestia era unha arruga; fretin duas sardinhas e depois de almorzar fun na direcçón de Fontan, encontrando vários pequenos e pequenas no caminho com os quais me divertin um pouco. Profecia Realizada. Nunha noite sonhei que andava dançando com unha rapariga chamada Maria Rosa do Irra, mais tarde fun a unha festa em Guillade; chamei unha a dançar e non quixo vir, chamei outra sem saber quem era, só despois vim que era a que fora sonhada, noutras tivem mais sonhos que quedaron esquecidos; sentia unha desconsolaçón imensa, unha pena interna; a minha nái queixava-se que lhe tinham inchado os pés, e tivem medo que morrera, ós poucos dias puxo-se pior, levantou-se polas dez da manhan e todo o dia estivo ó arredor do lume, acto seguido, voltan os seus lábios a dedicar-se ás pragas.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
DERIVA HISTÓRICA
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO (A BOMBELA)
Este é um xacimento, que non figura nos rexistros oficiais, e que soubemos dele graças á memória acumulada das xentes. Eu pensava que ésta era a capela de Sta. Lianor, facendo derivado a Lianora de Marcos, mas resulta que a referida senhora, non era nativa de Mourigade, senón asturiana. Mas, como a minha prodixiosa memória, xá começa a falhar, sei que lin possivelmente no Catástro de Ensenada, onde figura a tal capela de Sta. Lianor, hoxe em dia desaparecida. Por outra parte, poderia ser a antiga igrexa de Uma, anterior á construcçón da actual, pois o terreno parece ser de Uma, no bairro do Carrascal, e tudo acaso provenha da cercania de ruínas romanas. O caso é, que pouco se sabe ó certo, somente que na Bombela há restos de unha capela antiga, que forma parte do nosso passado oculto, sepultada baixo a terra dos tempos.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
PARERGA E PARALIPOMENA (35)
Em 1851, publicou-se “Parerga e Paralipomena” (título em grego que significa “fragmentos e omissóns”), um extenso conxunto de textos de temas muito variados: sobre tudo ética, mas também história da filosofía, críticas à universidade, valoraçóns literárias, reflexóns sobre a relixión e a imortalidade, o sexo e muitos outros assuntos. Son, como anunciava o subtítulo, escritos filosóficos menores, se é que están dentro do âmbito da filosofia; em suma, como dizia o seu autor, era a sua “filosofia para o mundo”. Son, antes de mais, reflexóns dispersas e sem ligaçón directa, escritas ao longo dos seis anos anteriores e compilados nesta ediçón. O opúsculo mais longo deste livro variado é “Aforismo sobre a Sabedoria da Vida” (ou “Sobre a Arte de saber viver”), um conxunto de reflexóns bastante pessimistas sobre o mundo e o modo de evoluir nele, unha “filosofia práctica” para sobreviver na sociedade moderna. Bastante pessimistas, mas non tanto como a filosofia séria de “O Mundo”. Em “Aforismos”, a negatividade aparece atenuada. Há, por assim dizer, um fundo duplo: demonstra-se que, apesar de tudo, é possível seguir em frente. É o texto mais conhecido do autor e também o mais citado. Em parte, este sucesso é lamentável na medida em que, non pertencendo ao corpo central da filosofia de Schopenhauer, os “Aforismos” eclipsaram a sua obra principal. Non son verdadeiramente filosofia porque non formam um sistema coherente e articulado, faltando-lhes unha base metafísica. Son unha série de comentários escritos por um autor intelixente e um observador atento, mas non por um pensador xenial. É como se Mozart fosse conhecido pela “Pequena Serenata Nocturna”, que é bastante bonita mas unha insignificância ao lado das suas várias peças mais importantes; é como se Beethoven fosse conhecido por “Para Elisa”. É precisamente devido ás suas debilidades que os “Aforismos” son mais fáceis de compreender e, por isso, son a sua obra mais popular. “Parerga e Paralipomena” foi um éxito de vendas dos finais do século XIX. Este sucesso de vendas arrastou-se aos livros anteriores, que foram reedictados a pedido de um público subitamente entusiásta. Depois de unha vida de ostracismo sombrio, o filósofo ficou bastante agradado com a repentina fama e a afluência de visitantes, alguns de bastante lonxe de Frankfurt; costumava dizer que “O Nilo chegou ao Cairo”. No meio século após a sua morte foi um dos escritores mais conhecidos da Europa.
