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FATIAS-DE-PARIDAS

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               Rabanadas Antigas. Rabanadas douradas ou Fidalgas. Rabanadas Minhotas, e por fim Rabanadas ou Fatias-de-paridas.  Somente o nome, xá nos dá unha ideia clara da potencialidade reconstituinte das referidas rabanadas.  Isto, á parte, do gratificante sabor destas lambonadas supremas, capazes de satisfazer unha nái.  Leva-se três decelitros de leite a ferver, com duas colheres de sopa de azúcar e unha casca de limón.  Batem-se quatro ovos, muito bem batidos, de modo que a clara quede imperceptível.  Corta-se um pan de Cea em fatías, com perto de um centímetro e meio de grossor, logo passam-se primeiro polo leite e despois pelos ovos.  Fritar em óleo bem quente e escorrer sobre papel ou um pano, servir espolvilhadas de azúcar e canela.   ¡¡Saúde e ganas de comer!!

a irmandade gastronómica 

 

PROFESSOR PRIVADO NA UNIVERSIDADE DE BERLIM (29)

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               De regresso á Alemanha, confirmou que a sua obra tinha passado completamente despercebida.  Ninguém fez o mínimo esforço para a promover e non fora publicada qualquer crítica positiva.  Com o conflicto económico ainda por resolver e a perspectiva de se tornar num escritor famoso em suspenso, o filósofo que vivia de rendimentos começou a preocupar-se com a sua subsistência e optou por pedir um lugar de docente á Universidade de Berlim.  Em 1820, conseguiu um lugar como professor privado, ao qual non correspondia um salário directo, nem por parte da instituiçón nem por parte do Estado, estando apenas garantido o pagamento dos alumnos que se inscrevessem  nos seus cursos.  No exame, colocou em causa um dos membros do xúri, o eminente Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que fez um comentário errado e foi corrixido, em primeiro lugar, pelo próprio Schopenhauer e depois por outro membro do Xúri.  Seria a única satisfaçón que lhe daria o cargo de professor.

joan solé

EM NOME DE GUILLADE (XX)

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               Testemunha José Estévez Gil, fol. 30:  ” Al noveno dijo que es cierto/ por la misma razon de ser su/ parroquia inmediata a la de/ S. Miguel de Guillade que los vecinos/ de la misma desde tiempo inme/morial y a continuacion de/ sus Causantes se hallan en la/ quieta y pacifica posesion/ de los montes siguientes/ El nombrado de Alvelle, y por otro nombre,/ Gramil y Eyra da Mó que constitu/ye todo, confinante por norte monte/ Comun de la parroquia de Santiago/ de Oliveyra y montes particulares deno/minados Vasende y Carulo, sur mon/tes tambien particulares de Cavada/ de Grandal y Cavada del Yglesia/ y naciente Cavada de Pedro y Cavada/ vella de particulares, y poniente co/munes de las parroquias de San/  Felis de Celeiros y Santiago de Oliveyra/ y dehesa nacional quedando enel in/termedio el pinar Real/ El monte de Pedreyra conocido tambien por los/ nombres de Rebordiños,  Fonte lagarta/ y Santo Tomé, confinante por el norte/ con monte Comun de la parroquia/ de S. Ciprian de Mouriscados,  sur/ Cavada do Campo da Bouza de las/ pertenencias de Juan Candeyra Francisco/ Gregores y otros particulares, naciente/ Comunes de la parroquia de de S./ Andrés de Uma y montes de Revor/diño de Francisco Gregores y otros par/ticulares, y poniente con Comunes de la/ parroquia de S. Estevan de/ Cumiar y montes particulares de/ Cavadas de Agoeyro, monte de/ Valongo y Cavada de ventura/ tambien de particulares, le interme/dian varios Caminos particulares/ y la Carretera antigua.”

