
A cidade de Caracas está situada no val que leva o seu nome e que é um dos mais belos que se encontram nestas rexións. Baixo um clima temperado e suáve, a natureza toma um ar tal de louzanía, que o viaxeiro que desponta por cima da cumieira do Avila, acredita encontrar-se no seio de unha eterna primavera. O verde ondulante dos vastos prantíos de cana, claro e luminoso, contrásta com os refléxos intensos dos cafetais que médram nas alturas. Dous ou três imperceptíbeis fios de água cruzam a estreita chaira, e aínda que o corte dos cerros sobre o horizonte resulta algo monótono, há tal profusón de árbores nos seus declives, a baixa vexetaçón é tán espessa e compacta, que a mirada encontra sempre novas e agradábeis sensaçóns ante tal quadro. A cidade, como todas as americanas fundadas polos espanhois, é de ruas estreitas e rectangulares. Sería em ván buscar nelas os sumptuosos edifícios de Buenos Aires ou de Santiago de Chile; ao mesmo tempo que as conmoçóns humanas impedíram o desarrolho material, as sacudídas intermitentes da terra, tremendo a cada borrasca que axíta as veias da montanha, fán impossíbeis as construcçóns grandes e sólidas. Tudo é alí lixeiro, como em Lima, e o aspecto interior das casas, as suas paredes delgadas, os seus tabiques tênues, revelam constantemente a temída expectativa de um terremoto. Durante a minha permanência em Caracas, tíve ocasión de observar um desses fenómenos aos que o home non pode nunca habituar-se e que fán tremer os corazóns mais farrucos. Lía, tendido sobre um sofá do meu escritório e no momento em que García Mérou se inclinaba a mostrar-me um pasáxe do libro que recorría: ví como tremía entre as suas máns, mentras percorría o meu corpo um estremecimento curioso. mirámo-nos um momento, sem comprehender, o tempo suficiente para que os tectos, caíndo sobre nós, nos tivéram reducído a unha forma meramente superficial. Quando notámos que a terra tremía, corremos, primeiro para o xardím; logo levádos pola curiosidade, corremos a rua observando a todo o mundo nas portas das suas casas; caras cheias de espanto, xentes que corríam, mulheres axoelhadas, um pavor desatentado vibrando na atmôsfera. Unha ou duas paredes da casa racharom, e aínda que sem perígo para nós, non assím para aqueles que a habitam nesse momento de repetiçón do fenómeno. A cidade, em si mesma, alberga um aspecto sumamente tríste, sobre tudo para aqueles que nascemos nos “llanos” e que non podemos habituarnos a viver rodeados de montanhas que limitem o horizonte em todos os sentidos e parecem enrarecer o ar. Há, non obstânte, dous pontos que poderíam figurar com honra em qualquer cidade europeia: a praza Bolivar, perfeitamente enlosada, com a estátua do Libertador no centro, cheia de árbores corpulentas, limpa e bem acondicionada, delicioso lugar de recreo para passar um par de horas escûtando música da retreta. E o Calvário. O Calvário é um cerro pintoresco e pouco elevado, a cuxo pé se extende Caracas. Em todas as guerras civís passadas, a fracçón que logrou fazer-se dona do Calvário, acabou inmediatamente por dominar a cidade. Desde alí contróla-se completamente a cidade, e nem um páxaro podería gabar-se de a contemplar mais cómodamente que o que se encontrar no bonito cerro.
MIGUEL CANÉ