
O fogo e o verbo comum. “Este mundo é o mesmo para todos, non foi xerado polos deuses nem polos homes, mas foi sempre, é, e sempre será, um fogo eternamente vivo. Que se alimenta de maneira regulada e também com mesura se apaga. Este verbo, embora sexa verídico, torna-se sempre incompreenssíbel para os homes, tanto antes de o terem escutado como quando o escutam pola primeira vez. Embora todas as cousas aconteçam em conformidade com este verbo, os homes non parecem aperceber-se das palabras e dos factos tal como os exponho, quando procedem a distinguir a sua natureza das cousas e a dizer aquilo que som. Pois os outros homes som tán incapazes de apreender aquilo que fazem quando están acordados como de reter na memória aquilo que fizeram enquanto dormiam.” O fogo e a razón (o comum que Heráclito procura). Saltando a ordem cronolóxica, introduzo um pensador que teria podido considerar-se um degrau mais na sequência de fisiocratas que discutiam sobre a prioridade dos elementos, xá que propunha erixir o fogo como princípio xerador, mas que é posterior a Pitágoras. Refíro-me a Heráclito, nascido em Éfeso por volta de 544 a. C., ignorado polos seus contemporâneos, “ressuscitado” de algunha forma por Platón e, séculos mais tarde, obxecto de culto por parte de filósofos tán diferentes como Hegel, Nietzsche, Wittgenstein ou Heidegger.
VÍCTOR GÓMEZ PIN