               Outras testemunhas como Andres Soto, Domingo García, Juan Manuel  Alcalde, Francisco Álvarez, Bautista Carrera, Antonio Redondo, Manuel González Cerqueira ou Miguel González falarán nos mesmos termos dos montes comúns de Guillade.  O resumo queda no cadro sinóptico do expediente, tanto para os montes de Guillade como de Santiago de Oliveira (figs. 1,2,3).

a irmandade circular

ITÁLIA NO HORIZONTE (28)

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               O período passado em Dresden deve ter sido unha experiência extáctica e prolongada, na medida em que essa combinaçón é possível.  Pelo que nos cabe depreender das notas do próprio autor e de alguns testemunhos, estava radiante, fazia monólogos durante os passeios, que lhe serviam para modelar e estructurar as ideias, e enredava-se em longas discussóns em locais públicos frequentados por escritores.  Na apresentaçón, foi referido o afastamento por que passou a relaçón entre o edictor F. A. Brockhaus, de Leipzig, os seus sucessores e Schopenhauer.  O que non é de estranhar se xuntarmos ao seu carácter arrogante o facto de os seus livros só se terem começado a vender xá  a década de 1850 ia bastante avançada; simplificando, desde 1818, son quase quatro décadas de cartas muito impertinentes e saldos muito negativos.  Até 1828, quase todos os exemplares da primeira ediçón foram destruídos para, pelo menos, recuperar o papel.  Para isso, faltava ainda unha década e Schopenhauer acalentava grandes esperanças para o seu livro;  non contava com menos do que unha apoteose imediata.  De setembro de 1818 a agosto de 1819, ofereceu a sí próprio unha viagem a Itália, como prémio pelos anos de trabalho, com o non muito secreto desexo de ouvir, no país transalpino, os ecos da sua aclamaçón na Alemanha. Non ouviu nada, claro, mas visitou Veneza, Roma, Nápoles e Milán.  Ainda tivo tempo para se envolver em vários conflictos dialécticos (recorde-se, por exemplo, o que xá foi dito na apresentaçón a respeito do Café Greco de Roma) e para ter unha aventura galante em Veneza.  A mala xestón do capital que tinha investido nunha empresa de Danzig obrigou-o a regressar precipitadamente á Alemanha.  Confirmou que os seus anos de aprendiz de comerciante non tinham sido em van, tendo conseguido recuperar todo o seu dinheiro ainda que, para isso, tivesse de fustigar durante meses o desafortunado xestor.  O filósofo talvez tivesse um accesso privilexiado á “consciência melhor”, mas lidava igualmente bem com a “consciência empírica”.

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (2)

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               Lira   O dia vinte de Septembro de 1903 tinha-me chamado o Sr. José Rey Fernandes para decir o que eu visse por unha questón que traía unha pessoa de Lira, chamada Ana Maria, da qual saímos nós com victória, terminando o xuízo o cinco de Novembro do dito…  Fixen um viaxe a Ponte, dalí a Leirado, para consultar unha “Sybilla” (Vª,.).  Regresando por Vilacoba e sentín tocar as campanas de Guillade, mais adiante giaron-me até á igrexa de Vilacoba, cheguei ó rio diante do qual estivem titubeando trinta e cinco minutos para conseguir passa-lo.  Logo de passar o rio, e por-me a salvo em caminho conhecido, larguei dous pistoletazos.

manuel calviño souto

O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÓN (27) N

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               Em 1814 Schopenhauer tinha as ideias xá claras mas faltavam-lhe elementos fundamentais para estar completamente convencido da solidez do seu sistema.  Primeiro teve unha intuiçon decisiva: apercebeu-se, como nunha revelaçón, de que o seu próprio corpo, o seu corpo individual, é a manifestaçón objectivada de um desexo, de unha força querente, esta força desexosa, cuxa essência é o querer, é cega, carece de conhecimento e de obxectivo consciente ou de finalidade; e non está só nele, mas em todos os seres individuais,  orgânicos e inorgânicos.  Em segundo lugar, Schopenhauer estabeleceu unha conexón decisiva: a compreensón de que as Upanissades, Kant e Platón se referiam á mesma realidade, que as suas noçóns, tan diversas e inconciliáveis na aparência. Tinham encaixado na perfeiçón no seu pensamento e que esta insuspeita ligaçón lhe permitia criar unha metafísica e unha teoría do conhecimento orixinais, revolucionárias, das quais se desprendiam unha estéctica e unha ética xá non coherentes ou complementares, mas consubstanciais a elas.  O sistema foi forxado em cinco anos de paciente reflexón e árdua labor, como sabemos pelos manuscritos preparatórios.  Só faltava pô-lo por escrito, em bom alemán, e a Schopenhauer non faltava xénio literário.  No principio de 1818, ao fim de apenas um ano de escrita.  “O Mundo como Vontade e Representaçón” ficou concluído.

