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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (14)

CONVENTOTRES

               Ponte despedida molestado.  O 27 de Septembro de 1905, estando eu em Ponte vem o Spírito inquietarme, e pola manhán quedei dormido,  tendo a pousadeira que despertar-me xa passavam dez minutos da hora, de maneira que o Mestre berregou comigo e tomando-me de mala fé, achacava que non tinha ferramenta, etc…  No día 29 de Septembro de 1905 quedaba destituido, entón vinhem prá casa, e o dia 3 de Outubro de 1905 (terça feira) estando eu assomado á xanela, puxem-me a pensar fixando os meus pensamentos, notei que estava atolondrado da cabeza, dor, catarro pulmonar e latidos no peito, nervios;  a minha ideia era ir buscar trabalho a Salvaterra, Vigo, etc… (ou así um sítio lonxano).  O 4 de Outubro de 1905 pensava ir para Portugal, e acto seguido fún a Matamá xunto da minha nái, decir-lhe que iva a Ponte, e nesse mesmo instante começou a vomitar e a decir que morria, e o viaxe quedou em nada, despois assaltou-me a mim cólicos de barriga, e ningunha vontade de comer, com dor de cabeza, etc…

manuel calviño souto

 

A FORÇA DA VONTADE (51)

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               A vontade é um impulso cego e universal que só quer. Non tem consciência nem conhecimento, é um puro ímpeto.  Non tem fundamento algum, porque é o facto básico, o que non precisa de qualquer outro facto anterior, posterior, inferior ou interior.  Non obedece a regras nem leis, porque é unha força arrebatadora universal.  Non tem outra finalidade além da satisfaçón do querer pulsional ou, dito de outro modo, só se quer a si mesma e á sua sobrevivência ou conservaçón.  A vontade é, no singular e no todo, unha força cega sem conhecimento, um querer “que non sabe o que quer, simplesmente quer, precisamente porque é vontade e non outra cousa”.  O suxeito individual engana-se em cada momento da sua vida, acreditando que quer algo concreto.  O certo e essencial é que quer, quer sempre.  O obxecto concreto do seu querer em todos os instantes non é mais do que a ocasión circunstancial do seu querer essencial.  A vontade non pode ser conhecida, porque, como cousa em si, númeno, Brahma, non  se submete ao princípio da razón espaciotemporal, non entra na nossa experiência possível, na representaçón.  Só se podem ter vislumbres dela (recorde-se o dito nas páxinas 81-82), intuiçóns, mas os conceitos abstractos son incapazes de a abarcar.  Esta substância ontolóxica, este “ens realissimum” (ser mais real) choca com todas as concepçóns metafísicas da filosofia occidental que desde a antiguidade grega, tinham concebido unha ordem xeral racional e harmoniosa garantida por unha intelixência benevolente (logos ou Deus), que seria possível conhecer através do correcto exercício da razón humana.  A estas concepçóns optimistas, Schopenhauer opon unha força bruta caótica, indeterminada e irracional, como fundamento da existência.  A cousa em si, o númeno, o fundo da realidade, a essência do universo, é um querer insaciável, pura vontade de viver.  A vontade é indeterminada e una, encontra-se fora das determinaçóns que estructuram o mundo fenoménico da representaçón; espaço, tempo e causalidade.  Como non passa polos filtros do fenómeno, non se quebra a sua unidade essencial enquanto cousa em si, permanece fora da multiplicidade e da pluralidade, “Ela mesma é una”.  A pergunta inevitável é; como se expressa a vontade unitária e compacta na multiplicidade de indivíduos e factos que saturam o mundo?  A vontade é tudo e os seres individuais son singulares, parciais.  A vontade como cousa em si, “a parte metafísica do mundo”, é diferente, fora do fenoménico. Como se manifesta no mundo como representaçón?

