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Arquivo por autores: fontedopazo
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (10)
Serán de Lira. O día 13 de Novembro de 1904 fún a Oliveira a unha festa de pandeiros que facia a família do Sr. Pintos (que neste tempo era Cura de Oliveira) eu e Avelino passamos um rato alegre, despois fomos ó Madrileno pedir para cortar pinheiros, onde o Spírito malo me veio inquietar, no día a seguir fomos roubar mazáns e despois alá nos fomos ó Serán de Lira; o 23 polas nove fomos tronzar pinheiros e logo fomos ó devandito Serán; o 24 fomos ó Serán de Celeiros, ó vir pola casa arriba da Capela, vin sair dum pinheiro tantos corvos que parecia que todo o pinheiro se desfacia em corvos, croando e desaparecendo a unha distância de 3 ou 4 metros, o ruido que facian era idéntico. Música Academia. O 25 DE Novembro de 1904 comecei a estudar música em Celeiros; o día 3 de Decembro, fixem inxuriar a minha tía, e despois em companhia de Carracedo fún ó Serán de Celeiros, a minha tía tinha-me botado pragas, chegando ó Serán, um filho da puta de Arcos revolucionou-se conmigo, despois levantando-se todos em revoluçión, eu escapei sem novidade. Chegando á casa xá estaban as raparigas tocando a pandeireta, serian as dez ou once da noite. Mama em Vigo. O día quatro de Decembro de 1094 polas seis e trinta e cinco da manhán levantou-se a minha nái e a minha tía (Maria) e se foron assanhadas a Vigo. O día 8 choveu assombrossamente, nessa noite passei-a toda na cozinha, até ás 3,40 quando quedei dormido sobre um banco, e entón vem o Spírito malo inquietarme, o oito fún á Procesión a Cumiar com unha roupa velha; e o dez recibim do Senhor Carraceda vinte reais polos pinheiros cortados e alá vem o Spírito malo inquietarme. As duas festas. Dor de cabeza. O día oito de Xaneiro de 1905 habia festa em Oliveira, Capela, pola ter gobernado, em Guillade de arriba gaiteiro, em Guillade de baixo música. Nesse polas 2,50 assaltou-me unha grande dor de muelas, e non fún a ningunha festa, e toda a noite desse día estiben na cama dando voltas, com áis e suspiros, de maneira que o dia seguinte atacába-me o sono, o día nove fún ó Cirurjáno (rula) para arrancar a dita moela, pois á maneira que me íba aproximando á casa, a dor iba passando, ó bater a primeira pancada no portal, desapareceu a dor por completo, parecia cousa diabólica; pois ó arrancá-la, partiu polo meio e quedou a metade dentro da boca e a úlcera tamém.
manuel calviño souto
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A RAIZ QUÁDRUPLA DO PRINCÍPIO DE RAZÓN SUFICIENTE (43)
Schopenhauer desexa encontrar o núcleo central, a essência mais íntima, da realidade para compreender e explicar o que é o mundo e o que é ele mesmo enquanto idivíduo. Trata-se, assim, de unha questón de conhecimento. Sistemático e consequente, o filósofo pergunta o que é o conhecimento e, responde conhecer algo é explicá-lo; em seguida, define o conceito de explicaçón; explicar algo é encontrar a causa por que esse algo é como é e non de outra forma. Essa “causa” é o que, na filosofia do século XIX, se chama “princípio de razón suficiente”. Schopenhauer entende que esta explicaçón (este princípio da razón suficiente) non é sempre a mesma para tudo o que se analisa, mas que apresenta diversas variedades ou modalidades segundo o âmbito em que se desenvolva a explicaçón ou conhecimento, como deixou xá enunciado na sua tese de doutoramento, “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente” (publicada em 1813 e reedictada, revista e aumentada, em 1847):
-No mundo físico, a razón suficiente tem a forma de causalidade: um facto A dá orixem a um facto B. Todos os factos son produzidos por outros factos (…) Pode conhecer-se todo o universo físico e o seu conteúdo no nível manifesto (fenoménico) mediante a aplicaçón do princípio da causalidade. A bioloxia e a física de Newton som exemplos (…) destacados da aplicaçón deste princípio explicativo, que funciona em todas as ciências naturais.