joan solé
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (5)
Eu estava enxuíçado porque tinha que ir ó tribunal de sesións, por via do “Sorteo militar” que se verificava o dia vinticuatro de Xaneiro de 1904 e estava na mais pura desgrácia e pobreza infinita, e o dia 18 apurei a minha nái (Febreiro) que me afiança-se pra Buenos Aires ó que ela se negou, e ós poucos dias, eu puxem-me mais doente, com o mesmo catarro, etc… O vintisete de Abril de 1904 caíu a minha nái doente, aumentando-lhe a enfermedade de forma perigosa e permaneceu enferma cinquenta e sete días, sem ter recursos ninguns. Despois de passar oito días, trouleava, decindo cousas surpreendentes, quando eu estaba entretido, e quando eu escuitava, ela calaba, no meio da enfermedade quedou sem fala completamente por uns oito dias. Eu non fixem sacrifícios ninguns, senon colher unha vela, logo ó redor dela lin-lhe unha oraçón misteriosa. Levantou-se pola primeira vez o trinta de Março de 1904, quedando impossibilitada para o trabalho leve por alguns meses. O dia vintisete de Março de 1904 assistín na Igrexa de Guillade com o meu primeiro ramo, cheguei ás doze á casa e encontrei a minha nái queixando-se com o mal que traía, despois eu fun para Matamá e fixem unha vinha, despois retornei prá casa e fun escribir unha carta á Carmela da Furuda, sendo causa de eu perder o rosário aquel día. O vintioito de Março de 1904, tinha ido por unha arada (cabar) até ás doze, acto seguido entrei na casa e como demorei vinte minutos, começou a minha nái, a que fosse botar a toura, e a botar pragas que era um barbarismo, pois pra facela calar foi preciso bater-lhe, parecia que estava endemoniáda, quedei tan inxuriado que quixem ir ó Serviço Militar voluntáriamente…
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
O MUNDO (34)
Em 1844, publicou-se a segunda ediçón, bastante aumentada, de “O Mundo como vontade e Representaçón”. Ao primeiro volume, surgido em 1818, apenas foram feitas correcçóns menores e, no essencial, permaneceu idêntico ao texto orixinal. O autor estava convencido da verdade incontestável da sua vison orixinal que non queria fazer as mínimas alteraçóns. A novidade desta edicçón estava num segundo tomo, ainda mais extenso que o primeiro, formado por “complementos”. Trata-se de ampliaçóns e esclarecimentos do enunciado em 1818. Retomando a imagem dos círculos concêntricos na água, son anéis mais amplos, mais afastados do centro essencial, dependentes dos círculos interiores; também son mais abranxentes e, frequentemente, mais nítidos, de contornos mais firmes. Schopenhauer explica, no prólogo a esta segunda ediçón, que propon duas visons da mesma realidade, unha pertencente á xuventude e outra á idade adulta. Ainda haveria unha terceira edicçón de “O Mundo” (com 136 páxinas adiccionais), em 1859, um ano antes da morte do seu autor, quando este xá era célebre.
joan solé
Publicado en Uncategorized
EM NOME DE GUILLADE (XXI)
Nas fichas do inventário municipal de Pontareas de 1958 aparecen os montes Albelle e Pedreira, aquí apresentamos os seus resumos:
“Ficha 22, “Albelle”, Guillade, lugar de Albelle, Linderos: N. Propiedad de Angel Sebastian Montero y otros. S. Propiedad de Julio Miranda y otros. E. Propiedad de Francisco Martínez y otros. O. Propiedad de Avelino Rodríguez y otros. Superficie: 15 hectáreas. Aprovechamiento, Forestal. Naturaleza del domínio: Patrimonial-própios. Título: Posesión inmemorial. Signatura en el registro de la propiedad: Tomo 201, fol. 48, finca 19740.