joan solé

AGRADECIMENTOS A TODOS OS VOLUNTÁRIOS QUE TRABALHARON NO MONTE COMUNAL DE GUILLADE

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               Agradecemos a todas aquelas xentes solidárias, que o día dezaseis de Decembro do ano dous mil dezasete, trabalharon em comúm, lado a lado, na defensa da nái Natureza, para o bem das xentes do comúm, e pola livre e prazenteira disposiçón das nossas vidas.   Pois o mundo, perderia muito do seu sentido, sem o disfrute da Natureza e da companhía mútua de todos.  Non obstânte, queremos também aquí alertar, para um despregue indiscriminado da xenerosidade, que nos puidera transmutar em “monxas do liberalismo”.   Com um saúdo fraternal, das xentes do comúm de Guillade, e a bonânza tutelar de todas as nossas Amadríades

                                       ¡¡SAUDE!!

A IRMANDADE CIRCULAR

AS UPANISSADES (ISTO ÉS TU) (50)

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               Schopenhauer descobriu o pensamento hindu (como se disse na biografía, graças ao orientalista Friedrich Majer) no final de 1813, quando o principal e até o secundário da sua filosofia estava xá formado, embora ainda non escrito:  só tinha concluído “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente”.  Espantou-o a similitude daquele saber oculto ancestral com a visón da essência do mundo, bem como as profundas aprendizagens que tinha obtido dos seus mestres, Kant e Platón.  Impressionou-o ter atinxido, partindo do seio da mais estricta filosofia occidental, conclusóns quase idênticas ás do hinduismo, que depois encontraria também no budismo.  Schopenhauer foi um dos grandes introductores do pensamento oriental na Europa.  As Upanissades, conxunto de diálogos em sânscrito que Schopenhauer leu traduzidos para latim, son debates iniciáticos entre um mestre e os seus discípulos a respeito das grandes questóns da filosofia oculta, contida nos livros sagrados, Os Vedas.  Nestes diálogos, falava-se da natureza profunda da realidade, ou essência do mundo, e evidencia-se o carácter ilusório de todo o manifesto, da aparente pluralidade dos seres. A “doutrina do véu de Maya” revela a irrealidade substancial do mundo, que se assemelha a um sonho, a um engano dos sentidos.  Maya é o véu da ilusón que envolve a consciência humana e lhe cria unha sensaçón de multiplicidade e diversidade no que, em verdade, é unidade idêntica.  Quem desexar conhecer a realidade terá de penetrar ou rasgar o véu de Maya para superar a ilusón sensível.  Com a consciência empírica e as ciências non se rasga o véu de Maya, permanece-se no terreno fenoménico, non se entra na essência da realidade.  É preciso outro tipo de conhecimento.  O véu de Maya equivale ao mundo fenoménico e á representaçón, enquanto a realidade verdadeira (“Brahma”, em sânscrito), oculta atrás do véu, equivale à cousa em si ou númeno.  Segundo Schopenhauer, Brahma, como cousa em si, é a vontade.  A fórmula em sânscrito “Tat Twan asi”, que significa “isto és tu”, repete-se ao largo das Upanissades, como um mantra, para que os discípulos recordem a identidade essencial de tudo, incluindo o seu próprio ser.  O individualismo, o egoísmo, a vaidade, a invexa, o ódio; todas estas paixóns daninhas están fora de lugar, porque surxem de um erro inicial sobre a natureza essencial da realidade.  Desaparecem quando se penetra no véu de Maya.

jOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (13)