joan solé

DERIVA HISTÓRICA

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XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA 36O42ACH-16

                      UTIL LÍTICO DE O CALVÁRIO

              Este xacimento arqueolóxico, tem unha Área de Proteçón de Xacimento Arqueolóxico, que levou um susto de morte, ó ver que a pista florestal talhou o seu borde sul, e depois baixou outra do Coto da Pedreira, que xá non tivo misericórdia e o partiu ó medio.  Parece ser, que tenhem um olfacto especial para facer pistas florestais que cortan xacimentos xustamente pola mitade.  Ainda que eu penso, que désta vez foron enganados, pois creio que este xacimento non se encontra aquí, senón mais abaixo, na fronteira com Uma.  Cousa que se fái ás vezes, para protexer os restos arqueolóxicos dos “cazadores de tesouros”, que é também um tipo de fauna que, existe neste mundo traidor.

a irmandade circular  

O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÓN (26)

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               Afuxentado de Weimar e consciente de que a sua obra-prima tinha amadurecido o suficiente no seu interior, Schopenhauer procurou um lugar para se fixar e poder trabalhar com toda a calma e concentraçón de que necessitava.  Tinha de ser unha cidade que lhe aferecesse unha boa biblioteca para as suas investigaçóns, museus, vida social nas doses necessárias (doses homeopáticas, para se ser mais concreto)e, ao mesmo tempo, fácil acesso ao campo para poder dar os seus grandes passeios.  A cidade escolhida foi Dresden, capital da Saxónia.  Aí produziria a sua obra magna e viveria entre 1814 e 1818, exactamente cem anos antes da Primeira Guerra Mundial, que tan bem ilustraria a sua visón sobre a violência no mundo; tal como o bombardeamento aliado, que arrasaria a cidade em 1945.  Em 1813, Dresden fora o cenário de um sangrento confronto entre tropas prussianas e francesas; no campo de batalha, proximo da cidade, ficaram perto de dez mil mortos e mais de duzentas casas foram danificadas ou destruídas.  Segundo os biógrafos, ao chegar a Dresden,  Schopenhauer xá tinha definido com clareza as ideias fundamentais, e até as secundárias, do seu sistema filosófico.  Em 1813, estabeleceu, no seu diário, unha distinçón fundamental entre “consciência empírica” e “consciência melhor”.  A primeira era a do dia a dia, tendo as questóns prácticas como referência, com obxectivos, causas e efeitos, com unha separaçón inequívoca entre o suxeito cognoscente e o obxecto conhecido;  a segunda era extraída do querer e do desexar, do espaço e do tempo, situada nunha dimensón de lucidez serena que capta imediatamente, sem conceitos, o ser profundo da realidade (a denominaçón “consciência melhor” non entra, como tal, em “O Mundo”, mas o seu sentido conserva-se na contemplaçón estéctica e no distanciamento em relaçón á vontade).  Num caderno de 1814 está escrito;  “O mundo é a minha representaçón e o seu motor é a simples vontade”, aforismo que, além de ser, na sua primeira parte, o início de um dos mais famosos livros de filosofia, contém a concepçón fundamental de todo o tratado.  Por isso, os quatro anos de trabalho em Dresden foram, provavelmente, de aperfeiçoamento e combinaçón de ideias, tal como de escrita, mais do que de concepçón de novas noçóns.  E aprofundou, e muito, o seu conhecimento das “Upanissades” e do pensamento hindu.  Cada vez que encontramos em “O Mundo” unha referência ao “Véu de Maya” – o engano e a ilusón da diversidade e da pluralidade do aparente -,  á unidade do todo, á reencarnaçón, á dissoluçón do eu na totalidade, estamos a ler, directa ou indirectamente, as “Upanissades”.

