O BUDA DE FRANKFURT (36)

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               O ser individual que foi Arthur Schopenhauer deixou de existir a 21 de septembro de 1860, víctima de unha pneumonia, com unha serenidade que non conheceu em vida.  Por ser verdadeira a sua doutrina metafísica, restituiu a sua singularidade ilusória áquela vontade universal que agora se manifesta, incessante, em quem isto escreve, em quem isto lê.  Um xornalista popularizou a alcunha de “Buda de Frankfurt”.  Pelo que xá sabemos, este epitécto pode ser válido para caracterizar parte do pensamento de Schopenhauer, mas non a sua vida.  Também non é rigorosa a classificaçón de pessimista se formos para lá da sua filosofia.  Schopenhauer soube tirar prazer da literatura e da arte (Nietzsche escreveu: “Pergunto-me, por acaso, se um negador de Deus e do Universo que toca flauta pode realmente chamar-se pessimista”), non se absteve do contacto com mulheres e teve o dom de amar a montanha.  Pôde levar a vida de filósofo que desexava, conhecer o pensamento dos grandes espíritos de todos os tempos e elaborar um sistema próprio.  Nunha nota privada, do tempo em que escrevia “O Mundo”, analisa-se:  “o resultado deste conhecimento é triste e aflixe, mas o estado de conhecimento, a adquisiçón de saber profundo, o acesso á verdade, son extraordinariamente aprazíveis e, embora pareça estranho, acrescentam unha parte de doçura á minha amargura.” 

joan solé

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