CONVENTO

                Cousas invisíveis.  Conmunitaten.  A minha nái foi à Cañiza, e toda a manhán a passei na cozinha, ás cinco da manhán assomei-me à xanela, para ver as fermosas estrelas correndo de unha parte para a outra; e vexo enseguida unha luz na Ferreira, como parecendo ser xente com unha fachuqueira, até sentín ruído, como a queimar cascas de pinheiro, despois como a cortar milho, etc…  A luz sempre no mesmo sítio, despois de quinze minutos começan a separar-se unhas lucinhas muito pequenas da grande; unhas brancas, outras azuis, cardenas, roxas; unhas dirixiam-se ó norte outras ó poênte, oeste, leste, outras ó céu e outras parecia que se metian nas profundidades da terra, separabam-se vagarosamente e à distancia de três a quatro quartas da luz grande desaparecian, até que desapareceu tudo.  Consulta.  O día 25 de Agosto de 1905 fún a queimadelos (Adivinha), o 15 de Septembro de 1905, restregei-me com um alho ó deitarme, toda a noite andiven em convulsóns e sonhos malos, pois tivera que me levantar polas 10,20.  O 18 de Septembro de 1905 ó deitarme restregara-me com um alho e o Spírito inmundo inquietando-me com sonhos malos, mas non me molestou muito a consequência do alho, mas faciame vários inconvenientes, tais eran, quedar dormido até ás dez ou doze, levantar-me espantado, sem forças, impedido da minha sorte, etc…  Mala Sorte.  O dia 24 de Septembro, regressei a Guillade, escribín unha carta e pissei unha tinálha de uvas – P, comim figos e bebim vinho, e estaba inchado, mas non me fixeron mal, só que pola noite, vem o Spírito inquietarme, e logo, puxo-se sobre o telhado na figura de um cachorro que partiu unha telha, minha nái levantou-se e começou a rifar com el, pola manhán ainda que tarde partín para Ponte.

manuel calviño souto

SEGUNDA CRÍTICA À METAFÍSICA (ANTROPOMORFISMO) (49)

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               Unha segunda crítica à metafísica de Schopenhauer, depois da exposta nas páxinas 81-82, é a de antropomorfismo.  Segundo esta interpretaçón, extrapolar a essência que desexa do homem a toda a natureza signifíca atribuir falaciosamente características humanas ao que é extra-humano. Percebe-se unha perspectiva antropomorfista na afirmaçón de que o mesmo princípio que anima e dá forma ao homem está no interior de unha pedra, de um carvalho, do vento. É certo que a palavra “vontade” tem conotaçóns, e até um sentido explícito, que associamos de imediato ao carácter humano, a unha característica ou faculdade sua muito consciente, tal como se entende ao dizer que alguém tem muita força de vontade.  Há quem opine, por este motivo, que Schopenhauer non esteve muito bem ao elexê-la para designar um princípio universal.  De qualquer modo, devemos ter presente que os textos do autor son inequívocos:  a vontade está em tudo e unha componente deste tudo é o ser humano.  Non se antropomorfiza o universo, integra-se o homem no conxunto.  E quanto ao suxeito humano, non deveria dizer-se que tem muita força de vontade, mas que sofre muito a força da vontade, porque se manifesta nele mesmo sem ter sido convocada.  Da vontade descoberta mediante introspecçón como essência querente do nosso ser e existência passámos, por analoxía, à essência (idêntica) de todos os seres e factos.  A vontade é o substracto ontolóxico do mundo.  Todos os corpos, obxectos e factos son manifestaçón desta grande vontade xeral “Wille” é a essência do mundo e de todos os seres:  Schopenhauer, embora advirta que é quase um pleonásmo, unha redundância, também lhe chama “vontade de viver” (Wille Zum Leben), unha expressón que se xustifica pelo seu carácter enfáctico ou intensificador e explicativo.

joan solé

EM NOME DE GUILLADE (XXV)

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                          TERRITÓRIO