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (1)

ICASA DO MOTRETA1779

               Meus queridos e amados leitores:  Por tradiçón vou-vos contar o seguinte: -Nascim o once de Outubro de 1884, na hora once do día, no lugar da Portela, Parroquia de Guillade districto consistorial de Ponte.  Quedei sem nái por esta ir de ama de cría para Ponte. onde fun, enxendrado, ficando eu com unha avó que segundo decian eu a titulava de nái (Manuela Anta), que em paz descanse).  Faltando-me o amor materno, dabam-me leite de cabra, dos dous meses do meu nascimento até ós catorce meses em que regressou a minha nái de Ponte.  Tendo que voltar a partir dalí a alguns meses.  Me puxem afinhado, por falta do que a natureza permite ós recém nascidos, por meio do amor maternal, etc…  Desde que tinha sete anos levou-me unha tía minha para o monte a guardar um rebanho de ovelhas, levavam-me ó colo por veces, dando-me côdeas de pan afumado.  Naqueles tempos a minha querida nái conservava o milho ó fumo da cozinha, non tendo um cabaceiro de seu; andava descalço e com a roupa rota, etc.  Despois dalgum tempo, quedei xá de pastor até ós once anos, quando ingressei no coléxio particular de Guillade (do Professor Sr. Avelino).  Ós poucos meses fun de criado para Santiago de Oliveira (Sr. Andres), assistindo oito dias, acto seguido fun para a casa do Casal da dita Oliveira,  entrou comigo força de superstiçón e efeitos sobrenaturais que era impossível estar tranquilo;  non facia senon chorar, unha tristeza irressistível e fortes lamentos do corazón, e logo atacoume unha capa daquilo que um home busca e non quixera encontrar.  Em 1897 continuava na dita escola particular de Guillade, regressando voluntário á escola pública de Mouriscados dous dias, onde o professor non me quixo aceitar por non ir recomendado da minha nái, pelo que me tratava de má vontade e mala fé:  A minha nái foi falar com o Mestre de Uma e entón alí me apliquei com entusiasmo, assistindo dous meses;  eu pola intelixência concedida por Deus estudava na casa sem axuda de Mestre, pois quando fun a Uma xá levava a “tabla” sabida de cabeza e lia no manuscrito algo recto;  Como tinha fama, que aprendia muito e rápido, a minha sorte foi barrida pola feitiçaria ou pessoas de mala fé.  Entrei no Coléxio de Uma a catorce de Novembro de 1900, baixo a direcçón de D. Enrique Barbosa.  O doze de Septembro de 1901 fún falar á escola de Guillade do Sr. Avelino que nesta época se atopaba de Interino na escola pública assistindo de discípulo, como o Mestre andava moribundo, a pé, mandava-me tomar leçón, etc…  No caso que o seu corpo non puidera deixar o leito; pois a catorce de Novembro de 1901 hora das dez, faleceu o tan amado e digno Sr. Professor;  Depois houbo convulsóns e desconxunturas no pobo, uns com os outros acerca da escola, uns decian que continuase, outros que non podia ser, etc.  Continuei alguns meses, mas por fim deixei-a em seis de Xunho de 1902, porque o pobo me incomodava.  Em dezaseis de Septembro de 1902, corrin ao serán nocturno de Mouriscados onde eu apredin as primeiras noçóns de baile.  A consequência de um empenho voltei a rexentar a escola, logo vinheron trampas e atropelos; e negaron-me o último trimestre, e deixei-a por segunda vez no dezanove de Xulho de 1903, até hoxe.