2 – As ciências matemáticas puras da aritmética e da xeometria desenvolvem-se, respectivamente, no espaço e no tempo, que como sabemos, son formas “á priori” da sensibilidade e, como tal, son anteriores á experiência, pelo que non necessitam de ser aplicadas empiricamente no mundo. (…) O princípio da razón suficiente no tempo e no espaço, como formas “á priori” da sensibilidade (isto é, na aritmética e na geometria), é matemático.
3 – Outro âmbito diferenciado é o dos “conceitos” e dos xuízos abstractos que, como também sabemos, pertence à razón. Combinamos conceitos ou ideias para produzir ideias novas. Aqui, non nos questionamos acerca da causa dos factos físicos que conhecemos na intuiçón sensível, nem acerca da causa dos factos matemáticos que conhecemos pela intuiçón pura. Aqui, questionamo-nos acerca da razón e da validade do nosso conhecimento. Os conceitos seguem-se uns aos outros e mantêm entre eles relaçóns de dependência causal. Podem estar xustificados ou non, ser verdadeiros ou non. A análise da ligaçón entre os conceitos oferece-nos unha verdade lóxica ou, se for das leis que rexem essas ligaçóns, unha verdade metalóxica.
Schopenhauer mostra que nenhum dos três é capaz de proporcionar accesso ao núcleo da realidade, á essência íntima do mundo, que é o que ele persegue na sua filosofia. Nenhum dos três pode superar os limites da representaçón, isto é, do fenómeno. Non podem tocar a realidade, son-lhe externos. (…) Os três conhecimentos oferecem razóns para factos, segundo o princípio da causalidade mas, em última instância, se se chegar ao início da corrente causal, observa-se que partem de premissas ou fundamentos non xustificados nem demonstrados. O conhecimento obxectivo non pode alcançar nunca o em si das cousas, o númeno, e fica sempre do lado de fora, no fenómeno. A representaçón non pode levar-nos para além da representaçón: “non se consegue acceder á essência das cousas a partir do lado de fora; por muito que se investigue, non se consegue mais do que imaxes e nomes. A filosofia (metafísica) aspira a outro tipo de conhecimento que começa onde acabam os três anteriores. Sabemos que o conhecimento que verdadeiramente nos pode revelar o fundo substancial, o nível ontolóxico ou a essência íntima da realidade, deve ser, orixinalmente, unha intuiçón imediata, non um conceito ou um princípio construído. (…) Existe algum tipo de experiência que nos permita franquear a esfera da representaçón fenoménica e entrar no misterioso âmbito numénico da cousa em si? Que xá non se centre no poquê (causa) mas no quê (realidade)? Schopenhauer responde afirmativamente: existe um quarto tipo de conhecimento. Este é o célebre “pensamento único” do autor, a grande revelaçón ou iluminaçón que teve a sua vida, “a pedra fundamental” de todo o seu sistema filosófico.
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA
OS TESOUROS DO FEITICEIRO
Tudo começou nunha manhán de nevoeiro, de princípios do século vinte. quando um cidadán português deâmbulava por unha libraría de París. Encontrou um curioso livro, cheio de nomes de aldeias galegas: Moreira, Guillade, Uma, Sobroso, etc… E ademais, unha larga lista de tesouros escondidos. Descoberto, por mera casualidade, “Os Tesouros do Feiticeiro” San Cipriano, acabou por ter unha fama considerável, eu diria que por todo o mundo (Brasil). É suposto, que foram escondidos precipitadamente, a raíz da fuga ocassionada pela invasón mourisca da península, e que se pensavam recuperar quando o perigo passára, e os senhores voltaram á sua terra. Claro, que a história está muito bem contada, agora, poderá ser verdadeira, ou, seguramente falsa. Mas, como sempre existiron, e é muito probável que seguirán existindo, muitas almas cândidas, sobre tudo cobiçosas, a história tornou-se eterna. O maior de todos os tesouros, está enterrado em Uma. Bem sepultado diria eu, escondido a sete homes de profundidade, por unha raínha, mulher de um rei local, que andaria ocupado em outras guerras. Repousa, no cruze dos dous caminhos de carro principais. Em princípio, parece bastante fácil dar com el, qualquer home intelixente, poderia localizá-lo. Agora, aquí, levantam-se dous escolhos difíceis de solucionar, o primeiro é encontrar um home medianamente intelixente. E o segundo, e non menos embarazoso, é, que, um home intelixente se interesse por estes temas. Havería que sopessar tudo muito bem, se por muito ouro que haxa enterrado, valeria a pena cavar em terreno endurecido polos séculos, sete homes de profundidade? Se compensa, fazer o ridículo, para que depois o Feitiçeiro se quede a rir de nós na sua tumba?
léria cultural
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NON CONHECEMOS AS COUSAS COMO SON EM SI, MAS APENAS COMO NOS APARECEM (42)
FENÓMENO, NÚMENO OU COUSA EM SI.