Valor que corresponde en venta: 6.000 pts.
Frutos y rentas que produzca: aprovechamientos forestales y pastos.
Se adjudicaron 10.000 m/2 a efectos industriales en el año 1977.”
“Ficha 23, “Pedreira”, Guillade, lugar de Pedreira. Linderos: N. Propiedad de Angel Sebastian Montero y otros. S. Propiedad de José Maria Torres David y otros. E. Propiedad de Inocencio Gómez Francisco y otros. O. Propiedad de Antonio Rodríguez y otros. Superfície: 31 hectáreas. Aprovechamiento, Forestal. Naturaleza: Patrimonial-Propios. Título: Posesión inmemorial. Signatura en el registro de la propiedad: Tomo 201, folio 53, finca 19745.
Valor que corresponde en venta: 10.000 pts.
Frutos y rentas que produzca: aprovechamientos forestales y pastos.
Esta finca ha sido permutada en el año 1973, previa la correspondiente autorización del Ministério de la Gobernación, con la Delegación Nacional de Sindicatos, siendo baja en el Patrimonio Municipal.”
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
SOBRE A VONTADE NA NATUREZA (33)
Em 1836, publicou o breve trabalho “Sobre a Vontade na Natureza”, que compilava desenvolvimentos contemporâneos das ciências naturais ou empíricas (astronomia física, anatomia comparada, “psicoloxia das plantas”) que, em seu entender, suportavam as teses metafísicas sobre a obxectivaçón da vontade enunciadas em “O Mundo”. Esta obra associa-se, naturalmente, ao livro segundo de “O Mundo”, o dedicado á metafísica da natureza. Em 1839, escreveu dous opúsculos éticos de grande fôlego: “Sobre a liberdade da Vontade Humanas” e “O Fundamento da Moral”, concebidos para dous concursos lançados, respectivamente, pela Real Sociedade Norueguesa de Ciências e pela sua homóloga dinamarquesa. Ambos foram publicados em 1841, num único volume intitulado “Os Dous Problemas Fundamentais da Ética, fazendo parte do núcleo essencial da filosofia de Schopenhauer: encaixam no livro quarto de “O Mundo”.
joan solé
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (4)
Pragas. O dia dous de Decembro de 1903 saín a botar a toura, e pola traer algo cedo para a casa, porque estava frío, a minha nái começou a berregar comigo e a botar pragas decindo: malos caminhos tu leves, malas desgrácias eu vexa em tí, malas balas te taladrem, etc… O dia vintinove de Maio de 1904 fun a Trancoso e dixerom-me vários rapazes que era cedo para a temporada, que non habia Senhores. O día seis de Abril de 1904 (quarta feira) quatro días antes da festa das Angustias, vem o Queimadelos de Ponte, ordenan-me para seguir com a escola por conta da rexente quatro meses, fixome ir sete veces a cobrar e non cobrei nada, e só por manha lhe agarrei vinte reais, e despois deixeia até hoxe. O quince de Xaneiro deste mesmo ano fun á festa a Sto. Amaro de Cumiar, e deixeime estár até ás dez da noite. A xente de Guillade tinha marchado toda, non habia lua e facia um escuro horrível e chuviscava e quando vinha perdin-me no caminho, indo cair em regatos, atravessando cabadas, valados, etc… Quando me dem conta onde estava aparecin na Rega-da-xeiras, sem saber por onde vinhera. O oito de Abril de 1904 fún ó Serán-nocturno de Guillade d’arriba bailando muito com unha discípula (Maria Rosa da Lomba) e o dezanove do dito mes encontrei-me com um catarro, dor de cabeza, fríos, temblor no corpo, que me durou por nove días.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
FRANKFURT (32)