manuel calviño souto

A UNIDADE FUNDAMENTAL DE TUDO (25)

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               Nesse último meio ano em que viveu em Weimar, houve um acontecimento muito relevante para o pensamento de Schopenhauer.  O destacado orientalista Friedrich Majer, estudoso da relixión hindu, revelou-lhe as “Upanissades”, um conxunto de diálogos filosóficos escritos em sânscrito que comentam os “Vedas”, os textos sagrados do hinduísmo. Schopenhauer leu-os numa traduçón em latim, feita cinco anos antes, a partir do persa, pelo orientalista francês Hyacinthe Anquetil Duperron, que lhes deu o título “Oupnek’hat”.  Aqueles textos iniciáticos,  onde um mestre falava com os discípulos sobre o nível mais profundo da sabedoria oculta e do núcleo da realidade, foram unha revelaçón para o xovem doutor em filosofia.  Fascinaram-no non só pelas suas concepçóns intrínsecas, mas também porque se complementavam com as ideias de alguns dos grandes pensadores occidentais (Parménides, Platón, Espinosa) e até as completavan. A sabedoria hindu confirmou-lhe a sua visón em relaçón ao carácter ilusório da pluralidade e diversidade do mundo sensível e confirmou-lhe também a unidade fundamental de tudo o que existe.  Esta revelaçón seria decisiva para a consolidaçón do seu pensamento, xuntamente com Kant e Platón, admite que esta é a sua terceira grande influència.

joan solé

“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (V)

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               “Assí é.  Há unha industria do fogo, mas non só do fogo, é unha industria florestal.  Coloquialmente chamamo-la a máfia florestal.  O fogo é unha ramificaçón mais do seu negócio.”

               “Mas se o Partido Popular que goberna na Galiza, e também o PSOE, están, por decir duramente, contaminados por este tipo de empressas e deste círculo vicioso, ¿como os sacas de aí?  Ademais, están organizados:  tenhem o poder, o dinheiro, o DOG.  Polo contrário,  os pequenos agricultores, non tenhem absolutamente nada.  É unha situaçón absolutamente perversa.”

               “Sem ningunha dúvida, o primeiro que faria, sería tomar unha medida muito impopular que consistiria em que a vixilância e a extinçón do fogo a pagariam os proprietários.  A xente non o sabe, mas quando os bombeiros venhem apagar um incêndio à tua casa, passam a factura, por isso todos temos que ter um seguro de lar.  Pois isto que parece tan lóxico para todo o mundo, no campo funciona de maneira diferente.  No campo podes ter um negócio privado, com um risco muito elevado, que é o de incêndio, mas quando arde o teu eucaliptal ou o teu pinheiral e venhem sofocar o fogo os bombeiros, paga a administraçón.  Ó final, conto com um negócio que graças a que tenho externalizados todos os custos funciona muito bem.”

               “Pois para começar, teriam que ter uns seguros altíssimos, e assumir eles o custo, algo que non poderiam fazer.  E entón seguramente mudaria o negócio, e dedicariam-se a outras cousas.  E ademais prohibiría ainda que poida soar autoritário, prantar nos próximos 50 anos nim um só pinheiro e eucalipto mais.  Protexeria os espaços naturais, poria normas estrictas em quanto à distância entre casas e estradas com respeito ás zonas arboradas.  E há dinheiro para isto, simplesmente há que mudar a orientaçón do Plan de Dessarrolho Rexional, que é com o que se accede ós fundos da UE.  O escenário é xá como o da última película de “Blade Runner”, com o sol tapado polos incêndios.”