Podemos xá abordar a decisiva diferenciaçón que Kant enunciou entre fenómeno e cousa em si ou númeno. Foi decisiva a tal ponto que marcou grande parte da teoría do conhecimento depois dele. É fácil enunciar o sentido deste binómio: “non conhecemos as cousas como son em si, mas apenas como nos aparecem”. Fenómeno é tudo o que está na minha representaçón, tudo o que se rexista na minha consciência. A cousa em si é o mesmo que o fenómeno, mas fora da minha representaçón, como o lado oculto da Lua. Olho para unha cadeira e o que vexo é o fenómeno, a representaçón: Kant diz-nos que, além disso, existe ainda um númeno ou cousa em si, que é esta mesma cadeira, mas fora do fenómeno ou percepçón, enquanto autónoma e independente da consciência. O que pode ser o que está fora da minha representaçón? O que é a cousa em si? Kant teve unha intuiçón xenial, deixando um enigma opaco para os filósofos posteriores, mas non se preocupou demasiado em clarificar qual era o conteúdo concreto dessa cousa em si. Talvez tivesse suposto que, non sendo possível conhecer o númeno – xá que está fora das nossas representaçóns, que son os fenómenos -, o lóxico seria deixá-lo de lado como algo inalcançável. Schopenhauer ficaria fascinado pelo mistério da cousa em si, a qual, como iremos ver, seria determinante para iluminar a sua intuiçón decisiva. Deixou expresso num manuscripto: “A minha maior glôria acontecerá quando se diga de mim que resolvi o enigma proposto por Kant.” Kant dá ao fenómeno um tratamento simplesmente descriptivo (fenómeno é a forma como as coisas se mostram ou aparecem, o que, naturalmente, é coherente com a etimoloxía da palabra grega, “aparência”, “manifestaçón”); em Schopenhauer, o fenómeno adquire um valor negativo; é o aparente enganador. O binómio fenómeno-númeno aplica-se ao ser humano além de ao mundo físico exterior, e á filosofia moral, além de ao mundo sensível. Cada pessoa tem, para si mesma e para os outros, unha dupla dimensón ou habita em duas dimensóns: unha fenoménica e outra numénica. Enquanto corpos, pertencemos ao mundo natural rexido por unha ferrea lei da causalidade e tudo é causa e consequência de algo; non existe a liberdade. Enquanto seres dotados de interioridade espiritual, estamos num mundo numénico (incognoscível para nós próprios), livre dessas correntes causais fenoménicas. Há, pois, um suxeito intelixível e um suxeito empírico. Schopenhauer parte da visón fundamental de Kant, do ser humano dividido entre dous reinos, como ser fenoménico e como ser numénico, eliminando por completo do segundo a componente relixiosa, tan essencial em Kant; como reza o título do capítulo seguinte, a metafísica de Schopenhauer é unha metafísica sem céu.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (9)
Os de Uma. Agresón. Unha triste noite do mes de Outubro de 1904 em que a Providencia divina nos daba sentimentos, a noite escura, o vento soprava assombrossamente por vezes, eu polo día tinha ido á festa a San Lourenzo, na que rifavan unha toura, e houvo unha zaragata com Avelino, xá nombrado, e por culpa del tamém me metin eu, tinha vários a meu favor. Despois fun a Guillade d’arriba ó seran, onde estaban os de Uma, dixeron que os acompanhase-mos ao serán d’abaixo, e de repente os de Uma a pelear… esta mesma noite ó dormir implicou comigo o Spírito inmundo, eu sentia-me com as penas arriba ditas, e ademais levantei-me sentido unha dor no brazo dereito, mas o que me causou mais afliçón foi tirar polos pelos do brazo e arrincá-los pola raiz sem sentir nada, e um sonho aterrador. Adivinha, primeira vez. No mesmo día vintinove saín a um viaxe polas nove e vinticinco, com a intençón de consultar… Fún polo Pedroso até Fontán seguindo a Queimadelos, todo o dia botei arredor da casa, até que ela me viu casualmente, eran as quatro da tarde quando me dixo o seguinte: Sai um cargo de almas que há que cumprir e parece que é um home que che aparece em sonhos, teis o corazón aberto, fai-che falta uns evanxélios e tomar medicinas feitas na casa ou manda-las facer, um primeiro día pola cabeza, etc… “son estas as palabras mais importantes que me dixo; no outro día xá estaba melhor. O dous de Novembro de 1904 atopaba-me inchado, despois de me levantar encontrei-me com um cansaço, floxo de forzas, nervos, e todo estéril, polas duas da tarde, comim algo, assaltando-me logo unha diarreia e um sono espantoso; O día sete de Novembro de 1904 pola