               Esta demarcaçon atópase atravessada de norte a sul polo extenso e fértil val que conforma o río Tea e os seus tributários, mas a súa configuraçón física caracteríza-se pola hetereoxeneidade, xa que ó lado de formas montanhosas dunha altitude considerável, aparecen terras muito baixas, situadas case ó nível do mar.   Ao longo do território municipal pódense atopar diferentes unidades. No sector noroccidental é onde se rexistran as máximas alturas, debido a que por esta zona se estenden os montes graníticos da serra do Galleiro, que serven de límite natural cos concelhos de Pazos de Borbén e Mos e que acadan o seu cume máximo no coto de Cales (742 metros).   Ao leste tamén existen algúns residuos montanhosos cunha escasa altura, correspondentes aos somontes da serra da Paradanta (con cotas que non superan os 500 metros), onde se localiza A Picaraña (458 metros), na que se atopan dúas moles graníticas.  A súa parte central está formada por um âmplo espazo, máis baixo, que coincide coa fractura de falha que aproveitan o río Tea e os seus afluentes para abrir o val que van percorrendo de norte a sul, formando terrazas fluviais e glaciais.  En conxunto, Pontareas presenta unhas características dum bloque muito fracturado, muito afectado pola tectónica e cum aspecto perfeitamente delimitado pola depresón lonxitudinal que foi criando a erosón fluvial; a súa altitude média apenas supera os 100 metros porque, malia existir algunhas elevaçóns superiores, a maior parte do território está ocupada pola chaira que regan os diferentes leitos.   Póde-se afirmar que a súa paisaxe se define pola alternância de outeiros e vales; estes últimos están muito afectados pola acçón do home, xa que neles predomina o espazo cultivado e é onde se sitúa a maior parte das vivendas.   Seguindo a Henri Nonn, os factores condicionantes da morfoloxía do municipio son os comúns ós do batólito do Porriño, que se caracteriza por unha litoloxía favorável á erosión diferencial, unha tectónica que reforza as diferenzas litolóxicas e unha presenza de dominios morfoclimáticos durante o terciário e o quaternário.   Dende o punto de vista litolóxico, destaca a presenza do granito intrusivo herciniano, que domina sobre toda a extensón superficial.   É possível diferenciar, así mesmo, granitos de dúas micas com textura non orientada e de gran grosso e meio nos bordos montanhosos, que coinciden cos límites municipais leste e norte.   No resto do termo atópase o típico granito de biotita.   Existen, ademais, outros afloramentos graníticos de menor extensón que se misturam cos depósitos aluviais e coluviais que dán lugar ás terrazas fluviais.   Em quanto à edafoloxía, predominan os solos ácidos, cunha textura areenta ou franca-areenta.   Os máis frequentes pola súa extensón son o tipo Samarugo, cun ph compreendido entre o cinco e o cinco e meio e cunha escasa matéria orgánica (sempre inferior ó 10%);  o Sargadelos, semelhante ó anterior, incluso con menor quantidade de matéria orgánica no seu contido;  o Tebra, que se assenta em pendentes elevadas, o que provoca a apariçón de litosolos;  o Meixente, de textura franca e com um contido em matéria orgánica que pode acadá-lo 12%;  e o Goián, de características parecidas ao anterior, mas cunha escasa superfície.

alberte reboreda carreira

TUDO É UM (48)

