
Isto, em quanto às acçóns naturais. E no que respeita às voluntárias, ¿no é certo que o pintor pintará melhor, o escultor esculpirá melhor e o citarista tanherá melhor usando medios e instrumentos mais perfeitos que usando uns mais imperfeitos? ¿É que vai cantar bem um rouco, dançar bem um coxo, escreber bem o maneta? ¿Puido acáso a natureza idear um instrumento mais perfeito que a mán? Ningúm, sem dúvida, como muito bem afirma o nosso Galeno (De usu partium, I). Agora bem, o mais perfeito de todos os animais, o home, para produzir obras mais perfeitas que as dos outros animais, necesitou o instrumento também mais perfeito de todos. ¿É que, se este tivéra sido mais imperfeito, tería podido o home levar a cabo tantas e tán perfeitas taréfas como as que realiza? Non, penso eu. Mas ¿a onde nos leva tudo isto? A probar que tudo o perfeito produze o perfeito, e que se vale do perfeito para a sua producçón. ¿Que se segue de ahí? Isto: que a alma humana perfeitíssima entre todas as criaturas de Deus, necesita um corpo perfeitíssimo para realizar a mais perfeita de todas as acçóns das que é capaz, a saber, o conhecimento perfeito. Dirás: ¿cómo é isto?, a intelecçón non depende do corpo nem recebe axuda algunha dele, senón que é levada a cabo somente pola alma. Isto é falso, como temos probado noutro lugar. Non tem sentido afirmar que a alma entende, como tampouco o tem afirmar que ouve. É o home quem fái ambas cousas, servíndo-se nos dous casos do corpo e da alma, e executando qualquer outra cousa com os dous à vez: non fará nada sem que os dous axudem, colaborem e actúem. Mas, se te manténs nas tuas afirmaçóns, próbo-o unha vez mais. ¿Por qué é éste mais docto e aquél menos? A alma é em ambos igualmente perfeita. Logo a deficiência está no corpo, como tú afirmabas. Logo o mais docto alberga um corpo mais perfeito, sexa qual for o modo como o use, bem para imaxinar, bem para entender. Logo o doctíssimo alberga um corpo perfeitíssimo, e este é o que verdadeiramente sabe. Como debe ser um corpo perfeito, xá o temos dito. E posto que nunca se encontra um así, tampouco se encontrará nunca um conhecimento perfeito, nem, por ende, ciência, que resulta ser o mesmo.
FRANCISCO SÁNCHEZ