manhan levantei-me da cama com unha pequena dor nas costelas, polas once e vintitrês do dia tinha-me passado, tiven mil sonhos malos, o oito assaltou-me unha grande dor de dentes, acto seguido atacou-me a cabeza, e fun-me deitar, alá pola alta noite vem o Spírito malo inquietar-me, ainda que non foi tanto como outras vezes, mas toda a noite estiven sonhando cousas malas, sonhos malos, de todos eles só me acorda o seguinte: estava sonhando que a minha nái estava dentro do eido (xunto dos loureiros) chorando com unha tremenda dor de cabeza, sentada encima do mato, movendo-se e balanceando-se, e falava cousas que non me acordan, despertei e era muito cedo, voltei a dormir, e levantei-me polas oito da manhan, logo a minha nái dixo que non se podia levantar, mas por fim levantou-se polas 11,30 e alá foi cabar para o sítio onde eu sonhara com ela.
manuel calviño souto
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AS FUNÇÓNS CEREBRAIS (41)
Em suma, Schopenhauer aceita a totalidade da teoria do conhecimento kantiana, com três modificaçóns substanciais: Reduz as doce categorias a unha básica, o princípio de causalidade ou “princípio da razón suficiente”. Assinala que, dada a correspondência simétrica entre suxeito e obxecto, que son duas faces da mesma moeda, espaço, tempo e causalidade están também no obxecto. A matéria, enquanto termo da percepçón, é portadora dessas três estructuras. Transforma o enquadramento ou a base das faculdades, Kant cinxe-se ás funçóns ou capacidades que componhem a “faculdade de conhecimento”, sem as associar a algo físico. Pelo contrário, Schopenhauer refere-se a um organ muito concreto, o cérebro. Este organ, com o apoio do sistema nervoso, transforma-se na sede da consciência, onde se organizam as representaçóns orixinadas pelo etendimento ou intelecto (que produz conhecimento intuitivo, percepçón sensível) e os conceitos produzidos pela razón (criadora do conhecimento abstracto). As funçóns cerebrais ocupam o lugar das etéreas faculdades kantianas. O conhecimento, compreendido como representaçón, passa a ser, em Schopenhauer, “um processo fisiolóxico muito complexo no cérebro de um animal” (MVR2, 214); este organ tem as suas funçóns próprias, tal como o estômago se encarrega da dixestón e o fígado da segregaçón da bílis. Schopenhauer dá um cariz biolóxico, fisiolóxico e materialista á teoría do conhecimento, tan abstracta em Kant. A faculdade do conhecimento, segundo Schopenhauer, está estructurada da seguinte forma; há um entendimento ou intelecto que percebe o mundo empiricamente, de um modo que o ser humano partilha com os animais. O que o distingue deles é a capacidade de separar as percepçóns dos conceitos e de os combinar através do raciocínio. Este segundo nível, da razón, é uha funçón cerebral exclusivamente humana e é a que permite cultivar a ciência e a filosofia.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XXIII)
Como indica Lisón Tolosana as aldeias na Galiza forman unha unidade xeográfica, social e cultural bem delimitadas. Os vecinhos e vecinhas, eran perfeitos conhecedores da paisaxe e reconheciam qualquer accidente no terreno. Os marcos de límites da aldeia convertem-se así nunha parte mais da paisaxe reconhecivel, quase permanente quando nos escritos sobre os montes comunais se assinale “per suos terminos antiquos” ou “desde tempo inmemorial” quando as testemunhas se expressan nos interrogatorios. Os límites da aldeia como os do monte comúm van formar parte da paisaxe vivida polos vecinhos, convertem-se em fitos de referencia os marcos mas tamém os penedos, mâmoas, antas, muros ou corredoiras. Xurdem na aldeia as linhas imaxinárias, tanto sexa entre marcos, penedos, mâmoas ou caseríos. As augas vertentes sinalan a pertenza a unha aldeia ou outra, a linha recta entre marcos (em dereitura) transformam-se na unidade espacial de referencia entre os vecinhos. Os elementos que conformarom os límites divisórios dos montes ou aldeias transformáron-se em referência da cultura popular ao solapar-se com espazos vencelhados ás lendas tradicionais (mâmoas, castros, caminhos), redefínem-se como unha parte do património intanxivel da comunidade. Os conflíctos polos límites entre aldeias vecinhas tamém se incorporan á paisaxe mental da aldeia, cargando os marcos divisorios com unha ritualidade especial: cruces, letras, simbolos que son o resultado dos acordos entre dúas ou várias aldeias.