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               Schopenhauer identificou a inescrutável cousa-em-si com a muito experimentável vontade na essência mais íntima e irreductível do seu próprio ser:  desexo num corpo, logo existo.  Experimentou-o ou percebeu-o no seu sentido interno, de modo non conceptual-abstracto, mas ituitivo e directo.  Seguidamente, dá um salto ontolóxico e, por analoxía, concebe (agora no âmbito da representaçón) que esta mesma  e idêntica vontade, que é a sua essência, é também a essência de todos os seres humanos, que podem experimentar-se no seu foro interno como querer e que son um corpo material que desexa.  O filósofo capta a identidade profunda de todas as pessoas na sua essência metafísica encarnada nos corpos individuais; a vontade.  Se o primeiro círculo concêntrico do lago incluía o suxeito cognoscente, o segundo abarca os seus conxéneres.  O salto non se detém na concepçón da vontade como fundamento de todos os humanos; a analoxía estende-se a toda a realidade,  O pensamento fundamental (a descoberta de um buraco de verme que conduz à dimensón numénica da própria individualidade, ao outro lado do espelho, e nela descobre unha essência que é o querer,  a vontade) estende-se como chave interpretativa a todos os fenómenos do mundo.  Schopenhauer concebe a interioridade humana como um microcosmos da interioridade do universo, ou macrocosmos, e de todos os seus conteúdos particulares.  O “abre-te sésamo” universal que é a introspeçón intuitiva dá-nos acesso à identidade volitiva de tudo.  Non se trata apenas de humanos quererem, mas de, essencialmente, serem querer, vontade.  Também o son todos os animais, as plantas, o inorgânico, as forças elementares da natureza.  Tudo tem como essência, como cousa-em-si, a vontade, tudo é querer:  um can concreto, um lírio concreto, unha pedra, a força da gravidade, Vénus, a agulha da bússola que aponta o Norte, o pinheiro que resiste ás chicotadas do vento, o vento que chicoteia o pinheiro.  Tudo é vontade obxectiva enquanto manifestaçón percebida na representaçón, vontade metafísica enquanto força que desexa.  O universo é também, ao mesmo tempo, fenómeno percebido no plano sensível-empírico e cousa em si metafísica oculta para os sentidos:  Quando contemplamos o ímpeto poderoso e irresistível com que as águas se precipitam para as profundezas e o imán se volta unha e outra vez para o Polo Norte, a ânsia com que o ferro corre para o íman, a violência com que os polos eléctricos se atraem, e que, tal como os desexos humanos, se intensifica com os obstáculos;  quando vemos como o cristal se forma rápida e subitamente, com unhas linhas tan regulares que evidenciam claramente unha aspiraçón em diferentes direçóns, muito decidida, determinada, precisa, e dominada e retida pela solidificaçón;  quando percebemos a selecçón com que os corpos, postos em liberdade em estado líquido e arrancados aos laços da solidez, se procuran e se reúnem, se unem e se separam; (…) entón non nos custará grande esforço de imaxinaçón reconhecer, mesmo a tanta distância, a nossa própria assência, o mesmo que em nós persegue o seu fim à luz do conhecimento, mas que aquí, nos seus fenómenos mais débeis, só actua de forma cega, surda, unilateral e invariável.  (MVR1,140-141)

JOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (12)

INOCENCIO M

               Recordaçón de Ponte. Carpinteiro.  O dia nove de Agosto de 1905 (quarta feira) principiei a trabalhar de carpinteiro em Ponte co meu mestre D. Ricardo, meu padrinho, que me tinha sacado algunha ferramenta a fiado na Casa de Romero, sendo as primeiras nocións de carpintaría, ganhando 5,10 reais. O día vinte e vintium de Agosto de 1905, neste dia celebrou-se a festa de San Roque no bairro da Ponte (Ponte) eu assistín a ela e os meus companheiros, tendo eu um convite ad conxugalema.  Spírito malo, por los días 18, 20, 23, 26 de Agosto de 1905, vem-me inquietar.  O dia 27 andei no trabalho doente, parecia que todo o corpo me estremecia, e até os mesmos ossos, ó deitar-me aliviou-se-me algo, de noite vem o Spírito inmundo inquietarme, nos momentos que me deixaba chamei duas veces em alta voz, mama, mama!  E ó momento me recordou que estava solinho e em terra extranha, e logo caín no sono, acabei perdendo um quarto de día, e para mais, tivo que chamar a pousadeira por mim.  Pelexa.  Acometeu-a comigo um companheiro meu e chegamos a andar a zocos até que o mestre começou a berregar.  Á noite de incomodado rasguei um libro de Cirurxía e demais obxectos.  Ó outro día, ó vir pola casa encontrei minha nái com unha bróa, unhas poucas peras, e unha camisa que vestín no meio daqueles montes.  Houvo um grande eclípse de Sol, e trabalhei meio día.  O día 24 de Agosto de 1905, polas doze da noite, fún molestado polo Spírito malo.

manuel calviño souto

¿PODERA-SE PASSAR PARA O OUTRO LADO DO ESPELHO?