               “Quando o que passou este ano suceda constantemente, algo terán que fazer.  Mas agora mesmo há um “status quo” que benefícia a determinadas pessoas, e mentras se lhe siga beneficiando e non se faga unha leitura diferente, a situaçón seguirá da mesma maneira.”

xabier vázquez pumariño

A MANEIRA DE SER (24)

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               Nesse mesmo ano, abandonou unha Berlim ameaçada pelas tropas de quem xá sabemos.  O filósofo, alheio a qualquer sentimento nacionalista, apenas queria paz e tranquilidade para dar forma ás suas ideias e o seu principal objectivo era escrever a tese de doutoramento que certificasse a sua condiçón de doutor em filosofia.  Em vez de se instalar em Weimar, onde, como se viu, as cousas com Johanna non tinham corrido muito bem, enclausurou-se numa povoaçón próxima de Rudolstadt.  Alí, aloxado numa pousada entre junho e novembro, escreveu “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente”, a sua tese de doutoramento, um estudo sobre os diferentes tipos de conhecimento que se analizará no seguinte capítulo.  Arthur enviou o tratado á Universidade da vizinha cidade de Jena ( a guerra dificultava o envio para Berlim),  a qual lhe concedeu o título de doutor em Filosofia.  O inflamado doutor regressou a weimar, em novembro de 1813, e a Johanna deve-lhe ter parecido – fazendo um anacronismo – como um daqueles monstros dos filmes de terror que reaparece quando todos o davam xá como liquidado.  Esta visita foi a definitiva: Johanna expulsou-o de Weimar e nunca mais voltariam a ver-se.  Há unha certa discrepância entre os biógrafos em relaçón à índole moral da nái; alguns descreveram-na como unha mulher superficial, seductora e demasiado sociável, outros como unha dama culta que teve o lexítimo desexo de apreciar, em sociedade, a companhia de pessoas intelixentes e que teve a coragem de ter unha vida depois da morte do marido, algo que o filho xamais lhe perdoaria.  Aquí aceita-se a segunda visón e recorda-se, além disso, que Johanna respeitou e aceitou a vocaçón filosófica do filho, a quem deu unha liberdade que ele non foi capaz de conquistar e que, nos primeiros tempos, lhe facilitou bastante a vida.  Por isto, dá-se crédito ás cartas da nái, eloquentes na descriçón do carácter agressivo e irascível de Arthur:  “és maçador e prepotente e é para mim extremamente penoso conviver contigo.  Todas as tuas boas qualidades se perdem e non servem para nada por culpa da tua arrogância, simplesmente porque non consegues controlar a mania de querer saber tudo melhor do que ninguém, de encontrar falhas em todos menos em tí mesmo”; “saber que és feliz é algo necessário para a minha felicidade, mas non o é ser testemunha disso. (…) vieste de visita alguns dias e houve cenas violentas por nada e sempre por nada, e de cada vez que te vais embora eu respiro de alívio, porque me pesa a tua presença, as tuas queixas sobre cousas inevitáveis, as tuas caretas, os teus xulgamentos bizarros, que pronuncias como oráculos sem que se lhes possa apontar qualquer objecçón”; “acho que devias deixar que cada um sexa como é, tal como te deixam a tí”.  Podemos complementar estas notas de Johanna com as que o biógrafo Rüdiger Safranski transcreveu do escritor Von Biedenfeld, que conheceu Schopenhauer: “áspero e violento por fora, com raro poder de decisón e firmeza em assuntos científicos e literários.  Chamava todas as cousas pelo seu nome, tanto entre amigos como entre inimigos, e era muito dado ás piadas, frequentemente, demonstrava unha absoluta impertinência humorística”.  Se a esta combinaçón acrescentamos que, segundo Schopenhauer, o carácter é imutável, concluiremos que, por muito que se admire a sua intelixência, son escusados comentários sobre a sua maneira de ser.

joan solé

“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (IV)

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               “Os eucaliptos utilizam-se para fabricar pasta de papel porque básicamente componhem-se de celulosa.  O eucalipto é unha árbore, mas bioquimicamente é mais parecido com unha herba.  Por outra parte, um carbalho ou um castanheiro, bioquimicamente non som celulosa, ainda que tenhem.  Som lignina, madeira.  Essa composiçon bioquímica dos eucaliptos dá-se de maneira muito clara na corteza.  Ésta, quando se desprende, é como um folio ardendo capaz de voar, em forma de fagulha, durante várias decenas de kilómetros.”