a irmandade circular
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IMMANUEL KANT E O CONHECIMENTO (40)
Kant fez unha “revoluçón copernicana” na teoría do conhecimento. Se Copérnico foi o responsável por a humanidade renunciar á visón xeocêntrica do firmamento e, em vez disso, colocar o Sol no centro e os planetas a xirarem á sua volta (modelo heliocêntrico), Kant substituiu a tradicional concepçón do conhecimento, em que o suxeito adapta a sua mente ao obxecto, por outra em que é o suxeito que determina, com as suas faculdades, o tipo de percepçón. O suxeito passa a desempenhar um papel sumamente activo na construçón da percepçón. Esta mudança de modelo cognitivo non implica modificaçóns no conteúdo das percepçóns, que continuam a ser as mesmas (da mesma forma que o modelo heliocêntrico copernicano non implicou modificaçóns na traxectória aparente do Sol, que non deixa de aparecer a nascente e desaparecer a poente), mas o novo modelo permite explicar muito mais cousas e transforma a concepçón que os homens têm do seu lugar no universo. Entre as transformaçóns decisivas resultantes da revoluçón copernicana de Kant, há a destacar unha que é fundamental para Schopenhauer: o único conhecimento verdadeiro é o que se dá na experiência, na qual se obtém unha intuiçón sensível a partir do contacto entre o mundo e o conxunto sensibilidade-entendimento: tempo, espaço, categorias (recorde-se o que foi dito nas páxinas 62-65). Tudo o que non se integre neste esquema carece de garantias. Segundo Kant, non é possível unha intuiçón intelectual (ou sexa, a razón non pode criar conhecimento sólido a partir de conceitos desvinculados da percepçón e da experiência). Entre outras cousas, esta visón pon fim ás pretensóns da metafísica dogmática de construir unha ciência: questóns últimas como a da existência de Deus e a da inmortalidade da alma, non podem ser tratadas no âmbito da fé. Há unha segunda implicaçón decisiva, tanto para a filosofia em xeral como para a de Schopenhauer em concreto: a distinçón entre fenómeno e cousa em sí ou númeno. A exposiçón deste binómio, fundamental na filosofia, fica reservada para a páxina seguinte.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (8)
O día 16 de Xulho fun a Trancoso cobrar a primeira quincena do dito mes, total o que ganhei, um traxe barato, unhas botinas, unha camisa, e trinta reais em dinheiro, um relóxio barato e nada mais. O vinte de Septembro de 1904 fun pisar unha tinalha de uvas para a Senhora Benita da Sorda. Luz desconocida. Primeiras relacions com Avelino. O primeiro de Outubro de 1904 tinha-lhe inchado um olho á minha nái, mas eu fun ó serán nocturno, o dia dous estivem eu doente da cabeza, dos membros, e principalmente da barriga, e tinha um pesar comigo, unha tristeza enorme, e non sabia por que; nestes dias, via sempre debaixo da minha xanela unha lucinha no chan, como a dum bicho que lhe relumbra o cú, chamado “Luce-cú”, mas era mais grande e mais viva, facendo nascer sentimentos pois um pouco punha-se grande, pequena, alta, baixa, etc… e quando unha pessoa se fixava, extinxia-se de todo. O seis de Outubro fun escribir unha carta à Rosa do Roque, e vim o fermoso día de Outono todo claro, os raios do Sol abrasavan os membros do corpo humano. Polas doze e meia deitei-me, e levantei-me muito pesado, e xunto da porta, deu-me unha dor de cabeza, o dia catorze fun a Ponte, e ó vir, vinhem com Avelino Carraceda e a sua nái (pepa) tomamos pan, peixe, vinho, etc… e despois eu e Avelino fomos xuntos a um pote de aguardente, até que me emborrachei, ó passar o Pinheiral de Oliveira, vem unha cousa detrás de mim dando píos como um paxáro chamado “escribidor” ou “linhaceira”, etc… seguiu-me até perto das casas, acompanhava-me a tristeza, penas, angustias, etc… mas non sabia porque motivo, por uns poucos días, sonhei mil cousas, unhas malas e outras menos malas.