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               Os críticos de Schopenhauer detectam unha inconsistência grave na sua abordagem metafísica, concretamente no “milagre” de que o suxeito cognoscente e o suxeito conhecido sexam um só e o mesmo suxeito.  Assinalam que a percepçón intuitiva e imediata na introspeçón non deixa de ser representaçón de um fenómeno e que, deste modo, a pretensa grande descoberta da sua filosofia é errónea e fraudulenta.  Adaptando unha crítica que Schopenhauer faz á doutrina kantiana, seria como se um homem desexoso de ter unha aventura extraconxugal estivesse num baile de máscaras, seduzisse unha mulher e, quando esta retirasse a máscara, percebesse que é a sua esposa.  Non se pode saltar além da própria sombra.  Schopenhauer admite que, ao perceber num plano metafísico a vontade no nosso interior, permanecemos no plano da representaçón (no nosso lado do espelho), mas obtemos vislumbres, visóns parciais da natureza interna do mundo.  Os críticos non aceitam esta explicaçón e insistem que esta é a lacuna de todo o sistema, por onde entra água até fazer virar o barco.  Segundo eles, non saímos em nenhum instante da representaçón empírica (ainda que sexa interior) e, portanto, non podemos acceder ao plano metafísico.  Seríamos como Ulisses atado ao mastro do barco: ouvimos o canto das sereias que nos atrai irresistivelmente, quisemos precipitar-nos até ao ponto de orixém do canto, mas non conseguimos libertar-nos dos cabos que nos mantêm inmobilizados.  Estamos atados á percepçón empírica, à representaçón.

joan solé

DERIVA HISTÓRICA

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                 OS TUNEIS SEGREDOS

               D’esta, vamos andar arrastados, cegos como toupeiras, por debaixo do chan de Guillade percorrendo os tuneis segredos. Sabido é, de quase todos, que debaixo nossa há unha rede subterrânea de passadizos, construídos por diversos motivos.  Uns, para enterrar becerros d’ouro, lonxe dos olhares cobiçosos. Outros, para poder escapar ás iras tumultuosas dos populares.  Uns outros, para levar os cabalos a beber ó rio, de unha maneira diferênte.  Etc…  Um perigoso trabalho nos espera, só para xente valorosa e destemida, ou sexa, a xuventude incauta, que non têm medo de nada.  Pois, sempre pode haver algum derrumbe, ou animais doutra espécie diferente da nossa.  Ás veces, fai-se necessário rastexar, e “quanto mais se lhe mira, menos se lhe vê”.  Alguêm que tivera ganas de morrer, sería o ideal.  Pois, poderia iniciar sistemáticamente, unha viáxe ó Tártaro, percorrendo o nosso infra-mundo.  Há várias bocas do inferno, unha delas, talvez a mais famosa de todas, fica no mato da Namora, e adentra-se por debaixo da igrexa. Despois, há outra que tem escaleiras, e baixa até ó rio.  Outra, que vêm da Pena e toma a direcçón da igrexa, na qual entrei eu de pequeno, mas, xulgo que non cheguei ao fim (porque ainda sigo vivo).  Agora, têm muitos derrumbes, pois vai quase á superfície do monte, e está techada de pastas, que se van partindo a causa dos muitos tractores.  Parece ser, que existe um que fai o caminho entre a casa do  abade e a igrexa, para que, em caso de muito tráfico, el poida chegar a tempo á misa.  Di o Xosé da Masquina, que passa xusto debaixo do andén da Cruz do Balado.  E por fim, o pái de todos os túneis, que chegaría até ó Coto da Pedreira. Por falar na Pedreira, também na falda da Coalheira há unha mina seca, com água no seu interior, oculta na encosta, á qual Felís Sebastián mandou fazer um borde de tixolo, para evitar que todo tipo de animais poideran cair dentro.  Sempre me intrigou este lugar, non tem saída de água, mas quando se atira unha pedra para o seu interior, comprova-se que é profunda.  E, prontos (non para acometer este negócio), mas, para ver se aparece alguém o suficientemênte destemido, para afrontar tal acometida, com garântias de éxito.