               “Quando no domingo cheguei a Santiago de Compostela estava caindo fogo do céu, mas o incêndio mais cercano estava a 50 kilómetros.  Qualquer faísca (chispa de fogo) que caia em qualquer sítio pode criar um incêndio novo, e esse é terreno novo para ser colonizado polos eucaliptos.”

               “O presidente da xunta Alberto Núñez Feijóo, fixo referência a unha máfia.  Falou de “terrorismo incendiário” .  É algo estúpido. É o enemigo interno que cohesiona, um discurso difícil de romper.  Une a dereita e a esquerda, a xente com cultura, com menos cultura, é unha situaçón muito complexa. Mas a este há que sumar outro factor.”

               “Desde a era de Fraga, que foi quando se criaron os serviços brutais para combater o fogo, todo este lobby sempre ganha.  Están presentes nas administraçóns desde a época da primeira Xunta.  Están no Serviço de Conservaçón da Natureza, em Industrias Florestais, na Qualidade Ambiental, controlam todo o entramado.  Na Galiza há três universidades, em duas delas – no campus de Lugo da Universidade de Santiago, e no campus de  Pontevedra da Universidade de Vigo – há duas escolas de montes.”

               “Logo está ENCE, com unha escola de enxenharía directamente em Pontevedra.  E todas estas pessoas crian empressas de reflorestaçón.  Tenhem viveiros, maquinária para cultivar, tenhem as companhias de extinçón de incêndios…  É um colectivo muito âmplo que sempre ganha.  Tú prantas pinheiros e eucaliptos, ganhas prantândo-os e com o mantimento dos mesmos, ganhas quando os cortas, se há um incêndio também ganhas porque és tu que vixias e o que cobra por extinxí-lo.  Depois te contratarán para reflorestar a zona com pinheiros e eucaliptos.  É um círculo brutal, e está à vista de todos.  Eu sempre digo que a máfia está no D O G (Diário Oficial da Galiza).”

               “Como controlan a política, básicamente o Partido Popular, som eles os que redactan o Plan de Desarrolho Rexional, que é o que mandam à U E. para que ésta envie os fundos para o desarrolho rural.  Se miras no D O G, estes fundos destinan-se à prantaçón de pinheiros e eucaliptos (pinheiros mais para o interior e eucaliptos mais para as zonas atlânticas, mais costeiras).  Essa é a máfia real e que non está oculta, senon à vista de todos.”

xabier vázquez pumariño

BERLIM (23)

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               Em 1811, um Schopenhauer xá seguro da sua vocaçón ingresou na Faculdade de Filosofía da Universidade de Berlim que, embora só tivesse iniciado a sua actividade académica um ano antes, xá beneficiava do inequívoco apoio do Estado prussiano, que queria transformá-la no seu centro intelectual. Alí ensinavam os pensadores mais prestixiados do momento.  O mais célebre era Johann Gottlieb Fichte, o idealista que acabaria por ser alvo da troça e do desprezo de Schopenhauer, tal como o seria Hegel, sucessor de Fichte na cátedra berlinense.  Non aceitou a filosofía conceptual dos idealistas, xá que toda a sua construçón intelectual lhe parecia um enorme disparate sem qualquer relaçón com a vida.  O entusiasta e insatisfeito estudante escreveu nos seus apontamentos:  “Fichte disse cousas que me despertaram a vontade de apontar-lhe unha pistola ao peito e dizer-lhe; vais morrer sem compaixón; mas antes diz-me,  por amor da tua pobre alma, se no meio dessa confusón de ideias pensaste realmente alguma cousa ou, simplesmente, querias gozar connosco”.  Desta forma, teve que se buscar a vida nos livros, onde conheceu a filosofia mística de Schelling, que foi caindo na sua consideraçón e, com muita mais constância e admiraçón, o pensamento naturalista e céptico de Montaigne, assim como os xá consolidados Platón e Kant.  Non só lia e estudava, como começava xá a enunciar um pensamento próprio  a partir tanto da assimilaçón de ideias alheias como da observaçón da realidade exterior e interior.  Datam de 1813 as suas primeiras anotaçóns acerca de unha concepçón que podemos classificar como pessoal.  “Sob a minha pena, e ainda mais no meu espírito, cresce unha obra, unha filosofia que é ética e metafísica nunha cousa só.  Até agora, têm sido falsamente separadas, tal como se separou no ser humano o corpo e a mente”.  Aproximam-se assim, o interesse metafísico pela essência da realidade e a reflexón moral.