manuel calviño souto
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O ENTENDIMENTO (39)
A segunda capacidade, segundo Kant, é o entendimento, definido como a faculdade de aplicar conceitos ás intuiçóns rexistadas na sensibilidade. Os conceitos organizam os dados caóticos – as sensaçóns – que se precipitam no espaço e no tempo. Son imprescindíveis para que as sensaçóns ganhem sentido. Os conceitos son formas a priori do entendimento, isto é, son prévios á experiência. Kant chama aos conceitos a priori “categorias”. Para descrever estas categorias, Kant adoptou as conclusóns da lóxica aristotélica vixente no seu tempo. Formulou doze categorias que se aplicam ao material bruto da sensibilidade para transformar as sensaçóns em percepçóns. Schopenhauer aceita o modelo kantiano do entendimento como faculdade, mas leva a cabo unha reduçón drástica das suas categorias. Na realidade,condensa-as numa só; a lei da causalidade (ou, na sua linguaxem, o “princípio da razón suficiente”), segundo a qual nada é sem unha razón para que sexa. Estabelece relaçóns de dependência entre os dados que se plasman na sensibilidade e dá-lhes sentido e coherência. Na sua cooperaçón, sensibilidade e entendimento necessitam-se reciprocamente; tal como diz Kant, “os pensamentos sem conteúdo son vazios; as intuiçóns sem conceitos són cegas. (…) O entendimento é incapaz de intuir e os sentidos son incapazes de pensar”. É fundamental compreender que ambas as faculdades actuam em simultâneo. Non é que primeiro se plasmem os dados sensoriais no ecrán da sensibilidade e depois os conceitos puros (ou categorias) do entendimento os organizem. A verdade é que as percepçóns xá están categorizadas. Em suma, Schopenhauer aceita a totalidade desta teoria do conhecimento kantiana, com três modificaçóns substanciais.
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA
ARQUEOLOXÍA (O PETROGLÍFO DA PENELA)
Este monumento, non está catalogado nos rexistos oficiais. Foi encontrado por mim, quando, nunha das solitárias e acostumadas excursóns minhas, me atopava disfrutando da unión com a nai natureza. Depois de escudrinhar sistematicamente toda a área, levei unha grata surpressa, deparei com um importante achado, um petroglífo de calado, que fora de maneira inmiserecorde partido em várias pezas bastante grandes, para murar unha das veigas da Penela. Non parece encontrar-se no seu lugar orixinal, pelo que seria transportado em carros de boi desde o monte. Há no mesmo sítio dous pedazos grandotes polo menos, postos de pé para pechar o lugar. Pensara daquela, levá-lo para o Centro Cultural de Guillade, a fim de que non se perda. Mas, como parece ser, que quem manda agora no mundo son os coches, e em vez de fazer um bonito xardím com unha fonte no meio, fixeron um aparcamento todo alcatroádo. O anteriormente referido tesouro histórico, ficou no seu lugar sagrado, lonxe das miradas dos cobiçosos bingueiros. Alá, escondido no corazón do bosque, onde o forte ruído dos infernos sociais, non logra chegar.