a irmandade circular

 

O SER HUMANO É BIDIMENSIONAL, VIVE NA VONTADE E NA REPRESENTAÇÓN (46)

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NON DISTINGUE ENTRE CORPO E ALMA OU MENTE               .

               Schopenhauer é monista ou antidualista na sua visón do corpo e do seu princípio de animaçón ou enerxia.  Non distingue entre corpo e alma ou mente, mas expón um contínuo indivisível corpo-vontade.  A vontade non é algo que primeiro desexe e depois orixine um movimento ou unha pulsón no corpo.  O querer é a dimensón interna da acçón ou pulsón, non é unha causa temporalmente ou loxicamente anterior a elas.  A acçón do corpo tem dous aspectos: um interno (o que recebemos na nossa representaçón cerebral, xá ao nível do fenoménico).  Mas estes dous aspectos formam parte de um único feito.  A consciência está no cérebro (corpo) e non pode existir fora dele: quando o corpo perece, a consciência individual desaparece.  A razón como funçón cerebral responde a necessidades biolóxicas, físicas.  Este monismo é decisivo para compreender a filosofia schopenhaueriana.  O querer é ao mesmo tempo físico e metafísico, o corpo físico é vontade metafísica.  O aspecto físico coloca o ser querente (corpo) no plano fenoménico, o aspecto do desexo coloca o ser corporal no plano numénico.  Ambos os aspectos se coimplicam, pressuponhem-se, están correlacionados um com o outro, como o están também o suxeito cognoscente e o obxecto conhecido. Assim toda a acçón do corpo é um acto de vontade, mas non no sentido em que haxa unha relaçón causa-efeito entre o segundo e o primeiro;  a vontade non ordena (como causa) que o corpo realiza unha acçón (como efeito), a vontade (o querer metafísico) está em cada acçón do corpo.  Se existisse unha relaçón de causalidade, poderiamos pensar a vontade, mas ao pensá-la regressaríamos (pelo buraco do verme) ao âmbito da representaçón, xá non a experimentaríamos directamente.  O suxeito vive-a de um modo muito distinto. (…)  O ser humano é bidimensionalidade, vive na vontade e na representaçón.  É, para si mesmo, vontade e representaçón.

 

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (11)

AVIGAIRA.

               Eu Salvaxe em Vigo.  O dia 27 de Março de 1905, saín de Guillade ás duas da tarde (estaba a Teixucha a berregar com a minha nái) dormin em Ponte e pola manhán fún dereito a Porrinho, cheguei ás duas da tarde a Vigo, ás 5.15 da tarde, partin para Cangas, o outro dia pola manhán regressei para Vigo, e no outro partín de Vigo para Guillade, gastei 40 reais.  Pelexa. Os de Cumiar.  O dia 30 de Abril de 1905 ó vir da festa das Angustias, eran as dez da noite, e os de Cumiar, pois as raparigas no serán, tinham-lhe posto alcunhas a todos, e por isto implicaron comigo, botando-me as culpas a mim.  O 12 de Maio de 1905 eu fún ás vispras de Vila Coba na companhia do Inocêncio do Fadista, e ó vir de volta destruimos a ponte de madeira, cheguei á casa ás duas da noite, e encontrei Avelino Carraceda a dormir no meu quinteiro, e assustei-me quando vin um home tirado alí no chan, e por pouco non lhe dei com um pau na cabeça, dormiu comigo e pola manhán levou-me enganado a Trancoso e dalí a Ponte, por via d’unha máquina de solfatar que tinha alí a gobernar.  Desde Ponte fún a Vilacoba com dous rapazes de San Lourenzo, ó chegar á festa vin que tinha os pantalóns descosidos no cú, porque estaban muito apertados (traxe branco) feito pola mulher de José Rey Fernandes (lavativa), eu cheguei á festa e marchei acto seguido…

manuel calviño souto

O MUNDO COMO VONTADE: A METAFÍSICA SEM CÉU (45)