Em 1831, houve unha epidemia de cólera em Berlim. Unha das vidas ceifadas pela epidemia foi a de Hegel, e o filósofo de quarenta e cinco anos non quixo correr o mesmo risco. Depois de algunhas hesitaçóns e de ter viaxado muito durante a última década e meia, Schopenhauer decidiu fixar-se em Frankfurt am Main, cidade que escolheu pelo clima, pela fama dos seus médicos e pela seductora programaçón de peças de teatro, óperas e concertos. Viveria em Frankfurt durante os vinte e sete anos seguintes, até á sua morte em 1860. Neste quarto de século final, fez como o seu admirado Kant, estabelecendo um ríxido plano de hábitos que repetia, sem falha, dia após dia, mês após mês, ano após ano. No essencial, eram os mesmos hábitos que adquirira na sua fase de estudante em Gotinga. Instalado, primeiro, em duas divisóns e, depois, em todo o rés-do-chan de unha casa, levantava-se ás sete, tomava um banho frio e, tendo como pequeno-almoço non mais do que unha chávena de café forte, punha-se a escrever até ao meio-dia. Depois, abandonava a tarefa do dia e dedicava-se a tocar flauta, durante unha hora, instrumento que nunca deixou desde a lonxínqua época em que o pai lhe deu permissón para comprar unha de marfim em Le Havre; normalmente, interpretava algunha peça de Rossini adaptada só para flauta. A seguir, ia almoçar a um restaurante elegante, sempre o mesmo: o do hotel Englischer Hof. Voltava a casa e ali ficava até ás quatro, hora a que saía para um passeio diário de duas horas, fizesse o tempo que fizesse, acompanhado do seu proverbial can de água. Ás seis, ia á biblioteca para ler o Times (um hábito herdado do pai) e depois assistia a alguma peça de teatro ou a um concerto, até que a gradual surdez lhe estragou estes prazeres e teve de prescindir deles. Xantava num restaurante ou num hotel e, se non entabulasse unha discussón que lhe interessasse, voltava para casa, entre as nove e as dez, para se deitar cedo; caso se envolvesse em alguma conversa, podia falar longa e continuadamente, com engenho e erudicçón, até altas horas. Na cama, antes de dormir, lia unhas páxinas do “Oupnek’hat, que lhe lembrava que tudo é uno antes de desaparecer num pequeno sonho dentro do grande sonho da vida. Schopenhauer manteve unha intensa actividade intelectual até ao seu último dia de vida. Além disso, em Frankfurt, recuperou a criatividade que tinha ficado um pouco esquecida na fase final da etapa berlinense (entenda-se por esta etapa non só os anos que viveu na capital prussiana, mas todo o tempo que levou até cortar por completo o vínculo com a universidade e com a amante).
joan solé
Publicado en Uncategorized
DERIVA HISTÓRICA
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042057
A Mâmoa e o petroglífo do coto da pedreira
Este desafortunado xacimento arqueolóxico da nossa aldeia, foi o que mais sofreu. Non a mans da Santa Inquisición, mas agredido por unha lexión, de cacíques, labregos e marinheiros de água-doce. Por isso, escrebemos estes artigos, para evitar que as novas xeraçóns, sigan mostrando o mesmo desprezo pelos seus tesouros escondidos. E pensen, que a maioria dos Torques que andan por esses museos fora, sairon desta terra dos mortos. Aquí, todos os males se conxuraron na contra do infeliz, foi como xá vem sendo habitual, cortado por pista florestal, queimado por incêndios cíclicos, os seus grandes pinheiros furados por um taladro, e a sua mâmoa convertida em churrasco folklórico. ¡¡Bonito espectáculo!! O que nos pode dar unha ideia clara, do terreno que pisamos neste país e nestas nossas xentes.