a irmandade circular
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MATERIALISMO, IDEALISMO, KANT (38)
Na sua teoría do conhecimento son apresentadas duas linhas que nunha primeira abordaxem, podem parecer heteroxéneas e até incompatíveis: o realismo e o idealismo. Por um lado, Schopenhauer é – em comparaçon com os “idealistas” alemáns e os teólogos – um acérrimo “realista”: o que experimentamos é o que existe e o que existe é o que devemos observar. O que torna especial o grande filósofo é a intensidade do seu olhar, da sua percepçón do real, mas non vê cousas diferentes das que aparecen ás restantes pessoas, non vê outros mundos, non é um vidente nem um místico. Seguindo o admirado Kant, Schopenhauer afirma que o único conhecimento verdadeiro é o que se verifica na experiência possível e esta experiência é a que os sentidos nos proporcionam e em cuxa informaçón qualquer pessoa sensata confia. Admite a materialidade do mundo como algo irrefutável: existe a matéria e todo o tanxível e perceptível a intuiçón mostra-nos as coisas que se tocam e se veem. Ao mesmo tempo, tudo o que percebemos é, pela sua própria definiçón, percepçón, representaçón (Vorstellung). A primeira frase de “O Mundo” é precisamente “O mundo é a minha representaçón”. A matéria sólida e forte é, enquanto percepçón minha, nada mais do que unha representaçón ou ideia minha, conteúdo da minha consciência: “nenhum obxecto sem suxeito”, como reza o aforismo. O suxeito cognoscente (tanto o ser humano como todos os animais dotados de capacidade perceptiva) fundamenta a realidade do obxecto conhecido na sua representaçón ou percepçón. Qualquer ser, obxecto ou facto que se rexista na minha consciência é a minha representaçón. A gnosioloxía de Schopenhauer é idealista e estende a linha reflexiva do irlandês George Berkeley e de Immanuel Kant. Mas é preciso ter algum cuidado com a atribuiçón de etiquetas a Schopenhauer, unha vez que a índole peculiar da sua filosofia non admite descripçóns fáceis. Para começar, non xustifica o suxeito a partir do obxecto, nem o inverso, mas observa-os a ambos a partir dos dados fundamentais da percepçón. Este é o facto orixinal e pressupón tanto o obxecto percibido (a realidade material) como o suxeito perceptor (a consciência que rexista os dados dos sentidos). Ambos son correlatos um do outro, complicam-se ou pressuponhem-se: non pode haver um sem o outro, nem percepçón sem qualquer um dos dous.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (7)
Blasfémia. O dia vinte de Maio de 1904 a minha nái foi á Cañiza, ainda que non andava bem, o vintidous eu fun ós ninhos e á tarde fun á festa a Cumiar, de noite a minha nái berregou comigo porque non fun botar a toura, polo que me fun deitar sem ceia, e por vinte minutos estivem chorando amargamente, tendo ó mesmo tempo pensamentos mortuários, nobres e amorosos. Nesse dia a minha nái tinha unha veiga sem cabar, e como andava disgustado non quixem fazer a comida e dixem blasfémias contra Dios oito vezes, e outras tantas contra o demónio, etc… O dous de Março 1904 fun a Trancoso pedir trabalho e dixerom-me que era cedo, o segundo dia fun ós montes de Cumiar e encontrei várias raparigas que me enrredaron até ás dez e meia. Sonho – O primeiro de Xunho de 1904, sonhei com um Abade que estava no meio d’unha Igrexa de maneira entreposta; o cinco de Xunho atopava-me com unha desconsolaçón, sentia no corazón unha pesadume unha tristeza e afliçón enorme que me parecia que as entranhas se me derretian como que destilaban agua fervendo que non podia parar; neste dia fun á festa do Corpus a Oliveira, ningunha rapariga quixo bailar comigo, excepto unha de Celeiros que vem de mala gana e ainda pra mais era velha. Recordo de Peinador. O sete de Xunho pola manhan fun a Trancoso pedir trabalho, e mandaron-me desfazer caixas para aproveitar as tábuas que serviram, non tendo quedado contente com este trabalho e despois de acabar o monton de caixas, passei (…) como non encontraba pousada vinha dormir a casa muitas vezes, ó chegar á casa encontraba água no pote, cinza nas cuncas, barro no forno e a artesa livre; mas nestes tempos como habia um cabrito e tinha cabras habia no louceiro unha cunca que parecia ter 40 dl e um xarro velho com leite e unha colher velha; saia d’alá ás oito da noite, e chegaba ás once; tinha que sair ás três para estar ás cinco da manhán, mas tomei pousada permanecendo nela vinte