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               Schopenhauer entende, imediata ou intuitivamente, que a sua essência numénica, sua em si, é o querer, o desexar, a vontade.  Latente, palpitante em todas as manifestaçóns dos fenómenos do seu ser no nível da representaçón (sexam estas acçóns ou pensamentos) está a vontade.  A sua descoberta decisiva  non se deveu a nenhum conhecimento obxectivo ou abstracto, nem a um sentimento relixioso, mas, sim, à experiência interior ou autoconsciência, que o colocou em contacto com o mais particular, individual e íntimo.  A sua metafísica non excede o âmbito da experiência, mas a experiência xá non se limita à representaçón: segundo Schopenhauer, pode ir para além dos seus limites.  Outro filósofo tinha procurado, através da introspecçón, o fundamento de todo o conhecimento no seu próprio interior.  René Descartes acreditou econtrar dentro de si unha certeza incontestável: posso duvidar de tudo menos do facto de estar a duvidar.  “penso, logo existo”, a minha essência, o meu dado e feito básico e orixinal, é pensar.  Schopenhauer opôn-se a esta abordaxem racionalista a partir da que se recebe pela experiência intuitiva interior: a essência do suxeito, sentida com honestidade na autoconsciência, non é racional, mas, sim, um querer permanente, a vontade; querer é o mais natural ao homem.  O querer, e non o pensar, é o feito fundamental, o dado básico.  A vontade actua a partir dos motivos que lhe mostra a mente, mas é prévia ao aparecimento destes na consciência.  Non há nada que possamos experimentar de mais imediato do que a vontade, non há nada que permita explicá-la (conhecê-la) além de um puro querer.  Precisamente porque o suxeito do querer se dá imediatamente na autoconsciência, non se pode definir nem descrever melhor o que é o querer; bem pelo contrário, este conhecimento é o mais imediato de todos, é, inclusivamente, o que, pelo seu imediatismo, lança a luz sobre todos os outros, que son muito mediáticos. (RS. 43)

JOAN SOLÉ

EM NOME DE GUILLADE (XXIV)

 

             O CATÁSTRO DE ENSENADA

               A realidade física e imaxinária, reflectirá-se no catástro do Marquês de Ensenada, realizado entre 1749 e 1759.  Este interrogatorio do século XVIII convertiria-se na principal fonte documental para achar os limites das aldeias, reflectindo nos seus fólios a realidade histórica dos lindes entre aldeamentos e montes.  O catástro vinha a confirmar a longa tradiçón dos limites , dos deslindes realizados entre vecinhos, dos acordos eclesiásticos, dos pleitos vecinhais pelos montes do comúm.  O interrogatorio do catástro manterá-se ainda no século XIX como referência básica da realidade histórica das aldeias.  Deste xeito, à excepçón dalguns casos, cando os concelhos tomam por sua conta os expedientes de exclusón de venda dos baldios comunais, a sua inspiraçón está no interrogatorio do Catástro de Ensenada. Xunto com este interrogatorio incorporarom-se outros materiais como o Real de Legos, no qual figura o listado dos montes do comúm.  Sendo esta unha informaçón complementária da riqueza de datos do interrogatório, convertidos em material imprescindível para conhecer com precisón a existência histórica dos montes Vecinhais em Man Comúm, orgulho civilizacional de todos os  Guilladenses.

a irmandade circular