
Trata-se de “imprimir um estilo ao carácter”, integrando as tendências em confronto que nidificam em nós e harmonizá-las nunha unidade superior. O “Super-home” non se sente ameaçado pola sua própria exuberância. Non tem medo de se aproximar “a Deus e ao palhaço, ao santo e ao canalha” que habitam nele. Quando escava dentro de si, encontra recursos para a sua disposiçón e non perigos que tem de erradicar. O “super-home” contempla-se a si mesmo como um pianista que olha para todas as notas do teclado ou um pintor que observa as diferentes cores da paleta. Certamente, a hipersexualizada sociedade do século XXI superou muitas das prohibiçóns morais do passado. Mas isso non significa que se tenha desprendido da concepçón cristán do corpo. Na nossa cultura, aparentemente libertada, vê-se a marca da repressón, e de um modo mais subtil do que pensamos. Por exemplo, Nietzsche adverte que os assuntos eróticos colonizarom a nossa imaxinaçón. É preciso ficar claro, em qualquer caso, que Nietzsche non fai um apelo à desinibiçón total e ao descontrolo das paixóns. Embora, por momentos, possa parecê-lo, o seu tipo humano ideal non aponta para um ser “natural” e “amoral”, para unha espécie de besta que dá rédea solta aos seus instintos. A automodelaçón que Nietzsche propón é algo mais do que simplesmente fazer desporto com regularidade ou descomprimir nunha discoteca de vez em quando. Confeccionar um corpo à nossa medida é unha tarefa rigorosa e esixente. Comporta um trabalho físico e intelectual constante, e exclui a excessiva satisfaçón consigo mesmo. O mandato nietzschiano de “chegar a ser o que se é” implica conceber o próprio eu como um devir constante.
TONI LLÁCER