joan solé

“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (III)

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               “Em todo o noroeste ibérico há dous tipos de frentes que podem chegar, os dous provenhem do Atlântico e os dous venhem cargados de água.  Um pode xirar no sentido das agulhas do relóxio e o outro no sentido contrário.  O primeiro golpea na fachada cantábrica e descarga alí toda a água. Em Asturias e País Vasco, efectivamente, deixa água, mas à Galiza chega um vento quente, muito seco e intenso.  O outro tipo de frente possibilita a entrada de ventos do suroeste em Galiza e Portugal.  Aquí é quando chove muito.  O que têm passado na Galiza estes dias responde ó primeiro modelo.”

               “Neste contexto, qualquer descuido, qualquer chispazo de um carro, de unha linha de alta-tensón, qualquer parvo, qualquer desalmado, qualquer tipo com algum interés, pode xerar unha situaçón incontrolável.  Quando algo arde nesta situaçón é incontrolável.  Ademais, estes dias produciu-se um feito excepcional, algo que non sucedia desde 1961.  E foi que veio um ciclón tropical.  Mas que na Galiza non deixou água, senon muito ar seco e intenso.  Num ano que sexa normal, os serviços de extinçón da Galiza tenhem a oportunidade de apagar os fogos.  Mas cada certo tempo, da-se um ano extremadamente seco, e nessa circunstância non se poden apagar os fogos.”

               “Há um tipo de fogo, que é fogo-de-copas (que passa de copa em copa) que se dá quando há muito vento, temperaturas altas e muita sequedade ambiental.  O fogo non corre pola superfície terrestre, senon que passa da copa dunha árbore para a outra. Isso, técnicamente, non é apagável.  Ainda que tenhas 200 hidroavions, non van a dar abasto, mais ainda se é de noite, quando os meios aéreos non podem trabalhar. E xustamente, o fogo-de-copas propaga-se estupendamente com os pinheiros e eucaliptos, porque son copas muito altas e as árbores prantan-se demasiado xuntas.”

               “Efectivamente.  E con o cambio climático non sabemos que vai passar.  Pode que se dé o contexto meteorolóxico idóneo para que haxa incendios todos os anos.  É inabordável.”

               “Como este lobby quere xustificar o seu negócio, e aquí incluio ó Partido Popular, ENCE, enxenheiros de montes, empressas de extinçón do fogo e viveiros de plantaçóns de pinheiros e eucaliptos, o que ocurre é que ponhem o foco no tonto útil final. O “palerma-útil” pode ser um vecinho qualquer que queima unhas moutas que lhe estorvan, ou os cazadores que querem abrir monte para poder cazar melhor as perdizes.  Há muita casuística, miles e miles de casos.  Mas por o foco neles é absurdo, porque simplesmente non podes eliminar a toda a povoaçón da equaçón.  Se tú eliminas a povoaçón, verdade que havería menos incendios.  Mas non a podes eliminar.”

               “Como tudo é bastante inexplicável, o que fan finalmente é recorrer à maxía.  Quando eu non podo explicar algo recurro à relixión, à maxía, ó mal de olho… ¿Qual é a maxía neste sentido?  Pois que há unha mafia, unha trama, com uns intereses que ninguém sabe. Mas a verdade é que criaron um escenário absolutamente inflamável.”

 

xabier vázquez pumariño