dias, despois vinha á casa, mas faltava dias. No dia doze de Xunho vinhem á casa, estava unha escuridade horrenda, eu vinha moribundo cheio de fame. Despedida de Peinador. O sete de Septembro de 1904 saín de Peinador por minha vontade, tinha dormido várias vezes sobre a caldeira de Peinador, e unha vez dormin no meio daqueles vales e milhos. O dezoito (…) fun cobrar o resto e se queria admitiam-me, cheguei a casa, a minha nái tinha feito um cabazo de sidra, comim unhas sopas e ó momento assaltou-me unha dor de cabeza, catarro, voz ronquenha e fun-me deitar. Ah… Ah… como que queria imitar palabras mas non era capaz de falar, dunha maneira que dava medo, e era el demónio que falava por ela, fun xunto dela com unha luz acesa e logo começou a falar, e non vim nada, logo que apaguei a luz, deixou-se sentir unha cousa á que eu puxem interxeiçón – Cháááááá! chá?, chá, chá, repetida tantas vezes como as tenha a dita interxeiçón, isto cantaba xunto de nós, outras vezes cantaba mesmo ó ouvido, tendo o ouvido deitado sobre a almofada, fora da casa deixou-se sentir por duas ou três vezes unha voz assombrosa algo grossa como a voz dum papagaio pronunciando algunhas frases, mas só pola metade da palabra así Que hac, en dé, que hacs. – eu restreguei-me com um alho, logo o dito Spírito vem xunto de mim; eu queria-me levantar e o Spírito non me deixava que me tronzava a forza, eu enseguida enchendo-me de alento, e fazendo um esforzo, e largando um suspiro xunto com um hag!, dixem – ¡Xesus! e o Spírito deixou-me mas de forma que non puidem ir trabalhar no dia seguinte; ás três da manhan peguei nun sono profundo, dormindo até ás dez, despertei non Católico, senon desfigurado, assustado, fraco de forças, sem ganas de falar, etc… e así esquecin Peinador, etc…
manuel calviño souto
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TEORIA DO CONHECIMENTO (37)
“O MUNDO É A MINHA REPRESENTAÇÓN”
(PERCEPÇÓN, CONCEITO, ARGUMENTO)
É da maior importância, para o que se segue, reter que Schopenhauer confere ao conhecimento intuitivo um lugar muito prioritário relativamente ao conceito abstracto e á argumentaçón fundamentada. Diz-nos que a grande filosofia surxe de unha visón pessoal do mundo, de unha disponibilidade para captar a estranha natureza da realidade. Se non há percepçón pessoal, non há nada; sem unha visón autêntica, o máximo que se pode fazer é encher as páxinas com ideias ocas ou, no máximo, emprestadas, tomadas aos pensadores que, estes, sim, tiveram essa visón singular. O conceito non é mais do que a abstraçón, no plano da razón, da percepçón orixinal; é o instrumento de trabalho do filósofo (non a matéria-prima), permite armazenar o conhecimento intuitivo e transmiti-lo aos demais, através da linguaxem simbólica (sexa unha linguaxem natural formalizada, artístico-literária ou matemática), mas é unha pálida cópia da percepçón inicial. “O pensar só tem relaçón directa com o intuir, mas o intuir tem-na com o ser em si do intuído” (MRV2, 18) Schopenhauer dir-nos-á que o conceito está para a percepçón como um mosaico para unha pintura a óleo: algo que talvez possa representar o mesmo, mas que está repleto de descontinuidades entre tessela e tessela (pedrinha e pedrinha) e carece da itensidade e da unidade pintada, ou intuiçón. Á parte das suas funçóns de conservaçón e transmissón, o conceito non acrescenta nada á percepçón, aos dados fundamentais que proporciona a experiência directa do mundo. Também non acrescenta nada á argumentaçón, que non terá mais valor que o da validade e qualidade das percepçóns das quais parte; toda a substância e o conteúdo son dados na orixem. Decisiva, pois, é a intuiçón singular, concreta, inmediata. Conceito e argumentaçón son indispensáveis em filosofia, mas ocupam o segundo lugar, tanto na ordem xerárquica de importância como na cronolóxica. Segundo Schopenhauer, a maioria dos filósofos erra ao prescindir da experiência directa do mundo e ao pretender conhecer a realidade mediante conceitos. Ao contrário deles, ele practica unha filosofia muito mais próxima da arte do que da ciência, da actividade intuitiva do que do sistema abstracto. Por isso, quase sempre que expós unha ideia complexa necessitou expressá-la mediante unha imaxe poderosa que a transmitisse por via intuitiva. Como a do mosaico e da pintura para ilustrar a diferença entre o conceito e a percepçón.
joan solé
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