a irmandade circular
Publicado en Uncategorized
ENTRE AUTOR E TRADUCTOR (31)
A partir de entón, Schopenhauer levou unha vida de inflexível isolamento e de obstinada timidez, tendo como grandes escapes a música (tocava flauta e assistia a concertos), a escrita e a leitura, os passeios, o teatro e, por último, mas non menos importante, os prazeres sensuais da boa comida e dos bons charutos. Concebeu o proxecto de traduzir várias grandes obras literárias para aleman, xá que o seu xénio estilístico e o completo domínio do inglês e do francês o colocavam numa excelente posiçón para desempenhar essa tarefa. Entre as obras que se propôs traducir estavam os “tratados sobre relixíón” do céptico escoçês David Hume e “A Vida e as Opinións do Cavalheiro Tristan Shandy”, do anglo-irlandês Laurence Sterne, um extraordinário romance cómico que Schopenhauer considerava a melhor obra narrativa xuntamente com o “Quixote”, com a “Nova Heloísa”, de Rousseau, e o “Wilhelm Meister”, de Goethe; nenhum destes proxectos encontrou um edictor receptivo. Também propôs a um editor inglês traduzir para a sua língua “A Crítica da Razón Pura”, de Kant, o que, se tivesse sido aceite, teria sido magnífico para a história da filosofia, xá que ao profundo conhecimento das línguas de partida e de chegada acrescentava-se o facto de Schopenhauer ter sido um dos maiores conhecedores de todos os tempos do idealismo transcendental de Kant. A sua proposta de traduzir Goethe para francês também non encontrou eco. A única traduçón que acabou por fazer, para alemán, foi de “A Arte da Prudência”: Oráculo Manual, do xesuíta aragonês Baltasar Gracián, um “manual de sobrevivência” ou breviário ético que, a partir de unha visón extremamente pessimista da natureza humana, dá concelhos e regras para sair o mais ileso possível das relaçóns sociais e passar por este mundo de unha forma decorosa e sem dor. Entre autor e traductor, deve ter sido o combinado com maior concentraçón de pessimismo de toda a história literária.
joan solé
Publicado en Uncategorized
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (3)
Sucesso em Pías. O once de Xulho de 1903 fun a Ponte, e encontrei-me com Fernandes, logo fomos a San Benito de Pías, chegamos alá ás dez, estando eu e o meu companheiro comendo e bebendo, pegou-me unha cousa aturdita pola cabeza e, unha afliçón correndo-me formigas por todo o corpo e, faltando-me a vista e como que iba arrebatado polos aires. Saín de xunto do meu compaheiro sem decir-lhe nada, e fun caír na porta da Igrexa, dando um golpe na sen, e xa non me levantei até que unhas pessoas caritativas me puxeron de pé. Despois o meu companheiro puxo-me debaixo dunha vinha, onde quedei dormido até que me despertei. Logo, malamente puidem vir polo meu próprio pé. O día dezanove de Novembro de 1903, polas três da tarde, deu-me por todo o corpo um temblor e um frío abdominável com dor de ossos e de cabeza e, unha tosse espantosa, assaltando-me logo um catarro pulmonar, mas non podia tosser que mo impedia a dor de cabeza, parecia obra de maxía, pois pola omnipotência e graça do Senhor, se me aliviou polas doze do día seguinte.
manuel calviño souto
Publicado en Uncategorized
CURSOS NA UNIVERSIDADE DE BERLIM (30)
Durante a década seguinte, viveu em vários lugares, embora nunca se esquecendo de Berlim, cuxa Universidade anunciou, intermitentemente, os seus cursos ao longo desse período. Na capital prussiana, teve a relaçón sentimental mais longa da sua vida, com unha corista do Teátro Nacional que acabaria por dar á luz um filho ilexítimo de outro homem. Porém, apesar disso, sustentou-a económicamente durante mais alguns anos. Em 1822, fez unha segunda viagem a Itália e, no regresso, foi obrigado a permanecer um ano em Munique, muito doente e aflixido por diversas maleitas físicas (como o início de unha surdez que se ia agravando), complicadas por crises nervosas e depressóns; na cidade bávara, o seu carácter tornou-se totalmente amargo e intensificaram-se, se ainda fosse possível os seus traços de sociopatia. A sua evoluçón na idade adulta reproduzia, com precisón, a do pai e, antes deste, a da sua avó. A base xenética da família tinha qualquer cousa que parece precipitar fatalmente para a melancolia e para a obsessón.
joan solé
Publicado en Uncategorized












